Revanche LGBT em Belém

Por: Ana Leticia e Joabe Aires, estudantes secundaristas, do movimento Afronte, PA

Século 21, ano de 2017, para uma parte do mundo. No entanto, para o Brasil, temos que levar em consideração um retrocesso de, em média, 30 anos, causado pela permissão, em caráter liminar da Justiça Federal do Distrito Federal, que quer regularizar terapias de “reversão sexual”. Ainda que em um país com um governo ilegítimo, que incansavelmente ataca os direitos da população e está coberto até o pescoço em escândalos de corrupção e no qual a democracia e a constituição são incansavelmente atacadas, a atitude do juiz era impensável, até acontecer. A decisão é tratada como liminar quando existe urgência em uma decisão e esmaga os direitos das LGBTs e, no caso, um dos mais importantes, o de existir.

A expansão da extrema-direita pelo mundo vem ganhando cada vez mais intensidade e tem impactos aterradores na vida dos trabalhadores, das mulheres, dos negros e negras e d@s LGBTs. As manifestações neonazistas em Charlottesville, a proposta que está para ser votada na Câmara sobre vetar o aborto inclusive em casos de estupro e outro fato preocupante é o nome de Jair Bolsonaro aparecendo em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos para Presidência de 2018, inclusive sendo chamado para ser um “convidado ilustre” no dia 05 de outubro, em Belém. Tudo isso comprova essa onda de retrocessos. A liminar do juiz federal Waldemar Claudio De Carvalho ataca agora severa e diretamente as LGBTs, como se esses já não fossem atacados o suficiente com os impactos dos outros episódios citados acima.

No entanto, é importante lembrar que nós temos muito poder, um poder tão silencioso que chega a ser ensurdecedor, o poder de RESISTIR, de ACEITAR-SE e o, mais importante, de SER. Nós já somos um ato político, um ato que eles não podem deter. Ser gay, lésbica, bissexual, negr@, trans, afeminado é um protesto. Eles vão tentar nos censurar, como fizeram com o queermuseu, tentar nos “curar” com tratamentos de choque, retiros de “reversão sexual”, mas nós não vamos parar de lutar, eles não conseguirão retirar nossa essência. Não se pode curar quem não está doente.

A partir desse cenário, nós LGBTs devemos nos unir mais ainda, contra-atacar e mostrar nossa verdadeira força na rua. O movimento LGBT tem uma força inegável, e tem sido vitorioso em várias lutas na qual se engaja. Por exemplo, quando a homossexualidade deixou de ser considerada crime na década de 70, e com a retirada da homossexualidade do CID (Classificação Internacional de Doenças) na década de 90. Vitórias que são frutos de manifestações da comunidade LGBT em várias partes do mundo. A importância desses protestos são incontestáveis na luta por direitos e pela liberdade LGBT.

Nós temos voz e vamos fazer barulho, vamos nos fazer ser escutados, até que os nossos direitos sejam plenamente respeitados, até que possamos ser quem somos sem sofrer qualquer tipo de violência e retaliação.

Para as pessoas de Belém, fazemos um apelo para marcarmos presença no ato de “REVANCHE LGBT” que acontecerá no dia 22 de setembro, sexta-feira, às 18h, no Mercado de São Brás. Devemos também organizar nossa indignação para o dia 05 e outubro e mostrar para o Bolsonaro quem nós somos, mostrar que resistimos e combatemos qualquer tipo de opressão. Vamos mandar ele pra bem longe daqui.

Por fim, vamos usar a voz que ainda nos resta, gritar toda essa indignação contida, participar dos protestos, ir pra rua, expor nossas opiniões, debater, amar todos os amores que tivermos para amar, nos amar, existir, persistir e resistir.

Foto: Cesar Itiberê / FotosPúblicas

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