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  • Fim de Temer?

    Por Michael Roberts (publicado originalmente em The Next Recession)
    Traduzido por por Luiz Rodrigues e publicado no Blog A Crítica,  a quem agradecemos a gentileza de autorizar sua republicação
    A notícia de que o Presidente do Brasil, Temer, foi pego tentando subornar políticos para manter o silêncio sobre alegações de corrupção aumenta a probabilidade de que ele seja cassado pelo Congresso do Brasil este ano. Temer já é o presidente mais impopular da história democrática do Brasil. Ele só chegou ao poder, organizando um ‘golpe constitucional’ que depôs a presidente eleita de centro-esquerda, Dilma Rousseff, em razão das chamadas ‘pedaladas fiscais’. Uma aliança de partidos em favor de medidas pró-capitalistas de cortar salários, benefícios sociais e pensões assumiu o Congresso para apoiar Temer. Os mercados de ações e monetário do Brasil cresceram e o capital internacional voltou a investir.
    Mas agora todas estas ‘reformas’ no interesse da rentabilidade estão em perigo. Mesmo que as políticas neoliberais adotadas pelos anteriores presidentes do Partido dos Trabalhadores, Lula e Dilma, tenham levado a uma perda de apoio entre a classe trabalhadora do Brasil e sua eventual extinção, a aliança liderada por Temer nunca obteve o apoio da maioria e o mais recente escândalo poderia ver o seu fim .
    Onde isso vai levar a economia brasileira e o seu povo é difícil de julgar – me volto para os meus leitores brasileiros para explicar. Mas aqui eu posso acrescentar que o objetivo da administração Temer é claro: dirigir-se a baixa rentabilidade da indústria e de capitais brasileiros, reduzindo a parcela que vai para o trabalho; destruindo sindicatos e outras tendências da oposição; e voltando-se para o apoio do capital estrangeiro.
    A grande razão para o governo Dilma cair foi a economia. Após o colapso dos preços das commodities por volta de 2011, a economia do Brasil mergulhou em uma crise adiada, mas profunda. E ainda está em recessão econômica.
    Mas Temer e os capitalistas brasileiros, depois de expulsar Dilma, estavam esperando que a recuperação geral da economia mundial iria se espalhar para o Brasil. As coisas iriam mudar e capacitá-los para impor a sua regra. E tem havido alguns sinais de uma tal recuperação. O empresariado brasileiro tem mostrado sinais de mais confiança.
    Embora os preços das commodities não tenham voltado para as alturas inebriantes de antes de 2010, eles têm, pelo menos, invertido um pouco de seu profundo colapso no período até o final de 2015. Além disso, no último ano, parece que o prognóstico de um colapso na China e uma desaceleração nos EUA não se concretizaram. E a China e os EUA são de longe os  maiores mercados de exportação do Brasil.
    Além disso, a recessão econômica levou a uma grande queda nas importações de mercadorias estrangeiras. Assim, a balança comercial do Brasil melhorou.
    E depois da significativa ‘fuga de capitais’ por brasileiros ricos sob Dilma, o investimento estrangeiro começou a voltar ao Brasil, dado o seu governo pró-capitalistas.
    Um dos resultados da profunda depressão foi duramente a queda da inflação. Assim, embora os salários para a família média brasileira tenham estagnado ou mesmo caído, em termos reais (descontada a inflação) subiram, apenas ao nível de dois anos atrás.
    Mas o desemprego continua a espiral como as empresas brasileiras cortam pessoal e empregos no setor público são dizimados.
    O futuro a médio prazo para a economia do Brasil não parece brilhante, apesar do recente otimismo dos economistas e políticos pró-capitalistas no Brasil. Foi o boom das commodities que alimentou grande parte do crescimento do PIB do Brasil antes de 2010. A participação das exportações globais de recursos não petrolíferos do país aumentou de 5 por cento em 2002 para 9 por cento em 2012. Hoje os preços das commodities continuam altos em comparação com suas médias históricas, mas o aumento excepcional tanto em demanda com nos preços se estabilizou.
    Ao mesmo tempo, ambas as famílias e empresas permaneciam sobrecarregados com dívida significativa. A dívida das famílias cresceu de 20 por cento da renda em 2005 para 43 por cento da renda em 2012, e as altas taxas de juros reais (média de 145 por cento em cartões de crédito) fazem deste um fardo pesado para os consumidores. Do lado do governo, os gastos federais aumentaram de 15,7 por cento do PIB em 2002 para 18,9 por cento em 2013, devido principalmente aos pagamentos de juros sobre a dívida. Como resultado, a carga tributária já subiu de 29 por cento do PIB em 1995 para 36 por cento em 2013, o mais alto nível entre os pares de mercados emergentes do Brasil. Como proporção do PIB, a dívida do setor público bruto do Brasil é menor do que um terço do Japão, mas seus custos de serviço da dívida são quase 15 vezes mais alta.
    Acima de tudo, há poucos indícios de que o capital brasileiro possa realmente desenvolver as forças produtivas da economia e de seu povo. As exportações de recursos e consumo alimentada pelo crédito não se traduziram em maior investimento ou produtividade. Entre 2000 e 2011, a taxa global de investimento do Brasil em média 18 por cento do PIB, inferior ao de outras economias em desenvolvimento, como o Chile (23 por cento) e México (25 por cento), e muito inferiores aos da China (42 por cento) e Índia (31 por cento ).
    A produtividade do Brasil tem sido quase estagnada desde 2000; hoje é pouco mais de metade do nível alcançado no México.
    De acordo com a McKinsey, os consultores de gestão global, mais da metade da população do Brasil permanece abaixo de uma renda mensal per capita de R$ 560. Para cortar este nível de pobreza a menos de 25% se exigiria produtividade quatro vezes mais rápida que a taxa atual. E não há nenhuma perspectiva disso sob o capitalismo no Brasil. Isso porque a rentabilidade do capital brasileiro é baixa e continua a permanecer baixa.
    A rentabilidade do setor capitalista dominante do Brasil está em declínio secular, impondo pressão descendente contínua sobre o investimento e o crescimento. Claro, a derrubada dos regimes militares e o aumento dos preços das commodities freou a queda da rentabilidade por um tempo. Mas a rentabilidade agora está bem abaixo de seus melhores anos no início de 2000.
    O gráfico abaixo mostra três medidas indexados (1963 = 100) (M = Maito; Mar = Marquetti; P = mina com base nas tabelas Penn World e poli = médios alisado).
    Mesmo se Temer sobreviver, a elite governante do Brasil enfrentará uma tarefa difícil em impor o controle sobre a classe trabalhadora e o corte de gastos públicos e salários e, assim, atrair capital estrangeiro significativo. A elite dominante é mais propensa a fugir com seu capital em todos os sinais de dificuldade. Então o capitalismo do Brasil vai ser preso em um crescimento baixo, baixa rentabilidade futura, com a continuação da paralisia política e econômica. E isso sem uma nova recessão global que se visualiza no horizonte.
  • Opinião | Maconha medicinal: um importante passo para a legalização

    Por: Thiago Zanini, de Campinas, SP

    É importante que as leis e regulamentações estatais estejam ligadas, cada vez mais, à ciência do que à religião. Com isso, permite-se que se quebrem tabus impostos na sociedade que atrasam desenvolvimentos científicos, tecnológicos e medicinais. A maconha já é uma comprovada planta medicinal, com inúmeros efeitos benéficos como um fármaco, seja ela em seu estado natural, ou sintetizada em laboratório.

    Quanto aos fins medicinais da maconha, ressalta-se as propriedades terapêuticas do THC e do canabidiol no tratamento da dor, com baixos efeitos colaterais em relação aos remédios tradicionais; relata-se uma melhora dos sintomas de náuseas e vômito de pacientes causados pela quimioterapia; controle dos sintomas de pacientes com esclerose múltipla e outras patologias neurológicas e neurodegenerativas, como a Doença de Parkinson e Alzheimer.

    Ressalto o trecho de um estudo sobre o caso: “Os agonistas de canabinóides que atuam através dos recetores CB1 e proteínas G levam à inibição da libertação de glutamato, isto sugere que a atividade destes recetores pode reduzir a excitotoxicidade e subsequente lesão neuronal causada por uma elevada libertação de glutamaot. Além disso, demonstrou-se que, após a lesão do cérebro, a concentração de 2-AG tende a aumentar para exercer o seu papel neuroprotetor. A administração de 2-AG após a lesão mecânica no hipocampo, permite uma recuperação mais rápida e reduz a morte neuronal. Além disso, os canabinóides têm sido propostos como agentes terapêuticos potentes no tratamento de esclerose múltipla, por desempenharem um papel importante na regulação da inflamação autoimune do sistema nervoso central. Além disso, verificou-se que um agonista do recetor canabinóide não seletivo inibe o influxo de leucócitos para o SNC retardando a progressão da doença autoimune”.

    No caso de pacientes com SIDA (baixa imunidade), o consumo de maconha causa uma inibição da náuseas, melhora o apetite, reduz a ansiedade, alivia dores, melhora o sono e inibe a candidíase oral. A cannabis também tem sido utilizada no tratamento de distúrbios de depressão, ansiedade e distúrbios do sono.

    Na semana anterior, a revista em questão publicou um estudo a respeito de testes com THC em ratos de laboratório. Importante ressaltar que, apesar de serem roedores, o desenvolvimento cognitivo desses animais muito se assemelham com os dos seres humanos, não à toa é que se utilizam esses animais nos testes farmacêuticos, medicinais e até físicos.

    Nesse estudo, analisavam desempenho de ratos dentro de labirintos e sua capacidade de se localizarem, locomoverem e raciocinarem dentro desses espaços. No caso dos ratos de meia idade e idosos, o uso de pequenas doses diárias de THC lhes permitiam uma melhora cognitiva, que impulsionava sua memória e lhes davam bons resultados no teste. Porém, no caso dos ratos muito jovens, esse efeito era o oposto, diminuindo sua capacidade de aprendizado e a memória a curto prazo.

    A regulação da maconha como uma planta medicinal é um marco na ciência e um ganho para a sociedade. Porém, não pode parar por aí. A legalização da maconha tem se mostrado importante para a regulamentação do uso em sua escala recreativa. Da maneira como está posta a maconha em nossa sociedade, qualquer um, em qualquer faixa etária e nível de exposição, pode fazer uso dela.

    Também é importante ressaltar o risco à saúde por conta da baixa qualidade da maconha que chega aos usuários. O tráfico como produtor e comercializador da droga traz prejuízos a todas as esferas da sociedade, intensificando a violência urbana, além dos altos custos que a guerra às drogas ocasiona aos cofres públicos.

    Legalizar é uma questão de Estado, políticas pública, financeira e de saúde.

    Foto:(Georgia Army National Guard photo by Maj. Will Cox/Released)

  • Por que a Globo quer a renúncia de Temer?

    Por: Gibran Jordão, de Brasília, DF

    As organizações Globo são um importante instrumento do imperialismo no Brasil e na América Latina. A confiança dada a Temer para seguir no pós-impeachment aprofundando e acelerando as reformas da previdência e trabalhista não existe mais.

    Mas,  por que?
    Os principais partidos do país (PT, PMDB e PSDB) mantiveram no último período relações promíscuas com empresas brasileiras. Como resultado da ajuda do Estado a essas empresas, elas acabavam praticando preços abaixo do valor de custo. Isso deixava os grupos internacionais sem igualdade de condições para disputar mercados. Num cenário de crise econômica, essa situação é ainda mais intolerável para o imperialismo. Petrobras, JBS e Odebrecht são empresas que adotaram um “modus operandi” que inclui a aliança com esses partidos para benefícios mútuos. As empresas ganhavam vantagens para disputar mercados e fazer investimentos, e esses partidos recebiam financiamento para disputarem o aparato do Estado, seja em âmbito federal, estadual ou municipal.

    Diante de uma grave crise econômica mundial, diante da necessidade de conseguir mais mercados e devido à importância de ter o controle sobre o capital investido no Brasil, o imperialismo decidiu avançar na padronização das ações dos procuradores e do poder judiciário em escala internacional.

    Em base à matéria da Folha de São Paulo de janeiro desse ano,  com o titulo “OPERAÇÃO LAVA JATO É PRÓ MERCADO, diz Janot em Davos.”, é possível entender os fundamentos do pensamento do Procurador Geral da Republica (que é membro da Associação Internacional de Procuradores). Nesta matéria, Janot diz que a Lava Jato não é contra o capitalismo, mas sim contra o que ele chama de “capitalismo de compadrio”:

    “Esse tipo de capitalismo resulta inexoravelmente em distorções na competição – regra de ouro do capitalismo – porque os “compadres” dos governantes de turno têm preferências nas obras públicas, em troca de propinas.”

    Assim, as ações do Poder Judiciário e a Operação Lava Jato têm sido, até agora, instrumentos importantes para que o imperialismo consiga desbaratar as práticas de “dumping” (preços abaixo do valor de custo) e comece a abrir as condições para que os grupos estrangeiros possam controlar mercados e investimentos no Brasil. A prisão de grandes empresários e figuras de peso da politica nacional é a expressão do triunfo de uma fração da burguesia sobre a outra. Nesse sentido, é ilusão achar que a Lava Jato é um fenômeno progressivo.

    Michel Temer e Aécio Neves perderam o que restava de confiança por parte do imperialismo, pois mesmo depois de tantas prisões e do impeachment, o que parece acontecer é que as práticas promíscuas continuaram acontecendo. Para o imperialismo, o gesto de Michel Temer de receber o dono da JBS no Palácio do Jaburu é um desaforo, uma quebra de confiança.

    Acabar com a prática de “dumping” é tão importante para os grupos estrangeiros como a aplicação das reformas. E lendo o próprio editorial de O Globo, é possível perceber que eles estão dispostos a tirar Temer para colocar alguém de máxima confiança, através de eleições indiretas, mesmo que as reformas sejam adiadas alguns meses. Não são a favor de nenhuma mudança na Constituição, e vão lutar contra uma PEC que estabeleça eleições diretas. Nesse caso, vão defender a Constituição de 88 até o fim!

    Mas nem tudo está sob controle nessa luta fracional da burguesia. A intervenção do movimento de massas, com grandes manifestações de rua, e a construção de uma nova Greve Geral, são fundamentais para mudar os rumos do país, principalmente nesse momento de crise interburguesa, que pode evoluir para uma grave crise no regime. E não podemos ter duvida: é fundamental exigir a queda de Temer, o fim das reformas e impedir que um congresso cheio de corruptos em pânico eleja alguém da confiança total do imperialismo para retomar a aprovação das reformas da previdência e trabalhista.

  • A luta dos de baixo e a consigna “Eleições Gerais e Diretas Já”

    Por: Bernardo Lima, de Belo Horizonte, BH

    Esse artigo tem a intenção de dialogar com toda a vanguarda engajada na luta contra as reformas, que tem feito greve e ido às ruas para derrotar o governo ilegítimo de Michel Temer e quer construir uma saída à esquerda para a crise política do país. Nós temos conseguido com nossa mobilização dificultar a aprovação das contrarreformas, e a esquerda socialista tem sido parte fundamental da construção da greve geral e das manifestações. Na próxima semana iremos à Brasília, junto com todo o movimento de massas, ocupar a capital e empurrar Temer para fora do poder.

    Um desfecho positivo para essa conjuntura polarizada de ataques e resistências depende da luta dos trabalhadores e do povo. A crise política na cúpula nos interessa única e exclusivamente por que é mais fácil derrotar a classe dominante se ela estiver dividida, porque ajuda a revelar a todo o povo o verdadeiro caráter do estado e das empresas, porque aumenta a possibilidade de uma ação verdadeiramente independe da classe trabalhadora. Consequente com isso, acreditamos que a estratégia da esquerda socialista passa centralmente pela mobilização independente das massas, pelo fortalecimento dos organismos operários e populares e pela unidade da luta da classe trabalhadora.

    A reforma da previdência vai passar? Haverá mais restrições às liberdades democráticas? Conseguiremos sair desse lamaçal de corrupção? Os ricos continuarão jogando a crise nas costas dos trabalhadores? A resposta da esquerda para essa questão é: depende do tamanho de nossa luta. Com mais greves gerais, com um presidente ilegítimo derrubado pelo povo, com a organização e consciência da classe avançando até uma política independente – o céu é o limite. Caso nossa luta retroceda, podemos esperar o pior. Nada de bom nos espera se abrirmos mão de nossa luta em prol deste ou daquele bloco burguês ou apostando em manobras parlamentares e investigações policiais.

    Colocar quem no lugar de Temer?

    O governo Temer nunca foi popular. Sua capacidade de implementar a reforma está diretamente ligada à sua insensibilidade às demandas dos trabalhadores. Ele governava porque tinha ao seu lado a maioria do Congresso e do Senado, além da sustentação da grande imprensa e da classe dominante que esperava que ele aprovasse as contrarreformas a toque de caixa. Como ele era fruto de um golpe parlamentar a imensa maioria do movimento de massas o considerou ilegítimo, se opôs à sua posse e trabalhou desde então para que caísse sob os gritos de “Fora Temer”.

    A PEC 287 da Reforma da Previdência elevou a luta a outro patamar. A maioria da população a rejeitou. Mesmo a Força Sindical, UGT e outras centrais que apoiaram o golpe foram empurradas para a luta contra Temer e uma nova conjuntura se abriu com as grandes mobilizações de rua que possibilitaram a greve geral do dia 28 de abril.

    Agora uma nova crise atinge o governo Temer, as gravações feitas pela Polícia Federal que provam que o presidente ilegítimo fazia parte de uma operação para manter Eduardo Cunha calado na cadeia minou as bases do governo. A Globo deu o furo de reportagem e pediu a renúncia do presidente, os partidos da base aliada começaram a abandonar o barco e, sem nenhum apoio popular, Temer ficou sem base para governar. Sua queda está colocada para já (ainda não esteja certa) e discute-se abertamente em todos os círculos quem será seu sucessor.

    As massas olham para todos os lados e não sabem em quem confiar. Discutem política nas fábricas, bares e igrejas e sempre surge a dúvida: quem colocar no lugar de Temer? Uns falam desesperançados. Outros reanimando suas expectativas em Lula e no PT. Tantos outros esperam resolver os problemas do país com um presidente “apolítico” como Dória ou Huck. A principal alternativa à esquerda do petismo é a Frente de Esquerda e Socialista, mas essa ainda é bem minoritária.

    Poucos enxergam uma alternativa à esquerda por fora da democracia liberal burguesa. A consciência de classe é muito pequena, abalada pelas experiências fracassadas do passado. Não existem organizações consolidadas de trabalhadores e do povo organizadas no chão das fábricas. Os sindicatos estão enfraquecidos e afastados de suas bases, quando não estão completamente corrompidos pelo burocratismo. A maior central do país ainda é ligada ao petismo. Quase não existem comitês de base nas fábricas, bancos, escolas e outros locais de trabalho.

    Como responder essa pergunta tão frequente em conjuntura tão delicada?

    Diretas x Indiretas

    Devido à divisão dos representantes da burguesia no parlamento e à incerteza do resultado de uma eleição presidencial, a principal aposta da burguesia após uma provável queda de Temer é fazer cumprir a Constituição: eleições indiretas para um mandato tampão. O que ela quer desse novo governo? Que aprove de uma vez por todas as contrarreformas. O novo governante, provavelmente um “técnico”, não viria do meio político. Tal qual Temer, não teria preocupações com popularidade, ou expectativas de reeleição e aplicaria as reformas “até o final”.

    A esquerda socialista deve ser consequente com a política do “Fora Temer” e lutar para que o povo decida através de eleições diretas, imediatamente. A burguesia não quer ir às urnas agora pois teme um descontrole do processo eleitoral e a politização das massas. Uma eleição neste momento necessariamente seria pautada pelas reformas e o povo estaria de ouvidos abertos para medidas alternativas aos ataques em curso. Uma eleição conquistada nas ruas, contra a vontade da classe dominante, não é uma eleição normal.

    Numa eleição desse tipo a esquerda socialista poderia se apresentar unificada em uma candidatura própria, com um programa oposto ao da direita e ao do PT, e batalhar por engrossar suas fileiras e ganhar setores de massas para a suspensão do pagamento da dívida, o fortalecimento da previdência, a execução das dívidas das empresas sonegadoras, a reestatização da Vale, a reversão do processo de desmonte da Petrobrás, etc.

    Eleições Gerais para derrubar o Congresso corrupto

    A consigna de “Diretas Já” apenas não é suficiente na atual conjuntura. O Congresso Nacional que implementou o golpe parlamentar e está destruindo os direitos trabalhistas a toque de caixa não tem legitimidade para terminar seu mandato. Estão quase todos envolvidos nos esquemas de corrupção, não possuem apoio popular e precisam cair junto com Temer.

    Por isso, as eleições que defendemos também se estende ao Congresso e ao Senado. Queremos o direito de opor os candidatos da esquerda socialista aos atuais corruptos. Queremos que a atual legislatura seja considerada ilegítima e indigna. Não realizar novas eleições gerais significaria trocar apenas o chefe do executivo e manter os parlamentares atuais aplicando suas contrarreformas. Seria uma vitória pela metade. Não há argumentos capazes de explicar por que Temer é ilegítimo e o congresso que o colocou lá não.

    Por Um Governo dos Trabalhadores e do Povo

    No Encontro que formou o MAIS em julho do ano passado definimos que o programa para o Brasil passava pela defesa de um governo dos trabalhadores e do povo. Achamos que somente um governo de aliança entre os trabalhadores e os setores populares do campo e da cidade através de seus organismos democráticos pode levar até o final um programa socialista, revolucionário e internacionalista. Porém, essa parte de nosso programa que algumas organizações revolucionárias também defendem ainda não está colocada para a ação. Os trabalhadores ainda não criaram seus próprios organismos de poder, ainda não existe uma mobilização tão massiva nos setores populares que coloque em cheque todo o regime e, não menos importante, estamos longe de ter uma direção revolucionária a cabo de realizar esta tarefa.

    Nessas condições as palavras de ordem de governo das organizações operárias ainda são abstratas e imprecisas. “Poder popular”, “operários no poder” e “governo dos trabalhadores e do povo” servem apenas como uma declaração de intenções futuras. É o objetivo pelo qual lutamos. Quando perguntados por alguém sobre quem achamos que deveria governar o país podemos sim responder: os próprios trabalhadores. Mas estaríamos mentindo se disséssemos que está colocado substituir Michel Temer, que precisa cair já, por esse tipo de alternativa.

    A Esquerda Socialista precisa defender “Eleições Gerais e Diretas Já”

    É por isso que acreditamos que toda a esquerda socialista deveria defender a realização de “Eleições Gerais e Diretas” nas ruas, nas tribunas e nos fóruns do movimento. Essa palavra de ordem tem a capacidade de ganhar as massas de trabalhadores que desejam a queda de Temer, mas não querem a volta da Dilma, e ficam desconfiados de que as lutas que travamos agora são “coisa do PT”.

    A realização de eleições neste momento significa uma derrota para a burguesia, interrompe o golpe e permite que a esquerda socialista faça o combate programático tanto contra a direita quanto com o projeto de conciliação de classes.

    Obviamente aqueles que são marxistas sabem que as eleições, mesmo com novas regras, levarão inevitavelmente a um novo governo da classe dominante. Sabemos desde já que, vencendo Lula ou um candidato da direita, teremos que continuar lutando em defesa de nossos direitos e ganhando cada vez mais jovens e trabalhadores para a luta pelo socialismo. A tarefa de construir a direção revolucionária e impulsionar a mobilização das massas é permanente. E enquanto não tivermos um governo realmente operário e popular seguiremos lutando para que todo o poder seja transferido para os trabalhadores. Essa constatação estratégica não deve nos cegar para a importância de derrubar Temer, barrar as reformas e conquistar eleições gerais e diretas já.

    Como diz um provérbio chinês: “Uma caminhada de mil léguas começa sempre com o primeiro passo”.

    Foto: Carol Burgos | Esquerda Online

     

  • 21 de Maio: Saiba onde serão os protestos pelo Fora Temer em todo o país

    Da Redação

    Neste domingo (21), milhares devem ir às ruas nas principais cidades do país para pedir a imediada saída de Temer da Presidência da República e a realização de eleições diretas. Na maioria, este é o segundo ato após a divulgação do envolvimento de Temer em escândalo de corrupção. O peemedebista anunciou que não irá renunciar, em pronunciamento oficial nesta quinta-feira (18). Com isso, movimentos sociais pretendem intensificar as mobilizações.

    Confira os locais e horários do protesto em todo o país: 

    São Paulo – 15h, MASP
    Belo Horizonte – 9h, no Circuito Liberdade
    Campo Grande – 9h, Praça Ary Coelho
    Diamantina – 9h, Largo Dom João
    Uberlândia – 9h30, Praça Tubel Vilela
    Goiânia – 10h, Praça do Trabalhador
    Porto Alegre – 10h, Redenção – Parque Farroupilha
    Feira de Santana – 13h, bar Mangueira
    Campos dos Goytacazes – 14h, calçadão de Campos
    Piracicaba – 14h, Praça José Bonifácio
    Marília – 14h, Prefeitura de Marília
    Campo Mourão – 14h, Praça José Campo Mourão
    Fortaleza – 15h, Estátua de Iracema
    Santa Bárbara – 15h, Teatro Municipal Manoel Lyra
    Blumenau – 16h, Prefeitura de Blumenau
    Pato Braco – 16h, Praça Presidente Vargas
    Araçatuba – 16h, Praça Getúlio Vargas
    Hortolândia – 16h, Praça São Francisco de Assis
    Palmas – 16h, Praça dos Girassois

    Rio de Janeiro – 14h, no metrô de São Conrado

    Outros países
    Westmount – Canadá – 14h, Westmount Square
    Dublin – Irlanda – 14h, Phoenwx Park
    Bogotá – Colômbia – 16h, Plaza de Bolivar
    Nova Iorque – EUA – 17h30, Union Square Park

    Foto: Julia Gabriela

  • Opinião | Fora Temer, já

    Por: Alexandre de Oliveira Barbosa e Marcelo Badaró Mattos, da NOS

    O governo Temer agoniza. Na noite de ontem o vazamento da notícia de gravações feitas pelos donos do frigorífico JBS que envolvem Michel Temer e Aécio Neves recebendo de propina caiu como uma bomba.

    O presidente que chegou ao poder através de um golpe parlamentar vem encaminhando em seu governo ataques duríssimos à classe trabalhadora. Acumulamos a opinião que o futuro desse governo sempre esteve vinculado ao ritmo das (contra)reformas – trabalhista e da previdência em especial. As manifestações iniciadas com 8M até culminar com a greve geral de 28 de abril abalaram a confiança da burguesia em Temer. A greve geral foi poderosa e balançou o Brasil, mas será necessário ampliar o patamar de lutas para barrar as (contra)reformas.

    Agora Temer foi pego com a “boca na botija”, envolvido em esquemas de propinas. Neste momento, o STF abriu inquérito contra o presidente complicando ainda mais a situação de Temer. As novas denúncias contra Temer tornam insustentável sua permanência à frente da presidência da república.

    Analistas políticos da grande imprensa já falam de Temer como sendo “carta fora do baralho” e discutem abertamente alternativas. Em sua maioria defendem que deverão ocorrer eleições indiretas “para que se respeite a constituição”. Essa eleição indireta, segundo a lei, seria convocada pelo presidente da Câmara, que exerceria interinamente a presidência, devendo realizar-se até um mês após o afastamento. Não há consenso jurídico sobre quais seriam suas regras. A burguesia tentará construir um nome “limpo”, vindo da “sociedade civil” ou mesmo do judiciário para aprovar as reformas num mandato tampão.

    A partir de agora vivemos quase uma contagem regressiva contra o presidente. Temer pode renunciar, pode ser impedido ou pode cair via TSE no processo que corre contra ele e Dilma. O fato é que o governo está ruindo. Ainda é cedo para entendermos exatamente o que levou a isso. As ameaças pessoais de prisão de empresários saíram do controle do esquema judiciário/mídia e a delação vazou por esse descontrole? Um setor da burguesia optou por derrubar o presidente e busca com isso salvar as (contra)reformas? Ou elementos das duas hipóteses?

    Foto: Pablo Henrique

    Da nossa parte cabe seguir apostando nas mobilizações como nossa principal arma, porque o ataque aos direitos dos trabalhadores não vai sair da agenda. As eleições indiretas constituem um golpe dentro do golpe, pois serão mais uma tentativa da burguesia em aprovar as (contra)reformas através de um presidente com mandato ilegítimo. Por isso defender eleições gerais e diretas é fundamental. Embora as eleições não fujam aos limites do regime democrático burguês, no quadro atual é o regime que constrói as eleições indiretas. A alternativa das diretas é, por isso mesmo, a maior ameaça ao regime hoje.

    A crise deve paralisar o processo de tramitação das (contra)reformas por algum tempo, mas devemos seguir lutando contra esses ataques, pois elas seguem como principal proposta unificadora da burguesia na conjuntura e sabemos que se aprovadas significarão um retrocesso de cem anos em perdas de direitos.

    Apesar desses fatos terem vindo à tona a partir de vazamentos de processos judiciais não devemos ter ilusões no judiciário. Hoje o papel do judiciário é central na manutenção do regime político e esse papel deve ser reforçado com a queda de Temer. Daí também a importância de chamarmos as Diretas Já, esvaziando o papel de “árbitro” que o STF tenta assumir.

    Lula não é alternativa para a classe trabalhadora, pois um eventual retorno do PT pode significar simplesmente a opção pela realização das mesmas (contra)reformas através de um governo dotado de maior controle sobre as organizações sindicais e movimentos sociais. Por isso, devemos intensificar nossa intervenção na luta de classes, exigindo das centrais uma nova greve geral para derrotar o governo e suas reformas. E propor a construção de uma Frente de Esquerda Socialista, como alternativa eleitoral e de direção das lutas de massas, que seja a expressão de uma proposta de governo dos trabalhadores.

    A Frente terá que apresentar um programa de suspensão imediata da tramitação das (contra)reformas trabalhistas e da previdência e revogação de todas as medidas nefastas do governo golpista, como a “PEC do fim do mundo”, a MP da reforma do ensino médio, as privatizações e a liberação completa das terceirizações. A classe trabalhadora não pode continuar pagando pela crise: é hora de reverter o jogo, exigindo que o 1% pague, com imposto sobre as grandes fortunas, cobrança das dívidas das empresas com a previdência, suspensão do pagamento e auditoria da dívida pública e estatização do sistema financeiro. É hora de ir pras ruas e colocar Temer para fora com um programa que unifique a classe trabalhadora para lutar já!

    *O texto reflete a opinião dos autores e não necessariamente do Esquerda Online.

  • Temer não cairá sozinho

    Por: Yuri Lueska, do ABC paulista

    Ontem, dia 18, foi um dia longo, onde, além de ter-se movido, inúmeras peças do tabuleiro político, é possível identificarmos dois equívocos que permeiam a esquerda brasileira. No decorrer das horas, todas e todos compartilhavam opiniões, avaliações e especulações políticas. Não havia quem não esperava o pronunciamento do presidente Temer. Este pronunciamento, marcado inicialmente para a manhã, atrasou, remoendo ainda mais a ansiedade coletiva. Muitas e muitos estavam certos: Temer já não era mais presidente. Infelizmente, a realidade e a política não costumam ser impressionadas por si mesmas.

    Foi às 16h que o presidente frustrou a expectativa nacional. Dois enfáticos “eu não renuncio” espantaram os mais céticos. O defunto foi em rede nacional comunicar que estava vivo. Após o anúncio presidencial, se conformaram manifestações Brasil a fora, onde destaca-se as ocorridas no Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belém. O dia terminou com repressão na capital fluminense e em outras cidades.

    Hoje, sexta-feira, passado os turbilhões do “dia D”, podemos perceber claramente um reposicionamento das peças. Tanto o Grupo Folha, quanto o Estadão, em seus editoriais e posições oficiais, já abandonaram o campo a favor da queda de Temer. Literalmente, privilegiam a aplicação das reformas à moral da República. Já a Rede Globo, entusiasta ontem da queda de Temer, mas avessa a cavalos de pau, hoje rifa o bandido do Aécio, mas está mais amena em relação ao presidente. O campo governista encontra-se muito frágil, mas não morto. Articula-se para uma guerra de vida e morte.

    Uma coisa podemos afirmar. Temer encontra-se numa das crises mais graves enfrentadas por um presidente brasileiro, e, perdeu a capacidade moral de permanecer no cargo e aplicar as reformas. Mas, não podemos afirmar que cairá sozinho, como uma fruta madura. E aqui entram dois erros que a esquerda brasileira têm, e que deve refletir.

    Em primeiro lugar, consolidou-se em todos nós um fervoroso impressionismo. Vivemos na era da notícia em tempo real. Furos jornalísticos sucedem furos anteriores, acompanhados de comentários em tempo real. Quem consegue manter um aparato compatível com tais furos é a grande imprensa, cuja natureza é inquestionavelmente impressionista. Ou seja, destacam um elemento da realidade e isolam este – com objetivo midiático – desfigurando a realidade.

    Que a grande mídia é assim é uma constatação. O problema é que, muitas vezes, alimentados por tal característica, nós acabamos por incorporar de tal atributo, correndo de um lado para o outro, conforme o impressionismo do momento pede. Temos que nos lembrar que a paciência é a principal qualidade dos que têm pressa. Não existe atalhos na luta de classes. Os momentos políticos exigem tarefas e firmeza. Precisão e calma são atributos indispensáveis para vencer cada leão imposto.

    Em segundo lugar, o fortalecimento do poder judiciário, e sua politização, tornou hábito no nosso país de este interferir no poder político. Mais que isso, acostumou-se entre os populares esperar que este o substitua nas suas tarefas. Que a população pense assim, serve para atentarmos para a necessidade da disputa ideológica. Temos que explicar pacientemente que o poder judiciário não é aliado do povo brasileiro, mas sim seu inimigo. Terceirizar a tarefa para este é entregar a arma a um inimigo fantasiado de cordeiro. O problema mais grave não está aí. Mas sim, no fato de que – em alguns casos inconsciente, em outros conscientes – a vanguarda da classe trabalhadora, suas correntes e principais ativistas acreditam que as ações do judiciário são suficientes. Esquecemos que o país vive uma disputa inter-burguesa. Conformamos que basta nos diferenciarmos. Esquecemos do bom e velho trabalho de base.

    Temer está na corda bamba. Está frágil e machucado, mas não está morto. Acreditar que o presidente ilegítimo está prestes a morrer, que é uma questão de tempo, é dar o direito de este recuperar-se. Temer não cairá sozinho. Precisa ser derrubado. Não nos cabe agora festejar, nos cabe militar. E muito.

    Foto: Julia Gabriela

  • OAB RJ defende PEC das eleições diretas e decreta luto oficial até saída de Temer da Presidência

    Da Redação

    A seção da Ordem dos advogados do Brasil, do Rio de Janeiro, se reuniu em sessão nesta quinta-feira (18), para discutir as denúncias noticiadas na imprensa, que colocam o então presidente Michel Temer (PMDB) sob suspeita de envolvimento em escândalo de corrupção. O órgão, entre as suas decisões, defendeu a paralisação das reformas em curso, concedeu ao presidente da entidade legitimidade para que, em nome do conselho, sejam tomas medidas no sentido do afastamento do de Temer e apoio à PEC 227/2016, que permite convocação de eleições diretas. Também, decretou luto oficial da seccional, que deverá ficar iluminada na cor preta “até o efetivo afastamento do senhor Presidente da República, Michel Temer”.

    Abaixo, divulgamos a íntegra da nota

    NOTA OFICIAL DA OAB/RJ

    O Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Estado do Rio de Janeiro, em sessão ordinária realizada no dia 18 de maio de 2017, quando foram discutidos os graves fatos noticiados pela imprensa brasileira acerca do possível envolvimento do senhor presidente da República, Michel Temer, com a corrupção endêmica que assola o país e é hoje investigada pela operação Lava-Jato resolve:

    1) Pelo entendimento de que não há outra saída para o país senão a discussão e a implementação de uma reforma política que verdadeiramente permita a separação entre os interesses públicos e privados;

    2) Defender a paralisação de todas as reformas em curso, tendo em vista a patente ausência de legitimidade do senhor presidente da República para liderar este processo;

    3) Outorgar ao presidente da Seccional Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, a representação para que adote quaisquer medidas que tenham por objetivo o afastamento do presidente da República, Michel Temer, em nome deste Conselho, na sessão extraordinária do Conselho Federal da OAB que se realizará no dia 20 de maio de 2017, em Brasília;

    4) Apoiar a PEC 227/2016, que possibilita a restauração da legitimidade democrática, que neste momento só pode ser obtida através de eleições diretas para a Presidência da República, devolvendo ao povo o protagonismo que lhe pertence;

    5) Adotar luto oficial pela OAB/RJ, com a consequente iluminação do prédio da Seccional na cor preta, até o efetivo afastamento do senhor Presidente da República, Michel Temer.

    Rio de Janeiro, 18 de maio de 2017.

    Foto: Júlia Gabriela

  • Opinião | Por que devemos ir além das ‘Diretas, já’?

    Por: Pedro Gava, do Comunismo e Liberdade/PSOL

    Vejam bem.

    Nem a classe dominante mais quer Temer no poder. A casa caiu e eles sabem que esse fantoche não dá mais. Depois dos 96% de impopularidade do golpista, a informação divulgada na tarde de ontem deixou claro que esse governo não irá mais se sustentar.

    Rapidamente, os que mandam nesse país (e que provavelmente também foram pegos de surpresa), vão se movimentar para apresentar sua saída para a crise. De certo, contarão com a corja corrupta que ainda se mantém no Congresso Nacional e tentarão emplacar a famigerada eleição indireta de um novo gestor para seus negócios.

    O programa, porém, permanece o mesmo: aprovar as contrarreformas que já estão em curso, sem o obstáculo representado pela explosiva impopularidade de Temer. Precisam de uma cara nova.

    Diante dessa situação, qual saída devemos apresentar?

    Certamente, em um primeiro plano urge a necessidade de deslegitimar e desautorizar, desde já, e por completo, esse Congresso Nacional como o sujeito de decisão desse processo. O destino do país, nesse momento crítico, não pode ficar nas mãos dos políticos que até ontem eram aliados de Temer e estavam votando e aprovando suas medidas impopulares.

    Nesse sentido, somos todos por DIRETAS JÁ!

    No entanto, será que essa saída pode representar, no atual estágio da nossa crise, a solução para os nossos problemas?

    É fundamental registrar que, hoje, os ataques que a maioria da população está sofrendo partem não só da ilegítima Presidência da República. Partem também, e sobretudo, das duas casas legislativas nacionais: a Câmara dos Deputados e o Senado Federal.

    A chegada de um novo presidente da república não será capaz, por si só, de derrubar as contrarreformas e os ataques que estão colocados em pauta. Seja este novo presidente Lula, ou quem for.

    É preciso, portanto, lembrar que esse Congresso Nacional é, além de corrupto, também corresponsável pelas aprovações das contrarreformas de Temer, que vêm sendo tocadas a toque de caixa e desprezando por completo a massiva rejeição popular. Não podemos ignorar este fato.

    A “casa do povo” só poderá ser assim chamada quando de fato representar seus interesses.

    Por enquanto, nossa exigência tem de ser mais profunda e englobar a saída de todo esse Congresso Nacional: queremos ELEIÇÕES GERAIS, JÁ!

    Ao fim e ao cabo, o alto índice de impopularidade das contrarreformas previdenciária e trabalhista deve ser por nós utilizado para um chamado por uma AMPLA CONSULTA POPULAR (plebiscito) sobre a sua aprovação, ou não.

    A soberania popular deve ser convocada a se manifestar contra todas as medidas de ataque que estão em curso e que afetarão as vidas da maioria do povo brasileiro.

    É o povo que deve decidir!

    Mas não devemos acreditar que a classe dominante desse país aceitará todas essas nossas exigências de cabeça baixa. Pelo contrário, já estão articulando sua saída pelo alto.

    Para levarmos adiante nossas reivindicações, o povo precisa mostrar novamente a sua força, assim como fizemos no dia 28 de abril. É hora de uma NOVA GREVE GERAL!

    VAMOS PARAR O BRASIL!

    *O texto reflete a opinião do autor e, não necessariamente, do Esquerda Online.

    Foto: Carol Burgos | Esquerda Online

  • Congresso Nacional aprova Medida Provisória que intensifica desmatamento no Pará

    Por: Will Mota, de Belém, PA

    No dia 16 de maio, os deputados federais aprovaram a Medida Provisória 756, editada pelo ilegítimo Michel Temer (PMDB), que reduz a área da Floresta Nacional (FLONA) do Jamanxim, localizada no município de Novo Progresso, no sudoeste paraense. A área da FLONA reduziu de 1,3 milhões de hectares para 561 mil hectares. Isso permite que uma área com três vezes o tamanho da cidade se São Paulo seja explorada economicamente, sobretudo pela mineração e por empresários que pretendem construir uma ferrovia, que deverá ligar Sinop (MT) ao Porto de Miritituba (PA), para escoar a produção de soja.

    Trata-se de mais um golpe do atual governo e desse Congresso de corruptos, que têm como plano para a Amazônia o saque e a pilhagem dos recursos naturais da região em detrimento do meio ambiente e das populações tradicionais.

    É importante que os movimentos sociais denunciem amplamente essa política nefasta do governo de reduzir as áreas legalmente protegidas e se engajem na luta em defesa da Amazônia. Pela revogação da MP 756 e nem um hectare a menos.

    #NemUmHectareaMenos

    Foto: Brasília – Oposição abre faixa de protesto durante sessão da Câmara dos Deputados que aprovou a MP 758/16 que reduz limites de floresta nacional no Pará Antonio Cruz/Agência Brasil