Pular para o conteúdo
Especiais
array(2) { [0]=> object(WP_Term)#20782 (10) { ["term_id"]=> int(4295) ["name"]=> string(20) "Especial Neofascismo" ["slug"]=> string(20) "especial-neofascismo" ["term_group"]=> int(0) ["term_taxonomy_id"]=> int(4295) ["taxonomy"]=> string(9) "especiais" ["description"]=> string(0) "" ["parent"]=> int(0) ["count"]=> int(69) ["filter"]=> string(3) "raw" } [1]=> object(WP_Term)#20781 (10) { ["term_id"]=> int(4350) ["name"]=> string(13) "Marielle Vive" ["slug"]=> string(13) "marielle-vive" ["term_group"]=> int(0) ["term_taxonomy_id"]=> int(4350) ["taxonomy"]=> string(9) "especiais" ["description"]=> string(0) "" ["parent"]=> int(0) ["count"]=> int(207) ["filter"]=> string(3) "raw" } }

É preciso repudiar as ameaças dos generais às vésperas da decisão do STF

05/07/2017- Brasília- DF, Brasil- O chefe do Estado-Maior do Exército, general Fernando Azevedo e Silva, e o comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Boas, participam de audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional Foto: Marcelo Camargo/EBC/FotosPúblicas

Por: Pedro Augusto, de São Paulo, SP

Postagem no Twitter do General Villas Bôas

Um dia antes do julgamento do habeas corpus de Lula pelo STF, o general da reserva Luiz Gonzaga Schroeder Lessa ameaçou “reação armada” caso o Tribunal reveja o entendimento da prisão após condenação em segunda instância, no caso do Lula. Horas depois, o Comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, usou o Twitter para endossar a pressão ao Supremo feita por seu colega de farda, e foi aplaudido por seus comandados através da mesma rede social, após sugerir, nas entrelinhas, ação do Exército a depender da decisão tomada pelo colegiado.

É preciso condenar de forma contundente essas declarações de alguns dos membros mais importantes das Forças Armadas, que afrontam as instituições e as poucas liberdades democráticas contidas na Constituição de 1988, arrancadas com muita luta da classe trabalhadora contra o regime militar.

Não é normal que o alto comando do Exército atue de forma tão escancarada, incisiva e ameaçadora frente aos principais temas políticos do país. Ao menos desde a queda da ditadura militar-empresarial, a caserna não se sentia tão confortável quanto agora para disputar e interferir na opinião pública, inclusive falando abertamente sobre a possibilidade de uma intervenção militar para a “restauração da ordem”.

Foto: Ato em São Paulo | Esquerda Online

Isso ocorre no mesmo dia em que milhares de manifestantes verde-amarelos voltam às ruas das principais capitais do país defendendo a prisão de Lula, convocados por figuras centrais da Operação Lava Jato, como o Promotor Deltan Dalagnol, o juiz Marcelo Bretas, além de movimentos como MBL e Vem Pra Rua, que inclusive pagaram espaços nobres nos principais jornais do país para convocar os atos de hoje, além da ajuda da Rede Globo. Também há um contexto no qual o deputado neo-fascista Jair Bolsonaro ganha cada vez mais influência e hoje é o segundo pré-candidato a presidente da República com maior intenção de votos, em todas as pesquisas.

Essas manifestações, bancadas pela extrema-direita e empresários que apoiaram o golpe parlamentar, aconteceram um dia após o Ato em Defesa da Democracia ocorrido no Rio de Janeiro. O ato foi convocado pelos partidos PT, PSOL e PCdoB, contando com a participação de diversas representações políticas e artísticas, dentre as quais os pré-candidatos à Presidência da República Lula e Manoela D’Ávila, além do deputado estadual do Rio de Janeiro pelo PSOL Marcelo Freixo.

Nesse ato, foram denunciados o assassinato político e racista da vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL Marielle Franco, que tinha como atuação central a luta contra a intervenção militar no estado e contra o genocídio e a violência contra negras e negros das favelas. Também foi lembrada a execução dos cinco jovens de Maricá por um grupo ligado às milícias, dois deles militantes da União da Juventude Socialista. O ato também condenou o ataque a tiros à Caravana de Lula, reafirmou o repúdio à prisão de Lula após a sua condenação em segunda instância e, por fim, chamou à construção de uma frente democrática contra o fascismo, no Brasil.

Agora, mais do que nunca, é preciso transformar em ação o repúdio à escalada autoritária pela qual passa o país, seja através da toga dos juízes, mas agora principalmente através do verde-oliva dos militares. Além disso, o fortalecimento dos órgãos repressivos do Estado só alimenta a ousadia dos bandos armados que se sentem cada vez mais à vontade para massacrar fisicamente as lutadoras e lutadores, os movimentos sociais, e aprofundando ainda mais o regime de repressão militar permanente e violenta no qual já vivem os moradores das periferias, em sua ampla maioria negras e negros.

Foto: 5/07/2017- Brasília- DF, Brasil- O chefe do Estado-Maior do Exército, general Fernando Azevedo e Silva, e o comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Boas, participam de audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional | Marcelo Camargo/EBC/FotosPúblicas