Lutar Sempre, Temer Jamais. Eleições no Centro Acadêmico de História da UFAL



Por Afronte – Alagoas

As Universidades Públicas estão vivenciando uma verdadeira crise. Está crise, como diria Darcy Ribeiro, pode ser considerado um projeto. O governo faz a escolha política de cortas verbas da educação e outros serviços públicos para pagar a chamada dívida pública. Ou seja, tira da educação para dar a meia dúzia de banqueiros.

Os cortes de verbas se refletem das mais diversas formas. Com falta de água e energia. Materiais básicos como giz, pilotos e papel higiênico. No atraso do pagamento de trabalhadores terceirizados e nas bolsas de assistência estudantil. Cada vez fica mais difícil o estudante permanecer na Universidade.

No curso de história na UFAL é essa a realidade que vivenciamos. As salas de aula estão cada vez mais vazias. Mais e mais colegas e amigos desistem do sonho de entrar numa universidade e ter um curso superior. Muitos vêm do interior do estado, a imensa maioria dos estudantes do curso são de bairros periféricos, pobres, que na falta de uma assistência estudantil universal precisam trabalhar para se manter. Sabemos como isso é difícil. Conciliar o trabalho com a dura dinâmica de estudo. Os ônibus são superlotados e atrasados, o salário que é pouco e mal dá para sobreviver, acordar cedo, ir dormir tarde, ler um texto, fazer fichamento de outro, preparar trabalho, ir para a aula. Ou seja, essa dinâmica é extremamente exaustiva e faz com que muitos acabem tendo que sair do curso.

Sem falar com o ritmo de estudo que determinados professores impõe. Muitos cobram como se o estudante fosse uma máquina, tirando todo o lado pedagógico do processo de ensino e realizando cobranças sem avaliar a dinâmica e vida real do aluno. Se um professor  passa 70 folhas por semana é algo que dá para conseguir ler. Agora se 5 professores passam 70 folhas cada e cobram fichamento, tendo uma relação de abuso com o aluno, fica completamente impossível.

Agora imagine um curso com grande número de evasão, com problemas estruturais gravíssimos, com recorrentes casos de abuso de professores e num momento de retirada de direitos e cortes de verbas. Neste curso é extremamente necessário que os estudantes tenham voz, que se posicionem, que construam seus instrumentos de luta. No caso, que tenham um centro acadêmico para se posicionar frente a tudo isso.

Infelizmente não era essa a realidade do nosso curso. O centro acadêmico está parado desde que a última gestão o abandonou, há quase um ano. Sendo assim resolvemos montar uma chapa que refletisse toda a necessidade que o atual momento histórico exige.

Em primeiro lugar, a demarcação de que a saída é pela esquerda. Se queremos uma educação pública de qualidade, precisamos apontar os motivos de não termos. Nós vamos gritar em alto e bom som: nossa educação é mais importante que os lucros dos ricos e poderosos. Por isso uma saída programática a esquerda, em defesa dos direitos históricos dos trabalhadores e oprimidos, é se posicionar em defesa da educação.

Segundo, que é preciso a mais ampla unidade para conseguir lutar contra a onda conservadora, contra a retirada de direitos e contra o atual governo. A atual chapa é composta por estudantes que constroem o AFRONTE, a UJC e com a maioria dos membros independentes. Sozinhos não nós bastamos, precisamos do maior número de braços e pernas possíveis para construir o novo. Seja um novo centro acadêmico, ou uma nova alternativa política. E essa construção só pode ser coletiva, essa é a conclusão central que devemos chegar.

Dessa forma, após termos sido eleitos com 113 dos 123 votos, buscaremos na nossa gestão que se inicia honrar a luta e tradição do movimento estudantil. Firmes em defesa da educação pública e de nossos direitos por um futuro digno. Nós não devemos pagar pela crise, vamos Lutar Sempre e Temer Jamais.

Foto: Adricia Bonfim

 

 

 

 

 

 

Comentários no Facebook

Post A Comment