Havelange deixa legado de corrupção no futebol
Publicado em: 18 de agosto de 2016
Por: Diogo Xavier, de Recife, PE
Morreu nesta terça-feira (16), o homem que foi durante mais tempo presidente da FIFA, além de presidente de honra da entidade e membro do Comitê Olímpico Internacional. Apesar desse currículo, João Havelange morreu sem nenhuma pompa e quase esquecido pela imprensa. O motivo é fácil de explicar. Basta olhar os últimos acontecimentos.
[caption id="attachment_1373" align="alignleft" width="300"] Havelange tem histórico de apoio a ditadura, corrupção e mercantilização do futebol[/caption]
Como atleta, Havelange chegou a disputar duas Olimpíadas, em 1936 e 1952, mas foi a partir de 1958, quando assume a presidência da Confederação Brasileira de Desportes (CBD), que começou a ganhar relevância. Presidindo a entidade por 17 anos, foi responsável por aproximar o esporte da ditadura militar, implantada no Brasil em 1964. Utilizou principalmente o futebol para fazer propaganda do regime e colocar a seleção brasileira como um item patriótico.
Foi eleito pra presidente da FIFA em 1974 com o apoio dos irmãos Dassler, que eram donos da principal fornecedora de material esportivo. Havelange foi construindo império no futebol, eliminando toda a oposição dentro da entidade e expandindo as fronteiras do futebol na base de muito suborno e da utilização da figura de Pelé nos países da África. Foi transformando a entidade cada vez mais em captadora de recursos e aproveitando todo o potencial do maior esporte de massas do mundo para expandir o seu poder.
Foi presidente da entidade por 24 anos. Comandou com mão de ferro. Elegeu o sucessor Joseph Blatter - que só saiu da FIFA em 2015 por conta dos casos de corrupção - e conseguiu fazer do genro, Ricardo Teixeira, um antes desconhecido no meio do futebol, se tornar presidente da CBF.
João Havelange é o nome mais apropriado para citar quando se fala do estágio atual que chegou o esporte. Este dirigente deixa um legado de corrupção e utilização do esporte para os fins mais absurdos. Deixou um legado de mancha com consequências até hoje.
Com o escândalo de corrupção que atingiu a FIFA, o nome de Havelange foi relacionado. Para escapar de investigações, teve que abrir mão de diversos cargos ocupados por ele, como o de presidente de honra da FIFA em 2013. Já em 2015, teve o nome retirado do estádio Olímpico do Rio de Janeiro. O Botafogo pediu a troca pelo nome do maior lateral esquerdo do futebol Brasileiro, Nilton Santos.
Em meio a tantos casos de corrupção, a morte de Havelange foi digna de um corrupto, sem nenhuma pompa, mas lembrado pelos desvios. Na música 'Marado', a banda latina Los piojos diz que o craque argentino fazia João Havelange morder a língua. Assim o foi. Maradona e outros craques rebeldes se levantaram contra o poderio de Havelange, que escapou impune durante muitos anos, mas não escapou do martelo da história.
Foto: José Cruz/ Agência Brasil (19/04/2010)
Por: Diogo Xavier, de Recife, PE
Morreu nesta terça-feira (16), o homem que foi durante mais tempo presidente da FIFA, além de presidente de honra da entidade e membro do Comitê Olímpico Internacional. Apesar desse currículo, João Havelange morreu sem nenhuma pompa e quase esquecido pela imprensa. O motivo é fácil de explicar. Basta olhar os últimos acontecimentos.

Como atleta, Havelange chegou a disputar duas Olimpíadas, em 1936 e 1952, mas foi a partir de 1958, quando assume a presidência da Confederação Brasileira de Desportes (CBD), que começou a ganhar relevância. Presidindo a entidade por 17 anos, foi responsável por aproximar o esporte da ditadura militar, implantada no Brasil em 1964. Utilizou principalmente o futebol para fazer propaganda do regime e colocar a seleção brasileira como um item patriótico.
Foi eleito pra presidente da FIFA em 1974 com o apoio dos irmãos Dassler, que eram donos da principal fornecedora de material esportivo. Havelange foi construindo império no futebol, eliminando toda a oposição dentro da entidade e expandindo as fronteiras do futebol na base de muito suborno e da utilização da figura de Pelé nos países da África. Foi transformando a entidade cada vez mais em captadora de recursos e aproveitando todo o potencial do maior esporte de massas do mundo para expandir o seu poder.
Foi presidente da entidade por 24 anos. Comandou com mão de ferro. Elegeu o sucessor Joseph Blatter – que só saiu da FIFA em 2015 por conta dos casos de corrupção – e conseguiu fazer do genro, Ricardo Teixeira, um antes desconhecido no meio do futebol, se tornar presidente da CBF.
João Havelange é o nome mais apropriado para citar quando se fala do estágio atual que chegou o esporte. Este dirigente deixa um legado de corrupção e utilização do esporte para os fins mais absurdos. Deixou um legado de mancha com consequências até hoje.
Com o escândalo de corrupção que atingiu a FIFA, o nome de Havelange foi relacionado. Para escapar de investigações, teve que abrir mão de diversos cargos ocupados por ele, como o de presidente de honra da FIFA em 2013. Já em 2015, teve o nome retirado do estádio Olímpico do Rio de Janeiro. O Botafogo pediu a troca pelo nome do maior lateral esquerdo do futebol Brasileiro, Nilton Santos.
Em meio a tantos casos de corrupção, a morte de Havelange foi digna de um corrupto, sem nenhuma pompa, mas lembrado pelos desvios. Na música ‘Marado’, a banda latina Los piojos diz que o craque argentino fazia João Havelange morder a língua. Assim o foi. Maradona e outros craques rebeldes se levantaram contra o poderio de Havelange, que escapou impune durante muitos anos, mas não escapou do martelo da história.
Foto: José Cruz/ Agência Brasil (19/04/2010)
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