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  • Confira os vídeos do depoimento de Lula em Curitiba

    Da Redação

    Durante o dia, divulgamos notícias e análises sobre o depoimento do ex-presidente Lula como parte da operação Lava Jato, nesta quarta-feira (10). Em Curitiba foi montado um verdadeiro esquema midiático sobre o caso. Um dos momentos mais aguardados, no entanto, era a divulgação dos vídeos do depoimento do petista ao juiz Sérgio Moro. A defesa de Lula tinha sido proibida de gravar o conteúdo, segundo decisão da justiça. No entanto, os vídeos já foram disponibilizados à imprensa, como na divulgação do Jornal O Estado de São Paulo. O Esquerda Online compartilha o conteúdo, na íntegra.

    A grande mídia não esconde sua parcialidade e faz das acusações contra Lula e o PT um espetáculo nacional. A Revista Veja exibe Moro e Lula com máscaras de super heróis. A Época apresenta três mil evidências contra Lula. Sim! Três mil. Ontem o Instituto Lula foi fechado por uma decisão judicial arbitrária de frágil fundamentação jurídica. Até agora são 267 réus na Lava Jato, mas nenhum deles teve tanta cobertura midiática e julgamento pré – estabelecido quanto Lula. Estamos totalmente contra a prisão ou cassação dos direitos políticos de Lula. Mas não somos petistas, não apoiamos o projeto de conciliação de classes defendido e aplicado por Lula e pelo PT.

    Saiba mais sobre a posição do Esquerda Online sobre o depoimento de Lula em Curitiba.

    Assista aos vídeos com o depoimento, na íntegra:
    Fonte: O Estado de São Paulo

  • O dia em que Curitiba parou

    Por: Marcello Locatelli, de Curitiba, PR

    Neste momento, Curitiba está polarizada devido ao depoimento do ex-presidente Lula ao juiz federal Sérgio Moro. Em todo lugar, o assunto foi um só neste dia. Opiniões se dividem nas conversas e comentários. A cidade está tomada por um clima de tensão que mudou a rotina de boa parte dos curitibanos.

    Enquanto Lula realizava seu depoimento com Sérgio Moro, manifestantes da Frente Brasil Popular, petistas e apoiadores do PT faziam um ato nas ruas da capital paranaense. Militantes de diversas partes do país começaram a chegar desde ontem (09) e continuam chegando para participar do que a Frente Brasil Popular está chamando de ‘Jornada da Democracia e em defesa de Lula’. Enquanto Lula presta depoimento, ocorre um ato político na Praça Santo Andrade e o acesso às medições da Justiça Federal está proibido.

    A postura da Justiça, do Governo do Estado e da Prefeitura foi absurda. Instalaram um verdadeiro estado policial nas ruas. O abuso de poder das autoridades é mais do que evidente e preocupa as medidas que foram adotadas. Manifestantes revistados, ônibus revirados, acampamentos nas praças e barracas de agitação política foram proibidos, diversos bairros foram cercados pelas tropas de segurança, quatro helicópteros sobrevoam a cidade e o aparato policial nas ruas é gigantesco.

    O dia de hoje terá desdobramentos importantes. Está nítido que as classes médias que foram às ruas de verde amarelo já não têm aquele mesmo ímpeto. Alguns de seus líderes golpistas, como Aécio, Cunha, José Serra e até Michel Temer, que as convocaram contra a corrupção nos governos petistas, agora são investigados na Lava Jato. Além disso, a Reforma da Previdência também é impopular nas classes médias. Até o jornal O GLOBO noticiou o fracasso da manifestação convocada pela direita no dia de hoje.

    A natureza reacionária da Lava Jato
    Está evidente aos olhos e ouvidos de todos o quanto a corrupção está enraizada nas instituições democráticas brasileiras. Seguramente, a corrupção é muito maior do que estamos vendo através da grande mídia, que, aliás, faz o que quer das informações e as utilizam de maneira claramente seletiva e direcionada, com o intuito de atacar alvos políticos convenientemente escolhidos.

    A burguesia sempre se utilizou da corrupção para comprar governantes e parlamentares. Ela começa no financiamento das campanhas milionárias, que acabam desembocando em propinas e trocas de favores quando os seus financiados chegam ao poder.

    O principal objetivo da Lava Jato não é e nunca foi o de colocar fim à corrupção. O Ministério Público Federal e a força tarefa liderada por Sérgio Moro são peças fundamentais de um projeto burguês reacionário, que pretendem limpar a política brasileira através de uma reforma conservadora e restritiva de liberdades.

    Temer está aplicando um projeto de ataque aos direitos dos trabalhadores, que por hora se materializa na PEC 55, Reforma do Ensino Médio, Lei da Terceirização sem limites, Reforma Trabalhista e Reforma da Previdência. Tudo a serviço de beneficiar o grande capital. A experiência pós impeachment não deixa dúvidas, a Lava Jato foi quem abriu caminho para o governo golpista de Michel Temer.

    Não defendemos o projeto político do PT e de Lula, não concordamos com a política de conciliação de classes aplicadas nos governos petistas e não apoiamos uma nova reedição deste tipo de governo para 2018. No entanto, não podemos fechar os olhos para fatos arbitrários que abrem caminho para a criminalização da esquerda como um todo.

    Chama a atenção o fato de Sérgio Moro e da força tarefa da Lava Jato atuarem com dois pesos e duas medidas. Lembramos que Moro divulgou para a imprensa as gravações de telefonemas entre Lula e Dilma e este episódio foi decisivo para agravar a crise política que conduziu ao golpe parlamentar que derrubou Dilma no ano passado. A grande imprensa foi peça fundamental no ‘espetáculo’. O Juiz não teve esta mesma postura de exposição para todos os políticos envolvidos nas investigações da Lava Jato e, recentemente, proibiu a filmagem do depoimento de Lula, uma arbitrariedade sem tamanho.

    A Lava Jato comprometeu muitos políticos, partidos e empresários na corrupção. O PT foi mais um neste jogo sujo de cartas marcadas. Mas sabemos que muitos parlamentares e ministros que hoje estão em Brasília, legislando e governando contra os interesses do povo, estão envolvidos até a medula com a corrupção sistêmica que está impregnada nas instituições da democracia brasileira. Até Michel Temer foi citado em delações da Odebrecht, e não por reforma de apartamento Triplex, mas sim por receber R$ 40 milhões em caixa dois.

    Isto sem contar os diversos precedentes perigosos que estão surgindo com esta operação, tais como a limitação do direito ao contraditório, da ampla defesa e da presunção a inocência. As prisões preventivas e as delações premiadas estão sendo usadas ao bel prazer dos líderes da Lava Jato, abrindo precedentes perigosos. A tal ponto que já não se pode mais confiar nas delações, porque sem apresentar provas os empreiteiros dizem o que a força tarefa quer ouvir para conseguir a redução das suas penas.

    Em defesa das liberdades democráticas
    Somos contrários ao projeto político de alianças com a burguesia, que orienta a estratégia do PT. Não defendemos a reedição deste projeto para as eleições de 2018, por isso não compomos as manifestações que hoje ocorrem em Curitiba. No entanto, nos colocamos contra a prisão de Lula e contra as arbitrariedades da Lava Jato.

    Caso o juiz Sérgio Moro tenha êxito em prender Lula nas próximas semanas, poderá se fortalecer a ofensiva reacionária sobre as liberdades democráticas que os partidos políticos de esquerda e os movimentos sociais conquistaram através da luta.

    Quem tem legitimidade política e moral para julgar os erros e traições de Lula e da direção do PT é a classe trabalhadora. Somente os movimentos sociais e as organizações políticas que defendem os interesses dos trabalhadores e constroem a luta todos os dias têm o direito de dar o veredito sobre as relações promíscuas entre os líderes deste partido e os grandes empresários.

  • Donald Trump e a Rússia: os 100 primeiros dias do novo governo e a geopolítica mundial

    Por: Victor Wolfgang Kegel Amal, de Florianópolis, SC

    O ataque de 59 mísseis Tomahawk nas bases aéreas sírias, dia 5 de abril, levantou inúmeras reflexões quanto ao caráter da política externa de Donald Trump, particularmente no que concerne à Rússia. Até então, muito se falava de uma orientação conciliadora do novo governo Trump para com os russos. Afinal, o republicano anunciava, desde a campanha eleitoral, uma mudança na política dos EUA em relação à Rússia, o que envolvia tanto a questão síria, quanto a ucraniana, principais pontos de conflito entre os países.

    Porém, o ataque norte-americano à Síria, em 5 de abril, levou a que Vladimir Putin declarasse haver uma deterioração significativa nas suas relações com os Estados Unidos.

    Ao mesmo tempo, contraditoriamente, ainda estava em curso a investigação do FBI, CIA e NSA sobre o auxílio prestado pela espionagem e diplomacia russas a Donald Trump nas eleições de 2016. Esta investigação já tem em sua conta a demissão do Conselheiro de Segurança Nacional de Trump, Michael Flynn, e a investigação de mais de dezenas de outros membros do gabinete, como o próprio Secretário de Estado Rex Tyllerson. Hoje, dia 9 de maio, Trump revidou, demitindo o Diretor do FBI James Comey, responsável por coordenar a operação.

    Para compreender o que já aconteceu e o que pode vir a acontecer no atual conflito Estados Unidos-Rússia na era Trump, faz-se necessário analisar a localização geopolítica da Rússia no contexto internacional atual e, em particular, seu enfrentamento com a União Europeia (UE) e a OTAN. Nesse marco, é necessário também levar em conta o raro apoio russo a partidos de extrema-direita, enquanto uma estratégia para enfraquecimento da UE. A interferência russa nas eleições dos EUA em 2016 é parte dela. As consequências da abertura de investigações sobre a conexão entre o gabinete Trump e o governo russo são produto da confluência dos interesses russos e a tentativa de Trump de mudar a política externa norte-americana. 

    Putin contra a expansão da União Europeia e a OTAN
    Uma das principais consequências geopolíticas do desmantelamento da ex-URSS foi a perda do controle direto da Rússia sobre os territórios da Europa Central e Oriental, Cáucaso e Ásia Central. Estes, ou eram propriamente territórios soviéticos, ou estavam sob o guarda chuva militar do Pacto de Varsóvia.

    A UE e a OTAN aproveitaram o vácuo de poder deixado nestas regiões, principalmente na Europa, para se expandirem para os países antes pertencentes à URSS. Essa ofensiva fez com que a influência da Rússia retornasse à extensão aproximada que o país tinha no século XVII.

    A Rússia começou a resistir a esta expansão, principalmente a partir do segundo mandato de Putin na Presidência (2004-2007). Primeiro, tentou dissuadir os países que ainda não haviam entrado nas duas alianças ocidentais a que não o fizessem futuramente. Posteriormente, recriou uma aliança própria.

    Desde o fim da URSS, a Polônia, Estônia, Letônia, Lituânia, República Tcheca, Bulgária, Hungria, Eslováquia, Albânia e Romênia fazem parte ou da UE, ou da OTAN, ou das duas alianças. A Rússia, em contrapartida, dirige a Organização do Tratado Coletivo de Segurança (CSTO), que engloba Cazaquistão, Quirquistão e Tadjiquistão na Ásia Central, Armênia no Cáucaso, e Bielorrússia no leste Europeu.

    A Geórgia, Ucrânia e Moldávia são países que ainda se encontram em disputa entre russos e ocidentais. Os dois primeiros foram palco de guerras por influência na última década.

    Mapa 1. O encolhimento das fronteiras russas pós-Guerra Fria  maparussia
    Mapa 2. A expansão da OTAN

     Depois do conflito da Rússia com a Geórgia em torno à questão da Ossétia do Sul em 2008, “Guerra dos Cinco Dias” ou a “Guerra de Agosto”, um dos principais pontos de conflito envolvendo a disputa pela influência no Leste Europeu se deu em 2014 e envolveu a Ucrânia.

    Neste ano, na parte ocidental do território ucraniano, onde está a capital Kiev, a população depôs o presidente Viktor Yanukovich por se negar a negociar a entrada do país na UE. Já na parte oriental do país, onde há grande concentração étnica russa, organizaram-se milícias rebeldes em oposição ao novo governo de Petro Poroshenko, acusado de golpismo contra Yanukovich. Em resposta, a Rússia anexou a península da Crimeia e passa a apoiar as milícias anti-Poroshenko, tanto diplomaticamente, quanto militarmente, ainda que na ocasião não tenha admitido esse fato.

    A partir de então, começa uma guerra civil entre as porções ocidental e oriental da Ucrânia, o que permanece sem resolução definitiva até hoje. Os EUA impuseram sanções econômicas contra a Rússia em 2014, além de não reconhecer a Crimeia como território legitimamente russo, o que vem causando o maior imbróglio diplomático entre as potências desde a guerra do Afeganistão nos anos 80. 

    A Rússia e a extrema-direita
    Desde muito antes do conflito ucraniano, a Rússia também vinha procurando intervir dentro dos países centrais da Europa, como França, Alemanha, Holanda, entre outros. Seu intuito era o de enfraquecer a União Europeia por dentro de seus próprios membros. O método de intervenção nesses países tem sido o financiamento e apoio aos partidos de extrema direita anti-UE, ataques cibernéticos de hackers e contrapropaganda.

    Como se sabe, a UE é uma das promotoras do desastre nos países africanos e do Oriente Médio. Apoiaram na década de 2000 a abertura de mercados e as políticas neoliberais que levaram à Primavera Árabe e, posteriormente, à crise migratória. Parte importante de sua política para responder a essa crise humanitária, ao invés de abrir as fronteiras, tem sido a manutenção dos refugiados em campos de concentração na Turquia, Grécia, Itália e nos Bálcãs.

    A proposta da extrema direita tem sido ainda mais xenófoba e racista. Além de propor um cerceamento ainda maior à entrada dos refugiados, quer impor mais restrições à própria migração legal e à comunidade muçulmana que vive no continente. Esse é o caso do fechamento de mesquitas.

    Desde 2015, a extrema-direita se fortaleceu em nível mundial, tendo como centro a Europa. Ela vem forçando a entrada de suas pautas xenofóbicas e racistas na agenda política do continente. Este fortalecimento fez com que seus partidários rompessem em definitivo com a UE e exigissem plebiscitos pela saída do bloco, como foi o Brexit. A AfD (Alternativa para a Alemanha), e a FN (Frente Nacional) de Marine Le Pen são exemplos de partidos anti-UE financiados e apoiados pelos russos.

    Como forma de alimentar esta nova extrema-direita europeia, a contrapropaganda que fazem os russos é que o Ocidente é muito fraco no tratamento dos refugiados. Ao permitir a “infiltração” de estrangeiros, provocou insegurança e facilitou a formação de células terroristas. Isto em escala de verdadeira guerrilha virtual, principalmente através das agências de notícias RT (Russia Today) e Sputnik.

    Muitos batizaram esse novo método de intervenção política em países estrangeiros como “guerra híbrida”, em que se misturam intensa atividade de propaganda com ataques cibernéticos – em 2015 hackers russos chegaram a atacar o Bundestag alemão -, além de outras táticas não-convencionais ou não-militares. Portanto, não é por acaso que se suspeite que a Rússia tenha interferido nas eleições norte-americanas de 2016.

    Depois de muitos atritos entre Vladimir Putin e George Bush durante os anos 2000, acreditou-se que haveria uma melhora nas relações EUA-Rússia com a substituição dos dois na presidência por Dimitri Medvedev e Barak Obama. Mas isso não foi assim. Durante a campanha presidencial russa de 2011, Putin acusou o governo Obama e a inteligência norte-americana de financiar os protestos populares de centenas de milhares que ocorreram contra seu partido, o “Rússia Unida”. Depois, com a intensificação do conflito na Síria e a anexação russa da Crimeia, as relações entre as potências chegaram a seu pior momento desde a era Reagan.

    As eleições norte-americanas de 2016
    Ainda durante as eleições primárias, muito se estranhou a política externa convergente com os interesses russos proposta por Trump. Para ele, os Estados Unidos deveriam compreender Bashar al-Assad enquanto mal menor na Síria, reduzir os investimentos na OTAN e reconhecer a península da Crimeia enquanto território legítimo da Rússia. Trata-se de posicionamentos radicalmente opostos ao que tradicionalmente defendeu o establishment Republicano e também Democrata.

    Porém, muitos consideravam até ingênua a ideia de Trump compactuar com Putin nas duas frentes de conflito – Ucrânia e Síria – e ainda enfraquecer a principal aliança militar dos Estados Unidos. Aventava-se a possibilidade de se tratar de uma linha não-intervencionista, jacksoniana de política externa.

    A pouco mais de um mês antes das eleições de novembro, a WikiLeaks divulgou dezenas de e-mails internos do comitê de campanha de Hillary Clinton que continham um conteúdo embaraçoso e até juridicamente comprometedor para a candidata.

    John Podesta, um dos líderes do comitê, escreveu para colegas que Hillary Clinton ficava muito nervosa nas tomadas de decisão e que lhe faltava entusiasmo para a disputa presidencial. Os e-mails ainda revelaram que a direção dos Democratas boicotou a campanha de Sanders ao manipular a orientação pró-Clinton de todos os superdelegados, ou seja, delegados escolhidos pela direção do partido e não pela população. Falava também dos negócios entre Wall Street e a Fundação Clinton, fato que geraram suspeitas de “conflitos de interesses”.

    Estas divulgações ocorridas separadamente e em diversas datas ajudaram a eliminar a confortável vantagem que Clinton tinha em relação a Trump nas intenções de voto.  Na época, uma pequena parcela da opinião pública aventou a possibilidade de hackers russos terem fornecido os documentos para a Wikileaks. Contudo, sem provas apresentadas, parecia mais uma tática de campanha ou manifestação do neomacartismo democrata do que outra coisa.

    Em novembro de 2016, após a fatídica eleição de Donald Trump, ocorreram diversas comemorações na Rússia, incluindo no Kremlin e na Duma (parlamento). Putin mandou um telegrama para Trump afirmando que esperava poder trabalhar em conjunto para retomar as boas relações entre EUA e Rússia. Entretanto, um mês após o fim das eleições, a CIA, o FBI e o Departamento Nacional de Inteligência anunciam formalmente que a Rússia se utilizou de cyber-ataques e lobbies para intervir em favor de Donald Trump.

    No dia 29 de dezembro de 2016, Barak Obama expulsou 35 diplomatas russos dos EUA e impôs sanções às agências Diretório Principal de Inteligência (GRU) e ao Serviço Federal de Segurança (FSB), que substituiu a KGB após o fim da URSS. Foram acusados de serem os responsáveis por hackear o comitê de campanha democrata através de cyber-ataques e entregar o material obtido ao WikiLeaks. Contudo, até o momento não havia nenhuma evidência de que Trump e sua equipe estivessem em conluio com os russos ou que tenham sido cúmplices do tal crime.

    Nota-se que é de praxe na política internacional que a expulsão do corpo diplomático de um país seja seguida por uma retaliação igual. A reação de Putin, entretanto, foi a mais inesperada: não apenas permitiu a permanência da diplomacia americana na Rússia, como os convidou para o jantar de ano novo no Kremlin. Afirmou que não faria nada em relação à expulsão de seus diplomatas até assumir o novo presidente dos EUA. 

    Os 100 dias de governo Trump
    Apenas dez dias antes da posse do novo presidente, irrompe um evento bombástico na mídia internacional: o blog “Buzzfeed” publica um relatório secreto da CIA onde constam evidências que Trump sabia da intervenção russa em seu favor e que vem sendo chantageado pela FSB desde 2013.

    Neste relatório, encontra-se um documento elaborado por um ex-espião do MI6, a agência de inteligência da Inglaterra, que teria sido contratado por um setor anti-Trump do próprio partido Republicano, durante as primárias, para investigar o então candidato a presidente.

    A conclusão a que chega o detetive inglês é de que Trump foi chantageado pela inteligência russa, que gravou, através de câmeras e escutas, festas orgiásticas organizadas pelo republicano no hotel Ritz, em Moscou.

    Segundo o documento, esses republicanos que investigaram Trump desistiram de seguir adiante quando viram que seria possível utilizá-lo como ponte para o gabinete da presidência. Mesmo sem apresentar provas, a divulgação desse relatório serviu para colocar fogo no país. Trump afirmou que a divulgação deste tipo de calúnia é uma “tática nazista” do serviço secreto, e passou a negar-se a falar com a imprensa chamada por ele de fake news, como a CNN, NBC, New York Times, entre outros veículos.

    Todas estas especulações e vazamentos sobre a relação de Trump com a Rússia ganharam maior concretude quando Michael Flynn, Conselheiro de Segurança Nacional do novo governo, pediu demissão do cargo antes de completar um mês de mandato. O FBI havia revelado que Flynn mentiu sobre o fato de não ter negociado com o embaixador russo em Washington, Sergei Kislyak, antes de assumir como Conselheiro de Segurança Nacional.

    Na verdade, Flynn se encontrou diversas vezes com o embaixador antes de tomar posse e, em uma delas, conversou sobre as sanções aplicadas por Obama contra a Rússia em 2014, por conta da anexação da Crimeia. Agora, tanto a CIA quanto o FBI, junto com a Câmara e o Senado, estão investigando até onde pode ir a relação de Flynn com os governos estrangeiros, uma vez que ele também já havia trabalhado para a Turquia pouco antes de entrar na campanha de 2016.

    O prosseguimento da investigação sobre Flynn, e sua possível “delação premiada”, podem tornar o governo Trump ainda mais instável do que até agora. E mais. Desde a demissão de Flynn, foram sendo reveladas as ligações de diversos outros membros do gabinete de Trump com a Rússia: Paul Manafort, Carter Page, Roger Stone, Jeff Sessions, D. Trump Jr, Jared Kushner, Rex Tylerson, Betsy DeVos, entre outros muitos membros do alto escalão governamental.

    No último 9 de maio, Trump decidiu demitir o coordenador da investigação, o diretor do FBI James Comey, sob o pretexto dele ter sido “leve” ao tratar do escândalo dos e-mails de Hillary Clinton nas eleições do ano passado. Trump, muito provavelmente, indicará algum novo diretor ligado ao seu círculo político para colocar panos quentes no processo. Sendo ou não verdadeiras estas acusações e todo o mistério de espionagem que remonta à Guerra Fria, uma coisa é certa: elas serviram para alinhar Trump com os interesses da velha elite do partido republicano, o GOP (Great Old Party).

    O establishment do Partido Republicano sempre foi contra as propostas não-intervencionistas de Trump no debate eleitoral de 2016. Tanto Jeb Bush, quanto Mark Rubio e até Ted Cruz do Tea Party eram contrários ao enfraquecimento da OTAN na Europa, à capitulação a Assad na Síria e ao reconhecimento da Crimeia russa, ou seja, as principais propostas não-intervencionistas de Trump. Após a vitória do magnata contra Hillary Clinton, questionava-se qual linha adotaria afinal o novo governo. Ele iria manter as suas promessas ou iria caminhar junto com o complexo industrial-militar-financeiro norte-americano?

    Em seu primeiro mês de mandato, aventou-se a possibilidade de Trump realmente levar a cabo sua proposta de política externa. Foram indicados Michael Flynn, pessoa notoriamente próxima da Rússia, e Steve Bannon, dirigente da extrema-direita americana, para o círculo íntimo militar e de segurança dos Estados Unidos. Ambos extremamente alinhados com a política de Trump. Contudo, a pressão política exercida contra Trump pelo desenrolar das investigações, e a sua utilização pela mídia, tornou a manutenção de pessoas favoráveis a uma aproximação com a Rússia insustentável.

    Tornaria ainda mais verídica a narrativa de que Trump sabia e se utilizou do apoio russo à sua campanha. Flynn foi substituído por uma figura tradicionalíssima do Partido Republicano e alinhadíssima a John McCain, principal opositor republicano de Trump: o general H. R. McMaster. Depois, no começo de abril, Trump demitiu do Conselho de Segurança Nacional seu estrategista de campanha, Steve Bannon, homem responsável pelo site de notícias de extrema-direita, Breitbart. Ou seja, houve uma reorganização significativa na parte relativa à política externa de seu governo.

    Ao mesmo tempo em que há esta reorganização, Trump leva a cabo diversas operações internacionais que estão na contramão do que defendeu em sua campanha. No Oriente Médio, desde fevereiro, foram retomados com força os bombardeios no Iraque, causando mais de mil mortos só em março, e foi despejada a “mãe de todas as bombas”, presumidamente a mais forte depois das nucleares, no Afeganistão.

    Na Síria, como resposta a uma suposta utilização de armas químicas por Assad, o presidente mandou 59 mísseis Tomahawks em bases militares sírias. No Sudeste Asiático, Trump vem causando tensões com a Coréia do Norte ao adotar uma retórica agressiva. Afirmava-se haver acabado a “paciência estratégica” adotada por Obama. E, por fim, desde que assumiu o governo, o fato é que Trump ainda não reconheceu a Crimeia russa e, tampouco, pôs fim às sanções econômicas contra o país.

    Assim, a realidade é que atualmente em todos estes cenários a política de Trump vem esbarrando com a de Putin, em diferentes níveis, a despeito do que era esperado após o debate eleitoral de 2016. Esta adaptação do novo presidente ao GOP republicano, que ocorre mais aceleradamente pelo escândalo que o envolveu, parece tornar cada vez mais improvável a desejada “reaproximação” com a Rússia.

     

  • ‘Estado de exceção’ revela fragilidade da ‘República de Curitiba’

    Por: Evandro Castagna, de Curitiba, PR

    Protesto neste 10 de maio em Curitiba

    Protesto neste 10 de maio em Curitiba

    Com o céu encoberto de nuvens e o tradicional frio de outono de Curitiba, aproximadamente 15 mil pessoas lotam a Praça Santos Andrade. O ato é organizado pela Frente Brasil Popular e tem como objetivo protestar contra o processo que sofre o ex-presidente Lula.

    Pareceria algo comum na Praça que sediou vários protestos, principalmente depois do golpe, se não fossem helicópteros sobrevoando e a presença intimidatória da polícia militar com todo o seu aparato de inteligência no local do ato e nos arredores da cidade.

    Ontem, durante a vinda de centenas de ônibus de todo Brasil a Curitiba, não faltaram esforços para a Polícia Militar, a mando do governador Beto Richa (PSDB), causar a maior confusão na cidade, através de abordagens e revistas desnecessárias a ônibus e ativistas. O mais patético foi a bizarra marcha de soldados da tropa de choque pelas avenidas da cidade, com o objetivo de criar um clima de guerra civil inexistente. Tudo isso, com apoio e cobertura da imprensa, que se omitiu vergonhosamente diante do ataque fasci-nazista ao acampamento do MST ao lado da rodoviária.

    Aparato policial ´ostensivo em Curitiba Foto: Francisco Proner / Mídia NINJA

    Aparato policial ´ostensivo em Curitiba Foto: Francisco Proner / Mídia NINJA

    Passado pouco mais de um ano do golpe institucional que derrubou Dilma Roussef (PT) e colocou Michel Temer (PMDB) no poder, a República de Curitiba ‘está nua’. A tentativa de demonstrar força através do desproporcional aparato repressivo demonstra toda a fragilidade da direita da cidade. Já não conseguem mobilizar quase ninguém pra defender Sérgio Moro, que cada vez mais mostra sua cara reacionária e imperialista.

    Fica cada vez mais óbvio para a população de Curitiba e de todo o país que a Operação Lava Jato tem objetivos políticos.  Tem o objetivo de acelerar os ataques aos direitos e salários dos trabalhadores, através das reformas da Previdência e Trabalhista, da antiga PEC 55, Reforma do Ensino Médio e do projeto ‘Escola com Mordaça’ para, assim, criar as condições necessárias para que o capital internacional se instaure no país, se utilizando de mão-de-obra barata sem garantias de direito trabalhista nenhum.

    Saiba Mais

    Sobre o depoimento de Lula em Curitiba

    Mais uma vez, um ‘estado de sítio’ em Curitiba

    Acampamento do MST em apoio a Lula é alvo de ataque, em Curitiba

  • Reforma da Previdência é aprovada em Comissão e seguirá para Plenário da Câmara dos Deputados

    Da Redação

    Foi concluída e aprovada na noite desta terça-feira (09), a votação do projeto de Reforma da Previdência (PEC 287/16), pela Comissão Especial da Reforma da Previdência da Câmara dos Deputados. Foram analisados dez destaques. A proposta agora deve seguir para votação no Plenário da casa. Para ser aprovada, precisa de 308 votos em cada um dos dois turnos necessários para validação da votação.

    O projeto de Reforma da Previdência tem ampla impopularidade e vem sendo alvo de protestos em todo o país. Nos últimos dias 15 e 31 de março foram realizadas manifestações na maioria das grandes cidades brasileira, em oposição à proposta. No dia 28 de abril as centrais sindicais em conjunto com as frentes Brasil Popular, Povo Sem Medo e Esquerda Socialista, além de diversos movimentos sociais protagonizaram uma greve geral no Brasil que tinha também como um dos centros a oposição às reformas do governo de Michel Temer (PMDB). Para o dia 24 de maio, as centrais sindicais aprovaram nova mobilização nacional em Brasília, em protesto contra o projeto. Mesmo assim, governo e Congresso tentam impor a todo custo as mudanças que impactarão negativamente a vida de milhões de brasileiros. 

    Brasília - O relator, deputado Arthur Maia e o presidente da comissão especial da reforma da previdência, deputado Carlos Marun durante sessão para votação de destaques (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

    Brasília – O relator, deputado Arthur Maia e o presidente da comissão especial da reforma da previdência, deputado Carlos Marun durante sessão para votação de destaques (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

    Dos dez destaques apresentados à Comissão em substitutivo ao relator, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), nesta terça-feira (9), apenas um foi aprovado. Visa manter as ações contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na Justiça estadual. Na proposta original as ações seriam transferidas para a Justiça Federal.

    O cálculo da aposentadoria e das pensões, tempo mínimo de contribuição de 25 anos, mudanças nas aposentadorias rurais e benefícios assistenciais passaram por discussão em cima dos destaques dos parlamentares, mas seguirão para o plenário de acordo com a proposta apresentada pelo relator.

    O PSOL chegou a defender que a reforma passasse por referendo popular para aprovação, o que também foi rejeitado pelos deputados.

    Caso a PEC da Reforma da Previdência for aprovada, os dois limites, de idade e tempo de contribuição deverão ser cumpridos. Homem terá uma idade mínima de 65 e a mulher de 62 anos. O tempo mínimo também muda. Será equivalente para homens e mulheres, de 25 anos. Outras mudanças também ocorrerão e atingem especificamente, por exemplo, trabalhadores rurais, entre outras categorias. Leia a íntegra da proposta.

    Foto: Brasília – Sessão da comissão especial da reforma da previdência para votação de destaques (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

  • Nelson Xavier e a arte política no Brasil

    Por: Mariana Mayor*, atriz, pesquisadora e professora de História do Teatro Brasileiro

    Nesta quarta-feira (10), recebemos a triste notícia da morte do ator, diretor e dramaturgo Nelson Xavier, de 75 anos, em decorrência de um câncer no pulmão. Morre poucos dias depois de Belchior, e de outros tantos dessa geração de importantes artistas da década de 60 e 70.

    Nelson Xavier, nos últimos anos, ficou conhecido pela sua atuação no filme espírita sobre a vida de Chico Xavier, e de suas participações em novelas da Rede Globo. Mas não por acaso, pouco se fala de seu passado de intensa participação no Teatro de Arena e no Cinema Novo. Para nós, essa é uma memória que interessa ser resgatada e preservada.

    Nelson Xavier (na frente), Flavio Migliaccio e Milton Goncalves na peca 'Chapetuba Futebol Clube', do Teatro de Arena. foto: Hejo/Cedoc-Funarte

    Nelson Xavier (na frente), Flavio Migliaccio e Milton Goncalves na peca ‘Chapetuba Futebol Clube’, do Teatro de Arena. foto: Hejo/Cedoc-Funarte

    Natural de São Paulo, ainda bem jovem entrou na Escola de Artes Dramáticas (EAD) e, logo depois de formado, ingressou no Teatro de Arena, participando de um dos movimentos mais importantes da dramaturgia nacional: o Seminário de Dramaturgia do Teatro de Arena, espaço profícuo de experimentações formais e temáticas sobre a realidade brasileira. Nelson como ator, integrou o elenco das peças “Eles não usam-black-tie”, “Chapetuba Futebol Clube”, “Revolução na América do Sul” e “O Testamento do Cangaceiro”, entre outras peças do Arena.

    Edição da Expressão Popular Foto: Reprodução

    Edição da Expressão Popular
    Foto: Reprodução

    Em 1961, escreve, com coautoria de Augusto Boal e colaboração de Modesto Carone, Hamilton Trevisan e Benedito Araújo a peça “Mutirão em Novo Sol”, sobre a rebelião do Arranca Capim, liderada por Jôfre Corrêa Netto. A rebelião de camponeses, que havia ocorrido no município de Santa Fé do Sul, em São Paulo, em 1959, contra os desmandos e explorações de fazendeiros locais, ganhou repercussão nacional e criou em torno de Jôfre a imagem de agitador político, comparado pela imprensa local à Fidel Castro. Jôfre foi preso, e assim que conseguiu um habeas corpus, Nelson, juntamente com Boal, Carone, Trevisan, Araújo, Chico de Assis e Vianninha esperaram sua saída da prisão, no dia 1º de janeiro daquele ano, para recrutá-lo e entrevistá-lo.

    Da conversa com Jofre foi criada a dramaturgia da peça, totalmente experimental, na forma de julgamento, com elementos épicos, canções e em defesa aberta de Jôfre e da luta camponesa. A peça foi apresentada no I Conferência de Lavradores do Estado de São Paulo, pelo CPC Paulista. Em 1962, Nelson dirigiu a montagem de “Mutirão” em Recife junto ao núcleo de teatro no Movimento de Cultura Popular do Recife. O MCP, como ficou conhecido, foi criado no governo de Miguel Arraes, em 1959, e colocou em prática um programa de alfabetização em massa coordenado por Paulo Freire. O MCP se tornou referência também na articulação entre arte e política da época, influenciando a criação e desenvolvimento do o Centro Popular de Cultura da UNE, uma organização cultural formada por jovens artistas e estudantes revolucionários, muitos deles saídos do Teatro de Arena.

    osfuzis04Nelson nesse mesmo período participa como ator do filme “Os fuzis”, de Ruy Guerra, lançado em 1964, filme importantíssimo na história do cinema brasileiro, de temática também camponesa, como muitas obras que foram criadas nesse momento histórico. É ator também dos filmes “Os deuses e os mortos”, e “A queda”, de 1976, ambos de Ruy Guerra e este último também dirigido em parceria com Nelson Xavier, uma espécie de continuação urbana de “Os fuzis”.

    Em 1964, participou como diretor de todo o processo de criação da peça “Os Azeredo mais os Benevides”, de Vianninha, que estrearia pelo Centro Popular de Cultura da UNE, mas que foi brutalmente interrompida pelo Golpe Militar. O prédio da UNE na virada do dia 31 de março para o dia 01 de abril foi incendiado, e em seguida começou a repressão a todo tipo de arte que se ligava a movimentos sociais.

    Esse projeto de repressão não se deu somente com a perseguição de artistas e militantes, mas também pelo extermínio da memória desse período. É simbólico o depoimento do cineasta Orlando Senna que no pós- 64 foi torturado pelos militares e durante sua tortura, os militares picotaram a única cópia do filme documentário dirigido por ele e por Geraldo Sarno para a montagem de “Mutirão em Novo Sol” na Bahia.

    No lançamento do livro “Mutirão em Novo Sol”, em São Paulo, no estúdio da Companhia do Latão , no final de 2015, Nelson Xavier estava presente e, emocionado, disse que depois do golpe “ficou desbaratinado”: todos os seus planos e expectativas artísticas e políticas estavam suspensas.

    Os sonhos dessa geração foram destruídos em 1964. A memória de sua intensa produção artística também. Cabe a nós refazer as pontes e conexões com esse momento histórico. Compartilhamos do mesmo sonho e sabemos da importância de seu legado. Nelson Xavier, presente!

    Foto: Divulgação

  • Mais uma vez, um ‘estado de sítio’ em Curitiba

    Por: Eric Gil Dantas, de Curitiba, PR

    A última vez que sentiu-se um ar de tamanha tensão na capital paranaense foi nos dias que antecederam o 29 de abril de 2015, quando Beto Richa atirou bomba de gás lacrimogêneo e balas de borracha por duas horas e meia em cima de professores e outros funcionários públicos estaduais para poder usurpá-los o dinheiro da ParanaPrevidência. O motivo agora é outro, o ‘duelo’ entre o ex-presidente Lula e o juiz federal Sergio Moro.

    Protesto neste 10 de maio em Curitiba

    Protesto neste 10 de maio em Curitiba

    Na última semana, não se falava de outra coisa na cidade, senão a vinda de Lula para depor. Nas redes sociais, a mesma coisa. A Gazeta do Povo, maior jornal da cidade, até abriu mão dos protocolos de pseudo-imparcialidade, sempre cobrado dos jornais, para reproduzir textos de Rodrigo Constantino e escrever matérias tão duvidosas quanto. Seu portal virou praticamente a página do MBL.

    O circo montado pela Justiça, Secretaria de Segurança e apoiadores da Lava Jato já está de pé em Curitiba. Os últimos até espalharam inúmeros outdoors pelas ruas da cidade onde estamparam uma caricatura de Lula vestido de presidiário dando “boas-vindas à República de Curitiba”. Já as forças de repressão, apoiadas pela Justiça estadual, montaram um verdadeiro aparato policialesco, impedindo a entrada de pessoas em um raio de 150 metros da Justiça Federal, que se localiza no antigo bairro do Ahú, a poucos quilômetros do Centro.

    Bloqueio policial próximo à Justiça Federal

    Bloqueio policial próximo à Justiça Federal

    Uma juíza estadual também impediu que fossem montados acampamentos, o que foi desobedecido pelo MST entre a noite de ontem e a manhã de hoje, quando acamparam em um terreno ao lado da Rodoferroviária. De forma covarde, este acampamento foi atacado por fascistas que atiraram rojões – de cima de um viaduto próximo – nos membros do MST, nesta madrugada.

    Além do MST, petroleiros se juntarão a protesto

    Além do MST, petroleiros se juntarão a protesto

    Mas, não só o MST marcará presença hoje em Curitiba. Diversos sindicatos, principalmente de base cutista (CUT), como os petroleiros do ABC paulista, que já chegaram ou estão chegando aqui também farão parte dos protestos. Os militantes do MST rumaram para um ato que já tem a adesão de algumas milhares de pessoas na praça Santos Andrade, no Centro, onde está localizado o prédio histórico da Universidade Federal do Paraná. No entanto, o ato principal ocorrerá apenas ao final da tarde, na Boca Maldita, onde esperarão a presença do ex-presidente para o seu discurso, presença ainda não confirmada.

     

     

    Nós não estaremos como organização política nestes atos, pois não acreditamos no apoio ao programa petista, mas cobriremos para que o Esquerda Online possa subsidiar os militantes da esquerda a discutirem o que realmente está ocorrendo aqui e, a partir daí, tirar conclusões sem depender dos jornais totalmente alinhados com a direita tradicional paranaense.

    Praça Santos Andrade recebe apoiadores de Lula

    Praça Santos Andrade recebe apoiadores de Lula


    Saiba Mais

    Sobre o depoimento de Lula em Curitiba

    Acampamento do MST em apoio a Lula é alvo de ataque, em Curitiba


    Fotos: Esquerda Online
    Foto de capa: Francisco Proner / Mídia NINJA

  • Acampamento do MST em apoio a Lula é alvo de ataque, em Curitiba

    Da Redação

    O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) organizou um acampamento em Curitiba em apoio ao ex-presidente Lula, que foi convocado para prestar depoimento pelo juiz Sérgio Moro, nesta quarta-feira (10). Durante a madrugada, o local foi alvo ataques com rojões e bombas que deixaram ao menos duas pessoas feridas. O conteúdo foi filmado pela página Jornalistas Livres.

    O ataque teria iniciado por volta das 0h30 e seria atribuído a cinco homens. O alvo direto dos rojões eram as barracas onde dormiam os militantes do MST. Ao menos quatro delas foram danificadas pelo fogo dos artefatos. Um dos atingidos teve a bomba estourada próximo à cabeça e chegou a ser encaminhada ao hospital.

    “Uma bomba estourou perto da minha barraca. Por pouco não me feri. Mas duas pessoas ficaram machucadas”, disse o membro do MST Claudecir Maganha, de 25 anos, que veio do município de Quedas do Iguaçu.

    O coordenador da Frente Brasil Popular Raimundo Bonfim repudiou a ação. “É um ato fascista contra um movimento que é pacífico. Depois nós é que somos os baderneiros”, disse.

    Entenda

    Nesta quarta-feira, 10 de maio, Lula irá prestar o primeiro depoimento presencial diante do Juiz Sérgio Moro. A capital do Paraná, Curitiba, é a sede da Operação Lava Jato, um projeto em curso com evidentes interesses políticos, econômicos e ideológicos.

    O Esquerda Online divulgou nesta quarta-feira (10), um editorial sobre o tema, onde explica, entre outras coisas, o por quê de ser contra a prisão de Lula, mas não estar presente nos protestos de Curitiba. “Estamos totalmente contra a prisão ou cassação dos direitos políticos de Lula. Mas não somos petistas, não apoiamos o projeto político de Lula e do PT. Defender liberdades democráticas não é o mesmo que fazer a defesa política de um projeto”, diz o editorial.

    Ainda, sobre os protestos, diz: “Não participaremos dos atos que ocorrerão hoje em Curitiba, temos outro projeto político e nenhum acordo com a defesa política dos mandatos do PT, ou da candidatura de Lula em 2018. Mas, não temos nenhum acordo com qualquer tipo de repressão. A extrema-direita divulgou imagens do treinamento da Tropa de Choque e do enorme aparato repressivo que está sendo preparado na capital paranaense. Repudiamos as restrições impostas até aqui, as perseguições nos ônibus que transportam as caravanas e qualquer tipo de violência por parte da Polícia Militar e do Estado em geral. A militância do PT e de todas as forças da Frente Brasil Popular têm o direito democrático de se manifestarem livremente sem a intimidação e a repressão policial”.

    Leia, na íntegra

    Sobre o depoimento de Lula em Curitiba

    Fotos: Francisco Proner / Mídia NINJA

  • Sobre o depoimento de Lula em Curitiba

    EDITORIAL 10 DE MAIO

    Nesta quarta-feira, 10 de maio, Lula irá prestar o primeiro depoimento presencial diante do Juiz Sérgio Moro. A capital do Paraná, Curitiba, é a sede da Operação Lava Jato, um projeto em curso com evidentes interesses políticos, econômicos e ideológicos.

    A grande mídia não esconde sua parcialidade e faz das acusações contra Lula e o PT um espetáculo nacional. A Revista Veja exibe Moro e Lula com máscaras de super heróis. A Época apresenta três mil evidências contra Lula. Sim! Três mil. Ontem o Instituto Lula foi fechado por uma decisão judicial arbitrária de frágil fundamentação jurídica. Até agora são 267 réus na Lava Jato, mas nenhum deles teve tanta cobertura midiática e julgamento pré – estabelecido quanto Lula.

    Estamos totalmente contra a prisão ou cassação dos direitos políticos de Lula. Mas não somos petistas, não apoiamos o projeto de conciliação de classes defendido e aplicado por Lula e pelo PT. Defender liberdades democráticas não é o mesmo que fazer a defesa política de um projeto.

    O projeto petista precisa ser superado pela esquerda. Engana-se quem pensa que a Lava Jato é um atalho neste sentido. Ao contrário, a operação é parte de uma ofensiva reacionária que precisamos combater, sob pena de assistirmos a destruição de direitos políticos, sociais e trabalhistas da classe trabalhadora.

    O espetáculo em Curitiba
    A extrema-direita acusa o PT de fazer de Curitiba um palco político, ou nas palavras da Revista Veja um espetáculo de “Lucha Libre”. A verdade é justamente o oposto. Sob o comando do Juiz Sérgio Moro, as conduções coercitivas, os depoimentos, os acordos de delação premiada, as prisões preventivas são espetáculos midiáticos, e não apenas atos de um processo de investigação criminal.

    Para os procuradores e juízes: toda a liberdade. A Lava Jato é conduzida num verdadeiro regime de exceção. Para aqueles que querem se manifestar neste 10 de maio: repressão e intimidação.

    Não participaremos dos atos que ocorrerão hoje em Curitiba, temos outro projeto político e nenhum acordo com a defesa política dos mandatos do PT, ou da candidatura de Lula em 2018. Mas, não temos nenhum acordo com qualquer tipo de repressão. A extrema-direita divulgou imagens do treinamento da Tropa de Choque e do enorme aparato repressivo que está sendo preparado na capital paranaense. Repudiamos as restrições impostas até aqui, as perseguições nos ônibus que transportam as caravanas e qualquer tipo de violência por parte da Polícia Militar e do Estado em geral. A militância do PT e de todas as forças da Frente Brasil Popular têm o direito democrático de se manifestarem livremente sem a intimidação e a repressão policial.

    Lula chefe da quadrilha?
    Lula é acusado de ser chefe de uma quadrilha. Junto a essas acusações está a fundamentação de que o PT seria uma organização criminosa. Somos contra essas acusações a Lula e ao PT.

    O processo apoia-se em centenas de delações dos executivos das principais empreiteiras do país. Nos depoimentos ficam nítidas as relações totalmente absurdas que o PT estabeleceu com o empresariado brasileiro. Mas essas relações não são uma inovação dos petistas, não são obra de uma quadrilha que chegou ao poder em 2002 e tentou perpetuar-se infinitamente. As relações entre as grandes empresas e a grande maioria dos políticos, entre interesses públicos e privados, são típicas do atual sistema, mais antigas que o próprio regime de 88.

    O grande crime do PT foi ter “entrado no jogo da burguesia”, ter-se adaptado ao regime e à institucionalidade ao ponto de envolver-se até mesmo nos grandes esquemas de corrupção da burguesia brasileira. A relação degenerada entre construtoras e Estado Brasileiro vem desde a ditadura militar.

    A hipocrisia é tamanha que o Instituto Lula foi fechado hoje por decisão judicial, mas a Odebrecht continua funcionando livremente e lucrando à vontade. A Lava Jato condena o sistema político, mas preserva as empresas corruptoras. Não poderá haver qualquer mudança positiva no regime que venha dos procuradores de Curitiba ou do poder judiciário. Ao contrário, o que estamos vendo são mudanças reacionárias, mais restrições democráticas e o desenvolvimento de um processo de exceção com apoio da grande mídia.

    Não seria possível o golpe parlamentar sem a Lava Jato, e não são necessárias muitas linhas para explicar a importância chave que o golpe teve para aplicação das reformas. Os fatos falam por si, Temer é peça fundamental do ataque histórico que está sendo desferido contra os trabalhadores. Já passa da hora de enxergar a realidade de frente.

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    Mais uma vez, um ‘estado de sítio’ em Curitiba

    Foto: Theo Marques / Fotoarena

  • Israel recorre a ‘guerra psicológica’ para tentar quebrar greve de fome palestina

    Por: Editoria Mundo

    A greve de fome de 1500 presos políticos palestinos está em seu 23º dia e entra em um momento delicado, pois enfrentam a férrea repressão e a tentativa de desmoralização por parte de Israel. A saúde dos presos, alguns doentes e de avançada idade, começa a se deteriorar rapidamente. É necessária uma ação solidária rápida.  Para atualizar a situação, publicamos artigo de Charlotte Silver, originalmente publicado hoje pelo Electronic Intifada e publicado em português pelo Portal de la Izquierda, a quem agradecemos a autorização da publicação.

    Tradução: Maíra T. Mendes

    Mais de 1.500 prisioneiros palestinos entraram nesta segunda-feira na quarta semana sem comida, enquanto Israel intensifica seus esforços para quebrar a greve de fome.

    Os presos em greve exigem melhorias nas suas condições, o fim do confinamento solitário, das pesadas restrições às visitas familiares e à detenção administrativa – prisão prolongada sem acusação ou julgamento.

    Israel se recusou a negociar ou discutir as demandas dos grevistas de fome, referindo-se aos prisioneiros como terroristas e chamando a greve de uma manobra de mídia.

    Enquanto isso, o Serviço Prisional de Israel está tentando desmoralizar seus participantes e seus apoiadores.

    Ameaças de alimentação forçada
    A mídia israelense informa que o governo está considerando trazer médicos estrangeiros para forçar potencialmente os grevistas da fome.

    A Associação Médica Israelense está de acordo com a opinião médica global de que a alimentação forçada “nunca é eticamente aceitável”, como é declarado na Declaração de Malta da Associação Médica Mundial, e é equivalente à tortura.

    Em um comunicado divulgado no sábado, os grevistas disseram que “nós enfatizamos que qualquer tentativa de implementar o crime de alimentação forçada contra qualquer prisioneiro em greve de fome significará para nós um projeto de execução dos prisioneiros”.

    Nos anos 70 e 80, prisioneiros palestinos em greve de fome morreram como resultado de terem sido submetidos à alimentação forçada, de acordo com o grupo de direitos Addameer.

    “Guerra psicológica”
    No domingo, Israel lançou imagens dizendo que o líder da greve da fome, Marwan Barghouti, estava comendo doces na tenda de banheiro de sua prisão em 27 de abril e 5 de maio.

    Os vídeos têm marca de horário, mas não puderam ser verificados independentemente.

    Fontes do Serviço de Prisões de Israel disseram ao jornal Haaretz de Tel Aviv que intencionalmente armaram para Barghouti.

    As autoridades israelenses tentaram desacreditar Barghouti desde que ele lançou a greve de fome em massa no mês passado, lançando o protesto como uma manobra política para afirmar sua popularidade e competir pela liderança da Autoridade Palestina.

    O ministro da Segurança Pública, Gilad Erdan, que pressionou pela legalização da alimentação forçada em 2015, chamou Barghouti de “assassino e hipócrita”.

    “A greve de fome dos prisioneiros palestinos não tem nada a ver com suas condições de prisão e tudo a ver com o interesse político de Marwan Barghouti”, afirmou Erdan no domingo, repetindo as alegações que ele fez no The New York Times na semana passada.

    O advogado de Barghouti chamou o vídeo de “guerra psicológica” contra os prisioneiros.

    “Nós não podemos nos referir ao conteúdo do clipe, já que eles não nos deixam encontrar com Marwan. Vamos visitá-lo e depois vamos verificar as reivindicações com ele “, disse o advogado.

    A esposa de Barghouti, Fadwa Barghouti, disse que o vídeo foi um movimento “baixo” de Israel.

    “Os prisioneiros estão familiarizados com as mentiras e jogos de Israel e o vídeo que lançaram sinaliza o início de sua queda”, disse ela em uma conferência de imprensa no domingo.

    Punição
    Depois de quase três semanas recusando-se a permitir que os grevistas de fome se reunissem com seus advogados, em 3 de maio o Serviço Penitenciário de Israel foi informado pela alta Corte que a prática era ilegal.

    No fim de semana, os advogados se encontraram com os detidos nas prisões de Ketziot e Nitzan pela primeira vez desde que a greve começou.

    Em Ketziot, advogados relataram que vários de seus clientes eram incapazes de andar ou ficar de pé.

    Além do aumento dos ataques e das transferências para o confinamento solitário, Israel também começou a pegar dinheiro das contas dos encarcerados.

    Em resposta, a Autoridade Palestiniana anunciou que deixaria de pagar subsídio aos prisioneiros. Este dinheiro é usado para compras na conveniência da prisão, incluindo sal, um nutriente vital para os grevistas de fome.

    De acordo com advogados que visitaram Ketziot, as autoridades penitenciárias negaram aos prisioneiros o acesso à conveniência e começaram a multá-los por não se levantarem durante a chamada.

    Um comitê formado para apoiar a greve de fome está pedindo à Autoridade Palestina para interromper a coordenação de segurança com Israel e suspender as eleições municipais agendadas para 13 de maio.

    Existem cerca de 6.300 prisioneiros palestinos presos por Israel, de acordo com o grupo de direitos Addameer.