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Impasse na sucessão do Mercosul

Brasília – O ministro das Relações Exteriores, José Serra, e o presidente interino Michel Temer participam de cerimônia de entrega de credenciais a embaixadores estrangeiros, residentes em Brasília (Wilson Dias/Agência Brasil)

Por Paulo Aguena

O Mercosul está acéfalo desde o dia 1º de agosto. É que a Venezuela que na ordem alfabética deveria suceder o Uruguai na presidência do bloco foi vetada por iniciativa do Brasil.

No dia 05 de agosto, durante cerimônia de recepção para líderes estrangeiros que vieram para a Olimpíada no Rio, Temer aproveitou para se reunir com o presidente argentino Mauricio Macri e o paraguaio Horacio Cartes. Na ocasião Serra e Temer propuseram esperar até dia 12 de agosto para que se pudesse tomar uma decisão definitiva sobre a sucessão do bloco. Essa é a data em que venceu o prazo de quatro anos para que a Venezuela se adequasse às regras para tonar-se membro pleno do bloco. Isso não se deu e, desde então, foi impedida de assumir a presidência por uma iniciativa conjunta do Brasil, Argentina e Paraguai.

 “Compra de voto”

A imprensa divulgou que Serra já teria tido um contato com o Secretário de Estado americano, John Kerry sobre o assunto. Este teria manifestado preocupação com a Venezuela e pediu a liderança do Brasil na solução do problema. Ao mesmo tempo, pediu também o apoio do Brasil na Cúpula sobre os Refugiados realizada pela ONU nos dias 23 e 24 de maio passado.

De fato, o esforço do Brasil para impedir que a Venezuela assuma a presidência do Bloco é grande. Segundo o jornal uruguaio “El País”, o ministro de relações exteriores do Uruguai Rodolfo Nin Novoa,  teria afirmado à deputados uruguaios que José Serra, ministro de relações Exteriores, ofereceu incluir o Uruguai como sócio em uma grande ofensiva comercial na África e no Irã, em troca de apoio para evitar que a Venezuela assuma agora a presidência do Mercosul. Em sinal de protesto, o governo brasileiro convocou o embaixador do Uruguai no Brasil, Carlos Daniel Tenconi, para prestar esclarecimentos.

Reunião formaliza proposta

Uma das propostas ventiladas para resolver o impasse foi antecipar a sucessão da Argentina na presidência do bloco prevista a partir de 1º de janeiro. Outra seria a constituição de um conselho interino formado por embaixadores dos países membros até dezembro.

Nesta terça-feira, 23, houve uma reunião em Montevidéu dos quatro sócios fundadores. A Venezuela foi convidada, mas decidiu ausentar-se. A reunião serviu para comprovar que a Venezuela não cumpriu os requisitos necessários para tornar-se país pleno. Diante disso, Brasil, Argentina e Paraguai formalizaram a proposta da presidência colegiada até dezembro.

O Uruguai, governado pela Frente Ampla, vem resistindo à proposta de não entregar a presidência a Caracas. O MPP (Movimento de Participação popular, formada por ex-membros da guerrilha dos Tupamaros) , que é parte da Frente Ampla, apoia abertamente a Venezuela. A resposta da Venezuela Isso é decisiva para romper a paralisia do bloco já que as decisões são por consenso.

 Impasse

Entretanto, o impasse deve seguir. O Uruguai pediu alguns dias para fazer uma consulta interna antes de dar uma resposta definitiva à proposta. Argentina e Brasil pressionam por uma decisão rápida, pois querem negociar acordos de seu interesse. Por outro lado, a Venezuela decidiu assumir unilateralmente a presidência do bloco e convocou uma reunião os coordenadores nesta quinta, 25, em Montevidéu, que é sede do bloco. Brasil, Argentina e Paraguai disseram que não vão participar.