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EDITORIAL

Todo apoio às greves do Rio Grande do Sul

Editorial 23 de outubro de 2017,

Fortes greves dos trabalhadores da rede de educação pública estadual do Rio Grande do Sul e também dos municipários de Porto Alegre marcam a situação política do estado e podem ter impactos nacionais. Também os trabalhadores da Procergs, empresa pública estadual ligada a tecnologia da informação, estão há 20 dias parados em meio à campanha salarial e ataques da patronal. São todas greves defensivas, mas potentes. E são heroicas, se consideramos a difícil situação política nacional. Devemos cercar de solidariedade estes embates com os planos de austeridade no Rio Grande do Sul. Se estes trabalhadores em luta vencem, é uma vitória de toda a classe.

É interessante perceber como se expressam regionalmente os principais traços da situação política nacional. Tanto em Porto Alegre, como no conjunto do Rio Grande do Sul e no resto do Brasil, há ataques do governo e resistência dos trabalhadores. Impopularidade dos governantes, rachas na base aliada e crise política, intervenção do judiciário a serviço dos patrões e uma grande unidade burguesa no essencial, passar os planos de ajuste.  Mas, no Rio Grande do Sul há provavelmente duas particularidades muito importantes.

A primeira, é que o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan (PSDB), é parte ativa da reorganização à direita da representação política burguesa. É aliado do MBL e tem um estilo que lembra o de João Dória (PSDB), de São Paulo. A segunda, é que o estado, assim como o Rio de Janeiro e Minas Gerais, é um dos estados mais afetados pela crise econômica. E, por isso, um dos mais visados por Temer e pela burguesia local para apresentar e apressar um novo padrão nacional. Através do Plano de Recuperação Fiscal (PRF), querem privatizar todas as empresas públicas, atacar os servidores com o desmonte dos planos de carreira, parcelamento e congelamento dos salários e diminuir os investimentos públicos em áreas essenciais como saúde, educação e transporte.

19 dias de greve dos servidores públicos do município de Porto Alegre
Estamos frente à maior greve dos últimos anos dos servidores municipais da cidade. Trata-se de uma mobilização com grande conteúdo político, diante de um governo que tem um projeto clássico neoliberal de privatizações e estado mínimo. A greve se constitui contra os projetos de Lei que pretendem acabar com a carreira do funcionalismo, chegam próximos à perda de 40% do salários e incluem privatização de empresa pública, como a DMAE, de água, esgoto e saneamento básico.

A baixa popularidade da Prefeitura é um elemento de apoio à greve. Desde janeiro, o governo vem aplicando inúmeros cortes nas áreas sociais. A população mais carente, atendida pelos municipários, tem se revoltado contra essa situação.

45 dias de greve dos trabalhadores da rede pública estadual de educação
A greve começou dia 5 de setembro, logo após o anúncio de pagamento de uma parcela de R$ 350, num cenário de 21 meses de salário parcelado. Desde agosto de 2015, o governador José Ivo Sartori (PMDB) vem parcelando os pagamentos. No primeiro, o valor foi de R$ 600. A greve ganhou força porque os trabalhadores entenderam que, apesar do sacrifício imposto pelo governo, a situação só piorou.

Sem outra alternativa, os trabalhadores foram à luta. Durante todo o primeiro mês, a greve esteve muito forte. Cerca de 70% da categoria esteve parada e contando com apoio da população. Foi assim que os trabalhadores conseguiram derrotar a ameaça de corte de ponto e a demissão dos contratados.

Nestes últimos dias, o governador teve duas vitórias e não sabemos ainda qual o rumo da greve, se se fortalece, ou enfraquece. Gilmar Mendes, no STF, liberou o governo para concluir a extinção das fundações, sem a negociação com os servidores destas. E na Assembleia Legislativa, conseguiu votar o projeto que retira as liberações sindicais das entidades, mantendo apenas uma liberação por sindicato dos servidores estaduais.

21 dias de greve dos trabalhadores da PROCERGS
A PROCERGS é uma empresa pública estadual do setor de tecnologia da informação, que conta com cerca de mil trabalhadores. Representados pelo SINDIPPD (CSP-CONLUTAS), estão em campanha salarial. Lutam por aumento de salário e contra a retirada de cláusulas sociais, como forma de pagamento das férias e até o auxílio creche. No dia 3 de outubro, a categoria votou greve em assembleia massiva de forma unânime, desde a Organização por Local de Trabalho. Agora, a greve conta com cerca de 50% dos trabalhadores parados, apesar da forte pressão da patronal e do governo.

Na próxima quinta, 26, os trabalhadores da Procempa, empresa pública de Tecnologia da Informação municipal, prometem fazer uma paralisação de 24 horas e, no dia 31, iniciar uma greve. Se ocorrer a greve em ambas empresas, apesar de diferentes patrões, a luta pode se fortalecer.

Apesar de ainda não ter mudado o complicado cenário político nacional, há greves e lutas acontecendo. Os operários da montadora chinesa Chery estão há 26 dias em greve e os operários da Parker Hanifin estão há 21 dias em paralisação, ambas em Jacareí (SP). Os operários da Mitsubishi, em Catalão (GO), nesta manhã decidiram seguir a greve que dura oito dias. Além da poderosa ocupação Povo Sem Medo, que reúne oito mil famílias, coordenadas pelo MTST, em São Bernardo do Campo (SP). São alguns dos exemplos. Junto com estas greves, as greves dos trabalhadores do Rio Grande do Sul são provavelmente as mais importante resistências aos ataques dos governos e dos patrões hoje. São lutas heroicas, longas, que desafiam a difícil situação política. São uma queda de braço ainda não vencida por nenhum dos lados. O resultado está ligado à resistência de toda nossa classe.

Aqui no RS, se Sartori (PMDB) e Marchezan (PSDB) vencem, serão um exemplo para outros governos se sentirem incentivados a querer impor ataques em seus estados e municípios. Se por outro lado os trabalhadores vencem, será um exemplo para todo o país de que a luta pode impedir os ataques e com isso ajudar a nacionalizar a resistência.

Os próximos dias serão decisivos: teremos assembleias, atos e mobilizações. Apoie estas lutas compartilhando esta matéria, divulgando vídeos, fotos e cartas de apoio. Importante também que cada categoria vote moções de apoio das entidades e organizações dos movimentos sociais às greves em curso.

Dia 10 de novembro está marcado um dia nacional de luta contra a reforma trabalhista e previdenciária, a terceirização, as privatizações e os demais ataques dos governos. Façamos como Porto Alegre e vamos construir a resistência.