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Tiffany, primeira mulher trans na Superliga de Vôlei

Jéssica Milaré

Jéssica Milaré, travesti, bissexual, doutoranda em Matemática pela Unicamp, militante LGBT, transfeminista e do PSOL, membro da Associação da Parada do Orgulho LGBT de Campinas. Travesti socialista que adora debates polêmicos, programação e encher o saco de quem discorda (sem gulags nem paredões pelo amor de Inanna)

Por: Jéssica Milaré, colunista do Esquerda Online

Tiffany Abreu é a primeira mulher trans brasileira a receber autorização da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) para jogar entre as mulheres. Na terça-feira, 5 de dezembro, Bauru anunciou a contratação da atleta. Após ter recebido autorização da Confederação Brasileira de Voleibol para jogar, Tiffany estreou no domingo, dia 10, em partida contra São Caetano e foi um destaque no jogo. Bauru perdeu por 3 sets a 2 numa partida muito disputada.

Tiffany, antes da transição, já havia jogado em times masculinos. Este ano, após autorização da FIBV, ela estava jogando pelo Golem Software Palmi, na Itália. Voltou ao Brasil para passar as férias, mas a recepção do time brasileiro e a proximidade da família fez com que ela decidisse ficar no Brasil.

Confira a íntegra da nota emitida pelo Bauru:

A ponteira/oposta Tifanny, primeira transexual brasileira a atuar no vôlei feminino após concluir o processo de mudança de sexo, vai reforçar o Vôlei Bauru na Superliga 2017/2018. A boa receptividade não só do time bauruense, onde treina desde julho, mas também dos torcedores, e o fato de ficar mais perto dos familiares pesaram para a atleta recuar de sua ideia de voltar para a Europa e formalizar contrato até o final da temporada com o Vôlei Bauru. Tifanny ainda não tem data prevista para estreia. #VôleiBauru #GoBauru #Superliga

Na Itália, quando foi criticada por diversos devido a possibilidade de seu desempenho ser influenciado pelo fato de ter nascido homem, ela rebateu. “Não se joga bem vôlei só porque se é uma trans. Conta sobretudo o talento, é preciso saber jogar. Minha essência é de mulher: eu mudei para mim, e o vôlei é meu trabalho”, disse Tifanny Abreu.