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  • Em resposta ao governo, centrais sindicais decidem por novo dia de luta em abril

    Da Redação

    Um dia unificado de lutas em abril. Esta foi a decisão da reunião das centrais sindicais realizada nesta quinta-feira (23), na sede da UGT, em São Paulo. Após a aprovação do PL da terceirização, na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (22), as centrais CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSP-Conlutas adiantaram a reunião para discutir ações conjuntas com o intuito de frear este e outros retrocessos propostos pelo governo de Michel Temer (PMDB) aos trabalhadores, como as reformas da Previdência e Trabalhista.

    A decisão das centrais era esperada pelo conjunto dos trabalhadores e responde à ofensiva de Temer e de seus aliados de tentar retirar direitos históricos da classe, que significa mudanças estruturais no nível de vida das gerações atuais e futuras do país.

    Após um 8 e um 15 de março vitoriosos, os trabalhadores demonstraram que é possível barrar os projetos de reforma do governo. Mas, os fortes atos de rua que aconteceram em cada cidade precisam ser intensificados nesse novo dia de luta, com a construção de uma verdadeira greve geral, com paralisações nos locais de trabalho e estudo. O grau de ataques está em outro patamar e assim deve ser a resposta. Para além de atrasos de turno, ou protestos na entrada, é fundamental construir, desde já, as condições para parar, de vez, o país, com a força que os movimentos sociais e setores organizados já demonstraram em sua história.

    A classe trabalhadora brasileira, em momentos ainda mais difíceis, como na Ditadura Militar, mostrou que pode resistir e se organizar. Por isso, nesse momento, as direções do movimento precisam estar unidas e estreitamente conectadas com suas bases, fortalecendo as condições de luta e avançar para a construção de fato de uma greve geral unificada.

    Uma nova reunião está marcada para acontecer nesta segunda-feira (27), onde será decidida a data do dia de mobilização unitária, que acontecerá em abril. O tempo não nos favorece, é urgente definir a data unificada e trabalhar por ela.

  • É possível derrotar a Reforma da Previdência

    Sobre o anúncio da Retirada dos Servidores Estaduais e Municipais da Reforma da Previdência

    Por: João Zafalão, de São Paulo, SP

    A força das manifestações do 15M e a expectativa de termos uma manifestação ainda maior em abril fizeram Temer anunciar que servidores públicos estaduais e municipais estão fora da PEC 287, que tramita no Congresso. Esse recuo do governo tem por objetivo dividir o movimento nacional e tirar das ruas o setor que foi vanguarda no dia 15 de março, que são os trabalhadores em Educação que estão em greve e, ou participando em vários estados e municípios das manifestações contra a Reforma da Previdência.

    Temos que reconhecer o recuo do governo, conquistado pela força da nossa luta, porém não podemos esquecer que até aqui as grandes reformas na previdência de estados e municípios foram feitas por governadores e prefeitos. O aumento da alíquota de contribuição de 6% para 11% em SP foi feito pelo Governo do Estado, assim como a mudança da legislação que criou o professor categoria O, que tem menos direitos e está submetido ao regime geral do INSS, assim como os trabalhadores do Centro Paula Souza que também são do regime geral.

    Para estes servidores o que vai valer? E a aposentadoria especial dos professores/as do ensino básico que é garantida pela Constituição Federal. Como fica isso? Irão separar professores/as da rede federal com os da rede estadual e municipal, ou irão acabar para que estados e municípios possam fazer suas reformas da previdência? E as mulheres que tem direito a aposentar 5 anos antes, por trabalhar 7h30min a mais que homens por semana? Irão separar mulheres trabalhadoras das redes estaduais e municipais das demais trabalhadoras?

    É uma evidente manobra do governo para dividir nossa luta. E depois cada estado e município terá que lutar sozinho contra a retirada de direitos, justamente porque o governo Temer percebeu que a força dos trabalhadores está justamente nessa unidade construída na luta e expressa no 15M.

    Não podemos e não vamos nos dividir agora. Temos que avançar na luta. As centrais devem marcar um novo dia nacional de lutas ou a greve geral para abril e fazermos uma ação ainda maior. Ninguém fica para trás. É preciso manter e ampliar o calendário de luta, nas categorias. É possível derrotar a reforma da Previdência.

  • Pimentel se nega a receber MLB e cancela negociação com ocupações do Izidora

    Da Redação, de Belo Horizonte, MG

    Nesta terça-feira (21), o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), desmarcou reunião de negociação com os movimentos populares sobre as ocupações da região do Izidora. O motivo foi a indisposição dos manifestantes em aceitar a ingerência do governador. Após mais de uma hora de espera, Frei Gilvander explicou aos que se manifestavam no Palácio o que estava acontecendo:

    “Já estamos há uma hora e meia nos fundos do palácio do governador Pimentel e ele quer apenas receber uma comissão muito pequena e, pior do que isso, diz que não recebe Leonardo Péricles, do MLB”, explicou o Frei. O anúncio foi recebido com vaias por todos os presentes.

    O governo não explicou o motivo do veto ao líder do MLB e nem o porquê de ter se sentido no direito de interferir em quem deveria ser a representação do movimento. Acertadamente, os movimentos sociais presentes não aceitaram a imposição de Pimentel e aguardaram ser recebidos pela representação escolhida democraticamente pelas ocupações. Frente a este fato, o governador preferiu desmarcar a reunião e manter sua postura truculenta e intervencionista.

    Os movimentos sociais fizeram questão de lembrar que não é a primeira vez que o governador se posiciona contra os interesses do povo de Minas Gerais, visto que reprimiu manifestações estudantis e apoiou a Samarco na tragédia de Mariana.

    As vereadoras do PSOL Áurea Carolina e Cida Falabella estavam presentes e também repudiaram o autoritarismo do governador.

    Assista no vídeo:

    Foto: MLB, reprodução Facebook

  • À censura de Crivella: ‘É jornalismo ou nota oficial?’, questionam jornalistas em protesto

    Por: Niara Aureliano*, do Rio de Janeiro, RJ

    ‘É jornalismo ou nota oficial?’ era a pergunta dos jornalistas no começo de tarde desta segunda-feira (20) em protesto realizado contra a demissão do jornalista Caio Barbosa pelo Jornal O Dia, supostamente a pedido do prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (PRB), após reportagem produzida por Caio em que entrevistados criticavam a gestão de Crivella e a dificuldade de conseguir uma dose da vacina contra a febre amarela na cidade.

    Em nota, Crivella negou ter pedido a demissão do jornalista. “É falsa a informação divulgada nas redes sociais, atribuindo a mim o pedido de demissão do jornalista Caio Barbosa do jornal O Dia. Jamais faria isso. Declaro de forma veemente que respeito os profissionais de comunicação e a liberdade de imprensa. Repudio, tenho desprezo e nojo a perseguições políticas, e no meu primeiro discurso depois de eleito, roguei a Deus que nos livrasse da praga maldita da vingança”. Preferindo ainda não falar com a imprensa, Caio respondeu à esta reportagem que “mentir é pecado”, referindo-se a nota do prefeito.

    “A nota oficial do prefeito é uma mentira. Não apenas sobre mim. Sobre ele. Mente do início ao fim. Uma pena. Mentir é pecado. Deve ter sido escrita por um assessor. Espero. Errar e reconhecer o erro é virtude que Deus perdoa. Insistir na mentira é feio”, postou Caio no Facebook.

    O sindicato dos jornalistas do Rio se manifestou sobre o caso: “de acordo com informações que chegaram ao Sindicato, a matéria desagradou ao prefeito Marcello Crivella, que acionou seus assessores e estes pediram que a reportagem fosse tirada do ar, além de exigirem a publicação de um desmentido. No dia seguinte, para surpresa geral, Caio foi demitido após um suposto telefonema do prefeito ao dono do jornal O DIA (o prefeito nega). A matéria original foi retirada do ar e uma nova versão foi publicada. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Federação Nacional dos Jornalistas são contra a censura, a intimidação e o assédio moral – venham de onde vierem – e não irão tolerar esse tipo de postura em relação aos profissionais de imprensa. O Sindicato irá apurar o caso e, se confirmado, junto com a FENAJ, cobrará do jornal uma posição oficial a respeito desse ataque à democracia e à liberdade de imprensa”, disse em nota.

    À reportagem, a diretora do sindicato dos jornalistas Sônia Fassini comunicou que o sindicato entregará uma carta ao jornal cobrando explicações sobre a demissão do jornalista, e teme que ações como essas se tornem cada vez mais comuns. “A gente não quer que vire uma prática. A pressão política sempre existiu. O Crivella assumiu a prefeitura do Rio dizendo que respeitava o jornalismo e a liberdade de imprensa, mas como se aparentemente na primeira matéria criticando seu governo, ele vai fazer uma exigência dessa ao dono do jornal? Não passou sequer pela diretoria, foi direto pro dono, foi uma exigência, e não queremos que isso se torne comum”, falou.

    Cerca de 40 comunicadores participaram do ato, que começou na Cruz Vermelha e terminou na sede do Jornal O Dia, na Lapa. Cartazes foram colados na entrada do prédio.

    A NOS reitera seu repúdio à demissão de Caio e à censura ao jornalismo no país.

    *Texto publicado originalmente no site NOS

  • Sede do PMDB é ocupada por manifestantes

    Da Redação Minas Gerais,

    Trabalhadores da educação em greve ocupam a sede do PMDB em Belo Horizonte. A sede do partido de Michel Temer fica na Rua Juiz de Fora, 1375, no Bairro Santo Agostinho. A reivindicação é a mesma da greve nacional da educação que ocorre hoje no Brasil: barrar a PEC 287/2016 que estabelece a reforma da previdência, que é rejeitada por 73% da população brasileira, segundo o Instituto Paraná.

    A votação da PEC está agendada para acontecer no dia 28 de março em primeiro turno no Congresso Nacional. O PMDB é o partido do atual presidente e tem a maior bancada de deputados federais, totalizando 64 eleitos. O objetivo da ocupação é pressionar o partido, a partir de seus representantes mineiros, a votarem contra a reforma da previdência.

    Além disso, a ocupação ocorreu também como uma ação de repúdio ao Projeto de Lei (PL) 4302/98 que foi colocado em pauta, após quase 20 anos de sua elaboração, de um dia para o outro no Congresso Nacional, pelo seu presidente Rodrigo Maia (DEM). Mais conhecido como PL das terceirizações, o projeto colocado em pauta no dia de hoje permite a terceirização de todas as atividades nas empresas e nos serviços públicos, incluindo as atividades fim, como professores, por exemplo.

    Essa ocupação acontece uma semana depois das enormes manifestações que tomaram as ruas no Brasil no dia 15 de março deste ano. As mobilizações até aqui já mostraram que unindo as representações sindicais e movimentos sociais é possível enfrentar o governo e seus ataques. Ao mesmo tempo, mostram a disposição dos trabalhadores e trabalhadoras em defender radicalmente seus direitos.

     

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  • 15 de Março: Metroviários reconquistam o instrumento da greve e o apoio da população

    Por Eli Moraes, São Paulo, SP

    Como parte das mobilizações nacionais do 15 de Março, os metroviários de São Paulo deflagaram uma greve de 24h, que fortaleceu a mobilização na maior capital do país. Com paralisações e manifestações, a data teve como centro a oposição à reforma da previdência e das leis trabalhistas do governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB). Tais projetos terão como resultado, na prática, o fim do direito à aposentadoria (ao exigir uma idade mínima de 65 anos, e um tempo de contribuição à previdência de 49 anos), e a perda da maioria dos direitos trabalhistas ainda garantidos pela CLT.

    Desde a greve de 2014, a apreensão tomava conta da categoria metroviária. As conhecidas práticas antissindicais da empresa e do governo tucano de Alckmin (PSDB) são o principal motivo para o receio de retomar o instrumento da greve. Como é conhecido, na última da greve da categoria, apesar das vitórias econômicas conquistadas, a repressão do governo veio na forma de prisões, seguidas de processo criminal e demissões de ativistas e dirigentes sindicais. Também em 2007, ano em que a categoria protagonizou duas greves (uma contra a Emenda 3, do governo Lula, e outra pela garantia do direito à PLR dos metroviários) o governo respondeu com demissões e retaliações, algumas das quais foram revertidas.

    O dia 14 de março, quando ocorreu a assembleia que definiria a posição da categoria, foi de reflexão. Ainda pela manhã, poucos acreditavam na possibilidade real de uma greve. O clima foi virando ao longo do dia, com as notícias de que o 15 de Março seria marcado por uma grande luta, com diversas categorias em unidade contra as medidas impopulares de Temer. Ao longo do dia, os trabalhadores e trabalhadoras debateram nos locais de trabalho, nos grupos de aplicativos de celular e na própria assembleia. Em geral, estava presente o acordo de que não se podia aceitar as medidas do governo e algo precisava ser feito.

    Ao fim da noite, a assembleia do Sindicato dos Metroviários tomou a decisão pela paralisação de 24 horas. A partir daí, o ativismo se jogou na organização da greve. Concentrações foram realizadas em áreas estratégicas de trabalho: os pátios de manutenção e as bases do tráfego. Mas o principal termômetro foi a adesão da própria categoria à decisão. Mesmo os que estiveram em dúvida durante o dia, buscaram legitimar a assembleia, pelo acordo com a pauta e pela força do movimento nacional. A maior parte da categoria se recusou a trabalhar neste dia 15 de Março. E dentre a minoria que furou a greve já muitos se declaram arrependidos.

    Os metroviários e metroviárias deram um passo para retomar sua autoconfiança. E demonstraram a força de mobilização que têm. Até as 9h da manhã do dia 15 de Março, o Metrô de São Paulo ficou completamente paralisado. A partir deste horário, a empresa colocou em ação um plano de contingência utilizando os trabalhadores que furaram greve e a chefia para rodar trens e estações. Uma prática que, além de antissindical, coloca em risco a vida dos passageiros, pois operam-se trens e estação com funcionários sem o devido treinamento e experiência, além de, em geral, não haver manutenção dos equipamentos nos dias de greve, devido à grande adesão desta área ao movimento. Ainda assim, as notícias até o momento demonstram que o plano de contingência não conseguiu garantir sequer 15% do funcionamento comum da empresa. A linha 1-Azul, por exemplo, que em um dia normal tem 50 trens circulando, funcionou com apenas 6, pelas informações que temos.

    Mesmo com o funcionamento parcial da empresa, e com a greve ter, aparentemente, demonstrado uma radicalidade menor do que em 2014, o fato é a categoria retomou seu clássico instrumento de luta, surpreendendo a empresa, o governo, e a si própria em alguma medida. E isto foi feito em uma greve em unidade com muitas outras paralisações no país, com uma pauta política de enfrentamento ao governo. A adesão deve ter chegado a algo entre 85% e 90% dos trabalhadores e trabalhadoras. De tal forma, que não há notícias de enfrentamentos durante a greve, pois na maior parte dos locais de trabalho, apenas a chefia, desmoralizada, apareceu para bater o ponto. Mesmo um setor muito precarizado da categoria, os jovens aprendizes (trabalhadores de 17 a 21 anos que recebem salários muito abaixo do piso da empresa) paralisaram em grande medida. Talvez a maior dificuldade encontrada tenha sido no envolvimento dos terceirizados, sendo que nos pátios de manutenção acabaram entrando para trabalhar, por exemplo, os trabalhadores dos refeitórios, limpeza e guarda patrimonial.

    De qualquer forma, o principal motivo de tão alta adesão entre os metroviários é a unidade que se construiu em torno da data, além do próprio repúdio às reformas. Esta unidade se expressou no interior da categoria com uma defesa conjunta dos setores da diretoria do sindicato e do ativismo em torno da paralisação. Houve uma polêmica se ela deveria durar 12 horas ou 24 horas, decidindo-se pela última, por envolver o conjunto da categoria.

    No entanto, foi mais importante a unidade construída externamente à categoria, entre as centrais sindicais, movimentos sociais e partidos políticos de oposição. Os metroviários encorajaram-se a aderir à greve na medida em que viram que outras categorias seguiriam o movimento e esperavam ansiosamente pela greve do Metrô. Neste sentido, paralisaram também os metrôs de Belo Horizonte e Recife. Condutores de ônibus de várias cidades, incluindo São Paulo, também participaram do movimento. O setor dos transportes, portanto, foi um grande peso neste 15 de Março. E a unidade de ação entre os setores de oposição ao governo foi a principal base da confiança dos trabalhadores em sua capacidade de luta e suas possibilidades de vitória.

    Outra marca da paralisação foi o apoio majoritário da população ao movimento e à categoria. Ainda na manhã do dia 14 de março foi organizada a tradicional distribuição de Carta Aberta à População do Sindicato dos Metroviários. A carta desta vez alertava a população sobre a possibilidade de greve e seus motivos. Já aí foi possível sentir o apoio popular. Alguns passageiros perguntavam o local do ato no dia 15, e declaravam apoio à mobilização nacional contra a reforma.

    Mas a profundidade do apoio à greve do dia 15 impressionou a todos. Logo após sua deflagração a empresa lançou uma postagem nas redes sociais em que afirmava que a população seria a principal prejudicada e ameaçava diversas retaliações à categoria. O resultado foi uma avalanche de comentários achincalhando a Companhia, denunciando sua prática assediadora e declarando oposição às medidas de Temer. Os internautas também demonstravam seu repúdio à decisão judicial que exigia 100% de funcionamento em um dia de greve. O mesmo aconteceu, por exemplo, em uma postagem do MBL contra as greves do dia 15.

    Ao longo do dia, no entanto, o apoio foi crescendo e passou a furar o bloqueio da mídia. Inúmeros portais anunciaram manchetes em que os metroviários eram aplaudidos pela população nas portas das estações fechadas. Mesmo sem conseguir chegar a seus locais de trabalho, a população majoritariamente declarou apoio. Curiosamente a maior parte das reclamações populares se deu devido ao fato de o metrô funcionar parcialmente por conta do plano de contingência da empresa. Seu desejo era que “tinha que parar tudo”!

    No coroamento do dia, um ato de cerca de 200 mil pessoas na Avenida Paulista, o clima na coluna organizada pelo Sindicato dos Metroviários era de alegria, moralização e dever cumprido. Os grevistas, diretores sindicais e ativistas de base presentes demonstravam o alívio com a grande adesão da categoria e felicidade com o sucesso da paralisação. O instrumento da greve foi recuperado ao repertório de mobilização dos metroviários. A prova disso, a principal palavra de ordem gritada na coluna, em referência a 2014, e dessa vez dirigida a Temer, além de Alckmin. Mais uma vez, os metroviários demonstraram:

    Não tem arrego”!

  • MAIS e NOS lançam declaração política conjunta sobre conjuntura

    O Esquerda Online divulga, na íntegra, a declaração conjunta das organizações MAIS e NOS sobre a conjuntura brasileira, pela importância do debate no conjunto da esquerda do país. 

    DECLARAÇÃO POLÍTICA COMITÊ DE ENLACE MAIS E NOS

    O mundo e o sistema mundial de estados vive uma instabilidade fruto dos desdobramentos da grave crise econômica mundial que explodiu no coração do capitalismo em 2008. Passados quase dez anos, esse processo que atingiu as economias dos países centrais num primeiro momento, se ampliou para a periferia do mundo e não encontrou ainda uma saída positiva.

    Estamos diante da maior crise humanitária desde a criação da ONU que castiga populações inteiras na África e Ásia com a violência da guerra e da fome. Há uma crise social que se aprofunda na América Latina, com aumento do desemprego, ampla precarização dos serviços públicos, queda da renda, aumento do endividamento das famílias e elementos de barbárie social contra os setores mais oprimidos (mulheres, negros e LGBTTs) da sociedade.

    BRASIL PÓS IMPEACHMENT…
    O governo Temer (PMDB) acelera e aprofunda o ajuste fiscal que já tinha se iniciado no governo Dilma (PT). A aprovação da chamada PEC do Fim do Mundo no ano passado é um exemplo, pois foi a base da lei que alterou a Constituição do país, congelando os investimentos públicos em saúde, educação, etc, por 20 anos.

    Uma ofensiva política da direita contra direitos sociais e democráticos no Brasil está em curso. Há uma disputa importante entre as frações da burguesia que se expressa, muitas vezes, nos atritos entre, por um lado, o Judiciário (Lava Jato) e, por outro lado, o Executivo e o Legislativo. Mas tal estranhamento entre os três poderes do regime não foi até agora um problema para o desenvolvimento do processo de ajuste fiscal e de aprovação das contrarreformas no congresso nacional.

    Embora haja divergências e disputas entre “os de cima”, todas as frações da burguesia nacional e internacional possuem um grande acordo em avançar no saque de direitos e, para isso aumentar os mecanismos de repressão à classe trabalhadora e criminalização dos movimentos sociais.

    Mas não para por aí. A ofensiva para reescrever a Constituição Federal de 1988  iniciou esse ano com a continuidade da tramitação da PEC 287 (Reforma da Previdência), com a tramitação da reforma trabalhista, com a tentativa de aprovar no congresso a ampliação das terceirizações de todas as atividades laborais(PL 4302), a proposta de regulamentação super-restritiva do direito de greve e a tentativa de reforma política, cujo objetivo é reformular o sistema de partidos e deixar a esquerda socialista (PSOL, PCB, PSTU e PCO) na ilegalidade ou semi-legalidade.

    É PRECISO PARAR A OFENSIVA DA DIREITA…
    Vivemos um momento histórico no qual está colocado para o conjunto da classe trabalhadora brasileiros um enorme desafio no atual estágio da luta de classes. Unificar forças para impedir o avanço dos planos da burguesia e de Temer é a principal tarefa que exige disposição de luta e responsabilidade das principais direções do movimento. Caso o governo ilegítimo e o congresso nacional consigam aprovar seu pacote de maldades, impondo mais sacrifícios ao povo trabalhador no próximo período, estaremos diante de uma derrota histórica, que gerará mais crises e retrocessos sociais.

    As manifestações contagiantes do dia 08 de março protagonizadas pelo movimento feminista e as manifestações unitárias nesse dia ‪15 de março estão cumprindo um papel muito importante em fortalecer a resistência e demonstrar o acerto da construção desse calendário unificado. Mas ainda urge darmos continuidade a ações unitárias que  apontem para uma inversão da atual correlação de forças, mudando a situação defensiva para uma localização mais ofensiva da classe. É preciso interromper o processo de saque dos direitos sociais e de cerceamento dos direitos democráticos que está em marcha pelas mãos do governo golpista de Michel Temer.

    Há, no movimento sindical e na esquerda em geral, muitas diferenças estratégicas; diferenças sobre o que significou o processo de impeachment, como também diferenças importantes sobre a caracterização dos governos de conciliação de classe do PT. Tais diferenças jamais podem ser esquecidas e escondidas, mas ao mesmo tempo não podem ser obstáculos intransponíveis para a construção de iniciativas unitárias.

    Defendemos a construção de um calendário de lutas unificado que abra as condições para construir uma greve geral no país. Essa é uma tarefa que só pode ser cumprida pela ação conjunta de todas as centrais sindicais (majoritárias e minoritárias) e movimentos sociais, sem atitudes sectárias e pouco democráticas que abalem a necessidade imperiosa da unidade de ação nesse momento. Para que a nossa classe possa confiar em suas próprias forças, precisa perceber que as suas direções estão dispostas a levar a frente essa iniciativa.

    POR UMA FRENTE DE ESQUERDA E SOCIALISTA COMO ALTERNATIVA POLÍTICA PARA EXPLORADOS E OPRIMIDOS!
    Defendemos a total unidade para lutar com todas as centrais e movimentos sociais organizados numa frente única para derrotar Temer. Nesse sentido, achamos que é possível termos uma ampla ação conjunta. Mas isso não significa que temos acordo sobre qual saída política precisamos apresentar para o país e, em especial, para os trabalhadores.

    Somos críticos da experiência de mais de 10 anos dos governos de conciliação de classes do PT em aliança com partidos e figuras nefastas da direita, como o PMDB de Temer. Não estamos a favor de reeditar essa experiência com Lula em 2018, como estamos vendo a direção da CUT e do PT propagandear nesse momento. Somos parte daqueles que no ultimo período fizemos oposição de esquerda aos governos do PT, que também atacaram a classe trabalhadora e, inclusive, abriram as condições para o golpe sofrido por Dilma Rousseff.

    O fato de Lula liderar as pesquisas significa que, apesar de tudo, ainda há ilusões dos trabalhadores na principal figura do PT, o lulismo ainda não morreu na esquerda. Respeitamos essas ilusões, mas seria uma tragédia repetir os erros do passado, apostar na estratégia de conciliação de classes. É nossa obrigação lutar por uma alternativa política, apresentar aos trabalhadores outro caminho, outro projeto.

    Não há, entre a esquerda socialista hoje, nenhuma organização que, sozinha, poderia apresentar uma alternativa que ganhasse de imediato corações, mentes e influência de massas. A unidade é possível e necessária. A construção de uma Frente de Esquerda e Socialista em caráter nacional é uma tarefa fundamental nesse momento. As organizações, partidos e coletivos que defendem a estratégia da revolução socialista precisam abraçá-la imediatamente.

    Fora Temer e eleições gerais já!

    Por uma Frente de Esquerda e Socialista

    Rio de Janeiro, 15 de março de 2017

    Publicado originalmente em http://maismovimento.org/2017/03/15/declaracao-politica-do-comite-de-enlace-mais-e-nos/ e http://novaorganizacaosocialista.com/2017/03/15/declaracao-politica-do-comite-de-enlace-mais-e-nos/

  • 15M: 2º Ato em Campinas reúne mais de 1000

    Por, Renato Fernandes, de Campinas, São Paulo

     Após um belo ato de manhã que reuniu professores estaduais e municipais e também estudantes, Campinas teve um segundo ato na parte da noite, reunindo outra boa quantidade de manifestantes. Esse ato foi convocado pela Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo.

    O ato iniciou no Largo da Catedral e percorreu as ruas do centro, terminando em frente a prefeitura da cidade, governada por Jonas Donizete (PSB). Diversas categorias estiveram presentes como petroleiros, metalúrgicos, químicos, funcionários da Unicamp (que paralisaram suas atividades), professores municipais de Paulínia (que pararam também), funcionários e professores municipais de Campinas, juventude secundarista e universitária, entre outras categorias.

    Infelizmente, a maior parte das categorias estava representada apenas por suas direções sindicais, que muitas vezes chamou ao 15M sem fazer nenhuma paralisação na base. Mesmo assim, algumas categorias, como parte dos professores municipais de Campinas aderiram ao chamado da Confederação Nacional dos Trabalhadores de Educação (CNTE) e paralisaram suas atividades e locais de trabalho, garantindo a mobilização contra a direção do Sindicato de Trabalhadores Municipais, dirigido pelo PSB, que havia avisado que “quem parar, terá o dia descontado”.

    Merece um destaque especial os moradores da ocupação Nelson Mandela: formaram um grande bloco e diversos moradores falaram durante todo o ato. Os moradores estão sendo constantemente ameaçados pela desocupação e afirmam claramente que não querem que ocorra um “novo Pinheirinho”. Por isso pressionam para que a Prefeitura abra negociações sobre a ocupação que tem, aproximadamente, 2500 moradores.

    A força dos dois atos, junto com as paralisações e atrasos em grandes fábricas como a Toyota, EMS, a Replan (Petrobrás), entre outras, e de parte das escolas municipais e estaduais em Campinas, Sumaré, Hortolândia e Paulínia demonstra que existe uma classe trabalhadora que tem disposição de lutar contra a reforma da previdência. É hora de continuar a luta por nenhum direito a menos!

  • Porto Alegre: mais de dez mil nas ruas contra a Reforma da Previdência

    Por Vera Guasso, de Porto Alegre, RS

    Milhares de trabalhadores, homens e mulheres, a classe trabalhadora marchando com seus Sindicatos, com suas famílias. Jovens trabalhadores, organizações e partidos de esquerda, centrais sindicais.

    Porto alegre entra no rol do grandes atos deste 15 de março contra a reforma da Previdência. Mais de dez mil, em caminhada que ocupou vários quarteirões da Avenida Borges de Medeiros.

    Muitas palavras de ordem, especialmente o Fora Temer e a #AposentadoriaFica e o #TemerSai.

    Todos saíram muito felizes com a amplitude e a unidade do ato. A certeza que fica é de que a luta precisa continuar até derrotar a Reforma da Previdência, e por Temer e este congresso de corruptos para fora. Devemos construir pela base uma grande mobilização rumo a uma greve geral para derrotar as Reformas.

     

  • Atos e Paralisações marcaram o Dia de Luta contra a reforma da Previdência no Litoral Paulista

     

    Da Redação

    O dia 15 de março será marcado como um Grande Dia Nacional de Luta contra a reforma da Previdência. Centenas de milhares de manifestantes foram às ruas e também protestaram nas redes sociais. Categorias de trabalhadores dos setores públicos e privados paralisaram atividades em demonstração de força e resistência contra esse ataque.

    Várias cidades do litoral paulista realizaram manifestações. De acordo com a Viação Piracicabana e a BR Mobilidade, os ônibus ficaram sem circular em todas as nove cidades da Baixada Santista entre às 5h e às 7h desta quarta-feira. Em Itanhaém, mais de 300 pessoas se reuniram na Praça Narciso de Andrade, a principal de cidade. Em Mongaguá, cerca de 100 pessoas saíram em passeata pelo centro.

    Santos

    Em Santos, aconteceu um ato na Praça Mauá e paralisação de portuários com trancamento de avenidas.

    Os servidores públicos da cidade, que estão no sétimo dia de greve, foram às ruas dialogar com a população. Trabalhadores dos Correios aderiram ao mesmo ato, unificando as lutas.

    BS CORREIOS1

     

     

     

     

    BS SANTOS

     

     

     

     

     

    Cubatão

    Petroleiros diretos e terceirizados da Refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão, aderiram à paralisação nacional e realizaram um ato na cidade.

    BS CUBATÃO