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  • Cidadão de bem: a marchinha do carnaval de BH

    Em Belo Horizonte a marchinha “Baile do Cidadão de Bem” foi vencedora no tradicional Concurso Mestre Jonas. Realizado anualmente pela Cria Cultura desde 2012. O nome é uma homenagem ao sambista e compositor mineiro: Jonas Henrique de Jesus Moreira. Ele foi idealizador de projetos como o “Samba da Madrugada”.

    Vencedores em 2017, os compositores Helbeth Trotta e Jhê Delacroix retrataram o cidadão de bem que protestou nas ruas do Brasil desde março de 2015.

    Cidadão de Bem era o nome de um jornal da Ku Klux Klan, grupo fascista que nos Estados Unidos defendia a supremacia branca. Daí veio a inspiração para a crítica.

    Clique e conheça:

    Pagina do Concurso Mestre Jonas

    Vídeos do Concurso Mestre Jonas

     

     

  • Conheça o deputado petista que votou pela venda da CEDAE

    Por Jorge Badaui, do Rio de Janeiro, RJ

    Uma primeira análise de como votaram os deputados na Alerj em relação à venda da CEDAE pode ajudar a compreender como a manobra de Jorge Picciani, presidente da casa, conseguiu formar uma maioria – que até então não era garantida – pela autorização da venda da empresa.

    O governo alcançou 41 votos a favor da privatização, superando os 36 necessários para passar a proposta. Sete dos 23 partidos representados na Casa votaram com suas bancadas divididas: DEM, PDT, PR, PRB, PT, PTN e SD. A maior bancada da Alerj é do PMDB, partido do governo, com 14 deputados. Até semana passada, não havia segurança de que a bancada do PMDB também não se dividiria. Na votação, no entanto, foram 14 votos a favor da venda. Ganha o prêmio quem adivinhar como tal operação foi feita pelo governo.

    A semana que antecedeu a votação foi marcada por uma intensa distribuição de cargos da Administração Estadual em favor, sobretudo, de deputados, aliados locais, parentes e assessores do PMDB. A fartura da oferta foi tamanha que, na ânsia por garantir a todo custo a votação, foram nomeados até cargos em pastas que haviam sido extintas. Um frenesi de toma lá, dá cá. Nada de novo no front.

    Mas o que chamou atenção mesmo foi o voto de um deputado petista em favor da privatização da CEDAE. Enquanto militantes daquele partido se somavam às manifestações contrárias ao pacote do governo, o senhor André Ceciliano não tremeu a mão e mostrou, mais que seu voto, um alinhamento total com a receita de Pezão para a crise do Rio. Em entrevista ao portal G1, declarou sem meias palavras: “votei consciente e votaria de novo”.

    Natural de Nilópolis, André Ceciliano foi, por dois mandatos, prefeito do município de Paracambi, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Elegeu-se pela primeira vez deputado estadual pelo PT, em 1998. Após retornar, em 2005, à prefeitura de Paracambi, devido à cassação por compra de votos do prefeito eleito, candidata-se novamente, em 2010, a Alerj, tornando-se 1o suplente de deputado estadual. Retorna ao cargo por efeito da nomeação do então deputado Carlos Minc (PT) para a secretaria de Meio Ambiente do Estado. É reeleito em 2014 e, no fatídico 20 de fevereiro último, colabora com Pezão e Picciani votando pela venda da CEDAE.

    Frente a reação indignada de militantes petistas com sua conduta parlamentar, não demonstra remorso: “A questão é prática: a situação financeira do estado do Rio é desesperadora e temos que tomar medidas rápidas para resolvê-la o quanto antes. A alienação das ações da Cedae é o que temos mais à mão”. Tal e qual o discurso do PMDB, Temer, Pezão e Picciani, para Ceciliano medidas como o cancelamento das isenções e cobrança da dívida ativa das empresas com o Estado não estão “à mão”. É que a mão desses senhores só é capaz de golpear servidores e o povo trabalhador, jamais os intocáveis interesses de grandes empresas e corporações.

    O presidente do PT-RJ, Washington Quaquá, já tratou de lançar panos quentes à situação. Segundo ele, Ceciliano cometeu um “erro político”, mas – o que fazer? – “foi leal ao PT nos momentos mais difíceis”. Impressiona que o dirigente não pense que a lealdade com a luta dos cedaianos e servidores, que passam por um momento dificílimo, seja critério de conduta para um parlamentar de seu partido.

    O voto de André Ceciliano reafirma a necessidade de unificar todas as forças da classe trabalhadora para derrotar o ajuste fiscal e os governos que o aplicam, sem que isso signifique adiar a tarefa de forjar uma nova alternativa política para os trabalhadores. Convém lembrar que, se é verdade que os outros 3 deputados petistas votaram contra a venda da CEDAE, por outro lado, há algumas semanas, ajudaram a reeleger Jorge Picciani à presidência da Alerj – precisamente quem executou a manobra que resultou na votação a toque de caixa da privatização da empresa. Portanto, de conjunto, a bancada do PT tem sua responsabilidade na aprovação das medidas do pacote de Pezão, na medida em que emprestou legitimidade ao homem que, dentro da Alerj, está encarregado do serviço sujo.

     

     

  • Julgamento político de militantes de junho de 2013 acontece nesta terça (21)

    Da Redação

    No dia 21 de fevereiro iniciará o julgamento de seis ativistas que foram parte da organização do Bloco de Lutas pelo Transporte Público em 2013: Lucas Maróstica, Gilian Cidade, Rodrigo Brizolla, Alfeu Neto, Vicente Mertz e Matheus Gomes.

    O processo foi o ápice da ofensiva de criminalização aos movimentos sociais desatada após as mobilizações que derrotaram o aumento das passagens em abril daquele ano. Na visão da Justiça gaúcha, o Bloco seria “uma organização criminosa formada para a prática de depredações ao patrimônio público, furtos e agressões a policiais e manifestantes”.

    A juíza Cláudia Sulzbach, da 9° Vara criminal do Foro Central, aceitou a denúncia do Ministério Público em setembro do ano passado, negando a possibilidade de absolvição sumária. Primeiramente, serão ouvidas as testemunhas da acusação, polícias, um empresário e um jornalista. Ainda será parte do processo a oitiva das testemunhas de defesa e também dos indiciados. Em caso de condenação, as penas somadas podem levar a até vinte anos de prisão.

    Os movimentos sociais estão convocando para esta terça-feira (21), a partir das 12h, em frente ao Fórum Central, na cidade de Porto Alegre, uma manifestação contra a criminalização dos movimentos sociais e em solidariedade aos processados.

    Precisamos denunciar essa ação repressora e impedir que, assim como o irmão Rafael Braga, que foi preso por portar uma garrafa de Pinho Sol no RJ, mais jovens sejam criminalizados por gritarem contra o sistema nas Jornadas de Junho.

    Foto: Flickr Amigosdaterrabrasil

  • As empreiteiras corruptas não podem operar normalmente

    Por André Freire, Colunista do Esquerda Online

    Seguem os escândalos de corrupção na política brasileira. Neste momento, envolvendo principalmente políticos do alto escalão do Governo ilegítimo de Temer, inclusive ele próprio, além de ministros, deputados e senadores. Um absurdo!

    Mas, no meio de tantas notícias sobre esquemas fraudulentos, envolvendo políticos de quase todos os partidos, um assunto acaba sendo deixado de lado: o que fazer com as Empreiteiras que foram as grandes privilegiadas financeiramente pelas obras superfaturadas, desvios de verbas e mau uso do dinheiro público?

    Algum leitor assíduo das matérias diárias nos grandes jornais sobre a Operação “Lava Jato” poderá tentar me corrigir, dizendo que elas já estão sendo punidas, pois alguns altos executivos dessas grandes empresas se encontram presos, como Marcelo Odebrecht, e elas estão sendo multadas, devolvendo parte do que roubaram.

    Mas, sinceramente, considero pouco. A grande discussão deveria ser outra: se estas empresas poderiam continuar realizando negócios depois de que, inclusive, reconheceram em depoimento que compraram políticos e funcionários para obterem vantagens comerciais e multiplicarem exponencialmente seus lucros, que já eram exorbitantes. Tudo isso, às custas do orçamento público, verbas que faltam para garantir saúde, educação, transporte, saneamento e moradia para maioria do povo.

    No dia 14 de fevereiro, o Ministério Público da Venezuela bloqueio às contas da Odebrecht no seu país. A empreiteira, de capital brasileiro, foi impedida de realizar compra, venda ou transferência de bens e imóveis. No final do ano passado, a Odebrecht e a Braskem, seu braço no ramo petroquímico, reconheceram que pagaram propina a altos funcionários e políticos venezuelanos para facilitar negócios altamente lucrativos para as suas empresas nesse importante país latino-americano. O montante dessas propinas, pago pela Odebrecht somente na Venezuela, chega a 98 milhões de dólares, em dez anos.

    A medida tomada pelo Ministério Público venezuelano é ainda mínima e inicial. Mas, o que mais chama a atenção é que no Brasil – fonte principal dos negócios fraudulentos da Odebrecht e de várias outras empreiteiras – nada parecido é feito para impedir que estas empresas sigam operando normalmente no mercado.

    Nem a proibição delas seguirem realizando obras públicas foi realmente realizada. E, onde elas praticamente abandonaram obras ou a administração de concessões públicas, como o caso do verdadeiro abandono da administração do Maracanã pela Odebrecht, ainda se discute indenizar essas empresas. Uma verdadeira “cara de pau”!

    Os valores das multas aplicadas, até o momento, a essas empreiteiras, que comprovadamente se envolveram em esquemas de corrupção com o Estado brasileiro, pode até parecer alto para um trabalhador comum, que vive de seu salário. Mas, na verdade, esses valores nem de longe se aproximam das cifras de milhões de dólares, que elas usurparam das verbas públicas dos governos federal, estaduais e das prefeituras. Existem estudos, divulgados na grande imprensa, que afirmam que para cada 1 real pago em propina, estas empresas ampliaram ilegalmente em 10 reais seus lucros.

    A prisão de altos executivos destas grandes empresas, sem dúvida nenhuma, é uma medida comemorada pelo povo brasileiro. Mas, achar que isso resolve a questão é ser muito ingênuo. Inclusive, essas prisões, são muitas vezes relaxadas e abreviadas, porque estes grandes empresários estão aderindo ao recurso da delação premiada, reconhecendo seus crimes e denunciando dezenas e até centenas de políticos.

    Medida mais justa e eficaz será a proibição destas grandes empresas fraudulentas, que se envolveram em esquemas de corrupção até em vários países da América Latina e África, de operarem normalmente no mercado. Elas deveriam, no mínimo, ser proibidas imediatamente de realizarem obras públicas e todas as obras que estão em andamento e / ou concessões públicas que elas possuírem deveriam ser imediatamente encapadas pelo Estado, sem indenização.

    Não há contratos que devem ser respeitados para com estas empresas, elas que romperam qualquer contrato quando praticaram, em larga escala, a compra de políticos e funcionários para multiplicarem, no mínimo por dez, seus lucros astronômicos.

    Estas empresas já demitiram juntas centenas de milhares de trabalhadores, especialmente operários da construção civil, muitas vezes deixando até de pagar corretamente os direitos trabalhistas de seus funcionários. O Estado brasileiro deve estatizar imediatamente estas obras, garantindo os empregos dos trabalhadores, e seus direitos trabalhistas, e concluindo as obras que realmente sejam de interesse da maioria da população.

  • Espírito Santo mergulha em caos social provocado pelo ajuste fiscal

    As informações que chegam do Espírito Santo lembram um cenário de guerra. Algumas pessoas estão estocando alimento para ficarem dias em casa. Lojas e escolas fechadas. O exército foi chamado para tentar resolver o problema.

    Tudo começou quando esposas e familiares de policiais militares impediram a saída de viaturas para as ruas. O movimento quer melhores salários e condições de trabalho. Trata-se de um movimento legítimo. No Rio de Janeiro, policiais ameaçam seguir o exemplo da luta no Espírito Santo.

    O resultado do aquartelamento da polícia militar foi mergulhar o estado do Espírito Santo em um caos  social e político. Vídeos de saques e assassinatos tem circulado nas redes sociais. Arrastões pela cidade, comércio e bancos fechados e a população aterrorizada.

    A causa desse caos social é o ajuste fiscal aplicado desde o governo federal até os governos estaduais que tem acentuado os efeitos da crise econômica. Aumento do desemprego e a falta de reajuste ao funcionalismo público tem acentuado crise social e seu resultado foi a onda de caos que tomou conta de Vitória e várias cidades do Espírito Santo.

    Na internet, diante da grave situação no Espírito Santo, a extrema-direita se aproveita da desgraça alheia para fazer o seu discurso reacionário contra as posições das organizações de esquerda. ‘Não queriam o fim da polícia militar, então ‘toma’ dizem alguns. Eles omitem e ignoram o programa que a esquerda socialista defende para a segurança pública e distorcem o significado da palavra de ordem de desmilitarização da polícia militar. Defendemos um tipo de segurança pública de outro tipo, com valores sociais calcados no interesse dos trabalhadores, que não tenha como finalidade a repressão e criminalização do povo que vive na periferia.

    Problema social
    O caos no Espírito Santo mostra o desastre social do governo Temer. Nunca a falta de polícia nas ruas causou tanto transtorno. O desemprego está na casa dos 23 milhões. Mesmo quem está empregado vive de maneira cada vez mais precária. A maioria dessas pessoas jamais irá para o crime. Mas uma parcela dos que não tem nada a perder acaba tomando outro rumo. É o suficiente para que a criminalidade aumente.

    As drogas são ilegais, mas são encontradas em qualquer esquina. A ‘guerra contra as drogas’ nunca impediu e não irá impedir o uso. O resultado do atual sistema de segurança é o fortalecimento das facções do tráfico e o aumento da criminalidade.

    O atual modelo de polícia nunca foi capaz de efetivamente combater a criminalidade. No Espírito Santo, por exemplo, a violência urbana sempre foi um grave problema. Vitória, a capital do estado, já é uma das 50 mais violentas do mundo.

    Vivemos em uma sociedade desigual, racista, pobre e com serviços públicos ruins. E agora o desemprego aumenta e as facções do tráfico ganham cada vez mais poder. Em uma sociedade capitalista assentada na exploração não é possível manter a ordem social, mesmo com a polícia nas ruas. Quando algo como a greve dos policias acontece, a situação caótica se agrava.

    Desmilitarizar a polícia, acabar com o ajuste fiscal, legalizar as drogas e criar empregos
    Se a polícia fosse desmilitarizada, as condições de trabalho dos policias de baixa patente poderiam ser melhores, acabaria a hierarquia militar e a submissão ao alto comando e seria possível lutar por direitos. Caso entrassem em greve, a possibilidade de negociação seria melhor. No modelo atual, uma greve é tratada como ‘motim’ e o canal de diálogo do movimento com o comando da polícia é fechado. Algumas pesquisas mostram que a maioria dos policiais é a favor da desmilitarização da PM.

    As facções do tráfico dão apoio a outros tipos de crime. Caso o consumo de drogas fosse legal e controlado pelo estado, elas não teriam tanto poder. Em lugares onde as drogas foram legalizadas, a criminalidade diminuiu significativamente, um exemplo é o Uruguai.

    Para reduzir a violência urbana precisamos de uma política voltada às necessidades da classe trabalhadora e da juventude. Diante de tantos ataques isto passa por derrotar o ajuste fiscal aplicado pelos governos. O desvio de dinheiro público para o pagamento de juros aos bancos atrapalha o desenvolvimento do país e o resultado é o desemprego. Um programa de obras públicas em áreas como saneamento e moradia poderia melhorar a oferta de emprego no curto prazo.

    É preciso mudar imediatamente a política de ajuste fiscal do governo Temer e dos governos estaduais. O corte dos gastos públicos para garantir o pagamento da dívida pública em vez de resolver o problema dos estados e do país. Tem acentuado a crise, aumentando o desemprego e a crise dos serviços públicos. O mesmo caminho está sendo aprofundado por Temer com a reforma da previdência e trabalhista. Os trabalhadores e os setores mais pobres são os mais afetados. É preciso unir a classe trabalhadora contra o ajuste fiscal , o corte de gastos públicos e contra as reformas de Temer.

    Sem atacar a raiz do problema, situações como esta no Espírito Santo vão se repetir.

  • Pimentel corta R$ 148 milhões da educação em Minas Gerais e totaliza R$ 1 bilhão a menos para serviços públicos

    Por: Izabella Lourença, de Belo Horizonte, MG

     O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), publicou no último dia 28 no Diário Oficial do Executivo o corte de um bilhão de reais no orçamento do Estado para 2017. A justificativa é o terceiro ano consecutivo de déficit, que este ano deve chegar a 8 bilhões, com Minas tendo uma receita de 87,2 bi e uma despesa de 95,3 bi.

    Com essa medida, ele faz uma escolha de cortar 148 milhões da educação, 91 milhões do transporte, 108 milhões dos órgãos ambientalistas e outras áreas para continuar pagando a dívida estadual com bancos e cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Segundo o portal da transparência de Minas, apenas com os juros bancários do Banco do Brasil, CreditSuisse AG, BNDES, Bird e Agence Francaise de Developpment, entre outros, o governo aplica o valor de R$ 1,4 bilhão de seu orçamento. Fernando Pimentel (PT) prefere cortar o investimento das áreas sociais e dos serviços públicos para pagar os Juros que fazem os donos dos bancos bater recorde de lucro em meio à crise econômica do país.

    A perspectiva para os professores e servidores públicos já não foram boas no ano passado, quando os salários foram parcelados, pagos com atraso e o décimo terceiro também foi dividido. Esse ano a perspectiva é ainda pior. O governador prefere continuar cumprindo suas responsabilidades com os banqueiros, que lucram milhões por mês, do que pagar os servidores, que vivem de seus salários.

    O Partido dos Trabalhadores disse que era contra PEC 55, que congelou os investimentos federais nas áreas sociais para garantir o lucro dos banqueiros por meio do pagamento da dívida pública. Mas corta investimentos em Minas Gerais. Parece que não passa de palavras ao vento a luta do PT contra o ajuste fiscal, pois quando estão nos governos fazem o mesmo que o golpista de Michel Temer.

  • Sobre o sigilo das novas 77 delações da Lava Jato

    Por: Luisa D’Avola, de São Paulo, SP

    A semana iniciou-se com a ministra Cármen Lúcia homologando as 77 delações de executivos e ex-executivos da empresa Odebrecht, após o pedido de urgência feito pela procuradoria. A presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF), no momento da homologação, pediu sigilo sobre o material que será encaminhado ao Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, que decidirá sobre quais dos pontos irá pedir investigação.

    A decisão sobre o sigilo divide opiniões. Por um lado, pode ser vista como progressiva a manutenção dele nas investigações, pois garante o direito à presunção de inocência daqueles que são ainda meros investigados, ainda mais em comparação com os atos da operação Lava Jato de vazamentos seletivos, cobertura espetacularizada da grande mídia, divulgação de grampos telefônicos e mandados de prisão coercitiva televisionados. Por outro, é de se assumir que a Lava Jato ganhou uma dimensão tão grande que há quem defenda que é de interesse público o conteúdo da investigação e que, portanto, a divulgação pública e acessível era necessária.

    O debate é extremamente interessante, sobretudo aos juristas. Mas, está difícil acreditar que o sigilo foi mantido por uma decisão técnica da ministra Cármen Lúcia, decisão essa que foi elogiada pelo Presidente Temer. A Lava Jato virou o principal instrumento da antiga oposição de direita para concretizar o processo do impeachment, ganhar a opinião pública e emplacar o ajuste fiscal.

    Do mesmo modo que havia uma pressão da sociedade para se seguir com as homologações após a morte do Ministro Teori Zavascki, também havia muita tensão no Congresso Nacional sobre a possível divulgação das delações e o quanto isso prejudicaria o governo do atual presidente Temer.

    É evidente que as 77 delações de executivos e ex-executivos da Odebrecht atingem todos os partidos políticos tradicionais e suas principais figuras públicas. Divulgá-las, agora, geraria uma instabilidade no governo e no Congresso Nacional que em nada favoreceria a agenda dos golpistas. São muitos afazeres em andamento: eleições da Câmara e do Senado, Reforma Trabalhista e Reforma da Previdência. O importante mesmo era manter protegidos os interesses estratégicos da classe dominante.

    Para aqueles que torcem pelos grandes feitos dos juristas e heróis da Lava Jato, vale, mais uma vez, o exercício de reflexão sobre o quão de fato é imparcial e técnica a condução das decisões em cada um dos atos da operação.

    Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

  • Conjuntura Nacional: elementos e dinâmica

    Gabriel Casoni, da secretaria política do MAIS

    Imaginemos um cidadão desatento que, depois de uma viagem de cinco anos ao exterior, sem ter recebido notícia alguma da terra natal, voltasse ao Brasil no início de 2017. Nosso amigo imaginário, ao deparar-se com atual cenário nacional, certamente chegaria à conclusão de se tratar de um quadro surreal.

    Muita coisa mudou, e em pouco tempo.

    A economia, depois dos anos ilusórios do ‘Brasil-potência’, naufragou numa das piores recessões registradas na história do país, e já ostenta 21 milhões de desempregados ou sub-ocupados. Um governo ilegítimo da direita tradicional comanda a carnificina dos direitos sociais, após o PT ter iniciado os trabalhos com Joaquim Levy.

    A bem da verdade, o processo político-social que culminou no golpe parlamentar foi a antítese de Junho de 2013: as camadas médias da sociedade giraram à direita e a classe trabalhadora, perplexa com a crise e sem alternativa à esquerda, ficou paralisada no momento decisivo. Abriu-se, assim, pelo menos desde março de 2015, uma correlação de forças desfavorável.

    No presente momento, como sintoma da situação adversa, temos um monstro da extrema-direita, Jair Bolsonaro, que aparece na segunda posição, em citações espontâneas, nas pesquisas de opinião para a Presidência da República.

    Há resistência, porém. E devemos valoriza-la. Os estudantes das escolas e universidades demonstraram capacidade de combate na onda de ocupações em 2016. Os trabalhadores, em inúmeras greves dispersas pelo país, protagonizam batalhas pelo emprego e salário. As mulheres, os negros e as LGBT´s deram também diversos exemplos de mobilização contra a opressão e a violência.

    Mas as lutas não tiveram força, até aqui, para inverter a inflexão negativa do quadro político-social. Em realidade, o governo Temer adquiriu relativa estabilidade nos últimos meses, ao compor uma ampla maioria no Congresso e receber firme apoio da burguesia para a aplicação das contrarreformas.

    A instabilidade, entretanto, ainda marca a situação política nacional. A começar pelo cenário econômico de dois anos de contínua e profunda recessão. No âmbito político, a falta de legitimidade popular de Temer e as ações da Lava Jato são fatores de inquietação para o governo. E do ponto de vista social, a bronca popular contra os “políticos” e o mal estar crescente da população com os efeitos da crise econômica aquecem a temperatura.

    A principal vantagem da classe dominante, na presente conjuntura, reside na debilidade ‘dos debaixo’ em responder com coesão e unidade à ofensiva do capital. Essa fragilidade, por sua vez, explica-se, fundamentalmente, pelo trágico papel desempenhado pelo PT. Desiludido com sua antiga direção, o proletariado, inclusive seus setores mais avançados, encontra-se, de modo geral, desorganizado em termos de ação política.

    Num quadro sintético: a burguesia está unificada em torno do programa econômico de Temer, embora haja diversas escaramuças políticas entre suas frações; as camadas médias seguem situadas, majoritariamente, à direita no espectro político; e a classe trabalhadora, embora descontente com Temer, não encontra forças e perspectivas, até o momento, para a mobilização política de massas.

    Dinâmica e tarefas

    A classe dominante aposta no fim de recessão econômica em 2017 e quer garantir Temer até 2018. As turbulências suscitadas por Trump, os sinais não muito animadores da demanda externa e a espiral recessiva da dinâmica interna, porém, produzem muitas incertezas.

    Mesmo que o cenário econômico mais favorável venha a se confirmar, é provável que o desemprego e as condições dos serviços públicos continuem a piorar no decorrer do ano. O mal estar social tende, portanto, a subir.

    O centro da agenda política de Temer, para o primeiro semestre, é a aprovação da Reforma da Previdência, seguida da Trabalhista. A batalha estratégica do governo e do grande empresariado responde pelo nome de ajuste neoliberal, que atende à necessidade de impor um novo patamar de exploração da força de trabalho. A burguesia aposta suas fichas aí.

    A Lava Jato, por seu turno, segue sendo funcional para o regime de dominação, ainda que venha a causar esse ou aquele estremecimento político indesejável ao governo. A emergência dessa operação institucional, baseada no Judiciário e na Polícia Federal, que aparece perante a população como a salvação dos males da corrupção, confere credibilidade ao Estado num momento de desprestígio do Executivo e do Legislativo.

    Nesse contexto geral de ofensiva do capital, a classe trabalhadora, a juventude e as camadas populares inevitavelmente se verão impelidas a defenderem-se dos duríssimos ataques em curso. As lutas de resistência não se deterão e podem, em determinadas circunstâncias, se radicalizar.

    O desafio e a maior dificuldade, porém, é o de construir o processo de unificação, coesão e organização da resistência popular.

    Nesse sentido, é necessário – e urgente – que o conjunto da esquerda, dos movimentos sociais e sindicais, a despeito de todas as diferenças políticas existentes, estabeleçam uma Frente Única para derrotar Temer e suas reformas neoliberais. Mais do que nunca, é hora de unidade para lutar. O primeiro passo é organizar a luta contra a Reforma da Previdência.

    Por outro lado, o combate político e ideológico à extrema direita é indispensável. Com a crise econômica e a descrença na política tradicional, e também com a desmoralização do que era considerado o maior partido de esquerda do país, o PT, sem que uma nova nova alternativa de esquerda tenha ocupado o espaço em aberto; ideias e lideranças de extrema direita ganharam terreno fértil.

    Por fim, e não menos importante, trata-se da tarefa de construir uma alternativa política ao PT. O programa de conciliação de classes para a gestão do capitalismo brasileiro, que resultou no Ajuste Fiscal e depois no Impeachment de Dilma, pretende voltar repaginado, via a proposta da Frente Ampla, com a possível candidatura Lula em 2018.

    O PSOL, MTST, PCB, PSTU, sindicatos e movimentos sociais combativos, intelectuais marxistas etc., podem e devem juntar forças na construção de um Bloco da Esquerda Socialista que ofereça um programa de ação alternativo ao PT. O MAIS (Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista) aposta nessa perspectiva e coloca suas modestas forças a serviço dessa tarefa.

  • O perigo da extrema direita

  • Carta de Integração do Coletivo Nada Será Como Antes ao #MAIS

    “O futuro pertence àqueles que se preparam hoje para ele”.
    Malcolm X

    O Coletivo Nada Será Como Antes torna pública a sua integração à organização política #MAIS. Somos militantes que participam do movimento sindical, de juventude, popular e atuam no PSOL. Tivemos nossa militância dedicada muitos anos à corrente Liberdade Socialismo e Revolução (LSR), seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores (CIT), tendência do PSOL. Apesar de nossas divergências, somos muito gratos pela experiência militante e as conquistas realizadas. Estamos certos que permanecemos no mesmo lado da barricada, ainda que em organizações diferentes.

    Acreditamos que as Jornadas de Junho de 2013 nos ensinaram duras lições. Vimos o quanto ainda pesa o legado do fim do socialismo no Leste Europeu e a experiência com o PT sobre os ombros da classe trabalhadora no Brasil. A desesperança em torno de um projeto de sociedade superior ao capitalismo e o descrédito em relação as entidades organizativas dos trabalhadores (sindicatos, movimentos sociais e partido) tornaram aqueles atos de massas de Junho um verdadeiro choque de realidade sobre a esquerda combativa.

    Nossa pouca influência naquele momento nos mostrou, da pior forma, que precisamos nos dedicar mais ao trabalho de base nas favelas, nos locais de trabalho (formais e informais), entre a juventude, em todos os âmbitos onde houver classe trabalhadora. Além disso, temos a árdua tarefa de reerguer o ideal socialista e a necessidade de nos organizarmos de forma disciplinada para conquistar a superação do capitalismo. A difusão dos ideais socialistas, a formação política e de quadros são elementos a serem aprimorados dentro de um momento histórico em que os trabalhadores não se identificam com a tradição da esquerda brasileira.

    A falta de unidade na esquerda foi outro elemento essencial da nossa dificuldade. É urgente a reorganização do movimento sindical e popular combativo de forma unitária, de modo que supere as entidades pelegas, sendo capaz de apresentar um plano de ação nacional de enfrentamento contra o capital. A ausência de uma Frente de Esquerda Socialista, que reúna os partidos, organizações e movimentos sociais combativos também se mostrou um atraso para a formação de um programa de transição para a conjuntura.

    Nesse sentido, o otimismo da vontade, sem o suficiente pessimismo da razão levou boa parte da esquerda à situação de agudos erros verificados nas Jornadas de Junho. Por isso, se devemos ser humildes quando olhamos para as nossas forças, por outro lado, devemos ser ousados nos nossos objetivos. Reafirmamos a necessidade de construção do partido revolucionário e da revolução socialista internacionalista, mas também é bem verdade que precisamos atualizar nossas táticas e métodos para que esses fins sejam de fato uma possibilidade concreta de tornar-se de massas.

    Não partimos do zero. Reivindicamos o que há de melhor no amplo legado de luta dos trabalhadores contra o capital e toda a forma de opressão: o internacionalismo, o feminismo, a luta do povo negro, dos LGBTTs, o método do partido revolucionário. No entanto, precisamos dialogar com o povo dentro das condições da realidade atual.

    Vivemos, portanto, um difícil período na esquerda, em que predomina a desagregação e a desconfiança. Nossa ruptura, contudo, se deu dentro de uma concepção que reafirma o desejo sincero de unidade entre a esquerda revolucionária. De modo que seja possível a construção das lutas contra o capital, tendo a crítica permanente, a democracia, a intolerância contra qualquer forma de opressão e a solidariedade como preceitos fundamentais de uma concepção de socialismo de fato libertadora, reafirmamos nosso respeito à LSR-CIT, assim como nos engajamos na construção de espaços de unidade dentro da esquerda revolucionária e nas frentes amplas de movimentos sociais.

    Acreditamos que o #MAIS é a organização que potencializará nossa militância nos marcos do marxismo revolucionário, numa perspectiva radicalmente democrática e internacionalista. Na humildade de que somos parte de um amplo processo de reorganização da esquerda brasileira, seguimos perseverantes nessa difícil caminhada na construção do partido revolucionário e da revolução socialista.

    Até a vitória!

    Rio de Janeiro, 17/01/2017
    Assinam:
    Antonio Enagio (São Gonçalo)
    Breno Nascimento (Niterói)

    Bernardo Valentim (Campos)
    Deyverson dos Reis Souza Barbosa (Niterói)
    Felipe Barros (Rio das Ostras)
    Felipe Mesquita (Niterói)
    Gleissiton Gualberto (Niterói)
    Leandro Senhorinho (Niterói)
    Lídia Porto (Niterói)
    Lucas Gandara (São Gonçalo)
    Luiz Felipe Vieira (São Gonçalo)
    Luiz Augusto (São Gonçalo)
    Mayco Rodrigues (Niterói)
    Reginaldo Costa (Niterói)