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  • Estudantes ocupam ruas contra Marchezan (PSDB), em Porto Alegre

    Por: Afronte-RS

    Na manhã desta sexta-feira (11), o tradicional protesto do Dia do Estudante, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, teve como principal reivindicação a não implementação do decreto expedido no mês passado, que restringe o direito ao meio-passe estudantil, junto com o fim da isenção para professores e idosos no transporte público municipal.

    Os protestos começaram com o trancaço realizado por estudantes da UFRGS numa das principais vias da região Central. Os estudantes ocuparam a Av. Sarmento Leite por volta das 6h e permaneceram até a Brigada Militar dispersar o movimento com bombas de gás e efeito moral, por volta das 7h.

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    A partir das 9h, milhares de estudantes se concentraram em frente à Escola Estadual Parobé e partiram em marcha até a Prefeitura. Dezenas de ônibus vieram de todas regiões da cidade no ato organizado pela UMESPA, UEE Livre, UNE, UBES e diversos Grêmios e Centros Acadêmicos. O Afronte participou do ato ao lado dos coletivos da Oposição de Esquerda da UNE e outras organizações, como o Alicerce e a Resistência Popular.

    É a primeira manifestação de resistência contra essas medidas que retiram nossos direitos históricos. O meio-passe foi implementado há quase 20 anos e, no ano passado, a partir de ação movida pela então gestão do DCE da UFRGS, conseguimos ampliar o direito para domingos e feriados. Marchezan quer agradar a máfia do transporte, seguindo o exemplo do antigo prefeito Fortunati. Precisamos ampliar a mobilização na sociedade para que a façamos como em 2013. É preciso radicalizar nas ideias e nas ações para barrar os retrocessos.

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  • ‘Surge novo movimento de jovens anticapitalistas’ – Vic, diretora de Movimentos Sociais da UNE

    Por: Victoria Ferraro, a Vic, diretora de movimentos sociais da UNE

    “A vida é bela, que as gerações futuras a limpem de todo o mal, de toda opressão, de toda violência e a gozem plenamente”. (Leon Trotsky)
    “O tempo é roído por vermes cotidianos. As vestes poeirentas de nossos dias, cabe a ti, juventude, sacudi-las”. (Vladimir Maiakovski)

    Desde ontem (18), se iniciou no Facebook uma discussão feita por centenas de jovens querendo saber qual o melhor nome para o novo movimento de jovens anticapitalistas e marxistas que está surgindo. A votação do nome é o fim de um ciclo que se iniciou com a construção da tese Pra Virar o Jogo ao 55º CONUNE. Uma tese construída a partir de muito esforço de diversos ativistas do movimento estudantil espalhados em cada região do país, que compuseram, junto com outros coletivos de juventude, a Oposição de Esquerda da UNE e estiveram nas lutas desde o ano passado contra os ataques de Temer. 

    Entramos agora em uma nova fase do nosso movimento, queremos colocar nosso bloco na rua e elaborar um programa que responda aos anseios da juventude brasileira. Somos jovens que estão na rua lutando contra os ataques ao nosso futuro, mas sem perder de vista a necessidade do estudo e da formação marxista.

    Nós Afrontamos os padrões impostos pela sociedade capitalista. Somos LGBTs, Negras e Negros, Mulheres, dizendo que toda forma de amor vale a pena, que vidas negras importam, e que temos o direito de fazer o que bem entendemos com os nossos corpos.

    Afrontamos também as velhas práticas no movimento estudantil. Dizemos que precisamos radicalizar na forma e nas ideias. Chega só de acordos entre as correntes e reuniões intermináveis que afastam os estudantes do movimento. Queremos um movimento que priorize o que é melhor para os estudantes e para nossas lutas, e não a auto-construção das organizações. Queremos um movimento que se aprofunde nas discussões, que faça os estudantes se apaixonarem pela possibilidade de que, através do movimento estudantil organizado, junto com os trabalhadores, consigamos transformar nosso futuro.

    São tempos de Resistência contra os ataques e a ofensiva dos de cima contra os de baixo. Trump nos EUA, Macri na Argentina, Macron na França, May no Reino Unido e Temer no Brasil são alguns dos representantes do capital que através desses governos planejam aprofundar cada vez mais o nível de exploração e opressão dos trabalhadores e da juventude.

    No Brasil, a Reforma Trabalhista acaba de ser aprovada, junto com um pacote que já conta com a Reforma do Ensino Médio e a PEC 55, que congela todo o investimento nos serviços públicos. E ainda querem no ano que vem aprovar a Reforma da Previdência. Nosso futuro está completamente ameaçado, corremos o risco de ter que trabalhar 12 horas por dia até morrer. A tarefa histórica da juventude brasileira frente a esses ataques é Resistir, para que consigamos Virar o Jogo e impor o que realmente queremos para nosso futuro.

    Mas, para dar essa Virada é preciso ser radical e, por isso, somos Anticapitalistas. Somos aqueles que se indignam quando olham para a pobreza e a situação da população de rua nas grandes cidades, quando ouvimos piadinhas LGBTfóbicas nas festas da família, quando as mulheres não podem andar na rua sozinhas à noite por medo de serem estupradas, quando temos que pagar caro na passagem de ônibus enquanto ganhamos uma miséria no estágio, quando percebemos que o maior beneficiado com nosso trabalho é o patrão e não nós mesmos. Tudo isso que nos indigna é culpa do capitalismo e queremos acabar com esse sistema que nos oprime e explora.

    Brincadeiras e piadas à parte, estamos juntos na construção desse movimento, independente de seu nome. Propusemos a votação online para começarmos inovando nas práticas. Queremos que o máximo de pessoas possam participar disso junto com a gente.

    Para participar é só entrar no link

    Afronte? Virada? Resistência? Essas são as três opções de nome. Vote no que achar melhor e seja feliz! Venha construir esse novo movimento!

    Grupo do movimento
    Página do movimento
    Evento de participação
    Link de votação

  • Novo coletivo de juventude lança campanha virtual para escolha de nome

    Da Redação

    Resistência? Afronte? Virada? Está surgindo um novo movimento de juventude anticapitalista no Brasil e essas são as opções para o nome do novo coletivo. O movimento surge a partir dos assinantes da tese Pra Virar o Jogo, que participou pela primeira vez do 55º Congresso da União Nacional dos Estudantes este ano. O ousado do grupo é que deixaram a decisão aberta para qualquer um que queria participar. A votação é feita pelo site Pra Virar o Jogo e se encerra na próxima terça-feira, 25 de julho.

    “A partir do encontro nacional dos assinantes da tese ‘Pra Virar o Jogo’ defendida no último congresso da UNE, surgiu a determinação de conquistar mais pessoas dispostas a somar forças anticapitalistas para agir de maneira unificada em busca de transformações sociais”, explica o grupo na página da campanha.

    Apesar dos integrantes serem em maioria estudantes de escolas e universidades, o novo movimento de juventude afirma pretender ultrapassar os muros do movimento estudantil.  “Somos jovens, mulheres, negras e negros, LGBTs, periféricas, trabalhadoras que têm o sonho e a garra para construir um novo mundo: livre da exploração e de todas as opressões. Para isso, queremos construir um novo movimento de juventude com a coragem para radicalizar nas ideias e nas ações”, afirmam.

    Assistam no vídeo

    A campanha pela decisão do nome iniciou na noite desta segunda-feira (17). De forma presencial, está chegando às escolas, universidades e demais espaços onde os membros do coletivo já atuam.

    E a partir da rede social Facebook, ganhou tom irreverente, com defesas da concepção de cada um dos nomes, produção de memes e até twibbons que são adicionados aos perfis.

    Quer participar?
    Para escolher o nome desse movimento, a votação é online.
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  • Minha primeira greve geral e os desafios da juventude

    Por: Priscilla Costa, de Salvador, BA

    Escrevo esse texto com um certo atraso, talvez do ponto de vista da data, mas não do peso histórico do fato. A essa altura, muitas análises e opiniões sobre a greve geral do dia 28 de abril já foram feitas por parte das mais distintas referências: centrais sindicais, a grande mídia, diversos ativistas com seus textões de facebook, sociólogos, historiadores, entre outras abordagens. O dia 28 entrou para a história e foi assunto não só no Brasil, mas também no mundo. Segundo muitas fontes, a expectativa é de que tenha sido a maior greve geral da história do país. E, pela extensão territorial brasileira, há a possibilidade de que esteja também entre uma das maiores do mundo.

    Na data, vivemos grandes manifestações em todos os estados, contabilizando protestos em 254 cidades, desde as capitais, até as pequenas cidades do Interior, o que comprova a abrangência da luta contra as reformas da Previdência e Trabalhista. É praticamente incalculável o número de trabalhadores que pararam suas funções. Além do setor de transporte, paralisaram os trabalhadores dos bancos, escolas, indústria e comércio.

    Combinado às paralisações, tiveram também os numerosos atos de rua. Escrevo de Salvador, Bahia, aonde foi expresso um dos atos de maior número. Ao todo, foram 72 mil pessoas, segundo boletim informado pela PM-BA, mesmo sem transporte público funcionando. A maior manifestação de rua na capital baiana desde as jornadas de junho de 2013.

    Para quem viveu o momento e construiu o dia não há dúvidas: entramos para os livros de história e contaremos esse dia para as próximas gerações com orgulho.

    É preciso um novo junho, à esquerda e radical
    No próximo mês, completaremos exatamente quatro anos de uma das maiores manifestações marcadas pela juventude brasileira: junho de 2013. O próximo junho virá diante de um cenário de retirada de direitos e em tempos de figuras como Trump, Bolsonaro e Temer. O atual presidente brasileiro tem o governo mais impopular da história do Brasil. As últimas pesquisas mostram que a grande maioria da população está contra Temer e suas reformas.

    Também não é novidade que ele não se importa nem um pouco com o apoio popular e tem pressa em aprovar as reformas que só favorecem a elite dominante do nosso país, como a lei da terceirização, PEC 55, entre outros exemplos.

    Junho de 2013 mostrou o potencial que as lutas têm de fazer tremerem as estruturas das classes dominantes do país. Mas, também mostrou que uma luta sem horizonte bem definido pode se dispersar e retroceder na oportunidade histórica de fazer mudanças. O dia 28 de abril trouxe uma nova lição: mostrou a importância das bandeiras que estão do lado da classe trabalhadora e da juventude, dos sindicatos, da esquerda, movimentos sociais e da unidade entre os que lutam para organizar a resistência.

    Ocupar Brasília e construir uma nova greve geral
    Estamos diante de um cenário em que muita gente se pergunta qual é o caminho para derrotar Temer. Para a nossa geração, que viveu a experiência de junho e da greve geral, é preciso apostar nas lutas e construir o novo. Não precisamos reeditar o passado. Não podemos esperar uma saída eleitoral apenas em 2018. Em 2018 será tarde demais. Hoje, a única alternativa capaz de barrar a reforma trabalhista e da previdência é a luta através da unidade e por uma saída radicalmente anticapitalista e à esquerda.

    É preciso fortalecer as lições tiradas, as urgências do momento e avançar para a construção de uma outra greve geral no país que venha a derrubar, definitivamente, as reformas de Temer e o seu governo ilegítimo. As centrais sindicais aprovaram para o dia 24 de maio uma marcha a Brasília unitária contra as reformas. Mais do que nunca, é preciso ocupar Brasília e sair de lá com uma nova data para uma greve geral de 48 horas.

    Não nos faltam motivos para lutar. Estamos diante de um novo momento, uma nova oportunidade e tarefa histórica. Não temos nada a temer.

  • Antes fosse apenas uma foto

    Por: Clara Saraiva, do Rio de Janeiro e Diogo Xavier, de Recife

    Há poucos dias, a presidenta da UNE, Carina Vitral, tirou uma foto com José Serra (PSDB) que, depois de publicada no facebook, causou um grande rebuliço. Vivemos na era da super informação, as imagens e os debates se viralizam rapidamente e multiplicam-se as polêmicas, mesmo que de forma efêmera. No caso da foto em questão, não demorou muito e a UJS recebeu uma enxurrada de críticas sobre a Carina “sorrindo e abraçada” com o golpista do Serra. Muitos de seus militantes rebateram, valorizando a “iniciativa democrática” e ridicularizando as “críticas infantis”. Diante desse cenário, vale a pena uma reflexão sobre o assunto que saia da reação espontânea e, muitas vezes, superficial, da rapidez da internet.

    O contexto da foto é a filmagem de um documentário sobre a UNE, mais especificamente sobre a sede da UNE, incendiada um dia após o golpe militar de 1964, quando José Serra era o presidente da entidade. Esse fato, do ponto de vista documental, torna natural que o ex-ministro de Temer seja entrevistado. Não se pode apagar o passado, e concordamos que é muito importante que essas histórias sejam contadas para as novas gerações. Ainda mais do papel fundamental que a UNE teve na resistência à ditadura militar. A foto, por fim, aconteceu a pedido do Serra, para postar em suas redes, registrando a entrevista. Diante disso, Carina devia ter aceitado ou não o convite? Trata-se apenas de uma foto como um registro democrático da história da entidade?

    É muito importante que a UNE tenha se posicionado contra o impeachment, apoioado os atos contra a retirada de direitos e as ocupações estudantis do fim de 2016. O problema é que a UJS, como conduz de forma burocrática e com uma política conciliatória, a impede de fazer isso impulsionando a organização democrática pela base dos estudantes e fomentando um processo de mobilização radical. Dessa forma, faz com que o potencial da UNE em ser uma entidade nacional que organiza milhares de entidades estudantis e quase a totalidade dos agrupamentos organizados de juventude se perca totalmente.

    Não é novidade o papel traidor que cumpriu a UJS quando, por exemplo, negociou o direito dos estudantes à meia-entrada, aceitando sua restrição para 40% das bilheterias em troca da volta do monopólio das carteirinhas da UNE. Ou seu apoio irrestrito e acrítico a todas as políticas dos governos do PT, combinado ao silêncio diante dos sucessivos cortes para as áreas sociais. Fizeram da UNE um aparato institucional. Mesmo depois das grandiosas Jornadas de junho de 2013, que transformaram radicalmente o movimento estudantil, ou ainda depois do golpe parlamentar, quando se localizaram na oposição ao governo federal, não mudaram esse caráter da entidade. Fazem aparições midiáticas e chamados formais à mobilização, mas não fortalecem a organização democrática de base dos estudantes.

    Carina é uma dirigente da UJS, juventude do PCdoB. Antes fosse só a fatídica foto que juntasse este partido e o PSDB. Nas últimas eleições para o governo do Maranhão, o PCdoB encabeçou com Flávio Dino uma chapa com uma ampla aliança, que incluía os golpistas do PSDB e DEM. Curiosamente, os partidos da direita tradicional têm ensaiado um distanciamento com o governo do PCdoB, buscando um alinhamento mais sintonizado com a conjuntura nacional, ou seja, com o PMDB de Temer. E é o governador do PCdoB que tem brigado para continuar a aliança. Há poucos dias, Flávio Dino deu a seguinte declaração: 

    “Podemos e devemos falar de futuro. É de minha vontade que o PSDB continue compondo chapa majoritária com o PCdoB. Estou muito feliz em estar aqui avaliando com vocês os avanços que este partido nos ajudou a construir no governo do Estado. O Brandão é um presidente eficiente. O PSDB continua em mãos eficientes e honradas. Espero que o PSDB continue crescendo em nosso estado – é um desejo sincero do meu coração – com toda minha gratidão e solidariedade”.

    Por detrás dessa postura, está a concepção e a estratégia do PCdoB. Nem depois do golpe, se furtam a construir projetos e governos junto com os golpistas. São um partido completamente adaptado ao Estado e à gerência do capitalismo, ainda que estejam atualmente no campo de oposição ao governo Temer. Outro exemplo recente é o apoio da bancada do PCdoB à eleição de Rodrigo Maia, deputado do DEM que votou a favor do impeachment de Dilma, para presidente da Câmara dos Deputados. A declaração do líder da bancada, Daniel Almeida, não deixa dúvidas da política conciliatória e pragmática: “Não se trata de uma disputa entre direita e esquerda. Não há hipótese de um candidato de oposição ganhar. Queremos o compromisso com o funcionamento regular da Casa (…)”. Casa, essa, que funcionando regularmente tem votados projetos como a lei da terceirização e a reforma trabalhista. Exemplos como esses, que infelizmente não são casos isolados, expressam que o PCdoB não aprendeu com o golpe e mantém uma conduta absorvida à institucionalidade e à velha forma de fazer política.

    Em um vídeo divulgado em abril, a UNE coloca que seria uma entidade “nem de direita, nem de esquerda”. Tentando dar um ar de “neutralidade”, busca abraçar uma parcela da juventude distante da UNE e legitimar a entrada de setores de direita que se organizam com mais força pra disputar a entidade através do MEIO – Movimento Estudantil Independente Organizado. No entanto, essa suposta neutralidade joga a favor dos nossos adversários, num contexto em que precisamos disputar a juventude para se organizar e resistir com força. Enfraquecem o caráter combativo da UNE, já tão apagado pela condução da UJS.

    Vivemos em um contexto em que é muito importante a disputa ideológica. Figuras abertamente da direita reacionária, como Dória e Bolsonaro, levam jovens a apoiar ideias preconceituosas e conservadoras. A “neutralidade” nunca foi o lugar das entidades que estão ao lado do interesse dos estudantes. A foto pode, em si, parecer pouco. Mas esconde uma concepção que tem levado a UNE para o caminho da institucionalidade e da defesa de um projeto de mediação com os interesses do capital.

    Infelizmente, é difícil construir qualquer expectativa que seja diferente disso, já que a direção majoritária da UNE trilha há muito tempo essa aproximação com os inimigos da juventude. Foi assim com Sarney, Cunha, Collor, Kátia Abreu e outras figuras bizarras da velha política brasileira. A foto é lamentável simplesmente porque reforça essa conduta. Carina, em sua página no facebook, responde as acusações afirmando: “o diálogo entre pessoas de posições divergentes ou mesmo opostas faz parte da democracia e, na verdade, é a sua essência para a construção de uma sociedade que saiba respeitar todos os seus membros”. E o que fazer diante de uma sociedade ditada por um sistema que não respeita as vidas dos trabalhadores e da juventude? Talvez nossa maior diferença esteja aí. Não respeitamos golpistas, banqueiros, grandes capitalistas e quem governa para massacrar greves, retirar direitos e tirar a vida da juventude negra nas favelas. Não há democracia para todos na sociedade em que vivemos. Por isso, precisamos escolher bem nossos aliados e identificar bem os inimigos. Resta saber se estão dispostos a entrar nessa briga.

    As reformas do governo Temer mobilizaram os trabalhadores e a juventude para resistir. Infelizmente, a participação da UNE nesse processo tem sido extremamente limitada. Até agora, por exemplo, não se posicionaram sobre a necessidade de construir uma nova Greve Geral, não impulsionam Comitês de Base nas universidades, não constróem um calendário próprio de luta do movimento estudantil.

    Junto com a Oposição de Esquerda, apostamos na intervenção no CONUNE para fazer esse debate e ganhar mais jovens para a ideia de que é preciso mudanças profundas na entidade. Não é apostando tudo nas eleições de 2018, ainda mais pra repetir experiências do passado de pacto entre as classes, que vamos resolver os problemas do país. Já passou da hora da UJS rever suas escolhas passadas. Foi um erro tirar foto com Serra? É evidente que sim; na atual conjuntura brasileira é impossível que uma imagem dessa não cause repulsa entre a juventude. O problema, porém, é bem mais de fundo… Antes fosse só uma foto.

  • Justiça suspende páginas do facebook do movimento social da USP

    Luiz Tombini, de São Paulo, SP

    Ontem, 10 de Maio,  o movimento estudantil e dos trabalhadores da USP foi surpreendido com a noticia de que algumas páginas de entidades estudantis e sindicais estavam fora do ar. Por conta dos administradores das páginas, soubemos que se tratava de uma movimentação política e judicial. Pelo menos quatro páginas de entidades foram derrubadas: DCE livre da USP, CAELL, CEUPES e Sintusp.

    Essa ação foi movida judicialmente por João Roberto Gomes de Farias, professor do curso de Letras e ex vice-diretor da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), alegando que essas páginas faziam uso indevido de sua imagem, atacando a sua moral, por conta de um episódio no ano de 2016.

    O episódio a que o professor se refere é a reunião de negociação do movimento social da universidade, que fazia uma greve por cotas e permanência, com a diretoria da FFLCH. Essa reunião havia sido chamada pela própria diretoria.

    No dia em questão esse mesmo professor grita com os manifestantes presentes, inclusive, fazendo agressões verbais à uma ativista trabalhadora da USP e pertencente ao Núcleo de Consciência Negra, que teve sua presença questionada na reunião. O ataque a sua moral seria o repúdio feito pelas páginas das entidades à sua agressão.

    A suspensão das páginas ocorreu após a sentença de 03 de abril que condena um estudante e o Facebook a pagarem uma indenização de 10 mil reais ao professor, e também o Facebook a retirar das páginas o conteúdo dos posts em relação ao episódio. Diante da sentença, o Facebook não tirou apenas os posts e sim as páginas da entidade do ar.

    Toda essa movimentação só reafirma a arbitrariedade do Poder Judiciário no nosso país. Enquanto, estudantes, trabalhadores e militantes negros são perseguidos nessa Universidade por exercer seu direito de manifestação, a burocracia universitária segue atacando nossos direitos, os espaços dos estudantes e trabalhadores e negligenciando a pauta de inclusão, reparação histórica ao povo negro e democracia nessa universidade.

    Por isso, a única saída dessa burocracia é tentar calar a nossa voz, limitando os espaços de difusão das ideias. Não querem que os estudantes saibam o que de fato acontece na Universidade, mas não vão nos intimidar. Hoje, 11 de maio, o movimento estudantil da USP fará uma Assembleia Geral às 18 horas na Prainha da ECA. Estaremos presentes mais uma vez na luta contra a repressão e a criminalização aos movimentos sociais.

  • Juventude do MAIS divulga carta sobre tarefas da juventude anticapitalista e o 55º Congresso da UNE

    Da Redação

    O Esquerda Online recebeu a contribuição da juventude do MAIS direcionada aos ativistas dos movimentos de juventude. Disponibilizamos na íntegra, a seguir:

    “Carta da Coordenação de Juventude do MAIS aos ativistas dos movimentos de juventude

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    Juventude pelo direito ao futuro

    Participamos de um dia histórico para a classe trabalhadora brasileira. O 28A mostrou a força da nossa classe quando se unifica e decide parar os motores das fábricas, dos ônibus, do trem e do metrô.

    A greve geral de 2017, cem anos depois da primeira, foi combinada com novos métodos de luta, como o trancamento de vias e rodovias das grandes cidades. E lá fomos nós – duas gerações em luta, a mais experiente, protagonista das greves da década de 80 e os jovens trabalhadores, muitas vezes sem emprego formal, estudantes – parar tudo, sim. Literalmente!

    Paramos o país inteiro, nas grandes e também nas pequenas cidades. Para o terror dos “de cima”, nesse dia nos guiamos pelos nossos interesses. Não houve pato, MBL ou Bolsonaro. Foi um dia em que fizemos história com as nossas próprias mãos.

    A batalha está longe de terminar, mas entramos no jogo. Rejeitamos o nocaute e seguem os rounds. O governo Temer e seu projeto radical de ataques, ainda não foi pra lona, mas levou um belo cruzado de esquerda. Agora contamos com a maioria, apesar do esperneio e das mentiras da mídia é evidente que a população está contra as reformas.

    Estamos moralizados e isso é fundamental na guerra. As tentativas do adversário de diminuição de nossa força foram fracassadas, botamos medo neles e não podemos dar-lhes mais trégua.

    O Governo e seus aliados, a mídia e os empresários tentam nos intimidar. Começam a intensificar a repressão, como foi em Goiás com a tentativa de assassinato do jovem Matheus, com os três presos do MTST em São Paulo e com os imigrantes palestinos presos também na capital paulista. Sem vacilar devemos fortalecer a unidade pra lutar e construir um novo dia de greve geral.

    Continuar as lutas e construir uma saída anticapitalista para o Brasil

    Que país queremos? As direções do movimento não estão à altura dos desafios de fazer diferente, de rejeitar o jogo de cartas marcadas, de reinventar o movimento sindical, o movimento estudantil e, principalmente, a política. Os governos do PT são lembrados como um mal menor. No entanto falta autocrítica sobre os anos de conciliação, a lei antiterrorismo que criminaliza os movimentos sociais e tantos outros ataques. Sabemos que a classe trabalhadora pode mais. Que necessita de um projeto ousado. Queremos discutir isso com a juventude e participar da construção do novo. Não podemos ficar reféns do passado.

    Na crise econômica de 2008 o capitalismo iniciou o desmonte das conquistas do período anterior. Na Europa piorou as condições de vida dos trabalhadores drasticamente. Sim, houve muita resistência. Os “Indignados” na Espanha, a “geração a rasca” em Portugal e a “Primavera Árabe”, além das greves gerais na Grécia que nos trouxeram grandes ensinamentos. Foi essa a nossa inspiração para ocupar as ruas em junho de 2013 pedindo mais e levantando o “gigante”.

    Ouvimos a voz daqueles que não se conformavam com o dito “possível”, com o jeitinho das negociatas de um congresso e senado corruptos. Levantaram-se aqueles que viam pingar nas suas torneiras enquanto os ricos nadavam em enxurradas de dinheiro.

    Conquistou-se muito, principalmente o aprendizado indispensável àqueles que só podem contar com suas forças. Mas não fomos ouvidos. O governo do PT preferiu dar ouvidos aos velhos Renan’s, Temer’s, Odebrecht’s, Sarney’s. E não tardou que as coisas ficassem piores. Quando veio a tempestade, a crise econômica, era hora secar a torneira pra valer. Veio um golpe dos tais aliados.

    A realidade nua e crua mostrou que a conivência com o capitalismo não amansa a fera, mas a fortalece. Tanto na Europa como no Brasil, aqueles que buscaram um capitalismo menos desigual foram engolidos por sua versão mais radical: o capitalismo deu em Trump nos EUA, em Golpe no Brasil e pode dar em Marine Le Pen na França.

    O que fazer diante da direita radical?

    Em primeiro lugar precisamos apresentar o nosso programa. E ele também deve ser radical, portanto deve ser deve ser anticapitalista!

    Não poderemos aplicá-lo do dia pra noite. Não achamos que o mundo caminha inevitavelmente para a revolução e para o socialismo. Sabemos que é preciso ganhar a maioria. Transformar as ideias em força social. Acreditamos que não chegaremos a lugar algum se antes não soubermos qual é nosso destino. Cada tática, cada ação, deve estar a serviço de um projeto. É preciso construí-lo. Lutar por ele. Ganhar as mentes e os corações da nossa poderosa juventude não só para as ações corajosas, mas também para uma saída corajosa. Para construir o novo.

    Achamos que o PT não possui mais um projeto novo, não aponta para uma saída. Mas se temos algo a aprender com a sua história é a capacidade da juventude trabalhadora de fazer diferente. Ousaram fazer algo nunca visto no Brasil até os anos de 1980: um partido de trabalhadores. Quando a ditadura fechou os sindicatos eles fizeram assembleias nas ruas. Foram se reunir nas igrejas. Não ficaram presos a miséria do possível. Agora chegou a nossa vez.

    É necessária uma grande unidade política entre as organizações socialistas no Brasil para construir a novidade e se tornar uma referência para aqueles que buscam seguir em frente. A juventude do MAIS está à serviço disso!

    Queremos apresentar algumas propostas de um programa capaz de tirar o país dessa crise. Queremos dizer aos trabalhadores e a juventude porque não devemos pagar o pato. O que poderia então ser feito para que nossas direitos não fossem retirados em tempos de crise?

    1 – Taxação do lucro das grandes fortunas. É preciso tirar do 1% para dar saúde e educação aos 99% que produzem toda a riqueza do país.

    2 – Reforma Urbana e Agrária. Já é conhecido o fato de que nas grandes cidades, em São Paulo, por exemplo existem mais imóveis desocupados, servindo para especulação, do que pessoas sem moradia

    3 – Redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Hoje o desemprego é o principal problema do país. Na juventude a situação é dramática mesmo para aqueles que possuem escolaridade. É necessário distribuir os empregos entre todos diminuindo os lucros dos grandes empresários e não os salários

    4 – Todos falam da corrupção, mas nada se fala da punição aos corruptores que seguem em plena atividade. Nossa proposta é a estatização das empresas que roubaram o país. É necessário, sim punir os políticos que desviam dinheiro público. Mas nós também queremos o nosso dinheiro de volta. Não podemos nos iludir com a lava jato, que não passa de uma operação política, para distrair o povo, que não visa acabar com a corrupção, mas atuar no cenário político para favorecer os interesses do imperialismo.

    5 – Chega de pagar juros aos banqueiros. Por uma imediata auditoria da dívida externa que obriga o país a tirar dinheiro do povo em nome de um superávit primário que dê segurança aos grandes investidores.

    Alguns Podem dizer que este programa é radical. Eles têm razão. Temer e sua corja não vacilam em anunciar os seus planos: querem que os trabalhadores trabalhem até morrer, o fim da obrigatoriedade das leis trabalhistas, vinte anos sem investimento em saúde e educação. É pouco? Esta semana foi apresentado um Projeto de Lei que propõe que o trabalhador rural possa ser remunerado com comida e moradia! Escravidão legalizada: Isso sim é radical.

    Na luta imediata temos um programa claro: Contra as reformas! Nesse programa cabem todos os trabalhadores, sejam socialistas ou não, petistas ou não. A lição da greve geral é categórica. As paralisações se deram em grande parte pela unidade da CUT, CTB, Força Sindical, CSP-Conlutas, Frente do Povo sem Medo, Frente Brasil Popular etc. O MAIS e também a sua juventude vem lutando muito pela unidade necessária para derrotar as reformas. Os comitês unitários nas universidades, a defesa de atos unitários, apoio a todas as greves e paralisações tem sido parte de nossas obsessões.

    Sacudir a poeira no Movimento Estudantil!

    Primeiro é necessário unir todos os movimentos de juventude. Desde as Jornadas de Junho de 2013 – e até mesmo antes disso – os movimentos de juventude se ampliaram e se fortaleceram em diversas frentes, como a luta contra as opressões, movimentos de cultura, anti-proibicionismo, cyberativismo, cursinhos pré-vestibular, etc. Mesmo com esse alargamento dos movimentos de juventude, acreditamos que o Movimento Estudantil (universitário e secundarista) segue sendo sua coluna vertebral.

    O movimento está bem mais colorido: há os coletivos de mulheres, de negros, trans e demais Lgbts. Há os coletivos anti-proibicionistas e coletivos de cultura. Enfim, o movimento estudantil ficou pequeno para tantas pautas e por isso precisa ser reinventado.Agora, é ainda mais urgente uma ar

    ticulação nacional para unificas as entidades de base, entidades gerais, coletivos e movimentos no Brasil a fora para organizar as suas lutas. Um espaço que reúnas os estudantes com suas diversas correntes de opinião. Isso é o que nos jargões da esquerda é chamado de “organismo de frente única”. Na prática é o fórum que seja representativo e que, por isso, tenha o potencial de colocar nossa juventude em ação. A União Nacional dos Estudantes se propõe a ser esse fórum.

    No início do governo Lula houve um fenômeno de rupturas com a UNE no momento em que essa passou a defender os governos do PT e suas políticas, integralmente, se chocando com as lutas da época. Foi o momento onde as executivas de curso passaram a organizar muitas lutas, foram construídos inúmeros coletivos fruto dessas rupturas e nesse momento milhares de estudantes apostaram na Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL) para cumprir este papel.

    Contudo, esse processo não se desenvolveu à altura de impulsionar e consolidar outra alternativa de fórum que pudesse ser nacional, mas também reunir as entidades de base dos estudantes e suas diversas correntes de opinião e que, portanto pudesse unificar o movimento estudantil. Essas tentativas refluíram.

    Por isso, para somar forças, para nos articularmos nacionalmente, para prepararmos a resistência contra Temer e suas reformas, para lutar pelo direito ao nosso futuro que a juventude do MAIS irá participar da UNE e seus fóruns. Lá estão milhares de estudantes que querem por a baixo este governo golpista, mas que sabem que precisamos estar mais fortes, mais articulados, com objetivos corretos, que vão a este 55° CONUNE para saírem de lá mais fortes. Lá estarão os ativistas das principais entidades estudantis do país, aqueles que dia a dia constroem os CAs, DCEs, coletivos de combate às opressões. Estarão também muitos jovens que, apesar de não serem parte das entidades, estão nas lutas e buscam se articular nacionalmente, como aqueles que ocuparam as universidades contra a PEC do fim do mundo e os bravos construtores da greve geral do dia 28.

    Nós não confiamos na direção dessa entidade e o papel que esta impôs à UNE nas últimas décadas. Assim como fez quando aceitou que o direito a meia-entrada fosse restrito a quem possui a carteirinha da entidade, ou quando no dia 28 pouco moveu de sua estrutura para mobilizar pela base os estudantes para greve geral.

    Sob a condução da UJS e seus aliados, a UNE ficou empoeirada e se demonstrou incapaz de mobilizar, articular e dirigir as lutas estudantis e dos movimentos de juventude nos últimos longos anos. Contudo, ao mesmo tempo que por um lado não se confirmou uma alternativa a essa, vivemos um momento especial na história do Brasil. Para barrar os retrocessos que podem fazer com que os direitos retrocedam centenas de anos atrás, é urgente recorrermos a todos os instrumentos possíveis. Sabemos que a UNE precisa ser radicalmente diferente pra enfrentar essa situação tão drástica. É preciso romper essa institucionalidade tão fomentada pela direção majoritária da entidade nos anos de governo do PT. Isso por que não dá pra dar um “jeitinho” no sistema, como pensou PT, PCdoB e a direção da entidade. O apoio da direção majoritária aos governos de conciliação de classes custou caro. Sem mudanças estruturais, as medidas do governo Lula e Dilma que buscavam beneficiar o povo pobre, em poucos meses foram desmontadas pelo governo golpista, justamente por não serem mudanças profundas e, muitas vezes, orientadas para beneficiar os primeiros da fila: ricos empresários e banqueiros. Os inimigos estavam ali do lado, preparando o golpe, a reforma da previdência, a lava jato, o fim do FIES, do PROUNI, o fim dos investimentos em saúde e educação.

    As últimas lutas mostram também que não aceitamos mais um movimento de juventude burocrático, de tapetões, monopólio de microfone e carro de som, com discurso de palanque e falta de trabalho de base. Onde tudo se resolve no acordão e não na discussão de ideias. As ocupações mostraram que precisamos que todos os sujeitos tenham seu espaço para que a decisão seja coletiva, seja o C.A., o movimento de opressões, DCE, e também a UNE. A direção majoritária da UNE não se mostrou estar à altura da reinvenção de novas práticas.

    Vamos para o CONUNE, pois a juventude precisa se organizar nacionalmente, precisa se articular, organizar as lutas, especialmente agora diante do governo Temer, suas reformas e a ofensiva da classe dos exploradores. Vamos porque precisamos virar o jogo.

    Ou seja, defendemos que é necessário e urgente que a UNE experimente uma nova direção. É assim que melhor poderemos testar a capacidade de mobilização dessa entidade e virar o jogo também dentro dessa. Sendo assim, acreditamos que é hora de todos os campos políticos de oposição à atual direção da entidade se colocar sob esse objetivo de derrotar a UJS e seus aliados.

    Nós da juventude do MAIS nos colocamos à serviço da construção da Oposição de Esquerda da entidade. Este bloco é estratégico para lutarmos por uma UNE das lutas com um projeto e práticas radicalmente oposta ao que dirige a entidade ultimamente.

    Mas a disputa por um Movimento Estudantil e uma UNE combativa está além da disputa pela sua direção. A OE já se mostrou preparada para ser parte da construção de uma nova proposta política para o país e apresentar um novo programa que guie a UNE em sentido oposto ao apoio das alternativas que querem reeditar os erros do passado apostando novamente na conciliação de classes e em um programa que não atinja as raízes dos nossos problemas fingindo equilibrar os interesses dos governos e dos patrões.

    Nesse sentido queremos dialogar com o Campo Popular que também faz oposição à direção da entidade: que saída apresentaremos aos estudantes para além da necessária unidade pra derrotar Temer. Que projeto de país iremos defender? Pensamos que apostar que a saída venha do “velho” é um erro. Precisamos de um novo projeto. A condução burocrática da UNE, muito além de servir para que a UJS se perpetue e se alimente no “poder” da entidade, está submetido à uma estratégia política desse setor. Uma UNE paralisada é melhor para quem quer submeter o movimento à uma política de conciliação de classes e administração do governo dos ricos e poderosos. Portanto, é necessário um balanço não só da forma como vem sendo conduzida a entidade, mas do conteúdo político que sua direção impôs aos estudantes e que a realidade escancara como uma grande derrota.

    Portanto iremos ao 55° CONUNE na condição de observadores, somar forças, observar este grande fórum com uma comissão representativa de delegados eleitos nas bases, buscando também convocar e mobilizar o máximo possível de estudantes para juntos fazermos um Congresso que possa ser um marco na luta que estamos travando contra esse governo golpista, e que possa ser também um marco na história desta entidade que precisa voltar a ser perigosa para os inimigos da juventude e do povo brasileiro.

  • Protesto na Escola Estadual Monteiro de Carvalho, no Rio, pede fim do assassinato de jovens nas comunidades cariocas

    Da Redação

    Educadores e estudantes da Escola Estadual Monteiro de Carvalho, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, realizaram um protesto na manhã desta quarta-feira (18), em frente à unidade escolar, para denunciar a morte de jovens das comunidades da capital fluminense. Na última semana, o aluno do colégio, Wesley de Paula, de 15 anos, que cursava o 1º ano do Ensino Médio, foi assassinado em frente à casa onde morava no Morro do Fallet, no Rio Comprido, Região Central do Rio. Além dele, o amigo Davi Renan da Rocha, de 16 anos, também foi baleado e morreu. Apenas um terceiro adolescente sobreviveu aos tiros disparados contra eles. Alguns dias antes, a jovem Maria Eduarda perdeu a vida após ter sido baleada por policiais dentro da própria escola onde estudava e era atleta de basquete.

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    Estudantes carregam cartaz com frase de Wesley

    No protesto, estudantes carregaram faixas pedindo o fim da violência. O canto mais repetido pelos presentes na manifestação questionava o caráter militar nas forças de segurança. “Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da polícia militar”, foi entoado diversas vezes.

    Um cartaz continha uma das frases de Wesley em uma das provas que realizou na escola: “A cada dia que passa, não podemos dar mole para a vida, pois vão (sic) ter novos obstáculos”, dizia.

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    Cartazes denunciam morte de jovens

    O Esquerda Online conversou com um dos funcionários da escola. Segundo ele, o adolescente era conhecido por ser um bom aluno. “Os educadores tinham Wesley como um aluno ‘boas notas’. E mesmo que fosse o contrário, nada justificaria esse grau de violência contra esses jovens. É uma dura realidade que precisa acabar imediatamente”, opinou.

    Os profissionais de educação da Escola Estadual Monteiro de Carvalho escreveram uma carta emocionante sobre o caso. Divulgamos abaixo, na íntegra:

    Mais um estudante de comunidade se torna vítima da violência armada. Desta vez foi o nosso aluno Wesley de Paula, integrante da turma 1002, do 1º ano do Ensino Médio. Wesley ainda iria completar 16 anos no próximo mês de maio.

    Como manter a esperança nessa sociedade com a notícia do assassinato de um dos nossos melhores alunos? Como tolerar as ações do ódio genocida que está matando jovens, sobretudo, negros, um a um, todos os dias?

    Quando vemos um menino de 15 anos morrer pelo simples fato de existir, como vamos convencer nossos alunos a remarem contra a maré, a estudar – como o Wesley estudava? Como vamos convencê-los a dar valor à vida quando sabemos que esta sociedade não lhes dá valor algum? Nos expliquem, como?

    Somente nos meses de janeiro e fevereiro de 2017 foram mortos 182 jovens no Estado, segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro. 182 jovens mortos!!!

    Questionamos a política de segurança pública que não protege todos os segmentos da população. Segurança pública é direito constitucional de todo cidadão brasileiro, independente da idade, da cor da pele, do endereço e da classe social.

    Ficamos revoltados e indignados em ver nossos alunos desaparecerem desta forma violenta. Chega de balas certeiras contra vidas de jovens, negros, pobres e das comunidades.

    Basta!!!
    Profissionais da educação do Colégio Estadual Monteiro de Carvalho.

  • Na Zona Leste de São Paulo, secundaristas se organizam para desorganizar

    Por: Caetano dos Santos, de São Paulo, SP

    Na Zona Leste e Extremo Leste de São Paulo os estudantes secundarista e jovens trabalhadores se reúnem com ânimo, saindo das reuniões vão aos pontos de ônibus e saída de estações de trem dialogar com os trabalhadores e com a juventude sobre a necessidade da Greve geral e a necessidade da derrubada do governo anti-popular de Michel “Fora” Temer. Em nós, a ousadia e a coragem. Em nós, a confiança e certeza de que só a aliança entre a classe trabalhadora e a juventude conseguirá as mudanças e a defesa dos nossos direitos. Em nós, o germinal do novo amanhecer.

    O comando dos estudantes secundaristas em luta de São Paulo surgiu em 2015, quando explodiu o processo de ocupação de escolas contra a reorganização das escolas estaduais apresentada pelo governo tucano de Geraldo Alckimin (PSDB). O comando serviu para a unificação das escolas em luta e para que este processo não fosse aparelhado pelas direções burocráticas do movimento estudantil (UJS e satélites juvenis do PT, que aparelham a direção da UPES e UBES há décadas).

    O comando fez com que aquele processo desse uma única paulada no governo, organizou os estudantes e conseguimos a vitória que foi a derrubada do secretário da educação, Herman Voorwald, e do projeto de reorganização. Passados dois anos daquele movimento explosivo, que abalou São Paulo e o Brasil, os estudantes tem mais uma desafio à vista: derrotar o governo Temer com suas reformas anti-populares que nos impõe trabalhar até morrer, rasga a CLT, permite a terceirização irrestrita e ainda sucateia a educação pública com a reforma do ensino médio, tirando matérias essenciais para o desenvolvimento crítico dos estudantes. Contudo, temos a consciência de que não faremos isso sozinhos, mas sim em aliança com os trabalhadores, esta aí nossa grande obsessão: a aliança entre a juventude e a classe trabalhadora.

    O Subcomando da Zona Leste de São Paulo voltou à ativa, agrupando ativistas de alguns coletivos, correntes e estudantes independentes e autônomos, com a discussão de que é preciso reagrupar aquela geração de lutadores formada no processo de ocupações e agrupar aqueles que se despontam agora para as lutas sociais.

    São dezenas de secundaristas da periferia de SP que, nas atividades, fazem a contagem de dinheiro para garantir a passagem de amigos para que estes possam participar das atividades, que contam as moedas para comprar uma pipoca para acompanhar um cine-debate, enfim, filhos de trabalhadores e futuros trabalhadores, muitos participando pela primeira vez de reuniões e ações do tipo, muitos despontando para o início da vida consciente.

    Desde o subcomando da Zona Leste, as ações realizadas partem da compreensão de que a classe trabalhadora é quem move tudo no Brasil e no mundo. É quem produz toda riqueza do mundo, que age coletivamente para a produção dessa riqueza e sua coesão e força, através de suas mobilizações e organização, faz o que quiser. Os trabalhadores não precisam de “seus” patrões, os patrões precisam dos trabalhadores.

    O poder de uma greve geral é grande, pois significa parar os meios de produção, as obras e tudo o que for. Só assim a burguesia perceberá a força que temos. Apenas com métodos de luta dos trabalhadores os patrões e os governos percebem a força de mobilização e recuam. A Juventude leva o ânimo e a esperança nas mudanças, afinal, temos todo um mundo novo a ver, temos todo um mundo velho a destruir. Pra nós, sobra a ousadia, a esperança e o ânimo. Se aliar com os trabalhadores é levar a ousadia da juventude com o peso e firmeza dos trabalhadores. Assim, a vitória será uma grande possibilidade.

    O Subcomando dos Secundaristas em Luta da Zona Leste e Extremo Leste aposta todas suas fichas nisso. É com esta confiança que entramos nos trens e metrôs agitando e tentando levar coragem aos trabalhadores. É assim que vamos às escolas dialogar com estudantes e falar que só a luta vai mudar as nossas vidas. No dia 28, levaremos nosso bloco às ruas e permaneceremos organizados, pois os ataques são permanentes, independente do governo, e se os ataques são permanentes, a organização e a luta também devem ser.

    Assista ao vídeo

  • A juventude quer mais direitos e a não restrição da meia-entrada

    Por: Priscila Costa, Victor Marinho, Gustavo Mascarenhas e Gabriela Mota, de Salvador, BA

    Imagina que louco se o direito histórico da meia-entrada fosse vendido? Se as bilheterias reduzissem os ingressos para os estudantes em apenas 40% e o controle de quando acabaria a porcentagem ficasse apenas na mão dos empresários? Se, para que pudéssemos ter acesso a um direito histórico, a gente precisasse pagar pra ter uma carteira e o nosso comprovante de matrícula não valesse mais de nada? Bizarro, né? Infelizmente, a partir da última semana, foi assim que as coisas começaram a funcionar para todas e todos estudantes do Brasil e essa já é uma realidade nas filas de cinemas, shows, teatros, entre outros espaços.

    A partir da última semana, começou a valer a Lei n° 12.933, que foi aprovada em 2013. Essa lei torna obrigatória a posse de uma carteirinha emitida por uma entidade estudantil como critério para a efetivação do direito à meia-entrada. A lei, que foi elaborada em acordo com entidades que deveriam representar as e os estudantes, como a Uniao Nacional dos Estudantes (UNE), também definiu que só teriam direito à meia-entrada os estudantes que possuem filiação oficial à entidade. Muitos jovens estão indignados com essa arbitrariedade e sobram razões e motivos para isso, já que a lei busca restringir o acesso à cultura e ao lazer.

    Para adquirir a carteira da UNE, por exemplo, os estudantes precisam pagar cerca de R$ 40 para aquisição e ainda uma taxa anual no mesmo valor para revalidação. Esse é um preço abusivo, principalmente para a realidade da juventude em um cenário de desemprego e crise econômica.

    “A gente quer comida, diversão e arte”

    Segundo pesquisa sobre “Gasto e Consumo das Famílias Brasileiras”, do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), as dificuldades com o acesso à cultura, enfrentadas pelas famílias brasileiras, figuram em primeiro lugar entre os fatores causadores da desigualdade social em nosso país. O investimento público na área da cultural nunca passou de reles 0,07% dos gastos públicos, o que torna seu acesso quase que um privilégio para os ricos. Sabemos, inclusive, que o Ministério da Cultura foi um dos primeiros a sofrer ataques do governo golpista de Temer, quando a juventude em luta ocupou seus espaços contra seu desmantelamento.

    É uma vergonha que a entidade que foi protagonista pela conquista desse direito seja aquela que hoje esteja o entregando ao aprovar uma medida que vai justamente de encontro aos interesses da juventude. Os únicos interesses que a restrição à meia-entrada atende são dos ricos e dos grandes empresários que tentam controlar a cultura do país. Esses empresários são uma expressão do projeto político neoliberal que segue exatamente a mesma lógica do governo Temer e da direita golpista: o de elitização da cultura.

    Direitos não se negociam
    Ninguém aguenta mais a retirada de direitos. O problema do monopólio das carteirinhas da UNE é a venda de um direito histórico em nome de um monopólio nacional negociado pela entidade. Compreendemos que as carteirinhas, para diversas entidades estudantis são uma fonte de financiamento legítima e importante, porém hoje a direção majoritária da UNE utiliza a venda das carteirinhas como uma verdadeira fonte de dependência com o Estado burguês e suas institucionalidades. Consequentemente, afasta os ativista e impede que outras carteirinhas sejam tiradas.

    Queremos que a carteirinha da nossa faculdade valha, ou qualquer documento de identificação estudantil, como o comprovante de matrícula, o que já era uma realidade antes da aprovação dessa lei. Esta medida também atinge o direito de livre associação e organização. Não há nenhum problema em entidades estudantis emitirem suas carteiras como meio de financiamento pela independência do movimento estudantil. Mas entendemos que a adesão deve ser feita de forma voluntária, ganhos politicamente, como demonstração de apoio e reconhecimento pelos estudantes, entendendo a importância da independência financeira, e nunca de forma obrigatória. Não é o governo, por meio de uma lei, que deve dizer quais entidades podem, ou não, emitir carteiras estudantis, tornando-as “oficiais” e obrigando os estudantes a se associarem a ela, para garantir um direito.

    O cenário que estamos vivendo no país hoje exige coragem e firmeza dos movimentos sociais e não vacilações. Essa postura da direção majoritária da UNE (UJS, Kizomba, ParaTodos) não contribui para fortalecer a nossa luta e nossa unidade. Para se enfrentar, de fato, com a direita golpista, é preciso radicalizar nas ações e na política, algo que o campo do lulo-petismo e entidades que são dirigidas por esses setores precisa urgentemente relembrar, da luta ombro a ombro com entre juventude e classe trabalhadora, sem conciliação com os inimigos, pois só derrotaremos os golpes de cima, unificando os de baixo. O que a juventude e o povo brasileiro precisam hoje é de uma alternativa combativa que esteja a serviço de mudanças, a favor da classe trabalhadora e da juventude, por nenhum direito a menos.