Greve Nacional: entidades e movimentos questionam posição das centrais e manterão mobilização no dia 5

Por: Carolina Burgos, da Redação

Nesta sexta-feira (1), quatro dias antes do dia 5 de dezembro, data para a qual estava sendo organizada uma greve nacional com adesão de diversas categorias de trabalhadores e movimentos sociais, as centrais sindicais CUT, Força Sindical, CTB, UGT, NTSC e CSB lançaram uma nota onde afirmam “desmarcar as mobilizações”, com a justificativa de que a votação da Reforma da Previdência foi adiada. As centrais CSP-Conlutas e Intersindical, a Frente Povo Sem Medo e entidades como a Federação Nacional dos Petroleiros, a Fasubra, o Andes, Sepe, entre outras, se posicionaram contrárias à tentativa de desmobilização, reafirmando protestos e atos para a terça-feira (5).

A posição das centrais pegou de surpresa os trabalhadores que realizaram assembleias nos seus locais de trabalho, reuniões e planejavam parar as atividades como parte da luta contra este projeto do Governo Federal. Categorias como metalúrgicos, metroviários de São Paulo, petroleiros, professores, servidores públicos federais, entre outras, aprovaram aderir ao movimento.

Há questionamento inclusive em bases dirigidas pelas centrais que assinam a carta. Contraditoriamente, a CTB e a CSB, que assinam a nota unitária de cancelamento do dia 5, também lançaram comunicados afirmando que manterão as mobilizações, o que gerou confusão sobre a real posição destas entidades. A Força Sindical e a CUT, ao contrário, divulgaram em seus sites a não realização da greve nacional. Nos estados, no entanto, a decisão foi questionada. A CUT Piauí, CUT Pará e a CUT Pernambuco, por exemplo, afirmaram que manterão os atos já previstos. A CUT São Paulo orientou os trabalhadores a se somarem ao ato que acontecerá na Avenida Paulista, às 16h e nas demais cidades. A CUT Minas, por sua vez, divulgou que “mobilizações e pressão contra a pauta golpista estão mantidas”, onde reafirmam a mobilização já convocada para o dia 05 de dezembro em Belo Horizonte com concentração às 17 horas, na Praça Afonso Arinos e todos os demais marcados na região.

A tentativa das seis centrais aconteceu num momento de defensiva no Governo Federal em relação ao projeto. Com dificuldade de aprovar a Reforma da Previdência devido ao amplo questionamento da população, Temer articulou o adiamento da votação na tentativa de somar forças e ganhar os aliados necessários para aprovação. Os movimentos contrários ao adiamento da greve nacional argumentam que a mobilização poderia ser elemento forte de pressão para impossibilitar o retorno da reforma à pauta e impedir ainda mais retirada de direitos. O recuo dos protestos, ao contrário, serviriam para reorganização do governo.

Notas

Veja, abaixo, trecho das notas de alguns movimentos que questionaram a posição das seis centrais:

CSP-Conlutas – “Este recuo significa abrir mão de uma ferramenta fundamental, que é a Greve Nacional, uma grande oportunidade de, pela ação direta, enterrarmos de vez essa reforma que acaba com a nossa aposentadoria e vem sendo articulada a base da compra de votos por um governo e um Congresso Nacional corruptos a serviço da burguesia desse país. A CSP-Conlutas chama a todos os sindicatos e organizações de base a se manterem mobilizados e realizarem assembleias, protestos e manifestações, a manterem a pressão sobre os deputados nas casas e aeroportos. Não vamos baixar a guarda”!

Intersindical – “A Intersindical Central da Classe Trabalhadora informa que não participou da decisão de cancelamento da greve geral do dia 05 de dezembro. Ainda que a votação da reforma da previdência não aconteça nessa semana, o projeto continua sendo prioridade do governo e constitui um enorme ataque aos direitos da classe trabalhadora no Brasil. As razões para a mobilização da classe no dia 05 continuam. Buscaremos interlocução com todos os setores combativos do movimento sindical e social para a manutenção da luta contra a reforma da previdência e a retirada de direitos”.

Povo Sem Medo – “Tomar as ruas no dia 5 em defesa da aposentadoria! No próximo dia 5 havia sido convocada uma greve nacional pelas centrais sindicais contra a reforma da previdência. Diante do adiamento da votação no Congresso, algumas centrais se posicionaram suspendendo a greve. A Frente Povo Sem Medo compreende que a ameaça permanece, exigindo mobilização permanente dos setores populares contra este grave ataque do governo Temer. Por isso, de nossa parte, manteremos as manifestações de rua marcadas para o dia 5 em várias cidades brasileiras e apoiaremos todas as paralisações dos trabalhadores. Seguiremos com a orientação de unidade com a Frente Brasil Popular na construção destas atividades”.

Federação Nacional dos Petroleiros – “A direção da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) indica a manutenção da data, como dia nacional de mobilizações, para pressionar a Petrobrás a apresentar uma proposta de acordo que não retire direitos, antes do período de 11 a 15 de dezembro”.

Andes – “Para o ANDES-SN não há acordo possível quando se trata de retirada de direitos. Não aceitamos os ataques contra o(a)s trabalhadore(a)s e, em particular, contra o funcionalismo público e as instituições de ensino superior públicas. Não aceitamos cortes de verbas e a imposição de mais retrocessos nos direitos sociais. Basta de desrespeito para com o(a)s trabalhadore(a)s por parte dos governos e dessas centrais sindicais. Repudiamos mais essa traição das centrais e convocamos nossa categoria a manter o dia 5 de dezembro como um dia nacional de luta com mobilização e paralisação, em articulação com nossa central sindical, a CSP-Conlutas, outras categorias e movimentos sociais, populares e estudantil, realizando atividades dentro das nossas universidades, institutos federais e CEFET e organizando atos nos estados em ampla unidade”.

Comando nacional de greve da Fasubra – Após a notícia de que as direções da maioria das grandes centrais sindicais suspenderam a greve geral marcada para o dia 05 de dezembro, o Comando Nacional de Greve (CNG) da FASUBRA Sindical vem a público expressar a sua indignação e discordância com essa decisão. O correto é que as cúpulas das centrais revejam essa decisão e mantenham a greve nacional. Num momento em que a proposta de greve nacional estava ganhando adesão de amplas categorias de trabalhadoras e trabalhadores, ao mesmo tempo em que o governo demonstra fragilidade em votar a reforma da Previdência, é um erro catastrófico da cúpula das centrais suspender o movimento marcado para o dia 05 de dezembro”.

Mulheres do PSOL – “Manifestamos nosso apoio a manutenção da greve geral e estaremos nas ruas com os sindicatos e movimentos sociais contra a Reforma da Previdência e pelo #ForaTemer! Fazemos um chamado a todas as mulheres que protagonizam diversas lutas contra todas as tentativas de retirar nossos direitos. Seguimos: Pela Vida das Mulheres”!

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