Juventude

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  • Estudantes ocupam ruas contra Marchezan (PSDB), em Porto Alegre

    Por: Afronte-RS

    Na manhã desta sexta-feira (11), o tradicional protesto do Dia do Estudante, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, teve como principal reivindicação a não implementação do decreto expedido no mês passado, que restringe o direito ao meio-passe estudantil, junto com o fim da isenção para professores e idosos no transporte público municipal.

    Os protestos começaram com o trancaço realizado por estudantes da UFRGS numa das principais vias da região Central. Os estudantes ocuparam a Av. Sarmento Leite por volta das 6h e permaneceram até a Brigada Militar dispersar o movimento com bombas de gás e efeito moral, por volta das 7h.

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    A partir das 9h, milhares de estudantes se concentraram em frente à Escola Estadual Parobé e partiram em marcha até a Prefeitura. Dezenas de ônibus vieram de todas regiões da cidade no ato organizado pela UMESPA, UEE Livre, UNE, UBES e diversos Grêmios e Centros Acadêmicos. O Afronte participou do ato ao lado dos coletivos da Oposição de Esquerda da UNE e outras organizações, como o Alicerce e a Resistência Popular.

    É a primeira manifestação de resistência contra essas medidas que retiram nossos direitos históricos. O meio-passe foi implementado há quase 20 anos e, no ano passado, a partir de ação movida pela então gestão do DCE da UFRGS, conseguimos ampliar o direito para domingos e feriados. Marchezan quer agradar a máfia do transporte, seguindo o exemplo do antigo prefeito Fortunati. Precisamos ampliar a mobilização na sociedade para que a façamos como em 2013. É preciso radicalizar nas ideias e nas ações para barrar os retrocessos.

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  • Todo apoio a Ocupação da Câmara, em defesa do Passe Livre e pela Unidade do movimento

    Por Natalia Dias do movimento Afronte, de SP

    Durante as férias dos estudantes o prefake João Doria anunciou mudanças no Passe Livre estudantil, limitando a utilização do benefício e acesso a cidade, principalmente aos estudantes da periferia, que são os mais afetados com a mudança.

    Hoje, 09 de Agosto, UPES e UEE ocuparam a Câmara Municipal de São Paulo contra o pacote de privatizações que vendem nossa cidade, em defesa do Passe Livre. É necessário radicalizar nas ações, e por isso todo apoio a ocupação, que Doria revogue as medidas que cortam o passe livre.

    No entanto, é muito importante que a direção da UNE e UEE tenham uma postura unitária com o restante do movimento secundarista, que construam as ações de maneira aberta e democrática e fortaleçam espaços de decisão como as assembleias secundaristas de São Paulo.

    Não há espaço para de dividir autônomos e organizados, é preciso unidade total na luta em defesa do Passe Livre. Cada escola e cada rua é espaço para nossa luta, com unidade e radicalização nas ideias e nas ações.

    Nessa sexta-feira (11) é dia do estudante e vamos mostrar pro prefeito patrão nossa força no 4º Grande Ato em Defesa do Passe Livre Estudantil, com concentração às 16hrs na praça do Ciclista. Vamos à Luta!

    Calendário:

    Dia do estudante é dia de luta! Participe das atividades nesta sexta-feira (11):
    8h, no vão do MASP: 11 de Agosto – Dia do Estudante Fora Temer!
    https://www.facebook.com/events/1479813378734734/?ti=cl

    16h, na praça do Ciclista: Quarto grande ato contra o corte do passe livre
    https://www.facebook.com/events/1429426157150458/?ti=as

    18h30, no largo São Francisco: Ato político e posse da UEE SP
    https://www.facebook.com/events/724460691086467/

  • Nota coletiva de repúdio à disciplina casa grande

    Publicado originalmente no facebook do DAEA UFMG.

    Belo Horizonte, Julho de 2017

    À comunidade,

    Nós, estudantes do curso de Arquitetura e Urbanismo, representados pelo Diretório Acadêmico da Escola de Arquitetura da UFMG viemos expressar nossa indignação quanto ao racismo e desrespeito contidos no nome e no programa da disciplina de projetos flexibilizados (Pflex) “Casa Grande” ofertada pelo professor Otávio Curtiss.

    Historicamente, a casa grande e a senzala, em hierarquia, sempre se delinearam como pilares da ordem escravocrata no Brasil, estruturada em uma produção latifundiária completamente controlada pelo senhor do engenho, que tentava exercer poder sobre a vida de seus escravos, empregados e moradores. Após 129 anos da abolição da escravidão no Brasil, no entanto, a estrutura escravocrata ainda segue presente no cotidiano brasileiro. Como discutido em diversas disciplinas na EAD-UFMG, o quarto de empregada, por exemplo, tem como origem a segregação escravista. Ele surge como uma solução para separar empregados e patrões que permaneceram vivendo juntos após a abolição, em 1888. Com o crescimento das cidades e a verticalização urbana, as novas soluções de moradia mantiveram soluções arquitetônicas que perpetuam a separação entre patrões e empregados.

    Ao propor um projeto localizado em um condomínio de alto padrão de Nova Lima com a organização de uma zona íntima de 5 suítes com banheiro completo e rouparia e, paralelamente, uma zona de serviço composta de cozinha, lavanderia, despensa, depósito, quartos e banheiros para 8 empregados, o professor Otávio Curtiss incentiva os discentes a projetarem uma casa grande que incorpora a senzala e reforça os moldes de dominação em pleno século XXI. O programa da disciplina, agravado pelo nome, explicitamente fere e desrespeita estudantes que, em diferentes níveis, conseguem subverter a ordem escravista ainda existente no Brasil.

    Sendo assim, questionamos a quem contempla a construção da grade curricular e a arquitetura fomentada pela universidade na formação dos alunos do curso voltada para uma classe elitista, a qual parte dos graduandos da escola de Arquitetura e Urbanismo da UFMG, pretos, pobres e advindos de escolas públicas, não pertencem. Com essa proposta, o professor Otávio Curtiss reforça os padrões sociais que vão ao encontro das estruturas do Brasil Colônia e fogem da realidade da maioria dos indivíduos que compõem a população brasileira, utilizando a proposta da disciplina para justificar a produção de uma arquitetura racista.

    Questionamos também a posição do Departamento de Projetos em permitir a oferta da disciplina uma vez que está explícita as problemáticas do termo e do conteúdo propostos. O racismo institucional presente na Escola de Arquitetura vai de encontro a todos os esforços de inclusão expressados pela UFMG. Mais uma vez, os setores reacionários da universidade estão pouco preparados para receber a diversidade sociocultural do novo perfil de seus estudantes, reforçando suas estruturas racistas e como elas representam uma forma de dominação na sociedade atual.
    Dessa forma, ressaltamos nossa inflexibilidade em aceitar uma disciplina que perpetue o racismo. Exigimos um parecer do Departamento de Projetos em relação à pretensão do professor Otávio Curtiss e à proposta da disciplina, bem como seu cancelamento.

    Diretório Acadêmico da Escola de Arquitetura e Design da UFMG
    Link para PDF > http://bit.ly/2v1Xuk3

  • Afronte nas ideias e nas ações

    Depois de sete dias de votação online e muita expectativa nasce um novo movimento de juventude no Brasil. 1.745 pessoas participaram, entendendo a importância do envolvimento para fortalecer mais um polo na luta e a maioria escolheu o nome AFRONTE. Essa palavra carrega em si o que pretendemos ser. Nosso nome será AFRONTE porque afrontar no dia a dia é construir a resistência pra dar a virada que a gente precisa no Brasil!

    Afrontar Temer e suas reformas!

    Começamos a nos organizar neste ano de ataques brutais, após as experiências das ocupações contra a PEC do TETO e contra o governo Temer. Estávamos obstinados a fortalecer a resistência contra as reformas que jogam nosso futuro na lata do lixo, sem direitos trabalhistas e sem aposentadoria e fizemos parte também das ocupações de escolas e universidades que fortaleceram essa resistência.

    A Reforma trabalhista é um retrocesso tão grande que vai obrigar as mulheres gestantes a trabalhar em local insalubre, diminuir horário de almoço, deixar as negociações correrem “livres” ditadas pelo patrão, entre outras barbaridades, aumentando ainda mais a precarização do trabalho.
    Organizamos junto a diversos setores os comitês pela construção da greve geral do dia 28 de abril lutando pela unidade necessária para resistir aos ataques deste governo ilegítimo. Foram milhares de barricadas país a fora, milhares de piquetes e atos onde a juventude abraçou a classe trabalhadora. Temos orgulho de ter iniciado nossa construção num AFRONTE da classe trabalhadora que foi a greve geral.

    Participamos da Marcha a Brasília de 24 de maio onde afrontamos novamente Temer e o Congresso Nacional, que morreram de medo quando viram que após 4 horas de bombas não arredávamos pé, e chamaram o exército para nos conter.

    Após a aprovação da reforma trabalhista não resta dúvidas que nossa atitude deverá ser a de recuperar as forças e seguir o combate. Agora nesse semestre teremos uma dura batalha contra a reforma da previdência, que vem na verdade para destruir o direito da juventude a ter aposentadoria e que quer nos fazer trabalhar até morrer. Nascemos afrontando Temer e seu projeto de destruir nosso futuro!

    Pra afrontar o capitalismo!

    A situação que vivemos hoje é fruto da degradação de um sistema falido. O capitalismo, longe de ser o sistema que deu certo, é o sistema que hoje leva milhões a imigração forçada, que não são aceitos nos países onde buscam abrigo. É o sistema que impõe mais e mais exploração aos 99%, que resistem dia após dia para não perder o pouco que conquistamos com sangue e suor e sustentam com esse suor o 1% mais rico do mundo. O capitalismo precisa ser afrontado! Essa lógica precisa ser invertida.

    O capitalismo finge empoderar os oprimidos, mas na verdade impõe um verdadeiro genocídio contra os negros, em especial no nosso país que herdou 300 anos de escravidão. A homofobia e mais ainda a transfobia mata todos os dias LGBTS. As mulheres morrem todos os dias vítimas de violência, de abortos clandestinos, a cada 11 minutos em nosso país acontece uma violência sexual.

    Muito tempo se passou acreditando, e muitos ainda acreditam, que é possível mudar a vida do povo na política do “ganha-ganha” onde poderia o 1% e os 99% ganharem ao mesmo tempo. Mas a realidade provou que essa é uma grande utopia. Quando chega a crise os ricos e poderosos radicalizam: não pactuam, mas golpeiam! Os falsos aliados mostram as garras, e como foi com Temer avançam contra nós.

    E pra lutar contra o capitalismo hoje é necessário medidas radicais e estamos dispostos a construir uma alternativa política que defendam essas medidas, como a taxação das grandes fortunas, reforma agrária e urbana, redução da jornada de trabalho sem redução de salário para distribuir o trabalho entre todos os braços, nenhum dinheiro para alimentar os sanguessugas do mercado financeiro que vivem de juros e de supostas dívidas de países como o nosso, e punição de verdade aos corruptos e corruptores, onde os donos das grandes empresas corruptas não sejam premiados, onde operações como a “lava-jato” – que não passa de teatro para distrair o povo e servir aos interesses políticos deste ou daquele setor – sejam desmascaradas.

    Afrontar as opressões!

    O capitalismo lucra com a opressão, lucra em transformar diferença em desigualdade e em superexplorar os oprimidos. Cada salário desigual pela mesma função pago a um negro, a uma mulher ou a um Lgbt, é um lucro direto aos ricos e poderosos. O controle sobre o corpo das mulheres também é lucro pra eles. O racismo institucional que transforma a juventude negra em “suspeitos cotidianos”, que mata e prende por pinho sol ou pipoca na mão de uma criança , é lucro para os ricos e poderosos. A lgbtfobia que coloca trans em empregos precários e muitas vezes escondidos é lucro para os ricos e poderosos. Afrontar o racismo, a lgbtfobia e o machismo é também afrontar esse sistema. Apesar dos ataques, nos últimos anos houve um verdadeiro protagonismo desses setores na luta, tanto nas lutas contras as opressões, quanto na luta contra a retirada de direitos, pois sabemos que quando os direitos são retirados, os primeiros a sofrerem são os setores oprimidos. Organizar esse exército de afrontosas e afrontosos é essencial para nosso movimento.

    Afronte na luta!

    Afrontar é verbo, é ação. Somos a juventude afrontosa, que desafia o desgoverno de Temer.

    Afrontar é revelar a urgência de um movimento combativo. É declarar que não haverá paz até que acabe o extermínio da juventude negra nas periferias.

    Afrontar é mostrar que não andaremos de cabeça baixa. Em um dos países que mais mata mulheres e LGBTs no mundo, nós resistimos e lutamos.

    Se nos querem calados, nós gritamos. Nós produzimos eventos culturais nas cidades, fazemos cursinhos populares… Utilizamos todas as armas que retirem de nós a mordaça a opressão.

    Afrontar é montar barricadas junto com os movimentos sociais, em defesa dos nossos direitos. É também ocupar as entidades estudantis de maneira democrática para que elas sejam nossos instrumentos de luta.

    AFRONTE É GUERRA contra os senhores. AFRONTE é organização dos debaixo contra os de cima. AFRONTE é força que nasce na unidade e na ação direta contra o capitalismo.

  • ‘Surge novo movimento de jovens anticapitalistas’ – Vic, diretora de Movimentos Sociais da UNE

    Por: Victoria Ferraro, a Vic, diretora de movimentos sociais da UNE

    “A vida é bela, que as gerações futuras a limpem de todo o mal, de toda opressão, de toda violência e a gozem plenamente”. (Leon Trotsky)
    “O tempo é roído por vermes cotidianos. As vestes poeirentas de nossos dias, cabe a ti, juventude, sacudi-las”. (Vladimir Maiakovski)

    Desde ontem (18), se iniciou no Facebook uma discussão feita por centenas de jovens querendo saber qual o melhor nome para o novo movimento de jovens anticapitalistas e marxistas que está surgindo. A votação do nome é o fim de um ciclo que se iniciou com a construção da tese Pra Virar o Jogo ao 55º CONUNE. Uma tese construída a partir de muito esforço de diversos ativistas do movimento estudantil espalhados em cada região do país, que compuseram, junto com outros coletivos de juventude, a Oposição de Esquerda da UNE e estiveram nas lutas desde o ano passado contra os ataques de Temer. 

    Entramos agora em uma nova fase do nosso movimento, queremos colocar nosso bloco na rua e elaborar um programa que responda aos anseios da juventude brasileira. Somos jovens que estão na rua lutando contra os ataques ao nosso futuro, mas sem perder de vista a necessidade do estudo e da formação marxista.

    Nós Afrontamos os padrões impostos pela sociedade capitalista. Somos LGBTs, Negras e Negros, Mulheres, dizendo que toda forma de amor vale a pena, que vidas negras importam, e que temos o direito de fazer o que bem entendemos com os nossos corpos.

    Afrontamos também as velhas práticas no movimento estudantil. Dizemos que precisamos radicalizar na forma e nas ideias. Chega só de acordos entre as correntes e reuniões intermináveis que afastam os estudantes do movimento. Queremos um movimento que priorize o que é melhor para os estudantes e para nossas lutas, e não a auto-construção das organizações. Queremos um movimento que se aprofunde nas discussões, que faça os estudantes se apaixonarem pela possibilidade de que, através do movimento estudantil organizado, junto com os trabalhadores, consigamos transformar nosso futuro.

    São tempos de Resistência contra os ataques e a ofensiva dos de cima contra os de baixo. Trump nos EUA, Macri na Argentina, Macron na França, May no Reino Unido e Temer no Brasil são alguns dos representantes do capital que através desses governos planejam aprofundar cada vez mais o nível de exploração e opressão dos trabalhadores e da juventude.

    No Brasil, a Reforma Trabalhista acaba de ser aprovada, junto com um pacote que já conta com a Reforma do Ensino Médio e a PEC 55, que congela todo o investimento nos serviços públicos. E ainda querem no ano que vem aprovar a Reforma da Previdência. Nosso futuro está completamente ameaçado, corremos o risco de ter que trabalhar 12 horas por dia até morrer. A tarefa histórica da juventude brasileira frente a esses ataques é Resistir, para que consigamos Virar o Jogo e impor o que realmente queremos para nosso futuro.

    Mas, para dar essa Virada é preciso ser radical e, por isso, somos Anticapitalistas. Somos aqueles que se indignam quando olham para a pobreza e a situação da população de rua nas grandes cidades, quando ouvimos piadinhas LGBTfóbicas nas festas da família, quando as mulheres não podem andar na rua sozinhas à noite por medo de serem estupradas, quando temos que pagar caro na passagem de ônibus enquanto ganhamos uma miséria no estágio, quando percebemos que o maior beneficiado com nosso trabalho é o patrão e não nós mesmos. Tudo isso que nos indigna é culpa do capitalismo e queremos acabar com esse sistema que nos oprime e explora.

    Brincadeiras e piadas à parte, estamos juntos na construção desse movimento, independente de seu nome. Propusemos a votação online para começarmos inovando nas práticas. Queremos que o máximo de pessoas possam participar disso junto com a gente.

    Para participar é só entrar no link

    Afronte? Virada? Resistência? Essas são as três opções de nome. Vote no que achar melhor e seja feliz! Venha construir esse novo movimento!

    Grupo do movimento
    Página do movimento
    Evento de participação
    Link de votação

  • Novo coletivo de juventude lança campanha virtual para escolha de nome

    Da Redação

    Resistência? Afronte? Virada? Está surgindo um novo movimento de juventude anticapitalista no Brasil e essas são as opções para o nome do novo coletivo. O movimento surge a partir dos assinantes da tese Pra Virar o Jogo, que participou pela primeira vez do 55º Congresso da União Nacional dos Estudantes este ano. O ousado do grupo é que deixaram a decisão aberta para qualquer um que queria participar. A votação é feita pelo site Pra Virar o Jogo e se encerra na próxima terça-feira, 25 de julho.

    “A partir do encontro nacional dos assinantes da tese ‘Pra Virar o Jogo’ defendida no último congresso da UNE, surgiu a determinação de conquistar mais pessoas dispostas a somar forças anticapitalistas para agir de maneira unificada em busca de transformações sociais”, explica o grupo na página da campanha.

    Apesar dos integrantes serem em maioria estudantes de escolas e universidades, o novo movimento de juventude afirma pretender ultrapassar os muros do movimento estudantil.  “Somos jovens, mulheres, negras e negros, LGBTs, periféricas, trabalhadoras que têm o sonho e a garra para construir um novo mundo: livre da exploração e de todas as opressões. Para isso, queremos construir um novo movimento de juventude com a coragem para radicalizar nas ideias e nas ações”, afirmam.

    Assistam no vídeo

    A campanha pela decisão do nome iniciou na noite desta segunda-feira (17). De forma presencial, está chegando às escolas, universidades e demais espaços onde os membros do coletivo já atuam.

    E a partir da rede social Facebook, ganhou tom irreverente, com defesas da concepção de cada um dos nomes, produção de memes e até twibbons que são adicionados aos perfis.

    Quer participar?
    Para escolher o nome desse movimento, a votação é online.
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  • Minhas memórias do dia 20 de junho de 2013

    Por Matheus Gomes, Colunista do Esquerda Online

    Hoje vamos para mais uma audiência do julgamento do Bloco de Lutas. Resolvi refletir sobre o dia que vivemos há quatro anos.

    Aquela quinta-feira foi o ápice de uma semana intensa. De quinta à quinta o Brasil acumulou uma energia política inovadora, as ruas pulsavam. Os protestos organizados por movimentos como o MPL (SP) e o Bloco de Lutas (POA) ganharam a solidariedade e a simpatia de milhões de pessoas. O editorial da Folha de São Paulo exigindo repressão impiedosa aos manifestantes no 13J foi dois dias antes do início da Copa das Confederações, já a manifestação nacional monstra do 20J ocorreu um dia depois da dupla Neymar e Jô guardar dois gols no México. É que ai a ação coletiva nas ruas já era o centro das atenções ao invés dos gramados. O pacto selado entre multinacionais e governantes foi para os ares quando irrompeu o povo jovem e trabalhador, maioria nas ruas durante as jornadas.

    Repressão na Ipiranga

    Repressão na Ipiranga

    Eu acordei cedo. Fui fazer uma panfletagem para divulgar o ato das 17h no Paço Municipal. Chovia num frio de “renguear cusco”. Sai de casa as 7h e fiquei com a mesma roupa até o final do dia. A tensão começou muito antes do ato. No início da tarde recebemos a notícia da invasão na sede da Federação Anarquista Gaúcha. Homens que diziam ser da Polícia Federal entraram e vasculharam o Ateneu Libertário pra levar materiais políticos e livros. A escalada repressiva contra o Bloco de Lutas já tinha começado em abril, mas esse fato mostrou que a perseguição ficaria mais intensa com o crescimento dos atos. Naquela noite cerca de 850 homens da Brigada Militar foram pras ruas reprimir o ato, num mega aparato que se concentrou majoritariamente em três pontos: na frente da Zero Hora, nos arredores da Matriz e, no final do ato, entre o Glênio Peres e as principais paradas de ônibus do Centro.

    Rapidamente convocamos uma coletiva de imprensa no DCE da UFRGS as 16h. Contatamos toda a imprensa local e decidimos um método pra fazer a coletiva que não focasse numa liderança específica nos microfones. Algumas pessoas se revezaram a cada parágrafo atrás de outras pessoas que seguravam faixas e cartazes. Falamos da perseguição política, mas tentamos puxar a atenção pras demandas do movimento, já que a Zero Hora divulgou pautas que não eram as nossas pra começar a operação de sequestro das manifestações, além de dizer que recebíamos treinamento de guerrilha através de movimentos internacionais (!).

    Coletiva de imprensa do bloco de lutas

    Coletiva de imprensa do bloco de lutas

    Quando chegamos no protesto uma multidão já se aglomerava entre a Esquina Democrática e a prefeitura. Chovia bastante, mas descobri a incrível sensação de marchar encharcado ao lado de milhares de pessoas. A manifestação se dividiu em duas. De um lado o Bloco de Lutas querendo ir ao Piratini, do outro pessoas que não temos como saber quem eram coordenando uma manifestação em direção a Zero Hora. Calcular quantos éramos é uma tarefa pendente que em breve vou resolver, mas as duas marchas se encontraram na João Pessoa com a Salgado Filho. A pressão para descermos até a Ipiranga venceu porque vínhamos de uma rua menor, o que nos tirava a condição de influenciar no itinerário, mas também sugere que a manifestação que encontramos era ainda maior que a nossa.
    A Brigada Militar fez subir uma cortina de gás nunca vista em Porto Alegre, foi mais de uma hora de enfrentamento na Ipiranga com a Azenha sobre uma manifestação que até então seguia pacífica e tranquila. Nessa altura do campeonato já não tínhamos domínio de fato algum, ao contrário do que pensa o Delegado. Queríamos apenas nos proteger e cuidar uns dos outros para seguir em luta. Nossos corpos eram as armas que tínhamos para batalhar pelas ideias que acreditávamos naquele Junho.

    Foi um dia emblemático. Depois do 20J, o MPL disse que não chamaria mais protestos em São Paulo e a participação das organizações de esquerda nas manifestações começava a ficar difícil em todo o país. Em POA tivemos outro ato na segunda (24J) e na quinta (27J), numa dinâmica distinta das outras metrópoles, mais articulada em torno das manifestações que organizávamos devido à existência do ciclo anterior de março e abril. Já os Marinhos agiram rapidamente e em poucas horas fizeram um Globo Repórter criando o seu perfil de movimento (branco, de classe média e verde-amarelo), no sábado veio a Veja etc. Enquanto isso, Dilma fazia seu pronunciamento em rede nacional falando de democracia e liberdade de expressão, direitos sociais, amor dos brasileiros pelo futebol e combate a violência nos atos, na impossível tarefa de agradar gregos e troianos. Foi nesse dia que prenderam o Rafael Braga.

    Quatro anos depois retomo essas lembranças tentando seguir o conselho de Walter Benjamim nas suas Teses Sobre História. Mesmo que olhando para o passado com sabor já insípido, prefiro usar da minha memória para tentar despertar “as centelhas da esperança”, por que sim, “nem os mortos estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer”. Seguimos em luta, olhando pra frente!

    Fotos de POA: Ramiro Furquim e Bernardo Jardim; RJ: autor desconhecido.

  • Três tarefas e três destinos possíveis para a Oposição de Esquerda da UNE

    Por Lucas Brito, de Brasília, DF

    Há anos, os congressos da UNE “passam batido” frente às grandes tarefas dos trabalhadores e estudantes brasileiros. O nível de contribuições desses congressos, bem como de sua entidade, foi resumido ao limite. A UNE perdeu seu brilho e seu vigor. Sob a direção do bloco majoritário liderado pela UJS/PCdoB a entidade viu sua história, sua capilaridade e referência entre os estudantes serem utilizados como instrumentos para a simples perpetuação burocrática desse setor em sua direção.

    Do ponto de vista político, essa burocracia submeteu a entidade aos mandos e desmandos dos governos de conciliação de classes encabeçados pelo PT de Lula e Dilma. Sendo assim, em nome da defesa da expansão universitária e do sonho de milhões de poder chegar ao ensino superior, a UNE se dobrou diante dos tubarões de ensino, vendo os cofres desses se multiplicar ao extremo.

    Contudo, a história guarda suas ironias e agora, diante do governo golpista de Michel Temer e o avanço das reformas que acabarão com todos os direitos dos trabalhadores e o futuro da juventude, mais uma vez a UNE se vê confrontada pelo destino, agora localizada na oposição ao atual governo. Honrará sua história mais antiga de lutas, ou seguirá empoeirada pelos fofos tapetes dos gabinetes da história mais recente?

    Até aqui, a entidade seguiu tímida, não conseguindo cumprir papel de destaque na greve geral do dia 28, ou na grande ocupação de Brasília, no dia 24. Os dois destinos possíveis aumentaram as expectativas no 55º CONUNE. Agora, depois de décadas, o Congresso da UNE volta a ser esperado e sobre ele rodeiam esperanças e exigências. Da nossa parte, assim como os coletivos da Oposição de Esquerda, temos certeza, nos preparamos para uma grande luta contra o Campo Majoritário, mas também contra o Campo Popular, para que a UNE não vacile na luta pela derrubada de Temer, pelo fim da tramitação das reformas e anulação do que já foi aprovado, e a convocação de um processo democrático de saída para a situação do Brasil,  o que acredito passar pela convocação de eleições diretas para presidente e também para o Congresso Nacional.

    As três tarefas da Oposição de Esquerda da UNE
    A juventude do MAIS recém ingressou enquanto organização política na UNE, o que foi completado pela nossa adesão ao campo político da Oposição de Esquerda da UNE. Como somos uma corrente recém-ingressante ao campo, pedimos licença para apontar aquilo que achamos ser fundamental como tarefas políticas do mesmo.

    1 – Disputar politicamente o CONUNE e toda a UNE para ser uma Frente Única das lutas

    Em primeiro lugar, esse Campo Político é o único capaz de representar hoje o passado de triunfos e coragem da UNE. Reivindicamos líderes como Honestino Guimarães e tantos outros que deram suas vidas para construir uma entidade de lutas. A UJS e seu bloco político sustentado por acordões já se demonstrou incapaz de conduzir politicamente a entidade para as lutas. Só o fará quando derrotada, provavelmente não do ponto de vista formal, pois sabemos bem das fraudes e outras formas de se perpetuar na direção da entidade, mas na arena da política. A Oposição de Esquerda deve almejar a disputa política da UNE e de todos os estudantes que resguardam referência ou esperança nessa entidade. Devemos disputar a UNE para que essa cumpra um papel de Frente Única na luta pelo Fora Temer e suas reformas.

    Isso significa a batalha cotidiana para que a UNE exista e organize os estudantes nos locais de estudo. Que coloque toda a sua estrutura a serviço das lutas, que mobilize os estudantes junto com os trabalhadores. Logo após o CONUNE, teremos um grande teste, a greve geral do dia 30 de junho. Devemos jogar todo o nosso empenho para que a UNE aprove uma série de medidas para construir uma grande greve nacional estudantil com ocupação das ruas ao lado dos trabalhadores.

    2 – Servir como uma frente de esquerda unificada na juventude, por um novo projeto político para o Brasil

    Além de imobilizar a entidade para as lutas, a direção majoritária da UNE também submeteu esta a um projeto político de conciliação de classes e de pequenas reformas, visando o enfrentamento à pobreza por meio do consumo, aprofundando ainda mais a desigualdade social. Esse projeto político encabeçado pelo PT se demonstrou incapaz de conduzir o país a uma nova agenda de desenvolvimento econômico e redução das desigualdades de fato. Verificando-se apensas um período de crescimento econômico dependente do mercado internacional, quando esse acabou, com ele também acabou nosso “desenvolvimento”. Não o estamos questionando por não terem feito revolução, o criticamos por aquilo que pretenderam fazer e, além de não fazerem, jogaram na lata do lixo todo o projeto político que encantou milhões desde as lutas do fim dos anos de 1970.

    Agora, não satisfeitos, os setores da direção majoritária e o Campo Popular propõem reeditar a história, defendendo o mesmo modelo de governo de conciliação de classes para o Brasil, em 2018. É preciso aprender com o passado, especialmente o recente, e sob o qual sofremos suas piores consequências. Um projeto político de acordões entre trabalhadores e empresários/banqueiros mostrou que quem sai ganhando é o dono do bolo, o lado de lá. Passado um ano desde o golpe parlamentar, todas as pequenas conquistas e concessões do governo estão sendo perdidas. Nas universidades, o cenário de precarização, ausência de assistência estudantil e etc são a prova da ineficiência desse modelo de políticas públicas.

    Portanto, a Oposição de Esquerda tem a tarefa política e estratégica de representar na juventude a conformação de uma frente de esquerda capaz de impulsionar a construção de um novo projeto político para o Brasil. Livre da conciliação de classes e com um projeto que se oriente pelo combate à desigualdade social, reconhecendo o papel dependente do nosso país, suas “missões” de exploração de outros países, ou seja, de gerente do imperialismo norte americano nos países vizinhos no nosso continente e no continente africano; à ditadura “velada” contra jovens negros nas periferias e ao conjunto das consequências da escravidão que ainda hoje dão base para imensos índices de superexploração da nossa classe trabalhadora, entre outros.

    Sendo assim, extrapolar os muros da UNE e do movimento estudantil e servir como uma referência política para os jovens que nutrem a coragem de construir um futuro diferente para o Brasil. Devemos ser, no Brasil, a expressão da radicalidade à esquerda enquanto saída para a situação de crise mundial que mais uma vez o capitalismo impôs à humanidade.

    3 – Servir como organizadora das lutas e dos lutadores

    Sem prejuízo à tarefa de lutar por uma UNE das lutas. O Campo da OE – UNE já mostrou que tem capacidade de organizar lutas e seus lutadores. Esse campo, para além de se organizar para disputar os fóruns da UNE, deve servir como uma referência direta para os estudantes, por meio de chamados próprios, agenda de atividades nacionais e regionais, publicações periódicas. Ou seja, servir como uma organizadora coletiva dos jovens lutadores pelo Brasil.

    Acabamos de encerrar a fase de eleição de delegados ao 55º CONUNE. Como não poderia deixar de ser, esse período é marcado por intensos conflitos e o índice de tensão vai lá para as alturas.

    O desafio da unidade às vésperas do CONUNE
    é sabido que, desde o último CONUNE, o bloco da Oposição de Esquerda da UNE veio se defrontando com os desafios próprios do repique cada vez mais acelerado da conjuntura. São várias as organizações políticas nesse bloco e, do ponto de vista tático, há importantes diferenças.

    Contudo, o nível de tensão instaurado entre os coletivos da oposição de esquerda não se explica pelas pequenas diferenças de análise, caracterização e política para a realidade. Isso não significa que não haja diferenças. Mas, por mais que possam parecer, não são suficientes para nutrir o nível de tensão atual. Desde o início dos governos do PT, esse é o maior desafio com que a esquerda radical se defronta. É natural que faça com que borboletas façam rasantes em nossos estômagos. Mas, como disse minha amiga Camila do GT Nacional do Juntos! em seu facebook: “O movimento estudantil é portador do novo, por isso nossa tarefa é fortalecer o campo dos que lutam, mas sabemos que não nos bastamos sozinhos nessa tarefa. Por isso a unidade do campo da Oposição de Esquerda é fundamental”. E como não começamos agora, sabemos bem não só as delícias, mas também as dores da construção da unidade. Essa não se faz por decreto, nem por imposição. A unidade é uma construção onde cada parte importa e que muitas vezes devemos optar por ir mais devagar para irmos juntos. E uma ótima definição sobre o método da relação entre as correntes surgiu no texto recentemente lançado pelo RUA – Juventude Anticapitalista: “a política e o respeito a posições diferentes devem ser sempre os critérios-mestres na relação entre as organizações de esquerda, balizadores de uma política democrática, assim como são entre uma diretoria e as bases de um DCE ou de um sindicato”.

    O ambiente da disputa de delegados e cargos na UNE é asfixiante. Isso, pois a estrutura dessa disputa está corrompida por anos de condução burocrática pela UJS e seu grupo de aliados. Sabemos que, por todas as fraudes, o controle da máquina e as artimanhas burocráticas, a eleição da direção da UNE abre muito pouca margem de incertezas, quase um jogo de cartas marcadas. Sendo assim, os coletivos da Oposição de Esquerda se defrontam com a ansiedade justa por disputar o melhor posicionamento possível, buscando impor, por menor que sejam, derrotas à UJS. E uma das regras básicas que vale para todos os terrenos: dividir quando se tem pouco é sempre uma sentença de conflitos. Portanto, somente compreendendo a real magnitude da nossa estratégia é que poderemos enxergar que não lutamos por alguns delegados a mais e veremos que o espaço que almejamos ocupar é muito maior que todos nós juntos. A unidade do bloco da Oposição de Esquerda depende cada vez mais da capacidade dos coletivos em compreender a importância do crescimento do conjunto do campo. As vitórias da UJR também são vitórias do MAIS, e assim também da UJC e etc. Engana-se a corrente que acredita, mesmo que por um momento, que ganha com o enfraquecimento de outra força política da OE. Para crescer o bloco, devem crescer todos os coletivos. Isso significa não se pautar pela autoconstrução apenas, mas entendendo o valor estratégico desse campo.

    A tensão sobre nós é desproporcional se insinuamos jogar no campo do inimigo e passamos a ser pressionados essencialmente pela quantidade de delegados, quando deveríamos estar utilizando todas as forças para fortalecer nossa unidade desde a construção das chapas nas universidades e trazer as batalhas para a nossa arena, a política. É aí que estamos mais fortes. Nossa disputa é, em primeira ordem, política. E o restante são nossos instrumentos para melhor dar essa batalha de forma unificada.

    Os três destinos possíveis da Oposição de Esquerda da UNE
    Tenho a impressão de que a Oposição de Esquerda está diante de um grande desafio histórico, o maior desde sua criação. E como não poderia deixar de ser, o desenvolvimento da sua história se dará em saltos. Sendo assim, vejo três destinos possíveis.

    O primeiro seria o seu fim. Nos perdermos no terreno burocratizado das disputas da UNE, sucumbirmos às pressões que os setores da Frente Popular lançam contra nós e sobrevalorizarmos as diferenças políticas táticas que existem no nosso campo. Esse destino seria um marco de derrota para o cenário do 55º CONUNE, para a luta pelo Fora Temer e contra as reformas, as também para o possível cenário político futuro. Essa seria uma derrota para a reorganização política da nossa classe no meio do seu setor mais entusiasmado, a juventude.

    O segundo destino possível é uma sobrevivência apática, por inércia. O cenário em que ninguém aceita ser o coveiro, então deixa a unidade vagando como apenas uma sombra do que foi, ou poderia ser. Nas aparências seguiríamos compondo um campo político, mas em essência já não haveria nada. Com as relações de confiança rompidas, os laços políticos esquecidos, só nos restariam algumas – poucas – agitações comuns no meio das preocupações sobre qual setor aparece mais e primeiro e etc. Esse destino não passaria de um caminho diferente que levaria, inevitavelmente, ao primeiro. Seria só uma forma de atrasar a derrota política imposta pelas disputas pequenas.

    Já o terceiro destino é o do crescimento e fortalecimento do campo da Oposição de Esquerda. Onde saibamos utilizar os dois novos ingressos, do MAIS e da UJC. Nesse CONUNE deveremos alcançar a maior delegação da nossa história, mostrando um acerto político do campo. Nesse destino, nos nutriríamos da crescente radicalidade dos setores de esquerda da sociedade e das crescentes mobilizações. A juventude de luta e que não está atrelada ao passado é a real portadora do novo. Esse destino é o do salto de qualidade positivo para a Oposição de Esquerda – UNE. Assim, assumiríamos o gigantismo das nossas tarefas políticas.

    Para tal, se faz necessário, nesse momento, deixar de lado as disputas pequenas e nos apoiar nas qualidades das correntes e nos nossos acordos, ao invés de nos centrarmos nos defeitos de cada uma e nas nossas diferenças. Pois a batalha que temos pela frente se dará em dois fronts ao mesmo tempo. De um lado, a grande luta fundamental e amplamente unitária contra Temer e os interesses diretos da burguesia com as reformas trabalhista e previdenciária; do outro lado, seguirá a batalha para impedir que a juventude e os setores mais avançados do povo trabalhador voltem mais uma vez, por medo, a embalar os projetos de conciliação de classes e de pequenas concessões experimentados nos governos do PT. O MAIS, de Norte ao Sul do país, em todos os seus setores, especialmente nossa juventude, se coloca à disposição para o destino de fortalecimento da Oposição de Esquerda da UNE.

    Vida longa à Oposição de Esquerda da UNE! Vida longa ao novo! Está na hora de virar o jogo!

  • 30 de maio: Aprovar cotas étnico – raciais na Unicamp!

    Por Luana Barbosa e Victoria Ferraro, estudantes da Unicamp, Campinas, SP

    No dia 10 de Maio de 2016 estourou uma das maiores greves da história da Unicamp. O mote dela era “Cotas Sim, Cortes Não, Contra o Golpe, por Permanência e Ampliação!”. Durante 3 meses houve uma intensa disputa pela pauta das Cotas, que foi tomada como prioritária pelo Movimento Estudantil.

    Após incessantes negociações, o movimento saiu com uma grande vitória. Foi acordado com a Reitoria a formação de um Grupo de Trabalho (GT) e a realização de três audiências públicas cujos temas seriam: Perspectiva histórica e o papel da Universidade Pública no Brasil, Experiências Nacionais e Internacionais do Projeto de Cotas e PAAIS, seus alcances e limites, e após as audiências iria para votação no Conselho Universitário (CONSU) um projeto de cotas étnico – raciais na Unicamp. Durante as discussões ficou evidente o acúmulo que o Movimento Negro possuía para disputar este projeto. Ao fim do processo das audiências o GT apresentou um projeto de cotas étnico – raciais para a Unicamp que consiste em reservar 50% das vagas para estudantes oriundos de escolas públicas e com renda per capita de até 1,5 salários mínimos, 37,2% (porcentagem de pretos e pardos no estado de SP) para pretos e pardos, e a criação de até duas vagas por curso para indígenas.

    São nesses marcos que nessa terça-feira, 30 de maio, o Conselho Universitário votará o princípio de Cotas. A Unicamp possui mais de 10 anos de atraso em relação às primeiras instituições de ensino que implementaram as ações afirmativas. Esta Universidade é historicamente branca e possui essência elitista. Durante décadas se recusou a pagar sua dívida histórica para com a população negra. Convém que não nos esqueçamos que Campinas foi a última cidade do Brasil a abolir a escravidão, convém que não nos esqueçamos que Barão Geraldo, distrito onde a Unicamp fica, foi um grande escravocrata, convém que não nos esqueçamos que a população negra só adentra o feudo que esta Universidade se tornou em funções precarizadas, convém que a branquitude construiu a “excelência” sobre as costas e sangue de negras e negros, que jamais entraram aqui e são constantemente invisibilizados. Convém que conselheiros, professores e a branquitude da Unicamp compreendam que historicamente têm tirado proveito da desigualdade social, econômica, epistemológica e política decorrentes da era escravocrata. O ambiente universitário barra através do Racismo Institucional a entrada da população negra, não garante a permanência dos poucos que passam pelo filtro social que é o vestibular, pune aqueles que lutam por melhorias e faz questão de manter sua estrutura elitista e europeia. A Universidade continua sendo feita por pessoas brancas e para elas. A única maneira de efetivamente revertemos este sistema é começarmos a pagar a dívida histórica que as Cátedras da Academia têm para com a negritude. A entrada em massa da população negra na Universidade Estadual de Campinas também atinge um ponto muito importante dentro da Academia, a disputa epistemológica. A negritude terá mais força para questionar como o conhecimento é passado, quais autores regem a produção acadêmica e a inversão de quem é o objeto de pesquisa e quem é o pesquisador. Lutamos para que negras e negros possam ter o acesso à acumulação e sistematização do conhecimento. Queremos representatividade nas cadeiras universitárias, queremos o direito de falarmos por nós mesmos e por contarmos sob a nossa ótica como é a nossa história. Nossos corpos e mentes nos espaços importam!

    Também é importante lembrar que, a Unicamp junto com a USP, as universidades de “excelência” no país, comparadas com outras universidades federais e estaduais, são retaguarda na discussão e implementação de cotas étnico – raciais. A aprovação de cotas na Unicamp no CONSU do dia 30, fortalece também a luta por cotas na USP e representa uma derrota para o governo do estado de SP que mantém nessas duas universidades redutos racistas.

    Sabemos que a aprovação do principio de cotas no CONSU é só o começo de uma luta por verdadeira inclusão. Ainda teremos que lutar pela consolidação do projeto proposto pelo Grupo de Trabalho da Frente Pró-Cotas, pelo bom recebimento e permanência da população negra que está por vir, pelo fim do Eurocentrismo acadêmico e contra o racismo e suas capilaridades. Além disso, vários estudantes que participaram da greve estão sofrendo processos disciplinares, inclusive o único processo que já resultou em uma punição (suspensão por dois semestres) é de um estudante negro, Guilherme Montenegro.

    No dia 30 de Maio de 2017, convidamos todas e todos ao Ato Nacional por Cotas na Unicamp. Ele acontecerá em frente ao Conselho Universitário da Unicamp. Que a partir deste dia a Universidade se Pinte de Povo!

    No dia 29 também ocorrerá um festival cultural que além de várias atrações, vai contar com a presença da Preta Rara e MC Linn da Quebrada!

    Confira a programação no evento:
    https://www.facebook.com/events/505210786500559/permalink/507040802984224/?ref=22&action_history=%5B%7B%22surface%22%3A%22timeline%22%2C%22mechanism%22%3A%22surface%22%2C%22extra_data%22%3A%5B%5D%7D%5D

    “Não temos tempo para abrir mão de qualquer instrumento de luta. Se os brancos podem abrir mão do conhecimento sistematizado, eles que abram mão. Não deixarei nenhum dos nossos abrir mão do que a humanidade produziu e tomar este conhecimento para transformar a sua e a nossa realidade. Eu afirmo que, em nossas mãos, o conhecimento sistematizado pode tomar uma dimensão revolucionária. É tudo nosso e nada deles!” (Pinho, 2015).

    COTAS SIM, COTAS JÁ! QUEM LUTA PELA EDUCAÇÃO NÃO MERECE PUNIÇÃO!

    Arte: Helen Aguiar