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Meritocracia: o que eu vou ser quando crescer?

27-11-2015 – Ato passeata educação paulista consolação soa Paulo 27 de novembro de 2015 Foto: Roberto Parizotti/ Secom CUT

Por: Kleber Marin, de Barueri, SP

O que é meritocracia? Qual a relação entre o jovem e o mercado de trabalho? Qual a preocupação do Estado no que diz respeito à orientação vocacional dos jovens estudantes?

Antigamente, muitas pessoas iniciavam o trabalho assalariado mais cedo, devido à necessidade de sobrevivência. Inúmeras famílias com baixa renda e as dificuldades do cotidiano levaram a abrir mão da juventude dos filhos para lutar por um pouco mais de dignidade e, consequentemente, esses jovens se lançaram no mercado de trabalho, sem muita escolha.

Atualmente, com a escolarização obrigatória esse cenário se modificou moderadamente. Um número considerado de jovens entra no mercado de trabalho mais tarde sob uma perspectiva social acirrada, pois se o jovem não se dedicar às expectativas do mercado, fica para trás e se torna excluído deste sistema. Em outras palavras, o contexto social é implacável porque a visão que se tem é se a competição eleva a qualidade. Então, quanto mais disputas, haverá menos retrocesso.

Ou seja, o jovem atual se submete a uma sociedade que visa não só o desenvolvimento, mas trata o conceito de disputa como ponto central de todo o sistema, semelhante ao que acontece nas disputas de alto rendimento em que os melhores atletas superam não só a qualidade técnica, mas também os resultados dos seus antecessores.

O mesmo acontece com a industrialização e o setor de serviços, nos quais a tecnologia revolucionou a relação de trabalho, por exemplo, para manejar muitos equipamentos. Atualmente, o trabalhador necessita cada vez mais de um conhecimento elaborado e somente aquele que apresentar certa destreza terá não só a oportunidade para operá-lo, mas também permanecer no emprego. Assim, a competição não garante só o emprego, mas também eleva a qualidade do produto, ou serviço prestado.

Não é sempre que, quanto mais disputas, haverá menos retrocesso. Muito pelo contrário, quando a disputa segue acima do plano da igualdade, o retrocesso emerge e se torna mais evidente na sociedade.

Bem como, numa sociedade desigual como a nossa em que a ‘disputa’ se torna a solução para resolver problemas econômicos, do que propriamente a solução para resolver os problemas sociais. A título de exemplo, o próprio jovem estudante atual sai da escola pública com uma formação de baixa qualidade, em detrimento de inúmeros fatores que o atinge direta e indiretamente, tais como a falta de formação política não só para a vida, mas também para o trabalho e a ausência de políticas públicas que o direcione para uma profissão, seja no ensino médio, seja na escolha de algum curso de nível superior. Ou seja, não existe um plano de ação por parte do poder público que auxilie o jovem estudante a escolher uma carreira profissional, por exemplo.

Além disso, a escola, por sua vez, segue desprovida de inúmeros recursos, como uma formação continuada que atenda definitivamente as angustias dos professores, cuidado do Estado em tratar as doenças ocupacionais que são oriundas da sala de aula, uma vez que os professores representam uma das maiores categorias do país e o maior número desses profissionais encontram-se na rede pública. Também, de um plano de carreira que justifique o valor do professor na sociedade e uma formação política de modo que o professor possa ajudar o aluno, especialmente, o do final do ensino médio, a refletir de uma forma segura sobre o futuro profissional. Nem sempre a competição eleva a qualidade.

*Kleber Marin atualmente é professor de Educação Básica I e professor de Filosofia no município de Barueri, região metropolitana de São Paulo.

Foto: Roberto Parizotti/ Secom CUT