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Grande Imprensa na Greve Geral: Omissão da informação e distorção dos fatos para convencer o povo

Por: Lucas Fogaça, de Porto Alegre, RS

A Grande Imprensa representa os interesses e a visão de mundo da classe dominante. Os grandes veículos de comunicação são de propriedade de bilionários como a Família Marinho, por exemplo, uma das mais ricas do Brasil. Atuam sistematicamente para convencer a classe trabalhadora de que o que diz o governo e os empresários é o certo. Que não há outra saída para a crise, senão aprovar as reformas. Assim, fizeram de tudo para derrotar a greve geral do dia 28 de abril. E agora, para diminuir o impacto e as conclusões que o povo pode chegar.

Acompanhando com regularidade a TV Globo e os dois principais jornais do país – Folha de São Paulo e Estadão – ficou nítido que tiveram 3 posturas perante a Greve Geral.

Antes da Greve Geral: boicote e omissão da informação

Por mais que centenas de categorias tivessem anunciado que fariam greve no dia 28 e milhares de cidades já tivessem marchas e protestos marcados, a grande imprensa boicotou essa informação. Não queriam dar visibilidade à greve, não queriam que esse fosse o assunto comentado nos locais de trabalho, estudo e moradia. Pensavam em derrotar a Greve Geral omitindo a informação sobre ela.

Não deu certo. A greve geral foi um sucesso e a grande mídia teve que se adaptar a esta realidade, abrindo uma nova postura.

No dia da Greve Geral: distorção dos fatos 

Como a Greve Geral foi enorme, eles não puderam mais esconder. Então, para derrotar o movimento dos trabalhadores contrários às reformas e ao próprio Governo Temer, saíram do silêncio sobre a greve para a distorção dos fatos e a disputa da consciência do povo. Ao invés de informar que a greve estava tendo um nível de adesão massiva e que as capitais e as principais cidades do país estavam de fato paradas como de fato ocorreu, passaram a lutar para convencer a população de que a greve foi menor do que o esperado, que os atos estavam pequenos e que em algumas cidades era uma sexta-feira normal, distorcendo completamente os fatos.

Ao mesmo tempo, focaram nas pessoas que eram contra, ou foram prejudicadas pela greve, não importa se eram uma em cem. Depois, começaram a abrir uma nova posição: a Greve Geral foi violenta e só ocorreu porque um grupo de sindicalistas parou o país à força. Subentende-se à revelia do desejo da população, o que é uma mentira deslavada.

Após a Greve Geral: disputa pelas conclusões da Greve Geral

Hoje, 29 de abril, a Greve Geral já acabou. Mas, os capitalistas, através da grande imprensa, lutam com todas as suas forças para derrotar as lições que os trabalhadores podem tirar sobre a Greve Geral. Seguem, portanto, numa campanha de omissão das informações e distorção dos fatos. Vejam as capas dos jornais de hoje, 29 de abril:

greve geral verdade

O Globo – “Protesto de centrais afeta transportes e tem violência: sindicalistas bloqueiam vias e estradas. No Rio, ônibus foram queimados”.
Foto de ônibus queimados.

Folha de São Paulo – “Greve atinge transportes e escolas em dia de confronto: Atos de ruas contra reformas de Temer foram pontuais e aeroportos funcionaram normalmente”.

Fotos de um trem vazio e foto recortada no sentido de minimizar o tamanho de uma manifestação em SP.

Estadão: “Greve afeta transporte e comércio e termina com atos de vandalismo”.
Fotos de Black Blocs quebrando vidraças de bancos, de uma rua vazia e de um ônibus queimado.

A burguesia brasileira, através dos veículos de comunicação oficiais, de forma sutil quer dizer que os trabalhadores não foram sujeitos da greve. Foram greves de sindicalistas e das centrais sindicais em defesa do imposto sindical, segundo eles. Depois, querem nos convencer de que não foram os rodoviários e metroviários que paralisaram os transportes, mas as centrais impediram estes trabalhadores de realizar suas atividades. E que mesmo tendo sido “menor do que o esperado” só houve Greve Geral porque o transporte não funcionou, isto é, omitem que petroleiros, metalúrgicos, pedreiros, professores, bancários, estudantes, pararam o país.

As fotos também são excelentes ferramentas de convencimento: ao invés de mostrarem as cidades paralisadas , as marchas gigantes e os belíssimos exemplos de solidariedade e coletividade do povo, mostram ônibus queimados, vidraças quebradas e pequenos protestos. De forma nada sutil, querem isolar o movimento grevista do restante da população, dizendo que os manifestantes são violentos e que a principal ação feita foi o “vandalismo”. Importante afirmar que as ações de quebras de vidraças de bancos e outros bens é amplamente repudiada pela maior parte do movimento real dos trabalhadores. A Grande Imprensa esquece essa informação deturpando os fatos.

E não tendo mais ao que recorrer, voltam à campanha da “necessidade das reformas para tirar o país da crise” (onde dizem “o país” leia-se “burguesia”). E que o governo e o Congresso está firme na aprovação das reformas

As conclusões deles e as nossas

A burguesia com seus representantes nos veículos de comunicação não tem outra saída. Não podem apoiar o movimento, pois o movimento é contra seus próprios interesses. Ao mesmo tempo, não arriscam qualquer apoio crítico para tentar entrar no movimento e desviá-lo, tal como conseguiram no final de junho de 2013. Dessa vez, há uma direção mais clara e uma consciência muito mais madura. E quando se colocam frontalmente contra o movimento, perdem popularidade e abrem espaço para os veículos de comunicação que têm compromisso com os fatos e que se colocam de braços abertos para canalizar a voz e o sentimento daqueles que estão lutando. Não é por outro motivo que sites da imprensa alternativa como Mídia Ninja, Esquerda Online, Brasil de Fato, Rede Brasil Atual e Esquerda Diário, entre outros, serviram como fonte direta de informação e divulgação para milhões no dia de ontem.

É preciso abrir uma discussão sobre o papel cumprido pelos grandes veículos de comunicação no Brasil. Os governos do PT não enfrentaram o monopólio da Rede Globo, Grupo Abril, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo e outros poucos veículos de comunicação que atuam com concessões públicas como a TV mas sem nenhum compromisso sério com a informação e os direitos do povo brasileiro. Na verdade, continuaram durante mais de 10 anos pagando milhões de propaganda para a grande mídia reforçando seu monopólio da informação. A Esquerda precisa de um programa para enfrentar os interesses desses grupos de comunicação.

O dia de ontem provou que fizemos uma enorme Greve Geral, como há décadas não se via no país. E provou que a unidade dos trabalhadores e dos movimentos sociais foi determinante. Provou, também, que o governo e a maioria do Congresso são falsos representantes, pois não representam os interesses do povo e que a repressão será uma arma fundamental de Temer e dos empresários para impedir que a nossa luta cresça. Mas, não devemos temer, uma nova esperança reacendeu o coração e a mente de milhões. Uma nova greve geral deve ser marcada imediatamente e mais uma vez a classe trabalhadora vai parar o Brasil contra os ataques e pelo #ForaTemer!