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  • Vem aí a Parada de Luta LGBT de Porto Alegre

    Da Redação

    No próximo dia 2 de julho vai rolar, em Porto Alegre, a Parada de Luta LGBT. O evento, que acontece anualmente no fim de semana mais próximo do dia 28 de junho, data que se celebra o Dia Internacional do Orgulho LGBT no mundo, espera reunir cerca de 20 mil pessoas.

    A Parada começa às 11h, no Parque da Redenção. Entre as atrações estão planejadas conversas, oficinas, esquetes teatrais, shows de drag queens, top drags, transformistas e MCs, além de intervenções de organizações políticas.

    Neste ano, o tema da Parada é o ‘Fora, Temer’, em defesa da diversidade e do estado laico. As (os) organizadoras da Parada dizem ainda que querem intensificar a luta contra as reformas Trabalhista e Previdenciária e os demais ataques do governo Temer. É que os projetos do governo vão piorar ainda mais o acesso aos serviços públicos da comunidade LGBT. Os ativistas do movimento também pretendem levantar outras bandeiras, como a criminalização da homofobia, a aprovação imediata da Lei João Nery e contra a retirada de direitos das LGBTs.

  • Unificar as mulheres contra retirada de direitos, reformas e pelo Fora Temer

    Por: Luana Soares e Rielda Alves, de Natal, RN

    Seguindo o exemplo do resto do país, em que desde o 8 de março as mulheres se unificaram na luta contra a violência e as reformas e pela greve geral, aconteceu nesta última quarta-feira, dia 21, em Natal, uma plenária que contou com a presença de diferentes coletivos, organizações políticas e independentes para organizar uma intervenção feminista para a greve geral.

    Foi uma iniciativa da Frente Povo Sem Medo, mas que contou com a participação da Frente Brasil Popular, do Coletivo Olga Benário, da Marcha Mundial de Mulheres, do Levante Popular da Juventude, do Movimento Mulheres em Luta, MAIS, LSR/PSOL, PCB, PCR e PSTU. Reafirmaram a necessidade da construção da greve geral pra derrotar a Reforma Trabalhista, da Previdência e o golpista Temer, aproveitando principalmente esse momento de fragilidade, em que o governo sofreu uma derrota importante na Comissão de Assuntos Sociais com a rejeição do texto da Reforma Trabalhista.

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    Mulheres se reuniram em Natal para discutir a greve geral

    É verdade que existem muitas divergências entre nós, no entanto, há um profundo acordo na necessidade de construirmos uma atividade que fortaleça a organização e o protagonismo das mulheres nas lutas, já que seremos nós as mais afetadas com as sequências das arbitrariedades de Temer e companhia. E, para isso, a unidade dos setores feministas da esquerda, é fundamental. Seremos muitas ocupando as ruas, mostrando a nossa força para derrotar esse governo ilegítimo. Hoje, foi apenas o começo. Na próxima segunda, 26, estaremos realizando mais uma reunião para a organização da nossa atividade. Somos mulheres potiguares contra a retirada de diretos e pela greve geral. Pelo ‘Fora Temer’.

  • ‘Blitz da Amarração’, da Prefeitura Regional de Pinheiros, é denunciada por racismo religioso

    Da Redação

    O prefeito regional de Pinheiros, em São Paulo, Paulo Mathias, PSDB, foi protagonista de um vídeo, divulgado nas redes sociais, de uma campanha da Prefeitura Regional com o mote #DesamarraJá, que teria como objetivo remover anúncios irregulares das paredes da cidade. Mas, as apreensões divulgadas no vídeo remetem apenas  a divulgações de religiões afro-brasileiras. A Coordenação Nacional do ILABANTU, Instituto Latino Americano de Tradições Bantu, divulgou uma nota de repúdio à ação preconceituosa.

    Assista ao vídeo

    Leia a íntegra da nota:

    O NOTA DE REPÚDIO À OPERAÇÃO BATIZADA COMO “BLITZ DA AMARRAÇÃO” REALIZADA PELA PREFEITURA REGIONAL DE PINHEIROS – SP 

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    Em parceria com fiscais da Prefeitura da cidade de São Paulo, Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana, o Prefeito Regional de Pinheiros, Paulo Mathias, do PSDB, resolveu montar uma “grande operação” em prol do interesse público dos munícipes, a qual batizou de “Blitz da Amarração”. O objetivo seria remover anúncios irregulares que “emporcalham a cidade”, apreender o material e punir os responsáveis.

    Ocorre que, o tipo de material apreendido e divulgado em vídeo nas redes sociais refere-se apenas a anúncios supostamente relacionados com religiões afro-brasileiras. Ora, há inúmeros outros tipos de anúncios colocados de maneira irregular, por que então uma predileção no “combate à amarração”?

    Sabemos que o racismo brasileiro possui um amplo repertório de atuação, especializando-se em hierarquizar – consciente ou inconscientemente – atribuindo estereótipos negativos aos referenciais culturais, sociais e espirituais pertencentes à população negra. Porém, quando denunciamos a injustiça racial pela perpetuação de desigualdades, ela é justificada como chiste ou mal-entendido.

    É notório o fato de que diante dos processos formais de desenvolvimento urbano, aliados à perspectiva consumista da modernidade capitalista, milhares de mentes recebem, diariamente, informações distorcidas através dos bombardeamentos midiáticos, o que corrobora para infundir o racismo, a intolerância religiosa, o preconceito e a discriminação.

    Em todas as religiões há falsas profissões, falsos líderes, sacerdotes corruptos e abusadores. O que não toleraremos é esse tipo de comunicação de representante de órgão público que programa uma ação dirigida, exclusivamente, a anúncios referentes a religiões de matrizes africanas, reforçando estereótipos e preconceitos inerentes ao racismo institucional, impregnado em nossas instituições.

    O modo de ser de uma metrópole, cujos valores são o consumismo, a velocidade, o interesse privado sobreposto ao interesse público, o desemprego que desponta, a necessidade de sobrevivência, a destruição das faunas e floras, a poluição dos recursos hídricos e o desrespeito à biodiversidade tornam os espaços urbanos, cada vez mais, espaços hostis ao desenvolvimento dos Povos e Comunidades de terreiro. Sobretudo nas dimensões paulistas, que, dentro dessas dinâmicas dessacralizadoras, acabam por produzir modificações no interior de seus códigos e tradições, fato combatido e não compactuado pela própria comunidade de terreiro.

    Sugerimos ao Prefeito da cidade de São Paulo e seus Prefeitos regionais a se adequarem às dinâmicas da cidade conclamando as comunidades de terreiro para estabelecer políticas públicas que auxiliem na manutenção de suas tradições e assegurem os direitos constitucionalmente garantidos de liberdade de culto e crença e de proteção aos locais de suas liturgias. (CF, artigo 5º, inciso VI). Vale dizer ainda, que a apresentação destas demandas ocorre de forma transversal, na medida em que, as reivindicações não são somente por garantia e viabilidade institucional das culturas tradicionais de origem africana, mas ao direito à saúde, alimentação, moradia, segurança, educação e melhores condições de vida a toda população afro-brasileira e africana na diáspora.

    Nesta perspectiva o ILABANTU se configura como uma organização coletiva voltada ao amadurecimento das pautas reivindicatórias dos Povos de Comunidades Tradicionais de Matriz Africana frente aos diálogos com o poder público.

    Não iremos permitir que nossa religião, criminalizada e duramente perseguida por órgãos oficiais até o Código Penal de 1940 continuem a sofrer agressões, sob pena de apuração de crime de responsabilidade por intolerância religiosa.

    Repudiamos, veementemente, ações que reproduzem a inegável herança racista proveniente da colonização e escravidão de populações africanas no Brasil.

    São Paulo, 13 de junho de 2017.

    A Coordenação Nacional do ILABANTU
    Instituto Latino Americano de Tradições Bantu

    Leia ainda: Lei não proíbe sacrifício religioso em animais, decide TS-SP

    Créditos : Roger Cipó
  • ‘Itabuna pela vida das mulheres’: atividade vai denunciar casos de estupro coletivo em Itabuna, BA

    Da Redação

    Será realizada, nesta segunda-feira (12), em Itabuna, BA, das 14h30 às 17h, a atividade “Itabuna pela vida das mulheres”, para denunciar os casos de estupros coletivos sofridos na cidade. Será no Sindicato do Magistério Itabunense, na Av. Manoel Chaves. Divulgamos a nota do movimento, na íntegra, onde são denunciados os abusos:

    Nota ‘Itabuna pela vida das mulheres’

    Na ultima quinta-feira, dia 1° de junho, a população de Itabuna foi surpreendida com mais um caso de estupro coletivo contra uma adolescente. A vítima foi dopada e violentada por colegas de escola, que filmaram a agressão e veicularam nas redes sociais. Este já é o segundo caso que veio a público em menos de três meses e que revela uma situação diagnosticada cotidianamente pelos professores: a violência de gênero tem se ampliado entre um público cada vez mais jovem.

    Essa situação não está deslocada da realidade nacional. O Brasil é o 5° país no ranking de violência no mundo e a Bahia está entre os estados líderes nessas estatísticas. Em 2016, o relatório baiano de violência contra mulher apontava Itabuna como a 2° cidade mais violenta a partir dos dados dos três primeiros meses do ano, perdendo apenas para a capital, Salvador.

    Para combater este problema, movimentos sociais lutaram para incluir o debate de gênero nas escolas, através do Plano Nacional de Educação (PNE). Mas, a proposta foi retirada do plano no ato de sanção da presidente Dilma, em 2012. A ação também se repetiu como uma caça às bruxas, por partes de partidos conservadores, como o PSC de Bolsonaro e Feliciano, tanto na aprovação dos planos estaduais, como nos municipais.

    O Comitê em Defesa de Educação Publica de Itabuna, movimentos sociais e feministas, professores e populares que assinam esta nota, repudiam qualquer ato de violência machista contra as mulheres, e solidarizam-se com as vítimas dessa violência. Nada justifica tamanha violência e nenhuma vítima pode ser responsabilizada pela agressão sofrida.

    No intuito de combater efetivamente o problema, acreditamos que a secretaria de educação municipal de Itabuna e a secretaria de educação da Bahia precisam se responsabilizar por esta situação. Não podemos nos contentar com ações pontuais dos movimentos feministas em parceria com as escolas, tão pouco com a ação isolada de professoras e professores consciêntes.

    Para tanto, convidamos a todas e todos que estão sensíveis e preocupados com esta situação a participar da plenária “Itabuna, pela vida das mulheres” que acontecerá na próxima segunda-feira 12 de junho, as 14:30 horas, no auditório do SIMPI ( Av. Manuel Chaves, São Caetano). Vamos organizar a mobilização social em defesa desta Luta!

    “Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livre” Rosa Luxemburgo

    Evento no Facebook

  • Sobre a polêmica da #SeNadaDerCerto

    Por: Morghana Benevenuto, de Porto Alegre, RS

    Terceiro ano do Ensino Médio. Ano no qual estamos nos formando no colégio, ano em que fechamos mais uma etapa em nossa vida, e o ano no qual temos a difícil decisão de escolher qual faculdade queremos cursar, ou se queremos fazer uma faculdade. Bom, para uma pequena parte da população é isso que significa o último ano na escola, e para essa mesma pequena parte da população, não fazer uma faculdade e seguir uma profissão que não tenha prestígio social é sinônimo de “não dar certo na vida”. Sim. Isso mesmo que você acabou de ler, não dar certo na vida.

    Para os jovens brancos, da Instituição Evangélica de Novo Humburgo (IENH), no Rio Grande do Sul, por exemplo, não dar certo na vida virou, inclusive, tema de uma festa que é tradição no último ano do Ensino Médio. A #SeNadaDerCerto foi o que incentivou esses alunos a se “fantasiarem” de profissões como a de faxineira, caixa de supermercado, gari, churrasqueiro e até morador de rua. Essa #SeNadaDerCerto também já foi tema de outra escola privada em 2015, dessa vez de Porto Alegre, o colégio Marista Champagnat.

    A escola de Novo Humburgo lançou uma nota dizendo que a atividade visava “trabalhar o cenário de não aprovação no vestibular, de forma alguma foi fazer referência ao não dar certo na vida”. Justificou também que “atividades como essa auxiliam na sensibilização dos alunos quanto à conscientização da importância de pensar alternativas no caso de não sucesso no vestibular e também a lidar melhor com essa fase”. Na nota também publicada pelo site Bomborns, a instituição pede desculpas pelo mal entendido e diz que a atividade não teve como objetivo discriminar profissões.

    A Black Face da Democracia Racial
    Sim, cara, gente branca, a #SeNadaDerCerto é racista!

    Dear White People (Cara Gente Branca) é uma série Netflix que discute as diferentes formas que o racismo se expressa em uma universidade norte-americana, mas também como ele se manifesta na sociedade. Inicialmente, a discussão sobre racismo gira em torno de uma festa chamada Black Face, onde pessoas brancas se fantasiam de negras. E além de se fantasiarem, o que já um tanto problemático, estigmatizam completamente o que é ser negro, os colocando como sinônimos de bandido, traficantes, entre outros.

    Episódio da série Cara Gente Branca, na Netflix | Foto: Reprodução

    Episódio da série Cara Gente Branca, na Netflix | Foto: Reprodução

    Mas, no país da democracia racial essa festa nunca aconteceria. Se fantasiar de ‘nega maluca’ no Carnaval!? Faz parte do nosso passado, pois somos um país de miscigenados. A moda agora é se fantasiar de profissões ocupadas majoritariamente por pessoas negras e dizer que isso é sinônimo de não dar certo na vida.

    Talvez uma boa parte desses jovens não tenha parado para refletir o quanto o tema #SeNadaDerCerto foi carregado de racismo. Talvez porque vivemos no Brasil, onde impera o mito da democracia racial, onde somos todos supostamente iguais e essas “brincadeiras” quando problematizadas sempre chocam aquela parcela da sociedade branca que acredita que pobreza é uma questão de escolha, que cotas raciais são benefício e não direito, que a meritocracia em um sistema injusto desigual é eficiente, pois tudo é uma questão de escolha.

    Quem dera se fosse…
    Em 2014, a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) desenvolvida pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em cinco grandes capitais brasileiras (Porto Alegre, Fortaleza, Recife, Salvador e São Paulo), mostrou que em três dessas cidades o nível de desemprego era maior entre os negros (80%). Os negros só são maioria no setor de construção (987 empregados contra 716 brancos) e nos serviços domésticos (846 contra 540), áreas que historicamente pagam menores salários e demandam um grau de instrução mais baixo. Esses empregos serviram de fantasia para vários alunos que não correspondem a esses dados, pois são brancos e de classe média.

    Mesmo com todos os retrocessos que estamos vivendo, o debate político e, especificamente, o debate sobre opressões, vem ganhando cada vez mais espaço, principalmente no mundo do cyberativismo, por isso revolta ver que ainda existam jovens que expressem um pensamento tão elitista, mas ao mesmo tempo não surpreende. O mito da democracia racial está tão impregnado em nossa sociedade que muitos simplesmente invisibilizam quem ocupa esses empregos, porque quem ocupa esses empregos é desumanizado constantemente.

    A Maria não é a Maria, é a tia da limpeza; seu João não é o João, é o zelador; a Vera não é a Vera, é a tia do lanche, é a babá, é a gari, é a catadora de latinhas, tudo, menos uma pessoa. Se esses jovens vissem a tia da limpeza como a Maria, talvez não se vestiriam de “tia da limpeza”, porque talvez entenderiam que ela, assim como a maioria das mulheres negras, não teve as mesmas oportunidades que eles e nem vive em um sistema que buscou em algum momento proporcionar políticas que de fato promoveriam uma qualidade de vida melhor e diminuiriam a desigualdade de gênero, raça e classe

    Aqueles adolescentes refletiram na sua “brincadeira” os valores preponderantes da nossa elite, e os valores que o Estado ainda busca manter. As reformas Trabalhista e da Previdência são um reflexo dessa mentalidade de que a pobreza é culpa do pobre, logo ele que trabalhe até morrer, enquanto os ricos mantêm seus privilégios.

    Foto: Montagem Reprodução Facebook

  • PEC 29/2015: em surdina, Senado avança com proposta que veta aborto legal

    Enquanto todos os holofotes estavam direcionados para a crise política, no dia 16 de maio, o relator e senador Eduardo Amorim (PSDB/SE) apresentou seu parecer favorável ao avanço da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 29/2015

    Por: Gisele Peres, de São Paulo, SP

    Estamos enfrentando um período de ataques contra direitos da classe trabalhadora e, infelizmente, não somente os direitos trabalhistas e previdenciários que estão na ordem do dia. Há inúmeras propostas que ameaçam os direitos reprodutivos e os direitos das mulheres, e a PEC 29/2015 é uma das maiores expressões deste retrocesso.

    Atualmente, o artigo 5° da Constituição diz: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:”. A proposta prevê uma alteração no seguinte trecho: “garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito a vida desde a concepção”.

    No país que uma mulher morre a cada 9 minutos em decorrência de abortos clandestinos, os autores do projeto se dizem preocupados em “defender a vida”, utilizando o argumento que a constituição não protege os embriões.

    Na prática, qualquer interrupção voluntária da gravidez será considerada crime. Ou seja, até mesmo os abortos em caso de risco à vida da gestante, estupro ou fetos com anencefalia, hoje legais, serão considerados atos criminosos.

    O projeto vai ainda mais longe, se todo embrião for considerado uma vida, até mesmo os que estão congelados em clínicas de reprodução assistida terão seus direitos preservados por lei. Pesquisas com células-tronco também seriam proibidas.

    A rapidez da tramitação deste projeto é tão alarmante quanto seu conteúdo. Em 6 de abril deste ano, o presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, Edson Lobão (PMDB/MA), designou o relator, senador Eduardo Amorim (PSDB/SE) que, em apenas 50 dias, apresentou seu parecer favorável.

    Nas ruas e nas redes sociais, as mulheres têm se organizado para lutar pela legalização do aborto. Cabe ao Estado legalizar a prática do aborto e evitar os males maiores dos abortos realizados sem assistência médica: os danos à saúde ou mesmo a morte das mulheres. Esta mudança na lei talvez não faça muita diferença para as mulheres ricas que não sentem na pele as consequências de sua criminalização; mas para as mulheres pobres, a legalização do aborto seria a única lei que, de fato, poderia ser chamada de “pró-vida”.

  • A abolição do grito de ‘bicha’ e a LGBTfobia no futebol

    Por: Isabel Fuchs, de Campinas, SP

    Nesta semana, a ESPN noticiou que a Mancha Verde, maior organizada do Palmeiras, decidiu por abolir o grito “bicha” das arquibancadas. Algumas horas após a notícia ser veiculada, a página oficial da torcida no Facebook desmentiu a história, dizendo “como vamos pedir para abolir um grito que nunca gritamos, ou puxamos?”. Em seguida, ao final da nota, ainda afirmam que “a Mancha não se envolve em assuntos políticos, religiosos e muito menos de orientação sexual”.

    O que poderia ser considerada uma atitude progressiva de uma das maiores torcidas do estado de São Paulo acabou se tornando um episódio certamente lamentável. O grito de “bicha” quando os goleiros se posicionam para bater o tiro de meta, segundo a nota da torcida, é um legado do futebol moderno, que chegou ao Brasil com a Copa do Mundo.

    Afirmar que a torcida nunca se utilizou do grito “bicha” nos estádios é uma inverdade, talvez não utilize o grito na hora que os goleiros se posicionam para bater o tiro de meta, mas gritos homofóbicos são entoados por diversas torcidas, inclusive a Mancha Verde. Um dos maiores rivais do Palmeiras, o São Paulo é alvo de provocações homofóbicas constantemente.

    Além disso, é importante lembrar de um episódio na história da Mancha, quando se iniciaram boatos de que a diretoria palmeirense estava negociando a contratação de Richarlyson, meia que sofre com perseguição homofóbica dentro do futebol. Neste período, a organizada do Palmeiras realizou um protesto no CT do time, erguendo uma faixa com os dizeres “a homofobia veste verde”. Além disso. houve ainda um episódio em que José Cyrillo Júnior, então diretor administrativo do Palmeiras, foi processado pelo meia, por ter insinuado que o mesmo era homossexual. Bizarramente, o juiz que julgou o processo não considerou o diretor administrativo como culpado, afirmando que “futebol é coisa para macho”.

    Exemplos de homofobia no futebol e, principalmente, entre as torcidas são intermináveis. Infelizmente, o futebol é visto como um esporte para machos, o que exclui de antemão as mulheres e os LGBTs.

    Talvez, de fato, a Mancha não gritasse “bicha” nos tiros de meta, o que não significa que a torcida nunca proferiu ofensas homofóbicas. É inclusive sintomático que a torcida tenha, tão rapidamente, se disposto a negar o conteúdo da matéria, sem afirmar que não gritava “bicha” por qualquer comprometimento com a luta anti-homofobia, mas simplesmente por querer fazer transparecer a ideia de que o centro da torcida é o apoio ao time e não proferir ofensas contra adversários.

    A realidade dos estádios de futebol é bem diferente, quem é LGBT e já passou pela experiência de ir aos campos de futebol assistir ao seu time sabe que o ambiente não é convidativo para nós, muito pelo contrário. Está ainda muito viva na minha memória a lembrança do selinho que Emerson Sheik, ex-jogador do Corinthians, deu em um amigo e a repercussão que o ato tomou. Na época, torcedores de algumas organizadas foram ao CT do clube, protestar contra o jogador, afirmando que o timão é “lugar de homem”.

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    Recentemente, a FIFA decidiu começar a punir os gritos de “bicha” nos estádios. Este grito é um marco das torcidas, que entoam por todos os cantos do estádio estes dizeres homofóbicos. A CBF foi multada mais de uma vez por conta disso, agora a questão mais bizarra nessa história é que a Conmebol tentou justificar os gritos homofóbicos e queria que a FIFA revisse as punições e não as aplicasse mais contra os times sul-americanos, sob a justificativa de que o grito é cultural e não tem conteúdo anti-gay.

    Mas a homofobia não é monopólio dos sul-americanos, há casos escandalosos de homofobia por toda a Europa. Um episódio emblemático foi quando um torcedor sueco foi atacado por neonazistas, ele foi esfaqueado e acabou sendo internado em estado grave. Além disso, recentemente, assim como no caso de Richarlyson, torcedores de um time russo encaminharam um manifesto à diretoria do Zenit, pedindo que o clube não contratasse atletas negros e gays.

    A realidade dos LGBTs no futebol é chocante, não são aceitos nos estádios e não são aceitos dentro de campo. São pouquíssimos os atletas que se assumem publicamente como LGBT’s e há um caso muito emblemático na Inglaterra, quando em 1990 Justin Fashanu se assumiu gay ao jornal The Sun, a carreira do atleta declinou e ele se suicidou alguns anos depois. O irmão de Justin também era jogador de futebol e na época se colocou contra o próprio irmão.

    Por conta desta realidade nefasta, não podemos secundarizar a atitude da Mancha, que tão rapidamente fez questão de não assumir um papel importante na luta contra a homofobia.

    Mas, a realidade não é de total desesperança, a torcida Banda Alma Celeste, do Paysandu, recentemente decidiu abolir qualquer tipo de grito ou música que remeta à ofensas racistas ou LGBTfóbicas, chegando inclusive a levantar um bandeirão LGBT no estádio.

    Assim como a atitude da torcida do Paysandu nos faz ter esperança, o fato de a FIFA começar a punir os gritos homofóbicos também é sinal positivo. Porém não nos enganemos, apesar desta medida mínima e necessária a FIFA nada mais faz para combater a homofobia. Um grande exemplo disto é a realização da Copa do Mundo de 2018 na Rússia. As leis de Putin contra os LGBT’s geraram protestos em todo mundo, mas a FIFA parece pouco se importar com o fato quando aceita a candidatura do país e não revoga seu direito de ser o país sede.

    Quando das Olimpíadas de Inverno, que foram realizadas na Rússia em 2014, diversos protestos foram realizados em todo mundo contra a realização do grande evento no país, exatamente por conta da legislação antiLGBT que vigora no país. Diversos atletas LGBTs assumidos estavam com medo de sofrerem retaliações no país e consideravam não participar das Olimpíadas. Mesmo sob uma intensa onda de protestos o COI (Comitê Olímpico Internacional) decidiu manter as Olimpíadas no país, o que marca o grande retrocesso e falta de comprometimento real da entidade com o combate à lgbtfobia.

    Curiosamente, os mesmos protestos não ocorrem com tanta intensidade com a realização da Copa do Mundo, isto porque o universo do futebol é extremamente antiLGBT, o que já não acontece com tanta força nas modalidades das Olimpíadas de Inverno, que tem alguns atletas olímpicos assumidamente LGBTs.

    Seja como for, a luta contra a LGBTfobia no futebol dá pequenos passos no Brasil, todavia sem o apoio efetivo dos clubes e das entidades que gerem o futebol este avanço tem limites concretos. É preciso que se fortaleça um combate efetivo, a questão da masculinidade atrelada à violência e ao esporte tem traços fortíssimos, que precisam ser combatidos. Sem este combate é impossível que o futebol deixe de ser um ambiente hostil aos LGBTs e às mulheres.

     

  • Mulheres sem medo de lutar no #OcupaBrasília

    Por: Bruna Piazzi, de São Paulo, SP

    Entre tantas coisas que a grande mídia não retrata está o papel das mulheres nas lutas pelo ‘Fora Temer’, pelas ‘Diretas, Já’ e contra todas as reformas que atingirão frontalmente os direitos da classe trabalhadora.

    Nessa série de fotos, o Esquerda Online pretendeu manter viva essa memória, por entender que o feminismo deve caminhar lado a lado com as lutas pela derrubada de Michel Temer.

    No último 24 de maio, milhares de mulheres ocuparam posições centrais na resistência à violência policial brutal que o governo empreendeu contra as trabalhadoras e os trabalhadores durante o ato do Ocupa Brasília.

    Jovens, mães, negras, LGBTs e outras tantas trabalhadoras de todos os cantos do Brasil se enfileiraram para dizer que não aceitarão ter suas condições de vida rebaixadas por um governo Ilegítimo como o de Michel Temer e que estão dispostas a lutar até que o presidente caia, para que aconteçam eleições diretas, já.

    As ruas, as praças e as lutas sempre foram e sempre serão território das mulheres. Ao contrário do que tentam nos fazer acreditar, a fragilidade passa longe dessas guerreiras. Seja no dia 24, seja em seus cotidianos resistem às barbáries do capitalismo, do sistema patriarcal, do racismo e de todos os outros tipos de opressões.

    Ocupar os espaços de luta é o primeiro passo para que as mulheres retomem aquilo que lhes pertence. Nossos úteros, nossos corpos e nossos sonhos jamais pertencerão ao Estado e aos patrões.

    Enquanto houver na ordem do dia ataques à saúde, às condições de trabalho e à previdência, haverá mulheres nas ruas, sem medo de lutar. Não há nada a temer.

    Foto da capa: Carol Burgos / Esquerda Online

    Fotos: Bruna Piazzi / Esquerda Online

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  • Os 4 passos para ser um apoiador da implementação de cotas étnico-raciais na Unicamp

    Por: Marcos Oliveira, de Florianópolis, SC

    A Universidade Estadual de Campinas é uma das poucas universidades públicas que não reconhece a necessidade da implementação de cotas étnico-raciais. No dia 30 de maio será votado um projeto de reserva de vagas para pretos, pardos e indígenas. Se você também espera que a Universidade assuma esse compromisso com a sociedade, não deixe de seguir os seguintes passos:

    1. Filtro de facebook com aquela foto close: Use o filtro de apoio às cotas na sua foto de perfil. (Acesse aqui)
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      (instagram.com)

    1. Tá sem rolê no dia 29? MC lynn da quebrada e Preta Rara vão mandar seu som no ato festival,na UNICAMP. O evento é gratuito e é só ajudar marcando presença e convidando as migas pro rolê no evento do facebook.

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    1. Mande energia positiva: Se você é de algum sindicato, entidade estudantil, associação de bairro, movimento contra a opressão, entre outros, escreve uma declaração de apoio e ajuda a dar visibilidade. É só enviar para a página A Unicamp precisa falar sobre cotas.

    1. DIA 30 DE MAIO: ATO PELA IMPLEMENTAÇÃO DAS COTAS NA UNICAMP – No dia 30 de maio será votado no Conselho Universitário da Unicamp o projeto de reserva de vagas para pretos, pardos e indígenas. Não deixe de comparecer e conferir toda a programação para o dia.
    (Núcleo de consciência negra Unicamp)

    (Núcleo de consciência negra Unicamp)

    Foto: Antonio Scarpinetti | Portal Unicamp

     

  • 17 de maio de 2017: desafios para as LGBTS e o combate ao preconceito

    Por: Núcleo LGBT do MAIS São Paulo

    No dia 17 de maio de 1990, a homossexualidade foi retirada da lista oficial de doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS). Desde então, a data passou a ser conhecida internacionalmente por outro motivo: o movimento LGBT elegeu o 17 de maio como o Dia Internacional Contra a Homofobia, Bifobia e Transfobia. Embora em mídias hegemônicas o dia 17 de maio seja divulgado apenas como um dia de combate à homofobia, esta data diz respeito à luta contra qualquer tipo de violência infligida à população LGBT, sendo os diversos tipos de transgeneridade classificados até os dias de hoje como doença pela OMS.

    Rio de Janeiro - Manifesto realizado na praia de Copacabana lembra as vítimas da transfobia no Brasil. (Tomaz Silva/Agência Brasil)

    Rio de Janeiro – Manifesto realizado na praia de Copacabana lembra as vítimas da transfobia no Brasil. (Tomaz Silva/Agência Brasil)

    No Brasil, governado por Temer, não vemos motivos para comemorar a situação vivida pela população LGBT. O avanço do projeto ultraliberal de precarização do trabalho e da vida, materializado pelas reformas da previdência e trabalhista, pelo congelamento por 20 anos dos gastos sociais com saúde e educação e pelo recrudescimento da violência e da repressão, entre outros aspectos, afeta diretamente, com especial violência, o conjunto de trabalhadoras e trabalhadores LGBT e parte significativa desta população que vive em condições de extrema vulnerabilidade.

    Brasília - Acontece a 19ª Parada do Orgulho LGBTS em Brasília, cujo o tema é: Respeito é ouro (Elza Fiuza/Agência Brasil)

    Brasília – Acontece a 19ª Parada do Orgulho LGBTS em Brasília, cujo o tema é: Respeito é ouro (Elza Fiuza/Agência Brasil)

    O crescente ataque às liberdades democráticas representado por todas as arbitrariedades da operação Lava Jato abre precedentes perigosíssimos para o aprofundamento da retirada de direitos da população brasileira e para o estímulo à atuação indiscriminada de grupos reacionários contrários à mobilização por igualdade de gênero e afirmação da diversidade sexual em nosso país. Nesse sentido, não nos resta dúvida quanto ao caráter conservador e aprofundador da imbricação entre as desigualdades de classe, gênero e raça que cumpre a operação coordenada pelo juiz Sérgio Moro.

    Em São Paulo, a prefeitura do “gestor” João Dória acumula ataques aos direitos da população LGBT: além do fechamento Centro de Testagem e Acolhimento (CTA) Santo Amaro, cujas atividades se concentravam na prevenção e diagnóstico de doenças sexualmente transmissíveis, o programa Transcidadania, voltado para a capacitação profissional de travestis e transexuais, já começa a sofrer duros ataques.

    Diante da grave conjuntura nacional e da descoberta dos recém-divulgados campos de concentração e prisões secretas para pessoas LGBT na Chechênia, acreditamos que neste 17 de maio o desafio prioritário da esquerda é forjar uma agenda de lutas unificada contra a LGBTfobia, contra as reformas de Temer e em solidariedade à população LGBT chechena.

    Rio de Janeiro - Manifesto realizado na praia de Copacabana lembra as vítimas da transfobia no Brasil. (Tomaz Silva/Agência Brasil)

    Rio de Janeiro – Manifesto realizado na praia de Copacabana lembra as vítimas da transfobia no Brasil. (Tomaz Silva/Agência Brasil)

     

    Foto de capa: Elza Fiuza/Agência Brasil