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20 Julho, 2017
  • Trabalhadores da UTC demitidos, na Bacia de Campos, pedem solidariedade em carta à empresa e aos brasileiros

    Da Redação, para Coluna Rádio Peão

    5.2

    Trabalhadores da empresa UTC Engenharia, terceirizados que prestam serviço nas unidades marítimas da Petrobras, na Bacia de Campos, receberam anúncio da demissão de quase dois mil funcionários. No dia 17 de julho, os que ainda se mantinham no quadro da empresa também completaram 45 dias sem receber salários e benefícios trabalhistas. Os quatro mil trabalhadores escreveram uma carta endereçada à companhia e ao povo brasileiro, onde pedem providências da empresa e respeito aos seus direitos. Ainda, disponibilizaram uma petição para ser assinada por todos que queiram se solidarizar com a causa. 

    “Não estamos aqui hoje pedindo por privilégios, mas sim pelos nossos direitos e pela nossa dignidade que foi cerceada de maneira covarde por duas empresas, que hoje negam o suor do rosto de cada trabalhador que deu uma parte preciosa de seu tempo por essas corporações”, afirma a carta.

    Ainda, citam na nota a empresa, a Justiça do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho, pedindo para que “adotem providências para colocar em dia os salários atrasados e cumprir todos os demais direitos”, concluindo o pedido para que assumam “compromisso público de não realizarem mais demissões, causando mais calamidade ao trabalhador e trazendo instabilidade ao nosso país”, segundo consideram.

    Publicamos a íntegra da carta abaixo:

    Pedido de ajuda dos Ex Funcionários da UTC ao povo Brasileiro

    Carta aberta ao povo brasileiro e seus representantes

    É com muita tristeza que hoje, 17 de julho de 2017, nós, os 4000 trabalhadores da UTC Engenharia de Macaé redigimos essa carta que serve de apelo à população brasileira e seus representantes, viemos desesperadamente, pedir por nossas famílias e por nossos direitos.

    Agora no mês de julho, cerca de 1800 funcionários da UTC engenharia, prestadores de serviço nas unidades marítimas da Petrobras, ficaram sem receber o seu pão de cada dia, completando hoje aproximadamente 45 dias sem os seus salários e benefícios trabalhistas e de maneira informal, como se fôssemos meros “peões” nesse jogo empresarial, de cima de um palanque em frente à sede da Petrobras em Macaé, fomos informados que todos, os 4000 pais e mães de famílias, estávamos sendo dispensados de nossas atividades, de forma descartável e sem previsão de pagamento das nossas verbas rescisórias e direitos trabalhistas.

    Somos pais e mães de família, que durante anos nos dedicamos com afinco às atividades da parceria entre a UTC engenharia e a Petrobras, muitos se deslocando de outros estados, ficando dias longe de suas famílias, arriscando nossas vidas nos ambientes mais inóspitos do planeta, tudo isso para manter a integridade das nossas plataformas de exploração de petróleo e com isso garantir a soberania de uma economia refletida diretamente em nossa dedicação e capacitação.

    Não estamos aqui hoje pedindo por privilégios, mas sim pelos nossos direitos e pela nossa dignidade que foi cerceada de maneira covarde, por duas empresas, que hoje negam o suor do rosto de cada trabalhador que deu uma parte preciosa de seu tempo por essas corporações, como explicar aos nossos filhos que a pouco se orgulhavam de terem pais “petroleiros”, que veem reportagens na teve afirmando que a Petrobras “teve lucro de 4,45 Bilhões”, que a UTC “se comprometeu em pagar uma leniência cujo montante deverá ultrapassar 3 Bilhões”, que essa noite dormiremos no escuro pois a nossa luz foi cortada, que devemos comer menos para que amanhã em nosso prato não falte, que a humilhação de ser chamado ofendido por nossos credores não é nossa culpa e sim dessas empresas que hoje dizem não ter dinheiro para realizar o pagamento do que nos é devido. Como explicar? Nem as crianças conseguiremos enganar.

    Assim como começamos essa carta, vamos encerrá-la, com a mais profunda tristeza, de saber, que vivemos em um país onde a sua mais importante engrenagem, que somos nós, os trabalhadores, não tem valor, cada luz que se acende, cada pão que chega a nossa mesa, cada roupa que vestimos, cada remédio que tomamos, tudo é fruto do suor e do calo nas mãos de algum trabalhador, somos nós que movimentamos e fazemos essa nação crescer, deixo aqui a seguinte questão, de que adianta um legislação trabalhista, num país onde as maiores empresas escolhem de forma impune se devem ou não respeitá-la?

    Hoje somos nós mas amanhã serão outros trabalhadores e por aí vai, esse ciclo precisa de um basta, mas só conseguiremos isso com o união e empatia de todos, muitas famílias dependem desse apoio, contamos com a comoção de toda a nossa população e representantes perante a nossa causa.

    Nós somos a engrenagem que move o mundo, mas nenhuma engrenagem move nada sozinha!

    Estamos sem nossos direitos serem observados, com salários atrasados e que a empresa, a Justiça do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho adotem providências para colocar em dia os salários atrasados e cumprir todos os demais direitos a que vocês fazem jus, assumindo também o compromisso público de não realizarem mais demissões causando mais calamidade ao trablador trazendo instabilidade ao nosso País.

    Que o MPF nos ajude fazendo a Petrobrás pagar suas responsabilidades, pois a falta da fiscalização pela Petrobrás fez chegar a esse ponto.

    Pedimos que o poder público seja representante do Trabalhador e tomem devidas providências a favor do trabalhador.

    Por favor nos ajudem repasse para todos.

    Ex-funcionários UTC, terceirizados da Petrobras”

  • Quem é o inimigo número um do prefeito Marchezan, de Porto Alegre?

    Por: Nati Gasparani, professora da Rede Municipal de Porto Alegre

    “Governos sem projeto caçam funcionários públicos”, bem afirma Juremir Machado em uma coluna deste mês no site do Correio do Povo. De fato, assim como o governador Sartori, o prefeito Marchezan parece querer “mostrar serviço” assediando o serviço público das mais diversas formas. Como, no munícipio de Porto Alegre, os serviços públicos, na verdade, são a única presença do Estado que atende a população mais pobre  – as escolas nas zonas mais periféricas, os postos de saúde, os centros de referência em assistência social – , Marchezan ataca, na verdade, a população pobre, em sua maioria negra, trabalhadora, com famílias sustentadas majoritariamente por mulheres.

    Todos os dias, quando chego na escola, é uma surpresa diferente. Isso porque no campo da educação os ataques são quase que semanais. Marchezan tem empreendido uma cruzada contra a autonomia e a qualidade da educação municipal, fruto de um projeto de gestão coletiva de mais de 20 anos na rede. Primeiro, impôs uma rotina escolar que não condiz com a realidade das comunidades. Agora, estudantes chegam mais cedo na escola, porém sem aula. Ficam horas na fila do refeitório, muitas vezes desistindo de realizar a refeição e são proibidos de repetir determinados alimentos.

    Professores não podem mais se reunir durante a semana, momento crucial não só para o planejamento pedagógico adequado, mas principalmente para a detecção de situações de risco na vida dos estudantes. A “redinha”, proposta de acompanhamento conjunto de alunos em situação de vulnerabilidade social que envolvia agentes de saúde, assistentes sociais, professoras da orientação escolar e o Conselho Tutelar, também foi inviabilizada. As escolas que possuíam mais de uma vice-diretora para organização do cotidiano escolar, incluíram as burocracias do cartão-ponto, que toma boa parte do tempo de trabalho das equipes diretivas e mais dificulta do que facilita a rotina.

    Mensalmente, Marchezan ameaça corte de verbas e parcelamento de salários, criando um ambiente de terror em cada sala de professores. À mídia, retrata os docentes como marajás privilegiados e desqualificados, insinua a contratação de empresas terceirizadas para avaliação dos alunos, extingue projetos de incentivo à leitura geridos pelas comunidades escolares para colocá-los nas mãos de grandes empresas.

    O último ataque simplesmente deixou as comunidades em estado de choque. Sem qualquer comunicação oficial para as escolas, a Secretaria de Educação bloqueou no sistema de matrículas a inserção de novos alunos na Educação de Jovens e Adultos, enquanto o governo noticiava o “corte de gastos” com novas contratações, graças ao realocamento de professores dessa modalidade em outros turnos. Ou seja: é o fim do ensino noturno que inclui jovens e adultos trabalhadores em risco de evadir da escola, para que, em seus números, Marchezan possa mostrar “resultados” de enxugamento das contas.

    Seguindo a lógica do fechamento do UniPoa, curso pré-vestibular gratuito para jovens de baixa renda, o prefeito justifica suas ações dizendo que não é dever do município educar jovens e adultos. Parece que o projeto de Marchezan é, para “economizar”, lavar as mãos quanto à vida de jovens negros da periferia, deixando cada vez mais atraente a vida do tráfico. Os projetos de governo desse partido ficam, portanto, nítidos. Enquanto isso, membros de seu partido, o PSDB, foram acusados nos últimos anos, mas nunca condenados, por envolvimento com produção e tráfico de grandes quantidades de drogas ilícitas, como a cocaína.

    Saio da escola tonta com essa notícia. Na parada do ônibus, encontro jovens que estão cursando o Ensino Médio e foram meus alunos ano passado. “Nunca tem aula, ‘sora’”, dizem eles. “As escolas estaduais estão sempre sem professores. Saudade do ‘coleginho’”, afirmam. Penso: é o projeto de fim da escola pública, já avançado no nosso estado, chegando às escolas municipais. Em breve, muito em breve, seremos nós.

    E nós, professores e professoras, sentimos saudades da escola gerida pelas comunidades, ou pelo menos da época em que essa era consultada, quando o foco da escolarização nas periferias era educar as crianças para elas terem mínimas condições de sobrevivência no mercado de trabalho, contando com habilidades críticas, de raciocínio matemático, acesso à escrita e à leitura.

    Sentimos saudades de podermos de fato decidir com a comunidade dos entornos das escolas sobre os calendários, as prioridades, as turmas e os turnos, quando podíamos ajudar no encaminhamento psicológico, psicossocial, de saúde, incluindo questões bem recorrentes nas comunidades, como gravidez na adolescência e situações de violência doméstica, sem os quais as notas nas provas externas, que tanto preocupam o prefeito, jamais poderão melhorar. E qualquer pessoa que não tenha nascido em berço de ouro e conheça minimamente a cidade pode concordar com isso. Nos culpam pela má qualidade da educação, mas nos tiram a dignidade e a possibilidade de fazer um bom trabalho.

    Marchezan pode até dizer publicamente que ataca os “privilégios” dos servidores públicos. Mas, hoje, a população sabe que, na verdade, seu inimigo número um são as condições de vida digna da população trabalhadora das periferias da cidade.

    Para parar com esse processo, é preciso que toda cidade abrace esse projeto:  se não nos deixarem educar, o inimigo número um da cidade será a Prefeitura.

  • Uma biografia política de Mário Pedrosa: Pas de Politique Mariô

    Por: Felipe Nizuma, de São Paulo, SP

    Saiu em junho de 2017 (Ateliê Editorial/Fundação Perseu Abramo) uma biografia necessária que visita a vida política do crítico de arte e militante Mario Pedrosa (1900 – 1981): Pas de Politique Mariô: Mário Pedrosa e a Política. Escrita pelo pesquisador Dainis Karepovs, o livro traça duas narrativas de quase um século de política, a de Mário e a da própria esquerda: do PCB dos anos 20 à fundação do PT.

    Mario Pedrosa detém uma daquelas trajetórias que se pensa ser inimagináveis aos mortais comuns, talvez aquela distância que separa os mais novos de um tempo já longínquo, que somados as últimas décadas de neoliberalismo, apresentam uma ruptura da “tradição”.

    A biografia da vida política de Mário aparece aos que não conviveram com ele e que apenas o conhecem pelos seus escritos e pelos relatos de outra geração, quase como um romance em que se pode se realizar no personagem. Sobre a natureza do romance, Walter Benjamin dizia em “O narrador” que “o romance não é significativo por descrever pedagogicamente um destino alheio, mas porque esse destino alheio, graça à chama que a consome, pode dar-nos o calor que não podemos encontrar em nosso próprio destino”.

    Porém, Mário Pedrosa foi uma pessoa real e o livro é uma biografia. Expliquemos o “quase como um romance”: ele esteve em tantos lugares, participando de situações políticas tão diversas e com diferentes pessoas, que diante da crise política nacional e internacional do capitalismo e da esquerda hoje, ele surge quase como uma ficção. Mas o fato é que ele é o oposto de uma “crise de utopia”: nunca abandonou o projeto revolucionário e mesmo nas condições mais abjetas propôs uma saída. Através de documentos políticos, artigos de jornal, cartas entre camaradas, Karepovs mostra que nosso biografado sempre foi dissonante e ao mesmo tempo disposto a construir (e reconstituir…) nossa esquerda, ou seja, praticou um marxismo crítico somado a esperança do novo – um marxismo que não se vê como uma fórmula infalível, lei que ele aplicava também a si mesmo.

    A profunda pesquisa coloca Mario Pedrosa nas entranhas da esquerda frente a diferentes situações nacionais e internacionais. De Vargas à Ditadura Civil-Militar, passando pela luta anti-fascista, II Guerra Mundial, pela formação da IV Internacional e dos debates sobre o imperialismo, o fascismo, o stalinismo, das revoluções no “terceiro mundo”, muitos personagens da política entram em cena: Astrogildo Pereira, Luiz Carlos Prestes, Leon Trotsky, Diego Rivera, Pablo Picasso, Patrícia Galvão, o jovem Antônio Candido, Salvador Allende, aos jovens exilados no Chile – Tulio Quintiliano e Enio Bucchioni – que foram introduzidos aos escritos de Trotsky por Mário –, e finalmente, ao Lula sindicalista e outros tantos mais.

    Foto Mario Pedrosa

    Quando colocamos os pés no chão e nos damos conta de que a vida de Mário Pedrosa aconteceu neste planeta, aparece aqui o oposto do romance: a forma narrativa. Voltando a Walter Benjamin, a narrativa “não está interessada em transmitir o ‘puro em si’ da coisa narrada como uma informação ou um relatório. Ela mergulha a coisa na vida do narrador para em seguida retirá-la dele”. Karepovs com seu livro consegue ligar alguém da segunda geração de comunistas brasileiros (e da primeira de trotskistas) aos que hoje estão vivenciando a crise da política. E ao mesmo tempo, se entende aqui que por mais que Mário tenha rompido com o trotskismo, o trotskismo jamais saiu dele e a ele é associado.

    Da fundação do PT – ao qual foi o filiado número 1 – aos dias atuais muito coisa mudou e exige da esquerda uma transmissão e uma transformação, elaborar o luto de um processo difícil de ruptura política, e por isso, a biografia vem em momento propício. Visitar a vida de Mário Pedrosa, e de cada um ao qual ele esteve ligado, é regatar uma narrativa longínqua, que relembra aos de esquerda que sua própria natureza é olhar para trás, para poder olhar para frente.

    * Em tempo: o livro ainda contém além de uma apresentação da professora Isabel Loureiro, alguns documentos em anexo da época de seu falecimento, de Cláudio Abramo, de Fulvo Abramo, Hélio Pelegrini, Júlio Tavares, uma nota da Convergência Socialista e um artigo de Enio Bucchioni, o qual consta que:

    Mario fez o discurso mais emocionante daquele Congresso [Nacional da Anistia em 78], numa denúncia veemente à ditadura e de todos os seus crimes. Acusou o regime militar pela morte de Mário Alves, Marighella, Pedro Pomar, apesar de que estes foram seus adversários políticos durante toda a vida. No fecho de seu discurso contou a história de um jovem, que ele queria reivindicar naquele momento, e que tinha sido um dos maiores revolucionários, amigo e companheiro que tivera em toda a vida e que havia sido assassinado por Pinochet. Contou inclusive como o conheceu, na embaixada do Chile no Brasil. Todos esperavam pelo nome do jovem com ansiedade. O ‘velho’, emocionado, esqueceu-se de pronunciá-lo. Em minha cadeira, chorei. Sabia que era o Túlio”.

  • Um dia para ficar em nossa memória

    Por: André Freire, colunista do Esquerda Online

    Na noite do dia 23 de julho de 2016, há um ano, realizamos o Ato Político Nacional de lançamento do Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista (#MAIS).

    O Ato-Festa lotou o Salão Principal do Clube Homs, na Avenida Paulista, com a presença de mais de mil militantes, ativistas dos movimentos sociais e dezenas de organizações da esquerda socialista, que se fizeram presentes e saudaram o lançamento da nova organização.

    Com certeza, lembraremos por muitos anos desta noite, com emoção, alegria e entusiasmo. Cada militante do #MAIS deve ter uma memória específica dessa data, e eu, como não poderia deixar de ser, também tenho o meu relato pessoal.

    Acabei sendo um dos oradores deste Ato. Relutei em aceitar a tarefa, afinal, além de não me considerar um bom orador para estes momentos, em minha opinião, quem deveria falar pela coordenação de nosso movimento – além de outros (as) camaradas que já estavam na lista de oradores – era o companheiro Paulo Aguena, conhecido por todos nós como Catatau. Ele foi, sem dúvida nenhuma, o que entre nós cumpriu o papel mais destacado para nossa existência enquanto uma organização independente.

    Depois de aceita a tarefa, o companheiro Valério Arcary, ao perceber o meu nervosismo com ela, me deu uma orientação importante: que eu não deveria falar de improviso, que deveria escrever meu discurso, inclusive para que outros (as) pudessem lê-lo antes do Ato e opinarem sobre o que deveria ser realmente falado.

    Como sempre, cumpro à risca as orientações de Valério. Escrevi o discurso, uma prática que quase nunca tinha realizado. É evidente que a forte emoção do momento não me deu condições de falar exatamente o planejado. Mas, acredito que fui fiel ao seu conteúdo.

    Reproduzo esse texto abaixo. Para além de ajudar na memória sobre este momento, também para que seja parte de um processo de balanço, necessariamente público, de nossa atuação política, neste nosso primeiro ano de vida.

    Neste Ato, anunciamos aos trabalhadores e à esquerda socialista as nossas reais intenções políticas e programáticas. Uma delas, ser parte ativa de um processo de recomposição e reorganização da esquerda socialista brasileira, obviamente “sem arredar o pé” de nossa inserção nas lutas da classe trabalhadora, da juventude e do conjunto dos explorados e oprimidos.

    Quem deve nos julgar são os trabalhadores e jovens que nos conhecem e acompanham. Mas, olhando para este ano que passou, opino que tivemos uma evolução positiva. Sem negar em nenhum momento nossas grandes debilidades, acredito que o nosso #MAIS, atualmente, já cumpre seu papel na tarefa fundamental de darmos os passos necessários para a construção de um verdadeiro partido marxista-revolucionário.

    Na noite da próxima quarta-feira, dia 26 de julho, realizaremos um novo Ato Político, que marcará a abertura de nosso I Congresso Nacional e também será um momento para comemorarmos nosso primeiro ano de vida. Será mais uma oportunidade de dialogarmos com os ativistas sobre os caminhos da reconstrução e fortalecimento da esquerda socialista. Convidamos todas e todos, amigos e camaradas, para estarem conosco neste momento. Sejam bem-vindos.

    Como diz o poeta: “Se muito vale o já feito, mas vale o que será…”. Mãos à obra. 

    MAIS e as iniciativas pela recomposição da esquerda socialista: 

    Fundamos a nossa nova organização – Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista (MAIS). Depois de dias de ansiedade, chegamos nesse momento histórico para nossa militância. Estamos muito felizes com o que construímos. Uma nova organização que vai lutar e atuar sob as bandeiras do marxismo, do internacionalismo, da independência de classe e da revolução socialista. 

    Uma organização que não cederá às pressões das grandes empresas e seus governos, que de forma consciente enfrentará a adaptação ao regime político podre e corrompido da burguesia.

    Queremos priorizar nossa inserção no movimento operário e do conjunto da classe trabalhadora, mas também, e com muita importância, nos movimentos da juventude, nos movimentos de luta contra as opressões e nos movimentos populares combativos. 

    Porém, nossa enorme alegria com a organização que construímos não significa, de nenhuma maneira, que já estamos satisfeitos com o que fizemos, ou seja, que teríamos a opinião que já temos uma organização acabada, que nos consideramos a única alternativa revolucionária existente no país. 

    Longe de uma postura autoproclamatória, mais bem nos definimos como um movimento por uma nova organização socialista e revolucionária, que deverá ser construída como um processo de discussão e unificação de distintos grupos, correntes, movimentos e ativistas, que defendem a revolução socialista, mesmo que com origens distintas. 

    Nós queremos nos colocar apenas como um pólo, pequeno, mas ativo, que desde já vai se esforçar muito para se construir como uma organização marxista e revolucionária, mas que vai batalhar permanentemente pelo reagrupamento da esquerda socialista. 

    A luta por futuras fusões na esquerda socialista deve ser um objetivo de todas as organizações que se reclamam como revolucionárias. Mas, isso não significa sermos apressados, fazendo ultimatos entre nós, acordos programáticos e de concepção de organização superficiais, sem a firmeza necessária para resistir os principais desafios que a luta de classes nos colocará no futuro. 

    A necessidade de sermos bem criteriosos nas discussões programáticas e de concepção de organização para futuras fusões também não pode significar que fiquemos paralisados na tarefa urgente de reorganização a esquerda socialista. 

    Portanto, sugerimos, aos distintos setores que estamos iniciando uma relação política, três caminhos iniciais: 

    • Realizar um esforço comum, no interior dos movimentos dos trabalhadores e de suas entidades, para nos unificarmos num campo alternativo da classe trabalhadora e dos movimentos sociais combativos, contra o Governo Temer e seus ataques, mas contra também a alternativa representada pelo projeto de conciliação de classes do PT e do PCdoB; 
    • Lutar nas eleições municipais deste ano por uma Frente de Esquerda e Socialista, como expressão de uma alternativa política dos trabalhadores, sem alianças com partidos representantes da burguesia ou mesmo os que foram da base dos governos do PT. Isso incluiu uma posição contrária também à aliança com a Rede, que está sendo negociada pela direção do Psol em várias capitais; 
    • Aproveitar as comemorações dos 100 anos da Revolução Russa, para realizar uma série de atividades de debates, para aprofundar nossas visões sobre o processo revolucionário e as necessárias atualizações programáticas que nos são impostas pela realidade da atual etapa da luta de classes.

     Estes três caminhos são apenas sugestões iniciais, não substituem outras que possam ser apresentadas, sempre no sentido de batalharmos conscientemente por um processo de aproximações. O fundamental é desde já aplicar uma combinação entre uma política de frente única no movimento de massas com uma intensa discussão programática, o mais ampla possível”.

  • Rivalidade em campo, negócios à parte, em Belo Horizonte

    Por: Alexandre Zambelli, de Belo Horizonte, MG

    Passado o primeiro semestre de gestão, após uma campanha eleitoral marcada por um discurso despolitizado, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), continua a mostrar que sabe bem fazer política. Mas, uma política contra o pobre. Semanas após a violenta repressão contra ambulantes na cidade, Kalil volta à cena falando sobre futebol, cenário onde construiu sua imagem ao ter presidido o Clube Atlético Mineiro. Em entrevista ao El País, foi taxativo ao falar sua posição sobre o preço dos ingressos nos estádios no país:

    No mundo inteiro, futebol não é coisa para pobre. Doa a quem doer. Ingresso é caro em todo lugar. Torcida dividida e entrada a preço de banana estragada só existem no Brasil”, disse o prefeito.

    A despeito da verdade que reside o fato de que o futebol é caro em boa parte do mundo, não é verdade que sempre foi assim. O “padrão FIFA” trouxe aos estádios brasileiros, na esteira dos últimos megaeventos, principalmente Copa das Confederações de 2013 e Copa do Mundo de 2014, um modelo elitista de arquibancada, que afasta o torcedor mais pobre e ao mesmo tempo aquele que também incentivava com mais força seu clube de coração.

    Sob o argumento de questões de segurança, a maioria dos estádios acabaram com as “gerais”. As “gerais” basicamente eram espaços de alguns estádios com estrutura mais simples, com maior concentração de público, e com preços mais acessíveis. Claro que havia a questão da visibilidade do campo, que ficava um pouco prejudicada. Mas, sempre foram espaços marcados por festas das torcidas. Hoje isso acabou, da mesma forma que a capacidade dos mesmos também reduziu. Por exemplo, o Mineirão que antes recebia facilmente 90 mil torcedores, desde sua reforma nunca conseguiu passar dos 60 mil. A contrapartida da segurança também não acompanhou as obras. Basta lembrar que, recentemente, um torcedor morreu diante de um incidente envolvendo seguranças contratados pela gestora do estádio.

    O discurso de Kalil não é novidade no Brasil. Aliás, é um ponto sobre o qual não há rivalidade em Minas Gerais. Da mesma forma que em 2010 os dirigentes de Atlético, na época o próprio Kalil, e Cruzeiro, o hoje senador Zezé Perrella, se uniram para a eleição de Antônio Anastasia (PSDB) ao governo de Minas, hoje, os atuais dirigentes afirmam que os preços praticados são justos.

    O mesmo Kalil, este ano, vetou projeto de lei que propunha ingressos de eventos esportivos a preços populares. Amparados no discurso de que o futebol precisa ser rentável para favorecer o espetáculo, afastam aqueles que historicamente sempre fizeram o verdadeiro espetáculo, nas arquibancadas.

    É verdade que há, vez ou outra, iniciativas no sentido de baratear os ingressos, ou mesmo transformar alguns setores com áreas mais populares e ingressos baratos. Porém, são ainda muito pontuais e várias delas limitadas aos torcedores vinculados aos programas de sócio-torcedor. Na maior parte dos casos, resta aos apaixonados pelo futebol realizarem gastos exorbitantes para um espetáculo que muitas vezes deixa a desejar. Soma-se, ainda, a dificuldade de acesso aos estádios, já que as obras de reconstrução dos mesmos não foram acompanhadas de devida melhoria no transporte público. E se o torcedor ainda quiser comer e beber gastará um bom dinheiro e sem direito de escolha, já que agora há acordos comerciais de exclusividade de determinadas marcas em bares e restaurantes localizados no interior dos estádios.

    A boa notícia é que já existem vários movimentos e torcidas organizadas que contrapõem e questionam esse modelo de elitização das novas arenas. É um passo na direção de mudar este cenário no qual o torcedor, de qualquer time, segue perdendo.

  • Uma crítica ao tema da Implementação da Plataforma de Turismo LGBT da Parada Gay de Alagoas

    Por: Hammel Amorim, de Maceió, AL

    É inacreditável e simplesmente inaceitável que a temática abordada pela parada LGBT de Alagoas, marcada para dezembro deste ano, seja a Implementação da Plataforma de Turismo LGBT. Um tema que já coloca muito bem o caráter da organização dessa parada alinhada com os interesses do empresariado em Alagoas e distante das verdadeiras causas LGBTs. Desde 2008, mundialmente o Movimento LGBT vem protagonizando lutas importantes e que muitas vezes tocam em um ponto fundamental: o direito de existir. Exatamente isso, os LGBTs cansaram simplesmente de terem sua existência negada e se colocaram na luta por sua identidade, seja de orientação sexual ou de gênero.

    Descrição oficial do evento chama todos a contribuírem com a plataforma de turismo LGBT

    Descrição oficial do evento chama todos a contribuírem com a plataforma de turismo LGBT. Imagem: Reprodução Facebook

    Apesar de centralmente a temática das lutas serem sobre identidades, as batalhas pela visibilidade LGBT têm um caráter marcante, elas se enfrentam diretamente com os governos que têm implementado uma série de ataques a esse setor oprimido. Desde a década de 70, o movimento LGBT vem conquistando direitos fundamentais. Aqui no Brasil, a partir das iniciativas do grupo SOMOS, foi possível encampar a pauta da saúde LGBT. Com a luta, foi possível pautar temas de direitos como o casamento civil, entre outros.

    No entanto, a partir do que significou a grande crise econômica de 2008, vários grupos de extrema direita, os quais aqui no Brasil estão representados centralmente pela Bancada da Bala e Evangélica na Câmara, com Bolsonaro e Feliciano, por exemplo, ameaçam esses direitos. A relação entre a crise econômica e o fortalecimento de grupos de extrema direita contra os LGBTs não pode ser ignorada. Há uma relação tênue: quando há uma crise, o projeto dos grandes ricos é cortar direitos fundamentais, principalmente direitos democráticos, para garantir a superexploração dos setores. Existe uma relação muito próxima entre exploração e opressão.

    É por isso que esses grupos de extrema direita têm sido financiados, enquanto a população LGBT vem sendo tão atacada dessa forma. Com a subida do governo golpista de Michel Temer, isso piorou ainda mais. A destinação de verbas às políticas públicas LGBTs foram cortadas, principalmente com a PEC do congelamento de gastos, o que significa que as politicas públicas não terão mais subsídios firmes em 20 anos, para além da aprovação recente da Reforma Trabalhista.

    Junto dessa realidade de ataques econômicos e direitos, como o subfinanciamento de políticas públicas, há outra realidade notável: a LGBTfobia mata um LGBT a cada 25 horas no país, segundo dados do Grupo Gay da Bahia. Essa realidade onde nosso país figura entre um dos que mais mata LGBTs no mundo, principalmente TRANSEXUAIS, nos coloca em um patamar defensivo, mas necessário de aparecer para poder viver.

    Ou o movimento LGBT assume essa pauta de luta contra a LGBTfobia, procurando sua criminalização, ou estamos fadados a morrer, principalmente nessa conjuntura nefasta. Não vejo outras temáticas a serem abordadas se não o subfinanciamento de políticas públicas, o direito à vida dos LGBTs, a questão de Saúde LGBT, o Fora Temer e seu projeto de cortes, para além da luta contra os grupos que querem impedir de continuarmos existindo. Aqui se trata de uma luta por existência.

    E é por isso que muitos grupos, como o Stonewall Vive, têm participado das últimas greves gerais que tivemos em Alagoas. Falar sobre isso é uma questão de vida ou morte para todxs os LGBTs, assim como falar sobre visibilidade TRANS e LÉSBICA, o qual tem sido pautado com extrema importância no movimento LGBT. Diante disso, é um insulto que a PARADA LGBT desse ano, que já não foi realizada ano passado pela absurda justificativa de falta de financiamento, marcando o caráter da direção da parada estar alinhada à estratégia da Prefeitura e do governo do estado, tenha um tema como o Turismo LGBT. Isso daqui é um tema completamente fora de questão. Aqui a questão é continuarmos vivendo!

  • OPRESSÕES | Relacionamentos abusivos entre LGBTs; assista no vídeo do canal Rudículo

    Por: Canal Rudículo

    O youtuber brasileiro Leonardo Rudi, do canal ‘Rudículo’, abordou em recente vídeo publicado em sua conta na plataforma de streamings, as relações abusivas e violência entre casais gays. Ao lado do sociólogo João Filipe Cruz, Rudi se debruçou sobre esse assunto que, embora seja uma realidade que diz respeito a todos os relacionamentos, independentemente da orientação sexual dos parceiros, parece tornar-se invisível quando a vítima não é heterossexual.

    “Relacionamentos abusivos são aqueles nos quais uma das pessoas envolvidas está em um contexto desproporcional de poder, o que gera situações constrangedoras e até violentas”, explica o sociólogo.

    Leonardo, que é homossexual assumido, conta que a ideia de fazer um vídeo com esse tema surgiu da necessidade e da carência de informações sobre a violência em relacionamentos homoafetivos: “Bastante se fala sobre relações heterossexuais abusivas e também sofre violência contra os LGBTs, mas sentimos falta de uma perspectiva mais interna sobre o assunto”, afirma.

    Criado há nove meses, o canal ‘Rudículo’ aborda temas diversos: desde dicas de fotografia a questões do cotidiano de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.

    Assista o vídeo abaixo: