Cinco anos sem Domitila Chungara: líder do movimento de mulheres que impulsionou queda da ditadura boliviana



Por: Tais Zapalla, de São Paulo, SP

Há cinco anos, morria Domitila Chungara, a líder de um dos movimentos de mulheres mais importantes e inspiradores do século XX. Domitila organizou centenas de donas de casa mineiras na Bolívia, durante a ditadura militar, após ser torturada grávida até perder seu filho pela mão dos militares.

Em 1977, quatro donas de casas bolivianas começaram uma greve de fome para exigir eleições gerais e anistia política aos exilados. Milhares de bolivianos se somaram ao movimento liderado por Chungara, até derrubarem o governo ditatorial de Hugo Bánzer. Historiadores afirmam que este movimento foi o principal pressionador para que a ditadura fosse derrotada anos depois.

A líder feminina de um dos principais movimentos contra ditadura da segunda metade do século XX tinha muita convicção do papel das mulheres dona-de-casa e esposas dos mineiros. Ela sabia que o trabalho doméstico que realizavam era uma extensão do trabalho que seus maridos faziam nas minas, e que igualmente estavam sendo exploradas ao, através daquele trabalho não pago, criar as condições para que seu companheiros e filhos voltassem às minas no dia seguinte. Também por isso, afirmava que os homens não eram seus inimigos, mas sim os governos e aqueles que exploram.

Domitila foi mais uma mulher, ainda que não por sua vontade, mas porque a vida lhe obrigou, que precisou da força.
A força que ela usou não foi a violência criminosa que muitas mulheres, nos governos ou a serviço dos grandes grupos financeiros, utilizam. A força de Domitila nasceu para que pudesse suportar as privações que uma Bolívia mineira lhe impôs.

Sua força veio da crença que as mulheres, donas de casa bolivianas, tinham tanto ou mais a reivindicar que seus maridos, os mineiros. Que era preciso unir homens e mulheres trabalhadoras, camponeses, operários, que era preciso se organizar. A força de Domitila era sua marca. O movimento que organizou, a imensa luta contra a ditadura e a exploração não morreram consigo, permanecem acesos nos corações e mentes daqueles que acreditam que é possível ter um sonho e que, sobretudo, podemos realizá-lo.

Domitila explica, no silêncio de sua morte, por que mulheres são fortes.
Domitila, presente!

Foto: Source: http://www.comibol.gob.bo/noticia/201-A_la_memoria_revolucionaria_de_Domitila_Chungara

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