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9 Novembro, 2017
  • Produtivismo – A violência institucional que pode adoecer, matar e até levar ao suicídio docente

    Por Murilo Bereta

    Especialistas afirmam que a melhor forma de prevenção ao comportamento suicida é ampliar o debate qualificado na sociedade. Tema ainda é considerado um tabu

    O recente suicídio de um doutorando da USP, dentro do laboratório em que trabalhava no Instituto de Ciências Biomédicas, trouxe à tona questões que, embora frequentes, são pouco discutidas. Problemas vividos no dia a dia dos docentes e pesquisadores das universidades públicas, como precárias condições de trabalho, adoecimento do trabalhador e até o tabu do suicídio necessitam ser debatidos junto à sociedade. A discussão qualificada do problema é considerada um caminho à prevenção.

    Excesso de carga horária, falta de infraestrutura adequada, pressão para cumprir prazos, ambientes insalubres, assédios morais e sexuais, baixa remuneração, entre outros, são problemas a que professores estão expostos cotidianamente. Quando o foco são os docentes da educação pública superior, soma-se a questão da imposição do produtivismo acadêmico, fruto sobretudo das políticas desumanas dos órgãos responsáveis pelos financiamentos das pesquisas. Dois desses exemplos são o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

    A grave questão ganha contornos trágicos quando inserida no atual contexto político, em que medidas neoliberais, empregadas pelo governo de Michel Temer, como as reformas trabalhistas, da previdência e a Lei das Terceirizações, cortam direitos trabalhistas e sociais. Diante do cenário amplamente desfavorável, torna-se de fácil compreensão a análise da Organização Internacional do Trabalho, a qual identifica a profissão de professor como a segunda com a maior probabilidade a desenvolver doenças.

     

     

     

     

     

     

    Produtivismo

    Pesquisa divulgada pelo ANDES-SN e pela Associação dos Docentes da Universidade Federal do Pará (Adufpa), de 2014, evidenciou que condições de trabalho adversas, oriundas da imposição do produtivismo acadêmico, podem levar docentes ao adoecimento mental. De 2006 a 2010, de todas as solicitações de afastamentos de professores do trabalho na Ufpa, 14,13% foram por questões relacionadas à saúde mental. A pesquisa “Trabalho Docente e Saúde: Tensões da Educação Superior” foi coordenada pelo médico e professor Jadir Campos (Ufpa).

    Com atuação na área da saúde há 34 anos, o pesquisador João Fernando Marcolan, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) analisa que a competição instalada entre docentes pelo sistema produtivista, imposta por Capes e CNPq, é motor para o sofrimento psíquico. Além disso, leva a sentimentos de inferioridade, incapacidade e incompetência. “O sistema é perverso, pois não há verbas para todos, determinados grupos de pesquisa ficam com boa parte das verbas, não há isonomia de tratamento para as diferentes regiões brasileiras e suas necessidades específicas, o mérito é muito subjetivo por parte do avaliador, há interesses políticos-ideológicos em escolhas. Enfim, caso o docente não perceba as engrenagens do sistema ainda toma para si a culpa de não ter obtido sucesso em sua aventura de não perecer. Caso saiba das engrenagens, resta o sentimento de impotência e frustração”, afirma Marcolan.

    As consequências do produtivismo na saúde do docente são ainda mais impactantes em quem atua na pós-graduação. Essa é uma das análises do artigo científico “Professores do ensino público superior: produtividade, produtivismo e adoecimento”, publicado em 2013, pela Univ. Psychol, de Bogotá, Colombia. De autoria de Izabel Cristina Borsoi (Universidade Federal do Espírito Santo) e Flavilio Pereira (Instituto Ideias Vitória), o trabalho teve como base uma pesquisa realizada, entre 2009 e 2010, com docentes da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

    De acordo com a pesquisa da Ufes, dos 80 docentes que informaram ter procurado ajuda médica e/ou psicológica, 62,5% pertenciam a programas de pós-graduação. Mais de 80% também informaram sofrer de enxaqueca, cistite e crises gástricas.

    O artigo de Bolsoi e Pereira explicita o papel que o docente foi obrigado a assumir diante do processo produtivista. “O professor passou a assumir um leque de tarefas não só qualitativamente distintas, mas também, e principalmente, impactantes em termos quantitativos. É essa nova dimensão do trabalho que faz com que o docente não consiga estabelecer limites para sua jornada de trabalho, sendo forçado a invadir o tempo da vida privada com demandas laborais” (página 1216).

     

     

     

     

     

     

     

    Sucateamento

    Para a diretora da ADUNEB e do ANDES-SN, Caroline Lima, parcela dos docentes se tornam reféns das imposições das agências de fomento, devido às políticas estaduais e federal de sucateamento das universidades públicas. Sem orçamento e recursos para custeio e investimento, as administrações das instituições de ensino superior delegam aos docentes a tarefa de captar recursos a suas pesquisas e laboratórios. A excelência profissional se atrelou à publicação, como se o trabalho intelectual fosse um produto resultado de um trabalho em série, sem reflexão, só tecnicista. A atividade docente dentro do capitalismo não deixa espaço para o lazer.

    Caroline Lima reforça a denúncia sobre o problema da competitividade gerada pela falta de orçamento e a necessidade do produtivismo. O processo de competição vem como consequência da mercantilização do trabalho docente. A educação foi transformada em mercadoria, a produção intelectual em produto, em resultado. “Com o novo marco legal da ciência e tecnologia, a produção intelectual tornou-se mercadoria. Isso acirra as relações de poder dentro das universidades. Precisamos fomentar espaços de sociabilidade para a categoria e também a solidariedade entre nós, assim poderemos vencer o clima de disputa que tanto prejudica a luta de classes”, comenta a diretora.

    Burnout

    A síndrome de Burnout é caracterizada pelos especialistas ouvidos pela reportagem como uma das principais doenças que surgem como consequência do produtivismo. O problema acontece principalmente a partir do esgotamento profissional, da tensão no ambiente de trabalho e estresse crônico. A síndrome tem como de seus principais efeitos a depressão.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Suicídio

    Embora a questão traga incômodo à sociedade e ao universo acadêmico, casos mais graves de adoecimento docente e depressão podem levar o professor ao suicídio. A questão, embora seja tabu, segundo os especialistas, precisa ser discutida para que possa ser prevenida. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, a depressão é o principal fator de risco associado ao comportamento suicida. O professor da Unifesp, João Marcolan, define por comportamento suicida “Ter ideias de se matar, planejamento para se matar, tentativas que não resultem na própria morte e o suicídio”.

    A reportagem não encontrou pesquisas específicas sobre o suicídio de docentes da educação pública superior. O pesquisador Marcolan, após afirmar também não conhecer pesquisas sobre o tema, alertou que a própria ausência de dados é um indicativo que o comportamento suicida ainda causa incômodo na sociedade brasileira. Para o professor, as informações ficam escondidas e subnotificadas em meio aos dados da população geral. “Percebe-se que o preconceito é ainda maior quando se trata dos estratos sociais não vulneráveis e considerados bem-sucedidos”, comentou.

    Para além da ausência das pesquisas que mensurem o problema, o fato é que o suicídio na categoria docente existe e pode ter índices assustadores de frequência. Um levantamento feito pela reportagem junto às associações docentes, das universidades estaduais baianas, evidenciou que, apenas nos últimos três anos, ocorreram quatro casos de suicídio de professores da Uneb e três na Uesb. Acredita-se que em algumas das ocorrências, o adoecimento que levou à morte, também possa ter sido agravado por preconceitos sociais, a exemplo da LGBTfobia.

    Em dados gerais, baseado no relatório da Organização Mundial de Saúde, o Brasil é apontado como o 8º país em incidência de suicídio no mundo, com mais de 11 mil registros anuais. No planeta todo, mais de um milhão de pessoas tiram a própria vida durante o ano, isso significa uma morte a cada 40 segundos.

    Isolamento

    O psicólogo e professor, formado pela USP, Samir Mortada, trabalha no Ifba de Salvador, local que em setembro deste ano outro docente também deu fim à própria vida. Mortada explica que o suicídio, geralmente, acontece devido a uma somatória de fatores, de problemas que, juntos, fazem com que a pessoa entenda que a única saída seja desistir da vida. Para o psicólogo, o conflito pessoal geralmente ainda tem como pano de fundo o isolamento social. Quando as pessoas não se sentem protegidas a partir das ações políticas, das ações organizadas e coletivas, a pressão recai mais forte sobre o indivíduo. Ele tenta lidar sozinho com os problemas e, portanto, geralmente de uma maneira mais frágil. O resultado é que dentro da complexa sociedade atual os indivíduos estão cada vez mais isolados, mesmo dentro de casa se isolam em seus celulares, computadores, em si mesmos. Assim, os vínculos interpessoais são enfraquecidos. Nesse modelo, partilhar tristezas, problemas é algo cada vez mais difícil. “Quem sofre o problema, a depressão, vê como fraqueza pessoal, não quer incomodar. A tristeza não é bem vista publicamente. Pensar a tristeza é algo desvalorizado do ponto de vista social, então, se vive o problema sozinho. Com a piora das condições de trabalho, isso se torna mais um fator agravante”, comenta Samir Mortada.

     

     

     

     

     

     

     

    Preconceito

    Como já citado na reportagem pelo psicólogo do Ifba, o processo de adoecimento que resulta em comportamento suicida, geralmente, é multifatorial. Assim, além dos problemas profissionais, outras questões ainda agravam o quadro. Nesse cenário, é comum que pessoas pertencentes a grupos minoritários e oprimidos, a exemplo de LGBTs, negras e mulheres, sejam ainda mais prejudicadas.

    Caroline Lima, que além de diretora da ADUNEB é historiadora, defende a tese de que o preconceito, também dentro da academia, seja um forte agravante de quadros de comportamento suicida. Com base no processo histórico, ela explica que a universidade brasileira não foi pensada para as minorias. No século XIX, as faculdades eram formadas apenas por homens, brancos e filhos da elite. A homossexualidade foi tratada como doença até a década de 1990, e como crime até o início do século XX. Tais questões, que precisam ser combatidas, estão até hoje enraizadas na academia e são levadas à frente por grupos conservadores. “Enquanto não reconhecermos que assédios, LGBTfobia, machismo, racismo e sexismo matam, assim como a exploração do trabalho, vamos continuar assistindo colegas tirarem a própria vida por não suportarem mais sentir a dor causada pelo preconceito”.  

    Prevenção

    Quanto à prevenção ao adoecimento docente e todas as suas possíveis consequências, de acordo com os entrevistados, é necessário caminhar por dois campos distintos. O primeiro ponto, defendido tanto por Marcolan (Unifesp) quanto por Mortada (Ifba), é a ampla discussão do problema, de maneira qualificada e adequada na sociedade; a criação e ampliação de espaços de escuta para o suporte social aos indivíduos em risco; a formação de agentes sociais (professores, religiosos, líderes comunitários etc) para atuarem na prevenção e qualificação dos profissionais da saúde para atendimento desses casos; além da prática da vida saudável, prezando por alimentação, descanso, recreação, atividades físicas etc.

    Já o segundo campo diz respeito à atuação política. Para a diretora da ADUNEB, culturalmente a prática docente foi constituída como a profissão do cuidado, responsável pela formação dos sujeitos. Esses elementos culturais criaram no imaginário que ser professor é ser intelectual, mas não um trabalhador. Diante disso, é necessário investir em espaços de formação política para apontar os problemas presentes na universidade e nas condições de trabalho. Segundo Caroline, a ADUNEB atua na formação crítica da categoria, destaca como a lógica produtivista sobrecarrega a categoria e com isso o processo de adoecimento. Duas das ações do sindicato são a organização de constantes debates e seminários, além da produção de cartilhas sobre assédio moral, combate as opressões e sobre a mercantilização da educação. A ampla distribuição desses materiais à categoria contribui no processo de formação política dos docentes e no avanço da consciência de classe.

     

     

     

     

     

     

     

    Quem procurar

    Para auxiliar casos de comportamento suicida, em Salvador, entre outros, dois espaços são indicados:

    Núcleo de Estudo e Prevenção ao Suicídio (NEPS) – atendem casos de pacientes que tentaram o suicídio e também de quem necessita de apoio preventivo. Os atendimentos são ambulatoriais, agendados com antecedência e não atendem casos de emergência. Contato para agendar consulta: (71) 3116-9440. Existe fila de espera.

    Centro de Valorização da Vida (CVV) – atendimento realizado por internet e telefone. O único custo é o da ligação local. Voluntários estão disponíveis 24h por dia para quem precisar conversar sobre os problemas enfrentados. Telefone: 141 / site https://www.cvv.org.br

     

    FONTE:

    Revista Javeriana http://revistas.javeriana.edu.co/index.php/revPsycho/article/viewFile/6499/5925

    ANDES-SN

    Adufpa

    Organização Mundial da Saúde https://nacoesunidas.org/oms-suicidio-e-responsavel-por-uma-morte-a-cada-40-segundos-no-mundo/

  • Dia 10 de Novembro: abrir um novo momento na luta contra as reformas de Temer

    Editorial de 10 de novembro,

    Nessa sexta feira (10), haverá uma nova manifestação nacional em todo país convocada pelo movimento “Brasil Metalúrgico” que conta com a adesão do funcionalismo publico e de várias outras categorias e movimentos sociais. No centro da pauta está a luta contra a reforma trabalhista que começará a valer a partir do dia 11 de novembro.

    Pela dureza dos ataques aos trabalhadores, o correto seria que o dia 10 se transformasse num ponto de partida da unificação das lutas, de modo a abrir possibilidades para uma segunda onda de mobilizações contra o governo Temer e suas reformas. Dizemos isso porque no primeiro semestre desse ano tivemos uma primeira onda de lutas que se expressou na unidade entre as centrais e movimentos sociais. Unidade que foi capaz de mobilizar milhares nas ruas com manifestações, greve geral e marcha à Brasília. Embora Temer tenha sobrevivido e aprovado ataques pesados contra os trabalhadores, a mobilização unitária do primeiro semestre contribuiu para desgastar o governo e impedir que o governo aprovasse, até esse momento, a reforma da previdência.

    O papel das direções do movimento

    Indiscutivelmente, a  grande responsabilidade da construção de um enfrentamento unitário e de massas contra Temer e seus ataques é das direções majoritárias do movimento de massas. É assim, porque as grandes centrais sindicais como a CUT e Força sindical são aparatos que possuem enorme influencia e capilaridade nos batalhões organizados da classe trabalhadora, especialmente no movimento operário.

    Depois da frustrada tentativa de greve geral no dia 30 de junho, não houve mais nenhuma iniciativa de calendário unificado de lutas convocado pelas centrais sindicais majoritárias. A direção da CUT parou de mobilizar para apostar tudo na perspectiva eleitoral de Lula 2018. E a direção da Força Sindical, por sua vez, parou de mobilizar porque apoia o governo Temer e quer negociar o imposto sindical. Ou seja, a direção das duas maiores centrais sindicais do país não tem como prioridade a luta contra o ajuste fiscal e a derrubada do governo.

    Mas tudo isso não acontece sem crise e insatisfação na base dessas centrais. Há setores tanto da CUT como da Força Sindical que não concordam com as suas direções. Querem lutar e não aceitam negociar a cabeça dos trabalhadores em troca de projetos eleitorais ou por conta do imposto sindical. É preciso disputar essa base insatisfeita.

    Para isso, os setores do movimento sindical combativo, que se organizam na CSP Conlutas, Intersindical ou que não se organizam em nenhuma central, precisam saber dialogar, sem sectarismos, com todos aqueles que querem lutar. Para, desse modo, ajudar a impor de baixo pra cima a unidade do movimento. Acreditamos que esse é o papel mais importante que as combativas direções minoritárias podem cumprir nesse momento.

    Temer quer continuar com os ataques. Fortalecer a resistência é uma necessidade 

    Mesmo impopulares, o governo e sua base aliada no congresso nacional conseguiram aprovar parte significativa das reformas e do ajuste fiscal. A PEC do teto dos gastos, a ampliação das terceirizações, a reforma do ensino médio, a reforma trabalhista, a reforma política e as privatizações são pautas do mercado financeiro e da grande burguesia. Elas avançaram muito bem até agora. Mas os capitalistas querem mais, e estão girando com muito força para atacar o funcionalismo e tentar aprovar uma proposta de reforma da previdência ainda esse ano.

    Todo esse processo que envolveu a aprovação de medidas impopulares no congresso nacional, bem como as votações que salvaram Temer e Aécio, desgastaram muitos parlamentares. Agora que estamos mais próximos das eleições do ano que vem, aumentam as dificuldades do governo aprovar algumas das medidas mais impopulares. Mas o mercado segue exigindo a aprovação da reforma da previdência e de outras medidas de austeridade.

    Neste momento, temos que aproveitar esses embaraços momentâneos do governo com a sua base aliada e construir um forte dia 10 de novembro nas ruas, e depois dar continuidade às mobilizações. O acampamento Povo Sem Medo em São Bernardo do Campo (SP) é hoje umas das expressões mais importantes de resistência da classe. O funcionalismo federal tem construído uma unidade importante e está convocando uma grande manifestação nacional para o dia 28 de novembro em Brasília. E nos estados tem surgido lutas heróicas da educação, como no Pará e no Rio Grande do Sul. Essas resistências ainda estão dispersas, mas é preciso unificar todos esses processos. Afinal, recompor a unidade do movimento de massas é uma tarefa inadiável. Vamos à luta!

    Saiba mais:

    10 de Novembro: unificar e ampliar a resistência 

    Dia 10 de novembro em São Paulo: um dia de lutas e resistência 

     

  • 13 de Novembro: Ocupar as ruas pelos direitos das mulheres

    Por Frente Feminista de Esquerda

    Por 18 votos a 1, a Comissão Especial para analisar a PEC 181, batizada pelo movimento feminista como “Cavalo de Tróia”. Este projeto originalmente ampliava direitos trabalhistas para mães de prematuros aumentando o tempo de licença maternidade para essas mulheres. No entanto, a bancada fundamentalista fez uma emenda que protege o direito à vida desde a concepção. Caso seja aprovada em plenário, os abortos que hoje são permitidos por lei, como em casos de estupro ou de fetos anencéfalos, passarão a ser inconstitucionais.

    Os fundamentalistas querem que a mulher que engravide vítima de um estupro seja forçada a ter um filho fruto de uma violência, seja presa por fazer um aborto ou então que morra em um aborto clandestino.
    Os conservadores querem que, mesmo nos casos em que a gestante corre risco de vida, não teríamos direito a recorrer a um aborto.

    Não podemos nos calar!
    Rodrigo Maia, o bicho vai pegar!

    Não nos obrigarão a uma segunda violência. Não nos obrigarão a suportar uma criminalização que pode custar as nossas vidas!
    Precisamos ampliar a legalização do aborto e não restringir ainda mais o seu acesso! Para que as mulheres negras, pobres e trabalhadoras parem de morrer todos os dias por não terem condição de pagar clínicas clandestinas, legalizar o aborto já!

    Diante disso a Frente Feminista de Esquerda chama, em caráter de urgência todas as mulheres, movimentos e grupos para enchermos as ruas contra mais este retrocesso aos nossos direitos!

    Confira o evento no facebook da manifestação convocada para às 18 horas no MASP.

  • Dia 10 de novembro em São Paulo: um dia de lutas e resistência

    Por: Sirlene Maciel, da Executiva Estadual da CSP-Conlutas São Paulo

    Às vésperas da entrada em vigor das mudanças aprovadas pela Reforma Trabalhista, milhares de trabalhadores no país todo irão se mobilizar contra as medidas do governo Temer, que rasgam direitos históricos da CLT e passam por cima da Constituição Federal. O movimento, organizado pelo Brasil Metalúrgico e convocado pelas centrais sindicais CSP- Conlutas, Intersindical, CUT, CTB, CGTB, UGT, CSB, Força Sindical, incorporou também, na pauta, entre outras reivindicações, a luta contra a terceirização e a Reforma da Previdência, que deve voltar para a pauta do Congresso Nacional ainda neste ano.

    Em São Paulo, várias categorias irão atrasar a entrada, fazer atos e manifestações. É o caso dos bancários, em São Paulo, que vão paralisar a entrada de algumas agências pela manhã. Os metroviários, em protesto, vão trabalhar sem uniforme com adesivo contra as reformas. Já os previdenciários, farão reuniões nas agências. Haverá também paralisações em diversas fábricas nas regiões da cidade.

    Os professores municipais irão paralisar suas atividades e realizarão assembleia, às 10h, em frente à Prefeitura de São Paulo, para protocolar suas reivindicações contra o Sampaprev, a terceirização da educação e contra as reformas, e devem seguir em marcha para a Praça da Sé, onde encontrarão o Ato Nacional das Centrais Sindicais que está marcado para 10h, com caminhada até a Avenida Paulista. Neste ato, estarão presentes representantes de diversas categorias.

    Na parte da tarde, os trabalhadores do Judiciário Federal farão um ato na Avenida Paulista, às 14h, em frente ao Fórum Pedro Lessa. Já o funcionalismo público estadual, incorporou ao dia de luta a pauta específica que contempla o reajuste salarial, direito às negociações coletivas, contra o fim dos concursos públicos, não à privatização e à terceirização, em defesa do IAMSPE e, sobretudo, contra o PL 920/2017, que congela os salários, quinquênios e evoluções dos servidores.

    Neste sentido, está marcada uma concentração às 14h, em frente ao estádio do Morumbi, com caminhada até o Palácio dos Bandeirantes, para a entrega da pauta do funcionalismo público para o Governo do Estado de São Paulo. Estarão presentes as professoras e os professores estaduais que paralisarão neste dia, trabalhadoras e trabalhadores de diversas categorias como Centro Paula Souza, Sabesp, Judiciário Estadual, Saúde, entre outros.

    O dia 10 de novembro será um importante dia de luta em todo o país. Precisamos, cada vez mais, somar forças para derrotar Temer e seus aliados, que pretendem impor “goela abaixo” os planos de ajuste fiscal contra os trabalhadores. A unidade de toda a classe trabalhadora e dos sindicatos e centrais sindicais é o elemento que pode mudar essa situação de retiradas de direitos a toque de caixa. Queremos a revogação das reformas aprovadas: Reforma Trabalhista e Reforma do Ensino Médio, e da terceirização, além da não aprovação da Reforma da Previdência. Contra as reformas, não aceitaremos nenhum direito a menos. Vamos resistir!

    ATO NACIONAL DAS CENTRAIS

    10h, na Praça da Sé – caminhada até a Av. Paulista

    ATO PROFESSORES MUNICIPAIS

    10h, na Prefeitura de São Paulo, com caminhada até a Praça da Sé, para encontrar o Ato Nacional e ir para a Av. Paulista

    ATO DO JUDICIÁRIO FEDERAL

    14h, na Av. Paulista, em frente ao Fórum Pedro Lessa

    ATO DO FUNCIONALISMO PÚBLICO ESTADUAL

    14h, com concentração em frente ao estádio do Morumbi e caminhada até o Palácio dos Bandeirantes.

     

  • MBL fabrica polêmicas para ajudar Temer a retirar nossos direitos

    Por: Ademar Lourenço, de Brasília*

    Segundo o Monitor do Debate Político do Meio digital, o principal tema discutido nas redes sociais ultimamente são as ações do Movimento Brasil Livre (MBL) contra palestras, exposições e outras expressões artísticas. E o interessante é que estas ações ocorrem exatamente no momento em que Temer é salvo pela segunda vez no congresso e a reforma da previdência volta a tramitar.

    Não é segredo para ninguém que o MBL apoia as reformas do governo Temer. O movimento foi o principal articulador do impeachment de Dilma. Na época, prometia lutar implacavelmente contra a corrupção. Quando o vice de Dilma entrou no governo, eles passaram a não focar mais em “tirar os corruptos do poder”. Vieram os inúmeros escândalos de corrupção e  as gravações que comprometem o presidente, mas o MBL não foi para as ruas. Sua posição em relação ao atual governo é confusa. Às vezes critica, às vezes elogia.

    Mas este mesmo movimento apoia incondicionalmente as reformas que Temer tem implementado. Para eles, a reforma trabalhista, a lei terceirização e a PEC do teto de gastos vão ajudar a economia do país a subir. É a chamada “agenda liberal”, que prevê que o governo proteja menos o trabalhador e regule menos as atividades dos empresários. Não é a toa que eles são tão paparicados pelo empresariado. Não é a toa que o prefeito de São Paulo, João Dória, é o ídolo deles.

    O problema é que 97% da população brasileira não aprova o governo Temer. A chamada “agenda liberal” também não tem popularidade. Pesquisa recente da Folha de São Paulo mostra que a população em sua maioria quer que o governo esteja presente no crescimento do país. Qual a ideia genial para continuar apoiando o governo e a retirada de direitos? Desviar o assunto

    Os deputados vão salvar Temer pela segunda vez no congresso? É só mandar uns malucos protestarem contra uma exposição em um museu que o povo esquece. O governo vai aumentar a idade para aposentadoria? É só fazer abaixo assinado contra uma palestra de uma filófosa. E por aí vai. Com essas polêmicas fabricadas, os políticos de Brasília não ganham atenção e podem fazer suas maldades a vontade.

    O MBL não é comandado por pessoas burras. A fama que conseguiram durante os atos contra a Dilma, o dinheiro investido e o conhecimento em redes sociais deu a eles o poder de pautar o que será debatido no facebook, twitter e afins. Brincar com as paranóias de fanáticos religiosos é só um meio para se alcançar um fim. Esse fim agora é deixar Temer livre para aplicar agora a reforma da previdência.

    Parte da militância da esquerda está caindo na armadilha. Estamos deixando de compartilhar os posts do dia de mobilizações que terá amanhã. Estamos deixando de denunciar a reforma da previdência. Tudo isto para entrar no jogo de polêmicas fabricadas. Claro que temos que responder aos ataques que eles promovem contra a liberdade de expressão. Mas, junto a isso, temos que denunciar o que realmente está por trás desses ataques. O objetivo do MBL nunca foi combater a corrupção nem defender a família brasileira. Ele foi criado para ajudar na retirada de direitos. É nosso dever desmarcara-los.

    * “Esse artigo representa as posições do autor e não necessariamente a opinião do Portal Esquerda Online. Somos uma publicação aberta ao debate e polêmicas da esquerda socialista”.

  • William Waack: quando o racismo se manifesta sem véus

    Por: Richard Araújo, de São Paulo, SP
    *Diretor Adjunto de Assuntos Educacionais da APEOESP

    Nesta quarta-feira (8), as redes sociais foram inundadas pelo vídeo do jornalista e apresentador da Rede Globo de Televisão, William Waack, que há um ano nos EUA, no intervalo de uma apresentação, diante do fonfonar de algum motorista nas mediações de onde o programa estava sendo gravado, sem saber que estava sob os olhares da câmera, disse: “Você é um, não vou nem falar, eu sei quem é…”, depois, virando-se para o convidado diz: “É preto”. Não contente, afirma mais uma vez: “É coisa de preto” e ri.

    Diante da viralização do vídeo e de uma chuva de manifestações de repúdio perante mais um caso de racismo, a Rede Globo foi obrigada a se manifestar em nota pública na qual se posiciona “visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações” e através da qual comunica que “está afastando o apresentador William Waack de suas funções em decorrência do vídeo que passou hoje a circular na internet, até que a situação esteja esclarecida”.

    Ainda de acordo com a nota da emissora, “Waack afirma não se lembrar do que disse, já que o áudio não tem clareza, mas pede sinceras desculpas àqueles que se sentiram ultrajados pela situação” e que “A Globo, a partir de amanhã, iniciará conversas com ele para decidir como se desenrolarão os próximos passos”.

    Cabe ressaltar que, apesar do que afirmam a nota da emissora e o apresentador, não há dúvidas do teor racista da fala de William Waack, que, como acontece e, geral nestes casos, parece ainda achar engraçado destilar este tipo de tratamento à população negra, como se o racismo tivesse algo de engraçado.

    Uma fala que expressa uma ideologia que há mais de 450 anos vitima a população negra, que justificou a escravidão de nosso povo por séculos, que fundamentou as teses eugênicas que até hoje fazem parte do cotidiano do povo preto, vítima de toda a forma de violência, seja econômica, educacional, social, ou policial. Fundamenta a política de genocídio do povo negro, como fica evidente a partir dos dados do Mapa da Violência, que apontam um crescimento de 46,9% da vitimização da população negra entre os anos de 2003 e 2014, todas elas mascaradas sob o véu do discurso da democracia racial.

    É inadmissível este tipo de manifestação em qualquer circunstância, particularmente num país onde a população negra é maioria, como o Brasil. Por isso, o pedido de desculpas é insuficiente. William Waack deve ser demitido de forma definitiva pela Rede Globo, e não apenas temporariamente afastado.

    Aliás, esta “punição” por si só ainda seria insuficiente: o apresentador deve, inclusive, ser penalmente responsabilizado pelo crime de racismo. Chega de tolerar esse tipo de prática.

    Racistas, não passarão!

    Foto: Reprodução TV Globo

  • Por nova primavera feminista: mulheres vão às ruas para barrar PEC 181 que proíbe aborto em casos de estupro

    Por: Thaís Zapala, de São Paulo, SP

    A PEC 181/2015, Proposta de Emenda Constitucional que estava discutindo ampliar a licença maternidade para casos de nascimento prematuro, foi transformada em uma PEC para atacar o direito ao aborto em caso de estupro, previsto em lei, e garantido gratuitamente no serviço público.

    Trata-se de um retrocesso brutal na luta das mulheres. A manobra, chamada cavalo de tróia, foi proposta pelo redator Jorge TADEU Mudalen (DEM SP), que já havia se posicionado a favor da Reforma Trabalhista, da Reforma do Ensino Médio, da redução da maioridade penal, assim como diversos outros projetos que atacam os trabalhadores, a juventude pobre e negra e beneficiam grandes empresas.

    Hoje, no Brasil, a proibição do aborto mata e deixa sequelas em milhares de mulheres. São 9% dos casos de mortalidade materna e 25% dos casos de esterilidade. A mulher que aborta está em nossas famílias e as mais atingidas são as que não podem pagar para realizar procedimentos seguros, mulheres pobres e negras na maioria das vezes.

    As mulheres não estão dispostas a aceitar mais este ataque. Rio e São Paulo estão com seus atos marcados:

    Rio de Janeiro – segunda, 13 de novembro, às 17h. Local: Câmara Municipal do Rio

    Evento do Facebook

    São Paulo – segunda, 13 de novembro, às 18h. Local: MASP

    Evento do Facebook

    Curitiba – 13/11 – 17:00- Praça da Mulher Nua
    Belo Horizonte – 13/11 – 17:00 – Praça 7
    Porto Alegre – 13/11 – 17:00 – Esquina Democrática

    Evento do facebook 

    Fortaleza – 13/11- 15:00- Benfica
    Belém – 13/11- 17:00 – Escadinha das Docas

  • Funcionalismo federal se unifica para enfrentar o pacote de maldades de Temer

    Por Fasubra

    Nesta terça-feira, 07, os representantes do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) e o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) se reuniram na sede da Fenajufe, em Brasília-DF. Na ocasião, as entidades nacionais acordaram um calendário de lutas unificado e uma série iniciativas comuns, para enfrentar o pacote de maldades de Michel Temer.

    Na análise de conjuntura se destacou a indignação dos servidores públicos federais e a disposição em construir o enfrentamento. O governo Temer quer impor mais sacrifícios para o funcionalismo e para todo o conjunto da classe trabalhadora, atendendo os interesses dos bancos e dos grandes empresários.

    A defesa dos serviços públicos de qualidade para toda população e a valorização dos servidores públicos federais é o centro das mobilizações do mês de novembro. Entre as várias ações, a grande atividade será a caravana nacional a Brasília-DF no dia 28 de novembro.

    Confira abaixo o relatório da reunião:

    RELATÓRIO REUNIÃO FONASEFE – FONACATE.

    07/11/2017 na sede da Fenajufe em Brasília.

    Presentes: ANDES-SN,ASSIBGE,ANFFAsindical,ASFOC-SN, ASEMPT, ANESP, AFIPEA, CONDSEF, FASUBRA, FENAJUFE, FENASPS, SINDRECEITA ,SINAL ,SINAIT ,SINASEFE ,SINASEMPU , UNACON sindical.

    Centrais presentes: CTB, CSP Conlutas, Pública.

    Pauta:

    1.  INFORMES

    Informes do FONASEFE e FONACATE.

    Informes das entidades presentes.

    2. CONJUNTURA E CALENDÁRIO DE LUTAS.

    Após um amplo debate e várias propostas das representações das entidades presentes na reunião, os principais encaminhamentos foram:

    Calendário de lutas:

    10/11 ( Sexta feira) – Dia nacional de paralisações, manifestações e protestos contra a reforma trabalhista e todos os ataques do governo Temer contra os trabalhadores.  A reunião orienta as entidades a fortalecerem os atos que vão ocorrer nos estados. Em Brasília haverá manifestações pela manhã no espaço do servidor na esplanada dos ministérios e ao final da tarde na rodoviária.

    20/11 ( Segunda-Feira) – Audiência Pública na CDH – Senado Federal as 14:30.  Essa audiência pública vai debater no senado federal a defesa dos serviços públicos e o pacote de maldades do governo Temer contra o funcionalismo.

    21/11 ( Terça-Feira)  – Audiência Pública organizada pela ANDIFES na câmara dos deputados para discutir a crise das universidades públicas.

    27/11 ( Segunda Feira)  – Tema: “Qual serviço público que queremos?”  Auditório Nereu Ramos na câmara dos deputados às 14h. Organização: FONACATE.

    28/11( Terça Feira)  – Caravana nacional do funcionalismo a Brasília com manifestações na esplanada dos ministérios.

    29/11 ( Quarta Feira) – Ato público no judiciário para anunciar ação jurídica contra a MP 805.

    OUTRAS INICIATIVAS:

    – Ofício solicitando audiência com o presidente da Câmara e Senado. Como também solicitar audiência com a liderança do governo e da oposição na câmara e no senado.

    – Reunião das assessorias jurídicas das entidades do FONASEFE e FONACATE no dia 14/11 na sede do SINAIT em Brasília.  Tema: Ação contra a MP 805.

    – Publicar uma nota pública das entidades do FONASEFE e FONACATE convocando a luta contra o pacote de maldades de Temer que atinge o funcionalismo e os serviços públicos.

    Pauta de reivindicações acordados entre as entidades presentes:

    – Em defesa dos serviços públicos de qualidade para a população.

    – Revogação e retirada de todas as MPs e PLs que atacam o funcionalismo.

    Ex: MPs 805 e 792/ 2017.  PL 116/2017.

    – Não a reestruturação das carreiras do funcionalismo! Nenhum direito a menos!

    – Não a reforma da previdência!

    – Revogação da EC 95, Não a reforma do ensino, Não a reforma trabalhista, pelo fim das terceirizações.

    – Contra as privatizações, não a entrega do patrimônio público!

    – Abaixo o ajuste fiscal contra os trabalhadores / Que os bancos e as grandes fortunas paguem pela crise!

    -Nenhum direito a menos!

    Próxima reunião:  Dia 16/11 às 14 h. Local: Condsef em Brasília.

    Direção Nacional FASUBRA Sindical