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  • Autonomia de instituição federal de ensino é atacada, em Santa Catarina

    Por: Michel Silva, de Blumenau, SC

    Na mesma semana em que se discute a violência da extrema direita em Charlottesville, o Ministério Público protagoniza um ataque aos gestores do campus Abelardo Luz do Instituto Federal Catarinense (IFC), no Oeste de Santa Catarina. Na denúncia, que requer o afastamento da função pública dos gestores e a apreensão de computadores e celulares, denuncia-se uma suposta ingerência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nos assuntos do campus. O campus fica localizado no Assentamento José Maria, onde ocorreu uma das primeiras ocupações realizadas pelo MST.

    Na denúncia, afirma-se haver uma “intensa imposição de ideologia política” e que os docentes do campus estariam sendo assediados para assinar projetos de curso e perseguidos no que se refere ao conteúdo ministrado em sala de aula. Além disso, a denúncia afirma que a criação do curso superior de Pedagogia seria uma forma de inserir membros do MST como docentes do campus. Afirma-se ainda que haveria irregularidades na participação de membros do MST nos espaços institucionais do campus, como comissões e colegiados, como se abrir espaço para a comunidade participar dos debates da instituição fosse um crime.

    Os argumentos presentes na denúncia se assemelham aos difundidos pelo Movimento Escola Sem Partido, ferindo a autonomia didático-pedagógica da instituição. Além disso, a denúncia evidencia o ódio contra os movimentos sociais, neste caso representado pelo MST, e uma ojeriza pela proposta pedagógica do campus, baseada na Educação do Campo.

    O processo se insere em um longo embate, iniciado ainda na fundação do campus, há quase três anos, envolvendo empresários locais e políticos da região, que sempre consideraram absurda a implantação do campus de uma instituição federal em um assentamento da reforma agrária, em cujo entorno, atualmente, vivem cerca de 1600 famílias. Para os poderes locais, explicitados de diferentes formas, o campus deveria estar instalado no Centro da cidade e com outra perspectiva pedagógica, voltada aos interesses econômicos locais.

    Neste momento, se faz necessária não apenas a ampla solidariedade aos trabalhadores do campus, mas também a defesa do projeto pedagógico que vem sendo implementado em Abelardo Luz. Esse ataque, além de ferir a autonomia de uma instituição de ensino, também significa um profundo ataque aos direitos dos trabalhadores do campo em ter acesso à educação pública, gratuita e de qualidade, conquistada em décadas de luta.

    Foto: IFC

  • ‘Por que não negociam com a gente que está aqui há mais de 15 anos?’, perguntam moradores do Campo Novo, em Porto Alegre

    Por: Ana Laura Horbach, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul

    Há mais de 15 anos, dezenas de trabalhadores chegavam ao loteamento localizado na Rua Romeu Samarani Ferreira para ocupar as casas construídas pela construtora Montepio, que havia declarado falência em meados de 2001. Desde então, oito mandados de reintegração de posse foram expedidos. Até o ano de 2015, nenhum deles havia sido cumprido. Foi aí que, segundo o presidente da Associação de Moradores do Loteamento Romeu Samarani Ferreira, Marcelo, o improvável aconteceu, um processo de reintegração de posse e um do leilão da área começaram a tramitar em dois espaços diferentes.

    A área do loteamento faz parte de uma zona onde habitam mais de 500 famílias. Em Porto Alegre, há um déficit de 75 mil habitações, segundo o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). São vinte e três áreas de ocupação que atualmente correm risco de despejo. Diferentemente do que acontecia nos anos anteriores, o que choca é a atitude do DEMHAB, alinhada à política da Prefeitura do Marchezan, de não interceder no conflito em favor daqueles que moram no local há tanto tempo em uma ocupação já consolidada. Diferente do que acontece em outras ocupações, os moradores da Romeu Samarani Ferreira querem negociar as suas casas. Segundo eles, a Prefeitura só teria a arrecadar com a regularização das casas.

    Atualmente, são 57 famílias no local. São idosos, crianças, pessoas com deficiência e trabalhadores que lutam pela posse definitiva das suas casas. Desde que a Associação foi criada, muitas atividades abertas à comunidade passaram a acontecer no local, foram organizadas confraternizações em datas comemorativas, um Grupo de Mães e até uma horta comunitária. Marinês, merendeira da escola e moradora do espaço, conta que era tudo muito diferente quando chegaram, foram os próprios moradores que reformaram as casas e a área comum do loteamento, além de terem lutado juntos pela construção de uma creche no bairro.

    campo novo porto alegre

    Jane, Marinês, Elena e a pequena moradora do Campo Novo conversando sobre a questão da moradia.

    Mesmo com todas as dificuldades, os moradores têm se mobilizando para fazer valer os seus direitos. Foram inúmeras audiências e manifestações para que se conseguissem negociar as casas e, até o dia de hoje, algumas vitórias foram conquistadas: a suspensão de uma nova reintegração de posse e uma possibilidade ainda distante de negociação no CEJUSC.

    Nesta terça-feira (15) pela manhã, uma agenda de atuação conjunta foi tirada em Audiência Pública na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, junto a vereadores da oposição como Fernanda Melchionna (PSOL) e Sofia Cavedon (PT) e representantes das entidades ligadas ao problema da habitação.

    Diante deste cenário, os moradores saem ainda mais fortalecidos: sabem que a luta não restringe a própria casa, mas a toda a comunidade. Sabem também que a questão da moradia não é sobre cifras, mas sobre a vida das pessoas. Se não ali, onde vão morar os trabalhadores da Romeu Samarani Ferreira?

    Foto capa: Audiência Pública na Câmara Municipal de Porto Alegre, dia 15 de agosto de 2017

  • Forças armadas nas ruas de Niterói

    Por: Gustavo Fagundes, de Niterói, RJ

    A manhã de quarta-feira (16) surpreendeu a cidade de Niterói não só pela baixa temperatura e dia cinzento, mas também pelas fardas verde oliva dos soldados das forças armadas. A Operação Dose Dupla contou com cerca de 2.600 pessoas, sendo 350 policias civis, 250 policiais militares e todo restante de militares do exército e marinha. Segundo informações da Secretaria de Estado de Segurança Pública, o objetivo da operação foi prender 26 pessoas, apreender dois menores e cumprir 34 mandados de busca e apreensão. A ação teve como foco prioritário seis favelas: Ititioca, Igrejinha, Atalaia, Preventório, Caramujo e Grota.

    Não é a primeira vez que o Governo do Estado do Rio de Janeiro solicita apoio federal para combater o crescente aumento da violência. Já se tornou cena corriqueira soldados das forças armadas em atuação conjunta com policiais militares.

    Números da violência
    Segundo o Instituto de Segurança Pública, os roubos a comércio aumentaram mais de 45%, se comparados os quatro primeiros meses de 2017 com os do ano passado. Enquanto roubos de celulares e carros subiram quase 40%. Infelizmente, a solução encontrada pelo prefeito Rodrigo Neves é promover o armamento da Guarda Municipal, inclusive anunciou no final de 2016 que seria realizado um plebiscito para debater a questão. Entretanto, a Prefeitura já iniciou a compra de armas letais.

    Crer na solução através de mais armas de fogo nas mãos dos agentes públicos é desconhecer a relação direta entre a crise econômica e todo o caos social gerado com a enorme taxa de desemprego e a falta de perspectiva causada em milhares de jovens.

    O crescimento da onda de violência e, em paralelo, a manutenção da repressão militar como única opção expõem a flagrante falência do atual modelo de segurança pública. Esse projeto prova na realidade não só ser incapaz de diminuir os índices de criminalidade e dar fim à sensação de insegurança, como também é responsável pelo terror causado nas favelas da cidade, além de reforçar a chamada guerra às drogas, mecanismo utilizado pelo Estado para assassinar jovens negros e pobres nas periferias de todo país.

    É urgente a elaboração de um novo modelo de segurança e que esse passe diretamente pela legalização das drogas e desmilitarização da polícia militar.

    Foto: Reprodução Facebook

  • Explosão em usina da Gerdau deixa feridos e pelo menos dois mortos

    Coluna Rádio Peão

    Por: Alexandre Zambelli, de Belo Horizonte, MG

    Nesta terça-feira (15), mais um acidente vitimou trabalhadores na usina da siderúrgica Gerdau, em Ouro Branco, na Região Central de Minas Gerais. É o terceiro acidente em nove meses no mesmo local. No acidente de ontem, ocorreu uma explosão durante a manutenção da parte inferior da coqueria 2 da usina. Duas pessoas morreram, um funcionário da própria empresa e outro terceirizado e dez ficaram feridas, duas em estado grave. Os acidentes ocorridos no ano passado, nos meses de novembro e dezembro, provocaram mais cinco mortes.

    O movimento sindical já havia denunciado os problemas relativos aos processos de manutenção e segurança envolvendo a usina. Por sua vez, a Gerdau informa que “os equipamentos da usina estão em condições adequadas, obedecendo aos padrões de segurança estabelecidos na legislação vigente”.

    Não é novidade que acidentes do tipo ocorram e seguirão acontecendo em empresas do porte. O modelo de gestão por resultados nestes ambientes secundarizam a segurança e saúde do trabalhador. Para as empresas, o funcionário é apenas um a mais, o que importa é o lucro desmedido, mesmo que a custa de vidas de trabalhadores. Sabem que caso sejam acionadas judicialmente têm ao lado um judiciário benevolente com as grandes empresas, como recentemente no caso da Samarco. A justiça de Minas Gerais suspendeu ação da procuradoria contra a empresa.

    O histórico de acidentes de todo o tipo nestes locais denota a necessidade de um sindicato mais combativo e sem atrelamento aos interesses dos patrões. Não são raros os relatos de trabalhadores da região denunciando a falta de combatividade do sindicato local, que aparece somente quando os acidentes já ocorreram, e quando, infelizmente, não se podem mais reverter as consequências.

    Assista ao vídeo

  • Empresa terceirizada e Prefeitura demitem centenas de trabalhadoras em Campinas

    Da Redação, de Campinas, SP

    Na última terça feira (7), a Prefeitura de Campinas, com Jonas Donizete (PSB) à frente, e a empresa terceirizada Base, responsável pela contratação de cozinheiras para as escolas municipais, anunciaram a demissão de centenas de trabalhadoras. Os números oficiais são duvidosos. Enquanto a empresa fala em 107 demitidas, as trabalhadoras dizem que foram 700 pessoas mandadas embora.

    A demissão foi feita na sede da Força Sindical, a mesma central sindical que negociou a Reforma Trabalhista com o governo Temer. As trabalhadoras foram informadas pelo sindicato que teriam que ir à sua sede renovar o contrato de trabalho, porém ao chegarem, foi anunciada a demissão em massa, tratada com indiferença pelo sindicato.

    A demissão, segundo a empresa, se deve à “reestruturação” do quadro de funcionárias em um novo contrato com a Prefeitura.

    A Base declarou que somente trabalhadoras em período de experiência seriam demitidas. Mas, segundo professora que preferiu não se identificar, em sua escola “foram demitidas duas trabalhadoras com mais de cinco anos de casa. Agora irão contratar uma pessoa para realizar o trabalho de duas”, disse. Segundo a Prefeitura, o serviço não será afetado, porém cresce a insatisfação com a qualidade da comida servida nas escolas da periferia e já existe um debate marcado para o dia 28 de agosto, no legislativo campineiro, sobre este tema.

    Já a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal de Campinas (STMC), apesar de se dizer contra a terceirização do serviço público, jamais realizou qualquer ação em solidariedade aos terceirizados que estão sendo demitidos. Seu posicionamento é letra morta diante do drama de centenas de famílias que estão convivendo com o desemprego e com os trabalhos terceirizados precários. Isso se deve ao seu atrelamento explícito com o governo municipal, abandonando até mesmo a própria campanha salarial de sua categoria de servidores. Ontem também aconteceu um grande protesto de um grupo de oposição sindical pela campanha salarial que terminou em frente ao STMC.

    O Governo Jonas Donizette (PSB) hoje é responsável por dezenas de contratos duvidosos com empresas terceirizadas. O valor pago às empresas supera muito o salário que estas pagam aos trabalhadores. Além disso, existem contratos de aluguel de carros, vans, equipamentos e máquinas, numa tentativa de terceirizar não só a mão de obra, mas a estrutura da Prefeitura.

    Hoje, a Prefeitura alega que está passando por uma grave crise e, por isso, seria necessário conter gastos públicos. Mas, continua pagando subsídios altíssimos para a empresa de transporte público, que hoje cobra a passagem mais cara do país (R$4,50). Só neste trimestre serão R$ 5 milhões por mês de mesada para estes empresários. Além disso, criou o Refis que no final das contas serve para dar altos descontos a grandes empresas, esperando-se arrecadar apenas R$ 100 milhões dos R$ 7,6 bi devidos ao município. Enquanto isso, o Hospital Municipal Mario Gatti teve cortado R$ 350 mil mensais, aumentando a precarização da saúde.

    É urgente uma auditoria dos contratos com todas as empresas terceirizadas e uma CPI dos transportes. É necessário fazer um levantamento dos gastos públicos e contratar estes trabalhadores precários para preencher o déficit do quadro de servidores. O transporte precisa ser estatizado para garantir o direito dos trabalhadores, assim como deve-se garantir a alimentação de qualidade nas escolas e empregos dignos com bons salários para as trabalhadoras.

  • Construtora que tentou dificultar greve com lockout em Fortaleza recebe mandado e pode ser punida

    Da Redação*

    O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Fortaleza conseguiu, na Justiça do Trabalho, uma decisão liminar contra lockout praticado por construtora Scopa durante greve da categoria. A decisão foi tomada na última sexta-feira (21), pelo juiz Jammyr Lins Maciel. O lockout é uma paralisação das atividades da empresa, com o intuito de enfraquecer a greve.

    No caso do movimento paredista da construção civil de Fortaleza, a construtora não estava fornecendo o vale transporte e alimentação, nem permitindo que os empregados registrassem o ponto, justamente pra dificultar que os trabalhadores fossem ao local de trabalho. A tentativa era de impedir que a categoria aderisse livremente à greve e acompanhasse suas atividades, como as assembleias realizadas na Praça Portugal.

    Agora, após a decisão, a construtora fica obrigada a fornecer o vale, o café da manhã e não poderá obstruir a entrada dos trabalhadores no canteiro. “O empregador tem o dever de permitir a entrada de todos os trabalhadores que pretendem trabalhar e dar as condições de trabalho, inclusive com o fornecimento de vale-transporte para possibilitar que o empregado se desloque de sua casa para o trabalho e vice-versa”, diz a decisão, que ainda afirma não ser “tolerada pela legislação o encerramento temporário da atividade econômica com o intuito de dificultar a negociação coletiva”. Caso a empresa não siga as deliberações da justiça, poderá receber multa de R$ 15 mil por dia de descumprimento, começando a valer após o segundo dia útil do cumprimento do mandado judicial.

    Veja a íntegra da decisão:

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    *Com informações de Daniel, direto de Fortaleza, CE

  • Prisões na cúpula dos transportes cariocas: o que falta para baixar o preço das passagens?

    Por: Alexandre Vander Velden, do Rio de Janeiro, RJ

    O ano de 2013 foi marcado por centenas de manifestações de rua pelo Brasil, que tiveram como estopim a luta contra o aumento das passagens do transporte. As ‘Jornadas de junho’ apontaram o sucateamento dos serviços públicos e o conchavo entre políticos e ‘máfias do transporte’ pelo país. Antes que as jornadas acabassem, o casamento de Beatriz Barata em Copacabana foi ocupado por manifestantes que distribuíam baratas de plásticos aos convidados, denunciando as planilhas de custos adulteradas que beneficiariam os empresários de ônibus no Rio de Janeiro. O avô de Beatriz, Jacob Barata, conhecido popularmente como o “Rei dos Ônibus”, seria o maior beneficiado nesse esquema.

    Nesse domingo (2), a família Barata voltou a ser notícia nos jornais. Dessa vez, devido à prisão de Jacob Barata Junior, que tentava embarcar para Portugal apenas com passagens de ida.

    Como desdobramento da Operação Lava Jato, outras figuras importantes ligadas ao setor de transportes foram detidas, com base na delação do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado, Jonas Lopes, e do doleiro Álvaro Nobis. Figuras como Rogério Onore, ex-presidente do Detro (departamento responsável por fiscalizar o transporte rodoviário), Lélis Teixeira, presidente da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado) e Marcelo Traça Gonçalvez, presidente do SETERJ (Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro).

    As delações parecem tardiamente corroborar o que a população há tempos já sabia: as altas passagens e a precaridade do transporte público no Rio de Janeiro é resultado de um amplo esquema de corrupção que envolve tanto os empresários do transporte, como diversos políticos e os órgãos de fiscalização.

    As investigações apontam que as empresas de ônibus pagavam propina para agentes públicos em troca do reajuste das tarifas e da manutenção de contratos superfaturados. As empresas teriam distribuído cerca de R$ 500 milhões de propina entre 2010 e 2016, sendo quase metade desse valor para autoridades que ainda não tiveram seus nomes revelados, pois possuem foro privilegiado. O peemedebista e ex-governador Sérgio Cabral, que atualmente cumpre pena de 14 anos por lavagem de dinheiro e corrupção, teria recebido e distribuído cerca de R$ 120 milhões de “bonificações” da Fetransport por aumentos de passagens. Vale lembrar que as empresas recebem subsídios do governo, computados em cerca de R$ 28 milhões mensais nesse ano de 2017.

    A troca de favores e as propinas envolvendo os empresários, políticos e agente públicos desmascara o discurso que tenta convencer que a privatização e a maior autonomia da iniciativa privada significa melhores serviços e tarifas à população. Os trabalhadores que gastam muito dinheiro e excessivas horas todos os dias para chegarem a seus trabalhos veem, ano após ano, prefeitos e governadores do Rio de Janeiro elegerem-se alegando que revisarão os contratos da máfia do transporte. Nas eleições municipais de 2016, Marcelo Crivella (PRB) se comprometeu a diminuir o preço das passagens e repreender as empresas que não concluíssem a troca dos ônibus refrigerados. Após eleito, nada fez sobre o assunto.

    É preciso diminuir o preço das passagens e acabar com a máfia dos transportes
    Para acabar com a farra da máfia dos transportes, que é sinônimo de precaridade e altas tarifas, é preciso que os trabalhadores, ativistas, movimentos sociais e os partidos da esquerda se mobilizem. É preciso denunciar o preço abusivo e artificial da passagem e propor soluções imediatas.

    Se o valor das passagens ia para o bolso de políticos e corruptos na forma de propina, que esses valores sejam revistos imediatamente e seu custo seja reduzido
    Não há justificativas para as empresas cobrarem valores tão altos e isso sempre esteve claro para a população. Após a prisão de Barata Junior e de seus comparsas, não há como negar o que todos já sabiam. No entanto, a diminuição do preço das passagens é apenas nossa tarefa imediata, pois o transporte público tem que sair das mãos do nefasto conchavo entre o poder público e as empresas. É preciso arrancar o controle do sistema de transportes desses empresários, assim como acabar com o poder das federações patronais.

    É preciso que o transporte público seja estatizado, voltando para as mãos da prefeitura, e que seu controle seja feito pelos trabalhadores e suas entidades, pois são os únicos capazes de definir as reais necessidades da população do Rio de Janeiro
    Apenas, assim, podemos avançar na luta pela reivindicação histórica do passe livre para toda a população. Pela imediata redução das passagens de ônibus. Estatização do transporte público. Transporte é direito e não mercadoria.

    Foto: Tânia Rêgo/EBC/FotosPúblicas

  • Prisão arbitrária de professor no dia 30 é discutida na CCDH da AL-RS

    Da Redação

    Nesta quarta-feira (5), a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Leigislativa do Rio Grande do Sul realizou uma audiência para discutir o excesso de violência da polícia militar contra os movimentos sociais, nos protestos do dia 30 de junho, como parte da mobilização nacional organizada pelas centrais sindicais. Na ocasião, ativistas da CTB foram detidos, junto com o professor Altemir Cozer, da CSP-Conlutas, que chegou a ser encaminhado ao presídio e só foi liberado após 27 horas da detenção.

    Na audiência, foram discutidas a arbitrariedade da brigada militar, as humilhações, o absurdo da prisão de Altemir, a forma como o ativista foi tratado no presídio e o tempo que levou para ser liberado, mesmo após ter sido concedido alvará de soltura. O caso foi repudiado pelo conjunto das centrais sindicais, por parlamentares do PSOL, do PT, PCdoB, representantes de entidades, entre outras figuras públicas, além de divulgado em meios de comunicação de todo o país, como as maiores redes independentes do Brasil.

    A dirigente da CSP-Conlutas Débora Carvalho Xavier foi ouvida e relatou os abusos. Segundo ela, “os manifestantes estavam posicionados na frente da empresa Carris, na Zona Leste da Capital, quando foram afastados do local pelo pelotão de Choque da Brigada Militar”. O grupo, que, segundo relatou Débora, seguia em caminhada em direção ao Centro, foi surpreendido pelas bombas de gás, 20 pessoas foram jogadas no chão e depois revistadas. Chegaram a ouvir comentários homofóbicos e agressões contra os professores que faziam parte dos atos. Documentos foram amassados e pedras foram implantadas na mochila do professor Altemir Cozer. Débora ainda denunciou racismo contra duas mulheres negras, as últimas a serem revistadas. Com provas implantadas, Altemir foi preso em seguida, com acusação de tentativa de homicídio com utilização de explosivo.

    O deputado estadual Pedro Ruas (PSOL) questionou a prática. Ao mesmo tempo, o deputado bombeiro Bianchini pediu a palavra, disse não ter acordo com os excessos, mas que o movimento teria se organizado para inviabilizar a cidade e que seria este mesmo o papel da brigada. O deputado interrompeu por diversas vezes a fala de Pedro Ruas, até se retirar do local.

    Ao final, o deputado estadual Marcel van Hattem (PP), que nem mesmo estava presente na discussão, entrou na sessão apenas para defender Biachini. Na ocasião, chegou a falar da nova ocupação dos lanceiros negros, movimento que também foi duramente reprimido pela polícia, mas o exemplo foi usado por ele para sustentar sua posição já conhecida, de que a comissão de direitos humanos ouviria apenas um dos lados. O deputado é conhecido pela postura contra os movimentos sociais e populares.

    Ao final, ficou encaminhado que serão solicitadas as filmagens da brigada. Também serão chamados para a comissão um representante da Susepe e do Choque. Ainda, foram solicitadas filmagens do dia 30, gravadas por um ativista.

    Participaram da reunião a deputada Miriam Marroni (PT), vice-presidente da comissão, os deputados Jeferson Fernandes (PT), presidente; Pedro Ruas (PSOL), Bombeiro Bianchini (PPL) e Marcel van Hattem (PP).

  • Por quantas vidas? Caso de grávida da Baixada escancara caos da segurança pública, no Rio

    Por: Leandro Santos, do Rio de Janeiro, RJ

    No Rio de Janeiro, as balas perdidas possuem endereço certo, atingem principalmente a juventude negra das favelas e, no último dia 30, a vítima foi uma jovem gestante, no Centro de Duque de Caxias, Baixada Fluminense, quando ia ao mercado. Grávida de 39 semanas do pequeno Arthur, Claudinéia dos Santos Melo, paraibana de 29 anos, foi atingida na pelve, na favela do Lixão. Socorrida, foi submetida a uma cesariana de emergência, quando descobriram que seu bebê também estava ferido. O tiro que atravessou seu quadril perfurou os pulmões da criança, provocando uma lesão na coluna, e ainda tirou um pedaço da orelha. O bebê corre risco de ficar paraplégico.

    A polícia diz que no momento estava ocorrendo uma operação na localidade. Este, infelizmente, não é um fato isolado. O número de mortos em operações policiais subiu 78% nos dois primeiros meses deste ano, de 102 para 182, e em relação ao mesmo período de 2016, como aponta o Instituto de Segurança Pública (ISP), ligado ao próprio governo do estado. O sentimento de insegurança, de que a qualquer momento pode-se ser atingido por uma bala perdida, a cada dia aumenta mais.

    O Rio de Janeiro está imerso num caos econômico, político e social sem precedentes em sua história. A combinação de retração econômica, recessão na indústria do petróleo, queda na arrecadação, corrupção institucionalizada que, há várias gestões dilapidaram as finanças do estado, coloca o Rio como polo avançado da crise que acomete o país.

    Nos últimos meses, temos acompanhado uma escalada da violência a níveis alarmantes, potencializada pela crise. A população pobre e os trabalhadores, fruto do projeto de segurança pública colocado em prática no estado, segue sendo a que mais sofre. O projeto fracassado das UPPs inaugurou as incursões em favelas e bairros pobres com blindados e, apesar da falência desse projeto, esta é a maneira como o Estado segue lidando com a maior parte da população, com violência, terror e mortes.

    Além de sofrer com a violência estatal, a população fluminense é vulnerável aos grupos paramilitares e às facções criminosas, as mais armadas do país. Segundo dados, pelo menos um fuzil acaba sendo apreendido diariamente e, em 2016, foram registrados quatro mil confrontos entre policiais militares e esses grupos, uma média de 11 trocas de tiros por dia.

    No meio desse confronto está a população pobre e trabalhadora, que é ferida, ou morre diariamente nesta guerra. A realidade é distinta, mas os números se assemelham aos de países em guerra civil, e a população mais pobre, negra e marginalizada é a mais atingida. Nos três primeiros meses de 2017, 1.867 pessoas morreram vítimas de homicídios, roubos, agressões e em operações policiais, no Rio. Na Síria, que hoje se encontra em guerra, por exemplo, neste mesmo período, 2.188 civis morreram em ataques e confrontos.

    É mais do que urgente uma outra política de segurança pública, que priorize a vida e não o lucro, ou a especulação imobiliária. É preciso acabar com esta polícia militar, com a forma como funciona, como mantém suas relações, como se financia, de forma extremamente corrupta e também como engrenagem fundamental da manutenção da violência urbana no estado. É preciso paz para o povo. É preciso uma nova polícia.

    Foto: Reprodução TV Globo

  • Rodoviários de Recife iniciam greve nesta segunda-feira

    Por: Oposição rodoviária

    Em assembleia realizada na quinta-feira (29/06), motoristas, cobradores e fiscais de ônibus da Região Metropolitana do Recife (RMR) decidiram cruzar os braços. A greve começa a partir da 0h da próxima segunda-feira (03/07). Os rodoviários estão em campanha salarial e se mostraram bastante inconformados com o andamento das mesas de negociações.

    Eles avaliaram que após cinco rodadas de negociação com os representantes dos empresários de transporte, não houve avanço em relação à pauta apresentada pelo sindicato. A categoria reivindica 14,26% de reajuste salarial e 38,7% de aumento no vale alimentação. Atualmente, eles recebem apenas R$ 225,00 de tíquete alimentação.

    Segundo Josival Costa, Secretário Geral do sindicato e militante do MAIS (Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista), a patronal só apresentou contraproposta para o reajuste salarial e do tíquete, sendo 4% e 11%, respectivamente. Não deram resposta para as outras cláusulas da pauta, como a implantação do plano de saúde coletivo, custeio da renovação da CNH e a permanência dos cobradores nos postos de trabalho, por exemplo.

    “Este ano a luta não é só pelo reajuste de Salário e do Ticket. É pela defesa da função e dos postos de trabalho dos cobradores e cobradoras, contra a terceirização no sistema de transporte, pelo fim da extensão e compensação da jornada de trabalho e a não implantação do Banco de Horas para a categoria”, declarou Josival.

    Categoria participou do protesto da greve geral do dia 30 de junho. Veja nas imagens:

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