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  • Urgência para atacar trabalhadores: votação da Reforma Trabalhista está prevista para a próxima terça-feira

    Da Redação

    O Senado aprovou por 46 votos contra apenas 19 contrários o regime de urgência para aprovação da Reforma Trabalhista. Eles têm pressa em atacar os trabalhadores. A previsão é que no dia 11 de julho, próxima terça-feira, a matéria entre para votação no plenário. Se tudo ocorrer como previsto por Temer, a permissão para que o patrão aumente a carga horária para 48 horas semanais e 12 horas diárias valerá já em agosto.

    A crise política acelerou a tramitação da reforma. Temer quer demonstrar fidelidade e tentar se fortalecer perante a crise que instalou-se com o escândalo da JBS. Além disso, o ano eleitoral se aproxima, o que pode dificultar a disposição dos senadores em aprovar um projeto impopular.

    Para o presidente Michel Temer (PMDB), a aprovação desta reforma agora é caso de vida, ou morte. Ele desistiu de ter apoio popular. A única saída para Temer é mostrar “serviço” para os grandes empresários, que querem a retirada de direitos para aumentar os lucros.

    Mas, a crise institucional continua. Está tramitando na Câmara dos Deputados a votação do afastamento do presidente para que ele seja julgado por corrupção. Temer, que é denunciado pelo Ministério Público Federal, escolheu como chefe desta órgão Raquel Dodge, que não foi a escolha dos procuradores federais. Geddel Vieira Lima, antigo braço direito do presidente, está preso e  pode abrir a boca.

    Temer ainda tem a maioria dos deputados e senadores. Mas, ele sabe que no balcão de negócios em Brasília as pessoas não são leais. O ritmo das reformas está, por enquanto, aquém dos planos iniciais do governo. A aprovação da Reforma da Previdência, que entre outras coisas prevê ter que trabalhar até 65 anos e contribuir 40 anos para o INSS para ter aposentadoria integral, ficou para o segundo semestre. Porém, a própria burguesia já reconhece que vai ser difícil, como publicou o jornal Valor Econômico, ligado ao mercado financeiro.

    O governo tenta passar a impressão de que tudo está normal. Isso torna Michel Temer uma figura ainda mais ridícula. Ele parece os violonistas do navio Titanic, que afundou em 1912. Enquanto todos fugiam e o navio se despedaçava, os músicos continuaram tocando normalmente.

    Foto: Antonio Cruz/EBC/Fotos Públicas

  • Prisão arbitrária de professor no dia 30 é discutida na CCDH da AL-RS

    Da Redação

    Nesta quarta-feira (5), a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Leigislativa do Rio Grande do Sul realizou uma audiência para discutir o excesso de violência da polícia militar contra os movimentos sociais, nos protestos do dia 30 de junho, como parte da mobilização nacional organizada pelas centrais sindicais. Na ocasião, ativistas da CTB foram detidos, junto com o professor Altemir Cozer, da CSP-Conlutas, que chegou a ser encaminhado ao presídio e só foi liberado após 27 horas da detenção.

    Na audiência, foram discutidas a arbitrariedade da brigada militar, as humilhações, o absurdo da prisão de Altemir, a forma como o ativista foi tratado no presídio e o tempo que levou para ser liberado, mesmo após ter sido concedido alvará de soltura. O caso foi repudiado pelo conjunto das centrais sindicais, por parlamentares do PSOL, do PT, PCdoB, representantes de entidades, entre outras figuras públicas, além de divulgado em meios de comunicação de todo o país, como as maiores redes independentes do Brasil.

    A dirigente da CSP-Conlutas Débora Carvalho Xavier foi ouvida e relatou os abusos. Segundo ela, “os manifestantes estavam posicionados na frente da empresa Carris, na Zona Leste da Capital, quando foram afastados do local pelo pelotão de Choque da Brigada Militar”. O grupo, que, segundo relatou Débora, seguia em caminhada em direção ao Centro, foi surpreendido pelas bombas de gás, 20 pessoas foram jogadas no chão e depois revistadas. Chegaram a ouvir comentários homofóbicos e agressões contra os professores que faziam parte dos atos. Documentos foram amassados e pedras foram implantadas na mochila do professor Altemir Cozer. Débora ainda denunciou racismo contra duas mulheres negras, as últimas a serem revistadas. Com provas implantadas, Altemir foi preso em seguida, com acusação de tentativa de homicídio com utilização de explosivo.

    O deputado estadual Pedro Ruas (PSOL) questionou a prática. Ao mesmo tempo, o deputado bombeiro Bianchini pediu a palavra, disse não ter acordo com os excessos, mas que o movimento teria se organizado para inviabilizar a cidade e que seria este mesmo o papel da brigada. O deputado interrompeu por diversas vezes a fala de Pedro Ruas, até se retirar do local.

    Ao final, o deputado estadual Marcel van Hattem (PP), que nem mesmo estava presente na discussão, entrou na sessão apenas para defender Biachini. Na ocasião, chegou a falar da nova ocupação dos lanceiros negros, movimento que também foi duramente reprimido pela polícia, mas o exemplo foi usado por ele para sustentar sua posição já conhecida, de que a comissão de direitos humanos ouviria apenas um dos lados. O deputado é conhecido pela postura contra os movimentos sociais e populares.

    Ao final, ficou encaminhado que serão solicitadas as filmagens da brigada. Também serão chamados para a comissão um representante da Susepe e do Choque. Ainda, foram solicitadas filmagens do dia 30, gravadas por um ativista.

    Participaram da reunião a deputada Miriam Marroni (PT), vice-presidente da comissão, os deputados Jeferson Fernandes (PT), presidente; Pedro Ruas (PSOL), Bombeiro Bianchini (PPL) e Marcel van Hattem (PP).

  • Por quantas vidas? Caso de grávida da Baixada escancara caos da segurança pública, no Rio

    Por: Leandro Santos, do Rio de Janeiro, RJ

    No Rio de Janeiro, as balas perdidas possuem endereço certo, atingem principalmente a juventude negra das favelas e, no último dia 30, a vítima foi uma jovem gestante, no Centro de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, quando ia ao mercado. Grávida de 39 semanas do pequeno Arthur, Claudinéia dos Santos Melo, paraibana de 29 anos, foi atingida na pelve, na favela do Lixão. Socorrida, foi submetida a uma cesariana de emergência, quando descobriram que seu bebê também estava ferido. O tiro que atravessou seu quadril perfurou os pulmões da criança, provocando uma lesão na coluna, e ainda tirou um pedaço da orelha. O bebê corre risco de ficar paraplégico.

    A polícia diz que no momento estava ocorrendo uma operação na localidade. Este, infelizmente, não é um fato isolado. O número de mortos em operações policiais subiu 78% nos dois primeiros meses deste ano, de 102 para 182, e em relação ao mesmo período de 2016, como aponta o Instituto de Segurança Pública (ISP), ligado ao próprio governo do estado. O sentimento de insegurança, de que a qualquer momento pode-se ser atingido por uma bala perdida, a cada dia aumenta mais.

    O Rio de Janeiro está imerso num caos econômico, político e social sem precedentes em sua história. A combinação de retração econômica, recessão na indústria do petróleo, queda na arrecadação, corrupção institucionalizada que, há várias gestões dilapidaram as finanças do estado, coloca o Rio como polo avançado da crise que acomete o país.

    Nos últimos meses, temos acompanhado uma escalada da violência a níveis alarmantes, potencializada pela crise. A população pobre e os trabalhadores, fruto do projeto de segurança pública colocado em prática no estado, segue sendo a que mais sofre. O projeto fracassado das UPPs inaugurou as incursões em favelas e bairros pobres com blindados e, apesar da falência desse projeto, esta é a maneira como o Estado segue lidando com a maior parte da população, com violência, terror e mortes.

    Além de sofrer com a violência estatal, a população fluminense é vulnerável aos grupos paramilitares e às facções criminosas, as mais armadas do país. Segundo dados, pelo menos um fuzil acaba sendo apreendido diariamente e, em 2016, foram registrados quatro mil confrontos entre policiais militares e esses grupos, uma média de 11 trocas de tiros por dia.

    No meio desse confronto está a população pobre e trabalhadora, que é ferida, ou morre diariamente nesta guerra. A realidade é distinta, mas os números se assemelham aos de países em guerra civil, e a população mais pobre, negra e marginalizada é a mais atingida. Nos três primeiros meses de 2017, 1.867 pessoas morreram vítimas de homicídios, roubos, agressões e em operações policiais, no Rio. Na Síria, que hoje se encontra em guerra, por exemplo, neste mesmo período, 2.188 civis morreram em ataques e confrontos.

    É mais do que urgente uma outra política de segurança pública, que priorize a vida e não o lucro, ou a especulação imobiliária. É preciso acabar com esta polícia militar, com a forma como funciona, como mantém suas relações, como se financia, de forma extremamente corrupta e também como engrenagem fundamental da manutenção da violência urbana no estado. É preciso paz para o povo. É preciso uma nova polícia.

    Foto: Reprodução TV Globo

  • Um olhar sobre o nosso primeiro CONUNE

    Por: Carol Coltro, de São Paulo, SP e Clara Saraiva, do Rio de Janeiro, RJ

    Entre os dias 14 e 18 de junho o movimento estudantil se reuniu no 55º CONUNE para discutir os rumos do Brasil e a organização das lutas da juventude. A situação do país está extremamente difícil e complexa. Um dos momentos mais importantes da nossa história está passando diante dos nossos olhos e todos buscam como intervir e mudar seus rumos. O movimento estudantil sempre foi um dos protagonistas principais nos grandes capítulos da história no Brasil, e isso não foi diferente quando sofremos o golpe. A primeira grande resposta de ampla resistência e mobilização teve como palco as universidades e escolas, em um dos maiores assensos estudantis da história do país, com as ocupações contra a PEC do Teto dos Gastos e a Marcha em Brasília do dia 29 de novembro de 2016. Infelizmente, nossa forte mobilização não conseguiu impedir a aprovação da medida.

    As grandes lutas voltaram ao cenário nacional no início de 2017: mulheres jovens e trabalhadoras estiveram à frente do 8 de março, iniciando assim uma longa jornada contra a Reforma da Previdência e Trabalhista, que teve seu ponto alto na Greve Geral do dia 28 de abril. De lá pra cá, tinha um CONUNE no caminho. Foram mais de 10 mil estudantes que se reuniram em Belo Horizonte com a expectativa de saírem mais fortes para derrubar Temer, suas reformas, construir a Greve Geral do dia 30 de junho, além de um forte e unitário calendário de lutas.

    A unidade necessária para enfrentar os desafios
    Em primeiro lugar, é preciso ressaltar a importância da unidade construída neste CONUNE em torno das bandeiras que devem ser, hoje, o principal guia de nossas ações. Sem uma ampla união nesse país, que envolva mesmo aqueles que tem profundas divergências estratégicas, jamais conseguiremos a força necessária para defender os direitos da juventude e da classe trabalhadora.

    Isso se expressou numa ampla unidade contra a direita e setores presentes no CONUNE que defendiam o projeto abominável do governo golpista. Expressou-se, também, na importante aprovação no Congresso da Carta de Belo Horizonte, que em seu último parágrafo sintetizou bem nossos próximos desafios:

    “Nesse sentido, convocamos todos e todas estudantes brasileiros e brasileiras à se somarem junto à União Nacional dos Estudantes em um movimento de ampla unidade para construir a greve geral do dia 30 de Junho, paralisando as universidades de todo país. Também convocamos todos a construir uma grande jornada de lutas em agosto, tendo seu ápice no dia 11 de Agosto, dia do estudante, para exigir a saída de Michel Temer do governo, combater as Reformas da Previdência e Trabalhista e qualquer retirada de direitos e defender a antecipação das eleições e as Diretas Já!”

    Para qualquer jovem, seja um ativista recém ingresso no movimento estudantil, seja um representante de Centro Acadêmico, DCE, que já interviu em diversas lutas, a participação num Congresso que reúne milhares de jovens, de diferentes sotaques e opiniões, pra debater política e votar resoluções, é uma experiência extremamente enriquecedora.

    Apesar disso, é necessário refletir que os momentos de participação ativa dos delegados e observadores presentes no congresso, como os Grupos de Discussão, são absolutamente secundarizados. Esses momentos deveriam ser priorizados e certamente enriqueceriam, e muito, a elaboração das resoluções apresentadas em plenário. A demora por começar a discussão, garantir os espaços e a falta de fluxo entre o que é debatido ali e o resultado político expresso nas resoluções apresentadas nas plenárias finais é uma expressão disso.

    A UNE é uma entidade na qual praticamente todas as correntes de opinião organizadas nas universidades fazem parte. Há um nítido desperdício do potencial da entidade causado pela política e condução burocrática da direção majoritária da UNE. Apesar disso, seu caráter de entidade de frente única, sem dúvida, é sua principal virtude. Nunca foi tão necessária uma entidade nacional que articule as lutas e que possa unificar todo o movimento estudantil. Para isso, é preciso coordenar campanhas políticas e iniciativas concretas de luta, à luz das bandeiras unitárias aprovadas, junto com DCEs, Centros e Diretórios Acadêmicos, valorizando assembleias e espaços de base do movimento estudantil. O desafio está colocado para a próxima gestão da UNE.

    O crescimento do campo majoritário e a diluição do campo popular
    Neste CONUNE houve um fortalecimento do campo majoritário da entidade a partir da diluição do campo popular e da unidade entre UJS e Levante. Sendo assim, a UNE termina seu congresso sem romper com as políticas, impostas pela direção, que afastam a entidade da base dos estudantes e a impede de ser linha de frente e articuladora nacional das ações e lutas da juventude.

    Vemos com muita preocupação esse fato, que fortalece um caminho para a UNE que, em nossa opinião, não está a altura dos desafios colocados para a apresentação de um projeto de saída para a crise brasileira. Os companheiros do Levante dizem: “é uma unidade programática para recompor o regime democrático no país neste momento de golpe, retrocessos e fortalecimento da direita”.

    O problema é que sequer o programa apresentado pela Frente Brasil Popular é aplicável sem uma ruptura com a forma de governar defendida pelo PT e PCdoB nos últimos anos, anterior ao golpe. Não há qualquer revisão pública por esses setores de como governaram na última década, mas pelo contrário, seguem fazendo o mesmo em prefeituras e governos estaduais reafirmando este mesmo caminho de conciliação. Não é possível ser conseqüente com esse programa da Frente Brasil Popular e ao mesmo tempo buscar a repactuação com a burguesia brasileira e os golpistas.

    Nesse sentido, a continuidade da direção da UNE pela UJS e seu crescimento com a diluição do campo popular, continuará sendo um obstáculo à radicalização das lutas do movimento estudantil e à construção de um projeto alternativo de país. Não há meia solução: ou os ricos, os banqueiros, os mega empresários e todos os representantes do capital pagam pela crise, ou a conta sobrará para os trabalhadores e a juventude. Para isso, é preciso enfrentamento anticapitalista.

    O Levante Popular da Juventude cometeu dois erros importantes. O primeiro, foi anterior ao congresso, durante o processo de tiragem de delegados, no qual o LPJ se apresentou em centenas de universidades como oposição à UJS. É seguro dizer que milhares de estudantes votaram no Levante e no campo popular porque eles eram oposição ao campo majoritário. Fechar com a UJS na plenária final foi desrespeitoso com esses votos.

    O outro erro do LPJ, e bem mais importante em nossa opinião, é político. A UJS luta hoje por retomar o pacto entre classes que Lula, e depois Dilma, encabeçaram na última década, entendem que esse é o caminho para defender nossos direitos. O nome que dão a isso é “Frente Ampla, com protagonismo de setores progressivos”. Não se trata aqui de um debate sobre a unidade para lutar e resistir, que sem dúvida é uma imperativa necessidade, mas sim de decidir qual projeto queremos construir: um novo e inédito projeto independente dos trabalhadores e dos jovens para o Brasil, ou repetir a fórmula da conciliação que deu em golpe?

    A construção de uma alternativa
    Como afirmamos acima, temos pleno acordo da necessidade da nossa unidade na resistência contra a ameaça ao nosso futuro através da construção de frentes únicas que impulsionem a mobilização.

    No entanto, precisamos – e com urgência – construir uma alternativa de direção para a juventude e os trabalhadores levando em conta o fracasso do projeto aplicado no período anterior, defendido pela maioria das forças que compõem a Frente Brasil Popular, que insiste em saídas que, com a aparência de “mais realistas”, acabam sendo utópicas. Precisamos de um projeto político para o país que aponte uma saída estrutural para a crise que atravessamos.

    Os ativistas que assinavam a tese Pra Virar o Jogo! estavam no Mineirinho, local da Plenária Final do CONUNE, posicionados junto com os camaradas da NOS, ao lado dos companheiros do RUA e da UJC, cercados pelos coletivos Correnteza, Juntos, Vamos à Luta, Construção, Enfrente, Liberdade e Luta, Estopim. A proximidade física não era à toa: compomos o campo da Oposição de Esquerda, porque o que nos unifica são ideias para o Brasil e para o avanço da organização dos estudantes, que passa por duras críticas à condução burocrática e a serviço de um projeto de governo de conciliação de classes.

    Por isso, defendemos resoluções comuns de conjuntura, educação e movimento estudantil. Apesar da necessidade de fortalecer esse campo, que certamente está bem aquém do que poderia ser, a chapa que se apresentou para a direção da UNE sintetizou bem essa aliança, e todos os camaradas souberam defender nossas posições, apontando um caminho para o Brasil e para a UNE de construção de um projeto livre das amarras do capital, única saída para que os trabalhadores e a juventude não paguem pela crise. E por isso, a necessidade de transformar radicalmente a UNE, com propostas contra a burocratização, pela democratização e relação orgânica da direção com a base estudantil, por privilegiar a ação direta, a mobilização, e não os acordos de gabinete e as relações institucionais.

    Foram importantíssimos os espaços de debates no CONUNE que expressaram a necessidade de uma frente de esquerda e socialista. Amanda Gurgel do MAIS, assim como Chico Alencar do PSOL, são apenas alguns exemplos de figuras que defenderam essa alternativa nos painéis do CONUNE.

    Também foi bastante produtiva a atividade da Frente Povo Sem Medo com a presença de Guilherme Boulos, pelo MTST, além de representantes do RUA, Construção, UP, PCB, UJS e MAIS, onde foi levantada a importância de avançar num debate programático sobre qual a saída para os trabalhadores diante do Brasil afundado nesta crise. Essa dinâmica de debates programáticas, que se alongarão por todo o próximo semestre, foi referendada na última reunião nacional da Frente Povo Sem Medo do dia 4 de julho, e consideramos fundamental que os estudantes e a juventudesejam parte protagonista nessa construção.

    A disposição dos que foram ao CONUNE Pra Virar o Jogo! no Brasil
    Ter consciência das profundas divergências que temos não pode nos fazer vacilar com a construção da unidade. Mas também o CONUNE foi um importante espaço para que essas diferenças se expressassem, confrontando as diversas visões sobre a realidade brasileira de cada movimento e campos políticos da UNE e do projeto estratégico que devemos impulsionar a partir das lutas da juventude.

    Construímos a tese Pra Virar o Jogo! com o intuito de defender a necessária radicalização da juventude, tanto em suas ações quanto em suas ideias. Por isso, defendemos que pra virar o jogo, só com muita unidade e ousadia. Defendemos medidas anticapitalistas para os trabalhadores e a juventude não pagarem a conta da crise, como as reformas urbana, agrária, tributária, a redução da jornada de trabalho sem redução do salário, a auditoria e não pagamento da dívida, fim das privatizações e estatização das empresas envolvidas em corrupção.

    O combate intransigente contra o racismo, o machismo, a LGBTfobia, a criminalização das lutas e o ataque às liberdades democráticas. Um programa que não se constrói em aliança com quem nos golpeou, com representantes do capital ou partidos da ordem. Um programa profundamente radical e anticapitalista. Mas que só pode se desenvolver em base a um amplo processo de mobilização da juventude, dos trabalhadores e do povo pobre brasileiro.

    Estivemos no Congresso fortalecendo a Oposição de Esquerda da UNE e nos comprometemos a construí-la no cotidiano para que o movimento estudantil possa ter uma alternativa de direção, assim como um projeto de país alternativo. Ainda há muito o que avançar nesse terreno. É preciso construir reuniões e seminários da Oposição de Esquerda na base de cada universidade, que nos permita aprofundar tanto os debates e nossos projetos em comum, quanto nos permitir atuar em conjunto, intervindo nas lutas e apresentando chapas unitárias para eleições das entidades. Além disso, apostamos nessa unidade para romper com velhas práticas do movimento estudantil, fortalecendo espaços abertos de participação, como as assembleias, conselhos de entidades de base, comitês de luta contra as reformas, além de impulsionar a auto-organização dos setores oprimidos.

    Tudo isso é parte de uma construção coletiva que deve se desafiar a pensar novas práticas, absorvendo a experiência das lutas e ocupações recentes, e resgatando a história e a tradição de radicalidade e aliança com os trabalhadores do movimento estudantil brasileiro e latino-americano. Vemos com muito bons olhos a decisão de convocar uma reunião nacional da Oposição de Esquerda para logo depois da posse da nova gestão da UNE, que será no dia 11 de agosto em São Paulo.

    Nós, representantes da Tese Pra Virar o Jogo!, levamos nossas ideias e as apresentamos aos milhares de estudantes presentes no congresso. Ainda que tenham havido poucos espaços de debates, aproveitamos todos eles para fazer luta política por nossas ideias. Na sexta-feira, realizamos um Encontro Nacional da Tese, em que debatemos muito, à luz da situação dos estudantes em cada estado, e definimos ao fim pela construção de um novo movimento nacional de juventude, junto com a construção de acampamentos locais, e um nacional, nos próximos meses. Além de decidir que a escolha do nome de nosso movimento será por uma votação na internet, entre três propostas que foram as mais votadas pelos presentes.

    Frio na barriga e coragem pra construir o novo
    Seguiremos lutando por uma UNE das lutas contra a UNE dos gabinetes. O palco dessa batalha após o CONUNE se dá em cada universidade e nas mobilizações dos trabalhadores e da juventude, nas quais estaremos todos os dias na linha de frente da resistência, apostando na articulação e fortalecimento da Oposição de Esquerda como nosso instrumento e alternativa de direção nacional para o movimento estudantil.

    Neste Congresso, porém, demos um passo ainda maior. Iniciamos a construção de um novo movimento de juventude que se propõe a organizar jovens para, não só resistir e lutar dia a dia, mas enfrentar o sistema capitalista. Que não organize apenas o movimento estudantil, mas a juventude nas suas mais amplas lutas. Que tenha como protagonistas jovens trabalhadores, negros e negras, mulheres e mães, LGBTs. Que não só se preocupe em intervir nas lutas, mas que compreenda a necessidade da formação política marxista para potencializar estas, tendo como método a práxis revolucionária.

    Que não fale da boca pra fora em construir novas práticas nos movimentos de juventude, mas que esteja em permanente auto-crítica e reflexão para a aplicação de uma concepção de funcionamento democrático onde os debates, a organização e participação de todos seja o nosso combustível para a atuação cotidiana. Que compreenda a necessidade da unidade com outros movimentos e busque clarificar bem as nossas divergências, para que as disputas sejam as mais politizadas e saudáveis possíveis. Que busque não só falar em outra sociedade, mas intervir diretamente na história e na política para transformar a realidade e construir um novo futuro. Este novo projeto fez com que a galera da Tese Pra Virar o Jogo! tenha voltado do CONUNE muito feliz, disposta e esperançosa com mais este desafio.

    Foto: Thiago Mahrenholz | Esquerda Online

  • Cotas étnico-raciais são aprovadas na USP: vitória dos movimentos negro, indígena e estudantil

    Por: Maria Luiza “Malu”, estudante da USP

    Com significativo atraso em relação às outras universidades públicas, a Universidade de São Paulo deu um passo importante rumo à democratização de seu acesso. No Conselho de Graduação de terça-feira (4), com 75 votos favoráveis, 8 contrários e 9 abstenções, o projeto de cotas étnico-raciais, que havia sido retirado das pautas desta sessão, voltou a ser discutido e foi finalmente aprovado.

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    As medidas aprovadas já começam a valer no vestibular deste ano, para os próximos ingressantes. Até 2021, de forma progressiva, 50% das vagas serão reservadas para cotas sociais, que são destinadas a estudantes que concluíram ensino médio em escola pública. Deste número, 37,2% serão reservadas para cotas étnico-raciais, número proposto inicialmente pelos movimentos negro e indígena que segue o percentual de pretos, pardos e indígenas do estado de São Paulo que também é de cerca de 37%.

    Outra medida resultante desta sessão do Conselho é a formação de uma comissão com membros de movimentos sociais que atuam na USP para que sejam discutidos, além das cotas, novos projetos futuramente.

    Dias depois da 2ª Virada Cultural Por Cotas, evento que contou com a participação de diversos artistas e demonstrou unidade por essa pauta tão latente, as cotas foram uma conquista da mobilização e organização dos estudantes e dos movimentos negro e indígena, que há muitos anos são energicamente a linha de frente na luta pela democratização do acesso e ampliação da composição étnica e social da Universidade de São Paulo.

    Festival de cotas da USP

    Festival de cotas da USP

  • Reivindicação da greve dos rodoviários de Recife é julgada nesta quarta, no TRT

    Da Redação

    Na tarde desta quarta-feira (5), acontece a audiência no Tribunal Regional do Trabalho para decidir sobre o dissídio coletivo dos rodoviários de Recife e região metropolitana, que estão em greve desde segunda-feira (3). A categoria reivindica reajuste no salário de 7% e é contra as demissões de motoristas e cobradores.
    Nesta terça-feira (4), houve uma audiência de conciliação, também no TRT, entre os patrões e os rodoviários, para discutir a greve dos rodoviários. Os patrões se mantiveram intransigentes, propondo reajuste de 4% no salário, enquanto as passagens de ônibus tiveram reajuste de 14,26% e as empresas recebem subsídio todos os meses. A categoria decidiu manter a greve.  “Eu espero que a justiça seja feita em prol dos rodoviários, que vêm sofrendo todos os dias com o caos que está o transporte público hoje”, disse o secretário geral do sindicato Josival Costa.
     
    “Com toda essa intransigência dos patroes devemos nos manter mobilizados, lutando. Quero agradecer a todos os sindicatos, centrais sindicais, movimentos sociais e toda a população solidária à luta dos trabalhadores rodoviários. Muto importante a luta de todos”, ressaltou o líder da categoria, motorista membro da CSP-Conlutas Aldo Lima. “Não vamos aceitar golpes. Os culpados são os patrões e o governo de Paulo Câmara, que não vem a intervir em favor da sociedade, da população e dos trabalhadores, permitindo que os patrões continuem aumentando seus lucros”.
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