Trabalhadores dos Correios terminam greve com sentimento de vitória

Categoria enfrentou intransigência da empresa, do governo e do Tribunal Superior do Trabalho

Por: Jacó Almeida*, de Brasília, DF
*diretor da Fentect, membro do comando nacional de mobilização e negociação da categoria e militante do MAIS/PSOL.

Na ultima sexta-feira (6), os trabalhadores dos Correios decidiram aceitar a proposta apresentada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) na audiência de conciliação com a empresa, a reposição da inflação medida pelo INPC 2,07% retroativo a agosto, data base da categoria, e reedição integral do acordo coletivo. Foram 17 dias de greve com enfrentamento à truculência do governo e da empresa, que usou o TST para tentar impor vários ataques.

Mesmo antes do início das negociações, empresa e governo propuseram prorrogar o acordo para janeiro de 2018, sendo que a data base é em agosto. Esta proposta foi prontamente rejeitada por unanimidade pela categoria. Quando iniciaram as negociações, apresentaram proposta retirando vários direitos garantidos pelo acordo coletivo, na tentativa de rebaixar o acordo, a CLT e, em alguns casos, já adequando à nova legislação trabalhista. Todo estes ataques foram estopim para que a categoria iniciasse a greve com uma forte adesão nacional.

O movimento foi chamado pela Federação Nacional dos Trabalhadores Ecetistas (Fentect) e pelos 31 sindicatos filiados à entidade, com exceção dos de São Paulo de Rio de Janeiro, que são dirigidos por outra federação, ligada à CTB, composta pelo PC do B e que, infelizmente, fez o jogo do governo e da empresa ao não aderiram já no início ao movimento paredista. Mas, a força da greve os forçou a também entrarem na greve, mesmo que tardiamente.

Greve foi marcada por forte enfrentamento dos trabalhadores aos ataques feitos pelo governo, empresa e TST
Já no início da greve, tivemos que enfrentar ataques do governo, que foi para a televisão dizer que os Correios seriam privatizados e, ao mesmo tempo, usava o TST, que já de início, através do vice-presidente do Tribunal, concedeu liminar para que 80% do efetivo continuasse trabalhando. Os trabalhadores, no entanto, continuaram firmes na greve, sem cumprir esta determinação.

Quando governo, empresa e TST viram que a adesão só vinha aumentado em todo o país, o ministro, de forma monocrática, declarou a greve abusiva e autorizou que a empresa descontasse os dias de paralisação. Ainda, declarou que, a partir daquela sentença, não fossem consideradas as faltas como greve e sim como faltas injustificadas ao trabalho. Autorizou a empresa a tomar as medidas que achasse necessárias.

Mas, mesmo com todo este ataque vindo por parte da empresa e do vice-presidente do TST, o tiro saiu pela culatra. Ao invés de haver refluxo, a adesão à greve aumentou, forçando o ministro a chamar uma audiência de conciliação. Mesmo de forma truculenta, foi obrigado a apresentar proposta que contempla a reedição integral do atual acordo coletivo, incluindo a cláusula de assistência médica que a empresa insistia em alterar e reposição da inflação medida pelo INPC retroativo a agosto de 2017, data base da categoria.

Trabalhadores saem fortalecidos para novos enfrentamentos
Os trabalhadores dos Correios saíram desta greve com sentimento de vitória. Conseguiram manter o acordo coletivo inalterado e reposição salarial retroativa à data base. Sendo que, inicialmente, o governo e a empresa já queriam implantar a nova lei trabalhista. Esta greve servirá de exemplo para outras categorias que estão em campanha salarial, de que devemos ir para o enfrentamento e não deixar que retirem direitos dos trabalhadores e que só a luta poderá manter os direitos e ampliar as conquistas. Precisamos dizer um grande não à nova lei trabalhista aprovada por um Congresso de corruptos, que acaba com os nosso direitos.

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