Vazamento de rejeitos de mineração é confirmado em Barcarena, no Pará



Luiz Henrique, de Belém (PA)

Na tarde desta quinta-feira (22), o Instituto Evandro Chagas confirmou o vazamento de substâncias tóxicas, das bacias de rejeitos de bauxita, operadas pela Hydro Alunorte, no município de Barcarena. A suspeita surgiu no último sábado, dia 17, quando a população denunciou a enchente na região, provocada pelas chuvas, e a coloração extremamente avermelhada da água. O laudo técnico emitido pelo órgão atestou a presença de altos níveis de fósforo, alumínio, nitrato e sódio, além de uma elevação da alcalinidade da água, causando a poluição do lençol freático e de rios e atingindo diretamente a população que bebe da água de poços artesianos, e tem a pesca como fonte de alimentação e renda.

Foto: Reprodução TV Globo

Segundo as informações locais, as principais comunidades afetadas são a de Bom Futuro, Vila Nova, Quilombos São João e São Sebastião de Burajuba, além da comunidade tradicional de Itupanema, que ficam no entorno das instalações da Hydro. As pessoas dessa região também estão expostas à altos níveis de chumbo, o que pode, à longo prazo ocasionar câncer, e à curto prazo, pode gerar vômitos e diarreias, sendo potencialmente perigoso para idosos e crianças. O desastre afeta também o meio ambiente: o chumbo é absorvido por plantas e animais, acumulando no percurso da cadeia alimentar. Tanto a agricultura do município, como a pesca na região nordeste do Estado do Pará vão sofrer os impactos desse vazamento, causando um prejuízo milionário para agricultores e pescadores, e na saúde pública de milhões de consumidores no entorno de Barcarena, incluindo a capital, Belém.

Foi constatado que a empresa norueguesa, Norsk Hydro, realizou “uma ligação clandestina para eliminar efluentes contaminados que estavam acumulados dentro da fábrica para fora da área industrial, contaminando o meio ambiente e chegando às comunidades”, segundo Marcelo Lima, pesquisador do Evandro Chagas. O complexo industrial é responsável pela transformação da bauxita, mineral abundante no Estado, em alumina, e depois esta, em lingotes de alumínio que são destinados à exportação. Trata-se da maior refinaria de alumina do mundo.

Como as chuvas fortes ainda castigam a região amazônica, e seguem até o mês de abril, não está descartada a possibilidade de novos vazamentos no local. Na madrugada de hoje, a população denunciou um novo vazamento. Muitos passaram à noite nas ruas, com medo de rompimento da barragem e de serem mortos soterrados. Os populares tem realizado manifestações por toda a semana, bloqueando vias e fechando o acesso ao Porto de Vila do Conde, cobrando a atuação do Poder Público.

O Estado do Pará possui um longo histórico de cumplicidade das autoridades locais, seja do Poder executivo, legislativo ou judiciário com as mineradoras e seus impactos sócio-ambientais. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS), chegou a divulgar laudo esta semana, negando que tivesse ocorrido o vazamento. As lideranças populares de Barcarena suspeitam que o governo de Simão Jatene (PSDB) e seus secretários sejam corrompidos pelas Hydro, para que não realizem a devida fiscalização.

Uma Comissão Parlamentar de Deputados Federais e Estaduais está realizando uma visita no município. Também foi realizada uma Audiência Pública para discutir o problema. Resta saber se depois das provas contundentes produzidas, haverá alguma punição para a empresa, ou se mais uma vez o Poder público se apequenará perante o Capital internacional. A suspensão imediata das atividades da Hydro Alunorte, a cassação da Licença de funcionamento e pesadíssimas multas e indenização à população é o mínimo que se pode esperar.

Foto: Divulgação

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