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  • Como ajudar o dia 30 de junho a ser uma grande greve geral

    As centrais sindicais se reuniram e decidiram manter o dia 30 de Junho como um dia de greve geral. Mas a reunião estava dividida: as centrais que estão em negociação com o governo, em especial a Força Sindical, UGT, CSB e Nova Central, defenderam por motivos distintos não convocar a greve geral, para fazer apenas um dia de paralisações e manifestações. Já a CUT, CTB, CSP-Conlutas, CGTB e Intersindical defenderam manter o chamado para greve geral para o dia 30.

    A unidade possível ficou em torno do seguinte acordo: “Vamos parar o Brasil contra a reforma trabalhista, em defesa de direitos e da aposentadoria”.

    No dia 28 de abril, ocorreu uma das maiores greves gerais da história do país. Ficou demonstrado naquele dia que existe disposição de luta dos trabalhadores. Tendo isso em conta, acreditamos que é possível construir fortes paralisações e atos de rua nesta sexta, dia 30. Para isso, é fundamental que as direções sindicais, em particular as direções das centrais, se engajem de verdade, e não apenas em palavras, na preparação da greve geral, afinal faltam poucos dias. Até aqui, a maior parte das centrais fez muito pouco pela greve geral.

    Considerando que o governo Temer não conseguiu sair de sua grave crise, que segue se aprofundando, e que o Senado, com maiores dificuldades, está determinado em avançar com a reforma trabalhista, estamos diante de uma enorme oportunidade para enterrar de vez as reformas. E você, trabalhador e trabalhadora, pode ajudar! Veja como:

    * Para ter sucesso é fundamental construir a greve pela base. Procure seu sindicato ou organizações, comitês e movimentos do seu bairro ou local de trabalho e estudo.

    * As centrais vão realizar um importante ato no Senado no dia 28 de junho por conta da votação da reforma trabalhista na CCJ. É preciso engrossar esse ato. Os sindicatos próximos de Brasilia e região precisam se mobilizar para aumentar a pressão sobre os senadores nesse dia.

    * Faz parte também do calendário unificado as manifestações nos aeroportos. A idéia é pressionar os parlamentares para votarem contra as reformas, em especial a reforma trabalhista essa semana. Tod@s devem participar!

    * Além das paralisações e trancamentos de rua, é muito importante construir no dia 30 grandes manifestações de rua em unidade com todas as centrais e movimentos sociais. Procure saber o horário e local dessas manifestações na sua cidade e participe levando amigos e colegas de trabalho.

    * Defender nas ruas a luta contra as reformas e também a luta pelas eleições gerais já (eleições diretas para presidente e congresso).

    O dia 30 de junho precisa estar a serviço do Fora Temer, de derrotar as reformas e para impor eleições diretas para presidente e para o congresso! Você que está indignado com a situação do país tem a oportunidade de fazer historia. É hora de arregaçar as mangas e colocar o nosso bloco na rua.

  • Greve Geral dia 30 é uma obrigação histórica

    As centrais sindicais acordaram em construir um calendário de lutas nos marcos do seguinte chamado: “ Vamos parar o Brasil contra a reforma trabalhista em defesas dos nossos direitos e aposentadoria”. No inicio da semana que vem vamos ter mobilizações nos aeroportos, ato no senado dia 28 e paralisações e manifestações de rua no dia 30, onde para uns será greve geral a para outros nem tanto. Não houve absoluto consenso na reunião das centrais sobre a palavra de ordem “greve geral” por conta principalmente da posição da Força Sindical e de seus compromissos com o governo. Mas não será por conta disso que a greve geral dia 30 não vai sair, o empenho da militância com a disposição de luta dos trabalhadores pode surpreender!

    Estamos diante de um momento histórico no qual a crise política nos dá a oportunidade de derrotar as reformas e derrubar o governo Temer. O papel das centrais sindicais nesse momento é se jogar com toda força no trabalho de base visitando cada local de trabalho conversando com os trabalhadores. Precisamos mobilizar milhões e a nossa unidade pode mover uma montanha de indignação contra o governo Temer e esse congresso, que não  tem qualquer moral para seguir legislando.

    O caminho da unidade necessária para destruir os planos de Temer é unificar as lutas em defesa de direitos sociais e ao mesmo tempo exigindo uma saída democrática para a crise política. Não podemos aceitar em nenhuma hipótese que Temer seja substituído por alguém eleito pelo congresso que está aí. Por isso as centrais sindicais devem avançar politicamente para além das bandeiras econômicas e exigir diretas já para presidente a para o congresso nacional. Contrapor a luta contra as reformas contra a luta por direitos democráticos é um erro catastrófico nesse momento no qual precisamos acumular o máximo de forças para derrubar de vez esse governo.

    Não só os sindicatos tem essa tarefa, é preciso envolver os movimentos sociais, as organizações e ativistas que lutam contra as opressões, o movimento estudantil e toda juventude lutadora.

    Dia 28 de junho todos os sindicatos de base de todo país que tiverem condições tem a obrigação de enviar militantes para ajudar na manifestação que estamos preparando no Senado Federal. Como também em todas as cidades os sindicatos e movimentos sociais precisam se reunir imediatamente e traçar planos que envolvam parar a produção, circulação de mercadorias, órgãos públicos, instituições financeiros, comercio,  transporte publico, universidades e escolas.

    E por fim, seria muito importante que as centrais sindicais e comitês estaduais combinassem com a greve geral, construir em ampla unidade grandes manifestações no dia 30 de junho mobilizando milhares de trabalhadores nas ruas das principais cidades e capitais do país.

    GREVE GERAL PELA BASE PARA DERRUBAR TEMER, DERROTAR AS REFORMAS E CONQUISTAR ELEIÇÕES DIRETAS PARA PRESIDENTE E CONGRESSO!

  • Decifra-me ou te devoro

    Editorial 22 de junho

    Esse era o desafio da Esfinge de Tebas. Ela eliminava aqueles que se mostrassem incapazes de responder a um enigma: “Que criatura tem quatro pés de manhã, dois ao meio-dia e três à tarde?”. Todos os que ensaiaram a resposta haviam sido estrangulados. Édipo acertou: “É o ser humano! Engatinha quando bebê, anda sobre dois pés quando adulto e recorre a uma bengala na velhice”. Existe uma Esfinge de Tebas simbólica a assombrar o futuro do povo trabalhador brasileiro. Teremos um Édipo? Quem o será?

    O enigma da sustentação do governo
    Como se mantém no cargo o presidente mais odiado da história democrática do Brasil, que chegou a esse posto por meio de um golpe parlamentar, cujos esquemas de corrupção estão gravados em áudios publicados por toda a imprensa há mais de um mês e que está liderando os maiores ataques aos direitos sociais e políticos conquistados pelo povo trabalhador ao longo de décadas? O impasse brasileiro tem sonoridade de enigma. Quem irá decifrá-lo?

    O desenvolvimento da crise brasileira parece sem fim. Já são mais de 14 milhões de desempregados. Entre os jovens essa taxa é de 28,7%. A cada dia, novos fatos, sejam do desenvolvimento do drama econômico, ou político.

    O impasse brasileiro parecia não ter ponto de curva desde o golpe parlamentar contra o povo trabalhador, passando pelas eleições municipais que fortaleceram os setores tradicionais e novos da direita e a aprovação sem dificuldade da concordata de direitos sociais por vinte anos, conforme a PEC do Teto, até a greve geral do dia 28 de abril e até surgir a figura dos irmãos Batista, Wesley e Joesley.

    A entrada em cena da luta organizada da classe trabalhadora foi o elemento decisivo para impedir o avanço da reforma da Previdência, o que já complicou as coisas para o lado do governo. Depois, com as denúncias de Joesley Batista divulgadas no dia 17 e a publicação dos áudios no dia 18. uma esperança rondou a esquerda e o povo trabalhador: “agora ele cai”, esperavam.

    Passado pouco mais de um mês desde esse último grande fato, Temer segue sendo o presidente ilegítimo do Brasil. A opinião pública, tão importante enquanto argumento para a aprovação do impeachment de Dilma, hoje é desprezada pela base de sustentação do governo, o que demostra o caráter anti-trabalhador do golpe.

    Contudo, a possibilidade do fim de Temer segue vigente. Essa “carreta sem rodas” que se tornou o governo precisa ser confrontada pela força das lutas dos trabalhadores. Só com a mobilização dos de baixo para resolver a “indecisão” dos de cima. A única resposta possível para decifrar o enigma da sustentação do governo é o avanço da luta de classes. A batalha entre capital e trabalho será o definidor do processo. Pois Temer não foi posto pela classe dominante no Planalto para ser um presidente querido pelas massas trabalhadoras, nem mesmo para seguir um mandato de normalidade, ou estabilidade política.

    A burguesia o fez com o único propósito: aprovar as contra-reformas e abrir caminho para um novo governo burguês em 2018. Portanto, não está nos planos iniciais do acordo burguês uma substituição do governo sem terminar o mandato, muito menos por vias de eleição direta. Contudo, o matrimônio é com as reformas, são elas que a Esfinge de Tebas tropical guarda.

    Hoje, no STF, será definida a validade da delação de Joesley Batista. A manutenção dessa decisão poderá ser chave para o desenvolvimento da crise do governo, reduzindo ainda mais o oxigênio no Palácio do Jaburu.

    …ou te devoro com as reformas
    O cenário é dramático. Depois da aprovação da PEC do Teto, as reformas da Previdência e Trabalhista seriam a pá de cal sobre os direitos sociais da classe trabalhadora brasileira.

    O desprezo das elites brasileiras com os trabalhadores não é de hoje. Isso tem origem no nefasto legado dos quase 400 anos de escravidão no Brasil, o último país das Américas a abolir esse sistema. Apesar de aspectos de formalidade, foram muitas as resistências dos escravagistas à abolição, recorrendo ao argumento de que isso acabaria com a economia do Brasil. Esse pensamento seguiu tendo forte presença durante toda a República Velha, sendo parte do DNA da elite industrial paulista. Essa foi totalmente contra uma legislação garantista. Além do argumento de que geraria custos adicionais à produção, foi comum o argumento de que a concessão de direitos trabalhistas tornaria a classe trabalhadora brasileira “indolente e insubordinada”.

    Hoje, os argumentos para a necessidade das reformas vão no mesmo sentido. “Só com a Reforma Trabalhista para reduzir o desemprego”. Também: “Ou aprova uma reforma ou a Previdência vai quebrar”. Mas sabemos que, além disso, o que consta no sentido desses ataques é impor uma derrota histórica sobre a classe trabalhadora. O objetivo é nos humilhar e desmoralizar para que não levantemos mais. Querem inverter o espírito das jornadas de Junho, quando milhões saíram às ruas por direitos.

    O recuo no calendário da aprovação da Reforma da Previdência e a derrota sofrida pelo governo no último dia 20 na Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) devem servir para encorajar os trabalhadores. O grande trunfo desse governo sustentado por cima é sua maioria no Congresso Nacional. Contudo, esse também vive dias de insalubridade.

    O grande conflito entre frações da burguesia tem feito baixas e instaurado o pânico em alguns setores do Congresso por meio da operação Lava Jato. Para muitos, a manutenção do mandato parlamentar é a única chance de sobrevivência. Apesar de Temer não se preocupar em ser odiado, esse título para alguns pode ser um passaporte para o xilindró. Isso tem feito fissuras na base do próprio governo.

    Por ora, o calendário de aprovação da Reforma Trabalhista está mantido e o mais provável é que assim permaneça. Contudo, a decisão de hoje no STF e, principalmente, a realização da Greve Geral no dia 30 podem ser fatores de impacto. Não podemos perder de vista que a arena em que a batalha se decidirá será nas ruas, greves, ocupações, na ação direta.

    Greve Geral, o Édipo dos nossos dias
    Para decifrar esse enigma que ameaça o futuro do Brasil é necessário um passo à frente nas lutas do povo trabalhador. A greve geral marcada para o dia 30 de junho não está garantida, é preciso construí-la pela base. Para isso, não pode haver vacilações das centrais sindicais e todos os movimentos sociais devem ser aliados.

    A história recente no Brasil mostrou uma apatia e adaptação das centrais sindicais, bem como dos sindicatos. A greve geral do dia 28 de abril e a ocupação de Brasília no dia 24 de maio mostravam que a tarefa dos trabalhadores de sacudir suas centrais e sindicatos é possível e necessária. Devemos, mais uma vez, nos utilizar desses que são os mais tradicionais e importantes patrimônios das lutas sociais no mundo.

    Portanto, as centrais sindicais, os movimentos sociais do campo e da cidade, os movimentos políticos das pessoas oprimidas e da juventude têm o futuro do Brasil em suas mãos. Tod@s à construção da Greve Geral do dia 30!

  • Temer se enfraquece: agora é greve geral para tirá-lo do governo e derrotar as reformas

    Editorial 21 de junho

    Esta terça-feira (20), foi um dia bastante infeliz para o presidente Michel Temer. A polícia federal concluiu em relatório que há fortes evidências de que ele recebeu propina da empresa JBS e a Reforma Trabalhista foi rejeita na Comissão de Assuntos Sociais do Senado.

    As chances de Temer acabar bem são de zero porcento. Ele só não caiu até agora porque a classe dominante ainda não tem um nome para substituí-lo. E a saída do atual presidente iria fortalecer o movimento por novas eleições, que já levou dezenas de milhares às ruas em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, em Salvador, no Recife  e em Porto Alegre.

    A saída de Temer iria atrapalhar a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária no Congresso. Mas, se o atual presidente ficar no cargo, vai dificultar a vida do PSDB nas próximas eleições presidenciais. Afinal, este partido decidiu manter o apoio a Temer, o que pode tirar muitos votos. Nos dois casos, os banqueiros e grandes empresários terão dificuldades, pois eles querem as reformas para lucrar mais e têm preferência por alguém do PSDB para presidente em 2018. Por isso; a Bolsa de Valores de São Paulo teve queda nesta terça.

    O movimento pelo Fora Temer já conseguiu fazer com que este seja o governo mais odiado da história do Brasil. Mas; a batalha ainda não foi decidida. A reforma trabalhista, por exemplo, ainda será votada no plenário do Senado e tem boas chances de ser aprovada. E a reforma da previdência segue tramitando na Câmara dos Deputados. A articulação para que Temer seja substituído por alguém escolhido pelo Congresso, e não pelo povo, segue em Brasília.

    A greve do dia 30 será decisiva
    É neste quadro que a greve geral, marcada para o dia 30, ganha importância. Se o movimento for forte, as reformas podem ser enterradas de uma vez por todas. A greve também pode ser o último prego no caixão do governo Temer.

    É necessário que a classe trabalhadora mostre sua força e decida o destino político do país. Se a mobilização for grande e parar a economia por um dia, os parlamentares terão medo de aprovar as reformas. Esta é nossa única saída. Sabemos que esperar algo bom do Congresso sem luta é ilusão.

    As centrais sindicais deram a iniciativa da greve do dia 30 e têm uma grande responsabilidade em mãos. É nessas horas que sabemos quem é de luta e quem é traidor. O futuro de uma geração inteira está em jogo.

  • O papel das centrais sindicais diante do impasse brasileiro

    Editorial 16 de junho

    O desenvolvimento da crise política e econômica no Brasil desde o impeachment, até os dias de hoje, já gerou um tal número de acontecimentos que fazem parecer que os dias estão valendo anos.

    Estamos diante de uma conjuntura polarizada. Os trabalhadores estão demonstrando disposição de responder à ofensiva da burguesia. Isso se dá por dois motivos:

    1- A unidade entre as centrais sindicais e movimentos sociais avançou na organização dos trabalhadores, sendo possível construir grandes manifestações e greve geral, impactando a conjuntura.

    2- A duríssima luta entre as distintas frações da burguesia tem aprofundado a crise política e dificultado a articulação do governo para aprovação de todas as reformas.

    Temer luta encarniçadamente para sobreviver
    O governo Temer tem sido hábil e previamente construiu as condições para que o TSE o absolvesse. Não só Gilmar Mendes cumpriu um papel decisivo, mas Temer já tinha trocado dois ministros do TSE. Recentemente, para se blindar e escapar da cassação, os dois votaram a seu favor. O plano deu certo.

    Em outra manobra, para evitar que o PSDB saia do governo, chantageia Aécio Neves, ameaçando-o de cassação no Conselho de Ética do Senado, controlado pelo PMDB. A cada dia, Temer tem que matar um leão na luta fracional que está se desenvolvendo entre a própria burguesia. Mas, não é possível saber até quando conseguirá ter algum controle da situação.

    Temer também tem, na aprovação das reformas, outro meio de ganhar apoio político dos senhores do capital. As coisas não estão fáceis. Na Câmara dos Deputados, a Reforma da Previdência estacionou por conta da crise política e Temer sabe que isso é péssimo. Já no Senado, Temer vem conseguindo avançar com a Reforma Trabalhista, que está tramitando entre as comissões e tem previsão para ir a plenário já no final de junho. Seria muito importante para o governo e para o próprio Congresso ganhar a confiança do capital e tentar apaziguar a crise política, se conseguisse aprovar a Reforma Trabalhista no Senado. Estão trabalhando duro para isso.

    Esse é o pior momento do governo Temer, desde o impeachment e, portanto, estamos diante de uma oportunidade que não ficará no cenário político para sempre. As condições políticas estão mais favoráveis para a derrubada de Temer através da ação do movimento de massas e seus métodos de luta, greve geral e manifestações de rua. Mas, para isso, é absolutamente decisivo que a frente única entre as centrais e o calendário unificado acordado possa ter continuidade, com o objetivo de fazer mais e maior que a greve geral que fizemos em abril.

    Temer sabe que as ações unificadas das centrais pode acabar com o seu governo e vem tentando desmobilizar e desmontar a unidade entre as centrais, se utilizando do imposto sindical como moeda de troca nas negociações da Reforma Trabalhista. Como também busca negociar com a cúpula petista um armistício para todos se salvarem, o que pode ser uma pressão sobre parte importante das centrais.

    Dois erros que precisamos combater
    Diante de um cenário no qual o governo de Michel Temer está com popularidade na lama e outras delações podem incinerar de vez a sua imagem e numa crise econômica sem solução a curto prazo, as centrais sindicais não têm o direito de errar. Qualquer recuo oportunista, ou postura ultraesquerdista nesse momento, pode ser um erro que ajudará a burguesia a achar uma saída para a crise política. Podem conseguir retomar o controle para avançar no saque de direitos sociais e democráticos. A fratura exposta da crise interburguesa não ficará assim por muito tempo e os próximos meses serão decisivos. O impasse vai se definir a favor, ou contra os trabalhadores.

    As centrais sindicais não podem recuar nesse momento para garantir uma negociação que envolve o imposto sindical. Seria uma grave traição oportunista abandonar a luta dos trabalhadores para manter os cofres dos sindicatos cheios de dinheiro através de financiamento estatal. Outra grave traição seria, nesse momento, desmobilizar os trabalhadores em nome de um grande acordão entre PT, PMDB e PSDB, para todos se salvarem.

    É por isso que a reunião entre as centrais ocorrida no dia 14 de junho cometeu erros importantes, pois não contou com a presença de todas as centrais. A Csp-Conlutas não foi convidada e não esteve presente. O que é ruim para a unidade. Além disso, essa reunião jogou confusão e desconfiança no movimento, o que também abala a unidade para lutar. Muitos estão se questionando se haverá mesmo a greve geral dia 30 de junho. E muitos estão desconfiados sobre o porquê há um movimento para não fazer greve geral. Tudo isso é bom só para o governo e não para os trabalhadores.Mas, não existem somente os erros oportunistas, há também erros ultraesquerdistas e divisionistas que precisamos combater.

    No último final de semana, entre os dias 09, 10 e 11 de junho, ocorreu a reunião da coordenação nacional da Csp-Conlutas, que aprovou uma importante resolução de conjuntura que acerta em dar prioridade à construção do calendário unitário entre as centrais e a construção da greve geral no dia 30 de junho.

    Mas, ao mesmo tempo que comete esse grande acerto, essa mesma resolução comete um erro sectário e ultraesquerdista quando contrapõe a greve geral, um método de luta, contra as mobiliações pelas diretas, uma reivindicação democrática.

    Infelizmente, os companheiros da direção majoritária da central resolveram abrir fogo contra as manifestações que começam a crescer no país exigindo ‘diretas, já’ e isso ajuda a dividir todo o movimento que se choca contra Temer hoje.

    É verdade que são manifestações que têm limites e em muitos lugares suas direções têm como projeto apoiar Lula em 2018. Também é verdade que o correto nesse momento é não exigirmos eleições somente para presidente, o mais consequente é defender eleições gerais para presidente e a para o Congresso.

    Mas, precisamos sempre nos lembrar que não fazemos unidade com essas centrais porque confiamos, ou porque temos total acordo com suas direções. A unidade entre as centrais se dá porque é a unica possibilidade de conseguirmos mobilizar o maior número possível de trabalhadores para lutar contra a brutal ofensiva do governo e da burguesia contra direitos históricos. Infelizmente, CUT e Força sindical, entre outras centrais, possuem muita influência entre os trabalhadores, em especial no movimento operário. E seria impossível que somente a Csp-Conlutas solitariamente fizesse uma greve geral e parasse a produção e a circulação de mercadorias num país de dimensões continentais.

    Da mesma forma, a unidade no movimento pelas diretas não se dá porque confiamos e temos acordo com as direções desse movimento, a unidade tem outro objetivo para nós. Nossos objetivos estão na possibilidade de fazer propaganda da greve geral e da luta contra as reformas para mais trabalhadores. Na disputa dos trabalhadores para a ideia de que não adianta somente diretas para presidente, mas de que é necessário trocar também o Congresso. Ainda, no agito da necessidade da construção de uma Frente de Esquerda e Socialista contra a conciliação de classes.

    Nesse marco, o papel que as centrais sindicais precisam cumprir nesse momento é de batalhar para unificar a luta em defesa de direitos sociais e reividicações democráticas, criando um movimento de massas com força suficiente para resolver o impasse a favor dos trabalhadores, derrubando Temer, derrotando as reformas e impedindo uma saída via eleições indiretas. A unidade entre as centrais, movimentos sociais e organizações políticas para mobilizar os trabalhadores através de greve geral e grandes manifestações de rua é a nossa arma no momento.

    Como disse Leminski, “Na luta de classes todas as armas são buenas, pedras, noches, poemas…”

  • O que esperar dos estudantes e do 55º Congresso da UNE?

    Editorial 15 de junho

    Entre hoje (15) e domingo, a cidade de Belo Horizonte se tornou a capital do Movimento Estudantil brasileiro. Ocorre desde ontem (14), o 55º Congresso Nacional da União Nacional dos Estudantes – UNE. A expectativa é de que esse Congresso reúna mais de dez mil estudantes de todos os estados do Brasil.

    A efervescência política e os efeitos da crise econômica rodeiam a conjuntura em torno a esse Congresso. O 55º CONUNE ocorrerá em um momento especial para a história do Brasil. Isso aumenta e muito a responsabilidade dos milhares de jovens que participam desse.

    O Movimento Estudantil é um dos movimentos sociais mais importantes do país. Em momentos decisivos, os estudantes deram importantes contribuições para as conquistas de direitos sociais e políticos. Destacadamente, ainda durante a Ditadura Militar, a luta estudantil contra a repressão e em defesa da liberdade para operários feitos presos políticos pelo regime em 1977 serviu como uma faísca para detonar o ânimo da classe trabalhadora e essa insurgir em grandes greves e ocupações de fábricas. Anos mais tarde, a ditadura foi derrotada.

    Já são mais de um ano em que somos governados por um presidente ilegítimo, que alcançou esse posto por meio de um golpe parlamentar. Sua tarefa? Aprovar uma série de medidas para destruir direitos sociais historicamente conquistados com muita luta, dentre elas as reformas da Previdência e Trabalhista.

    A greve geral realizada no dia 28 de abril mostrou o potencial de luta da classe trabalhadora e, assim, conseguiu atrasar a aprovação da Reforma da Previdência. Isso, somado aos recentes escândalos envolvendo Temer e a JBS em esquemas de corrupção, colocou a possibilidade histórica de derrubarmos Temer e impedirmos a aprovação das reformas. Contudo, para isso será necessária muita luta, a começar pela nova greve geral convocada pelas centrais sindicais para o próximo dia 30.

    Construir a greve geral
    Após a grande ocupação de Brasília no último dia 24 de maio, as centrais sindicais convocaram para o dia 30 de junho, a data da nova greve geral, dois meses depois da realização da primeira dos nossos tempos. Apesar de convocada, essa não está garantida. É preciso construí-la pela base.

    A primeira obrigação do CONUNE é de fortalecer o chamado à greve geral e aprovar um calendário e iniciativas de organização dessa na base, como comitês pela greve geral nos locais de estudo e bairros.

    Fora Temer! Não às reformas da Previdência e Trabalhista. Diretas, já! Queremos votar para presidente e um novo Congresso Nacional
    Além de não ter sido eleito, Temer tem o apoio de apenas 4% da população. Mesmo sendo odiado pelo povo, envolvido diretamente em esquemas de corrupção, esse governo insiste em continuar à frente do país, conduzindo a venda das nossas riquezas e a destruição dos nossos direitos. O governo tenta ganhar tempo. Apesar de estar por um fio, sabemos que sem luta ele não cai.

    Portanto, os estudantes que foram os primeiros a travar lutas contra o governo ilegítimo e suas medidas nas mais de mil ocupações de escolas e universidades contra a PEC do Fim do Mundo agora têm o dever de dar um passo à frente nas mobilizações para derrubar Temer e suas reformas.

    Mas, sabemos que enquanto o governo tenha ganhar tempo. A burguesia já se unificou e prepara uma saída controlada para quando Temer sair da Presidência, as eleições indiretas. Esse que seria o “golpe dentro do golpe” e deve ser combatido desde já, pois seria uma tentativa de piorar ainda mais as coisas para o nosso lado.

    Infelizmente, há aqueles que não aprendem com os erros do passado. É sabido que figuras do PT, como o próprio Lula, têm participado de reuniões de negociação para as eleições indiretas. Ao invés de se prestar a esse serviço, Lula deveria estar colocando todo o seu prestígio junto à classe trabalhadora para construir a greve geral.

    O CONUNE e os estudantes brasileiros devem repudiar qualquer tentativa de negociação de eleições indiretas, venham de onde vierem. Além disso, na esquerda ocorre um grande debate sobre qual seria a melhor saída. A luta pelas eleições diretas não só para presidente, mas também para esse Congresso Nacional de corruptos e reacionários parece ser a ideal para fazer justiça aos direitos democráticos do povo trabalhador do nosso país.

    Unificar a esquerda socialista em um novo projeto político para o Brasil
    A UNE, sob a direção da UJS e seus aliados, foi, durante os governos do PT, um dos principais “braços” do governo e de seu projeto de conciliação de classes. Essa direção trocou as ruas pelos gabinetes e impôs uma paralisia política à entidade.

    Passados mais de uma década, um ano após o fim do governo do PT, é preciso fazer um balanço para traçar os planos políticos para o futuro. As pequenas concessões estão em risco. Não tiveram os 10% do PIB e a expansão sem qualidade cobra seu preço. Os Hospitais Universitários foram privatizados. Nas universidades privadas, o clima é de insegurança. Isso tudo mostra as fragilidades do projeto político de fortalecimento dos empresários do mercado educacional, ao invés de investir com qualidade na educação pública.

    Para satisfazer as necessidades da juventude, não só o direito à educação, mas ao trabalho com qualidade; segurança; cultura e lazer; liberdades políticas e democráticas, entre outras, é necessário um novo projeto político para o Brasil. Livre de acordos com os setores conservadores dos ricos e poderosos, deve depositar suas forças nas ruas, nas praças, no povo. Só assim poderemos construir um governo que ataque a desigualdade social brutal e as justificativas racistas para impor regimes de superexploração, controle e extermínio do povo negro, em especial a juventude das periferias.

    A juventude em todo o mundo vem sendo a maior entusiasta dos novos projetos políticos da esquerda radical. Aqui no Brasil, não é diferente. Sendo assim, nesse CONUNE, é dever dos estudantes retirar do passado recente as lições necessárias para o futuro. E, especialmente, depositarmos nossas esperanças no bloco político da Oposição de Esquerda da UNE, para animar a construção desse novo projeto por uma saída radical para o Brasil.

    Foto: Thiago Mahrenholz | Esquerda Online

  • Vergonha nacional: TSE absolve chapa Dilma-Temer

    Editorial 09 de junho

    Com um resultado apertado de 4 X 3 e “voto de minerva” de Gilmar Mendes, Tribunal Superior Eleitoral (TSE) frustra expectativa da maioria da população e deixa Temer no governo. Em um dos julgamentos mais acompanhados pela mídia na história do Poder Judiciário, na noite deste dia 9 de junho o pleno do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) absolveu a Chapa Dilma–Temer da denúncia de financiamento de campanha com dinheiro oriundo de desvios de verbas e propinas de grandes empresas, através do sistema de caixa dois.

    A ação que deu origem a esse julgamento foi proposta pelo PSDB, ainda quando Dilma (PT) estava na Presidência da República, logo após as eleições de outubro de 2014. O objetivo dos tucanos era tirar a presidente petista da Presidência, o que acabou se consumando através do golpe parlamentar do Impeachment, em 2016.

    Este fato gerou uma situação muito curiosa. Afinal, como Dilma já foi afastada da presidência pelo Congresso Nacional, a ação do PSDB provocaria concretamente a saída do presidente ilegítimo Michel Temer. Um governo em que os tucanos participam, sendo um dos seus principais fiadores até esse momento.

    Outro fato inusitado é que a defesa da chapa Dilma–Temer era “dividida” entre advogados do PT e do PMDB, partidos que foram os principais aliados nos governos petistas anteriores, de Lula e Dilma, mas que hoje se encontram enfrentados, pois o PMDB, partido de Temer, foi um dos principais articuladores da manobra do Impeachment de Dilma.

    Relator do processo, o juiz Herman Benjamin apresentou a posição de cassação da chapa e, por consequência, do atual presidente Temer. Mas, a maioria dos juízes votou pela absolvição. Outro fato que marcou o julgamento foi que o resultado estava empatado em 3 x 3, quando o presidente do TSE, Gilmar Mendes, deu o chamado “voto de minerva”, a favor da absolvição.

    Este fato foi mais uma vergonha deste julgamento absurdo, afinal, Gilmar Mendes era um dos entusiastas da ação do PSDB que cassaria a chapa Dilma-Temer, quando o governo ainda estava nas mãos dos petistas. Mas, agora, como ele tem fortes ligações políticas com o PSDB e com o próprio Temer, mudou sua opinião, e salvou o peemedebista da cassação. Uma vergonha completa.

    Outro escândalo indignante foi o papel dos dois juízes que foram indicados por Temer, Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira, que funcionaram muito mais como advogados de defesa do atual presidente ilegítimo, do que como verdadeiros juízes.

    Duas lições políticas deste julgamento
    A primeira delas é que o financiamento privado de campanhas eleitorais, seja por grandes empresas, ou mesmo por grandes empresários, é a grande fonte da corrupção da política brasileira. Os valores escandalosos destinados às campanhas dos partidos da velha direita e também do PT revelam que o financiamento privado na verdade é um investimento das grandes empresas nestes políticos corruptos, que quando chegam ao governo vão retribuir essas “doações” com obras superfaturadas, empréstimos a juros baixos, dentre outras falcatruas.

    A outra, tão importante quanto, é que o povo trabalhador e a juventude não podem ter nenhuma confiança no Poder Judiciário. Sejam os juízes do TSE, ou do STF, ou mesmo os juízes e procuradores ligados à Operação Lava Jato, nunca tiveram de fato o objetivo de limpar a política brasileira da corrupção. Na verdade, o Poder Judiciário vem atuando no Brasil como um verdadeiro agente político, sempre a favor de uma saída ainda mais conservadora para a crise econômica, social e política em que vivemos em nosso país. O Poder Judiciário, assim como a maioria do Congresso Nacional e o governo ilegítimo, apoia as reformas reacionárias da Previdência e Trabalhista.

    Nossa saída é construir uma forte greve geral no dia 30 de junho
    Somente um movimento independente dos trabalhadores e da juventude pode acabar de vez com o governo ilegítimo de Temer, derrotar de uma vez por todas as reformas da Previdência e Trabalhista, impedir a saída reacionária das eleições indiretas para substituir Temer e garantir eleições diretas, que devem ser, em nossa opinião, para Presidente e todo o Congresso Nacional.

    Não podemos depositar nenhuma confiança em negociações no interior do Congresso Nacional, ou mesmo em ações que são definidas nos Tribunais reacionários do Poder Judiciário. O povo trabalhador deve confiar apenas na força de suas mobilizações.

    Nossa prioridade deve ser a construção da greve geral pela base, marcada pelas centrais sindicais para o próximo dia 30 de junho. Ela é a nossa principal ferramenta para conquistar nossos objetivos mais imediatos.

    Também devemos levar para os locais de trabalho, estudo e moradia a campanha pelo Fora Temer e pelas ‘Diretas, já’, como já dissemos, em nossa opinião, não só para presidente, como também para todo o Congresso Nacional.

    Será no calor dessas mobilizações que vamos construir uma nova alternativa política de independência de classe. Nossa luta é para derrotar o governo ilegítimo de Temer, o PMDB, o PSDB e o DEM. Mas, a reedição de uma candidatura de Lula (PT) com o mesmo programa de colaboração de classes e reeditando a aliança com setores da burguesia não é a alternativa política que nosso povo precisa.

    Nossa tarefa é a construção de uma nova alternativa de fato, uma Frente de Esquerda e Socialista, que una o PSOL, PSTU, PCB, movimentos sociais combativos como MTST e organizações socialistas ainda sem legalidade. Esta frente política, construída nas lutas e nas eleições, deve lutar por um verdadeiro governo dos trabalhadores e do povo.

    Foto: 08/06/2017- Brasília- DF, Brasil- Sessão de julgamento da Aije 194358 da chapa Dilma-Temer | TSE

  • Reforma Trabalhista avança no Senado e só a greve geral poderá pará-la

    Editorial 08 de junho

    O Congresso Nacional já há muito tempo não é bem visto pela população. Agora, parece que os deputados e senadores se esforçam para ser odiados. Mesmo com todos os escândalos e uma evidente instabilidade e ilegitimidade política, eles seguem fingindo que está tudo normal para fazer avançar as reformas anti-povo. Mesmo atolados até o pescoço com escândalos de corrupção, o Senado, no último dia 6, aprovou na Comissão de Assuntos Econômico a Reforma Trabalhista.

    Sete em cada dez deputados foram financiados por uma ou mais empresas do grupo das dez principais financiadoras do Congresso (JBS, Bradesco, Itaú, OAS, Andrade Gutierrez, Odebrecht, UTC, Queiroz Galvão, Grupo Vale e Ambev). Deputados e Senadores não estão nem um pouco preocupados com o que a população pensa deles. O único interesse deles é agradar os banqueiros e grandes empresários, seus reais eleitores.

    A Reforma Trabalhista é um imenso retrocesso
    Os defensores da Reforma Trabalhista fazem chantagem com os trabalhadores desempregados, dizendo que ela é necessária para a criação de vagas. Isso não é verdade. Os únicos interessados nesta reforma são os patrões, que poderão até demitir funcionários para colocar os que sobraram para trabalhar mais. Vejamos algumas mudanças propostas:

    A carga horária vai aumentar de até 44 para 48 horas semanais
     Isto poderá ser feito por “livre negociação” entre patrão e empregado. Na teoria, você vai trabalhar as 44 horas e ganhar quatro horas extras. Na prática, o ganho em horas extras vai se perder, porque seu salário vai parar de aumentar. Por quê? Com o aumento de carga horária, o patrão vai poder demitir trabalhadores. Isso vai aumentar o desemprego e toda vez que você pedir aumento vai ouvir um “sabe quantos querem sua vaga?”

    Será legalizada a chamada jornada intermitente
    Se você for contratado por este regime, não terá um horário de trabalho definido, nem um salário definido. Não vai poder programar sua vida, nem seu orçamento. Vai ficar 24 horas por dia e sete dias por semana à disposição do patrão.

    Vários direitos que antes eram obrigatórios passarão a ser “optativos”

    (inclusão do artigo 611-A na CLT). O patrão vai conceder estes direitos se quiser. Ou seja, não vai conceder. Isso é o que eles chamam de “livre negociação”. Funciona assim: seu patrão te obriga a assinar um acordo renunciando direitos, ou você está demitido. Entre os direitos que deixarão de existir, na prática estão: participação nos lucros e resultados, adesão ao Programa Seguro-Desemprego e plano de cargos, salários e funções.

    Estes são apenas alguns exemplos das mudanças previstas. A reforma prevê mais de cem alterações nas leis trabalhistas. E os empresários não querem limites. Até trabalho em troca de comida eles estão propondo. Com a reforma, está aberto o precedente para a volta da escravidão.

    30 de junho: greve geral para barrar as reformas contra o povo
    Em uma situação dessas, apenas a mobilização direta nas ruas pode fazer valer a vontade popular. As centrais sindicais marcaram uma greve geral para o próximo dia 30. Temos tempo de dialogar com os trabalhadores em cada local de trabalho e aprovar a greve em assembleias. As direções sindicais que não estão se mexendo devem ser cobradas.

    A última greve geral, no dia 28 de abril, conseguiu atrasar a tramitação das reformas Trabalhista e Previdenciária. Pelas previsões do governo, elas já deveriam ter sido aprovadas. Outra grande mobilização pode acabar com as reformas de vez.

    Em julho, o Congresso entra em recesso e só volta a trabalhar em agosto. No segundo semestre, já começam as articulações para as eleições previstas para 2018. E, cada vez mais, a aprovação das reformas representa um desgaste para os parlamentares. Por isso, a batalha do dia 30 de junho será decisiva. Se a reforma não for aprovada até este dia, ela tem boas chances de ser descartada.

    Sendo assim, é preciso construir, desde já, uma grande mobilização para a greve geral ser maior e mais forte que a última. Comitês pela greve geral devem ser criados por local de trabalho, categoria ou bairros. Além de uma ampla articulação unitária entre os movimentos sociais do campo e da cidade, sejam sem teto; estudantes; mulheres, LGBTS e negras(o)s. Devem ser impulsionadores da nova data em que pararemos o país.

    Foto: CAE – Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) realiza reunião deliberativa com 11 itens. Na pauta, o PLC 38/2017, que trata da reforma trabalhista. Mesa: relator da PLC 38/2017, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES); presidente da CAE, senador Tasso Jereissati (PSDB-CE); vice-presidente da CAE, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) | Por: Marcos Oliveira/Agência Senado

  • Duas estratégias na Esquerda

    Editorial 6 de junho

    A turbulência nas alturas ganhou intensidade. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) inicia nesta terça-feira (6) o julgamento que poderá definir o futuro do presidente. A chapa Dilma-Temer é acusada de abuso de poder econômico nas eleições de 2014.

    A bem da verdade, a possibilidade da queda de Temer no julgamento do TSE, que há um mês era considerada improvável, explica-se pelo súbito agravamento da crise política nas últimas semanas. A divulgação das gravações de Joesley, no âmbito da delação da JBS, deixou o governo semi-morto, em estado de agonia.

    Contribuiu, também, para o enfraquecimento de Temer, a crescente resistência social às contra-reformas. A greve geral do dia 28 de abril, que parou as principais cidades do país, e o enorme protesto que tomou conta de Brasília, em 24 de maio, demonstraram o amplo rechaço popular à agenda de reformas neoliberais e ao governo.

    Perante o cenário crítico, parcela significativa da classe dominante passou a advogar pelo afastamento de Temer.  Como se manifesta tanto entre os que ainda apoiam o peemedebista, como entre os que querem sua saída, a defesa das eleições indiretas é praticamente unânime na burguesia.

    E há uma razão para essa unidade dos poderosos em torno das indiretas: existe um acordo no que toca à urgência das reformas Trabalhista e Previdenciária. Isto é, apesar dos sérios conflitos políticos e institucionais no interior da classe dominante (Lava Jato versus sistema partidário, por exemplo), há um consenso ao redor do programa econômico. Nesse sentido, caso Temer seja cassado, o caminho mais rápido para a aprovação das reformas impopulares é via a eleição de um novo governo nesse Congresso ilegítimo.

    Por esse motivo, adquire redobrada importância a defesa de eleições diretas. Nesse momento, a bandeira das ‘Diretas, Já’ entra em conflito frontal com a principal proposta articulada pela burguesia diante da grave crise política. É positivo e necessário, portanto, a mais ampla unidade de ação, com todos setores que estejam dispostos, em torno da campanha pelas eleições diretas.

    Caminhos e estratégias diferentes
    Porém, essa progressiva e abrangente unidade, que reúne distintos segmentos políticos e sociais, não deve apagar as profundas diferenças programáticas e estratégicas entre os que hoje se alinham contra as indiretas.

    Em primeiro lugar,  há os que se focam quase exclusivamente na luta institucional e parlamentar, e deixam em segundo lugar a luta direta do povo.Temos outra posição: acreditamos que o fundamental é a concentração de esforços na luta dos trabalhadores.

    Nessa perspectiva, a prioridade, ao nosso ver, deve ser, desde já, a construção da greve geral marcada para 30 de junho. É pela força da mobilização de massas, parando o país e tomando as ruas com grandes protestos, que poderemos derrotar definitivamente as reformas e Temer, e, assim, abrir caminho para um governo dos trabalhadores e do povo.

    Há também uma divergência sobre o alcance que deve ter as eleições diretas. O PT, REDE, PSB e o PDT, por exemplo, defendem apenas ‘Diretas’ para presidente. Pensamos que esse Congresso de corruptos também deve ser questionado. Assim como Temer, consideramos que a vasta maioria dos deputados e senadores, comprometidos com as reformas e o golpe parlamentar, não têm legitimidade para continuar seus mandatos. Por essa razão, são necessãrias eleições diretas também para eleger deputados e senadores: o atual Congresso precisa ser dissolvido.

    A Nota da Executiva Nacional do PSOL, publicada no dia 20 de maio, fala corretamente em “absoluta ilegitimidade do Congresso Nacional”, mas não inclui a exigência de eleições diretas também para o Congresso, o que pensamos ser um erro.

    O PT e Lula fazem um jogo duplo. Em público, discursam pelas eleições diretas, a favor da greve geral e contra as reformas. Mas, em conversas de bastidores, negociam com o PSDB, PMDB e outros setores uma saída para a crise instalada e a defesa comum ante a ofensiva da Lava Jato. Em realidade, Lula e o PT mantém a tradicional linha petista de conciliação com os ricos e poderosos. Com a mão esquerda, acenam aos trabalhadores e  ao povo pobre com o objetivo de recuperar o prestígio perdido, mas com a direita, dialogam com a burguesia para refazer o pacto rompido.

    Há, ainda, os setores da esquerda que renunciaram à real disputa que está colocada no país e hesitam na defesa das eleições diretas. A proposta de um governo de conselhos populares não corresponde à atual correlação de forças entre as classes sociais, em primeiro lugar, porque esses conselhos sequer existem.

    Por uma nova alternativa
    É preciso construir outro caminho para a esquerda. A estratégia de conciliação de classes  abriu as portas para o golpe parlamentar. Lula e o PT governaram o país junto com a corrupta elite econômica e política por 13 anos. Depois dos anos de bonança econômica, período no qual foi possível algumas concessões, veio a crise e a retirada de direitos. Agora, outra vez, demonstram que não aprenderam com a história: querem repetir os mesmos erros, formando uma Frente Ampla com setores de direita para as eleições de 2018.

    Chegou a hora de construir uma nova alternativa de esquerda, para apresentar aos trabalhadores e ao povo um programa anticapitalista de transformação social e política. Um programa que tenha a coragem de enfrentar os ricos e poderosos. Nesse sentido, ganha ainda mais importância, para as lutas e as eleições, a construção da Frente de Esquerda Socialista com o PSOL, MTST, PCB, PSTU, movimentos sociais, sindicatos combativos, entre outros.

    Foto: Daniela Orofino | Mídia Ninja

  • A luta pelas Diretas e o futuro do Brasil

    Neste domingo, 4 de junho, São Paulo foi palco de mais uma grande manifestação por eleições diretas, que reuniu artistas e movimentos sociais. O ato na capital paulista abriu mais uma semana em que se espera forte turbulência em Brasília.

    Nesta terça-feira (6), começa o julgamento do TSE da chapa Dilma-Temer. A crise do governo Temer aumenta. Novos sinais de divisão da burguesia em relação ao seu governo acentuam a crise.

    O Estado de São Paulo publicou, neste domingo, artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso onde esse aponta a gravidade da crise e coloca a hipótese de saída do seu partido do governo.

    Neste domingo, o editorial da Folha de São Paulo divulgou posição explícita pela saída de Temer e flertou com a defesa das eleições diretas. É o primeiro veículo burguês a falar em diretas desde a abertura da crise política.

    As organizações Globo, desde o estouro dos vazamentos dos irmãos Batista, vêm pedindo a renúncia de Temer.

    A crise política abriu uma porta para o avanço da resistência da classe trabalhadora. A burguesia debate as suas saídas. Todas as frações discutem hipóteses de continuidade ou queda do governo nos marcos de manter o projeto das reformas. O grande tema que unifica o conjunto da burguesia brasileira é jogar nas costas dos trabalhadores e do povo a conta da crise econômica.

    Um lado quer manter o atual sistema político e provar sua eficácia, através da aprovação das reformas. Outra fração burguesa quer uma reforma política profunda, luta por outro sistema político, mais moderno e eficaz, que seja capaz de oferecer mais estabilidade a longo prazo.

    Todos até ontem estavam a favor de eleições indiretas e buscavam um acordo para a substituir Temer e aplicar as reformas.

    Um elemento novo
    O editorial da Folha de ontem sugere um movimento de uma fração da burguesia em direção às diretas. Obviamente que por ser uma pauta democrática a luta pelas diretas admite a unidade na ação. O acordo é pontual, a classe trabalhadora não tem nenhum interesse comum com este setor. Eles defendem diretas para aplicar as reformas.

    Nós queremos diretas pelos direitos da classe trabalhadora. Diretas para derrotar a saída por cima, feita via Congresso Nacional. Diretas para exigir que os candidatos se posicionem se estão, ou não, favoráveis às reformas.  Nosso objetivo com as diretas é lutar pelo direito democrático de eleger o presidente e o Congresso, e também plebiscitar as reformas que, como todos sabemos, é odiada pela imensa maioria da população.

    A luta por uma saída independente da classe trabalhadora
    A classe trabalhadora deve buscar uma saída independente e de classe perante as frações burguesas que lutam entre si.

    Não consideramos progressiva a operação lava jato e suas medidas bonapartistas. Os procuradores e juízes, embora com grande apoio dos setores médios urbanos, particularmente sua camada mais abastada, não representam um projeto alternativo de sociedade das camadas médias. Pelo contrário, são a base de massa de um projeto de uma fração da burguesia com ligações evidentes com o imperialismo, que busca uma reforma reacionária do sistema político brasileiro.

    O combate à corrupção e aos partidos reformistas e burgueses não pode ser terceirizada pela classe trabalhadora para a burguesia e setores da alta classe média.

    Nossa aposta estratégica neste mês de junho é incentivar o movimento de massas em ascensão no último período. Estamos vindo de mobilizações vitoriosas. Começamos com o 8 de março, (dia internacional da mulher), o 15 de março (ensaio da greve geral), 31 de março (dia nacional de luta), 28 de abril (greve geral) e 24 de maio (Ocupa Brasília).

    O movimento de massas está em uma crescente. Devemos nos dedicar esse mês a construir uma nova greve geral. As direções majoritárias, especialmente o PT e a CUT devem jogar todo peso nesta greve. Nenhum acordo é possível, nem progressivo. Ao contrário, seria reacionário.

    Essa greve geral deve questionar diretamente o governo Temer e as reformas. Além da saída majoritária da burguesia para a crise, as eleições indiretas.

    Nesta segunda-feira, as centrais sindicais definiram pelo dia 30 de junho como data para a greve geral. Outra reunião importante ocorre em Brasília, que organizará uma grande campanha nacional pelas eleições diretas.

    A melhor forma de conquistarmos nossa pauta, a derrubada de Temer e das reformas e as eleições diretas, é preparar a maior greve geral da história do Brasil. Junho promete ser inesquecível.

    Frente de Esquerda: é urgente uma saída política sem conciliação de classe
    Mais do que nunca é preciso construir uma Frente de Esquerda entre o PSOL, o PCB, o PSTU, o MTST, os movimentos sociais e as organizações políticas sem legalidade. Isso é decisivo porque já conhecemos o programa do PT e de Lula. Sem superar a conciliação de classe não será possível derrotar as reformas.

    É hora de apresentar um programa de emergência para o Brasil, com coragem para enfrentar o poder econômico e os interesses do capital. É tempo de voltar a debater o não pagamento da dívida, a taxação das grandes fortunas, o confisco das empresas que roubaram o país e tantas outras medidas decisivas para construir uma saída para os trabalhadores e o povo no Brasil.

    Foto: Imagem aérea do show pelas Diretas no Largo da Batata SP
    Créditos: Coletivo Diretas Já SP