Quatro motivos para lutar contra as demissões na Universidade Metodista de São Paulo



Lígia Gomes, de São Bernardo do Campo (SP)
Nos últimos dias as demissões na Universidade Metodista de São Bernardo do Campo chegaram a 55 professores e no Colégio Metodista na mesma cidade foram 12 professores. O Colegiado Episcopal  (de Bispos e Bispas) Metodista afirmou em nota que “segue em oração pelas famílias das pessoas que foram demitidas”.  No entanto os professores precisam de muito mais do que orações, precisam ter seus direitos assegurados. E para isso é necessária a solidariedade e mobilização dos trabalhadores e estudantes. Veja a seguir algumas razões para se unir à luta contra as demissões:
1 – Porque são demissões que preparam terreno para a implementação da reforma trabalhista na Universidade. A exemplo do que já foi feito por outras universidades, como a Estácio que demitiu 1200 em todo o país e a Anhembi Morumbi (comprada pela Laureate) que mandou embora 140 docentes, na Mackenzie perderam o emprego cerca de 100 professores e na PUC-SP fala-se em demitir cerca de 60 professores. Ainda na Rede Metodista também foram demitidos 40% dos professores do Colégio Piracicabano e acredita-se que virão demissões com o fim do período letivo na Universidade em Piracicaba. Com as demissões as instituições abrem caminho para contratar professores pela nova legislação trabalhista, com menos direitos, salários menores e piores condições de trabalho. O resultado, além do rebaixamento dos salários, é a piora da qualidade da educação.
2 – As demissões na Metodista são políticas.  Entre os demitidos estão aqueles que participaram das mobilizações contra as medidas antidemocráticas que foram tomadas desde a posse do novo reitor, Paulo Borges. A nova cara que o reitor quer dar à Metodista é incompatível com uma Universidade, pois é autoritária e avessa ao diálogo. Agora o reitor anda cercado por seguranças, evitando contato com a comunidade acadêmica. Professores em atos e assembleias eram filmados e fotografados, o som foi cortado em uma de suas assembleias e num ato contra as demissões os portões da Universidade foram fechados para seus próprios alunos que protestavam. Entre os demitidos estão dois professores recém eleitos para o Conselho Universitário, que sequer puderam participar da primeira reunião pois foram demitidos na véspera, num grave desrespeito aos votos dos docentes que os elegeram.
3 – Há demissões irregulares, de professores cujos planos de carreira previam que só poderia ser demitidos após aprovação em colegiados. Essa previsão visava garantir a liberdade de cátedra e impedir a perseguição política, como a que vemos agora. Foi também demitido o presidente da Associação Docente, numa afronta ao direito à organização sindical.
4 – Na Metodista um marco na mudança das relações internas foi a constituição da Rede Metodista de Educação para gerenciar as instituições de ensino metodistas em todo o país. A Rede minou a autonomia universitária, retirando de cada instituição o direito a definir e implementar suas políticas. As principais decisões, inclusive as trabalhistas,  são determinadas pela Rede, atendendo a critérios próprios sem consideração sobre a comunidade acadêmica ou o contexto de cada instituição.
Com informações da professora Luci Praun, do SINPRO-ABC, e da Associação Docente da Metodista.
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