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  • URGENTE | Centrais sindicais confirmam greve geral no dia 30 de junho

    Da Redação

    As centrais sindicais se reuniram, na tarde desta sexta-feira (23), e definiram que a greve geral está mantida para o dia 30 de junho. Com o mote “Vamos parar o Brasil contra a reforma trabalhista, em defesa dos direitos e da aposentadoria”, os trabalhadores do país vão parar as atividades.

    “Vamos colocar o bloco na rua. Saiu a unidade das centrais e dia 30 é dia de greve geral para derrubar Temer e derrotar as reformas”, disse o coordenador geral da Fasubra e membro da Executiva da CSP-Conlutas Gibran Jordão, em entrevista ao Esquerda Online logo após o término da reunião.

    Além do dia 30 de junho, ficou decidida a realização de atividades nos aeroportos do país nos dias 27 e 29, para pressionar os Senadores a votarem contra as reformas de Michel Temer (PMDB). O principal local é o aeroporto de Brasília. As centrais estão marcando, ainda, um protesto para o dia 28 de junho, data prevista para entrar em pauta a Reforma Trabalhista no Senado Federal. Há três dias, em Comissão de Assuntos Sociais do Senado, a Reforma Trabalhista foi rejeita, mas ainda precisa ir para plenário, onde será decidida pela sua implementação, ou não.

    O também membro da executiva da CSP-Conlutas, uma das centrais que participaram da reunião e defendeu a manutenção do dia 30 como uma data de greve geral, considerou como fundamental a manutenção da data. “Depois do informe das centrais com um debate acalorado, ficou definido que, no dia 30, o Brasil vai parar contra a Reforma Trabalhista, em defesa dos direitos e da aposentadoria. Apesar do atraso das centrais e do jogo que gerou insegurança em muitas categorias, agora é arregaçar as mangas e fazer um grande dia 30, como foi o dia 28. Esse governo é um governo contra a classe trabalhadora brasileira, um governo que está em crise. Essa é a hora. É possível parar as categorias e fazer um grande movimento, uma grande paralisação no dia 30”, argumentou.

    A opinião foi corroborada pelo membro da executiva da Apeoespe, um dos maiores sindicatos do país. Richard Araújo convocou todos os profissionais em educação a aderirem ao movimento. “Desde já, chamamos os trabalhadores em geral, particularmente os trabalhadores em educação, que foram fundamentais para construir o movimento de luta contra as reformas, a tomarem as ruas, organizarem as suas comunidades. Vamos construir um grande dia 30, porque é possível derrubar Temer, as reformas e defender os diretos dos trabalhadores”, concluiu.

    Vídeo

    Leia a íntegra da nota das centrais, com o calendário de lutas aprovado:

    NOTA DAS CENTRAIS SINDICAIS

    23 de junho de 2017, São Paulo, SP

    DIA 30 DE JUNHO – VAMOS PARAR O BRASIL CONTRA A REFORMA TRABALHISTA, EM DEFESA DOS DIREITOS E DA APOSENTADORIA

    As Centrais Sindicais têm acompanhado cotidianamente os desdobramentos da crise econômica, política e social, bem como a mais ampla e profunda tentativa de retirada dos direitos dos trabalhadores, através da tramitação das Reformas Trabalhista e da Previdência no Congresso Nacional.

    A ação unitária das Centrais Sindicais tem resultado em uma grande mobilização em todos os cantos do país, como vimos nos dias 08 de março, 15 de março, na Greve Geral de 28 de abril e no Ocupa Brasília em 24 de maio. Como resultado do amplo debate com a sociedade e das mobilizações, conseguimos frear a tramitação da Reforma da Previdência e tivemos uma primeira vitória na Reforma trabalhista, com a reprovação na CAS (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado).

    Mas ainda não enterramos essas duas reformas, e por esse motivo, continuamos em luta.
    Nesse contexto, as Centrais Sindicais reunidas no dia de hoje conclamam todas as entidades de trabalhadores a construir o dia 30 de junho de 2017 e o seguinte calendário de luta:

    • 27 de junho: audiência dos Presidentes das Centrais Sindicais no Senado;
    • 27 a 29 de junho: atividades nos aeroportos, nas bases dos senadores e no senado federal;
    • 30 de junho: Vamos parar o Brasil contra a reforma trabalhista, em defesa dos direitos e da aposentadoria.
    • No dia da Votação da Reforma Trabalhista no Senado: mobilização em Brasília
    Estamos certos de que a unidade de ação é crucial na luta sindical sobretudo em momentos conturbados como o que atravessamos.

    CGTB – Central Geral dos Trabalhadores do Brasil
    CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros
    CSP Conlutas – Central Sindical e Popular
    CTB – Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil
    CUT – Central Única dos Trabalhares
    Força Sindical
    Intersindical – Central da Classe Trabalhadora
    NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores
    UGT – União Geral dos Trabalhadores

  • O papel das centrais sindicais diante do impasse brasileiro

    Editorial 16 de junho

    O desenvolvimento da crise política e econômica no Brasil desde o impeachment, até os dias de hoje, já gerou um tal número de acontecimentos que fazem parecer que os dias estão valendo anos.

    Estamos diante de uma conjuntura polarizada. Os trabalhadores estão demonstrando disposição de responder à ofensiva da burguesia. Isso se dá por dois motivos:

    1- A unidade entre as centrais sindicais e movimentos sociais avançou na organização dos trabalhadores, sendo possível construir grandes manifestações e greve geral, impactando a conjuntura.

    2- A duríssima luta entre as distintas frações da burguesia tem aprofundado a crise política e dificultado a articulação do governo para aprovação de todas as reformas.

    Temer luta encarniçadamente para sobreviver
    O governo Temer tem sido hábil e previamente construiu as condições para que o TSE o absolvesse. Não só Gilmar Mendes cumpriu um papel decisivo, mas Temer já tinha trocado dois ministros do TSE. Recentemente, para se blindar e escapar da cassação, os dois votaram a seu favor. O plano deu certo.

    Em outra manobra, para evitar que o PSDB saia do governo, chantageia Aécio Neves, ameaçando-o de cassação no Conselho de Ética do Senado, controlado pelo PMDB. A cada dia, Temer tem que matar um leão na luta fracional que está se desenvolvendo entre a própria burguesia. Mas, não é possível saber até quando conseguirá ter algum controle da situação.

    Temer também tem, na aprovação das reformas, outro meio de ganhar apoio político dos senhores do capital. As coisas não estão fáceis. Na Câmara dos Deputados, a Reforma da Previdência estacionou por conta da crise política e Temer sabe que isso é péssimo. Já no Senado, Temer vem conseguindo avançar com a Reforma Trabalhista, que está tramitando entre as comissões e tem previsão para ir a plenário já no final de junho. Seria muito importante para o governo e para o próprio Congresso ganhar a confiança do capital e tentar apaziguar a crise política, se conseguisse aprovar a Reforma Trabalhista no Senado. Estão trabalhando duro para isso.

    Esse é o pior momento do governo Temer, desde o impeachment e, portanto, estamos diante de uma oportunidade que não ficará no cenário político para sempre. As condições políticas estão mais favoráveis para a derrubada de Temer através da ação do movimento de massas e seus métodos de luta, greve geral e manifestações de rua. Mas, para isso, é absolutamente decisivo que a frente única entre as centrais e o calendário unificado acordado possa ter continuidade, com o objetivo de fazer mais e maior que a greve geral que fizemos em abril.

    Temer sabe que as ações unificadas das centrais pode acabar com o seu governo e vem tentando desmobilizar e desmontar a unidade entre as centrais, se utilizando do imposto sindical como moeda de troca nas negociações da Reforma Trabalhista. Como também busca negociar com a cúpula petista um armistício para todos se salvarem, o que pode ser uma pressão sobre parte importante das centrais.

    Dois erros que precisamos combater
    Diante de um cenário no qual o governo de Michel Temer está com popularidade na lama e outras delações podem incinerar de vez a sua imagem e numa crise econômica sem solução a curto prazo, as centrais sindicais não têm o direito de errar. Qualquer recuo oportunista, ou postura ultraesquerdista nesse momento, pode ser um erro que ajudará a burguesia a achar uma saída para a crise política. Podem conseguir retomar o controle para avançar no saque de direitos sociais e democráticos. A fratura exposta da crise interburguesa não ficará assim por muito tempo e os próximos meses serão decisivos. O impasse vai se definir a favor, ou contra os trabalhadores.

    As centrais sindicais não podem recuar nesse momento para garantir uma negociação que envolve o imposto sindical. Seria uma grave traição oportunista abandonar a luta dos trabalhadores para manter os cofres dos sindicatos cheios de dinheiro através de financiamento estatal. Outra grave traição seria, nesse momento, desmobilizar os trabalhadores em nome de um grande acordão entre PT, PMDB e PSDB, para todos se salvarem.

    É por isso que a reunião entre as centrais ocorrida no dia 14 de junho cometeu erros importantes, pois não contou com a presença de todas as centrais. A Csp-Conlutas não foi convidada e não esteve presente. O que é ruim para a unidade. Além disso, essa reunião jogou confusão e desconfiança no movimento, o que também abala a unidade para lutar. Muitos estão se questionando se haverá mesmo a greve geral dia 30 de junho. E muitos estão desconfiados sobre o porquê há um movimento para não fazer greve geral. Tudo isso é bom só para o governo e não para os trabalhadores.Mas, não existem somente os erros oportunistas, há também erros ultraesquerdistas e divisionistas que precisamos combater.

    No último final de semana, entre os dias 09, 10 e 11 de junho, ocorreu a reunião da coordenação nacional da Csp-Conlutas, que aprovou uma importante resolução de conjuntura que acerta em dar prioridade à construção do calendário unitário entre as centrais e a construção da greve geral no dia 30 de junho.

    Mas, ao mesmo tempo que comete esse grande acerto, essa mesma resolução comete um erro sectário e ultraesquerdista quando contrapõe a greve geral, um método de luta, contra as mobiliações pelas diretas, uma reivindicação democrática.

    Infelizmente, os companheiros da direção majoritária da central resolveram abrir fogo contra as manifestações que começam a crescer no país exigindo ‘diretas, já’ e isso ajuda a dividir todo o movimento que se choca contra Temer hoje.

    É verdade que são manifestações que têm limites e em muitos lugares suas direções têm como projeto apoiar Lula em 2018. Também é verdade que o correto nesse momento é não exigirmos eleições somente para presidente, o mais consequente é defender eleições gerais para presidente e a para o Congresso.

    Mas, precisamos sempre nos lembrar que não fazemos unidade com essas centrais porque confiamos, ou porque temos total acordo com suas direções. A unidade entre as centrais se dá porque é a unica possibilidade de conseguirmos mobilizar o maior número possível de trabalhadores para lutar contra a brutal ofensiva do governo e da burguesia contra direitos históricos. Infelizmente, CUT e Força sindical, entre outras centrais, possuem muita influência entre os trabalhadores, em especial no movimento operário. E seria impossível que somente a Csp-Conlutas solitariamente fizesse uma greve geral e parasse a produção e a circulação de mercadorias num país de dimensões continentais.

    Da mesma forma, a unidade no movimento pelas diretas não se dá porque confiamos e temos acordo com as direções desse movimento, a unidade tem outro objetivo para nós. Nossos objetivos estão na possibilidade de fazer propaganda da greve geral e da luta contra as reformas para mais trabalhadores. Na disputa dos trabalhadores para a ideia de que não adianta somente diretas para presidente, mas de que é necessário trocar também o Congresso. Ainda, no agito da necessidade da construção de uma Frente de Esquerda e Socialista contra a conciliação de classes.

    Nesse marco, o papel que as centrais sindicais precisam cumprir nesse momento é de batalhar para unificar a luta em defesa de direitos sociais e reividicações democráticas, criando um movimento de massas com força suficiente para resolver o impasse a favor dos trabalhadores, derrubando Temer, derrotando as reformas e impedindo uma saída via eleições indiretas. A unidade entre as centrais, movimentos sociais e organizações políticas para mobilizar os trabalhadores através de greve geral e grandes manifestações de rua é a nossa arma no momento.

    Como disse Leminski, “Na luta de classes todas as armas são buenas, pedras, noches, poemas…”

  • As tarefas da greve geral e das mobilizações em junho

    Derrubar Temer, derrotar as reformas e impor as eleições diretas e gerais, já

    Por: Gibran Jordão, de Brasília, DF
    *membro da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas e da Coordenação Geral da Fasubra

    As centrais sindicais reunidas nesta segunda-feira (05), pela manhã, definiram um calendário unificado de lutas. Marcaram um dia nacional de mobilização para 20 de junho e uma nova greve geral no dia 30 do mesmo mês. Diante da situação em que vive o país, o ideal seria uma nova greve geral de 48 horas, como defendeu a representação da CSP-Conlutas, mas não houve acordo entre as centrais sndicais e, depois de muito debate, foi possível acordar, entre todas, uma nova greve geral pelo Fora Temer e contra as reformas Trabalhista e da Previdência.

    As experiências em construir a greve geral de abril e a recente marcha a Brasilia no dia 24 de maio provaram que a frente única entre as centrais tem sido o elemento decisivo para mobiliar milhões. Valorizamos muito essa decisão em marcar uma nova greve geral para fazer um enfrentamento à altura contra a ofensiva da burguesia que quer aprovar de qualquer jeito as reformas que retiram direitos no Congresso Nacional.

    Outra importante reunião aconteceu em Brasilia, também nessa segunda-feira, chamada pela Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo. Teve adesão de várias centrais, sindicatos e organizações políticas, que definiram por lançar uma Frente Ampla pelas ‘Diretas, Já’ e nem um direito a menos. O objetivo dessa reunião foi lançar um amplo movimento pelas diretas, mas demarcando também a luta contra as reformas.

    A maioria do povo brasileiro apoia o Fora Temer, é contra as reformas da Previdência e Trabalhista e não aceita que esse Congresso corrupto decida quem deve governar o país. Essas duas reuniões que aconteceram nessa segunda-feira refletem a evolução da luta de classes no país e o desejo de uma ampla base social formada por trabalhadores urbanos, camponeses, setores da classe média, ativistas das lutas contra as opressões e a juventude.

    Estamos vivendo num momento que os dias valem décadas e, desde a greve geral de abril, até esse início do mês de junho, as crises política e econômica no país se aprofundaram. Já são mais de 12 milhões de desempregados e, a cada dia que passa, aparecem mais escândalos de corrupção envolvendo o governo Temer e o Congresso Nacional. Temer balança, mas não cairá sozinho. O Congresso tem dificuldades em aprovar as reformas, mas elas não serão arquivadas por mágica. A maioria do povo apoia as ‘diretas, já’, mas a eleição indireta será a saída, se não houver forte mobilização de rua.

    Unificar as reivindicações sociais, econômicas e democráticas
    Está crescendo no imaginário social o ódio de classe contra Temer e suas reformas e, diante da possível queda do governo, o desejo é por eleições diretas. É o que vemos nas ruas, nos locais de trabalho, nas escolas, nas manifestações, como também confirmam essa tendência todas as pesquisas de opinião pública. Esse sentimento é muito progressivo e devemos impulsioná-lo, ainda que possamos ter diferenças políticas entre os mais variados setores do movimento sindical e popular. Nesse momento decisivo da história do país e da luta de classes brasileira, seria um erro grave contrapormos a greve geral com o movimento pelas ‘diretas, já’. É tudo ao contrário, precisamos unificar as reivindicações sociais e econômicas com as bandeiras democráticas.

    Por conta de conveniências eleitorais não podemos cair no erro oportunista de agitar as ‘diretas, já’ como a única tarefa dos trabalhadores nesse momento, secundarizando a luta contra as reformas e a greve geral como método de luta. Como também não podemos cometer o erro sectário de ignorar as reivindicações democráticas que são progressivas nesse momento e que podem impor uma derrota histórica para a burguesia que já negocia nos bastidores as eleições indiretas.

    A greve geral e as mobilizações de rua que vão acontecer em junho possuem tarefas históricas as quais jamais podemos deixar nas mãos da direita e de setores do regime. É preciso que o movimento sindical e popular entrem em cena com tudo. Temer e o Congresso não vão recuar com as reformas, como também o STF e o judiciário não vão garantir uma saída democrática diante da crise política em que vivemos. A greve geral e as mobiliações de rua são métodos de luta da classe trabalhadora os quais precisam assumir tarefas e ter objetivos claros. E na conjuntura imediata brasileira o movimento dos trabalhadores precisa assumir sem vacilos a luta pela derrubada de Temer, para derrotar as reformas e impor eleições diretas para presidente a para o Congresso.

    Caso o movimento de massas conseguir alcançar esses objetivos nos confrontos de rua que vão sacudir o país no próximo período, estaremos diante de um cenário no qual os trabalhadores poderão retomar a ofensiva. Mas, caso nos dividamos e não soubermos unificar as reivindicações sociais e democráticas que estão na boca dos trabalhadores, poderemos estar diante de uma derrota histórica.

    Foto: Carol Burgos | Esquerda Online

  • Começa o show pelas Diretas no Largo da Batata em São Paulo

    Largo da Batata, zona oeste de São Paulo, o Metro Faria Lima não está funcionando mas ainda assim o largo fica mais cheio a cada minuto. O ato pelas Diretas Começou por volta das 12 horas, Chico César abriu o show em grande estilo com o clássico: “Mama África”.

    Vários ativistas dos movimentos sociais estão presentes reforçando a campanha pelo Fora Temer e Diretas Já:

     

     

  • PEC 29/2015: em surdina, Senado avança com proposta que veta aborto legal

    Enquanto todos os holofotes estavam direcionados para a crise política, no dia 16 de maio, o relator e senador Eduardo Amorim (PSDB/SE) apresentou seu parecer favorável ao avanço da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 29/2015

    Por: Gisele Peres, de São Paulo, SP

    Estamos enfrentando um período de ataques contra direitos da classe trabalhadora e, infelizmente, não somente os direitos trabalhistas e previdenciários que estão na ordem do dia. Há inúmeras propostas que ameaçam os direitos reprodutivos e os direitos das mulheres, e a PEC 29/2015 é uma das maiores expressões deste retrocesso.

    Atualmente, o artigo 5° da Constituição diz: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:”. A proposta prevê uma alteração no seguinte trecho: “garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito a vida desde a concepção”.

    No país que uma mulher morre a cada 9 minutos em decorrência de abortos clandestinos, os autores do projeto se dizem preocupados em “defender a vida”, utilizando o argumento que a constituição não protege os embriões.

    Na prática, qualquer interrupção voluntária da gravidez será considerada crime. Ou seja, até mesmo os abortos em caso de risco à vida da gestante, estupro ou fetos com anencefalia, hoje legais, serão considerados atos criminosos.

    O projeto vai ainda mais longe, se todo embrião for considerado uma vida, até mesmo os que estão congelados em clínicas de reprodução assistida terão seus direitos preservados por lei. Pesquisas com células-tronco também seriam proibidas.

    A rapidez da tramitação deste projeto é tão alarmante quanto seu conteúdo. Em 6 de abril deste ano, o presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, Edson Lobão (PMDB/MA), designou o relator, senador Eduardo Amorim (PSDB/SE) que, em apenas 50 dias, apresentou seu parecer favorável.

    Nas ruas e nas redes sociais, as mulheres têm se organizado para lutar pela legalização do aborto. Cabe ao Estado legalizar a prática do aborto e evitar os males maiores dos abortos realizados sem assistência médica: os danos à saúde ou mesmo a morte das mulheres. Esta mudança na lei talvez não faça muita diferença para as mulheres ricas que não sentem na pele as consequências de sua criminalização; mas para as mulheres pobres, a legalização do aborto seria a única lei que, de fato, poderia ser chamada de “pró-vida”.

  • Depois de 24 horas de Ocupação, o Movimento de Cultura de São Paulo sai da Secretaria sob Ameaça de Reintegração Policial pela Gestão Dória

    Por Carolina Freitas de SP,

    O movimento de trabalhadores e trabalhadoras da cultura em São Paulo decidiu desocupar a Secretaria Municipal de Cultura, que estava sob controle dos coletivos e grupos culturais desde ontem. A decisão foi motivada pela ameaça truculenta de reintegração de posse, sem ordem judicial, pelo prefeito João Dória.
    A ocupação teve como estopim a violência praticada por André Sturm, Secretário de Cultura do município, que ameaçou “quebrar a cara” de um agente cultural ligado ao Movimento Cultural de Ermelino Matarazzo nessa segunda-feira. Esse fato foi mais uma expressão da violência sistemática com que a gestão Dória vem tratando os trabalhadores, os serviços e os equipamentos culturais da cidade.

     

    Congelamento drástico de orçamento da pasta, sucateamento de equipamentos culturais, extinção de projetos importantes, como o Piá e o Vocacional, fim de oficinas nos CEUS, corte do Programa VAI, atraso no salário de agentes culturais, demissão de funcionários, entre outras agressões, fazem parte de como Dória enxerga o direito à cultura para o povo em São Paulo.

    É importante dizer que o fim do repasses para todos os projetos, equipamentos e serviços atinge principalmente as periferias da cidade, onde muitos grupos locais sobrevivem à base da produção de dança, música, teatro – única garantia de acesso à cultura para a população periférica. Além do fim do orçamento, Dória quer o fim da vida cultural mais autêntica de São Paulo, o fim do trabalho de milhares de pessoas que dedicam suas vidas à arte crítica, consciente de onde vem.

    A ocupação da Secretaria é vitoriosa porque deu visibilidade e denunciou essa realidade a todos os paulistanos. É apenas mais uma expressão do vigor de luta exemplar do movimento, que desde o início da gestão vem fazendo enfrentamento aos planos do prefeito em transformar a cidade num negócio e vender os direitos do povo em São Paulo.

    FORA ANDRÉ STURM!
    A LUTA CONTINUA ATÉ O FIM PELO DESCONGELAMENTO DAS VERBAS DA CULTURA!
    TODO APOIO AOS TRABALHADORES E ÀS TRABALHADORAS EM MOVIMENTO!

  • Primeiras reflexões sobre a manifestação em Brasília

    Nesta quarta-feira, dia 24 de maio, o povo trabalhador e a juventude protagonizaram mais um grande dia. Milhares de pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios em uma manifestação nacional, organizada pelas centrais sindicais e movimentos sociais. Na pauta, a luta pela derrubada de Temer e suas reformas e por eleições diretas já.

    Mais uma vez, a manifestação foi violentamente reprimida, tanto pela PM como pela Força Nacional de Segurança, que não permitiram que os manifestantes chegassem, de forma pacífica, na frente do Congresso Nacional. Já existe a informação de dezenas de manifestantes feridos, alguns gravemente. Um manifestante foi ferido com arma de fogo, o que é gravíssimo.

    Porém, apesar de toda a repressão violenta, foi impossível abafar a força deste movimento. A manifestação repercutiu até dentro do Palácio do Planalto, onde fontes do próprio governo admitem que o número de manifestantes foi acima do esperado.

    No Congresso Nacional, a força das ruas ajudou os parlamentares da oposição a impedirem, pelo menos até o momento, a votação das reformas reacionárias e de projetos de interesse do governo. A dita normalidade no funcionamento parlamentar foi, mais uma vez, “pelo ralo”.

    Os acontecimentos de hoje na capital do país são mais uma demonstração de que o governo ilegítimo de Temer não tem mais como continuar. O envolvimento direto do presidente em mais um escândalo de corrupção, especialmente a partir da delação de executivos da JBS, e a sua agenda de reformas reacionárias, que quer jogar todo o peso da crise sobre os ombros do povo trabalhador colocam na ordem do dia a necessidade de derrubá-lo nas ruas.

    A manifestação nacional de hoje foi mais um passo importante desta luta. Caso Temer caia, não aceitaremos uma eleição indireta para presidente. Esse Congresso Nacional formado por uma maioria corrupta e reacionária não tem nenhuma legitimidade para escolher um novo presidente.

    Defendemos a saída imediata do presidente ilegítimo e a convocação e novas eleições diretas, tanto para presidente da república, quanto para o Congresso Nacional.

    Temer decreta uso das Forças Armadas contra manifestantes

    Enquanto uma multidão de trabalhadores e estudantes ocupava pacificamente o Eixo Monumental, o presidente ilegítimo assinou decreto autorizando o “emprego das Forças Armadas para garantia da Lei e da ordem no Distrito Federal”.

    O Ministro da Defesa, Raul Jungmann, convocou a grande imprensa para uma coletiva, onde afirmou que, atendendo a um pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, o presidente Temer estava autorizando o uso das Forças Armadas contra as manifestações.

    Segundo o decreto, esta autorização é válida de hoje até o dia 31 de maio, e será o Ministério da Defesa que definirá a abrangência geográfica do uso das Forças Armadas dentro do Distrito Federal. Neste momento, segundo a grande imprensa, tropas do Exército já estão ocupando a área da Esplanada dos Ministérios. Esta medida, que já está sendo apelidada de “AI-1 de Temer”, em referência aos Atos Institucionais da ditadura militar, faz lembrar o pior dos “anos de chumbo” em nosso país.

    Trata-se de mais um ataque brutal às garantias e liberdades democráticas do povo brasileiro. Não podemos aceitá-la de forma nenhuma. Sua adoção só pode ser explicada pela escalada antidemocrática que vem acontecendo nos últimos anos no Brasil, especialmente depois do golpe parlamentar que aprovou o impeachment.

    A já limitada democracia dos ricos que existe em nosso país está agora ameaçada por medidas autoritárias e antidemocráticas, de caráter violento, como esta. Caso não sejam derrotadas, essas ações podem significar ataques ainda maiores aos movimentos sociais e ao povo trabalhador de conjunto.

    Se essa medida absurda seguir válida, assistiremos a um terrível precedente jurídico: o uso das Forças Armadas para reprimir manifestações da classe trabalhadora e da juventude.

    Centrais Sindicais devem marcar imediatamente uma nova Greve Geral

    Depois da manifestação em Brasília, e para intensificarmos nossa luta, as centrais sindicais e movimentos sociais precisam definir imediatamente a data de uma nova Greve Geral para botar Temer para fora de vez, derrotar as reformas trabalhista e previdenciária e garantir eleições diretas.

    Só uma nova Greve Geral, ainda mais forte do que a que realizamos no dia 28 de abril, poderá elevar a força de nosso movimento, impondo uma derrota significativa e definitiva ao governo ilegítimo.

    Esta nova Greve Geral deve ser também uma resposta categórica e firme ao decreto de Temer autorizando o uso das Forças Armadas para reprimir o legítimo movimento de luta do povo brasileiro.

    A unidade da esquerda socialista é decisivo

    O dia de hoje mostrou que a unidade de todas as forças da classe trabalhadora é muito importante para lutar: sindicatos, centrais, movimentos populares – todos estávamos juntos enfrentando o governo e a repressão. Mas o dia de hoje demonstrou também, em particular, a importância da esquerda socialista. Especialmente nos momentos mais difíceis da resistência, a atitude da CSP-Conlutas foi muito importante. Isso mostra uma lição pro futuro. Além disso, precisamos apresentar uma alternativa política para o país. E nisso, infelizmente, não teremos acordo com a CUT, o PT e várias outras organizações, que apostam em uma reedição do governo Lula. Nós da esquerda socialista queremos superar a experiência petista, não repeti-la. Por isso, é hora de somar as forças do PSOL, do PSTU, do PCB, do MTST e dos movimentos sociais combativos na construção de uma Frente de Esquerda Socialista, que atue junto na luta e aponte uma saída estratégica para o país.

     

    Foto: Lula marques/ AGPT

  • Crise Política: Por uma saída da classe trabalhadora e do povo

    Editorial 19 de MAIO |

    Temer não renunciou. O capital financeiro deu seu recado explícito: o dólar subiu 7,9%, a maior alta desde 2008 e a bolsa despencou. Eles querem a saída de Temer.

    O único objetivo do presidente agora é fazer sua própria defesa jurídica. Este é o sentido de sua atitude nesta quinta-feira, quando buscou minimizar a delação da JBS. Temer sabe que não tem condições de governar. Ninguém o sustenta: nem a classe dominante, nem a grande imprensa e, muito menos. o povo.

    O PSDB, ainda que oficialmente no governo, já não oferece qualquer garantia de estabilidade. Aécio Neves está no centro das denúncias, seus familiares e assessores estão presos. FHC sugeriu a renúncia de Temer em nota publicada hoje. O PPS já pulou fora do barco e deixou o governo. O PSB indicou o mesmo caminho: a entrega dos cargos no governo.

    Temer pensa neste momento no foro privilegiado, e tenta ganhar tempo para negociar sua defesa. Está suspenso no ar.

    Nenhuma confiança na Polícia Federal e no Judiciário

     Desde o início da Operação Lava Jato, ficou evidente que um setor da burocracia do Estado, um agrupamento de jovens procuradores, juízes e investigadores,  pouco conhecidos no mundo da política, trabalhava em colaboração íntima com a grande imprensa para uma reformulação do sistema político no Brasil. Suas ligações com o imperialismo norte-americano são evidentes, consultas, trocas de experiências e de tecnologia são explicitamente declaradas nos jornais.

    Não depositamos nenhuma confiança nos procuradores, policiais, juízes e técnicos. Agora está claro que são inimigos de Temer, mas o inimigo do meu inimigo não é meu amigo. Para um marxista é decisivo entender os interesses de classe em jogo.

    O dia de ontem marcou uma explícita divisão. De um lado, o PMDB de Temer, o Congresso Nacional e os partidos do regime. De outro, um setor da Polícia Federal, do Judiciário e do Ministério Público, que conta com um aliado poderoso: a grande imprensa, especialmente a Globo.

    Nos próximos dias, eles tentarão construir um acordo nacional. O desfecho é imprevisível. A imprensa divulga análises em torno das eleições indiretas, que seria o caminho institucional em caso de vacância da Presidência.

    Lutar por eleições diretas, já, para presidente e para o Congresso

    A classe trabalhadora demonstrou sua força no dia 28 de abril, a greve geral teve impacto nacional e muito apoio popular. O povo não quer as reformas. A resistência ganhou a opinião pública, apesar  da propaganda diária do governo e da grande imprensa.

    As reformas estão nos planos de todas as frações burguesas. O desmonte da Constituição de 1988 e dos direitos trabalhistas será o verdadeiro objetivo de um governo “técnico e imparcial”.  A reforma do sistema de partidos, que a Operação Lava Jato pretende fazer à fórceps,  representa uma reconfiguração do regime político burguês num sentido  antidemocrático. Estrategicamente, não está desconectada da aprovação das reformas. Ao contrário, seria útil para a classe dominante enfrentar os anos de crise e recessão sem grandes abalos políticos.

    Por tudo isso, é decisiva a luta por eleições diretas para presidente e para o Congresso Nacional. As eleições diretas e gerais são a medida democrática mais progressiva que está ao alcance da classe trabalhadora neste momento. Representaria uma enorme derrota da burguesia e só pode ser conquistada com a luta direta da classe trabalhadora e do povo pobre.

    A greve geral é nosso instrumento

    No dia 24 de maio estaremos todos em Brasília. Construir os atos que ocorrerão neste domingo e também a marcha para a capital federal é uma tarefa muito importante. Precisamos massacrar a tentativa de setores da direita de disputar as ruas. MBL e Vem para a Rua precisam ser derrotados neste domingo, na Paulista. A rua é nossa, é do povo.

    Mas, o instrumento mais poderoso para derrubar Temer e suas reformas é a greve geral. A crise política aumenta a responsabilidade das centrais sindicais em convocar um novo dia de greve, ainda para a próxima semana. Este é o caminho para conquistar as eleições diretas e gerais. A saída não virá do Congresso Nacional.

    É urgente exigir das centrais sindicais majoritárias um novo dia de greve geral. O momento exige coragem e firmeza.

    A Frente de Esquerda é nossa alternativa política

     A crise política é seríssima e a crise econômica também. São mais de 14 milhões de desempregados, num país que já carrega níveis brutais de desigualdade.

    Não é possível conciliar os interesses dos trabalhadores e dos empresários. O projeto petista esteve no poder por 13 anos. Enganam-se aqueles que pensam que um novo governo Lula representará um novo ciclo de crescimento, com valorização do salário mínimo e ampliação do consumo. Nada mais distante da realidade. A economia mundial já não é a mesma, está mergulhada em uma profunda crise, e não permitirá Lula adotar qualquer medida progressiva sólida. E Lula sabe disso. Seu o objetivo é reeditar um programa que já demonstrou seu limite histórico, que entregou direitos, fez contra-reformas que atacaram conquistas, adotou leis repressivas, fez pactos com a direita e deixou ela se fortalecer e, no final, levou à situação que temos hoje.

    Por isso, para tirar o país desta situação, é preciso muito mais do que a reedição do governo Lula. É preciso uma nova alternativa política, verdadeiramente de esquerda, que adote um programa anticapitalista de combate à crise. Nossa tarefa é construir essa alternativa política no calor das lutas. A unidade entre o PSOL, o PCB, o PSTU, o MTST e diversos movimentos sociais pode representar a construção de um projeto novo com coragem e independência para enfrentar o poder econômico.

     Foto: Marcos Correa/PR

  • Se uma janela de oportunidade se abriu na conjuntura, devemos mergulhar a fundo

    Por: Carlos Zacarias, colunista do Esquerda Online

    O cataclismo que atingiu o cenário político do Brasil no dia de ontem não devia causar tanta surpresa. Mergulhado em uma combinação explosiva de crises que vão da crise econômica à crise política, passando pela crise social de grandes proporções, o país que há um ano assistiu o impeachment não devia ficar tão estupefato ante as denúncias que agora ameaçam por abaixo o governo mais impopular da história, o governo do golpista Michel Temer. Todavia, uma coisa chamou a atenção de muita gente e provocou a desconfiança generalizada em relação aos interesses que moveram os denunciantes e a emissora que primeiro noticiou o escândalo: qual seria o interesse da Globo em embaralhar o jogo e ameaçar a estabilidade alcançada por Temer nos altos escalões? Seria um movimento planejado, uma espécie de segundo round do golpe? Estaria a Globo interessada em derrubar Temer para emplacar alguma alternativa?

    As perguntas devem ser feitas e toda desconfiança é válida diante do furo de reportagem trazido por uma emissora que apoiou o golpe há um ano e seguiu trabalhando em benefício das políticas desenvolvidas por Temer até o momento. Não obstante, parece ingênuo imaginar que há sempre um plano muito bem concebido e o total controle dos destinos e das ações dos indivíduos da parte das classes dominantes e suas frações que atuam nos grandes meios de comunicação. É verdade que a Globo é movida por interesses materiais e pode estar calculando muito bem os passos que vai dar, as notícias e denúncias que serão trazidas a público e os alvos preferenciais que serão postos na beira do precipício. Talvez não tenhamos clareza suficiente para inferir sobre muitas das questões que serão reveladas no futuro. De momento, contudo, apenas podemos especular sobre o tema, mas tomando cuidados para não transformar a saudável desconfiança em teoria da conspiração, que só faz dificultar o acesso à verdade.

    Parece improvável que a Globo tenha tido algum interesse muito forte na desestabilização de Temer. Há um ano do impeachment, mesmo com toda a impopularidade e a pressão crescente das ruas e dos trabalhadores que fizeram uma enorme greve geral, a probabilidade de o governo aprovar as reformas Trabalhista e Previdenciária ainda eram bastante grandes. Então, por que isso veio à tona? Analisando o período que culminou no golpe do 18 de Brumário de Luís Bonaparte em dezembro de 1851, Marx dissertou magistralmente sobre como as classes dominantes e suas frações se moviam no conturbado cenário pós-revolução de 1848. Dizendo tratar-se de um período que abrangia “as mais heterogêneas misturas de contradições clamorosas”, Marx discutiu como a inusitada e inesperada ascensão de Bonaparte foi possível graças ao impulso de força da massa camponesa, até então excluída dos principais acontecimentos do país desde as Guerras Napoleônicas. O que Marx demonstra na sua apreciação é que, mesmo se movimentando em condições que não são controladas pelos sujeitos da história (a agência), no curso de um período tão conturbado, as saídas para uma crise são definidas pela forma como as classes e suas organizações atuam na luta e decidem o caminho.

    A propósito de sua concepção de história, que em nada se assemelhava à concepção hegeliana, Marx aludia ao elemento contingente, como criador de oportunidades nas quais o elemento decisivo era o subjetivo e não o objetivo. Escrevendo a Kugelman no curso que deram ensejo à Comuna de Paris, Marx afirmou: “A história mundial seria na verdade muito fácil de fazer-se se a luta fosse empreendida apenas nas condições nas quais as possibilidades fossem infalivelmente favoráveis. Seria por outro lado, coisa muito mística se os acidentes não desempenhassem papel algum”.

    Ou seja, se é verdade que a burguesia e suas frações controlam quase tudo nos países capitalistas, em circunstância nenhuma ela detém as condições de decidir unilateralmente os caminhos que a história vai tomar. Numa palavra, a burguesia controla tudo, menos a história. O futuro advirá da luta, do confronto, da forma como as classes vão atuar nos marcos da necessidade. Nesse sentido, a pergunta a se fazer ante ao “acidente” das revelações que abalaram Brasília ontem são as seguintes: a delação premiada de Joesley Batista, dono da JBS, que acusa Michel Temer de ter concordado com o pagamento de uma mesada milionária para que Cunha ficasse em silêncio é favorável aos trabalhadores? É possível que essa nova crise cause instabilidade suficiente para paralisar as reformas? Seria razoável se supor que os trabalhadores vão desencadear uma ofensiva contra o governo de Temer criando condições para a sua derrubada? Se as respostas a essas questões forem todas positivas, não há  o porquê de transformar as desconfianças em relação à Globo em paralisia.

    Mesmo sendo evidente que as soluções não sejam dadas de antemão e que há o risco de os trabalhadores sofrerem derrotas ainda maiores, não há outra forma de tomar a sério o grito de “Fora Temer” sem entender que, ao tentar fazer a história, os trabalhadores arriscam o seu pescoço, tanto quando a burguesia arrisca o dela ao tentar conter a marcha do progresso. Se uma janela de oportunidade se abriu na conjuntura, os trabalhadores devem mergulhar de cabeça para tentar impor uma outra perspectiva de futuro.

    Como parteiras da história, revoluções ou catarses carregam em si o seu oposto e inelutavelmente contraditório. Quem luta por transformações profundas deve saber que a história não se decide antecipadamente. É preciso que o jogo seja jogado para que se proclamem os vencedores e os derrotados. O que é certo, entretanto, é que na guerra entre as classes o único resultado que não é possível é o empate.

    Foto: 17 05 2017 São Paulo SP Brasil Manifestantes fecham via da avenida Paulista pedindo eleições já depois das divulgações de corrupção envolvendo o presidente Michel Temer Foto Paulo Pinto AGPT

  • Rio de Janeiro terá ato unificado pelo ‘Fora Temer’ nesta quinta

    Da Redação

    Com a última denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB), protestos estão sendo marcados em todo o país. No Rio de Janeiro, o ato terá concentração na Candelária, às 17h, e sairá em caminhada até a Cinelândia. A manifestação ‘Diretas Já, o povo tem que decidir’ é convocada pelas centrais sindicais e pelas frentes de Esquerda Socialista, Brasil Popular e Povo Sem Medo.

    Entenda

    Michel Temer comprou o silêncio de Eduardo Cunha na prisão. O pagamento foi feito com dinheiro da JBS. A informação é dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, que estiveram no gabinete do Ministro do Supremo Edson Fachin para selar o acordo de delação premiada. A operação está gravada, a JBS apresentou ao Ministério Público, várias gravações, entre elas um áudio do presidente Temer, feito em março deste ano.

    Confira o evento de convocação

    Veja a convocação do ato feita pela Frente de Esquerda Socialista18518341_735344343313972_690492854730968451_o

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    Divulgação da convocatória da FES

    Declaração da Frente de Esquerda Socialista sobre os próximo passos para barrar as contrarreformas de Temer