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  • Moção da CSP-Conlutas em repúdio ao assassinato de Marielle

    Companheira Marielle, presente!

    Marielle Franco, a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro, foi assassinada na noite desta quarta-feira (14). Mulher negra, da favela, não se absteve de denunciar a violência contra negros e pobres.

    As ruas do Brasil, de norte a sul, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, foram tomadas por dezenas de milhares de pessoas nesta quinta-feira (15). A indignação com a execução a tiros da vereadora carioca do PSOL Marielle Franco e de seu motorista Anderson Pedro Gomes na região central do Rio somou-se à exigência de justiça, investigação rápida, punição dos culpados e fim da intervenção federal naquele estado.

    As constantes críticas feitas por Marielle aos abusos cometidos por policiais, em especial do 41º Batalhão de Acari, conhecido como Batalhão da Morte, levam à possibilidade de que sua morte tenha sido encomendada por milicianos ou policiais militares corruptos. Marielle também havia assumido há duas semanas a relatoria de uma Comissão na Câmara Municipal para acompanhar a intervenção militar no Rio.

    A violência desse assassinato provocou uma forte comoção e indignação, levando a um repúdio generalizado dentro e fora do país. Representantes de todas as instituições brasileiras, do governo Temer, Congresso e judiciário, até organismos internacionais como ONU (Organização das Nações Unidas), Anistia Internacional, além de governos, se pronunciaram. Artistas e diversas personalidades também repudiaram o crime.

    O Parlamento Europeu, além de repudiar o assassinato, ameaçou romper relações com o Mercosul. Houve ainda atos organizados em países, como Portugal, Espanha, Chile, entre outros.

    Seu assassinato é um ataque a todos e todas que lutam contra a intervenção militar no Rio de Janeiro e contra a violência contra negros e pobres das favelas e das periferias.

    A CSP-Conlutas se solidariza com as companheiras e companheiros do PSOL, com os familiares e amigos de Marielle e de seu motorista e com os que lutam no Rio de Janeiro.

    Exigimos imediata investigação do crime, punição dos criminosos e o fim da intervenção militar no Rio de Janeiro.
    Todo repúdio a esse crime bárbaro!
    Marielle Franco, presente!

    16 DE MARÇO DE 2018
    CSP-Conlutas

  • A morte de Marielle não foi mais do mesmo

    Giambatista Brito, de Fortaleza (CE)

    Marielle foi mais uma morte em uma capital violenta, de um Estado violento, de um país violento da violenta América Latina. Mas não foi mais do mesmo. Não foi uma morte de bala perdida, por “atitude suspeita”, em troca de tiro, assalto seguido de morte ou coisa do tipo. Não foi a violência cotidiana que matou Marielle. Foram quatro tiros na cabeça muito bem disparados em um atentado premeditado. As balas que tiraram a vida de Marielle também levaram a de Anderson mas é bom que não se perca a noção de que elas, as balas, eram e foram tão somente para ela. Anderson, um trabalhador precário como tantos outros fazendo bico pra ajudar a sustentar a família, foi uma perda irreparável para os seus, mas ele, como dizem matadores, foi “dano colateral”, ela era o “alvo”.

    Não faltam gritos e textos por todos os lados afirmando que Marielle foi morta por ser mulher, preta, favelada e LGBT. E sim, isso é verdade. Mas também é bom que se saiba que é só parte da verdade. Todo dia se mata mulheres, pretos, favelados e LGBTs nesse país. Foi parte disso mas não foi isso e ponto final. Se matam mulheres, pretos, favelados e LGBTs porque na brutalidade cotidiana brasileira é como se esses não valessem nada. Marielle não era isso e seus assassinos assim o sabiam. Esperaram duas horas do lado de fora da reunião onde ela estava antes de a executarem. Os que a mataram, não mataram porque sua vida “não valia nada”, mas porque sua morte valia e muito.

    Também se diz que foi morta por ser ativista e defensora dos direitos humanos. E mais uma vez é certo o que se diz mas da mesma forma não foi só isso. O Brasil vem matando líderes comunitários, camponeses, indígenas e quilombolas a torto e a direito desde sempre. Chico Mendes, Zé Maria do Tomé, Dorothy Stang e uma lista sem fim de homens e mulheres. Sua morte também foi parte disso mas também não foi isso e ponto final. Marielle era uma das principais vozes na luta contra a intervenção federal e a violência policial no Rio de Janeiro.

    Todas as justificativas até aqui são certas mas ainda assim não são suficientes nem dão conta da gravidade de tão dura morte. Não foi mais do mesmo e se não entendemos isso corremos o risco de sermos arrastados pelo discurso e narrativa dos que nos querem ajoelhados, amedrontados, divididos e, quando não, mortos.

    Mataram uma vereadora do PSOL, uma parlamentar da esquerda socialista e isso sim, é novidade. A democracia brasileira sempre foi muito violenta mas jamais tinha feito algo assim. É diferente na democracia mexicana por exemplo, onde se mataram 111 prefeitos nos últimos 12 anos, a imensa maioria executados a sangue frio. É verdade que também aqui em especial nas cidades tomadas pelo tráfico, e ainda que em pequenas proporções se comparado com nossos irmãos mexicanos, há mortes de candidatos e até parlamentares como parte da disputa de poder e território. É o crime matando rivais que se metem na política. Mas não se trata disso. É preciso enxergar que uma linha foi ultrapassada. A morte de Marielle foi uma execução com motivações abertas e descaradamente políticas com imensas possibilidades de ter sido praticada por agentes do Estado.

    Até a noite do último dia 14, parlamentares de grandes capitais eram “peixes grandes” demais para serem mortos. Não estamos diante de “somente mais uma” de tantos e tantos dos nossos mortos a anos a fio. Nada disso. Essa foi a primeira. E isso é tão verdade que praças e ruas de todo o país foram ocupados fazendo alguns lembramos até de junho de 2013.

    E ou se torna ainda maior e contundente com uma unidade da esquerda socialista e os movimentos organizados a frente, ou, por um lado, ganha a narrativa do combate a violência com o fortalecimento da Intervenção Federal como saída, ou por outro, ganha ares de rotina e depois de Marielles poderão vir Sônias, Marcelos, Renatos e Guilhermes.

    Não foi mais do mesmo e não poderá ser respondido como tal. Não é hora para permitir que ganhe peso quaisquer discursos de divisão dos nossos. Não é hora para pedir que se calem os indignados independente de quem sejam ou onde venham. Não é hora de deixar crescer o discurso de “sem partidos” como bem querem alguns. Ousadia e ainda mais coragem para lutar em unidade contra os poderosos que avançam sobre nós.

    Para os nossos mortos nenhum minuto de silêncio, mas uma vida inteira de luta. Que essas não sejam palavras vazias.

    * Giambatista é militante da Nova Organização Socialista (NOS) e membro do diretório nacional do PSOL

    Publicado originalmente no site da NOS

    VEJA TAMBÉM

    VÍDEO: Nossa homenagem à Marielle Franco

  • Hong Kong: apelo à solidariedade!

    Hong Kong foi colônia britânica desde o final da Primeira Guerra do Ópio, em 1842, quando os ingleses obrigaram a China a importar ópio da Índia, então também em posse dos ingleses, para aumentar suas receitas. Em 1997, como prova do apoio ao irreversível processo de restauração capitalista, Hong Kong foi devolvida à China, tendo adotado o status de Região Autônoma, com o acordo de manter suas instituições, particularmente alguns direitos democráticos formais, inexistentes na China Continental. O Conselho Legislativo que dirige a Região Autônoma tem um complicado sistema eleitoral em que a metade dos seus 70 membros é eleita diretamente e a outra metade, de forma indireta, dando peso às associações empresariais. Mesmo assim, em 2014, o governo de Beijing insistiu em ter o poder de vetar a inscrição eleitoral de algum dos três candidatos membros do Conselho à chefia do governo local, o que tornava sem sentido a eleição direta ao cargo. Grandes mobilizações populares se insurgiram contra esse direito de veto vindo da capital, no que se denominou como “revolução dos guarda-chuvas”.Pela disparidade de forças e a falta de apoio no continente o movimento foi derrotado e o governo central tem procurado apertar o cerco aos que insistem em seguir a luta. É o caso de vários membros eleitos ao Conselho Legislativo que foram presos. De Hong Kong nos chega o apelo à solidariedade. (Editoria Internacional)
    Foto de abertura: Coletiva de imprensa em Hong Kong contra a repressão. Crédito: CWI

    Solidariedade global contra a repressão em Hong Kong – liberdade para os prisioneiros políticos!

    Solidariedade global contra a repressão em Hong Kong – liberdade para os prisioneiros políticos!Desde o ano passado vimos um aumento da repressão e do caráter autoritário do regime de Hong Kong. Tivemos a prisão de jovens ativistas pela democracia, incluindo proeminentes líderes da “Revolução dos Guarda Chuvas” de 2014, a destituição de seis legisladores eleitos e recentemente o impedimento de opositores ao regime se candidatarem.Apoie você também essa campanha de solidariedade internacional. Visite o site, assine a petição e paute a campanha em seu sindicato ou movimento: https://stophkrepression.net. Visite também a página no facebook e poste fotos de apoio: https://www.facebook.com/hkrepression/

    Publicado por LSR – Liberdade, Socialismo e Revolução em Quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

  • Por Marielle e Anderson, permanecer nas ruas

    Por: Matheus Gomes, colunista do Esquerda Online
    @matheuspggomes

    16 de março. Exatamente um mês do anúncio da Intervenção Federal Militar no Rio de Janeiro e a “jogada de mestre” de Temer está em xeque. A execução política de Marielle fez surgir um movimento de crítica à Intervenção nas ruas. Composto por diversas camadas da sociedade, quero destacar que ontem se expressou um sentimento comprimido pela repressão nas periferias, algo já visto em Junho de 2013 quando ganhou peso a denúncia das UPPs e a campanha “Cadê o Amarildo?”.

    A imprensa e as autoridades governamentais (civis e militares) se esforçam para responsabilizar o crime organizado. A “inteligência” oficial diz que a execução de Marielle foi uma resposta de traficantes desgostosos com a presença do Exército no Rio. Por que executariam uma opositora da Intervenção? Mesmo que ela também fosse contra o tráfico e pela descriminalização das drogas, não parece fazer sentido. Ao mesmo tempo, a Folha de SP diz ser “teoria da conspiração” relacionar a execução com as denúncias da vereadora ao Batalhão de Acari, o mais sanguinário do RJ. Ambos tem um plano: intensificar a violência racista e não recuar nenhum milímetro com o projeto de militarização.

    Pode ser que a execução não tenha sido planejada nos autos escalões do poder, mas o Estado tem as mãos sujas de sangue sim, pois abriram a “caixa de pandora”. Se confirmou a hipótese de uma “Bolsonarização sem Bolsonaro” com o desenrolar da Intervenção – aliás, ele permanece em silêncio -, pois grupos paramilitares filhotes dos “Esquadrões da Morte” e “Comandos-Caça-Comunistas” da época da ditadura empresarial-militar se encorajaram para cometer tal ação, algo que nunca deixou de existir no Brasil, vide os 600 assassinatos de maio de 2006 em SP.

    Marielle era a voz do povo negro e da esquerda socialista contra a Intervenção Militar no RJ. “Cria da Maré”, estudou o fracasso das UPPs e sabia que a militarização não era solução. Esse legado precisa ser estendido, pois é um tema estratégico para o Brasil não virar um Estado estilo México ou Colômbia.

    Estamos numa situação política desfavorável, mas Marielle e Anderson já viraram sementes. Creio que o momento exige uma ampla campanha nacional contra a Intervenção no Rio e pela investigação independente do caso. O Gen. Braga Netto já disse que não quer outra Comissão da Verdade, o que se expressa no intento de manter a investigação nas gavetas corruptas da Polícia Civil carioca.

    Mas a execução é fruto da combinação das diversas crises que envolvem o Brasil e vitimam com centralidade o povo negro. A transformação em curso no regime visa impor um novo padrão de exploração e normatizar regras de exceção. A “Nova República” faliu e estamos em transição para um lugar incerto. Se não entrarmos em campo seremos derrotados. Por isso, precisamos ampliar a defesa das liberdades democráticas, denunciar medidas como a Lei Antimanifestações de Marchezan (Prefeito do PSDB de Porto Alegre), o assassinato crescente de lideranças rurais, indígenas e quilombolas e toda forma de criminalização dos movimentos sociais, a interferência do Judiciário na definição das rumos políticos do país – aliás, que papel patético cumpriram ontem com aquela greve em defesa dos privilégios – e, em primeiro lugar, denunciar o genocídio negro e o racismo estrutural. Todos regimes já implementados no Brasil mantém as raízes do escravismo. Lembremos da Tuiuti, o povo negro é a sentinela da libertação!

    Ao lado disso, um programa social de urgência oposto pelo vértice as contrarreformas de Temer, que enfrente os que lucram com o desemprego e a retirada de direitos sociais, a real necessidade da periferia. Enquanto Temer estiver no poder, gritar Fora é uma obrigação de todos nós.

    21 de março é Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial (em memória do massacre de Sharpeville na África do Sul) e o sétimo dia da execução, devemos ir às ruas lembrar nossos mártires negros. 28 de março é a data tradicional do movimento estudantil em memória de Edison Luis. E 1° de abril o golpe de 64 completa 54 anos. Precisamos de uma agenda unificada já! Temos datas, motivos e podemos ter força social nas ruas. O desenlace da crise nacional precisa vir de baixo. A elite quer pactuar por cima e continuar nos sufocando. Nosso oxigênio vem das ruas e da nossa auto organização, façamos isso!

    Foto: Guilherme Santos/Sul21

  • Confira a agenda de atos, em outros países, em memória de Marielle Franco

    Pòr: PSOL

    O brutal assassinato de Marielle Franco não abalou apenas o Brasil, que, nesta quinta-feira (15), saiu às ruas em homenagem à vereadora do PSOL. O mundo chorou a morte de Marielle, mulher, negra, LGBT, moradora da Maré, 5ª vereadora mais votada do Rio de Janeiro.

    A potência e a garra dessa lutadora será celebrada também em diversas capitais no exterior. Assim como aqui no Brasil, lá fora centenas de milhares querem a ampla investigação e respostas sobre essa tragédia.

    Confira a agenda de atos em outros países.

    DUBLIN – Irlanda
    16/03 – às 13h

    LONDRES – Inglaterra
    16/03 – às 18h

    MONTREAL – Canadá
    16/03 – às 17h 

    WASHINGTON – Estados Unidos
    16/03 – às 18h

    NOVA YORK – Estados Unidos
    16/03 – às 18h

    BARCELONA – Espanha
    16/03 – às 17h

    BOGOTÁ – Colômbia
    16/03 – às 20h

    PARIS – França
    17/03 – às 14h

    BERLIM – Alemanha
    18/03 – às 15h

    LISBOA – Portugal
    19/03 – às 18h

    BRAGA – Portugal
    19/03 – às 18h30

    MADRID – Espanha
    20/03 – às 18h

    Foto: Mídia Ninja

  • Marielle tem o mundo a ganhar

    Por: Felipe Demier, colunista do Esquerda Online

    Para realizar o Golpe e, por meio deste, implementar sua agenda de lancinantes ataques aos direitos dos trabalhadores, o capital, por meio de seu partido midiático, colocou em movimento toda a fauna e flora reacionária da sociedade brasileira. Depois de conjurar todos os demônios, a imprensa golpista tenta agora afastá-los, trancafiá-los em garrafas novamente, pois, como lembrou há décadas o velho Bronstein, a burguesia não gosta da maneira convulsiva e plebeia que o fascismo tem de resolver as coisas.

    Agora, Pedro Bial fala sobre diversidade diariamente em seus programas, o Bonner debocha aristocraticamente do Bolsonaro, Cristiane Lobo se desvencilha naturalmente de Temer, Sardenberg ridiculariza Pezão e Mariana Gross ironiza Crivella, enquanto o Merval Pereira, por sua vez, clama por uma “união da esquerda e direita em defesa da democracia e da intervenção para combater o crime organizado”.

    Depois que instilaram diariamente o ódio a tudo que cheirasse, mesmo que de longe, a povo e a esquerda (incluindo uma mulher presidente ex-guerrilheira e um ex-presidente metalúrgico nordestino, passando por um Amarildo negro e favelado, professores de humanas e gente que simplesmente decidiu beijar gente do mesmo sexo – sim, muita gente no povo beija gente do mesmo sexo), agora vocês, finórios pacificadores dos jornais notívagos, dizem que queriam que os cães famintos e atiçados por vós tivessem voltado ao canil sem ter devorado as presas às quais só deveriam ter ameaçado.

    Agora, depois que a luz se apagou, os liberais à brasileira querem dispensar o fascismo e se tornar, de fato, liberais, esclarecidos, ponderados. Agora, depois de clamar por trevas, eles querem luz. Agora, que o demos foi calado, os “democratas” querem democracia. Agora, que a festa acabou, eles querem festa, José. Agora, que a paz acabou, eles querem paz. Agora, porém, é tarde.

    Agora, Marielle está morta. Agora, Marielle não tem mais nada a perder, a não ser os grilhões de suas irmãs e irmãos trabalhadores que aqui ficaram. Agora, Marielle tem o mundo a ganhar. E ela o vai ganhar. Nós o ganharemos, para nós, e para ela. Com ou sem sangue. Agora tanto faz.

    Foto: Mídia Ninja