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  • Desvendando a Lava Jato: É a tendência ao monopólio imperialista (parte 2)

    A Lava Jato e a Carne Fraca: quando uma suposta luta contra a corrupção se entrelaça com os interesses das transnacionais imperialistas

    Por Euclides de Agrela, de Fortaleza, CE

    Confira a Parte 1 do Artigo clicando aqui

    Segundo dados da revista Forbes(1), entre 2010 e 2014, 63% das descobertas de petróleo em águas profundas no mundo foram realizadas no Brasil, o que corresponde a 36% do total das descobertas de petróleo em todo planeta. Tudo isso graças às bacias do pré-sal. Em meio à tendência ao esgotamento do principal combustível que move a economia capitalista, o imperialismo estadunidense e as transnacionais petrolíferas que dominam o mercado mundial jamais deixariam o Estado nacional brasileiro gerenciar alegremente esta colossal expansão de suas jazidas de petróleo, sem que isso implicasse numa exuberante participação dessas empresas na divisão do bolo.

    No entanto, no marco do projeto de poder do PT, que expusemos no artigo anterior, cabia lugar de destaque à construção de um cartel nacional que passaria a disputar contratos com o mais poderoso cartel internacional na área de navios-sonda. Esse cartel seria monopolizado pela Sete Brasil: uma empresa brasileira de investimentos criada em 2010 e especializada em gestão de portfólio de ativos voltados para a exploração na camada pré-sal.

    A Lava Jato e o desmonte da Sete Brasil

    Com apenas 10% de participação da Petrobras, os outros investidores da Sete Brasil seriam os fundos de pensão Petros, Previ, Funcef e Valia, o Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI- FGTS), além dos bancos Santander e Bradesco, como sócios minoritários(2). Fariam ainda parte do negócio estaleiros, como a OSX de Eike Batista e empreiteiras como a Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão. A Sete seria administrada pelo Banco BTG Pactual de André Esteves(3).

    O capital administrado pela Sete Brasil para gerenciar a construção dos navios-sonda poderia chegar a 30 bilhões dólares, valor aproximado da licitação de construção dos 28 navios ao custo mínimo inicial de 664,2 milhões de dólares por unidade, o que seria a maior encomenda do mundo para fabricação de navios-sonda, todos alugados para Petrobras. Segundo comunicado da Petrobras, a Sete Brasil poderia ainda ser proprietária e responsável pela gestão dos equipamentos de perfuração, além de contratar financiamentos e seguros.(4)

    Mas, contra quem a Sete Brasil brigaria pelo monopólio da construção de navios-sonda para explorar a camada do pré-sal? Por ordem de faturamento, as principais empresas do setor são: Schlumberg, sediada no paraíso fiscal de Curaçao; Halliburton, do Texas (EUA); Baker Hughes, do Texas (EUA); Fluor, do Texas (EUA), que é também a 12a maior empreiteira do mundo; Weatherford, da Irlanda; Saipem, da Itália; e, por fim, a Transocean, da Suíça.

    O esquema da Sete Brasil colidiu-se quase que imediatamente com os interesses das empresas transnacionais do setor petrolífero, primeiro com a SBM Offshore, empresa holandesa de aluguel de plataformas de petróleo e, depois, com a suíça Transocean. Para se ter uma ideia dos interesses que estavam em jogo nesta disputa, basta verificar que os maiores acionistas da SBM são o Hal Trust, da Holanda, ligado à Philips, além do maior fundo de investimentos do mundo, o norte-americano BlackRock. (5)

    Em 2016, a casa da Sete Brasil caiu praticamente junto com o impeachment da presidente Dilma. A denúncia da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) responsável pela Operação Lava Jato concluiu que: “A Sete Brasil foi criada a partir de projeto idealizado e coordenado por Pedro Barusco, João Carlos Ferraz e João Vaccari (ex-tesoureiro do PT)”. Afirma ainda o texto da denúncia: “Embora o discurso utilizado para a criação da empresa tenha sido o de estimular o mercado nacional, o que se observou, na realidade, foi a implementação e utilização da nova estrutura empresarial como uma forma de expandir o esquema de corrupção”.(6)

    Privatização e desnacionalização da Petrobrás

    Ao longo de 2016, a parcela da produção não Petrobras ganhou mais importância no país: cresceu 14% e atingiu, em média, 457 mil barris diários de petróleo no acumulado do ano até novembro. Esse aumento foi puxado, sobretudo, por companhias como a anglo-holandesa Shell, a portuguesa Petrogal e a espanhola Repsol Sinopec (sócias da estatal no campo de Lula, no pré-sal), segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

    Para 2017, a expectativa da Petrobrás é reduzir sua produção durante o ano, enquanto a trajetória de crescimento das petroleiras estrangeiras e privadas nacionais tende a se intensificar. Na lista de venda de ativos previstos para serem concluídos este ano estão os 35% do campo de Lapa (BM-S-9), que começou a produzir em dezembro e cuja operação foi vendida para a francesa Total; os 100% de Baúna e 50% de Tartaruga Verde, ambos na Bacia de Santos, para a australiana Karoon; os nove campos em águas rasas no Ceará e Sergipe e as 104 concessões terrestres que compõem o Projeto Topázio.

    Já entre os projetos previstos para começar a operar em 2017 estão as áreas de Lula Sul e Lula Norte, operados pela Petrobras em sociedade com a Shell e a Petrogal; o teste de longa duração de Libra, também no pré-sal da Bacia de Santos e que têm a Shell, Total, as chinesas CNPC e CNOOC entre os sócios; e o projeto de Atlanta, no pós-sal da Bacia de Santos, operado pela Queiroz Galvão Exploração e Produção, em sociedade com a Barra Energia e OGX de Eike Batista. Na licitação prevista para este ano serão oferecidas as áreas utilizáveis – passíveis de serem reunidas numa mesma tacada – a concessões operadas por algumas gigantes do setor, como a norueguesa Statoil, que opera Carcará, e Shell, operadora de Gato do Mato, ambos no pré-sal da Bacia de Santos.(7)

    Por outro lado, para retomar as obras de construção da unidade de processamento de gás natural (UPGN) do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), a Petrobras convidou 30 empresas para participarem da licitação. Todas são estrangeiras. Segundo afirmou o presidente da Petrobras, Pedro Parente, a companhia não faz distinção entre empresas estrangeiras e nacionais. Entretanto, em função dos desdobramentos da Operação Lava Jato, as grandes construtoras brasileiras estão impedidas de participar de concorrências da companhia.

    Foi justamente por causa da Lava Jato que as obras foram interrompidas, em 2015. Elas estavam a cargo da Queiroz Galvão, uma das empresas alvo das investigações, que decidiu quebrar o contrato alegando que o valor firmado com a estatal não seria suficiente para cobrir os custos.(8)

    Coroando o processo de privatização, a Petrobras tem uma carteira de US$ 42 bilhões em ativos que podem ser vendidos para fazer frente ao plano de desinvestimento da empresa.(9)

    Devido ao anterior, o megainvestidor húngaro George Soros, com fortuna estimada em 25 bilhões de dólares (84,5 bilhões de reais), voltou a apostar na Petrobras e comprou mais de 1,5 milhão de ações da empresa brasileira nos Estados Unidos. A Petrobras é a única empresa brasileira que Soros tem em sua carteira.(10)Mas isso não é tudo, A BlackRock passou a figurar no bloco de acionistas com participação relevante na Petrobras, ou seja, acima de 5%, no último dia 22 de fevereiro.(11)

    Desemprego em massa nos setores da construção civil, petróleo e gás

    Obviamente que, diante de uma guerra de foice entre diferentes frações da burguesia brasileira e as transnacionais imperialistas para controlar o petróleo do pré-sal, quem perde de todo lado são os trabalhadores.

    Somente a Odebrecht demitiu 100 mil funcionários nos últimos três anos. Esse número passa de 300 mil se contabilizados os cortes feitos por outros cinco grandes grupos citados na Operação Lava-Jato – Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Engevix, Queiroz Galvão e UTC.

    Como as informações referentes a 2016 estão disponíveis para apenas parte do grupo – Andrade Gutierrez, UTC e Engevix enviaram números atualizados e os dados da Odebrecht foram coletados com fontes do setor – o saldo negativo é certamente superior. Esse balanço feito pelo jornal Valor levou em conta relatórios divulgados pelas companhias e bases de dados do setor.

    Para efeito de comparação, a Associação das Empresas de Serviços de Petróleo estima que o setor de óleo e gás, outro que reduziu drasticamente de tamanho desde o início da operação, segundo também o Valor, perdeu 440 mil empregos entre 2013 e2016.(12)

    Carne Fraca?

    Mas a ofensiva do imperialismo em defesa dos interesses e negócios de suas transnacionais não parou nas empreiteiras brasileiras, agora atingiu em cheio o agronegócio.

    O Brasil se encontra hoje entre os maiores produtores e exportadores agrícolas do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, Canadá e França e vem ganhando cada vez mais fatias do mercado mundial de carne bovina, de aves e suína. A China ocupa a sétima posição e a Rússia não está nem entre os dez primeiros produtores e exportadores agrícolas da economia global.

    Para o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Fernando Sampaio, há grandes possibilidades do Brasil se tornar, até 2020, ou seja, no curtíssimo prazo, o maior produtor de carne bovina do mundo, superando os Estados Unidos, que atualmente ocupam o primeiro lugar no ranking.

    Segundo a entidade, o mercado nacional é responsável por 17% da produção total da carne bovina no planeta, e o norte-americano 19%. “Hoje, já somos os maiores exportadores do produto, mas podemos superar os EUA até 2020, no que diz respeito à atividade produtiva”.(13)

    Quanto à produção de carne de frango, o Brasil superou a China em 2015 e se tornou o segundo maior produtor mundial de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

    De acordo com os dados da entidade, a produção brasileira de frango chegou a 13,146 milhões de toneladas, um volume 3,46% superior ao registrado em 2014. Com base em dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a ABPA informa que os chineses encerraram o ano passado com 13,025 milhões de toneladas.(14)

    O Brasil é o quarto produtor e exportador mundial de carne suína e deve se manter nessa posição até 2018, com produção média anual de 2,84% e exportação de 4,91%. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o país produziu aproximadamente 37 milhões de cabeças de suínos na safra 2014/15.

    De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a China é o maior produtor de carne suína do mundo, com participação de 51% no mercado. Em seguida vem a União Europeia com 20%, os Estados Unidos com 10% e o Brasil com 3%. Com relação ao ranking das exportações de suínos, o primeiro lugar vai para os Estados Unidos 32%, em segundo a União Europeia 31%, Canadá em terceiro com 18% e em quarto o Brasil 8%.(15)

    A Operação Carne Fraca, deflagrada no dia 17 de março, pela Polícia Federal (PF), já começou a provocar estragos no comércio internacional da carne brasileira. Enquanto aguardam pelas respostas do Ministério da Agricultura sobre a extensão das irregularidades que possam atingir alimentos exportados pelo Brasil, China, União Europeia, Chile e Coreia do Sul, que em conjunto gastaram quase US$ 4 bilhões ao longo do ano passado com a importação de carnes do país, suspenderam – total ou parcialmente – as compras dos produtos brasileiros.(16)

    É verdade que as empresas de alimentos em todo o mundo, tanto nacionais como estrangeiras, falsificam documentos de fiscalização e controle, bem como subornam autoridades da vigilância sanitária. Em 2014, as vendas da rede de fast food americana McDonald’s caíram devido ao escândalo de carne estragada que afetou seus restaurantes na Ásia, uma situação que teve grande impacto em seu lucro no terceiro trimestre daquele ano.(17) Isso não é nenhuma novidade ou exclusividade da McDonald’s ou dos megafrigoríficos brasileiros, como a JBS (Friboi, Seara, Swift) BRF (Sadia, Perdigão, Chester). Ao contrário, é parte do modus operandi das empresas capitalistas do setor em todo o mundo, que sempre colocam o aumento da sua margem de lucro acima da saúde da população.

    A grande questão é que isso aconteça no Brasil, apenas com empresas nacionais, às vésperas do país superar os Estados Unidos como maiores produtores e exportadores de carne bovina e aves do mundo. A carne brasileira, entendida como uma mercadoria que vem ganhando cada vez mais espaço no mercado mundial, não tem nada de fraca, é forte e está ameaçando os interesses das grandes transnacionais imperialistas. É preciso admiti-lo sem medo. Isso não tem nada a ver em fazer o jogo da burguesia brasileira. Trata-se de entender os laços e a condição subalterna desta mesma burguesia ao imperialismo hegemônico, os Estados Unidos.

    Carne Fraca e tapa nos trabalhadores

    O blogueiro Leonardo Sakamoto escreveu recentemente: “não é de hoje que o setor de produção de proteína animal, por sua natureza, influência política e forma de atuação, tem causado trabalho análogo ao de escravo, superexploração e morte de operários em unidades de processamentos, violência contra populações tradicionais, crimes ambientais, roubo de terras públicas, contaminação de reservas de água, sofrimento desnecessário de animais”.(18)

    Sakamoto está coberto de razão quando denuncia a selvageria da exploração dos trabalhadores na indústria da carne, o massacre dos povos indígenas, os crimes ambientais de todo o tipo e até mesmo o sofrimento desnecessário dos animais como parte do currículo hediondo de megafrigoríficos como a JBS e a BRF.

    No entanto, a Operação Carne Fraca não está a serviço dos trabalhadores, dos povos indígenas ou da proteção do meio ambiente. Sequer seu objetivo fundamental é disciplinar o controle sanitário dessas empresas e impedir fraudes na fiscalização da produção e distribuição dos seus produtos. Não se trata de uma cruzada ética do MPF e da PF contra os capitalistas selvagens brasileiros.

    Insistimos: a burguesia não é uma classe que conspira contra si mesma para beneficiar os trabalhadores e o povo. A rigor ela sempre está unida contra os trabalhadores assalariados para superexplorá-los e impedir que nos mobilizemos e nos organizemos para arrancar conquistas e, o mais perigoso, lutar pelo poder. Mas há exceções. Isso se dá particularmente quando existe uma guerra de interesses dividindo importantes frações burguesas em sua relação com o imperialismo ou quando monopólios nacionais privados e os monopólios transnacionais entram em choque na disputa pelo mercado.

    Esse é exatamente o caso da Lava Jato e da Carne Fraca. O MPF e a PF, com uma autonomia quase absoluta, vêm atuando cada vez mais como ponta de lança dos setores da burguesia brasileira mais pró-imperialistas, rentistas e associados aos bancos e empresas transnacionais estadunidenses. Não é à toa que as reformas da Previdência e Trabalhista do governo Temer se dão concomitantemente a essas duas operações. As exigências do imperialismo são claras: privatizar a Petrobrás, desnacionalizar mais ainda a economia, limitar o raio de ação das empreiteiras e do agronegócio brasileiros no mercado mundial, terceirizar as atividades fim, acabar com a aposentadoria.

    Por tudo isso, a burguesia brasileira é incapaz de enfrentar o imperialismo. Seu nível de subordinação, associação e covardia a impossibilita de fazê-lo. Somente os trabalhadores assalariados e o povo pobre podem construir um programa, uma ação e uma organização capazes de impor uma ruptura. Para os trabalhadores e o povo pobre, a luta contra o inimigo interno, a burguesia brasileira, se hierarquiza pela ruptura com o inimigo externo. A expropriação, a estatização e o controle social dos monopólios privados – sejam eles nacionais ou, sobretudo, estrangeiros –é parte imprescindível de um projeto socialista dos trabalhadores para o Brasil. Quem não sabe contra quem lutar será incapaz de vencer.

    Notas

    1 http://www.forbes.com/sites/kenrapoza/2015/06/15/how-important-is-brazil-to-the-worlds-oil- market/#4c29c98a1908

    2 http://veja.abril.com.br/economia/sete-brasil-a-nova-empresa-da-petrobras/
    3 André dos Santos Esteves: empresário brasileiro, ex-executivo-chefe (CEO) do BTG Pactual, uma empresa financeira brasileira com presença global. De acordo com o ranking “Bilionários do Mundo” da revista Forbes, Esteves foi classificado na posição de número 628. Em 1o de outubro de 2015, seu patrimônio era estimado em US$ 2,1 bilhões. Entre os bilionários brasileiros, Esteves esteve posicionado na 13a colocação, com patrimônio estimado em R$ 9 bilhões. Esteves foi preso em 25 de novembro de 2015 sob suspeita de obstruir as investigações da Operação Lava Jato.

    4 http://veja.abril.com.br/economia/sete-brasil-a-nova-empresa-da-petrobras/

    5 A BlackRock é a líder global em gerenciamento de investimentos, gerenciamento de risco e serviços de consultoria em mais de 30 países por todo o mundo. Ela foi criada em 2009, quando a BlackRock e a Barclays Global Investors (incluindo iShares, líder mundial em ETFs – os Exchange Traded Funds combinam características de fundos de investimento e ações) uniram-se para criar uma das maiores gestoras de investimentos do mundo. A BlackRock sozinha tem ativos na ordem de 4,3 trilhões de dólares, mais ou menos o equivalente ao PIB do Japão, ou de dois Brasis. Segundo a revista inglesa The Economist, ela é a maior acionista da Shell e da Exxon, do banco JP Morgan, da gigante General Electric, da Apple e também da Google. Fonte: https://www.blackrock.com/br

    6 http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/04/lava-jato-descobre-que-estatal-sete-brasil-foi-criada-para-ajudar-na- corrupcao.html

    7 http://www.valor.com.br/empresas/4826348/cresce-producao-fora-do-ambito-da-petrobras-no- pais?utm_source=newsletter_manha&utm_term=www.valor.com.br/empresas/4826348/cresce+producao+fora+do+a mbito+da+petrobras+no+pais&utm_medium=05012017&utm_campaign=informativo&noticia1
    8 http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/petrobras-convida-so-estrangeiros-para-licitacao-de-obras-no- comperj.ghtml

    9 http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/petrobras-tem-us-42-bilhoes-em-ativos-que-podem-ser-vendidos- diz-diretor.ghtml
    10 Além de Soros, outros megainvestidores em Wall Street resolveram aplicar na estatal brasileira por meio de American Depositary Receipts (ADRs), recibos de ações da empresa listados na Bolsa de Nova York. Entre eles, Robert Citrone, com 12 bilhões de dólares em ativos, dono da Discovery Capital Management, que reportou ter mais de 27 milhões de papéis da petroleira. Já a DE Shaw, com 40 bilhões de dólares sob gestão, tem 3 milhões de ADRs. Jim Simons, que administra mais de 36 bilhões de dólares, tem 411,5 mil papéis da Petrobrás. Entre as casas dos EUA que melhoraram a avaliação para a Petrobras nos últimos meses estão o Raymond James e o Citigroup. Fonte: http://www.msn.com/pt-br/dinheiro/economia-e-negocios/bilion%C3%A1rio-george-soros-volta-a-comprar- a%C3%A7%C3%B5es-da-petrobras/ar-AAkFlPt?li=AA5a49&ocid=spartandhp

    11 http://exame.abril.com.br/negocios/blackrock-passa-a-ser-acionista-relevante-da-petrobras/

    12 http://www.valor.com.br/brasil/4906972/empresas-envolvidas-na-lava-jato-demitem-300-mil-em-tres- anos?utm_source=newsletter_manha&utm_term=www.valor.com.br/brasil/4906972/empresas+envolvidas+na+lava+j ato+demitem+300+mil+em+tres+anos&utm_medium=21032017&utm_campaign=informativo&noticia2#
    13 http://sna.agr.br/brasil-sera-o-maior-produtor-mundial-de-carne-bovina-em-5-anos-preve-abiec/

    14 http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Criacao/Aves/noticia/2016/01/brasil-foi-o-2-maior-produtor-mundial- de-carne-de-frango-em-2015-diz-abpa.html

    15 http://capitalnews.com.br/rural/brasil-e-o-quarto-maior-produtor-e-exportador-mundial-de-carne-suina/281565
    16 http://www.valor.com.br/agro/4906888/exportacoes-brasileiras-ja-sentem-o- baque?utm_source=newsletter_manha&utm_term=www.valor.com.br/agro/4906888/exportacoes+brasileiras+ja+sent em+o+baque&utm_medium=21032017&utm_campaign=informativo&noticia1

    17 http://exame.abril.com.br/negocios/vendas-do-mcdonald-s-caem-por-escandalo-de-carne-estragada/
    18 https://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2017/03/19/criticar-a-carne-fraca-com-base-em-nacionalismo-e- tapa-nos-trabalhadores/

     

  • Preparar a Greve Geral pela base

    Por André Freire, Colunista do Esquerda Online

    Um  Novo Momento

     Na próxima segunda-feira, dia 27 de março, as centrais sindicais voltam a se reunir. Na pauta, a possibilidade da marcação de um dia de Greve Geral, em abril.

    Motivos não faltam: aprovação do congelamento dos investimentos sociais por 20 anos e, nessa semana, mais um golpe contra o povo trabalhador, com a aprovação de um projeto de lei de 1998 que amplia a terceirização do trabalho para as atividades fins das empresas e o prolongamento dos contratos temporários. E, a tudo isso, se soma as propostas de reformas reacionárias da previdência e da legislação trabalhista.

    Caso todos esses ataques sejam consumados, vamos ter, na prática, a destruição das poucas conquistas consolidadas na Constituição de 1988. Sem sequer haver um processo democrático de revisão constitucional.

    Felizmente, menos de um ano depois do golpe parlamentar do Impeachment, a classe trabalhadora e o conjunto dos explorados e oprimidos já demonstraram que não aceitarão calados a esta situação absurda.

    A realização das maiores manifestações do dia internacional de luta das mulheres das últimas décadas e o dia nacional de lutas e paralisações, em 15 de março, muda o cenário, deixando evidente que haverá um grande movimento de resistência contra os ataques do governo ilegítimo de Temer.

    Este é o fato novo da conjuntura. Independente de avaliações distintas sobre a real correlação de forças entre as classes em nosso país, todos e todas devem concordar que a militância da esquerda socialista deve dedicar a maior parte de suas forças para que este movimento seja o mais forte e amplo possível. Ainda mais se tivermos a marcação de um dia de Greve Geral.

     Preparar a Greve Geral pela base

     Há muitos anos não existe uma verdadeira Greve Geral em nosso país.

    A década de 1990 foi marcada pelo auge do neoliberalismo no Brasil, durante os dois governos tucanos de FHC. Foi um período de forte ofensiva das grandes empresas e seus governos, e de defensiva da nossa classe.

    Depois, a partir de 2003, vieram os sucessivos governos do PT (Lula e Dilma), que foram marcados pela aliança com grandes empresários e bancos e por um processo de cooptação da maioria das direções sindicais, especialmente da CUT, na prática desmobilizando os movimentos da classe trabalhadora.

    A manobra reacionária do Impeachment, a intensificação do ajuste econômico, das reformas reacionárias e da retirada de direitos provoca uma alteração importante nos movimentos sindicais e populares.

    A maioria das direções destes movimentos, que antes apoiavam os governos petistas de aliança com os grandes empresários, agora estão na oposição. Em geral, estão a favor de mobilizar contra o governo, mesmo que queiram sempre impor limites ao desenvolvimento dos movimentos independentes dos trabalhadores.

    A esquerda socialista deve saber identificar com precisão esta nova situação por que passa nosso movimento de resistência. Adotando uma política ousada de preparação de nossas lutas e da possível Greve Geral. A partir dos locais de trabalho, estudo e moradia, construindo comandos de mobilização pela base.

    Para que uma Greve Geral aconteça em abril, com toda a força possível, será necessário prepará-la, com antecedência, envolvendo o maior número possível de ativistas na sua organização. Todos e todas devem começar por organizar o seu próprio local de trabalho e estudo para paralisar no próximo dia unificado de luta. Para isso, é importante organizar um comitê de base em nossos locais.

    Devemos procurar, em cada cidade, as centrais sindicais e os sindicatos e movimentos mais combativos para ampliar e coordenar estes comitês de base. Levando sua organização para as mais distintas regiões e bairros da nossa cidade.

    Nos dias que antecederem a paralisação nacional, estes comitês devem organizar agitações com panfletagens para informar a maioria da população de nosso movimento, ganhando o povo trabalhador para a necessidade de parar suas atividades neste dia histórico. E, para acumular força, temos que realizar um forte dia de luta em 31 de março. Mãos à obra!

     

  • Passado o 15M, é preciso marcar já uma nova data nacional de paralisações e mobilizações

    EDITORIAL 21 DE MARÇO |

    Diante da agenda de ataques do governo ilegítimo de Temer, temos insistido na necessária união de todas as forças da classe trabalhadora e dos oprimidos para a luta de resistência em defesa dos direitos dos trabalhadores e da juventude. Uma unidade na qual devem ter lugar todos os sindicatos, centrais, movimentos, coletivos, partidos de esquerda – ou seja, organizações dos mais diversos matizes ideológicos, em uma grande frente única para lutar da classe trabalhadora brasileira contra as reformas reacionárias do governo Temer(PMDB) apoiadas pelo legislativo, judiciário e grande mídia.

    Ao mesmo tempo, temos enfatizado, também, a tarefa de construir – no interior dessa diversidade, e não separando-se dela – uma nova alternativa política dos trabalhadores, que supere o lulismo e o petismo ou, em uma palavra, o projeto de conciliação de classes. Cremos que, dessa forma, poderia emergir da luta contra Temer uma esquerda pautada pela independência de classe, sem as mesmas alianças e os mesmos erros do passado, precisamente os que possibilitaram a ascensão do bloco golpista liderado por Temer.

    Todas essas grandiosas tarefas são, agora, reafirmadas pela existência de um fato novo na conjuntura do país. O dia nacional de lutas e paralisações, realizado no último dia 15 de março, levou a esperança de volta às ruas. A possibilidade de um avanço na resistência contra a reforma da previdência volta-se, agora, ao centro de nossas atenções.

    Enquanto a mídia corporativa, aliada de primeira hora de Temer, minimizava conscientemente o impacto do 15M, Esquerda Online e outras mídias alternativas demonstraram nitidamente a força de uma mobilização nacional, que se estendeu das capitais a diversos municípios no interior do país. Foram cerca de 150 cidades com mobilizações , alcançando assim, todos os estados do país e o Distrito Federal.

    Que a imprensa da burguesia, interessadíssima no fim da previdência, tenha tentado abafar a repercussão das grandes manifestações da semana passada não significa que o governo não ouviu o recado. O governo Temer e o poder legislativo estão cientes de que, de todo o seu pacote de maldades, a reforma da previdência é a medida mais impopular. Por isso, anteciparam outras votações, como a das terceirizações ou da cobrança de cursos em universidades públicas, buscando não polarizar o debate sobre a previdência com os movimentos sociais. Segue a luta, mais que nunca, na ordem do dia.

    É hora de aproveitar a força demonstrada no 15M para retomar de vez a iniciativa e colocar o governo contra a parede. Ficou evidente que foi a unidade de centrais, sindicatos e entidades que destravou a mobilização e recuperou a confiança na luta em dezenas de categorias Brasil afora. Ao mesmo tempo, não foi ainda a última cartada. Nem todos os sindicatos pararam e os que o fizeram, na maioria dos casos, não imprimiram carga máxima na mobilização das bases. Foi um primeiro passo. Fundamental e vitorioso, mas um primeiro passo que, para não retroceder, depende de seguir adiante.

    Consideramos que é urgente que as centrais sindicais marquem já um novo dia nacional de luta contra a reforma da previdência e que redobrem os esforços para uma mobilização ainda mais forte que a que vimos no 15M.

    É possível, dessa maneira, seguir ampliando o movimento contra Temer e o Congresso, pavimentando o caminho para uma autêntica greve geral no Brasil. Mas é preciso dar esse novo passo já, pois a inércia favorece ao governo – e não aos trabalhadores.

  • 21 de março: vidas negras importam

    Por: Camila Lisboa, de São Paulo, SP

    Há exatos 57 anos, o mundo olhou para a África do Sul e indignou-se. O massacre de Shaperville matou 69 negros e negras e essa ação criminosa e racista escancarou o Apartheid e a forte discriminação racial no país.

    Em uma manifestação pacífica, 20 mil protestavam contra a Lei do Passe, essa lei obrigava que negros e negras sul-africanos andassem com um caderno que controlava os locais em que podiam circular. O objetivo desta lei era consolidar a forte segregação racial que tomou conta do país, imposta pela elite branca, que conduzia o país sob uma aberta perseguição à maioria negra.

    A dureza com que a polícia sul africana enfrentou o ataque foi repudiada internacionalmente e a opinião pública internacional passou a questionar e repudiar o estado de Apartheid instalado no país. Em 1969, a própria ONU oficializou o dia 21 de março como Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial, em alusão ao ocorrido em Shaperville.

    O racismo e o preconceito ainda é muito presente no país. Apesar de a lei do Apartheid ser obsoleta em termos legais, é verdade que ainda a África do Sul vive sob forte segregação racial, que diferencia fortemente a população branca da população negra, e a maior tradução são as diferenças sociais entre negros e brancos no país.

    Em 2012, uma forte greve dos trabalhadores mineiros de Marikana, na África do Sul, escancarou essas diferenças. E os combates mortíferos que a polícia travou contra a onda grevista, de mais de 600 mineiros, seguiu revelando que a cultura do Aparthied persiste na África do Sul.

    A luta internacional dos povos contra o racismo e a discriminação segue na ordem do dia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sustenta um discurso de ódio contra povos e raças no mundo inteiro, colocando ao mundo inteiro a possibilidade de vários retrocessos no que diz respeito aos direitos de sobrevivência, o direito de existir com uma raça, uma etnia, um povo, uma religião.

    No Brasil, o racismo não se desenvolveu sob a forma da discriminação aberta, consolidou-se através de uma formação social que superexplorou a mão de obra escrava e criou o mito de que as diferenças entre negros e brancos não existiam, quando, na verdade, até hoje os negros e negras amargam as consequências sociais de séculos de escravidão e humilhação.

    Em um contexto de forte questionamento ao racismo, em que milhares foram às ruas nos Estados Unidos, dizer que Vidas Negras Importam, e que uma parcela importante do ativismo brasileiro se indigna com a atitude racista e estúpida de um segurança do Habibs que matou uma criança negra que pedia comida na porta do estabelecimento, a memória da indignação de Shaperville deve estar em nossas bandeiras, em nossas ações e em nossa luta.

  • Mais um agricultor, um dos líderes do MST, é assassinado no Pará

    Por, Gizelle Freitas de Belém

    Seguindo a tenebrosa realidade de trabalhadores e trabalhadoras rurais no Pará, nesse dia 20 de março de 2017, foi registrado o assassinato sumário de Waldomiro Costa Pereira (os motivos ainda não foram divulgados) um dos principais líderes do MST na região (militante do MST desde 1996), atualmente não participava das instâncias de direção do movimento, e ocupava um cargo de assessoria na Prefeitura de Parauapebas. Ele estava há dois dias internado, após sofrer um atentado no próprio sítio. Um grupo de homens encapuzados invadiram o hospital de Parauapebas, e foram direto à UTI onde estava Waldomiro, há imagens que registraram toda a ação. Portanto, há como identificar os assassinos e chegar até os mandantes.

    O número de assassinatos no campo no ano de 2016 superou a quantidade ocorrido no ano de 2015, segundo dados da CPT (comissão pastoral da terra). Esse dado fez o ano de 2016 o mais violento no campo desde 2003. O Estado do Pará ocupou o terceiro lugar em se tratando desse tipo de crime, inclusive nosso Estado é conhecido nacionalmente por conta de diversos massacres (como de Eldorado dos Carajás) de pequenos agricultores, camponeses, ativistas em defesa da floresta, militantes do MST, indígenas, líderes quilombolas.

    No dia 12 de dezembro de 2016 completou 11 anos do assassinato da missionária Dorothy Stang, morta num assentamento próximo a cidade de Anapu, no sudoeste do Pará, Dorothy era considerada mais um grande empecilho para os latifundiários da região, afinal a irmã lutava pela reforma agrária, poderíamos citar uma lista gigante de ativistas que tiveram o mesmo fim, como do casal extrativista José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, assassinados em Nova Ipixuna no Pará, no dia 24 de maio de 2011, por denunciarem atividades de madeireiras na região. Proporcionalmente é gigante a impunidade que ronda todos os casos, a própria CPT considera “vergonhosa” a baixa quantidade de mandantes e pistoleiros condenados nas últimas três décadas. É um fato histórico que a grilagem de terra avança em todo território nacional, principalmente, na Amazônia, promovendo perseguições, ameaças de morte, assassinato às lideranças camponesas.

    Os governos do PT não promoveram a tão sonhada reforma agrária, nem sequer minimizou a violenta realidade no campo, e tinha como grandes aliados, ruralistas e representantes do agronegócio, mas como o que está ruim ainda pode piorar, o governo Temer extinguiu o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a pasta foi transformada na Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, vinculada à Casa Civil. Não satisfeito também extinguiu a Ouvidoria Agrária Nacional, encarregada de prevenir e mediar os conflitos no campo.

    É fato que a impunidade impulsiona mais assassinatos no campo. O governo do Estado do Pará comandado por Simão Jatene (PSDB), deve ser responsabilizado, afinal é negligente também em se tratando de segurança da população, e pela falta de disposição política em apurar e punir crimes dessa natureza.

    Foto: Imagens da Câmera de Segurança do Hospital divulgada pela Rede Brasil Atual

  • Da Carne Fraca à Soberania: por uma revolução no sistema alimentar

    Por Anderson Santos

    O recente escândalo envolvendo as principais empresas do setor frigorífico nacional (JBS, BRF e diversos frigoríficos de peso regional) vem esquentando o debate nas mídias acerca de temas que envolvem política, economia e saúde. São pelo menos duas as questões fundamentais que se revelam a partir deste episódio: 1) o papel do Estado brasileiro na manutenção de um nefasto esquema de fraudes que favorecem o aumento da taxa de lucros de empresas-chave do agronegócio e 2) a falência de um modelo de produção de alimentos que garanta soberania e segurança alimentar e nutricional para nosso país.

    Caem as máscaras do agronegócio e seu mais fiel capacho, o Estado brasileiro

    O agronegócio brasileiro constitui uma cadeia produtiva complexa e integrada que envolve atividades econômicas mais diversas: agricultura, pecuária, agroindústrias, insumos agrícolas (fertilizantes, herbicidas, inseticidas, biotecnologia), biocombustíveis, processamento de derivados e até bancos de crédito. Setor econômico que em sua ampla composição é responsável por quase 30% do PIB nacional, o agronegócio expande fronteiras: somente nos exemplos das duas maiores empresas de produtos proteicos vemos a JBS e a BRF como empresas transnacionais, com operações muito mais abrangentes do que o mercado brasileiro.

    A JBS Internacional, com sede na Irlanda, controla operações que ultrapassam os US$ 35 bilhões de dólares no Brasil (JBS Brasil/Seara/Friboi), EUA (JBS USA/Pilgrim’s Pride/Moy Park), Canadá (XL Foods) e em várias outras extensões, se tornando a maior produtora de carnes do mundo, com mais de 80% do seu investimento proveniente do exterior.

    A Brasil Foods (BRF), fruto da fusão entre Sadia e Perdigão, conta com uma composição societária que envolve desde mais de um terço de capital estrangeiro, bem como Fundos de Pensão e bancos estatais, e expande seus negócios para o mercado asiático, como ficou comprovado na compra da FFM Further Processing da Malásia.

    Todo este império, hiperpatrocinado pelo Estado brasileiro através do BNDES, Caixa e Fundos de Pensão, impuseram nos últimos anos uma profunda reestruturação no setor buscando a competitividade no mercado internacional. O aumento da produtividade e do lucro médio das empresas se deu às custas da saúde dos trabalhadores com operações mais rápidas e extenuantes, e, como agora se vê, também dos consumidores, com a introdução de químicos cancerígenos e partes inapropriadas de animais no manejo de produtos alimentícios comercializados em todo o país.

    Ou seja, não só as empresas, mas o próprio Estado brasileiro (especialmente nos governos FHC, Lula, Dilma e Temer) são os responsáveis pelo aumento da exploração do trabalho em toda a cadeia produtiva agropecuária, pelos impactos ambientais causados por este modelo (desmatamento, agrotóxicos, transgenia) e pela insegurança alimentar e nutricional de toda a população.

    Portanto não se trata de defender a “indústria nacional” do agronegócio como fazem setores mais cínicos do reformismo ligados ao PT/PC do B (ao levantarem dúvidas quanto ao teor das denúncias apresentadas nas investigações da Polícia Federal), nem tampouco endossar o coro de que apenas a reintrodução de práticas seguras na produção (através de uma maior fiscalização por parte dos órgãos do Estado) sejam necessárias para reestabelecer a confiança no próprio agronegócio. Na verdade, o próprio sistema já é contaminado.

    Agroecologia e soberania alimentar: dois remédios para um sistema alimentar que está na UTI

    Um importante debate se abre diante da crise imposta: existe saída diante da internacionalização do capital que usurpou as culturas alimentares e impõe podridão e indignidade nas nossas mesas com a conivência do Estado? Seremos sempre reféns da sanha do capital, até mesmo quando se trata dos nossos gostos e corpos?

    Uma das grandes apostas de setores ligados ao antigo governismo foi o “investimento” na agricultura familiar. Este modelo, ainda que muito importante para a composição alimentar e econômica de milhões de famílias no Brasil, mostra claros sinais de esgotamento. Sem terras, verbas e assistência técnica, possui pouca participação na lucratividade média do setor agrícola nacional, especialmente porque está associado apenas à produção primária com baixíssimo valor agregado em seus produtos.

    Neste cenário dramático famílias cuja situação de vulnerabilidade social e de saúde são evidentes, heroicamente conseguem abastecer pequenos e médios circuitos de mercado, através de feiras e de algumas políticas públicas como a da alimentação escolar, sempre às custas de trabalho extenuante, com dificuldades em implantar práticas agrícolas ambientalmente sustentáveis e com produtos que são pouco atrativos nos centros urbanos, dada sua baixa praticidade culinária.

    Muito longe de estabelecer modelos prontos de produção agrícola/pecuária, é sobre algumas premissas que devemos nos debruçar para pensar tarefas neste campo estratégico para o debate político em nosso país. É preciso mudar a lógica e garantir a soberania alimentar transferindo o investimento público em setores privados internacionalizados para setores ligados aos trabalhadores, em especial aqueles organizados em movimentos e associações produtivas compromissadas com o pleno abastecimento interno com diversidade, qualidade e responsabilidade ambiental. Se faz necessário repensar a prática agropecuária com a adoção de modelos agroecológicos que respeitem os nossos biomas e introduzam comida de verdade nas nossas mesas. O investimento público deve estar a serviço de tecnologias que garantam quantidade e qualidade de alimentos respeitando culturas, histórias e modos de vida para favorecer práticas menos medicalizadas quando se trata de comida. Para que isso se torne realidade não há outro caminho senão a nacionalização de toda cadeia produtiva como elemento garantidor da soberania alimentar.

     

     

     

  • Carne fraca e devastadora

    Por Alexandre Zambelli, Bancário e militante do MAIS, de Belo Horizonte/MG

    Nesta sexta-feira mais uma operação da Polícia Federal estarreceu o país. Batizada de “Operação Carne Fraca”, apontou para um esquema de corrupção envolvendo empresários do ramo de frigoríficos e fiscais agropecuários do Ministério da Agricultura. Ao garantir a venda de carnes vencidas ou adulteradas, muitas delas com produtos químicos e outros potencialmente cancerígenos.

    Ainda há relatos de inserção de papelão em lotes de frango e carne de cabeça de porco em linguiça, além de troca de etiquetas de validade. Toda a operação expôs uma perversidade do sistema de garantir lucro a todo custo a despeito da saúde pública. Parte dos alimentos eram exportados e outra parte abastecia o mercado interno, incluindo fornecimento para aluno da rede pública do Paraná. A operação envolve grandes empresas do setor, como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, e também a JBS, que detém Friboi, Seara, Swift, entre outras marcas.

    A notícia chocou bastante por mexer com um setor que sempre foi visto como a “salvação nacional”, fruto das expressivas safras recordes de grãos nos últimos anos além do destaque na exportação de produtos como a própria carne e o café. É bem verdade que o Agronegócio tem papel importante na economia nacional. Ao longo dos últimos 20 anos sempre contribuiu com mais de 20% do PIB do Brasil(1).

    Características do agronegócio brasileiro

    É importante destacar as duas formas de organização da agricultura brasileira: patronal e familiar. Segundo dados do Censo Agropecuário de 2006(2), 84,4% do total dos estabelecimentos agropecuários brasileiros pertencem a grupos familiares. Apesar do numeroso contigente, a área ocupada por esse grupo não segue a mesma proporção. Os agricultores familiares ocupavam, no último levantamento, 80,25 milhões de hectares, o que corresponde a 24,3% da área ocupada pelos estabelecimentos agropecuários brasileiros. Estes resultados demonstram a estrutura fundiária ainda extremamente concentrada no Brasil, onde muitos tem pouca área, e poucos tem muita área. Estrutura essa que explica boa parte dos conflitos fundiários dos quais o Brasil historicamente passou e ainda passa.

    Mesmo ocupando apenas 24% da área agrícola brasileira, os estabelecimentos familiares respondem por 38% do valor bruto da produção nacional e por 34% das receitas no campo(3). A agricultura familiar ainda responde pela grande maioria da produção dos alimentos consumidos à mesa do brasileiro, como mandioca, feijão, leite e carne suína, além de expressiva produção de milho, café e arroz. Apesar da expressiva participação econômica, ela não é revertida em melhor financiamento.

    O Estado sempre teve importante contribuição no financiamento de toda a cadeia do agronegócio, através de linhas de custeio, investimento e comercialização. São várias as fontes de recursos, mas a maoior parte é proveniente de fundos e programas do BNDES e fundos constitucionais. Dado mais recente, o Plano Agrícola e Pecuário do período 2016/2017, que estabele as diretrizes das linhas de financiamento destinada ao médio e grande produtor, garantiu a liberação de R$ 202,88 bilhões em crédito. Em contrapartida, o Plano Safra da Agricultura Familiar 2016-2017 garantiu R$ 30 bilhões, volume expressivamente menor.

    Desde junho de 2007 até 2013, o BNDES já investiu cerca de R$ 9,5 bilhões nos três maiores frigoríficos do país: os dois citados no começo (JBS e BRF.) além da Marfrig, entre linhas de financiamento direto e participações acionárias. Esse pacote de bondades sempre se refletiu nas doações eleitorais. Somente em 2014 a JBS doou, entre vários candidatos e partidos, R$ 366,8 milhões, sendo a maior doadora, seguida da construtora Odebrecht. Ainda há de se destacar a expressiva bancada no congresso ligado ao setor(4).

    É fato, o agronegócio brasileiro gera muita riqueza, mas às custas de toda sorte de exploração. O agronegócio é o setor da economia que mais recruta pessoas para trabalhar em regime semelhante ao da escravidão. No âmbito dos frigoríficos há uma série de problemas envolvendo condições de trabalho. Estudos mostram que as empresas deixam de cumprir diversas disposições legais sobre segurança e saúde, iniciando por deixar de informar aos trabalhadores os riscos que possam originar-se nos locais de trabalho(5). O ambiente é insalubre, há constante desrespeito às jornadas de trabalho e períodos de descanso, e a elevada carga de movimentos repetitivos ocasionam alta incidência de doenças osteoarticulares(6).

    Ainda há todo impacto sócio-ambiental causado por este setor. Seja através de desmatamentos, queimadas, desrespeito às leis ambientais nas produções próximas a rios e nascentes, e danos causados pelo intenso uso de agrotóxicos, que agridem a saúde pública, aliado à venda de produtos adulterados ou vencidos, como exemplificado na Operação Carne Fraca. Porém podemos observar que há modelos alternativos ambientalmente mais sustentáveis e capazes de gerar mais emprego e renda. Estes modelos em grande parte estão relacionados à agricultura familiar, que se mostra capaz de gerar uma produção considerável apesar do pouco incentivo econômico e de uma estrutura de distribuição de terra que o desfavorece. É preciso se apoiar nestes modelos para superar a estrutura que o capitalismo fez no meio rural.

    1 PIB do Agronegócio – Dados de 1995 a 2015. Disponível em http://www.cepea.esalq.usp.br/br/pib-do-agronegocio-brasileiro.aspx

    2 O Censo Agropecuário de 2006, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda é o levantamento oficial mais recente realizado pelo Instituto. Suas informações estão disponíveis em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/agropecuaria/censoagro/

    3 www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option5334=com_conten5334t&id=2512:catid=28&Itemid=23

    4 http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/conheca-as-11-bancadas-mais-poderosas-da-camara/

    5 Processo de trabalho e condições de trabalho em frigoríficos de aves: relato de uma experiência de vigilância em saúde do trabalhador. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/csc/v19n12/1413-8123-csc-19-12-04627.pdf

    6 “Moendo Gente” mostra as condições de trabalho nos frigoríficos do Brasil. Disponível em: http://reporterbrasil.org.br/2012/09/quot-moendo-gente-quot-mostra-as-condicoes-de-trabalho-nos-frigorificos-do-brasil/

  • 15 de Março: Metroviários reconquistam o instrumento da greve e o apoio da população

    Por Eli Moraes, São Paulo, SP

    Como parte das mobilizações nacionais do 15 de Março, os metroviários de São Paulo deflagaram uma greve de 24h, que fortaleceu a mobilização na maior capital do país. Com paralisações e manifestações, a data teve como centro a oposição à reforma da previdência e das leis trabalhistas do governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB). Tais projetos terão como resultado, na prática, o fim do direito à aposentadoria (ao exigir uma idade mínima de 65 anos, e um tempo de contribuição à previdência de 49 anos), e a perda da maioria dos direitos trabalhistas ainda garantidos pela CLT.

    Desde a greve de 2014, a apreensão tomava conta da categoria metroviária. As conhecidas práticas antissindicais da empresa e do governo tucano de Alckmin (PSDB) são o principal motivo para o receio de retomar o instrumento da greve. Como é conhecido, na última da greve da categoria, apesar das vitórias econômicas conquistadas, a repressão do governo veio na forma de prisões, seguidas de processo criminal e demissões de ativistas e dirigentes sindicais. Também em 2007, ano em que a categoria protagonizou duas greves (uma contra a Emenda 3, do governo Lula, e outra pela garantia do direito à PLR dos metroviários) o governo respondeu com demissões e retaliações, algumas das quais foram revertidas.

    O dia 14 de março, quando ocorreu a assembleia que definiria a posição da categoria, foi de reflexão. Ainda pela manhã, poucos acreditavam na possibilidade real de uma greve. O clima foi virando ao longo do dia, com as notícias de que o 15 de Março seria marcado por uma grande luta, com diversas categorias em unidade contra as medidas impopulares de Temer. Ao longo do dia, os trabalhadores e trabalhadoras debateram nos locais de trabalho, nos grupos de aplicativos de celular e na própria assembleia. Em geral, estava presente o acordo de que não se podia aceitar as medidas do governo e algo precisava ser feito.

    Ao fim da noite, a assembleia do Sindicato dos Metroviários tomou a decisão pela paralisação de 24 horas. A partir daí, o ativismo se jogou na organização da greve. Concentrações foram realizadas em áreas estratégicas de trabalho: os pátios de manutenção e as bases do tráfego. Mas o principal termômetro foi a adesão da própria categoria à decisão. Mesmo os que estiveram em dúvida durante o dia, buscaram legitimar a assembleia, pelo acordo com a pauta e pela força do movimento nacional. A maior parte da categoria se recusou a trabalhar neste dia 15 de Março. E dentre a minoria que furou a greve já muitos se declaram arrependidos.

    Os metroviários e metroviárias deram um passo para retomar sua autoconfiança. E demonstraram a força de mobilização que têm. Até as 9h da manhã do dia 15 de Março, o Metrô de São Paulo ficou completamente paralisado. A partir deste horário, a empresa colocou em ação um plano de contingência utilizando os trabalhadores que furaram greve e a chefia para rodar trens e estações. Uma prática que, além de antissindical, coloca em risco a vida dos passageiros, pois operam-se trens e estação com funcionários sem o devido treinamento e experiência, além de, em geral, não haver manutenção dos equipamentos nos dias de greve, devido à grande adesão desta área ao movimento. Ainda assim, as notícias até o momento demonstram que o plano de contingência não conseguiu garantir sequer 15% do funcionamento comum da empresa. A linha 1-Azul, por exemplo, que em um dia normal tem 50 trens circulando, funcionou com apenas 6, pelas informações que temos.

    Mesmo com o funcionamento parcial da empresa, e com a greve ter, aparentemente, demonstrado uma radicalidade menor do que em 2014, o fato é a categoria retomou seu clássico instrumento de luta, surpreendendo a empresa, o governo, e a si própria em alguma medida. E isto foi feito em uma greve em unidade com muitas outras paralisações no país, com uma pauta política de enfrentamento ao governo. A adesão deve ter chegado a algo entre 85% e 90% dos trabalhadores e trabalhadoras. De tal forma, que não há notícias de enfrentamentos durante a greve, pois na maior parte dos locais de trabalho, apenas a chefia, desmoralizada, apareceu para bater o ponto. Mesmo um setor muito precarizado da categoria, os jovens aprendizes (trabalhadores de 17 a 21 anos que recebem salários muito abaixo do piso da empresa) paralisaram em grande medida. Talvez a maior dificuldade encontrada tenha sido no envolvimento dos terceirizados, sendo que nos pátios de manutenção acabaram entrando para trabalhar, por exemplo, os trabalhadores dos refeitórios, limpeza e guarda patrimonial.

    De qualquer forma, o principal motivo de tão alta adesão entre os metroviários é a unidade que se construiu em torno da data, além do próprio repúdio às reformas. Esta unidade se expressou no interior da categoria com uma defesa conjunta dos setores da diretoria do sindicato e do ativismo em torno da paralisação. Houve uma polêmica se ela deveria durar 12 horas ou 24 horas, decidindo-se pela última, por envolver o conjunto da categoria.

    No entanto, foi mais importante a unidade construída externamente à categoria, entre as centrais sindicais, movimentos sociais e partidos políticos de oposição. Os metroviários encorajaram-se a aderir à greve na medida em que viram que outras categorias seguiriam o movimento e esperavam ansiosamente pela greve do Metrô. Neste sentido, paralisaram também os metrôs de Belo Horizonte e Recife. Condutores de ônibus de várias cidades, incluindo São Paulo, também participaram do movimento. O setor dos transportes, portanto, foi um grande peso neste 15 de Março. E a unidade de ação entre os setores de oposição ao governo foi a principal base da confiança dos trabalhadores em sua capacidade de luta e suas possibilidades de vitória.

    Outra marca da paralisação foi o apoio majoritário da população ao movimento e à categoria. Ainda na manhã do dia 14 de março foi organizada a tradicional distribuição de Carta Aberta à População do Sindicato dos Metroviários. A carta desta vez alertava a população sobre a possibilidade de greve e seus motivos. Já aí foi possível sentir o apoio popular. Alguns passageiros perguntavam o local do ato no dia 15, e declaravam apoio à mobilização nacional contra a reforma.

    Mas a profundidade do apoio à greve do dia 15 impressionou a todos. Logo após sua deflagração a empresa lançou uma postagem nas redes sociais em que afirmava que a população seria a principal prejudicada e ameaçava diversas retaliações à categoria. O resultado foi uma avalanche de comentários achincalhando a Companhia, denunciando sua prática assediadora e declarando oposição às medidas de Temer. Os internautas também demonstravam seu repúdio à decisão judicial que exigia 100% de funcionamento em um dia de greve. O mesmo aconteceu, por exemplo, em uma postagem do MBL contra as greves do dia 15.

    Ao longo do dia, no entanto, o apoio foi crescendo e passou a furar o bloqueio da mídia. Inúmeros portais anunciaram manchetes em que os metroviários eram aplaudidos pela população nas portas das estações fechadas. Mesmo sem conseguir chegar a seus locais de trabalho, a população majoritariamente declarou apoio. Curiosamente a maior parte das reclamações populares se deu devido ao fato de o metrô funcionar parcialmente por conta do plano de contingência da empresa. Seu desejo era que “tinha que parar tudo”!

    No coroamento do dia, um ato de cerca de 200 mil pessoas na Avenida Paulista, o clima na coluna organizada pelo Sindicato dos Metroviários era de alegria, moralização e dever cumprido. Os grevistas, diretores sindicais e ativistas de base presentes demonstravam o alívio com a grande adesão da categoria e felicidade com o sucesso da paralisação. O instrumento da greve foi recuperado ao repertório de mobilização dos metroviários. A prova disso, a principal palavra de ordem gritada na coluna, em referência a 2014, e dessa vez dirigida a Temer, além de Alckmin. Mais uma vez, os metroviários demonstraram:

    Não tem arrego”!

  • 100 mil pessoas nas ruas de Belo Horizonte

    Da Redação

    Em Belo Horizonte, o protesto do 15M é uma das maiores manifestações recentes da cidade. A passeata terminou há poucos minutos.

    Pelas ruas se viam milhares de ativistas das categorias que paralisaram suas atividades no dia de hoje.

    Na capital mineira houve paralisação dos metroviários, dos professores (estaduais e municipais), dos petroleiros (Betim), dos servidores públicos, dos eletricitários, dos funcionários dos Correios, entre outros trabalhadores.

    Os estudantes também tiveram forte presença no protesto, tanto os universitários, como os secundaristas.

    Professores da Rede Municipal, representados pelo SindRede se reuniram logo cedo em assembleia, na Praça Afonso Arinos. A categoria entrou em greve até o dia 28 de março, data prevista para votação no Congresso Nacional da PEC 287, Reforma da Previdência.

    Os professores  da Rede Estadual também estão em greve até o dia 28 de março, seguindo o calendário da CNTE. As demais categorias aderiram à paralisação de 24 horas e voltam ao trabalho amanhã.

    O ato encorajou ativistas e contagiou todo o centro da cidade. A força da mobilização e apoio dos transeuntes que caminhavam pelas ruas demonstrou que a Reforma da Previdência é amplamente odiada pelos mineiros.

    Veja as fotos:

    Bh 1

    Foto: Redação BH

     

    BH 6

    Foto: SindRede BH

    BH 4

    Foto: Redação BH

    BH 7

    Foto: CUT MG

     

     

     

     

     

    Foto de Destaque: Diego Franco David

  • 15 de março será forte em Belo Horizonte – Confira o que vai parar

    Por Bernardo Lima, de Belo Horizonte

    O dia nacional unificado de lutas contra a Reforma da Previdência será forte em Belo Horizonte. Diversos sindicatos e movimentos entrarão em greve e se encontrarão no centro da cidade para manifestar. Confira o que vai rolar e não deixe de participar:

    Praça Afonso Arinos (concentração 9h): Os trabalhadores em educação da rede municipal farão assembleia enquanto os movimentos sociais ligados à CSP-Conlutas concentram para uma grande manifestação em direção à Praça Sete.

    Praça da Estação (concentração 9h): As frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, CUT, CTB e sindicatos filiados concentrarão para marcha em direção à Praça Sete. Os metroviários, educadores da rede estadual, petroleiros e eletricitários em greve concentram aqui.

    Movimento Popular: As ocupações e movimentos populares ligados ao Luta Popular, MLB e Brigadas Populares serão mobilizados para participar.

    Movimento Estudantil: Os estudantes secundaristas e universitários estarão em peso na manifestação convocados pela ANEL, UNE, UBES, AMES-BH e outras entidades.

    Além disso, várias categorias farão Greves e paralisações. Confira:

    Educação: Estarão em greve amanhã os trabalhadores em educação (Sind-REDE e SINDUTE) e diversas escolas particulares (Loyola, Santo Agostinho e Santo Antônio confirmaram paralisação). Os servidores da UFMG e CEFET também irão paralisar. A PUC-MG estará em greve.

    Metroviários: A categoria paralisa o dia inteiro. Não rodará trens em nenhum horário.

    Petroleiros: Confirmada greve na refinaria nos turnos da manhã e da tarde.

    Correios: A categoria aderiu à greve nacional.

    Eletricitários: Diversas assembleias foram realizadas pelo Estado de Minas indicando paralisação para o dia 15.

    Servidores Municipais (Sindbel): Paralisarão no dia 15.

    Metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem: sindicato promete fazer mobilização na parte da manhã.

    Saúde Pública: O sindicato está indicando paralisação e participação na manifestação.

    Se a sua categoria deliberar pela greve nos atualize. O dia 15 de março será um grande dia em Belo Horizonte para colocar os trabalhadores e o povo em ação contra a Reforma da Previdência de Temer.