8M: Greve feminista sacode a Espanha



Sindicatos afirmam que 5,3 milhões pararam por duas horas durante a manhã de hoje

Ao contrário de 2017, quando ocorreu uma greve mundial de mulheres, neste ano a Espanha talvez seja o único país a ter uma greve feminista, entre as 170 nações que marcaram protestos neste dia. A greve feminista começou a ser organizada em janeiro, em uma plenária com mais de 400 mulheres, e foi abraçada pelos principais sindicatos e centrais sindicais e contou com apoio de inúmeras associações civis e coletivos, ganhando o apoio popular.

Durante as primeiras horas da manhã, calcula-se que 5,3 milhões tenham aderido à paralisação de duas horas, segundo a UGT e a CCOO. Outras centrais, como a CGT e a CNT, além da paralisação, convocaram a greve de 24 horas. Paralisaram hospitais, bancos, escolas, universidades e o serviço público. A greve chegou até a algumas redações da imprensa. Em alguns canais, as apresentadoras não foram trabalhar e os programas de TV estão sendo apresentados apenas por homens, evidenciando a greve feminista. Um manifesto foi assinado por 7.400 comunicadoras.

Ao todo existem 120 manifestações convocadas para hoje no Estado Espanhol. Durante as primeiras horas do dia, piquetes e bloqueios de rua pararam pontos chaves em Barcelona e em outras cidades. Durante a manhã, uma bicicletada percorreu as ruas, divulgando a greve. Manifestantes fizeram protestos dentro de grandes lojas de roupas, exigindo o fechamento. E, às 12h, ocorreram grandes concentrações na Praça, que estão sendo seguidas de piqueniques coletivos. Novas concentrações ocorreram no final do dia, às 19h (hora local), com a principal manifestação na Estação Atocha, em Madrid.

Das sacadas, aventais mostram a adesão à greve. Fonte: hacialahuelgafeminista.org

Das sacadas, aventais mostram a adesão à greve. Fonte: hacialahuelgafeminista.org

Um dos símbolos da greve tem sido o avental. Nas casas, as mulheres têm pendurado aventais nas sacadas e janela das casas, demonstrando que ali uma mulher aderiu ao protesto, e está em “greve de cuidado”. Logo pela manhã, diversas estátuas de homens amanheceram com um avental e utensílios de limpeza.

Em uma pesquisa feita pelo El Pais, 82% dos entrevistados consideravam que haviam motivos para a greve. Na Espanha, as mulheres ganham 13% a menos do que os homens em tarefas iguais, mas têm mais dificuldade em entrar no mercado

de trabalho, ocupam 73,9% dos contratos em jornada parcial e são ampla maioria no trabalho precário e informal, em especial no doméstico. “Não vamos parar. Este processo nos faz sentir fortes e reforça a ideia de que o caminho é mobilizar-se”, afirmou María Álvarez, da Comissão 8M, um coletivo formado para organizar os protestos, e que mantêm a plataforma http://hacialahuelgafeminista.org.

Com informações do El País, El Mundo e hacialahuelgafeminista.org

Confira a galeria de fotos do jornal El Pais

 

 

8 de Março: Dia de ir às ruas unidas contra a intervenção militar e a violência à mulher

 

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