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EDITORIAL

Crítica à tentativa de atentado contra o Ministério Alemão das Finanças

Por: Eduarda Johanna Alfena, de Campinas, SP

Conforme noticiado pelo Deutsche Welle, grande portal de notícias alemão, nesta última quarta-feira, dia 15, foi descoberto um pacote-bomba endereçado ao ministro alemão das finanças, Wolfgang Schäuble.

Quem é Wolfgang Schäuble

Wolfgang Schäuble, formado em direito e economia pelas Universidade de Freiburg, e Universidade de Hamburg, é filiado, desde 1965, no partido União Democrática Cristã, de Centro-Direita conservador. É ministro das finanças desde 22 de novembro de 2005, ainda no primeiro governo da chanceler Angela Merkel, até hoje, no terceiro mandato seguido dela.

Schäuble é uma das principais figuras por trás das políticas de austeridade impostas à Grécia e aos outros países endividados da Zona do Euro (grupo de países da União Europeia que usam a moeda única, o euro).

Sobre o ocorrido

Às 9h30, horário de Berlin, um pacote passava, como de praxe, pelo raio-x da agência de Correios do ministério. Foram percebidos estranhos fios de metal e a polícia foi acionada. Um setor do prédio teve que ser evacuado. Foi descoberta grande quantidade de material usado em fogos de artifício, que são substâncias altamente explosivas.

A autoria do ataque foi assumida por um grupo grego que se assume como extrema-esquerda, a Conspiração das Células de Fogo.

O atentado não ajudaria o povo grego

Logicamente, a agressiva política de austeridade da “Frau” Merkel e do “Herr” Schäuble é deplorável, um ataque ao povo trabalhador principalmente dos países endividados da União Europeia, em particular da Grécia. Apesar disso, é completamente errônea a tentativa de assassinato do mesmo.

Em primeiro lugar, Schäuble é um forte agente da burguesia alemã e europeia. Entretanto, essa burguesia não seria prejudicada com a morte dele. Se ele morresse, bastaria a Chanceler Federal nomear outro ministro em seu lugar. O capitalismo deve ser destruído pela classe trabalhadora em seu conjunto e não pela morte individual de seus representantes.

Segundo, existem trabalhadores no ministério das finanças que em nada influenciam nas decisões dele, muito menos da Merkel. A explosão desta bomba poderia ferir ou matar outras pessoas que em nada têm a ver com a política cretina que ele faz. A substância é volátil e poderia ter explodido na mão de um trabalhador do Correio, ou de uma funcionária do prédio, por exemplo.

Terceiro, qualquer dano ao prédio só fará o governo alemão gastar mais dinheiro para reconstruir. Dinheiro que poderia ser investido em várias outras áreas mais importantes.

Mas, o mais importante é que essa ação foi isolada, não envolvendo o proletariado grego e suas organizações.

A Sra. Frauke Petry, presidenta do partido fascista “Alternativa” (leia-se: “Barbárie Nazista”) para a Alemanha (AFD), e seus comparsas do nazista NPD (Partido “Nacional Democrático” da Alemanha) estão dando pulos de alegria, pois isso será muito útil nas suas campanhas de demonização da esquerda.

Isso é semelhante ao que ocorreu no antigo Império Russo, após a derrota deste na Guerra da Crimeia. O Tsar Alexandre II iniciou uma série de reformas na Rússia, inclusive um projeto de Constituição e um parlamento eleito. Assim, a Rússia deixaria de ser uma monarquia absolutista.

Porém, o tsar foi assassinado com uma bomba e quem assumiu então, foi seu filho, que se tornou o Tsar Alexandre III, que iniciou uma violenta fase repressiva. Alexandre III imediatamente desandou todas as reformas, o que fez com que a Rússia continuasse como monarquia absolutista até 1905, no Governo de seu filho, Nicolau II. Um irmão de Lênin inclusive foi perseguido e preso por conta do assassinato de Alexandre II.

Acredito que somente o conjunto do povo deve decidir sobre quais meios usar na Revolução, não um pequeno grupo isolado. A revolução deve ser uma luta contra a classe inimiga do proletário, que é a burguesia, e não vitimar proletários no caminho.

Foto: http://www.sigmalive.com/en/news/greece/130658/schaeuble-denies-rift-with-merkel-over-greece