Os efeitos práticos da privatização da energia: O exemplo de Goiás



Ademar Lourenço, de Brasília (DF)

Depois de desistir da reforma da Previdência, o presidente Temer decidiu que vai enviar uma série de projetos no Congresso para agradar banqueiros e empresários. Um delas é o da privatização da Eletrobras, maior empresa de energia do Brasil. Mas a privatização da energia no País já está acontecendo há muito tempo. Que diferença isto tem feito na vida das pessoas?

Um exemplo recente foi a privatização da CELG-D, empresa de distribuição de energia de Goiás. O governador Marconi Perillo (PSDB) vendeu a empresa em 2017 e a população já sentiu os efeitos. A conta de luz subiu 15,89% para consumidores residenciais, um aumento cinco vezes maior do que a inflação oficial, que foi de 2,95% no ano passado. A qualidade dos serviços também foi muito prejudicada. A população sofreu mais com as quedas de energia. Em 2016, antes da privatização, o índice de Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (DEC) era de 29,55 horas. Em 2017, depois da venda, aumentou para 32,71 horas. A Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora (FEC) aumentou de 18,9 interrupções para 20,35. Esses são os índices usados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para medir a qualidade da distribuição da eletricidade.

Muitos funcionários da Celg-D foram demitidos. Isto gera problemas como a falta de vigilância nas subestações. O que pode ter ligação com o acidente com uma criança que, ao pular o muro de uma subestação para pegar uma pipa, teve 90% do corpo queimado. Ainda existem inúmeros casos de acidentes de cabos rompidos, principalmente em zonas rurais, que colocam em risco a vida de pessoas e animais.

De acordo com um funcionário da Celg-D, que pediu para não ser identificado, a vida de quem trabalha na empresa está constantemente em risco. Desde outubro de 2017, já foram quatro mortes em acidentes de trabalho. “Com a drástica redução de aproximadamente 50% dos trabalhadores do quadro próprio, a carga de trabalho aumentou exponencialmente e na mesma proporção a cobrança de produtividade, aplicando aos trabalhadores escalas desumanas”, disse o funcionário.

 

Em Alagoas, governo quer aplicar modelo que deu errado em Goiás

Foi com uso de violência que o governo conseguiu realizar uma audiência púbica sobre a privatização da Eletrobras Distribuição Alagoas – Ceal no último dia 06. O sindicato dos urbanitários do estado fez um protesto, que foi reprimido pela Polícia Militar. Agora o sindicato luta para cancelar a audiência e alerta para os riscos da privatização. “Corre-se um sério risco de muitas famílias ficaram literalmente no escuro, pois não poderão pagar as caras tarifas, além da falta de investimentos, característica do setor privado, que só visa lucro, irá deteriorar ainda mais o sistema”, diz a entidade em nota.

 

Todos são prejudicados, mas o mais pobres sofrem mais

Os governadores da Região Nordeste já enviaram carta ao presidente Temer contra a privatização da Eletrobras. Isto porque em regiões mais distantes, onde a distribuição de energia é mais cara, o preço da tarifa pode aumentar em até 17% se a venda de energia seguir apenas a lógica do lucro.

A Eletrobras é uma empresa estratégica para o desenvolvimento nacional. O Brasil ficaria refém de quem fosse dono da empresa. Quem definiria nossa política de produção de energia seria um grupo que não precisa pensar no interesse do país e de seu povo.

Os donos da Eletrobras teriam ainda o controle sobre várias usinas hidroelétricas. Sem precisar prestar contas à população, essas empresas poderiam provocar desastres. A Vale do Rio Doce, empresa de mineração, foi privatizada durante o governo do PSDB e o resultado foi o rompimento de duas barragens em Mariana há dois anos, o maior acidente ambiental do Brasil e um dos maiores do mundo.

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