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6 Junho, 2017
  • ELEIÇÕES NO REINO UNIDO: na reta final, Jeremy Corbyn se aproxima de Theresa May

    Por: Vicente Marconi, de Londres, Reino Unido

    Recentemente, publicamos no Esquerda Online um artigo sobre as eleições gerais antecipadas que ocorrerão no próximo dia 8 de junho, no Reino Unido. A campanha apenas iniciava e indicava uma larga vantagem do Partido Conservador (Tories) em todas as pesquisas. Parecia que Theresa May teria uma vitória tranquila, que aumentaria consideravelmente sua maioria no parlamento, o que lhe daria mais força para aplicar seu projeto de austeridade no país e pilotar seu modelo de Brexit.

    Entretanto, em artigo publicado logo após o anúncio da antecipação das eleições gerais, dizíamos que a tática de antecipá-la poderia ter sido um verdadeiro “tiro no pé” de Theresa. Em um novo artigo, apontávamos que a realidade parecia indicar espaço para um grande crescimento da campanha de Jeremy Corbyn, especialmente após o lançamento do manifesto da campanha[1].

    Apesar deste não ser um programa socialista, apontava medidas extremamente progressivas, como a restatização de várias empresas, fim das privatizações, investimentos pesados em saúde, educação e moradias populares (contrastando com os grandes cortes que vêm sendo executados nos últimos anos), fim dos contratos precários de trabalho, mudança na política externa, entre outros fatores. Naquele momento, dizíamos que a polarização trazida para a disputa de projeto poderia, dentro de poucas semanas, criar um “efeito Melenchon” e mudar o quadro eleitoral.

    Hoje, o clima nas ruas e as pesquisas eleitorais demonstram que esta possibilidade parece ter se tornado realidade. Embora as pesquisas eleitorais ainda apontem vantagem para o Partido Conservador, a diferença caiu em mais de 20 pontos percentuais para valores de um dígito, muitas delas apontando menos de cinco pontos de diferença. Dentre os mais jovens, a maioria absoluta apoia a campanha de Corbyn.

    Em todo o país existe uma forte campanha de rua, com ativistas batendo de porta em porta e comícios massivos. Os movimentos sociais e sindical também estão ativamente inseridos na campanha, mesmo que a quantidade de greves não esteja refletindo a ebulição no terreno político-eleitoral. Há um curso ascendente das greves, mas ainda se encontram em um patamar inferior ao crescimento da campanha de Corbyn.

    elections

    Gráfico com pontuação de todas as pesquisas. Destaque para o período após o lançamento dos manifestos

    Um quadro eleitoral incerto
    Vale lembrar que a o regime eleitoral no Reino Unido é parlamentarista, com voto distrital. Ou seja, o eleitor não vota diretamente no candidato a Primeiro Ministro, mas no candidato do partido de seu distrito. Como cada distrito elege um parlamentar por voto majoritátio (em turno único), a representação de cadeiras no parlamento não reflete necessariamente a proporção geral de votos. Além disso, como o voto não é obrigatório, uma variável importantíssima é sobre quem vai de fato se deslocar aos centros eleitorais para votar no dia 08.

    Além disso, ainda não é possível saber se o ataque terrorista ocorrido em Londres no último sábado terá algum efeito no processo eleitoral. Enquanto a direita procura insuflar a estratégia do medo e racismo (anti-islâmico), a campanha de Corbyn ressalta que as áreas de inteligência anti-terrorismo também sofreram cortes nas políticas de austeridade dos Conservadores. Afirma também que a política externa britânica tem sua cota de responsabilidade no ataque destas correntes fundamentalistas e arqui-reacionárias à população do país. Assim, mesmo com o crescimento exponencial da candidatura de Corbyn a partir de um perfil cada vez mais à esquerda, é difícil prever o que sairá das urnas neste dia 08 de junho.

    “Tiro no pé” dos Conservadores. Agora, mais que nunca, é votar Corbyn (PM)
    De toda forma, mesmo que o quadro seja mais favorável aos Conservadores, o mais provável é que terão um número bem menor do que têm atualmente, podendo inclusive não ter a “metade mais um” necessária para formar um governo sem coalizões[2]. Isso seria uma derrota importantíssima de Theresa May e seu partido, que convocaram eleições antecipadas exatamente para ampliar sua força, já que estavam enfrentando dificuldades na governabilidade do país.

    Caso os Consevadores não consigam a maioria absoluta, dependeriam dos LibDem (Liberais Democratas), que dificilmente comporiam com Corbyn devido a seu programa. De toda forma obrigariam os Tories a uma total mudança em sua política de hard Brexit, praticamente inviabilizando o nome de Theresa May.

    Um setor da burguesia imperialista parece apostar nos LibDems como forma de frear a política de May rumo a um hard brexit, puxando o governo britânico para uma postura mais pró-globalização no estilo Macron. Esse partido não deve ter um grande número de cadeiras, mas pode ser o diferencial no momento da montagem do novo gabinete.

    Porém, o aspecto mais importante – e que pode ter mais impacto na conjuntura européia e mundial, é o fenômeno em torno a campanha de Jeremy Corbyn. Assim como Melenchon na França e Sanders nos EUA (dentre outros exemplos), Corbyn apresenta um perfil à esquerda como alternativa às políticas neoliberais de austeridade e às saídas populistas e racistas de extrema-direita ao mesmo. E parece estar indo ainda mais à esquerda, e ganhando mais espaço que os anteriores.

    E após as eleições?
    Por isso, nos dias que antecedem a eleição, a tarefa de todo ativista da esquerda socialista, em todas as partes do mundo é dizer em alto e bom som: “VOTE LABOUR  – POR JEREMY CORBYN PRIMEIRO MINISTRO!”. E, desde já, se preparar para os possíveis cenários após a abertura das urnas. Dentre os quais, destacamos:

    1 – O Partido Conservador atinge maioria de cadeiras, porém menor que antes das eleições e com Corbyn tendo atingido um resultado acima do esperado (tanto em cadeiras como em percentual geral de votos). Neste caso, a primeira tarefa da esquerda socialista será, muito provavelmente, um combate contra a estrutura do Partido Trabalhista para manter Corbyn na liderança deste Partido e, consequentemente, como Líder da Oposição no Parlamento. Além disso, manter a unidade alcançada no período da campanha eleitoral para impulsionar e unificar as lutas sociais no país, para inviabilizar o governo Conservador (seja com May ou qualquer outro à frente) e seu projeto contra os trabalhadores e os povos no Reino Unido e em todo o planeta.

    O mesmo para o caso, bem menos provável, que os Tories ampliem sua maioria (em cadeiras e votação geral) devido a fatores inesperados como uma grande abstenção de jovens, uma guinada da opinião pública à direita após os ataques na London Bridge, ou qualquer outro aspecto. Aqui porém teríamos um governo mais forte, uma esquerda menos fortalecida e uma pressão muito maior por parte dos Blairistas e seus tradicionais aliados (setores da mídia, máquinas partidárias etc).

    2 – O Partido Conservador não atinge a maioria, e os LibDems acenam com a possibilidade de coalizão com os Trabalhistas. Este quadro traria enormes pressões, e com elas importantes desafios. Obviamente, uma coalizão com partidos burgueses – especialmente o LibDem – levaria ao abandono de pontos importantes no programa e perfil do governo (talvez a exigência fosse até a renúncia de Corbyn e a escolha de um novo líder para ser o PM, mas dada a força alcançada com a vitória isso não seria possível sem a anuência do mesmo). A pressão do Labour, e não apenas de seus setores mais Blairistas ou de direita, será de fazer os acordos. Seria uma espécia de “Geringonça às avessas”, [4] onde a esquerda encabeçaria a coalizão, mas abrindo mão de pontos centrais, para impedir um novo governo Conservador. Nesse caso, o melhor seria apontar que um governo assim não conseguiria atender às expectativas dos milhões que foram às ruas e às urnas por transformações radicais. Tal governo, ao invés de entregar tal mudança, resultaria em uma grande desilusão, reabrindo o espaço para os Conservadores ou alternativas ainda mais à Direita em um curto espaço de tempo.

    3 – O Labour Party, sozinho ou junto a partidos menores como os Verdes, SNP e outros obtenha a maioria das cadeiras. Isto teria impacto mundial como o referendo do Brexit e a eleição de Trump, só que no sentido inverso.

    Aqui estarão os maiores desafios para o próximo período. Mesmo que Corbyn consiga uma maioria contando apenas com seu próprio Partido, muitos destes parlamentares não representam a luta dos trabalhadores, ou sequer tem compromisso com o manifesto apresentado. Vale ressaltar que, ao contrário do processo de eleição do Líder do Partido, a definição dos candidatos Trabalhistas não tem qualquer caráter realmente democrático ou de participação das bases (ou dos trabalhadores sindicalizados) e é definida pelas instâncias partidárias. Cada passo de Corbyn foi dado com apoio nas ruas, por fora do parlamento e da estrutura do Partido Trabalhista (na maioria dos casos, contra estes) – e isso não seria diferente agora.

    Nesse caso, caberia à esquerda socialista se manter independente do governo, exigindo que nenhum representante burguês (independente de que partido seja) faça parte do secretariado. Além disso, atuar nos movimentos sociais e de trabalhadores para garantir que as políticas presentes no manifesto serão apresentadas – e que se vá além delas. Corbyn deve governar apoiado nos sindicatos e movimento social organizado, caso contrário jamais conseguirá cumprir sequer o programa que defendeu, quanto mais as transformações mais profundas e necessárias que trazem esperança e põem em movimento um número cada vez maior de jovens, trabalhadores e oprimidos em geral.

    Aprender com os erros do passado, e andar em frente
    Independente do resultado das eleições, um correto posicionamento da esquerda socialista é fundamental para que este processo coloque a classe trabalhadora em um novo patamar na luta de classes britânica e internacional.

    Um erro que pode ser facilmente cometido é o de, embalados pelo clima da campanha e os avanços que estamos conseguindo, não enxerguemos as limitações e riscos desse processo. Precisamos considerar a enorme contradição da estrutura do Labour Party (incluindo grande parte dos Parlamentares), que vem tentando derrotar Corbyn e a esquerda desde o surgimento deste fenômeno. É preciso entender que essa energia que moveu a campanha pela base deve permanecer organizada, de forma independente de um eventual governo Corbyn ou das instâncias tradicionais do LP. Outro erro seria, no sentido oposto, de enxergar apenas estas limitações, não enxergando a força e o caráter progressivo do fenômeno Corbyn e o potencial que tem de colocar a luta dos trabalhadores em um potencial bem superior ao atual. Ambos os erros deixariam a esquerda socialista desarmada para intervir neste processo.

    [1] Manifesto é o “programa de governo” de cada partido para o processo eleitoral.

    [2] http://www.standard.co.uk/news/politics/uk-general-election-polls-two-thirds-of-18-to-24-year-olds-plan-to-back-jeremy-corbyns-labour-poll-a3556181.html

    [3] Uma das únicas pesquisas com estimativa de cadeiras prevê esta situação: https://yougov.co.uk/uk-general-election-2017/

    [4] Referência ao governo do PS em Portugal, que é apoiado pelo PS e pelo Bloco de Esquerda, que não formam parte do gabinete de governo.

  • São Paulo terá ato ‘Mulheres Pelas Diretas, já’, neste domingo

    Da Redação

    As mulheres estarão na rua pelas ‘diretas, já’, neste domingo (11), em São Paulo. O evento “Mulheres Pelas Diretas, já” está sendo convocado por organizações, movimentos, entidades feministas e feministas autônomas. O ato iniciará a partir das 12h, no Largo do Arouche. Várias artistas, como Lurdez da Luz, Preta Rara, Tulipa Ruiz, Maria Gadú e Ana Caña já estão confirmadas.

    De acordo com as organizadoras, o evento pretende pedir a saída de Michel Temer (PMDB) da Presidência da República. “Porque somos contra um presidente ilegítimo e contra um congresso que não nos representa”, dizem no evento oficial da atividade na rede social Facebook.

    Ainda, pretendem pedir participação popular nas decisões do país. “Queremos mais democracia e mais participação popular”, continuam, reivindicando a realização de eleições diretas: “Porque a população tem o direito de escolher e as diretas são o único caminho para isso”.

    Atividade de mulheres com o tema do Fora Temer também ocorreu no Rio de Janeiro, no último domingo. Na mesma data, em São Paulo, um ato-show reuniu dezenas de artistas e milhares de pessoas para pedir eleições diretas.

    Confira o que também diz a convocatória da atividade
    “(…)Porque nós, mulheres, somos maioria da população e temos nossos direitos violados diariamente. Porque juntas somos mais fortes e defendemos as seguintes posições:

    Eleições gerais Diretas Já!
    – Contra a reforma trabalhista que prejudicará especialmente as mulheres aumentando sua precariedade e vulnerabilidade
    – Contra a reforma da previdência que dificulta a aposentadoria principalmente para as mulheres por conta de uma divisão do trabalho perversa
    – Pela revogação da PEC 55/2016 que congela os investimentos públicos na Saúde, Educação e Assistência Social por 20 anos
    – Contra a PEC 29/2015 que veta o aborto legal (em casos de risco de vida à gestante, estupro e/ou anencefalia); pela legalização do aborto e regulamentação de sua prática no serviço público de saúde (SUS)
    – Combate à todas as formas de violência contra as mulheres e fim da cultura do estupro
    – Pelos direitos e visibilidade da população LGBT, contra a LGBTfobia e contra o assassinato da população trans
    – Pelo fim do genocídio da juventude negra
    – Por uma nova política econômica voltada para a sustentabilidade da vida humana
    -Pelo exercício pleno do direito à saúde, educação e moradia popular”.

    Confira as artistas já confirmadas
    MC Soffia
    As Bahias e a Cozinha Mineira
    BrisaFlow
    Tati Botelho
    Stefanie Roberta
    Barbara Sweet
    Luana Hansen
    Mama Lion
    Tássia Reis
    Lurdez da Luz
    DJ Miria Alves
    Preta Rara
    Tulipa Ruiz
    Maria Gadú
    Ana Cañas

    SERVIÇO
    Atividade: Mulheres pelas diretas e por direitos
    Quando: Domingo (11)
    Horário: 12h às 18h
    Onde: Largo do Arouche, São Paulo

    Confirme presença no envento

  • Duas estratégias na Esquerda

    Editorial 6 de junho

    A turbulência nas alturas ganhou intensidade. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) inicia nesta terça-feira (6) o julgamento que poderá definir o futuro do presidente. A chapa Dilma-Temer é acusada de abuso de poder econômico nas eleições de 2014.

    A bem da verdade, a possibilidade da queda de Temer no julgamento do TSE, que há um mês era considerada improvável, explica-se pelo súbito agravamento da crise política nas últimas semanas. A divulgação das gravações de Joesley, no âmbito da delação da JBS, deixou o governo semi-morto, em estado de agonia.

    Contribuiu, também, para o enfraquecimento de Temer, a crescente resistência social às contra-reformas. A greve geral do dia 28 de abril, que parou as principais cidades do país, e o enorme protesto que tomou conta de Brasília, em 24 de maio, demonstraram o amplo rechaço popular à agenda de reformas neoliberais e ao governo.

    Perante o cenário crítico, parcela significativa da classe dominante passou a advogar pelo afastamento de Temer.  Como se manifesta tanto entre os que ainda apoiam o peemedebista, como entre os que querem sua saída, a defesa das eleições indiretas é praticamente unânime na burguesia.

    E há uma razão para essa unidade dos poderosos em torno das indiretas: existe um acordo no que toca à urgência das reformas Trabalhista e Previdenciária. Isto é, apesar dos sérios conflitos políticos e institucionais no interior da classe dominante (Lava Jato versus sistema partidário, por exemplo), há um consenso ao redor do programa econômico. Nesse sentido, caso Temer seja cassado, o caminho mais rápido para a aprovação das reformas impopulares é via a eleição de um novo governo nesse Congresso ilegítimo.

    Por esse motivo, adquire redobrada importância a defesa de eleições diretas. Nesse momento, a bandeira das ‘Diretas, Já’ entra em conflito frontal com a principal proposta articulada pela burguesia diante da grave crise política. É positivo e necessário, portanto, a mais ampla unidade de ação, com todos setores que estejam dispostos, em torno da campanha pelas eleições diretas.

    Caminhos e estratégias diferentes
    Porém, essa progressiva e abrangente unidade, que reúne distintos segmentos políticos e sociais, não deve apagar as profundas diferenças programáticas e estratégicas entre os que hoje se alinham contra as indiretas.

    Em primeiro lugar,  há os que se focam quase exclusivamente na luta institucional e parlamentar, e deixam em segundo lugar a luta direta do povo.Temos outra posição: acreditamos que o fundamental é a concentração de esforços na luta dos trabalhadores.

    Nessa perspectiva, a prioridade, ao nosso ver, deve ser, desde já, a construção da greve geral marcada para 30 de junho. É pela força da mobilização de massas, parando o país e tomando as ruas com grandes protestos, que poderemos derrotar definitivamente as reformas e Temer, e, assim, abrir caminho para um governo dos trabalhadores e do povo.

    Há também uma divergência sobre o alcance que deve ter as eleições diretas. O PT, REDE, PSB e o PDT, por exemplo, defendem apenas ‘Diretas’ para presidente. Pensamos que esse Congresso de corruptos também deve ser questionado. Assim como Temer, consideramos que a vasta maioria dos deputados e senadores, comprometidos com as reformas e o golpe parlamentar, não têm legitimidade para continuar seus mandatos. Por essa razão, são necessãrias eleições diretas também para eleger deputados e senadores: o atual Congresso precisa ser dissolvido.

    A Nota da Executiva Nacional do PSOL, publicada no dia 20 de maio, fala corretamente em “absoluta ilegitimidade do Congresso Nacional”, mas não inclui a exigência de eleições diretas também para o Congresso, o que pensamos ser um erro.

    O PT e Lula fazem um jogo duplo. Em público, discursam pelas eleições diretas, a favor da greve geral e contra as reformas. Mas, em conversas de bastidores, negociam com o PSDB, PMDB e outros setores uma saída para a crise instalada e a defesa comum ante a ofensiva da Lava Jato. Em realidade, Lula e o PT mantém a tradicional linha petista de conciliação com os ricos e poderosos. Com a mão esquerda, acenam aos trabalhadores e  ao povo pobre com o objetivo de recuperar o prestígio perdido, mas com a direita, dialogam com a burguesia para refazer o pacto rompido.

    Há, ainda, os setores da esquerda que renunciaram à real disputa que está colocada no país e hesitam na defesa das eleições diretas. A proposta de um governo de conselhos populares não corresponde à atual correlação de forças entre as classes sociais, em primeiro lugar, porque esses conselhos sequer existem.

    Por uma nova alternativa
    É preciso construir outro caminho para a esquerda. A estratégia de conciliação de classes  abriu as portas para o golpe parlamentar. Lula e o PT governaram o país junto com a corrupta elite econômica e política por 13 anos. Depois dos anos de bonança econômica, período no qual foi possível algumas concessões, veio a crise e a retirada de direitos. Agora, outra vez, demonstram que não aprenderam com a história: querem repetir os mesmos erros, formando uma Frente Ampla com setores de direita para as eleições de 2018.

    Chegou a hora de construir uma nova alternativa de esquerda, para apresentar aos trabalhadores e ao povo um programa anticapitalista de transformação social e política. Um programa que tenha a coragem de enfrentar os ricos e poderosos. Nesse sentido, ganha ainda mais importância, para as lutas e as eleições, a construção da Frente de Esquerda Socialista com o PSOL, MTST, PCB, PSTU, movimentos sociais, sindicatos combativos, entre outros.

    Foto: Daniela Orofino | Mídia Ninja

  • Nova Rota da Seda: o anúncio de um século chinês?

    Por: Waldo Mermelstein, de São Paulo, SP

    A China patrocinou em 14 e 15 de maio um grande fórum internacional para promover a Iniciativa Cinturão e Rota (ICR)[1], com a presença de mais de 20 chefes de estado e representantes de cerca de 60 países, além das principais instituições internacionais, como o FMI, o Banco Mundial, etc.

    A ICR, lançada em 2013, inclui uma ampla rede de investimentos em dezenas de países e possui dois blocos constituintes e conectados em alguns pontos.

    O primeiro bloco, o Cinturão, pretende interconectar por terra a China com a Europa. Possui várias vias alternativas passando pela Ásia Central, Oriente Médio e/ou a Rússia até chegar a vários pontos do continente europeu. Outra via se abre para o Sudeste Asiático e um corredor terrestre ligará a província de Xinjiang na China com o Paquistão, onde está sendo construído o porto de Gwadar[2].

    O segundo bloco, a Rota, fará essa conexão pelo mar, até a Europa. Conectará vários portos na Índia, em Bangladesh e em Myamar, chegando ao mencionado porto de Gwadar no Paquistão, ao Sri Lanka, à África, em Djibuti (onde a China possui uma base militar), e chegando também à Europa a partir do porto de Pireus, na Grécia, comprado pelos chineses há alguns anos.

    Os números dos investimentos anunciados na reunião em Beijing chegam a 900 bilhões de dólares somente nos próximos cinco anos, levando em conta apenas os compromissos feitos pelos organismos estatais chineses.

    O valor total dos investimentos está estimado em cerca de 5 trilhões de dólares, embora não haja uma lista detalhada dos projetos. Há projetos em vários estágios de desenvolvimento, desde os que são apenas ideias, aos que estão sendo construídos e os que estão parcial ou totalmente em funcionamento.
    Ressalte-se ainda que no conjunto dos investimentos uma parte se refere às obras dentro da própria China, em particular, mas não somente, nas regiões menos desenvolvidas e mais pobres do Oeste, como Xijiang e o Tibete.

    Origem e objetivos da ICR
    A ideia da ICR como projeto formal foi influenciada com o anúncio pelo governo Obama em 2011 de um “giro para a Ásia”, que envolveu o deslocamento gradativo da maioria da frota naval americana para a Ásia e o estabelecimento de alianças agressivas contra a China na região.

    A ICR reflete também a nova escala atingida pela China na economia mundial[3] e sua progressão no sistema de estados. O objetivo estratégico mais imediato do governo chinês é o de estabelecer rotas alternativas para o escoamento de suas exportações, em sua grande maioria manufaturados, e as importações, muito especialmente de energia, pois o comércio do país passa quase todo pelo Mar do Sul da China e pelos estreitos deste para o Oceano Índico.

    Os EUA, mais além do patrulhamento agressivo do Mar do Sul da China, mantêm o controle dos estreitos de acesso a este, em particular o de Malaca, na Malásia. Os chineses, ao mesmo tempo em que estabeleceram uma política ativa no Mar do Sul da China, procuram ter rotas alternativas por terra.

    Do ponto de vista econômico, a ICR procura conseguir mercados e incentivar a exportação de capitais excedentes no país, em várias áreas de maior densidade tecnológica em que a China possui know-how elevado (siderurgia, construção pesada, telecomunicações, trens de carga e de alta velocidade) e estabelecer padrões dominantes que significariam mercados cativos para as suas indústrias.

    Além disso, pretende investir parte de suas reservas em dólares em ativos mais rentáveis do que os títulos do Tesouro dos EUA e dar uma projeção internacional ao yuan como moeda forte para transações comerciais e financeiras. Para sustentar a ICR em termos financeiros, estabeleceu várias instituições de crédito, a mais importante das quais é o AIIB (Banco de Desenvolvimento de Infraestrutura Asiático) com capital de 100 bilhões de dólares.

    O avanço Chinês
    Trata-se de um fato de grande importância no cenário econômico e geopolítico mundial. Desde o começo do processo de restauração do capitalismo em 1978, sob a direção de Deng Xiaoping, a palavra-chave era a de manter um “perfil baixo”, enquanto a China se transformava internamente. Isso se prolongou aproximadamente até 2012. A partir de então, a linha estratégica passou a ser de ação visando a consecução do “sonho chinês” de “rejuvenescimento nacional”.

    O ponto de partida em termos geopolíticos, foi uma atitude proativa na região, armando uma linha de defesa ativa no Mar do Sul da China e construindo uma área de influência no seu entorno para consolidar o seu papel como potência regional, caminho necessário para a ascensão mundial. Xi Jinping expressou isso com muita clareza em discurso em 2014, em uma conferência de países da região, ao dizer que “corresponde aos asiáticos gerir os assuntos da Ásia, resolver os problemas da Ásia e defender a segurança da Ásia”.

    Como todo aspirante a potência mundial, a influência da China nos países vizinhos (o país tem fronteira com 14 nações) já é uma realidade: é o principal parceiro comercial da Ásia Central e do Sudeste Asiático e alguns países são extremamente dependentes de Beijing. Por exemplo, o PIB do Camboja em 2013 equivalia a 14 bilhões de dólares, ao passo que os investimentos chineses chegavam a 17 bilhões e os empréstimos chineses a 9 bilhões. Mesmo países mais desenvolvidos economicamente, como a Coreia do Sul, sentem o peso chinês, o que se pode ver no alcance das represálias chinesas contra a instalação do sistema de mísseis THAAD no país.

    Mas não se limitam a esses países fronteiriços ou próximos: a China é também líder em exportações e importações na África e vem realizando imensos investimentos, em particular em setores de energia e transporte. Para se ter uma ideia das dimensões de sua expansão, acaba de ser inaugurada uma ferrovia no Quênia, ligando a capital, Nairóbi, ao porto de Mombasa, que custou 3,2 bilhões de dólares emprestados ao governo do país pelos chineses. Mombasa é um dos seis portos africanos incluídos no braço marítimo da ICR, faz parte da ofensiva chinesa na África. O total dos investimentos chineses na África entre 2005 e 2014 chegou a 300 bilhões de dólares.

    Depois de ter sido o grande foco mundial de investimentos por duas décadas, a China começou a fazer o mesmo. Hoje ocupa o segundo lugar como maior investidor direto internacional, tendo chegado a 245 bilhões de dólares em 2016 e um total acumulado entre 2005 e 2016 que se calcula em 1,5 trilhão de dólares. A China já é uma exportadora líquida de capitais, ou seja, os investimentos chineses anuais no exterior já ultrapassaram os investimentos externos no próprio país.

    Mesmo não estando oficialmente na ICR, a América do Sul tem sido um destino de investimentos chineses, em particular na geração de energia, transporte e mineração. O total, pela mesma estatística, foi de cerca de 140 bilhões de dólares, dos quais 51 bilhões no Brasil.

    Como o projeto da nova burguesia que governa a China é o de procurar aceder aos níveis mais altos da cadeia produtiva, esses investimentos diretos estão indo em boa medida para os países desenvolvidos em empresas de alta tecnologia. Entre 2005 e 2016, os investimentos chineses nos EUA e na Europa chegaram a 380 bilhões de dólares, o que inclusive levou que EUA e Alemanha vetassem algumas aquisições.

    Os limites chineses
    A fulminante trajetória chinesa poderia levar a que se imaginasse uma ascensão irresistível a se constituir na primeira potência mundial. Mas para isso encontrará vários obstáculos.

    Em primeiro lugar, em seu novo lugar no mundo, a China se defronta com as potências estabelecidas, em particular os EUA. Além disso, seu novo lugar em termos de investimentos fará com que se preocupe em protegê-los. Não por acaso, em 2015, o governo modificou sua lei antiterrorismo, autorizando que seus serviços de segurança atuem no exterior.

    A relação com a Rússia é mais ambivalente. Apesar dos acordos econômicos realizados – como a compra de gás pela China no valor de 400 bilhões de dólares por 25 anos -, a China disputa uma zona de influência tradicional da Rússia, a Ásia Central.

    O Japão é o mais sério e duro competidor. Além de aliado tradicional americano, tem tido uma política militar cada vez mais agressiva frente à expansão chinesa na Ásia. Japão e China são concorrentes diretos pela busca dos mercados. Por exemplo, a China ganhou no ano passado ano uma concorrência importante contra os japoneses para a construção de uma ferrovia para trens de alta velocidade na Indonésia, entre as duas principais cidades do país de 250 milhões de habitantes, o que lhe pode abrir o mercado do Sudeste Asiático. Por outro lado, o Japão domina 90% do mercado de carros no Sudeste Asiático e as empresas chinesas começaram a investir também nessa região.

    Mas o mais importante são os limites internos chineses. Do ponto de vista econômico, há uma persistente superprodução em vários setores, como por exemplo o aço, em que a China é sozinha responsável pela metade da produção mundial. Além disso, chama a atenção a fuga de capitais que já diminuiu suas reservas externas em 1 trilhão de dólares – de 4 para 3 trilhões -, no espaço de dois anos, obrigando o governo a estabelecer um forte controle de capitais. Isso impacta diretamente sobre os investimentos externos privados, ainda mais dada a incerteza de rentabilidade em vários projetos da ICR. A fuga dos capitais para a especulação mostra persistência muito forte, como o recente aumento do peso dos chamados “bancos sombra” – que operam fora do sistema bancário formal e que se calcula que movimentem 6 trilhões de dólares ou 15% do sistema bancário.

    O endividamento público elevado – 250% do PIB -, aliado à queda na taxa de lucros no país[4], aumenta a instabilidade da economia. Mas é equivocado traçar um esquema linear: o aumento dos problemas econômicos, em particular a superprodução em vários setores, pode fazer o governo aumentar a aposta nos investimentos no exterior e nas áreas do Oeste do país, onde os salários são bem mais baixos.

    Do ponto de vista interno, o único fator que pode frear essa expansão é o poderoso exército de centenas de milhões de trabalhadores que vêm fazendo sua experiência de lutas nas últimas décadas. Mesmo que partam de um nível de organização e consciência extremamente baixos e ainda não haja organismos independentes de trabalhadores e de camponeses, o número das mobilizações não deixa de crescer. Não é por outra razão que o outro diferencial do atual governo chinês é uma repressão ainda mais dura sobre qualquer tentativa de organização que escape dos sindicatos oficiais e do controle das instituições do estado.

    Aproveitando a crise dos EUA
    O Projeto Trump, nacional-imperialista autárquico, abre oportunidades para a China disputar a globalização neoliberal. Por exemplo: ao suspender o TPP, a China se colocou como alternativa e agora com a retirada dos EUA do Acordo de Paris sobre o Clima, a China se colocou como alternativa para manter o projeto

    A implementação desse projeto abriu uma crise na frente externa e interna. Embora o giro pelo Oriente Médio e Europa parece indicar certo enquadramento da política externa da administração Trump ao establishment Republicano, os Democratas já falam em impeachment.

    Enquanto isso a China avança. O fórum internacional para promover a Iniciativa Cinturão e Rota (ICR) é um exemplo disso. É movimento chave no tabuleiro da geopolítica mundial.

    [1] A “Rota da Seda” consistiu num conjunto de rotas comerciais, principalmente terrestres, que uniram a China com a Europa, sendo algumas delas construídas antes mesmo da era cristã. Elas só vieram a ser superadas pelas rotas abertas pelas potencias europeias durante a expansão do comércio mundial durante o século XV e XVI, a exemplo do Cabo da Boa Esperança, que contornando a África deu acesso à China e à Índia. Até esse período a China ainda era uma potência comercial e marítima.

    [2] Um dos corredores em que há mais investimentos liga a província de Xinjiang, no noroeste da China, com o porto de Gwadar, no Paquistão, cujos investimentos somarão US$ 62 bilhões. Consta de rodovias, ferrovias, gasodutos, centrais elétricas (inclusive de energia solar) e mineração de carvão. Com ele, o estado chinês conseguiria abreviar enormemente o tempo de transporte de matérias primas, particularmente petróleo, em relação à rota marítima tradicional que passa pelo estreito de Malaca e pelo Mar do Sul da China. Como em outros projetos contidos na ICR, vários são os interrogantes. Primeiro os relacionados à viabilidade econômica, passando pelos conflitos sociais e geopolíticos, pois o porto fica em uma das regiões mais explosivas do país, com minorias étnicas que lutam por seus direitos e, além disso, a rota passa pela Cachemira paquistanesa, disputada pela Índia. Além disso, há indicações de que o porto também poderia abrigar uma base naval chinesa. Esses motivos levaram a Índia a ser o único grande país a boicotar o último fórum da ICR. Por outro lado, o Paquistão se comprometeu em colocar 10 mil soldados para proteger as instalações e o pessoal chinês que constrói o porto e as rodovias de acesso desde Xinjiang.

    [3] Após um crescimento excepcional de seu PIB (de 180 bilhões em 1980 para 11 trilhões em 2015) que passou de 2,5% do mundo para 13,5% entre 1983 e 2014, da acumulação de reservas internacionais que chegaram a 4 trilhões de dólares em 2015 e de investimentos maciços em fontes externas de energia e matérias primas no mundo desde os anos 2000, a China a partir de 2010 já tinha a segunda economia do mundo e hoje, se for utilizado o critério de Paridade de Poder de Compra, já passou os EUA, ainda que em termos per capita, os EUA ainda estejam muito na frente: o PIB per capita da China é de 14 mil dólares e o americano, de 54 mil.

     

    [4] Gaulard_fig4-e0d3d
    Evolução da taxa de lucros na China, citada por Myléne Gaulard em http://www.cadtm.org/spip.php?page=imprimer&id_article=12915.

  • O apelo de Aécio ao PT

    Por: Alexandre Zambelli, de Belo Horizonte, MG

    Os grampos divulgados pela Polícia Federal nas últimas semanas trouxeram provas das várias articulações de interesses envolvendo o senador afastado Aécio Neves (PSDB). Na última semana, foi revelado que o mesmo pediu socorro até ao PT, através do deputado federal Gabriel Guimarães (PT/MG).

    No áudio divulgado, Aécio pede uma intervenção do deputado para tentar segurar “o louco do Rogério Correia”, que estava articulando denúncias contra Aécio, envolvendo o esquema de propinas na estatal Furnas. Gabriel responde em tom animado, chamando o senador várias vezes de amigo. A íntegra do áudio pode ser conferida abaixo:


    PT e PSDB, uma relação antiga
    Não é de hoje que PT e PSDB articulam para defesa de interesses comuns. Em 2008, Aécio, que era governador de Minas Gerais e Fernando Pimentel, então prefeito de Belo Horizonte, anunciaram juntos o apoio à candidatura de Márcio Lacerda (PSB) para a sucessão de Pimentel na Prefeitura.

    Apesar desta postura, à época, contrariar a orientação da Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, esta nada fez contra a sequência de ações tomadas adiante por Pimentel. Pelo contrário, o mesmo continuou no partido e ainda se tornou ministro no governo Dilma e, hoje, ocupa o cargo de governador de Minas Gerais.

    No que tange às doações eleitorais, os recentes escândalos de corrupção têm revelado que, para as empresas patrocinadoras, são “democráticas”. Não são poucas, dentre elas a JBS, que não pouparam doações aos dois partidos, seja por caixa um, ou dois.

    Além disso, o deputado Gabriel Guimarães também é citado no acordo de delação premiada dos executivos da J&F, controladora da JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. No caso do deputado Gabriel, é relatado o recebimento de R$200 mil em nota avulsa emitida por escritório que o tem em seu quadro societário.

    Estamos em um processo complexo. Há lutas concretas pela derrubada do governo Temer. Vários setores do PT se somam a estas lutas, porém, grande parte o faz mais numa promoção do “Lula 2018”, retomando o ciclo de acordos que enfraquecem os trabalhadores. O exemplo mineiro deixa isso claro.

    Hoje, no governo do estado, Pimentel pouco faz enquanto deixa seu braço repressor (a Polícia Militar) atuar livremente batendo nos movimentos sociais. O estado também enfrenta grave crise financeira, com seus servidores tendo salários parcelados há tempos, sem perspectivas de melhora. Por isso, neste momento, torna-se imprescindível a defesa de eleições diretas para presidente e Congresso, superando de vez estes acordos.

    Foto: Opinião e Cidadania

  • Reunião em Brasília lança Frente pelas ‘Diretas, Já’

    Da Redação

    No mesmo dia em que as centrais sindicais se reuniram e marcaram a data da nova greve geral, uma outra reunião importante aconteceu em Brasília. Se formou um comitê amplo com 55 organizações, que vão desde centrais sindicais, até entidades religiosas defendendo eleições diretas, já.

    A importância da pauta das diretas hoje é fundamental para se contrapor à saída que já está sendo articulada por setores burgueses que já não apostam mais em Temer, mas querem assegurar eleições indiretas, via colégio eleitoral, ou qualquer saída pelo judiciário, que garanta um outro governo da confiança do mercado e que seja capaz de emplacar as reformas.

    A bandeira de novas eleições diretas, que em nossa opinião deveriam ser para a Presidência e para o Congresso, está a serviço de parar a votação das reformas e submetê-las ao plebiscito das ruas e das urnas.

    Foi neste sentido que a reunião em Brasília afirmou não só a necessidade de novas eleições diretas, mas também de barrar a retirada da aposentadoria e dos direitos trabalhistas.

    O espectro da reunião foi amplo, portanto, é um espaço de unidade de ação em torno a três pontos: “Diretas, Já, Fora Temer e as Reformas”. Dentro deste marco é que se construiu a unidade. As várias organizações presentes têm opiniões distintas e até mesmo antagônicas sobre qual seria o programa necessário para o país, e as disputas em torno ao programa e aos representantes dos distintos projetos deverão permanecer e se aprofundar. Mas, é preciso saber fazer unidade e também fazer o enfrentamento necessário.

    Neste momento, a unidade para barrar a saída reacionária dos representantes do mercado que apostam nas eleições indiretas para permitir a aprovação das reformas é a necessidade mais imediata da classe trabalhadora. Junto a isso, o método da luta direta com a construção de uma nova greve geral superior ao dia 28 de abril, combinados com atos massivos pelas ‘Diretas Já’, irá encurralar Temer e aqueles que planejam uma saída em que o povo trabalhador fique ausente do processo de decisão.

    Assista às entrevistas com Marcelo Freixo (PSOL) e Guilherme Boulos (MTST), direto da reunião, para o Esquerda Online

     

    Veja a íntegra da nota da Frente

    “Frente Ampla Nacional pelas Diretas Já

    O Brasil atravessa uma grave crise política, econômica, social e institucional. Michel Temer não reúne as condições nem a legitimidade para seguir na presidência da República. A saída desta crise depende fundamentalmente da participação do povo nas ruas e nas urnas. Só a eleição direta, portanto a soberania popular, é capaz de restabelecer legitimidade ao sistema político.

    A manutenção de Temer ou sua substituição sem o voto popular significa a continuidade da crise e dos ataques aos direitos, hoje materializados na tentativa de acabar com a aposentadoria e os direitos trabalhistas, as políticas publicas além de outras medidas que atentam contra a soberania nacional.

    As diversas manifestações envolvendo movimentos sociais, artistas, intelectuais, juristas, estudantes e jovens, religiosos, partidos, centrais sindicais, mulheres, população negra e LGBTs demonstram a vontade do povo em definir o rumo do país.

    Por isso, conclamamos toda a sociedade brasileira a se mobilizar, tomar as ruas e as praças para gritar bem alto e forte: Fora temer! Diretas já! E Nenhum direito a menos! O que está em jogo não é apenas o fim de um governo ilegítimo, mas sim a construção de um Brasil livre, soberano, justo e democrático.

    Assinam:

    Frente Brasil Popular – FBP

    Frente Povo Sem Medo – FPSM

    Centra Única dos Trabalhadores – CUT

    Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais – ABONG

    Associação das Mulheres Brasileira – AMB

    Associação Nacional de Pós Graduandos – ANPG

    Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho – ANAMATRA

    Brigadas Populares

    Central dos Movimentos Populares – CMP

    Central dos Sindicatos Brasileiros – CSB

    Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB

    Central Pública

    Centro de Atendimento Multiprofissional – CAMP

    Coletivo Quem Luta Educa/MG

    Comissão Brasileira de Justiça e Paz da CNBB – CBJP

    Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio – CNTC

    Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE

    Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino – CONTEE

    Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos – CNTM

    Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG

    Conferência dos Religiosos do Brasil – CRB

    Conselho Federal de Economia – CONFECON

    Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC

    FASE Nacional

    Fora do Eixo / Mídia Ninja

    Fórum de Lutas 29 de abril/PR

    Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito

    Frente de Juristas pela Democracia

    Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC

    Central Intersindical – INTERSINDICAL

    Juntos

    Koinonia

    Levante Popular da Juventude

    Marcha Mundial das Mulheres – MMM

    Movimento Camponês Popular – MCP

    Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA

    Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST

    Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST

    Movimento Humanos Direitos – MHUD

    Movimento Nacional contra a Corrupção e pela Democracia – MNCCD

    Movimento pela Soberania Popular na Mineração – MAM

    Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista – MAIS

    Partido Comunista do Brasil – PC do B

    Partido dos Trabalhadores – PT

    Partido Socialismo e Liberdade – PSOL

    Partido Socialista Brasileiro – PSB

    Pastoral Popular Luterana

    Rede Ecumênica da Juventude – REJU

    Rua Juventude Anticapitalista – RUA

    Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo

    União Brasileira de Mulheres – UBM

    União da Juventude Socialista – UJS

    União Geral dos Trabalhadores – UGT

    União Nacional dos Estudantes – UNE”

    Foto: Diretas, Já

  • Guilherme Boulos debaterá os desafios da esquerda, nesta quarta, em Natal, RN

    Da Redação*

    Nesta quarta-feira (07), o coordenador do MTST, Guilherme Boulos, estará em Natal, no Rio Grande do Norte, para debater “Os desafios da esquerda em tempos de Temer e das Reformas: para onde vai o Brasil?”, a partir das 18h, na sede do sindicato dos bancários. A atividade, organizada pela Frente Povo Sem Medo do estado, será transmitida ao vivo a partir da página do Esquerda Online, no Facebook.

    O evento foi convocado por diversos movimentos sociais da cidade. De acordo com os organizadores, “busca ser um ponto de encontro e debate entre os ativistas que estão à frente das lutas contra o governo ilegítimo de Michel Temer e as reformas”. Além de apresentar um panorama das lutas no país, Boulos responderá às perguntas dos presentes.

    Também estará em debate nesta quarta as alternativas distintas que as organizações de esquerda apontam para derrotar as reformas e para que os trabalhadores, o povo pobre e a juventude possam decidir sobre os rumos do país. “Queremos tirar conclusões de nossas lutas e unificar nossas próximas ações. O evento é gratuito e o convite está aberto para que todas e todos venham se somar nesta luta”, explicam os organizadores.

    SERVIÇO
    Os desafios da esquerda em tempos de Temer e das Reformas: para onde vai o Brasil?”
    Com: Guilherme Boulos, líder do MTST
    Local: sindbancários, avenida Deodoro da Fonseca, 419. Bairro Petrópolis, próximo ao Nordestão
    Horário: 18h
    Entrada: gratuita

    *Com informações da Frente Povo Sem Medo

  • Protesto em defesa da Uerj marcha pelas ruas de Vila Isabel, no Rio

    *Com informações da Uerj

    Professores, estudantes e técnico-administrativos voltam a se reunir nesta quarta-feira (7), às 10h, num novo ato em defesa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A “Marcha pela Uerj” vem denunciar a situação de abandono que permanece impactando a instituição, em função do descaso do governo do estado com relação à educação pública.

    “Devido à falta de pagamento das bolsas e do cancelamento do bilhete único universitário tem sido muito difícil se locomover pela cidade para chegar ao Centro, ao Palácio Guanabara. A marcha para nós é de suma importância, para mostrar que não está normal”, diz a coordenadora do DCE, Natália Trindade. Para a presidente da Asduerj, Lia Rocha, o momento é de união de forças. “A Uerj é uma das melhores universidades do Brasil, que está completamente sucateada e isso ameaça inclusive o direito desses milhares de jovens à educação, muitos deles cotistas e de baixa renda”, afirma.

    O diretor do Centro de Educação e Humanidades da instituição, Lincoln Tavares Silva, destaca que a manifestação tem o intuito de demonstrar para a população a relevância do trabalho desenvolvido pela universidade. “O impacto social do nosso trabalho ultrapassa os limites dos bairros de Vila Isabel e do Maracanã, se estendendo por todo o estado do Rio de Janeiro. Mas estamos sob risco e por isso precisamos juntar todos em defesa do nosso patrimônio”, declara.

    A caminhada parte do campus Maracanã da Uerj, em direção à Av. 28 de Setembro, passando pelos prédios do HUPE e das faculdades de Odontologia e Enfermagem, terminando na Praça Barão de Drummond. O protesto conta com a participação das entidades Asduerj, Sintuperj, DCE, além da Asfoc-SN e o Sinpro-Rio.

    MARCHA PELA UERJ
    Dia: 7 de junho
    Concentração: 10h
    Local: campus Maracanã
    Percurso: saída pela Rua São Francisco Xavier, em direção à Av. 28 de Setembro, passando pelo HUPE, pelo prédio Paulo de Carvalho, onde ficam localizadas as faculdades de Odontologia e Enfermagem, até a Praça Barão de Drummond.

    Confira o convite
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  • As tarefas da greve geral e das mobilizações em junho

    Derrubar Temer, derrotar as reformas e impor as eleições diretas e gerais, já

    Por: Gibran Jordão, de Brasília, DF
    *membro da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas e da Coordenação Geral da Fasubra

    As centrais sindicais reunidas nesta segunda-feira (05), pela manhã, definiram um calendário unificado de lutas. Marcaram um dia nacional de mobilização para 20 de junho e uma nova greve geral no dia 30 do mesmo mês. Diante da situação em que vive o país, o ideal seria uma nova greve geral de 48 horas, como defendeu a representação da CSP-Conlutas, mas não houve acordo entre as centrais sndicais e, depois de muito debate, foi possível acordar, entre todas, uma nova greve geral pelo Fora Temer e contra as reformas Trabalhista e da Previdência.

    As experiências em construir a greve geral de abril e a recente marcha a Brasilia no dia 24 de maio provaram que a frente única entre as centrais tem sido o elemento decisivo para mobiliar milhões. Valorizamos muito essa decisão em marcar uma nova greve geral para fazer um enfrentamento à altura contra a ofensiva da burguesia que quer aprovar de qualquer jeito as reformas que retiram direitos no Congresso Nacional.

    Outra importante reunião aconteceu em Brasilia, também nessa segunda-feira, chamada pela Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo. Teve adesão de várias centrais, sindicatos e organizações políticas, que definiram por lançar uma Frente Ampla pelas ‘Diretas, Já’ e nem um direito a menos. O objetivo dessa reunião foi lançar um amplo movimento pelas diretas, mas demarcando também a luta contra as reformas.

    A maioria do povo brasileiro apoia o Fora Temer, é contra as reformas da Previdência e Trabalhista e não aceita que esse Congresso corrupto decida quem deve governar o país. Essas duas reuniões que aconteceram nessa segunda-feira refletem a evolução da luta de classes no país e o desejo de uma ampla base social formada por trabalhadores urbanos, camponeses, setores da classe média, ativistas das lutas contra as opressões e a juventude.

    Estamos vivendo num momento que os dias valem décadas e, desde a greve geral de abril, até esse início do mês de junho, as crises política e econômica no país se aprofundaram. Já são mais de 12 milhões de desempregados e, a cada dia que passa, aparecem mais escândalos de corrupção envolvendo o governo Temer e o Congresso Nacional. Temer balança, mas não cairá sozinho. O Congresso tem dificuldades em aprovar as reformas, mas elas não serão arquivadas por mágica. A maioria do povo apoia as ‘diretas, já’, mas a eleição indireta será a saída, se não houver forte mobilização de rua.

    Unificar as reivindicações sociais, econômicas e democráticas
    Está crescendo no imaginário social o ódio de classe contra Temer e suas reformas e, diante da possível queda do governo, o desejo é por eleições diretas. É o que vemos nas ruas, nos locais de trabalho, nas escolas, nas manifestações, como também confirmam essa tendência todas as pesquisas de opinião pública. Esse sentimento é muito progressivo e devemos impulsioná-lo, ainda que possamos ter diferenças políticas entre os mais variados setores do movimento sindical e popular. Nesse momento decisivo da história do país e da luta de classes brasileira, seria um erro grave contrapormos a greve geral com o movimento pelas ‘diretas, já’. É tudo ao contrário, precisamos unificar as reivindicações sociais e econômicas com as bandeiras democráticas.

    Por conta de conveniências eleitorais não podemos cair no erro oportunista de agitar as ‘diretas, já’ como a única tarefa dos trabalhadores nesse momento, secundarizando a luta contra as reformas e a greve geral como método de luta. Como também não podemos cometer o erro sectário de ignorar as reivindicações democráticas que são progressivas nesse momento e que podem impor uma derrota histórica para a burguesia que já negocia nos bastidores as eleições indiretas.

    A greve geral e as mobilizações de rua que vão acontecer em junho possuem tarefas históricas as quais jamais podemos deixar nas mãos da direita e de setores do regime. É preciso que o movimento sindical e popular entrem em cena com tudo. Temer e o Congresso não vão recuar com as reformas, como também o STF e o judiciário não vão garantir uma saída democrática diante da crise política em que vivemos. A greve geral e as mobiliações de rua são métodos de luta da classe trabalhadora os quais precisam assumir tarefas e ter objetivos claros. E na conjuntura imediata brasileira o movimento dos trabalhadores precisa assumir sem vacilos a luta pela derrubada de Temer, para derrotar as reformas e impor eleições diretas para presidente a para o Congresso.

    Caso o movimento de massas conseguir alcançar esses objetivos nos confrontos de rua que vão sacudir o país no próximo período, estaremos diante de um cenário no qual os trabalhadores poderão retomar a ofensiva. Mas, caso nos dividamos e não soubermos unificar as reivindicações sociais e democráticas que estão na boca dos trabalhadores, poderemos estar diante de uma derrota histórica.

    Foto: Carol Burgos | Esquerda Online