Movimento

Currently browsing: Movimento
  • Trabalhadores em educação convocam greve nacional da educação para 15 de março

    Por: Richard Araújo, de São Paulo

    Entre 12 e 15 de Janeiro cerca de 2.200 trabalhadores e trabalhadoras em educação se reuniram em Brasília no 33° Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Gente de todo país esteve presente debatendo o futuro da educação pública e os desmandos do governo ilegítimo de Temer e do Congresso Nacional. Como resposta, foi marcada uma greve nacional no dia 15 de março.

    A direção da CNTE limitou as possibilidades de expressão da oposição e preferiu a preparação da candidatura de Lula 2018 ao invés de organizar a luta contra os ataques do atual governo. Isto prejudicou o debate dos impactos da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55 (que vai congelar por 20 anos os investimentos em serviços públicos), além das propostas de reforma do Ensino Médio e Escola sem partido (Lei da mordaça). Também impediu um debate mais profundo sobre as reformas da previdência e trabalhista, que vão retirar direitos históricos de toda a classe trabalhadora. Esse retrocesso é ainda mais grave nos setores mais explorados, que têm um grande peso entre trabalhadores da educação: as mulheres (mais de 82% do setor)  negros e LGBT’s.

    Apesar disto, foram discutidas as diferenças estratégicas entre a direção e a oposição. O grupo que dirige a CNTE prefere apostar em mais um governo do PT e na conciliação de classes. A maioria da oposição aposta em uma saída anticapitalista para a crise e na independência de classe. Mesmo com estas diferenças, foi aprovado um calendário unificado e a construção da greve nacional a partir de 15 de março.


    Um congresso marcado pelo avanço da burocratização da CNTE

    O grupo que dirige a CNTE (Articulação Sindical, Articulação de Esquerda, O Trabalho, CSD, CTB) e outros setores vetaram a CSP-Conlutas e a Intersindical na saudação feita na abertura do Congresso. Eles também organizaram um comício com Lula, reafirmando a estratégia de conciliação de classes, agora sob a forma do chamado à construção de uma Frente Ampla. Para esta direção, nossos problemas se resolvem com Lula 2018, estratégia que opinamos ser equivocada. A direção da Confederação prefere blindar os governos petistas, o que desorganiza as lutas.

    Apesar de nossa oposição aos governos do PT nestes 13 anos, o #MAIS e a CSP Conlutas não vaiaram Lula, como repercutiu em diversos meios de comunicação no dia seguinte à abertura do Congresso.  Essa ação foi do PSTU, que tinha cerca de 20% da bancada da CSP-Conlutas. Apesar de não apoiarmos esta iniciativa, achamos que ela é legítima diante do veto imposto pela direção da CNTE à CSP Conlutas e à Intersindical na saudação ao congresso.

    A falta de democracia, observada na abertura do Congresso, se combinou com uma estrutura burocrática em toda a sua condução. Foi dado pouco tempo para os debates das diferenças em todas mesas e grupos de discussão. Com isto, não foi feito um balanço dos 13 anos de conciliação com o governo e a patronal realizado pela direção da CNTE. A falta de debate também levou à rejeição de mudanças estatutárias que permitiriam dar espaço na direção da Confederação aos setores de oposição. Ao invés disso, o mandato da direção foi aumentado para 4 anos, afastando ainda mais os dirigentes da realidade cada vez mais dura dos/as trabalhadores/as em  educação em seus locais de trabalho.

    #MAIS e CSP-Conlutas na vanguarda da defesa da unidade da esquerda socialista para construir uma nova direção

    Mesmo tendo uma bancada modesta, a oposição poderia ter construído uma chapa unitária para apresentar uma alternativa classista, anticapitalista e radical diante da estratégia de conciliação de classe da maioria da CNTE. A perda da autonomia diante dos partidos e dos governos e da patronal é uma condenação de morte para as organizações dos trabalhadores e da juventude. Nesse sentido respeitamos, mas opinamos ser equivocada a política da direção da Intersindical de não compor a chapa unificada, dividindo a esquerda socialista na Confederação, ao mesmo tempo em que sinalizou por diversas vezes a disposição de construir a unidade com o bloco que dirige a confederação. Dois graves erros.

    O #MAIS e os demais setores da CSP-Conlutas lutamos durante todo o congresso para construir essa necessária unidade do conjunto das oposições para fazer frente ao projeto de conciliação de classes da direção da CNTE. Mas, diante da decisão dos companheiros e companheiras de lançar uma chapa própria, apresentamos uma chapa encabeçada pela companheira Neida Oliveira (CPERS/RS), em unidade com a Unidade Classista, Intersindical – Instrumento de Luta e Organização da Classe Trabalhadora, Arma da Crítica, Coletivo 15 de Outubro, Corrente Proletária. A chapa obteve 9,78% dos votos (210) contra 3,3% da Intersindical Central da Classe trabalhadora (73 votos) e 86% do bloco da conciliação de classe defendido pelos setores ligados à direção cutista (1870 votos).

    Construir desde a base a greve nacional da educação

    Terminado o Congresso, a tarefa de cada entidade da educação é dar passos concretos na construção do calendário aprovado. Isso significa fazer um bom trabalho de base, construindo a unidade com a juventude e a periferia para realizarmos uma forte greve nacional da educação. Esta greve deve servir como uma alavanca para a construção de uma greve geral do conjunto da classe trabalhadora. O #MAIS estará na linha de frente desta construção. Vamos buscar a unidade com toda a classe trabalhadora para transformar o calendário aprovado num verdadeiro movimento nacional em defesa da educação pública para derrotar os ataques aos nossos direitos e os inimigos dos trabalhadores: Temer, o Congresso e o Judiciário.

    Calendário aprovado

    08/03 – Realização das assembleias da categoria nos municípios e estados
    15/03 – Greve geral da educação

  • 1 ano sem Ellen Wood

    Por André Freire, do Rio de Janeiro.

    Neste dia 14 de janeiro de 2017 completa-se um ano do falecimento de Ellen Wood, destacada historiada marxista, nascida nos Estados Unidos e professora na Universidade de York, Toronto, Canadá.

    Durante a década de 1990, auge da campanha ideológica de uma pseudo supremacia natural do capitalismo, diante da queda dos regimes burocráticos da ex-URSS e do Leste Europeu, ela foi muito firme em afirmar que era necessário fortalecer uma crítica marxista ao sistema capitalista, ainda mais num momento de confusão ideológica nos movimentos da classe trabalhadora.

    Embora nunca tenha se engajado em uma organização política, sua obra é uma fonte muito importante para a defesa do marxismo na atualidade, marcada por idéias do chamado movimento pós-moderno, que busca negar a possibilidade de uma crítica anticapitalista ao modo de produção vigente.

    Wood sempre deu muita importância as lutas democráticas, defendendo a necessidade de dar uma uma perspectiva anticapitalistas à estes movimentos, fugindo da fragmentação propagandeada pelos autores do pós-modernismo.

    No ano do primeiro centenário da Revolução Russa o estudo cada vez mais intenso de seus livros e artigos será de grande importância para armar política, ideológica e programaticamente a esquerda revolucionária, numa perspectiva socialista, que supere o fracasso político da esquerda reformista.

    Abaixo, uma pequena demonstração da força das suas idéias, retirada do seu artigo Em defesa da história: o marxismo e a agenda pós-moderna, publicado em 1996, na Revista Crítica Marxista:

    “Se o pós-modernismo nos diz alguma coisa, de uma maneira distorcida, sobre as condições do capitalismo contemporâneo, a idéia está em descobrir quais são exatamente essas condições, por que o são e qual o caminho a seguir a partir daí. A idéia, em outras palavras, é sugerir explicações históricas para tais condições, ao invés de apenas submeter-se a elas, consentindo em adaptações ideológicas. É identificar os problemas reais para os quais as modas intelectuais vigentes oferecem soluções falsas – ou não – e, ao fazê-lo, desafiar os limites que eles impõem à ação e à resistência. É, portanto, responder às condições do mundo atual não como robôs felizes (ou infelizes), mas como críticos.”

  • Reajuste nas tarifas de ônibus: o vandalismo do Estado contra a sociedade

    Por Will Mota, de Belém.

    O ano de 2017 começou com o anúncio de reajuste no preço das passagens de ônibus em várias capitais. Em geral são reajustes extremamente abusivos, muito acima da inflação e do poder aquisitivo da maioria da população, sobretudo num momento de grave crise econômica e social.

    Em Belém, por exemplo, a SETRANSBEL, que é a máfia dos empresários que controla a prestação do serviço, está propondo um reajuste de 26%, sendo que a inflação do período (de maio de 2015 – quando houve o último aumento – até janeiro de 2017) foi de 14%. A passagem sairia dos atuais R$ 2,70 para R$ 3,40.

    Esse tipo de reajuste representa um brutal ato de vandalismo do Estado contra a sociedade, pois depreda um direito social fundamental que é o direito ao transporte público, além de ser um ataque a liberdade constitucional elementar, que é o direito de ir e vir do povo trabalhador.

    O acesso à educação, à cultura, ao emprego e ao lazer da juventude e dos trabalhadores depende da capacidade das famílias poderem pagar as passagens no transporte coletivo. Reajustes abusivos como os que estão sendo propostos em várias capitais nesse momento significa aumento da evasão escolar e um empurrão ao mundo do crime para milhares de jovens pobres do país.

    O grande problema dos sistemas de transporte coletivos das grandes capitais reside no fato de que um direito social fundamental como o transporte público é controlado por interesses privados de um punhado de empresários que monopolizam a prestação do serviço e sequer divulgam as planilhas de custo.

    Só quem lucra com esse modelo são os empresários e os políticos que tem suas campanhas financiadas por esses mafiosos.

    Enquanto o transporte público for tratado como mercadoria, como fonte de lucro de poucos que nem se locomovem de ônibus, barcas ou metrôs, o transporte coletivo nas cidades continuará sendo um sofrimento para a maioria do povo trabalhador e um mecanismo de exclusão e negação de direitos.

    É preciso mudar essa lógica. Ao invés de ser fonte de enriquecimento de poucos, o transporte público precisa ser subsidiado pelo Estado por meio de recursos públicos, tal como ocorre com o SUS ou com a educação pública.

    Contra o vandalismo do Estado e em defesa de nosso direito de ir e vir, vamos tomar as ruas contra o aumento das passagens e em defesa de transporte público de qualidade.

    Foto: Mark Hillary

  • Precisamos falar da opressão às pessoas com deficiência

    Por Jéssica Milaré, colunista do Esquerda Online, e colaboração de Eduarda Johanna Alfena, SP

    ‘Retardada’, ‘imbecil’, ‘idiota’, ‘lesada’, aleijada’, ‘louca’, ‘maluca’, ‘doida’, ‘cretina’, ‘babaca’, ‘da Lua’, são muitos os xingamentos sociais que se referem às pessoas com alguma deficiência física, mental ou sensorial.

    Na nossa sociedade, é considerada uma ofensa, muitas vezes grave, comparar uma pessoa dita ‘normal’ a uma pessoa que possui algum tipo de deficiência. É por isso que esses termos são utilizados no cotidiano, de forma naturalizada, em particular no chamado bullying.

    Até mesmo os sons tipicamente emitidos por pessoas com deficiência mental são utilizados como gozação ou humilhação alheia.

    O capacitismo, ou seja, a opressão contra pessoas com deficiência, continua, infelizmente, sendo invisibilizado. Muitas pessoas questionam se capacitismo seria realmente uma opressão ou se é apenas um ‘preconceito’.

    Esse questionamento, na maior parte das vezes, parte da ignorância. Mas não é necessária uma pesquisa muito profunda, nem um esforço intelectual muito grande para chegar à conclusão que, de fato, o capacitismo é uma forma de opressão.

    Uma pincelada na história do capacitismo

    Na Antiguidade, o tratamento dado às pessoas com deficiência variava muito de civilização para civilização. Em Atenas, por exemplo, havia a cultura de que tratar pessoas diferentes de forma igual era uma forma de injustiça. Sendo assim, as pessoas com deficiência eram amparadas e protegidas.

    No Egito Antigo, os registros históricos mostram que as pessoas com deficiência eram integradas na sociedade – como havia uma diversidade de funções, elas encontravam funções adequadas às suas condições.

    Em Esparta, recém-nascidos destinados a serem guerreiros eram apresentados a um Conselho de Espartanos, que avaliaria se o bebê era considerado ‘normal’ e forte. Se fosse, era devolvido à família para ser cuidado até os sete anos, quando seria entregue ao Estado e transformado em um guerreiro. Se, pelo contrário, a criança fosse considerada ‘anormal’, ‘deficiente’ ou ‘disforme’, ela era levada ao Apothetai (que significa ‘depósito’), que era um abismo onde a criança era jogada.

    Em Roma, não havia uma execução institucional de crianças com deficiência, mas era comum que elas fossem abandonadas, ainda bebês, à margem de lagos e rios, onde seriam adotadas por pessoas escravas ou pobres.

    Como pode ser visto nos próprios textos bíblicos, o cristianismo surgiu questionando a opressão e a exclusão de pessoas doentes e com deficiência. No Templo de Jerusalém, por exemplo, as pessoas com deficiência ou doentes eram obrigadas a entrar por trás, de forma a não entrar em contato com o resto do povo. Já os sacerdotes, pelo contrário, tinham uma entrada particular na parte superior do templo.

    Essa consciência permaneceu nos primeiros séculos do cristianismo. Entretanto, conforme o catolicismo foi institucionalizando-se, tornando-se a religião europeia dominante e aliando-se à monarquia e à nobreza, as pessoas com deficiência passaram a ser encaradas como contaminadas por demônios ou pela ira divina, e eram, por isso, condenadas à tortura e à fogueira.

    Essa opressão institucional existia ao mesmo tempo que surgiram algumas instituições de caridade para abrigar pessoas com deficiência – demonstrando uma contradição entre a visão da Santa Inquisição e a visão original do cristianismo.

    No século XX, o nazismo condenou pessoas com deficiência à morte em nome do suposto ‘evolucionismo’ e da ‘purificação da raça ariana’. O Governo fazia campanhas como: ‘Um inútil custa ao Governo Alemão 60 mil Reichsmarks até fazer 60 anos de idade. Camarada, este também é o seu dinheiro’.

    Grupos de consultores visitavam os hospitais julgando quem deveria ou não viver. Em 1939, foi criado um plano de ‘eutanásia’ involuntária. As pessoas com deficiência eram levadas aos hospitais, despidas e levadas a câmaras de gás. Um modelo de extermínio que foi depois copiado pelos campos de extermínio e concentração nos anos seguintes. Nesses campos, como as pessoas com deficiência eram supostamente menos aptas ao trabalho, em vez de serem forçadas ao trabalho, eram executadas. Estima-se que cerca de 200 mil pessoas com deficiência foram executadas pelo nazismo.

    O capacitismo hoje

    Seria ingenuidade acreditar que capacitismo é coisa do passado. Basta uma volta nas ruas para ver o quanto elas não são adaptadas às pessoas com alguma limitação de locomoção. A falta de rampas, as calçadas estreitas, com buracos ou cheias de mato, obviamente não podem ser utilizadas por pessoas que precisam de cadeira de rodas, bengala ou apoio.

    Em algumas cidades, apenas parte da frota de ônibus é adaptada à cadeirantes. Em outras, nem mesmo parte da frota é adaptada.

    É muito comum uma instituição escolar negar a matrícula de uma pessoa com alguma deficiência mental ou física, como autista, por exemplo. Já os governos, em vez de investirem em formação e adaptação dessas escolas, pelo contrário, incentivam a criação de escolas especiais ou ainda deixam esse trabalho às ONGs.

    É um absurdo que a mãe de uma criança autista ou cadeirante tenha que procurar de escola em escola até encontrar uma que aceite a matrícula dela. A tal ‘acessibilidade’ não passa de uma promessa vazia de campanha dos candidatos à cargos políticos.

    Por tudo isso, é preciso acabar com o silêncio e a invisibilidade, em defesa da diversidade funcional e motora, pelo fim do capacitismo.

    Foto: Jéssica Milaré

  • TJ obriga Alckmin a recuar, mas verdadeira decisão se dará nas ruas

    Por: Arielli Tavares, juventude/MAIS, SP

    No fim da tarde desta terça-feira (10) o Tribunal de Justiça de São Paulo deu parecer favorável para a decisão de primeira instância que obriga o Governador a cancelar o aumento nos valores do transporte público.

    Logo após a decisão da justiça a assessoria de imprensa do governo divulgou nota assumindo o compromisso de voltar a cobrar o preço das tarifas anteriores ao reajuste a partir desta quarta-feira (11).

    As duas decisões judiciais sobre o assunto afirmam que os mais prejudicados com os reajustes são os usuários de transporte que moram nas regiões mais periféricas e que dependem da integração entre metrô, trem e ônibus para virem ao centro da cidade.

    O TJ afirma ainda que não há justificativas plausíveis para reajustar a tarifa em 14,8%, bem acima da inflação do período de 6,4%.

    Ajuste fiscal e direito à cidade

    Depois de um ano muito difícil para os trabalhadores, os governos começam 2017 com os mesmos objetivos: retirar nossos direitos para garantir os lucros das empresas. Apesar desses ataques terem seu primeiro reflexo em nosso bolso, com o aumento da inflação, as perdas salariais e o desemprego, ele também está presente na restrição da ocupação do espaço público e no aumento da repressão policial sob a população.

    Em uma grande cidade como São Paulo a lógica de segregação entre o centro e periferia se faz presente como muita força, uma das consequências disso é transformação em mercadoria do direito à livre circulação e, portanto, a restrição do acesso de uma parcela significativa da população ao transporte público.

    As tarifas são caras e não atendem aos interesses dos usuários, por exemplo, todas as linhas levam para o centro e não ligam as periferias entre si.

    Isso sem tocar nas constantes modificações dos trajetos das linhas e as mudanças nos terminais sem qualquer consulta pública aos trabalhadores que se utilizam diariamente do transporte.

    Os poderosos temem novos levantes contra a retirada de direitos e por isso, além da garantia do lucro das empresas de transporte, precisam intensificar o controle social da população. Sem dúvida, o modo como Alckmin e Dória planejam aumentar as tarifas revelam que seu objetivo está muito distante de garantir o melhor para a população.

    Dia 12/01 é dia de ir as ruas contra o aumento!

    Apesar das decisões judiciais favoráveis aos trabalhadores terem obrigado o Governador e o Prefeito de São Paulo a recuar nestas medidas, até o momento não devemos ter dúvida que o único meio de garantir que esse aumento seja barrado é através da mobilização popular.

    Por isso, nós, do MAIS, estaremos juntos com o MPL e todos aqueles que quiserem lutar pelo direito ao transporte e a cidade no ato solene de entrega do “Troféu Catraca”, na modalidade “aumento inovador”, na mansão do Prefeito João Dória, nesta quinta-feira (12).

    A concentração para o ato será na Pça do ciclista a partir das 17h e nos somamos ao chamado para que todos que puderem compareçam! Acompanhe as novidades aqui.

  • A locomoção em Fortaleza está se tornando cada vez mais difícil

    Por: Mario Ítalo, Fortaleza, CE

    A nova é que o prefeito Roberto Cláudio (PDT) e seu vice Moroni Torgan (DEM), em conchavos com empresários do transporte urbano, reajustaram a passagem de ônibus em 16%, ou seja, o que já custava R$ 2,75 vai passar a custar R$ 3,20.

    Um absurdo que dificulta mais ainda a locomoção da população e principalmente da juventude da periferia, que usa as linhas de ônibus para ocupação dos espaços públicos.

    Vale ressaltar que esse aumento no preço da passagem foi o maior dos últimos 14 anos, um aumento absurdo em uma cidade onde os ônibus são superlotados e com uma péssima infraestrutura na questão de mobilidade urbana.

    Esse não é o único ataque da prefeitura

    Entre 2015 e 2016 o prefeito promoveu a privatização dos terminais de integração. A vontade dos empresários de ônibus era de consolidar o aumento de 20%, mas foi feito um acordo para que fosse 16%. Mas a própria prefeitura ressalta que pode haver outro reajuste, ainda nesse ano.

    O reajuste não alterará muita coisa na meia-entrada estudantil, ela vai passar a ser R$ 1,40, aumento de dez centavos. É mais um cenário que ascende pós o golpe palaciano que se alastrou pelo Brasil, trazendo a crise política e econômica consigo, um desemprego assustador, crise no sistema penitenciário e a reforma da previdência.

    Já não bastasse todos esses ataques, os golpistas não se saciaram e promovem mais um ataque, que tem um alvo direcionado: a juventude pobre, negra e da periferia que depende do transporte urbano, para sua locomoção. Um verdadeiro caos se instaura na República do golpe.

    Tudo isso alimenta a necessidade e de organização dos trabalhadores e da juventude

    A retirada de direitos da juventude e da classe trabalhadora estão sendo pautas prioritárias nesse cenário pós-golpe. As jornadas de Junho de 2013, mostram que tem como a juventude organizar sua indignação perante ao caos instaurado.

    Em Fortaleza, a necessidade de unidade urge bem em um período complicado e sombrio. Recentemente o governador Camilo Santana (PT), projetou uma PEC no nosso estado, nos moldes na PEC do fim do mundo, de Michel Temer (PMDB).

    Frente a todos esses abusos promovidos por Roberto Cláudio e seu vice Moroni, a juventude deve promover levantes, com táticas concisas e trabalho de base que conscientize os usuários do precário transporte urbano.

    Todas as forças políticas devem construir a unidade desde já para barrar esse aumento abusivo

    É só promovendo jornadas de luta que resistiremos contra os interesses dos grandes empresários. Já se tem um ato programado para quinta-feira (12), puxado pelo Diretório Central do Estudantes da UFC, na praça do Carmo, às 13h e uma reunião aberta, na sexta-feira, no Centro de Humanidades II/UFC, na Av. da Universidade. É se organizando que podemos desorganizar.

    Foto: Gabriel Vinicius Cabral

  • Com apoio da PM, Reitoria cerca com grades sindicato dos trabalhadores e espaço estudantil

    Por: Anna Guedes e Giulia Castro, ECA-USP, SP

    A medida é parte da política de repressão e criminalização adotada pela Reitoria.

    No dia 21 de dezembro, o que se viu na Escola de Comunicações e Artes da USP foi uma súbita mudança na rotina de férias. Isso porque, a Reitoria da universidade decidiu construir uma cerca entorno do espaço de convivência, conhecido como “Prainha”.

    Ali, além de residir a sede do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) há mais de cinco décadas, também estão duas entidades estudantis, o Centro Acadêmico Lupe Cotrim e a Atlética, ambos da ECA, uma lanchonete, bem como alguns trailers de venda de comida.

    Para mais, a “Prainha” não é apenas um espaço estudantil: é também uma praça pública, de livre circulação e convivência dentro da universidade, aberta para a comunidade acadêmica e para a população do entorno.

    A ação foi tomada sem nenhuma consulta com estudantes, trabalhadores e ainda, sem mesmo passar pelo Conselho Universitário (órgão máximo deliberativo). Funcionários de uma empresa terceirizada estavam cavando buracos para a instalação de um cerca de metal, a qual pega todo o perímetro da chamada “Prainha”, localizada atrás do prédio da Reitoria.

    Neste dia, a ação não pode ser efetivada devido à pressão de membros do Sintusp e estudantes que estavam no local, entretanto, no dia 03 de janeiro (terça-feira) a presença de policiais militares garantiu que a obra fosse iniciada efetivamente.

    No dia seguinte, quase todo espaço estava cercado, apesar das tentativas de diálogo por parte de estudantes e trabalhadores.

    Entenda o processo

    No dia 9 de dezembro, data que antecede ao próprio cercamento, o Sintusp tomou conhecimento de uma liminar de reintegração de posse de sua sede por uso de força militar. Para isso, a Reitoria usou como justificativa a solicitação do local por parte da Diretoria da ECA, instituto que abriga a sede do Sindicato, alegando que a escola o utilizaria para “fins acadêmicos”.

    Em reunião ordinária, a ECA afirmou que não estava reivindicando a desocupação do local, o que desmente a versão apresentada pela Reitoria.

    Frente ao cercamento, a Diretoria então divulgou uma nota oficial, dizendo que “reitera o posicionamento já aprovado pela Congregação em defesa da manutenção dos espaços hoje ocupados pelas entidades estudantis desta Escola”.

    Ao início da obra da cerca, uma comissão foi composta por diretores do sindicato que, após muita insistência, conseguiu se reunir com a Reitoria no dia 23 de dezembro. Mas o que se viu ali foi novamente a falta de diálogo com a comunidade que se utiliza dos espaços.

    Isso porque o atual chefe de gabinete Thiago Liporaci afirmou aos trabalhadores que não era possível assumir qualquer compromisso com o cancelamento ou suspensão da obra de cercamento. A única garantia foi o acesso ao espaço do sindicato se manter até a próxima reunião de negociação, que ocorrerá dia 26 de janeiro no Ministério Público do Trabalho.

    O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), quando abordado por trabalhadores do Sintusp na saída do Instituto Butantã, na manhã da terça-feira passada, início da obra de cercamento, disse que “não vai ter reintegração sem negociação”.

    Diante disso, quando questionada novamente sobre os motivos para o cercamento do espaço e sobre como se dará a entrada de estudantes e trabalhadores, a Reitoria da USP respondeu que a colocação das grades “faz parte do projeto de remodelação do entorno do prédio da Reitoria e já estava prevista desde a reforma do espaço”.

    No entanto, novamente, nada disso foi comunicado, muito menos discutido com o sindicato dos trabalhadores e com as entidades estudantis que ocupam o local.

    Para os membros do Sindicato, esta obra tem sido vista como uma ameaça eminente de que seu espaço seja retirado. Ainda mais quando acompanhada de um pedido de reintegração de posse da sede.

    As cercas em torno da “Prainha”, que ameaça o espaço do Sintusp e das entidades estudantis, preocupam os estudantes, que encaram a situação como mais um ataque advindo da Reitoria.

    Na última quinta-feira (5), uma Assembleia Extraordinária aconteceu para que a discussão fosse tangível a todos e ainda, se tirar medidas que evidenciem a importância do espaço para a comunidade da USP, como um calendário de atividades para esta semana.

    Histórico

    Os últimos acontecimentos apenas evidenciam a política de repressão e criminalização da Reitoria para com o Sintusp e estudantes, já que, historicamente, o que se vê é a adoção de medidas arbitrárias tomadas sem nenhum tipo de diálogo.

    Por exemplo, também se aproveitando do período de férias e consequentemente, do esvaziamento natural da universidade, no dia 22 de dezembro de 2012, o Canil – espaço utilizado por outra entidade da ECA para promover eventos festivos e atividades culturais – foi brutalmente demolido, novamente, sem diálogo com os estudantes. Fora as sindicâncias (processos internos da USP) contra os estudantes que resistem, a partir da organização de festas.

    Já no início de abril do ano passado, o sindicato recebeu um ofício da Reitoria para deixar a sede em um prazo de 30 dias. Assim, estudantes e trabalhadores da universidade deram início à uma greve que se estenderia por três meses, que dentre outras pautas, reivindicava também a defesa dos espaços estudantis. O projeto, então, acabou não sendo efetivado.

    Há de se lembrar que no início de seu mandato, o reitor em entrevista à Revista Veja afirmou que “é preciso abandonar a dinâmica de sindicalismo na vida universitária” para privilegiar o modelo de meritocracia na universidade. Contudo, sabemos que a chamada meritocracia defendida por Zago nada mais é que o indício do projeto de tornar a universidade cada vez mais elitizada.

    Dessa maneira, são adotadas políticas que impedem a manutenção do caráter público da universidade, como o cercamento dos espaços, crescimento do número de terceirizados e abertura para financiamento a partir da iniciativa privada que, em primeira instância, não serviriam para atender à população que a financia, mas, pelo contrário, serviriam para atender ao próprio capital privado.

    Assim, entende-se que o conjunto dessas medidas e o esforço para o cerceamento do local do Sintusp servem para a destruição do caráter público da universidade, além de estancar a organização tanto do movimento estudantil quanto do movimento sindical, os quais, historicamente, lutam contra o projeto de privatização da universidade.

    É de interesse desta reitoria e dos governos que se aliam a ela que estes desejam que o Sintusp se retire da sua sede, enfraquecendo as mobilizações e abrindo margem para políticas de repressão e privatização.

    Foto: Victória Damasceno

  • Joaquim Aristeu, o Boca, integra as fileiras do #MAIS

    Joaquim Aristeu, o Boca, tem longa trajetória de militância no Vale do Paraíba. Operário, trabalhou em fábricas como Volkswagen, TI Automotive e Fibria. Em 1988, ingressou na Ambev, onde trabalhou por 24 anos, sendo 20 como dirigente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de São José dos Campos e Região. Na última eleição foi candidato a prefeito de Jacareí pelo PSOL. Atualmente, tem 57 anos, atua na CSP-CONLUTAS e segue na luta pela construção de uma sociedade socialista. Ele agora faz parte das fileiras do #MAIS. Leia a carta de adesão:

    Informe aos camaradas da LSR, companheiros com quem militei lado a lado por quase oito anos, e aos novos companheiros do #MAIS (Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista), com os quais inicio uma experiência de militância a partir de agora.

    Camaradas, estou na militância há mais de 30 anos. Iniciei este caminho nos anos 80, no movimento sindical. Ainda nesta década, entrei para o PT e logo depois para a Convergência Socialista, passando anos depois a integrar as fileiras do PSTU, onde militei até 2008.

    Neste mesmo ano entrei para a ex-CLS, corrente interna do PSOL. Em 2009 a CLS e o ex-Socialismo Revolucionário “SR“ – também corrente do PSOL – se uniram criando a corrente Liberdade, Socialismo e Revolução “LSR”, onde militei até poucos dias.

    Faço este relato inicial para resgatar o respeito e a gratidão que tenho pelos companheiros e companheiras da LSR\CIT, que me receberam de braços abertos e com toda a solidariedade, num momento em que eu estava saindo de um partido onde havia militado por mais de 18 anos e passava por uma forte crise, a ponto de pensar em abandonar a militância.

    Durante os oito anos em que estive na LSR\CIT, pude constatar a seriedade e o comprometimento de sua militância. Nos momentos mais difíceis de minha atuação, sempre recebi a solidariedade e a compreensão dos companheiros.

    Ao longo destes anos, convivi com camaradas socialistas e grandes lutadores da classe em defesa desses ideais.

    Reconheço que nestes anos aprendi muito com os companheiros. Separamos nossos caminhos na militância por enquanto, na certeza de que, na luta de classes e na labuta pelo socialismo, estaremos lado a lado no próximo período.

    Também gostaria de esclarecer que, hoje, a LSR e o #MAIS têm muitas convergências nas lutas do dia a dia, inclusive no esforço pela construção de um Bloco da Esquerda Socialista, como vem se dando em várias partes do País.

    Junto aos companheiros e companheiras do #MAIS, seguirei dando uma batalha pela reorganização da esquerda combativa, consequente e socialista. Seguirei atuando na CSP-Conlutas, no Bloco de Esquerda e filiado ao PSOL, dando uma batalha pela unidade em defesa de uma sociedade livre e igualitária: uma sociedade socialista.

    Nesta luta, nos encontraremos e nos somaremos, com certeza. Até a vitória, camaradas!

    Joaquim Aristeu Benedito da Silva, o Juca Boca”

  • Em Belo horizonte é uma facada atrás da outra

    Por: Rayane Silva Guedes, Belo Horizonte, MG

    Em Belo horizonte é uma facada atrás da outra:  Aumentos do IPTU e da passagem de ônibus aterrorizam a população.

    Todo ano têm. Já entendemos que a prefeitura sempre cede às grandes empresas, em especial as do transporte. E esse ano batendo recordes chegou a R$ 4,05 o valor do ônibus municipal. Nas linhas intermunicipais predominantes passou para 4,85. São três aumentos dentro do último ano. Assim somados os fatores de:

    • Passagem muito cara.
    • Ônibus lotados.
    • Redução no quadro de horário de várias linhas.
    • Superfaturamento com obras como a do MOVE – Sistema de Transporte Rápido por Ônibus de BH –  Cristiano Machado e Antônio Carlos.
    • Motoristas realizando a dupla-função de motorista e cobrador.

    Quem lucra é o grande empresário. Para aprofundar a situação, o atual prefeito Kalil, que em campanha afirmou que não deixaria com que o aumento passasse, e ainda afirmou que abriria a “caixa preta” dos transportes, além de uma auditoria na BHTrans para tirar a gente da “lata de sardinha”, não fez nada até agora.

    Parece que nesses tempos é preciso dizer o óbvio. Transporte e moradia são um direito. E deveriam ser garantidos com qualidade a todos. Entretanto o que vemos é uma prefeitura covarde que não serve aos trabalhadores e a quem mais precisa destes serviços, porque se comprometeu em campanha, por detrás dos bastidores, com os que não estão do nosso lado.

    Para piorar, esse ano o aumento no IPTU chegou a até 2000%. Já sabemos quem mais vai sofrer com este absurdo. Em algumas situações, imóveis que estavam isentos chegarão a pagar valores superiores a R$2,7 mil, outro exemplo é de quem pagava R$430,00 passou a pagar R$9 mil.

    A prefeitura realizou uma atualização nos cadastros dos imóveis. Entretanto isso significa que aquele trabalhador que suou sangue para conseguir construir sua casinha, ainda vai ter um longo ano de sacrifício para juntar o dinheiro do imposto.

    A garantia de moradia à população está garantida em nossa Constituição. Mas na prática além do caro aluguel que pagamos, ou dos valores dos lotes por conta da especulação imobiliária, teremos que arcar ainda mais com este custo.

    Nesse cenário de filme de terror sabemos que quem está pagando a conta da crise somos nós. O que ainda precisamos compreender é que sem mobilização, organização coletiva de enfrentamento a estes ataques continuaremos a mercê.

    São os nossos direitos sendo retirados um a um e a cidade de Belo Horizonte se fechando para o acesso à cultura, arte e lazer, bem como de quem estuda, trabalha ou está desempregado que tem o seu “direito de ir e vir” retirado.

    Fiquemos atentos, Kalil já está mostrando a que veio. E é preciso que firmemos unidade nas lutas e na construção e elaboração de um plano para mobilizar BH. Algumas manifestações ocorreram nesta semana, é na luta e com a disposição que poderemos frear este grande ataque.

    Foto: Rayane Silva

  • Jonas Donizette e a farra do transporte em Campinas

    Por: Antônio Junior, Campinas, SP

    Centenas de jovens ocuparam as ruas do centro de Campinas nesta terça feira contra o aumento da tarifa do transporte público. No último dia 29, no apagar de 2016, antes de assumir seu novo mandato, o prefeito reeleito Jonas Donizette (PSB) decretou que a partir do dia 07/01 (sábado) a passagem passará para R$4,50, um aumento de 18,4% em relação ao valor anterior.

    Se descontarmos a inflação, isso significa um aumento real de 10,9%. Além disso, o decreto estabelece a cobrança de R$0,30 a partir da segunda integração, prejudicando a população periférica que precisa pegar mais de dois ônibus para chegar ao seu trabalho.

    Em meio a crise econômica, onde os trabalhadores estão lutando pela manutenção de seus empregos e direitos, onde os ajustes salariais estão abaixo da inflação, Jonas Donizette (PSB) quer que a juventude e os trabalhadores paguem pela crise.

    O aumento só serve para garantir, em meio a este cenário, o lucro das empresas privadas operadoras do sistema, reunidas na Transurc – Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas e dirigidas pelo Grupo Berlarmino. Esse aumento escancara o que todos já sabem: Para Jonas Donizette e seu governo, transporte é uma mercadoria e não um direito.

    “Equilíbrio econômico-financeiro”

    Para justificar esse aumento, o governo mobilizou suas peças e fantasias.

    A EMDEC – Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas, em seu site oficial, chegou a escrever que o aumento “beneficia 44% dos usuários do transporte, uma vez que além dos detentores do cartão, o valor praticado com o Bilhete Único Comum também é o de referência para o Bilhete Único Escolar e o Bilhete Único Universitário”.

    A notícia se refere ao aumento diferenciado do Bilhete Único Comum, cuja tarifa passará a custar R$4,20. A notícia ainda tenta argumentar que o aumento é consequência da inflação e da alta dos preços da “cesta de transporte público”, diesel, pneus e veículos.

    O sindicato patronal (SetCamp), sem constrangimento, foi direto ao ponto, em matéria veiculada pelo Correio Popular. Segundo seu diretor de comunicação, Paulo Bardall, o aumento foi “insuficiente”, pois este compromete o “equilíbrio econômico-financeiro” das empresas e do sistema de transportes do município.

    A proposta do SetCamp era de R$4,80! Mas o que é o “equilíbrio econômico-financeiro”?

    Em síntese, significa garantir as altíssimas taxas de lucro das empresas envolvidas com o sistema público de transporte de Campinas. Se o transporte não fosse um negócio lucrativo, essas empresas colocariam seus capitais em outro setor. Para essas, os usuários são custos para o sistema que controlam.

    Cabe à Prefeitura, por meio de subsídios, e aos usuários, como “custo-consumidores”, fazer com que o sistema gere cada vez mais capital para a Transurc, uma minoria de empresários que pouco se importa com a vida dos que utilizam diariamente o transporte público precarizado da cidade. É o lucro dessas empresas que explica o aumento anual das tarifas de ônibus.

    Jonas Donizette quer que paguemos pela crise

    O governo Jonas argumentou que o aumento é uma decorrência da crise econômica do município, que deverá diminuir os subsídios para as empresas nesse ano. Já ouvimos essa história antes. Ano passado, o absurdo repasse que deveria ser de R$30 milhões, fechou em R$95 milhões, segundo a Lei Orçamentária Anual!

    Enquanto isso, os ônibus continuaram lotados, as linhas continuaram abaixo da demanda e os motoristas continuaram com seus baixos salários e sua dupla função, imposta desde a demissão de 1.500 cobradores.

    O argumento da crise é o mesmo utilizado para o parcelamento e atraso dos salários dos servidores públicos municipais. Jonas Donizette quer nos convencer que a crise deve ser paga por nós.

    Não seria melhor ter investido esses 95 milhões diretamente no sistema público de transporte, ao invés de entregá-lo para o bolso dos empresários? Por que o prefeito não corta a quantidade obscena de cargos comissionados para conter a crise e devolver o dinheiro da merenda? Por que não se abre as planilhas de gastos e lucros da EMDEC e da Transurc, para que a população veja claramente o tal do “equilíbrio econômico-financeiro”?

    A resposta para essas perguntas é a seguinte: Jonas Donizette tem o rabo preso com a Transurc e fará de tudo para que os trabalhadores e a juventude continuem a enriquecendo. Não é à toa que uma das principais doadoras de sua campanha em 2012 tenha sido essa empresa.

    É preciso organizar a resistência! É preciso estatizar o transporte público!

    A relação entre a Transurc e a Prefeitura de Campinas completarão 30 anos em 2017. Contrariando a máxima da direita neoliberal sobre a eficiência da iniciativa privada, o exemplo do transporte público campineiro demonstra como três décadas foram o suficiente para transformar o direito ao transporte em precarização, superexploração e preços abusivos.

    Ninguém aguenta mais!

    Precisamos organizar a resistência para barrar esse aumento absurdo. A tarefa é árdua e exigirá a dedicação de todos os ativistas, organizações e movimentos sociais da esquerda para reunir a força social necessária que nas ruas possamos derrotar o decreto de Jonas.

    Precisamos resgatar o trabalho de base e irmos com todas as nossas forças para os bairros, escolas e locais de trabalho, divulgando nossas pautas e chamando a população para a luta. Nesta sexta-feira sexta feira (06), a juventude se reunirá novamente nas ruas, a partir das 17h, no Largo do Rosário.

    Apesar de ser a tarefa imediata, barrar o aumento não resolve o problema do transporte público da cidade. É preciso arrancar da mão da Transurc o controle do sistema de transportes e devolvê-lo para a Prefeitura. Os empresários e seus aliados no governo são a causa da precariedade e do elevado custo do ônibus.

    Sob o controle da Prefeitura, será necessário criar mecanismos de controle do sistema pelos trabalhadores e suas entidades, únicos capazes de definir as reais necessidades da população em relação ao transporte. Não dá para deixar nas mãos do governo corrupto de Jonas Donizette nossos direitos.

    É assim que poderemos almejar o passe livre para toda a população.

    – Contra o aumento da tarifa! 4,50 é um assalto!

    – Organizar a resistência nos bairros, escolas e locais de trabalho! Por uma Frente de Resistência contra o Aumento!

    – Jonas Donizette e a Transurc querem que você pague pela crise!

    – Estatização do transporte público! Transporte não é mercadoria!

    Foto: Luma Feboli