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Relatório final da Comissão da Verdade da USP comprova graves violações aos direitos

Homenagem aos mortos e desaparecidos da USP
Jornal USP

Homenagem aos mortos e desaparecidos da USP

O período da história da USP que vai de 1964 a 1985 é marcado por graves violações de direitos humanos, que atingiram duramente docentes, funcionários e alunos. Esta é a conclusão do relatório da Comissão da Verdade da USP, entregue na última quarta-feira (21) ao reitor Vahan Agopyan. Composto de dez volumes, o material traz relatos e documentos que tentam esclarecer os fatos ocorridos na época.

O destaque fica por conta do papel desempenhado pela Assessoria Especial de Segurança e Informação (Aesi), órgão criado durante a gestão do reitor Miguel Reale, que tinha como finalidade “realizar triagem ideológica de alunos, professores e funcionários”. Neste contexto, a Aesi produziu inúmeros informes, que eram compartilhados com as Forças Armadas, com o Serviço Nacional de Informação (SNI), com o Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops) e com as polícias. “Em muitos casos, a vigilância resultou em prisão, morte, desaparecimento, privação de trabalho, proibição de matrícula e interrupção de pesquisa acadêmica na instituição”, afirma o documento. A AESI (Assessoria Especial de Segurança e Informação) funcionou com toda a infraestrutura em sala ao lado da reitoria, entre 1972 e 1982.

DOWNLOAD DE TODOS OS VOLUMES DO RELATÓRIO

 

A partir dos levantamentos feitos pela Comissão Nacional da Verdade, o relatório traz ainda a relação dos mortos e desaparecidos políticos que tinham relação com a USP: 47 pessoas. Entre eles está a professora Ana Rosa Kucinski. “Mereceu destaque o caso da professora Ana Rosa Kucinski em razão da decisão tomada pela Universidade, de demissão por abandono de cargo, por ocasião de seu desaparecimento. A reparação foi solicitada pela Comissão da Verdade, em 2014. Após diligências, o Instituto de Química dispôs-se, por unanimidade de votos dos membros da Congregação, a anular o ato anterior e pedir desculpas formais à família da professora”, afirmam os membros da Comissão da Verdade da USP na apresentação do relatório

Os casos ocorridos na Faculdade de Medicina, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, na Faculdade de Direito, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e na Escola de Comunicações e Artes mereceram volumes específicos, dada a gravidade dos fatos. Depoimentos de ex-alunos também foram publicados em um volume especial, registrando as torturas sofridas por estudantes presos, as inquietações políticas presentes e as razões que levaram os militantes políticos a deixar o movimento estudantil para atuar no movimento operário.

A Comissão da Verdade da USP foi criada pela portaria GR 6172, de 2013, presidida desde 2014 pela professora Janice Theodoro da Silva, e composta por mais seis docentes: Dalmo de Abreu Dallari (FD), Erney Plessmann de Camargo (ICB), Eunice Ribeiro Durham (FFLCH – que pediu desligamento por motivos pessoais), Maria Hermínia Brandão Tavares de Almeida (IRI), Silvio Roberto Salinas (IF) e Walter Colli (IQ).

O Relatório Final, elaborado pela Comissão da Verdade da USP, é composto por dez volumes. Marcia Basseto Paes, presa pela ditadura em 1977, participou da elaboração de seis volumes. Em seu perfil no Facebook, ela destacou a importância do relatório. “A Comissão da Verdade da Usp trabalhou esses anos todos com uma minguada verba da Fapesp de 50 mil reais. Foi um trabalho heróico levado pela Professora Janice Theodoro da Silva. São 2.978 páginas produzidas com muito muito muito esforço de algumas pessoas que não queriam deixar mais uma vez a história ir pelo ralo. Conseguimos tirar um pouco da sujeira que estava embaixo do tapete”, afirma.

 

FONTE: Jornal da USP. Foto: Homenagem aos mortos e desaparecidos da USP.

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ditadura / USP