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Por que não fui ao ato de ontem na Avenida Paulista

Silvia Ferraro

Feminista e educadora. Professora de História da Rede Municipal de São Paulo e integrante do Diretório Nacional do PSOL. Ex-candidata ao Senado por São Paulo. Formada pela Unicamp.

Por: Silvia Ferraro, colunista do Esquerda Online

Todo mundo que me conhece sabe que eu não perco um ato de protesto contra as reformas, pelo Fora Temer e também pelas Diretas, já.

Este ano eu já fui em inúmeros atos que defenderam exatamente esta pauta, porque há uma urgência de derrotarmos as contrarreformas, de derrubar o governo golpista de Temer e também de arrancarmos eleições diretas para presidente e para o Congresso, para que, assim, o povo trabalhador possa decidir o que quer para o Brasil, que obviamente não é a agenda neoliberal.

Mas, neste ato de ontem, eu não fui. Recebi um panfleto no metrô de São Paulo e ele ilustra bem o motivo pelo qual não fiquei nem um pouco animada para comparecer à manifestação que ocorreu na Av. Paulista.

Panfleto distribuído em convocação ao ato de Lula
Panfleto distribuído em convocação ao ato em defesa de Lula

Tenho um posicionamento categórico, desde o início, contra a operação Lava a Jato, não dou nenhum crédito a Sérgio Moro e às instituições que ele representa. Acho que a condenação de Lula é sem provas e é fruto do objetivo do imperialismo de tirar Lula da disputa presidencial. Os mesmos que um dia aceitaram Lula, agora não aceitam mais, porque não existe mais espaço para um governo de conciliação de classes.

Nesse sentido, defendo o direito de Lula ser candidato a presidente. Mas, não votarei nele e não vou fazer campanha para ele e o PT, justamente porque tenho severas críticas aos 13 anos de governo de conciliação com o grande capital e à zero autocrítica por parte de Lula e do partido dos trabalhadores. É por isso que não fui ao ato de ontem. Porque se repararem na convocação deste panfleto, ele defende os governos do PT e já faz campanha para Lula 2018.

Eu acredito muito que não enfrentaremos de forma consequente a direita, os golpistas e o plano de desmonte do Brasil, repetindo o projeto Lulopetista de governar para todos e ficar bem com os “amigos” do Lula.

Eu acredito na possibilidade da esquerda socialista e radical fazer diferente e construir um programa com medidas anticapitalistas, que seja capaz de apaixonar os explorados e oprimidos que se encontram bem desesperançados.

Só a ousadia pode combater a apatia. Só a radicalidade da esquerda, que não abandonou o projeto socialista, pode despertar a paixão popular.

Foto: Roberto Parizotti