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15 Agosto, 2017
  • Um ano do Esquerda Online: preparar o lançamento do novo site

    “É um equívoco considerar que escritores e apenas eles (no sentido profissional do termo) possam contribuir plenamente para uma publicação; pelo contrário, ela será viva e viável apenas se para cada cinco jornalistas que o dirijam e escrevam de forma regular, existam 500 ou 5 mil colaboradores que não sejam escritores” Lênin

    Completamos, no dia 12 de agosto, um ano do lançamento do portal diário Esquerda Online. O portal surgiu como uma iniciativa do MAIS (Movimento Por Uma Alternativa Independente e Socialista). Tivemos 2.227.606,00 milhões de sessões e 2.884.771,00 milhões de visualizações de páginas. A média de sessões é de 6100 por dia. Foram publicados 270 editoriais e 2600 artigos durante esses 12 meses. Média de sete artigos por dia. No Facebook, chegamos às 76 mil curtidas e estamos alcançando, em média, milhares de pessoas toda semana.

    O portal esteve ligado às principais lutas contras as reformas e contra o governo Temer. As principais mobilizações foram quando tivemos exatamente picos de acessos ao site. A luta contra a PEC do fim do mundo, em 29 de novembro, as lutas contra as reformas do dia 15 e 31 de março, a greve geral no dia 28 de abril, a marcha a Brasília do dia 24 de abril e o dia nacional de luta no 30 de junho foram dias de recorde do site.

    Apesar de ter uma orientação editorial de defesa da construção de uma alternativa de esquerda ao lulismo e ao petismo, tivemos uma posição firme contra o golpe parlamentar que derrubou o governo Dilma através do Impeachment e não hesitamos em denunciar o caráter reacionário da operação Lava Jato. Enfrentamos uma conjuntura complexa e histórica para a esquerda brasileira. Combatemos a direita e a ofensiva da burguesia sem capitular ao petismo e ao fracasso do projeto de conciliação de classes. Conseguimos fazer com que o site virasse uma referência para setores importantes de vanguarda.

    Quando lançamos o portal diário, nosso objetivo era transformar o Esquerda Online em nosso “órgão central”, nosso organizador coletivo. Depois de 12 meses, podemos avaliar que escrever para o portal passou a ser uma das prioridades do ativismo que organizamos. Conseguimos envolver vários militantes, alguns inclusive muito jovens, na elaboração de notícias e análises sobre a luta de classes, política nacional e internacional.

    Seguimos a orientação de Lênin quando dizia: “… condenaram o Iskra pela precariedade de informações acerca do desemprego e pelo caráter fortuito atribuído às crônicas sobre as ocorrências mais comuns da vida rural. A condenação é merecida; no entanto, o Iskra é “culpado sem ter culpa”. Buscamos também nas aldeias “ esticar um fio de prumo”, mas no campo quase não há pedreiros e deve-se obrigatoriamente encorajar a todos que nos comuniquem até mesmo os fatos mais corriqueiros na expectativa de que isso multiplique o número de nossos colaboradores nesse terreno..” Que Fazer, Lênin

    O portal, além de ser nosso organizador coletivo, acabou por ser um instrumento de democratização da atividade política, aproximando muitos militantes e ativistas do trabalho intelectual e da elaboração política. Foi um instrumento de coesão política e reeducação militante porque, muitas vezes, publicamos análises diferentes entre os quadros em relação à conjuntura, sem prejudicar a centralização do MAIS para a ação.

    Temos orgulho do que conquistamos neste ano, mas isso é insuficiente perante os imensos desafios que a complexa situação brasileira nos oferece. Queremos avançar mais.

    Um novo site a serviço da reorganização da esquerda socialista

    Os desafios para a esquerda socialista são enormes no próximo período. Nossa batalha política é pela superação do Lulismo pela esquerda. Estando na linha de frente do combate à direita e à extrema-direita. Apostamos que não existe um divórcio indissolúvel da classe trabalhadora com as suas lideranças. A entrada do MAIS como corrente do PSOL está a serviço da construção dessa alternativa.

    Queremos construir um projeto de comunicação aberto à reorganização à esquerda do lulismo. Para isso, queremos convidar personalidades políticas, intelectuais, militantes de outras organizações deste campo político, militantes dos movimentos de opressões, ativistas das lutas da classe trabalhadora e do movimento estudantil para escrever no Esquerda Online.

    Vamos reformular o espaço de colunistas e construir um novo site mais moderno e ágil. Para isso, vamos iniciar em breve uma campanha pedindo contribuição financeira aos apoiadores, amigos e simpatizantes do Esquerda Online. A previsão de lançamento do novo site é no início de novembro. Em breve, o novo Esquerda Online vem aí.

     

  • OPINIÃO | Lula deveria fazer compromisso com os trabalhadores

    Por: Miguel de Paula, do ABC, SP

    Na última semana, foi noticiado pela grande mídia que ninguém menos que a herdeira do Credit Suisse, um dos maiores bancos do mundo, fez uma doação de R$ 500 mil a Lula. Longe de se tratar de um fato isolado, a relação de Lula com grandes empresários e grandes banqueiros é permanente, ao menos desde que esse foi presidente da República. É sempre bom lembrar que “nunca antes na história deste pais” os bancos lucraram tanto quanto nos governos do PT.

    A doação da herdeira do Credit Suisse revela a relação que Lula mantém com parte do capital financeiro internacional. Relação essa que se expressa não só em doação direta, como neste caso. Mas, se expressou em propostas e planos de governo que mantiveram o pagamento da dívida pública, juros altos, e uma série de benesses aos banqueiros nacionais e internacionais.

    Justamente por essas propostas não foi possível avançar de forma consistente na distribuição de renda e igualdade social, e seguirá assim com os reiterados compromissos que Lula tem feito com essas mesmas propostas e banqueiros.

    A grande contradição é que esse mesmo Lula tem participado de diversos atos contra as reformas de Temer. Reformas que o setor financeiro, em particular o internacional, está aplaudindo, e que já vão possibilitar um novo patamar de exploração no país, o que pra eles significa bilhões a mais em lucros.

    Ora, como Lula pode estar dos dois lados ao mesmo tempo?
    Lula deveria rever seus compromissos, começando com a luta dos trabalhadores, que vem sendo duramente atacados por Temer. Deveria ir à TV, utilizar seu prestígio para convocar uma nova greve geral para derrotar a Reforma da Previdência e colocar novamente na ordem do dia a derrubada do governo Temer. Esse deveria ser o compromisso de Lula e do PT.

    *O texto reflete a opinião do autor e, não necessariamente, a linha editorial do Esquerda Online.

    Foto: Filipe Araújo

  • Pequena observação entre Nazismo e Socialismo

    Por: Lucas Ribeiro, de Salvador, BA

    O discurso de que o Nazismo é igual a Socialismo é muito forte, em especial entre os jovens. Não é só uma interpretação extensiva do nome do Partido Nacional-Socialista de Adolf Hitler. Foi fruto de uma campanha política das chamadas democracias liberais ocidentais, que convenceu pessoas em todo o mundo das características comuns entre Nazismo e Socialismo, ou melhor Stalinismo.

    Para os que são de esquerda é óbvio que Nazismo não é uma variável de marxismo, ou qualquer tipo de socialismo. Para os de extrema-direita, as diferenças também são gritantes. Hitler sempre se considerou um inimigo do comunismo e de qualquer organismo independente dos trabalhadores. Nazismo e Fascismo são de extrema-direita, são defensores do capitalismo e da exploração e opressão da humanidade. Mas, por que a associação entre Hitler e Stalin é tão comum? Pelo autoritarismo? Esse conceito frágil termina tentando buscar elementos semelhantes, ou mesmo comuns, entre regimes políticos que se apoiam estruturalmente em classes e formas de produção completamente diferentes.

    No ano do centenário da Revolução Russa e de uma crescente dos movimentos de extrema-direita, precisamos explicar duas questões preponderantes para que o marxismo possa florescer entre jovens trabalhadores. Em primeiro lugar, uma autocrítica profunda do que foi a tragédia do stalinismo. Dizer com todas as letras que não temos aquilo como referencial político, teórico e estratégico. Se é verdade que foi o povo soviético que promoveu a derrota cabal do exército nazista, também é parte da história a traição de Stalin ao promover um pacto com o coveiro alemão, que levou ao desenvolvimento dos Nazis.

    Disto isso, defender o socialismo para desenvolver as potencialidades da humanidade nas artes, na ciência e tecnologia, na sexualidade e nos gêneros, na relação com a natureza e na política. E é na política que precisaremos desenvolver a mais ampla democracia participativa direta para que os explorados e oprimidos possam desenvolver seus nervos e neurônios para tomar suas vidas em suas próprias mãos.

  • Membros da Executiva da CSP-Conlutas lançam manifesto ao 3° Congresso da entidade

    Por: Juliana Donato, de São Paulo, SP

    De 12 a 15 de outubro deste ano, ocorrerá o 3° Congresso da CSP Conlutas – Central Sindical e Popular. Em um momento em que os trabalhadores e trabalhadoras enfrentam uma brutal ofensiva contra os direitos, o congresso será importante para preparar a resistência e discutir o papel de a central na atual conjuntura.

    Para contribuir com este debate e expressar algumas diferenças com a direção majoritária da central, foi construído o manifesto que publicamos abaixo, assinado por membros da Secretaria Executiva Nacional, de diversas entidades e agrupamentos políticos. Acreditamos que nossa central tem um papel importante a cumprir, sendo exemplo e linha de frente das iniciativas unitárias contra Temer e suas reformas e também exemplo de democracia, que supere as centrais sindicais burocráticas.

    MANIFESTO AO 3° CONGRESSO DA CSP-CONLUTAS

    “Você não sente, não vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova mudança em breve vai acontecer…” – Belchior

    A luta de classes no Brasil deu um salto no seu grau de enfrentamento, principalmente quando a burguesia desencadeou uma forte ofensiva contra @s trabalhador@s, tendo Temer na presidência. O ajuste fiscal, iniciado no governo Dilma, após o impeachment se aprofundou e ganhou mais velocidade com Temer e sua quadrilha. As trabalhadoras e trabalhadores de várias categorias têm lutado para se defender do saque de direitos sociais e democráticos. Temos que ter orgulho de ter derrotado, pelo menos momentaneamente, a Reforma da Previdência, e ter contribuído para abalar a popularidade do atual governo. Todo esse desgaste de Temer e aliados é também fruto da força de nossa resistência e da unidade do movimento. Mas precisamos destacar uma preocupação importante: apesar de tudo que fizemos, o governo segue de pé, com forte base parlamentar, e tem avançado em aplicar os planos de interesse do capital. A aprovação da PEC 55 (Emenda 95), que congela por 20 anos os gastos públicos, chamada de PEC do fim do mundo, a lei que amplia a terceirização, a reforma do Ensino Médio e a reforma trabalhista foram golpes duríssimos contra a classe trabalhadora brasileira. Precisamos seguir nas lutas para impedir a implementação desses ataques.

    … MAS NOSSA CLASSE RESISTE

    As lutas de resistência dos trabalhadores e os graves escândalos de corrupção jogaram a popularidade de Temer na lama. Mas, com articulações espúrias, Temer escapou do TSE e da primeira denúncia de Janot, demonstrando que possui forte influência não só no parlamento, como também em parte importante do judiciário, apesar da Lava Jato ainda ser um grande problema para Temer e aliados. E para o segundo semestre a promessa do governo é seguir com o bombardeio sobre @s trabalhador@s: acaba de girar toda sua artilharia contra o funcionalismo público federal ( PDV, corte de benefícios e bloqueio de verbas para órgãos públicos). Henrique Meireles anunciou que a reforma da previdência será aprovada até outubro e mais uma reforma política vem aí para fechar mais janelas no regime. Ao contrário do que defende a direção majoritária de nossa central, não estamos numa correlação de forças favorável para o conjunto d@s trabalhador@s.Vivemos, neste momento de resistência da classe trabalhadora, uma ofensiva da burguesia, não totalmente consolidada, que tem o objetivo de acabar com os nossos direitos.

    . UNIR A CLASSE PARA BARRAR AS REFORMAS

    Diante desse cenário, é necessário recompor a ampla unidade entre as centrais sindicais e movimentos sociais, que crie condições para uma nova greve geral no país para derrubar Temer e derrotar seus ataques. A nossa central esteve corretamente inserida na construção das mobilizações de março, que abriram caminho para a greve geral do dia 28 de abril. A CSP Conlutas também acertou em participar com força da caravana à Brasília no dia 24 de maio. Mas infelizmente a direçäo da nossa central tem também cometido erros importantes, que demonstram que ainda há uma insuficiente disposição pela unidade movida por desvios sectários e auto proclamatórios. Pensamos que é preciso corrigir esse curso e podemos fazer diferente neste segundo semestre, aprofundando as relações de unidade com todos os setores que estão dispostos a lutar contra Temer e seus ataques. Queremos ver a CSP Conlutas buscando construir a mais ampla unidade de açäo com todas as centrais, movimentos sociais, da juventude e de luta contra a opressão. Um bom começo seria convidar esses setores para abertura de nosso congresso e propor a todos um grande encontro de lutador@s para construirmos um calendário unificadode lutas.

    …FORA TEMER ESUASREFORMAS

    De maneira nenhuma nossa necessidade de unidade para derrotar a imensa voracidade do capital deve esconder nossas diferenças. É preciso criticar, exigir e denunciar as direçöes majoritárias do movimento todas as vezes que expressarem vacilos e traições. A direção da Força Sindical dividiu o movimento ao liderar uma parte das centrais sindicais para negociar o imposto sindical — eis uma das razões da debilidade da greve geral do dia 30 e da recuperação de Temer. Também a direçäo da CUT e da CTB não organizaram com força o 30 de junho, pois foram pressionadas pelo PT, que prioriza acordos de cúpula para criar as melhores condições possíveis para Lula em 2018. Para nós, a tarefa central neste momento deve ser derrotar a Reforma da Previdência e demais ataques. Devemos seguir nas ruas para derrubar Temer e exigir eleições gerais já, e com novas regras!

    CONSTRUIR UMA ALTERNATIVA DE ESQUERDA E SOCIALISTA

    Não temos nenhuma ilusão na conciliação de classes. Defendemos a construção de uma alternativa para a esquerda brasileira que supere o Lulopetismo. É necessário forjar na luta a unidade política em torno de um programa de enfrentamento com o capital, unificando as organizações sindicais, populares e políticas da esquerda, que precisam se colocar em melhores condições para conquistar referência e ganhar maior influência política entre o conjunto trabalhador@s que lutam. Assim, nesses 100 anos da Revolução Russa, combatemos a direita e a conciliação de classes e vamos pavimentando a estrada para a construção do socialismo.

    COMBATER TODAS AS FORMAS DE

    OPRESSÃO

    Outro elemento a que devemos dar muita atenção é o protagonismo que as lutas por direitos civis, democráticos e contra as opressões vêm assumindo. O desrespeito e a violência contra a mulher trabalhadora, a população negra das periferias e a comunidade LGBT são estatísticas que assombram e têm tornado a vida de milhares de trabalhador@s um pesadelo. Esses ataques fazem parte da ofensiva da burguesia e de seus setores mais atrasados e conservadores. O dep. Jair Bolsonaro é a expressão do que estamos falando. Pontua em segundo lugar nas pesquisas eleitorais para Presidente da República fazendo discursos machistas, racistas e homofóbicos. A força das bancadas BBBs (Boi, bala e bíblia) nas assembleias legislativas e Congresso Nacional também é um exemplo categórico de que estamos diante do recrudescimento de setores da ultradireita, que têm encontrado espaço na população para as suas ideias. O dia 08 de março foi muito especial, pois colocou as mulheres como protagonistas da resistência dos setores oprimidos, e também fortaleceu as demais lutas contra o ajuste fiscal e a Reforma da Previdência fortalecendo a resistência do conjunto da nossa classe. Sendo assim, é uma obrigação da nossa central dialogar e construir ampla unidade com os movimentos sociais que lutam contra as opressões e em defesa dos direitos da classe trabalhadora.

    -UNIR TOD@S QUE LUTAM

    Destacamos também a presença fundamental em todas as lutas de resistência dos trabalhador@s dos movimentos populares de luta por Terra e moradia, como também da juventude do movimento estudantil e dos movimentos de contra cultura da periferia das médias e grandes cidades. As recentes ocupações de terra, prédios e de escolas como método de luta já provaram sua importância para a nossa luta contra a ofensiva burguesa.

    … POR UMA CENTRAL CLASSISTA, AUTÔNOMA, PLURAL, DEMOCRÁTICA, DE LUTA E INTERNACIONALISTA…

    Queremos chamar atenção para as questões que envolvem a democracia e a metodologia de funcionamento da nossa central sindical. Pensamos que a direçäo majoritária da central impõe uma concepção de entidade sindical que dificulta que as distintas sensibilidades e opiniões políticas possam se expressar, representar, controlar e dirigir e/ou codirigir a CSP Conlutas. A central tem recebido a filiação de sindicatos combativos e setores políticos que ampliam a pluralidade da central. Essa metodologia excessivamente centralizadora e hegemônica fere o caráter de frente única que precisa ter uma central sindical. Esse curso, se não for revertido, poderá enfraquecer e isolar nossa pequena ferramenta, que hoje ainda é um importante polo que aglutina setores combativos do movimento sindical e popular brasileiro.

    Por fim, queremos convidar tod@S @s trabalhador@s simpatizantes das ideias contidas nesse manifesto a vir dialogar conosco nos espaços e atividades do movimento, bem como em cada assembleia que irá eleger delegadas e delegados para o 3° Congresso da CSP-Conlutas que será realizado nos dias 12 a 15 de outubro de 201 7, em Sumaré- SP.

    Assinam esse manifesto os membros efetivos e convidados da Secr. Executiva Nacional da CSP-Conlutas:

    Neida Oliveira – Conselho Geral do CPERS-Oposição/ Construção Socialista.

    David Lobão – SINASEFE / NOS: NOVA ORGANIZAÇÃO SOCIALISTA.

    Gibran Jordão – Coordenação Geral da FASUBRA/#MAIS.

    Gesa Linhares – SEPE/RJ / LRP.

    Silvio de Souza – APEOESP / Oposição Alternativa / Conspiração Socialista.

    Zé Campos – SINDSPREV/RS / NOS: NOVA ORGANIZAÇÃO SOCIALISTA.

    Magda Furtado, suplente do SINASEFE / APS/Resistência e Luta.

    Mauro Puerro – SINPRO / Guarulhos – Minoria da FEPESP / #MAIS.

    Miguel Leme – Oposição Alternativa – APEOESP / LSR/Psol-Bloco de Resistência Socialista Sindical e Popular.

    Ana Borguin – Diretora do Sindicato dos Metroviários de São Paulo – MES/PSOL

  • Defender a liberdade ou o nazismo?

    Por Jéssica Milaré, colunista do Esquerda Online, com colaboração de Eduarda Johanna Alfena.

    Após a manifestação de nazistas e supremacistas brancos em Charlottesville, Virgínia, do dia 12 de agosto, surgiu uma polêmica em torno da defesa da liberdade de expressão: defender ou não o direito dos nazistas se manifestarem? De fato, se utilizássemos uma lógica mecânica, diríamos que todos têm direito à liberdade de expressão, inclusive os nazistas. O problema lógico é que nazismo é o antagonismo da liberdade. A única forma de garantir a liberdade das mulheres, dos negros, das LGBTs, dos imigrantes, indígenas e pessoas com deficiência é combater, sem reservas, o nazismo.

    O nazismo e o fascismo são ideologias nacionalistas, totalitárias e eugenistas. Isso significa defender, a partir de um evolucionismo vulgar e tacanho, que existem raças humanas superiores e inferiores e que precisam se confrontar para que as superiores prosperem sobre as inferiores. A raça “superior”, segundo essas ideologias, é a branca. No caso do nazismo, a “raça ariana” é a superior entre as pessoas brancas.

    O fascismo prega que se deve marginalizar as “raças inferiores” para que as “raças superiores” prosperem, utilizando a violência como meio. O nazismo vai além: não basta marginalizar, é preciso exterminar todos os povos “inferiores”. O fascismo mata para chegar e permanecer no poder, o nazismo chega ao poder para exterminar.

    Para essas e outras ideologias fascistóides, é absolutamente natural que, na nossa sociedade, as posições de comando sejam quase sempre ocupadas por homens brancos, heterossexuais e cisgêneros. Isso viria da ideia falsa de que essas pessoas “subiram na vida” porque são naturalmente superiores. Assim, tais ideologias reforçam o senso comum e o leva ao extremo, justificando a violência e o assassinato em massa de todas as pessoas ditas “inferiores”.

    É óbvio, portanto, que essas ideologias são absolutamente contrárias a qualquer ideal de liberdade. Quanto mais o fascismo se espalha, mais longe estaremos de qualquer liberdade, porque liberdade significa o fim da opressão contra as mulheres, as LGBTs, pessoas negras, imigrantes e pessoas com deficiência. Alguém poderia, entretanto, argumentar que podemos combater o nazismo com argumentos, mas isso é uma inverdade: não existe diálogo com quem prega literalmente nos exterminar.

    Diante deste fato, é um absurdo que alguém veja as marchas fascistas e as antifascistas como “dois lados da mesma moeda”, como “uma briga entre radicais” com “violência de ambos os lados”. É um absurdo que o próprio governo fique parado enquanto as marchas nazistas acontecem. Pregar o fascismo ou o nazismo é crime e assim deve ser tratado.

  • Para além do lulismo: Vamos Sem Medo

    Por Valério Arcary, Colunista do Esquerda Online

    É possível que a tensão entre a eficácia política que representam as organizações e os perigos ideológicos e políticos que encarnam seja insolúvel. Isso pode ser algo com que nós simplesmente tenhamos que nos acomodar. Parece, no entanto, que esta é uma questão que deve ser tomada de frente e que deve ser amplamente discutida, caso contrário, corremos o risco de ser dilacerados em duas frações absurdas, a “sectária” e a “marginal “. O número de pessoas ao redor do mundo que são “ex-militantes”  e que não são filiadas a nada, neste momento, mas que gostariam de alguma forma ser politicamente ativos tem, penso eu, aumentado enormemente depois da decepção do pós 1968. Eu não acho que devemos interpretá-lo como a despolitização dos que perderam suas ilusões, embora isto seja, parcialmente, verdadeiro. É, antes, o medo de que a atividade militante seja eficaz apenas na aparência. [1]

                                                                                                      Immanuel Wallerstein

    Aproximam-se os prazos de votação da reforma da previdência. Mas a indispensável unidade para lutar contra as reformas não autoriza concluir que a unidade eleitoral deve ser feita em torno de Lula. Uma parte do petismo reagiu, criticamente, ao lançamento da plataforma Vamos Mudar o Brasil Sem Medo. Isso era previsível. Mas, Lula não pode mais unir a esquerda. Treze anos no governo, os limites de um reformismo quase sem reformas, mais o mensalão e o escândalo da Petrobrás não foram em vão. Se não abrirmos um debate sobre o programa que vá além do que foi o lulismo, o perigo de uma desmoralização da geração que despertou para a luta política depois de junho de 2013 é muito grande.

    Nostalgia em política é um sentimento conservador, e não é boa conselheira. Aqueles que ainda querem reviver a experiência lulista se enganam a si mesmos. Pensar que o amanhã será como ontem é o mais perigoso dos erros, porque ignora as mudanças, os deslocamentos incessantes e ininterruptos no tempo. Esse tempo subjetivo da permanência é uma ilusão. Uma ilusão que aprisiona em rotinas mentais. São a raiz profunda dos erros políticos. Ir além das ilusões pode ser cruel, mas esse é o desafio central da tática.

    Quando uma organização ou movimento está aquém do tempo histórico deixa o passado governar o futuro, e sucumbe. Quando está além, se ilude que o futuro possa governar o presente, e permanece marginal. A iniciativa do MTST de discussão pública de um programa diferente do programa do Lulismo tem um sentido renovador, e tenta abraçar uma iniciativa reorganizadora para a esquerda.

    É verdade que, até agora, não há um plano de lutas à altura da necessidade de enfrentar o desafio de bloquear a votação da reforma da previdência, o que produz alguma angústia. A dificuldade de construir a resistência parece evidente. Ela vai exigir a luta pela frente única. As centrais sindicais estão quietas e sem iniciativa, incluída a CUT. Ninguém pode dizer se o governo Temer conseguirá ou não os 308 votos que precisa para votar mais esta PEC. Mas é bom critério não confiar somente nas pressões parlamentares. Muitas dezenas de milhões de vidas serão prejudicadas em nome das “necessidades do ajuste fiscal”. A direção do PT organiza uma caravana com Lula, pelo nordeste escoltado pelo MST, para demonstrar força social e tentar evitar uma segunda e fatal condenação no TRF de Porto Alegre. Tem todo o direito de o fazer, mas parece pouco.

    A história sugere que, talvez, exista um lapso de tempo na forma de atraso entre a emergência de uma ação imposta pela pressão de uma realidade objetiva que amadurece, velozmente, e a capacidade das classes populares de responder à altura da defesa de seus interesses. Nesse sentido, a política está, tendencialmente, atrás da história, enquanto a teoria está à sua frente. Porque se a política se atrasa, a teoria se antecipa. São dimensões muito diferentes: a atividade de pensar e a de agir sobre o mundo. Esta obedece à necessidade de mudar o estado de ânimo das grandes multidões, e convocá-las à luta; aquela, se dedica à análise dos fenômenos, e busca a construção de explicações e previsões.

    Foi nesse sentido que Marx cunhou a quase sempre  mal interpretada frase de que “a humanidade não se coloca problemas para os quais as soluções já não estejam reunidas”, ou em vias de maturação. Ela traduz a compreensão das mediações, e a principal é aquela construída pela vontade humana, e não o inverso. Um estreito determinismo é sempre a negação das possibilidades da luta política.

    Os partidos das classes populares, enquanto lutam entre si, lutam também para influir sobre os estados de espírito de suas bases sociais, e sobre o humor das bases sociais que lhes são socialmente hostis. Nenhum partido é imune às pressões inimigas. O desencontro pode ser de dupla natureza: ou porque os partidos estão aquém, ou além do desafio histórico. Porque o tempo histórico da política que se define como estratégia, é aquele que faz a mediação entre o presente e o futuro, e esse tempo se articula como hipótese e está sempre em aberto. Está sujeito a redefinições, já que no presente tudo está em movimento, em uma instabilidade que é pouco previsível.


    [1] Immanuel Wallerstein, 1968Révolution dans le Sistème Mondial, in Le Temps Modernes, 514/515, mai-juin 1989, p.172)

  • Charlottesville é um chamado para a ação contra o fascismo

     

    Katherine Nolde, Richard Capron e Scott McLemee juntam relatos de participantes do conflito violento entre a extrema-direita e antirracistas em uma cidade na Virgínia.

    Artigo publicado em Socialist Worker (diário digital impulsionado pela ISO) em 14 de agosto de 2017

    Vigília em Oakland, Califórnia, em solidariedade com Charlottesville. (Stephen Lam | Reuters/Newscom)

    Tradução de Pedro lhullier Rosa

    A manifestação de extrema-direita em Charlottesville, Virgínia, no dia 12 de agosto – provavelmente a maior congregação em público da racista alt-right, ou “direita alternativa” – foi clara evidência das forças sanguinárias nutridas e encorajadas por Donald Trump durante os últimos dois anos.

    E teve consequências letais. Uma manifestante antifascista foi morta e mais de vinte feridos quando um terrorista neonazista acelerou seu carro para cima de uma contramanifestação liderada por organizações de esquerda, incluindo a International Socialist Organization (ISO), os Democratic Socialists of America (DSA) e os Industrial Workers of the World (IWW), entre outras.

    Trump proclamou uma condenação fajuta de “ódio, intolerância e violência de muitos lados” que não enganou a ninguém – especialmente a extrema-direita. “Ele se recusou a falar qualquer coisa sobre a gente.” um site racista comemorou. “Quando os repórteres estavam gritando com ele sobre o nacionalismo branco ele simplesmente saiu da sala.”

    Então os fascistas veem Trump como um dos seus – e por bom motivo.

    Mas o ódio mostrado em Charlottesville – e promovido por quem manifesta o supremo ódio na república – está despertando as pessoas por todo o país.

    As notícias do atropelamento terrorista criaram uma onda de solidariedade – dentro de horas, haviam vigílias e protestos em dezenas de cidades, seguidos por mais no dia seguinte, e ainda mais estavam sendo organizados para os próximos dias. Ao final do domingo, as pessoas tinham adotado posições solidárias com Charlottesville em centenas de cidades.

    Estas pessoas que mandaram mensagens de protesto não apenas expressaram repulsa pelo ódio dos fascistas e horror pela sua violência, mas também entenderam a necessidade de se defrontar com essa ameaça antes que possa causar mais sofrimento e tomar mais vidas.

    Charlottesville mostrou o grave perigo que enfrentamos na forma de uma extrema-direita encorajada. Mas também está revelando o potencial de mobilizar uma oposição de massas ao seu ódio, seja este expressado nas ruas ou na Casa Branca.

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    Os milhares que se mobilizaram contra a agenda de Trump nos últimos meses estão tornando impossível para a extrema-direita dizer que representa mais que uma pequena parcela da população estadunidense.

    Quando o Ku Klux Klan veio a Charlottesville no mês passado, para protestar contra a remoção e a substituição da estátua do general confederado Robert E. Lee de uma praça pública, atraiu cerca de 50 apoiadores – e 20 vezes mais manifestantes antirracistas.

    Sentindo-se humilhados por isso, grupos de extrema-direita anunciaram outra manifestação em agosto. A prefeitura deu permissão aos organizadores da “Unite the Right” (Unir a Direita) para usarem o Emancipation Park na cidade neste último sábado – uma tentativa de último minuto de revogar a permissão foi derrubada por um juiz com base em uma apelação da American Civil Liberties Union (ACLU). Também foi dada permissão aos contramanifestantes para que se reunissem a algumas quadras de distância no Justice Park.

    A extrema-direita veio a Charlottesville atrás de uma briga, e começou suas atividades na sexta de noite com uma passeata à luz de tochas no campus da Universidade da Virgínia. Gritando “Heil Trump” e “vocês não vão nos substituir” – às vezes trocado para “os judeus não vão nos substituir”, com sonoridade parecida no inglês – alguns usaram suas tochas acesas para ameaçar o pequeno grupo de manifestantes antirracistas que os confrontaram no campus.

    Se os racistas pensaram que teriam a mesma força sobrepujante ao seu lado no próximo dia, estavam errados. Os fascistas estavam em minoria em relação a seus oponentes, que iam de contingentes Antifa e da esquerda radical a organizações antirracistas mais moderadas. Mas a vantagem antifascista não foi tão grande quanto poderia ter sido.

    Grupos de cada lado fizeram marchas na linha de visão do outro na manhã de sábado, e houveram conflitos isolados, levantando uma atmosfera de confusão e incerteza.

    Quando um grupo de militantes da ISO se aproximou da entrada sudoeste do Justice Park, onde acontecia o contraprotesto, encontraram um grupo de homens brancos jovens de guarda, com fuzis automáticos e faixas vermelhas amarradas no pescoço. O medo inicial se dissipou quando os socialistas foram recebidos com vivas e apertos de mão – estes eram membros da Redneck Revolt, um recém-formado grupo de autodefesa da classe trabalhadora do sul estadunidense.

    As polícias local e estadual estavam presentes, mas não intervieram quando os direitistas ameaçaram os contramanifestantes. De acordo com um relato do jornal ProPublica:

    “Em um desses inúmeros conflitos, uma multidão raivosa de supremacistas brancos formaram uma linha de batalha defronte a um grupo de contramanifestantes, muitos destes idosos e de cabelo grisalho, que tinham se reunido perto de um estacionamento de igreja. Quando seu líder deu o comando, os rapazes deram uma investida e agrediram sem freios seus inimigos ideológicos. Uma mulher foi jogada na calçada, e o sangue surgiu instantaneamente na sua cabeça ferida.

    Nas redondezas, uma tropa de policiais municipais e estaduais fardados com trajes de proteção observaram em silêncio por trás das suas barricadas de metal – e não fizeram nada.”

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    Quando o governador da Virgínia Terry McAuliffe declarou um estado de emergência às 11 da manhã, a Guarda Nacional entrou em cena. A polícia dispersou a extrema-direita da sua posição no Emancipation Park – mas isto levou a grupos ambulantes de racistas buscando briga nas ruas ao redor.

    Os contramanifestantes receberam a informação de que os fascistas estavam a caminho de uma parte da cidade com uma concentração de habitação pública para acossar os residentes de baixa renda.

    Uma marcha foi organizada espontaneamente em defesa da comunidade. “Os sentimentos de incerteza e vulnerabilidade mudaram imediatamente para confiança e autoridade.” disse um membro da ISO que participou do ato. “Não íamos deixar os fascistas controlarem o dia.”

    Cerca de 300 antifascistas marcharam e cantaram em formação estreita, parando logo antes de virar a esquina da rua onde as moradias estavam localizadas. Mas, ao chegar, não encontraram os direitistas. Um organizador pertencente à comunidade foi à frente da marcha e tomou o megafone, pedindo uma retirada para diminuir as chances de trazer a polícia para a região.

    O grupo fez seu caminho de volta ao centro da cidade e encontrou outro contingente de contramanifestantes tomando a rua em um humor exaltado. Os grupos se uniram e começaram a subir a lombada em direção ao Justice Park, planejando comemorar sua aparente vitória em expulsar os direitistas.

    Estavam na metade da subida quando de repente surgiu algo que soou como uma batida ou uma explosão. Corpos voavam, e pessoas gritavam. Um carro tinha atropelado a multidão a toda velocidade, e então subido a colina em marcha ré e saído de vista.

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    No caos, as pessoas fizeram o melhor que puderam para manter a compostura, tomar controle da situação e chamar os médicos que monitoravam a marcha. Tiraram os feridos da rua – para evitar o perigo de outro ataque veicular – e chamaram ambulâncias.

    O que veio no lugar delas foi um tanque policial. Um homem de farda militar subiu a escotilha com uma arma feita para atirar bombas de gás lacrimogênio. Três viaturas vieram atrás dele, junto com um batalhão de choque. A polícia fechou a área, e os manifestantes se dispersaram.

    Foi relatada depois a prisão e acusação de um homem do estado de Ohio, James Fields Jr., por homicídio doloso, três ocorrências de lesão corporal dolosa, e por não parar na cena de um acidente automobilístico resultante em óbito. Fotos anteriores daquele dia mostram o assassino brandindo um escudo com o símbolo do grupo neonazista American Vanguard.

    O carro de Fields matou a natural de Charlottesville Heather Heyer, de 32 anos, que trabalhava como paralegal e era devotada apaixonadamente à justiça social.

    Um vizinho diz que “ela viveu sua vida como o seu caminho – e foi pela justiça.” A mãe de Heather, Susan Bro, irrompeu em lágrimas ao dizer a um jornalista do HuffPost: “De alguma maneira eu quase sinto que é isto que ela nasceu para ser, um ponto focal para a mudança.”

    Mais de vinte outras pessoas foram gravemente feridas. Bill Burke, militante da ISO de Athens, Ohio, estava entre os que foram levados do local em uma ambulância, dada a preocupação de que tivesse sofrido ferimentos na espinha dorsal. Ele não tinha, mas precisou receber monitoramento para dano cerebral e foi tratado de uma concussão, além das dilacerações em seu rosto e da escoriação de seus braços e pernas.

    Burke recebeu alta do hospital no fim da tarde de domingo e espera-se que se recupere completamente. Ele mandou esta mensagem a outros militantes da ISO:

    “Aprecio o apoio e a solidariedade de todos. Espero que o que os fascistas fizeram sirva para despertar o nosso lado. Racismo, machismo, homofobia, transfobia e capacitismo: a direita representa as piores partes do sistema capitalista. Se realmente queremos impedi-los, precisamos nos organizar melhor e lutar em solidariedade contra toda a opressão. No final, precisamos de um mundo que funcione para as pessoas, não para o lucro.”

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    Que o ataque veicular foi proposital parece óbvio a todos além de tipos como Donald Trump.

    Mas qualquer um que ainda tenha dúvidas deveria considerar um meme da alt-right que surgiu meses antes do confronto em Charlottesville. Mostra o desenho de um carro atropelando três pessoas com a legenda “ALL LIVES SPLATTER” (“todas as vidas se espatifam”, um trocadilho com a palavra de ordem da direita “todas as vidas importam” – por sua vez uma reação à frase do movimento negro “vidas negras importam”). A outra legenda diz “Ninguém liga para o seu protesto. Tire sua bunda da rua”.

    Tudo isto segue o espírito do terrorismo “divertido” de Trump – com sua “piada” de oferecer o pagamento das contas jurídicas de seus apoiadores caso eles agridam manifestantes, e suas referências “irônicas” à ideia de assassinar candidatos adversários. Esta retórica tem encorajado reacionários como os portadores de tocha que, sexta à noite em Charlottesville, quiseram fazer lembrar os comícios de Nuremberg da década de 30.

    Sua violência repulsiva já trouxe uma erupção de protestos antirracistas ao redor dos EUA. Mas não podemos parar por aí. Precisamos de um movimento permanente que se mobilize a confrontar a extrema-direita com números muito maiores toda vez que tentarem aparecer – e que organize uma alternativa da esquerda radical à política fascista de desespero e bodes expiatórios.

    Como um participante dos protestos antifascistas de Charlottesville escreveu na internet:

    “Para controlar as ruas, precisamos enchê-las. Se tivéssemos pessoas cobrindo cada centímetro do centro de Charlottesville, não teríamos ficado tão vulneráveis.

    Para desmobilizar o movimento fascista, eles precisam ser postos em desvantagem numérica e expulsos com força física… isole-os, desmoralize-os.

    É de quebrar o coração que os contra-manifestantes em Cville tinham recém começado a sentir um ar de confiança e unidade de ação [antes do ataque]…. Dois contingentes, duas multidões marchando convergiram no centro e estavam a caminho do Justice Park para comemorar, finalmente tendo se organizado após terem ficado divididas entre muitos locais.

    Este é o objetivo da extrema-direita: aterrorizar, intimidar e destruir as organizações dos trabalhadores e da esquerda, e qualquer outro que eles julguem uma ameaça.

    Não podemos deixar que eles se ancoragem mais pelo que aconteceu hoje.”

    Alan Maass contribuiu a este artigo.