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  • 19 de agosto, dia do Historiador

    Por Carlos Zacarias de Sena Júnior, colunista do Esquerda Online

    19 de agosto é o dia do historiador. Historiadores são os profissionais que, no presente, escrevem e dão aulas sobre o passado. 19 agosto de 1849 foi a data em que o historiador abolicionista Joaquim Nabuco nasceu. O Abolicionismo foi um movimento que lutou pelo fim da escravidão no Brasil. A escravidão moderna foi um sistema brutal implantado pelos colonizadores que precisavam de braços para a lavoura. Os braços que vieram trabalhar na lavoura eram de negros escravizados. Os negros foram trazidos da África para a América, onde fica o Brasil. Brasil é o país que importou 6 milhões de negros e o último que aboliu a escravidão.

    América é o nome que se dá ao continente “descoberto” pelos europeus em 1492. Também é o nome usado para se referir aos Estados Unidos, país conhecido como “terra da liberdade”. Nos Estados Unidos, que apoiaram muitas ditaduras, grupos neonazistas saíram às ruas esta semana para exercerem sua “liberdade” de odiar negros, judeus e latinos. Neonazistas são pessoas que apoiam o Nazismo. Nazismo foi um regime de extrema-direta implantado por Hitler, na Alemanha, em 1933. Hitler foi um ditador genocida que exterminou 6 milhões de judeus em campos de concentração e levou o mundo a Segunda Guerra.

    Nos Estados Unidos da América, país do Novo Mundo, defender o nazismo é um direito. Novo Mundo era a forma como os europeus se referiam ao continente americano. É, também, uma novela da Globo. A TV Globo pertence as Organizações Globo. As organizações Globo são empresas da família Marinho, que começou com o jornal O Globo. Roberto Marinho fundou a Rede Globo em 1965, um ano depois de implantada a ditadura no país. O jornal O Globo apoiou o golpe empresarial-militar de 31 de março de 1964, ao qual se seguiu uma ditadura de 21 anos. A família Marinho é a mais rica do Brasil.

    Ditaduras são o oposto de democracias. O nazismo foi a pior ditadura da história. Ditaduras são regimes que se utilizam da força, da censura e da perseguição a opositores que são presos, torturados, banidos ou mortos. A Ditadura brasileira prendeu, torturou, baniu e assassinou opositores. Entre os instrumentos de tortura utilizados pela Ditadura estava o pau-de-arara. Paus-de-arara foram inventados para castigar escravos até a Abolição.

    13 de maio de 1888 é a data da Abolição. A Abolição foi fruto das lutas dos abolicionistas e das lutas dos negros que se revoltavam contra a escravidão. Revolta é o nome que se dá a manifestação de insubmissão coletiva contra as autoridades. Autoridade é o nome de quem exerce o poder. A maior autoridade do Brasil é Michel Temer, que é presidente, mas não foi eleito. Temer é um político. A maioria dos políticos não gosta de historiadores. Historiadores são profissionais que no presente e no futuro vão dar aulas, escrever e incomodar quem não quer falar sobre a escravidão, o nazismo, o golpe e as lutas dos trabalhadores do mundo.

  • Nota de apoio e solidariedade a Alexis Pedrão, militante do PSOL

    Nota divulgada pelo PSOL Sergipe

    O PSOL em Sergipe vem por meio da presente nota prestar total apoio e solidariedade ao camarada e militante do PSOL Alexis Pedrão, diante da tentativa de criminalização do camarada a partir da MENTIROSA nota veiculada em diferentes portais de notícias e redes sociais, de uma suposta ameaça ao Lula durante a vinda deste ao estado de Sergipe.

    Acreditamos que essa calúnia representa uma resposta desesperada e criminosa de alguns setores políticos contra nosso militante que sempre expos de forma respeitosa as divergências políticas em torno do projeto de conciliação de classe tocado pelo governo petista durante seus 14 anos à frente da presidência do país. Projeto esse que abriu espaço para o atual cenário político brasileiro, a partir do golpe construído pelossetores mais reacionários da política brasileira. Afinal, Temer não caiu na presidência de paraquedas, o mesmo fez parte da política de aliança construída ao longo desses anos entre o PT e o que há de mais reacionário na política brasileira.

    A arma do PSOL e do camarada Alexis Pedrão não é o ódio ao PT, mas a crítica ao projeto defendido pelo mesmo. Alexis não alimenta o ódio da direita reacionária, mas não se furta à crítica aos que jogam na lama as lutas e a memória de milhares de lutadores e lutadoras que morreram para defender um país justo, soberano, livre das amarras do capital. Se não houver lugar na sociedade para a crítica, para o debate franco e honesto, para a emergência das contradições para transformar a realidade dos explorados, só restará a tirania. Seria esse o sentido da criminalização ao camarada Alexis por pessoas que se escondem para não assumir publicamente o seu real objetivo?

    O PSOL também entende que o ataque ao camarada Alexis, faz parte de um processo de criminalização e perseguição das figuras públicas, tão bem respeitadas em nosso país.Talvez aí esteja o desespero.

    Mas de nada adiantará plantar calúnias, criminalizar militantes, pois o trabalho de base não vai parar, a luta nas ruas, a organização nos movimentos sociais e sindicais, são caminhos sem volta. Nosso território é o da organização e luta, sempre, pois acreditamos que SÓ A LUTA MUDA A VIDA.

    Portanto, se quiserem colocar a cara na rua, lá nos encontrarão para fazermos um rico e importante debate a partir da base dos trabalhadores e desempregados para estruturar um projeto de esquerda alternativo para o país. Esse é o compromisso de Alexis Pedrão e do PSOL. Acreditamos que esse seja o melhor caminho para construirmos um outro país, um pais e um mundo socialista, sem explorados e exploradores.

    #SOMOSTODOSALEXIS

    #Sóalutamudaavida

    Abaixo vídeo do Próprio Alexis Pedrão sobre o ocorrido:

  • Autonomia de instituição federal de ensino é atacada, em Santa Catarina

    Por: Michel Silva, de Blumenau, SC

    Na mesma semana em que se discute a violência da extrema direita em Charlottesville, o Ministério Público protagoniza um ataque aos gestores do campus Abelardo Luz do Instituto Federal Catarinense (IFC), no Oeste de Santa Catarina. Na denúncia, que requer o afastamento da função pública dos gestores e a apreensão de computadores e celulares, denuncia-se uma suposta ingerência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nos assuntos do campus. O campus fica localizado no Assentamento José Maria, onde ocorreu uma das primeiras ocupações realizadas pelo MST.

    Na denúncia, afirma-se haver uma “intensa imposição de ideologia política” e que os docentes do campus estariam sendo assediados para assinar projetos de curso e perseguidos no que se refere ao conteúdo ministrado em sala de aula. Além disso, a denúncia afirma que a criação do curso superior de Pedagogia seria uma forma de inserir membros do MST como docentes do campus. Afirma-se ainda que haveria irregularidades na participação de membros do MST nos espaços institucionais do campus, como comissões e colegiados, como se abrir espaço para a comunidade participar dos debates da instituição fosse um crime.

    Os argumentos presentes na denúncia se assemelham aos difundidos pelo Movimento Escola Sem Partido, ferindo a autonomia didático-pedagógica da instituição. Além disso, a denúncia evidencia o ódio contra os movimentos sociais, neste caso representado pelo MST, e uma ojeriza pela proposta pedagógica do campus, baseada na Educação do Campo.

    O processo se insere em um longo embate, iniciado ainda na fundação do campus, há quase três anos, envolvendo empresários locais e políticos da região, que sempre consideraram absurda a implantação do campus de uma instituição federal em um assentamento da reforma agrária, em cujo entorno, atualmente, vivem cerca de 1600 famílias. Para os poderes locais, explicitados de diferentes formas, o campus deveria estar instalado no Centro da cidade e com outra perspectiva pedagógica, voltada aos interesses econômicos locais.

    Neste momento, se faz necessária não apenas a ampla solidariedade aos trabalhadores do campus, mas também a defesa do projeto pedagógico que vem sendo implementado em Abelardo Luz. Esse ataque, além de ferir a autonomia de uma instituição de ensino, também significa um profundo ataque aos direitos dos trabalhadores do campo em ter acesso à educação pública, gratuita e de qualidade, conquistada em décadas de luta.

    Foto: IFC

  • ‘Por que não negociam com a gente que está aqui há mais de 15 anos?’, perguntam moradores do Campo Novo, em Porto Alegre

    Por: Ana Laura Horbach, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul

    Há mais de 15 anos, dezenas de trabalhadores chegavam ao loteamento localizado na Rua Romeu Samarani Ferreira para ocupar as casas construídas pela construtora Montepio, que havia declarado falência em meados de 2001. Desde então, oito mandados de reintegração de posse foram expedidos. Até o ano de 2015, nenhum deles havia sido cumprido. Foi aí que, segundo o presidente da Associação de Moradores do Loteamento Romeu Samarani Ferreira, Marcelo, o improvável aconteceu, um processo de reintegração de posse e um do leilão da área começaram a tramitar em dois espaços diferentes.

    A área do loteamento faz parte de uma zona onde habitam mais de 500 famílias. Em Porto Alegre, há um déficit de 75 mil habitações, segundo o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). São vinte e três áreas de ocupação que atualmente correm risco de despejo. Diferentemente do que acontecia nos anos anteriores, o que choca é a atitude do DEMHAB, alinhada à política da Prefeitura do Marchezan, de não interceder no conflito em favor daqueles que moram no local há tanto tempo em uma ocupação já consolidada. Diferente do que acontece em outras ocupações, os moradores da Romeu Samarani Ferreira querem negociar as suas casas. Segundo eles, a Prefeitura só teria a arrecadar com a regularização das casas.

    Atualmente, são 57 famílias no local. São idosos, crianças, pessoas com deficiência e trabalhadores que lutam pela posse definitiva das suas casas. Desde que a Associação foi criada, muitas atividades abertas à comunidade passaram a acontecer no local, foram organizadas confraternizações em datas comemorativas, um Grupo de Mães e até uma horta comunitária. Marinês, merendeira da escola e moradora do espaço, conta que era tudo muito diferente quando chegaram, foram os próprios moradores que reformaram as casas e a área comum do loteamento, além de terem lutado juntos pela construção de uma creche no bairro.

    campo novo porto alegre

    Jane, Marinês, Elena e a pequena moradora do Campo Novo conversando sobre a questão da moradia.

    Mesmo com todas as dificuldades, os moradores têm se mobilizando para fazer valer os seus direitos. Foram inúmeras audiências e manifestações para que se conseguissem negociar as casas e, até o dia de hoje, algumas vitórias foram conquistadas: a suspensão de uma nova reintegração de posse e uma possibilidade ainda distante de negociação no CEJUSC.

    Nesta terça-feira (15) pela manhã, uma agenda de atuação conjunta foi tirada em Audiência Pública na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, junto a vereadores da oposição como Fernanda Melchionna (PSOL) e Sofia Cavedon (PT) e representantes das entidades ligadas ao problema da habitação.

    Diante deste cenário, os moradores saem ainda mais fortalecidos: sabem que a luta não restringe a própria casa, mas a toda a comunidade. Sabem também que a questão da moradia não é sobre cifras, mas sobre a vida das pessoas. Se não ali, onde vão morar os trabalhadores da Romeu Samarani Ferreira?

    Foto capa: Audiência Pública na Câmara Municipal de Porto Alegre, dia 15 de agosto de 2017

  • Forças armadas nas ruas de Niterói

    Por: Gustavo Fagundes, de Niterói, RJ

    A manhã de quarta-feira (16) surpreendeu a cidade de Niterói não só pela baixa temperatura e dia cinzento, mas também pelas fardas verde oliva dos soldados das forças armadas. A Operação Dose Dupla contou com cerca de 2.600 pessoas, sendo 350 policias civis, 250 policiais militares e todo restante de militares do exército e marinha. Segundo informações da Secretaria de Estado de Segurança Pública, o objetivo da operação foi prender 26 pessoas, apreender dois menores e cumprir 34 mandados de busca e apreensão. A ação teve como foco prioritário seis favelas: Ititioca, Igrejinha, Atalaia, Preventório, Caramujo e Grota.

    Não é a primeira vez que o Governo do Estado do Rio de Janeiro solicita apoio federal para combater o crescente aumento da violência. Já se tornou cena corriqueira soldados das forças armadas em atuação conjunta com policiais militares.

    Números da violência
    Segundo o Instituto de Segurança Pública, os roubos a comércio aumentaram mais de 45%, se comparados os quatro primeiros meses de 2017 com os do ano passado. Enquanto roubos de celulares e carros subiram quase 40%. Infelizmente, a solução encontrada pelo prefeito Rodrigo Neves é promover o armamento da Guarda Municipal, inclusive anunciou no final de 2016 que seria realizado um plebiscito para debater a questão. Entretanto, a Prefeitura já iniciou a compra de armas letais.

    Crer na solução através de mais armas de fogo nas mãos dos agentes públicos é desconhecer a relação direta entre a crise econômica e todo o caos social gerado com a enorme taxa de desemprego e a falta de perspectiva causada em milhares de jovens.

    O crescimento da onda de violência e, em paralelo, a manutenção da repressão militar como única opção expõem a flagrante falência do atual modelo de segurança pública. Esse projeto prova na realidade não só ser incapaz de diminuir os índices de criminalidade e dar fim à sensação de insegurança, como também é responsável pelo terror causado nas favelas da cidade, além de reforçar a chamada guerra às drogas, mecanismo utilizado pelo Estado para assassinar jovens negros e pobres nas periferias de todo país.

    É urgente a elaboração de um novo modelo de segurança e que esse passe diretamente pela legalização das drogas e desmilitarização da polícia militar.

    Foto: Reprodução Facebook

  • Parlamentarismo golpista

    Por: Bruno Figueiredo, de São Paulo, SP

    Recentemente, o Sr. Temer propôs implantar o Parlamentarismo, já agora no governo dele. As formas de governo não existem em abstrato, em cada contexto político as formas de governo que surgem podem assumir aspectos distintos. O parlamentarismo na Europa tem algumas características muito distintas daquelas que se propõe o suposto “parlamentarismo” no Brasil atual.

    A Europa, no processo do Feudalismo ao Capitalismo, passou por grandes mudanças políticas. Nas Revoluções Inglesas, do século XVII e Francesa do Século XVIII, o parlamento surgiu como contraponto ao Poder Executivo. Surgindo, neste contexto, teorias como a divisão dos poderes, etc. De modo que dar mais poder ao parlamento surge como uma reação ao antigo poder absolutista. Sendo o parlamento um espaço que expressaria a sociedade de forma mais ampla e complexa. Em tese, no parlamento haveria a expressão política de todos os setores da sociedade.

    No Brasil no século XIX houve um período de “monarquia parlamentarista”, onde de fato o Imperador escolhia o Primeiro-Ministro, que este escolhia o “Parlamento”. Também existiram duas tentativas de implantação do Parlamentarismo no século XX. Na primeira tentativa foi o período conturbado que antecedeu ao Golpe de 1964.
    Quando o suposto parlamentarismo visava retirar os poderes de João Goulart, para implementar as reformas de base.

    Na segunda tentativa foi no plebiscito de 1993, que havia um temor de uma eventual eleição de Lula em 1994. Como não passou o Parlamentarismo, reduziram o mandato presidencial de 5 para 4 anos, na Emenda Constitucional nº 5 em 1994. Como FHC foi eleito, criaram a reeleição.

    O fato é que a Frente Popular governou o Brasil de 2002 até 2016. Embora seu governo não tenha garantido todos os avanços que prometeu, ainda assim seu governo foi interrompido por um golpe parlamentar. O projeto político que o povo escolheu nas urnas, desde 2002 até 2014, foi sempre um projeto inclusive a esquerda daquilo que o PT de fato fez.

    No Brasil existe um calendário eleitoral extremamente rígido. Em um parlamentarismo, do estilo europeu, por muito menos já teriam sido convocadas novas eleições gerais. Entretanto, o pseudo-parlamentarismo golpista pretende outra coisa. Pretende, de fato, um modelo parecido como aquele em existiu no Brasil entre 1964 e 1988. Ou seja, quer criar pelo “Parlamentarismo” um mecanismo de eleições indiretas. De modo que se pretende dar o nome de parlamentarismo no Brasil para aquilo que nos EUA é presidencialismo. Seria criado sistema de voto distrital em paralelo a eleição do chefe de estado seria de forma indireta, por meio do parlamento.

    Observe-se que existe uma diferença substancial entre o parlamento eleito com proporcionalidade e o parlamento fruto do voto distrital. O “distritão”, essa anomalia criada por Eduardo Cunha, nem deveria merecer maiores atenções. Mas na essência, no parlamento eleito com proporcionalidade direta o maior número de votos seria aproveitado. Ou seja, o parlamento refletiria de alguma forma a vontade do eleitor. Entretanto, nos sistemas eleitorais, distrital ou “distritão”, surgiria uma enorme distorção. De modo que seriam eleitos apenas os candidatos das campanhas mais caras. Soma-se a isto a verba de financiamento público que está sendo criada, que vai distribuir os recursos na proporção do parlamento que aí está. Portanto, é um sistema eleitoral para manter o Status Quo.

    Getúlio Vargas, para consolidar sua Ditadura criou a “Justiça Eleitoral”. O Golpe Militar de 1964, criou o “Código Eleitoral” de 1965, em vigor até hoje. Temer, do Golpe de 2016, cria agora seu novo regime de eleição indireta. Em pouco mais de um ano a classe trabalhadora sofreu mais retrocessos jurídicos no seu governo do que em 20 anos de ditaduras.

    Muitas pessoas se perguntam como Temer consegue sem manter, mesmo sendo rejeitado por 95% da população. Ele consegue se manter por que a classe trabalhadora ainda não conseguiu criar suas próprias organizações políticas. Consegue se manter em decorrência do sentimento de derrota que assola a classe trabalhadora. Agora os golpistas querem aproveitar deste sentimento e mudar as regras do jogo, para que o jogo continue como está.

    O momento, portanto, se torna crucial para a defesa da democracia, defesa das Eleições Diretas, garantir a proporcionalidade direta nas eleições parlamentares, contra qualquer cláusula de barreira, por distribuição igualitária dos fundos eleitorais, contra qualquer forma de financiamento empresarial. Enfim, é necessário unir todos os setores que defendam a democracia, sem aceitar nenhum pacto com os golpistas. Não existe sistema eleitoral democrático no capitalismo. Enquanto existirem diferenças sociais não se pode falar de fato em democracia. Entretanto, um Congresso eleito pela Friboi e pelas empreiteiras não tem moral para mudar mais nenhuma lei. Por Diretas Já!

    13/07/2017- Brasília- DF, Brasil

  • Explosão em usina da Gerdau deixa feridos e pelo menos dois mortos

    Coluna Rádio Peão

    Por: Alexandre Zambelli, de Belo Horizonte, MG

    Nesta terça-feira (15), mais um acidente vitimou trabalhadores na usina da siderúrgica Gerdau, em Ouro Branco, na Região Central de Minas Gerais. É o terceiro acidente em nove meses no mesmo local. No acidente de ontem, ocorreu uma explosão durante a manutenção da parte inferior da coqueria 2 da usina. Duas pessoas morreram, um funcionário da própria empresa e outro terceirizado e dez ficaram feridas, duas em estado grave. Os acidentes ocorridos no ano passado, nos meses de novembro e dezembro, provocaram mais cinco mortes.

    O movimento sindical já havia denunciado os problemas relativos aos processos de manutenção e segurança envolvendo a usina. Por sua vez, a Gerdau informa que “os equipamentos da usina estão em condições adequadas, obedecendo aos padrões de segurança estabelecidos na legislação vigente”.

    Não é novidade que acidentes do tipo ocorram e seguirão acontecendo em empresas do porte. O modelo de gestão por resultados nestes ambientes secundarizam a segurança e saúde do trabalhador. Para as empresas, o funcionário é apenas um a mais, o que importa é o lucro desmedido, mesmo que a custa de vidas de trabalhadores. Sabem que caso sejam acionadas judicialmente têm ao lado um judiciário benevolente com as grandes empresas, como recentemente no caso da Samarco. A justiça de Minas Gerais suspendeu ação da procuradoria contra a empresa.

    O histórico de acidentes de todo o tipo nestes locais denota a necessidade de um sindicato mais combativo e sem atrelamento aos interesses dos patrões. Não são raros os relatos de trabalhadores da região denunciando a falta de combatividade do sindicato local, que aparece somente quando os acidentes já ocorreram, e quando, infelizmente, não se podem mais reverter as consequências.

    Assista ao vídeo

  • Protesto e escândalos de corrupção aguardam Doria em Natal

    Vereador autor da homenagem foi afastado, após denúncia de desvio de R$ 22 milhões

    Movimentos sociais e de juventude de Natal estão convocando um protesto durante a cerimônia que entregará o título de Cidadão Natalense a João Doria, prefeito de São Paulo, nesta quarta-feira (16). O ato público #DoriaNuncaSeráNatalense foi marcado há apenas dois dias pela Frente Povo Sem Medo, Frente Brasil Popular, Movimento População de Rua, a UMES Natal e outros movimentos e entidades, como o CRESS-RN.

    A concentração será às 9h, em frente à principal entrada do Shopping Midway, na Avenida Salgado Filho. Para os organizadores, a gestão de Doria em São Paulo adota uma política de higienização social, “declarando guerra à pobreza”. Eles prometem denunciar episódios como a operação policial na Cracolândia, a retirada de cobertores e o uso de jatos de água sobre a população de rua, e incêndios em favelas e barracos em viadutos da cidade. Também pretendem lembrar as demissões de assistentes sociais e as ameaças ao passe-livre dos estudantes, conquistado após as jornadas de junho de 2013.

    O protesto conta com um evento online, criado na véspera e que conta com 230 confirmações e 500 interessados. Um manifesto assinado por professores da rede pública e compartilhado no evento questiona quais os serviços de Doria para a cidade e acusa a homenagem de eleitoreira:”Quais serviços importantes ou notáveis foram prestados à sociedade natalense pelo Sr. João Doria, agraciado com o Título de Cidadão Natalense pela Câmara Municipal?”

    Outro internauta compartilhou reportagens de julho de 1987, quando João Doria presidia a Embratur e provocou polêmica com uma proposta de roteiros turísticos pela seca do Nordeste. É um contraponto a notícias publicadas pela imprensa regional, que citam o apoio que Doria teria dado ao turismo no Nordeste no período em que presidiu a Embratur.

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    Mar de lama
    A entrega do título de cidadão natalense ao prefeito de São Paulo ocorrerá em um evento para convidados no principal shopping de Natal, de propriedade de Flavio Rocha, dono do Grupo Guararapes e das lojas Riachuelo. O empresário e ex-deputado federal é o verdadeiro responsável pela homenagem – fez o anúncio em 24 de maio, em um evento com Doria em Nova York, e os vereadores ficaram sabendo pelas redes sociais.Na cerimônia, Rocha também será homenageado, com uma medalha. Ignora-se que o empresário é alvo de uma ação do Ministério Público do Trabalho, sobre as condições de trabalho em pequenas empresas familiares montadas no interior do estado para fornecer à Guararapes, a exemplo das maquiladoras.

    Os políticos do RN envolvidos na corrupção também serão alvo do protesto. Como o autor da homenagem, o vereador Raniere Barbosa (PDT),afastado do mandato e da Presidência da Câmara desde 24 de julho. Ele é suspeito de comandar um esquema que teria desviado R$ 22 milhões da iluminação pública de Natal. Neste terça-feira (15), o Tribunal de Justiça negou um pedido de habeas corpus para que reassumisse o mandato.

    E não devem faltar políticos investigados na cerimônia. Ainda nesta terça-feira, o governador Robinson Faria (PSD), já citado por empreiteiras na LavaJato, foi alvo de uma grande operação do Ministério Público Federal. Sua residência, a casa de praia e a sede do governo foram revistadas pela Polícia Federal. A operação busca provas das denúncias de corrupção e de funcionários fantasmas feitas pela ex-procuradora geral da Assembleia Legislativa, incluindo o período em que foi presidida pelo atual governador.

    Ao menos sete deputados estaduais estão sendo investigados nesta operação. Já o líder do governo na Assembleia Legislativa, Dison Lisboa (PSD), responde por desvios enquanto era prefeito de Goianinha, a 60 km de Natal, e comparece às sessões usando uma tornozeleira eletrônica.

    Ausência mesmo será a do ex-presidente da Câmara dos Deputados e ex-ministro de Temer Henrique Eduardo Alves (PMDB) que cumpre prisão preventiva desde o dia 06 de junho no quartel da Polícia Militar, a poucas quadras do shopping.

  • OPINIÃO | É possível democratizar a economia?

    Por Fábio José de Queiroz, de Fortaleza, CE

    Nos dias sombrios que correm, nos quais os programas se afogam e as práticas se desvirtuam, não deixa de ser iluminadora a proposição de se discutir as questões do país em uma perspectiva programática que aponte “para além” do quotidiano cinza de um tempo em que certo presidente sem voto encabeça a destruição dos direitos sociais.

    É assim que devemos localizar a iniciativa da Frente Povo Sem Medo de impulsionar uma “ampla agenda de debates” com o intuito de elaborar um programa que abarque “nossas necessidades e desejos”.

    De imediato, forças as mais díspares voltam sua atenção para esse chamado que, de certo modo, começa a dividir águas na esquerda brasileira. De um lado, um setor da esquerda torce o nariz e trata com desdém a iniciativa.

    De outro, uma parte parece vislumbrar a possibilidade de discutir as grandes questões do país sem sair do lugar.

    Entre o ceticismo e a mesmice, eis as duas pontas de um fio no qual a esquerda socialista se equilibra perigosamente. Mas quem há de caminhar por um fio sem sentir a vertigem do perigo?

    A questão é se é possível ter qualquer saída coerente por dentro de uma democracia apodrecida ou se é necessário ir além dos seus limites. Nesse sentido, pode-se, seriamente, cogitar uma democratização da economia? Navegar nos limites dessa estratégia não é andar em círculo e se solidarizar unicamente com os ajustes em pequena escala?

    Depois de três décadas de uma democracia burguesa, com seus “males e dores temporais”, não é hora de começar a pensar como enfrentar o último combate ainda em vida? Até quando adiaremos a discussão de uma proposta programática que não tenha como ponto limite a democratização da economia? A experiência de quase uma década e meia da frente popular, no Brasil, não indica que, mais do que poderosa, essa ideia de democratizar a economia do capital é visceralmente perigosa para a esquerda?

    São muitas as perguntas. De qualquer modo, qualquer boa discussão é quase sempre o resultado de indagações que cobram respostas. Indagações que afloram da necessária análise de uma realidade sobre a qual se atua, e, principalmente, se almeja mudar. Aqui está o desafio. As especificidades de uma situação política difícil para classe trabalhadora não pode ser argumento para se confinar os debates nos limites impostos pela democracia do capital mascarada de democracia sem sobrenome. Inversamente, é preciso pensar mais adiante de seus territórios e fronteiras.

  • Pequena observação entre Nazismo e Socialismo

    Por: Lucas Ribeiro, de Salvador, BA

    O discurso de que o Nazismo é igual a Socialismo é muito forte, em especial entre os jovens. Não é só uma interpretação extensiva do nome do Partido Nacional-Socialista de Adolf Hitler. Foi fruto de uma campanha política das chamadas democracias liberais ocidentais, que convenceu pessoas em todo o mundo das características comuns entre Nazismo e Socialismo, ou melhor Stalinismo.

    Para os que são de esquerda é óbvio que Nazismo não é uma variável de marxismo, ou qualquer tipo de socialismo. Para os de extrema-direita, as diferenças também são gritantes. Hitler sempre se considerou um inimigo do comunismo e de qualquer organismo independente dos trabalhadores. Nazismo e Fascismo são de extrema-direita, são defensores do capitalismo e da exploração e opressão da humanidade. Mas, por que a associação entre Hitler e Stalin é tão comum? Pelo autoritarismo? Esse conceito frágil termina tentando buscar elementos semelhantes, ou mesmo comuns, entre regimes políticos que se apoiam estruturalmente em classes e formas de produção completamente diferentes.

    No ano do centenário da Revolução Russa e de uma crescente dos movimentos de extrema-direita, precisamos explicar duas questões preponderantes para que o marxismo possa florescer entre jovens trabalhadores. Em primeiro lugar, uma autocrítica profunda do que foi a tragédia do stalinismo. Dizer com todas as letras que não temos aquilo como referencial político, teórico e estratégico. Se é verdade que foi o povo soviético que promoveu a derrota cabal do exército nazista, também é parte da história a traição de Stalin ao promover um pacto com o coveiro alemão, que levou ao desenvolvimento dos Nazis.

    Disto isso, defender o socialismo para desenvolver as potencialidades da humanidade nas artes, na ciência e tecnologia, na sexualidade e nos gêneros, na relação com a natureza e na política. E é na política que precisaremos desenvolver a mais ampla democracia participativa direta para que os explorados e oprimidos possam desenvolver seus nervos e neurônios para tomar suas vidas em suas próprias mãos.