Home – 1

Currently browsing: Home – 1
  • Cinco motivos para não ir às ruas no dia 26 de Março

    EDITORIAL 25 DE MARÇO |

    O dia 15 de março de 2015 colocou nas ruas do Brasil um movimento de massas reacionário como há muitos anos não se via no nosso país. Pela sua composição social e pelas suas pautas foi um movimento extremamente conservador e se mostrou decisivo como base social de apoio para a concretização do golpe parlamentar que resultou no impeachment de Dilma Rousseff.

    Uma nova direita com discurso liberal, mas que na prática é ultraconservadora e com ações que muitas vezes lembram os agrupamentos fascistas, ganhou força política nos país. O MBL e o Vem Pra Rua ganharam destaque nesse processo político.

    Agora, passados dois anos e concretizado o golpe com a posse de Michel Temer, esses movimentos de oposição contra a corrupção tornaram-se apoiadores de um dos governos mais corruptos da história do Brasil. Adotaram um programa que passou ao ataque direto sobre os interesses do nosso povo. Fim da aposentadoria, fim dos direitos trabalhistas, terceirização sem limites, privatizações, aposentadoria de 500 reais e muito mais.

    Dois anos depois dos fatídicos atos verde-amarelo, as mobilizações deste 15 de março de 2017 colocaram a classe trabalhadora e a juventude de volta às ruas, com a pauta de defesa dos interesses mais urgentes do povo brasileiro. É essa grande unidade que tem, hoje, condições de defender os direitos e interesses dos trabalhadores brasileiros. Por isso, é importante construir um grande dia de luta em 31 de março, além do dia de greve geral que as centrais sindicais devem convocar em abril.

    Por outro lado, o MBL está à frente da convocação de protestos por todo o país em 26 de março. São protestos de forte conteúdo reacionário, com uma pauta contra os interesses do povo brasileiro e de defesa das reformas e ataques do governo Temer. São protestos contra os direitos dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, negros e LGBT’S. Fazemos um chamado a todos os trabalhadores e a juventude a não comparecerem nesses protestos. Segue abaixo cinco bons motivos para não irmos para as ruas neste 26 de março.

    1. O protesto é em defesa da reforma da previdência de Temer

    Os protestos são favoráveis à reforma da previdência de Temer que busca aprovar novas regras para aposentadoria em que os trabalhadores tenham que exercer oficio por 49 anos para aposentadoria integral e/ou tenham, no mínimo, 65 anos. Ou seja, os que estão mobilizados neste dia defendem que o povo brasileiro trabalhe até morrer.

    Kim Kataguiri, líder do MBL, que nunca trabalhou, propôs renda mínima de 500 reais para os idosos acima de 65 anos. Hoje o valor mínimo é um salário mínimo (R$ 937,00).

    2. Defende o fim da CLT e dos direitos trabalhistas

    O protesto do dia 26 de março defende a reforma trabalhista proposta pelo Governo Temer, propondo que o negociado se sobreponha ao legislado. Porém, a direção do ato vai um pouco mais longe. O MBL defende o fim da CLT( Consolidação das leis trabalhistas), ou seja, defendem o fim do décimo terceiro, férias e outros direitos trabalhistas conquistados há décadas.

    3. Apoia o PL da terceirização irrestrita

    O MBL defendeu publicamente o projeto de lei da terceirização votada essa semana na Câmara dos Deputados e ainda comemorou como “vitória do povo brasileiro”. Uma das pautas é a defesa da terceirização irrestrita, inclusive na atividade fim. Colocando em risco a vida e os direitos de milhares de trabalhadores.

    4. Defende a privatização da Petrobras, Banco do Brasil, Caixa e de todas as empresas públicas.

    Além de todos estes ataques aos direitos sociais e trabalhistas, defendem a privatização das empresas públicas brasileiras e querem pressionar o governo Temer a avançar nos processos de privatização para tornar cada vez mais

    5. MBL defende o fim do FGTS

    Outra bandeira a ser defendida neste domingo é o fim do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço prejudicando direitos trabalhistas de milhões de brasileiros.

    Aqueles que estiveram nas ruas no dia 15 de março de 2017, devem transformar sua indignação perante tantos ao mesmo tempo em força para ir as ruas no próximo dia 31 de março e a partir disso, organizar os trabalhadores nos locais de trabalho, de estudo e moradia para lutar contra estas organizações e contra o governo de Temer.

  • Em resposta ao governo, centrais sindicais decidem por novo dia de luta em abril

    Da Redação

    Um dia unificado de lutas em abril. Esta foi a decisão da reunião das centrais sindicais realizada nesta quinta-feira (23), na sede da UGT, em São Paulo. Após a aprovação do PL da terceirização, na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (22), as centrais CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSP-Conlutas adiantaram a reunião para discutir ações conjuntas com o intuito de frear este e outros retrocessos propostos pelo governo de Michel Temer (PMDB) aos trabalhadores, como as reformas da Previdência e Trabalhista.

    A decisão das centrais era esperada pelo conjunto dos trabalhadores e responde à ofensiva de Temer e de seus aliados de tentar retirar direitos históricos da classe, que significa mudanças estruturais no nível de vida das gerações atuais e futuras do país.

    Após um 8 e um 15 de março vitoriosos, os trabalhadores demonstraram que é possível barrar os projetos de reforma do governo. Mas, os fortes atos de rua que aconteceram em cada cidade precisam ser intensificados nesse novo dia de luta, com a construção de uma verdadeira greve geral, com paralisações nos locais de trabalho e estudo. O grau de ataques está em outro patamar e assim deve ser a resposta. Para além de atrasos de turno, ou protestos na entrada, é fundamental construir, desde já, as condições para parar, de vez, o país, com a força que os movimentos sociais e setores organizados já demonstraram em sua história.

    A classe trabalhadora brasileira, em momentos ainda mais difíceis, como na Ditadura Militar, mostrou que pode resistir e se organizar. Por isso, nesse momento, as direções do movimento precisam estar unidas e estreitamente conectadas com suas bases, fortalecendo as condições de luta e avançar para a construção de fato de uma greve geral unificada.

    Uma nova reunião está marcada para acontecer nesta segunda-feira (27), onde será decidida a data do dia de mobilização unitária, que acontecerá em abril. O tempo não nos favorece, é urgente definir a data unificada e trabalhar por ela.

  • É possível derrotar a Reforma da Previdência

    Sobre o anúncio da Retirada dos Servidores Estaduais e Municipais da Reforma da Previdência

    Por: João Zafalão, de São Paulo, SP

    A força das manifestações do 15M e a expectativa de termos uma manifestação ainda maior em abril fizeram Temer anunciar que servidores públicos estaduais e municipais estão fora da PEC 287, que tramita no Congresso. Esse recuo do governo tem por objetivo dividir o movimento nacional e tirar das ruas o setor que foi vanguarda no dia 15 de março, que são os trabalhadores em Educação que estão em greve e, ou participando em vários estados e municípios das manifestações contra a Reforma da Previdência.

    Temos que reconhecer o recuo do governo, conquistado pela força da nossa luta, porém não podemos esquecer que até aqui as grandes reformas na previdência de estados e municípios foram feitas por governadores e prefeitos. O aumento da alíquota de contribuição de 6% para 11% em SP foi feito pelo Governo do Estado, assim como a mudança da legislação que criou o professor categoria O, que tem menos direitos e está submetido ao regime geral do INSS, assim como os trabalhadores do Centro Paula Souza que também são do regime geral.

    Para estes servidores o que vai valer? E a aposentadoria especial dos professores/as do ensino básico que é garantida pela Constituição Federal. Como fica isso? Irão separar professores/as da rede federal com os da rede estadual e municipal, ou irão acabar para que estados e municípios possam fazer suas reformas da previdência? E as mulheres que tem direito a aposentar 5 anos antes, por trabalhar 7h30min a mais que homens por semana? Irão separar mulheres trabalhadoras das redes estaduais e municipais das demais trabalhadoras?

    É uma evidente manobra do governo para dividir nossa luta. E depois cada estado e município terá que lutar sozinho contra a retirada de direitos, justamente porque o governo Temer percebeu que a força dos trabalhadores está justamente nessa unidade construída na luta e expressa no 15M.

    Não podemos e não vamos nos dividir agora. Temos que avançar na luta. As centrais devem marcar um novo dia nacional de lutas ou a greve geral para abril e fazermos uma ação ainda maior. Ninguém fica para trás. É preciso manter e ampliar o calendário de luta, nas categorias. É possível derrotar a reforma da Previdência.

  • Sede do PMDB é ocupada por manifestantes

    Da Redação Minas Gerais,

    Trabalhadores da educação em greve ocupam a sede do PMDB em Belo Horizonte. A sede do partido de Michel Temer fica na Rua Juiz de Fora, 1375, no Bairro Santo Agostinho. A reivindicação é a mesma da greve nacional da educação que ocorre hoje no Brasil: barrar a PEC 287/2016 que estabelece a reforma da previdência, que é rejeitada por 73% da população brasileira, segundo o Instituto Paraná.

    A votação da PEC está agendada para acontecer no dia 28 de março em primeiro turno no Congresso Nacional. O PMDB é o partido do atual presidente e tem a maior bancada de deputados federais, totalizando 64 eleitos. O objetivo da ocupação é pressionar o partido, a partir de seus representantes mineiros, a votarem contra a reforma da previdência.

    Além disso, a ocupação ocorreu também como uma ação de repúdio ao Projeto de Lei (PL) 4302/98 que foi colocado em pauta, após quase 20 anos de sua elaboração, de um dia para o outro no Congresso Nacional, pelo seu presidente Rodrigo Maia (DEM). Mais conhecido como PL das terceirizações, o projeto colocado em pauta no dia de hoje permite a terceirização de todas as atividades nas empresas e nos serviços públicos, incluindo as atividades fim, como professores, por exemplo.

    Essa ocupação acontece uma semana depois das enormes manifestações que tomaram as ruas no Brasil no dia 15 de março deste ano. As mobilizações até aqui já mostraram que unindo as representações sindicais e movimentos sociais é possível enfrentar o governo e seus ataques. Ao mesmo tempo, mostram a disposição dos trabalhadores e trabalhadoras em defender radicalmente seus direitos.

     

    Veja mais fotos:

     

    WhatsApp Image 2017-03-21 at 15.33.32

    WhatsApp Image 2017-03-21 at 15.33.26

    WhatsApp Image 2017-03-21 at 15.41.07

  • Superexploração e clientelismo dos frigoríficos brasileiros

    Por Durval Wanderbroock Junior, Coordenador do IBEPS – Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais

    Os escândalos envolvendo os maiores frigoríficos do Brasil descortinam duas dimensões deste setor. Por um lado, uma brutal superexploração de seus funcionários. Por outro, uma prática de clientelismo com políticos afim de garantir ajuda do Estado com empréstimos, favores e vistas grossas aos crimes cometidos contra os consumidores.

    Em geral, a origem do lucro do empresário é proveniente da exploração da força de trabalho do empregado. É um roubo historicamente legalizado, como se sabe há bastante tempo. A classe dominante, como regra, é formada por usurpadores. Sobrevivem à custa da força de trabalho alheia que, pelas leis do capitalismo, são institucionalmente aceitas.

    Mas há outras formas de ampliar sua lucratividade que não é necessariamente aceita, institucionalizada ou legalizada. Há outras receitas provenientes de ações criminosas, que nem sequer no capitalismo foram legalizadas. A prática de adulteração de produtos, a corrupção de agentes públicos e políticos, o desrespeito às normas de consumo, etc são algumas práticas com o fim de garantir maiores receitas para o empresário, mas que não encontram necessariamente guarida nas leis ou nos costumes.

    Um frigorífico de gente
    Quem já teve a oportunidade de assistir o excelente documentário “Carne Osso”, já teve uma ideia de como os empregados são tratados no Brasil pelos grandes donos de frigoríficos. Ali, mais do que animais, são os próprios trabalhadores submetidos aos mais abjetos tipos de serviços. Doenças ocupacionais, acidentes de trabalho, mutilações e até mortes. Um verdadeiro frigorífico de gente!
    Para efeito de exemplo, em 2014 foram registrados em todo país 16.033 acidentes de trabalho neste setor. Segundo Ministério do Trabalho, o Paraná foi o líder, com 2.718 casos registrados, seguido do Rio Grande do Sul, com 2.686.

    A empresa recordista em número de acidentes foi a JBS. Apenas entre 2011 a 2014, no setor de abate de bovinos, um dos mais perigosos, a empresa registrou 4.867 acidentes de trabalho. Só no ano de 2014 foram registrados 1.427 acidentes. Somente neste 4 anos, a empresa deixou incapacitados 7.822 trabalhadores, equivalente a uma média de 5 acidentes por dia (dados do Ministério da Previdência Social). O gráfico abaixo mostra o número de acidentes da JBS em todo país:

     

    image

     

     

     

     

     

    Em setembro do ano passado, em apenas uma unidade da JBS, 40 trabalhadores foram intoxicados por um vazamento de amônia, na cidade de Senador Canedo-GO. Somente nesta unidade, entre junho a agosto de 2016, 78 autos de infração foram lavrados pela fiscalização do Ministério do Trabalho, 67 delas só por descumprimento de normas de segurança do trabalho.

    Com tantas irregularidades, por que a empresa continua cometendo as mesmas infrações? Em 2014, o então gerente nacional do Programa de Adequação das Condições de Trabalho em Frigoríficos, Sandro Eduardo Sardá, explicou: “a JBS tem uma política deliberada de precarização dos direitos fundamentais dos trabalhadores”. O motivo, resumiu Sardá, é a máxima obtenção dos lucros. Apenas neste ano, a JBS teve um lucro líquido de US$ 2,04 bilhões. Segundo relatórios da própria JBS S/A, a receita líquida da empresa em 2016 foi de 170,4 bilhões de Reais.

    Ritmo de trabalho escravo
    Uma das formas de ampliar os lucros é por meio do aumento do ritmo de trabalho. Quanto mais animais saem da esteira de produção, maior é a margem de lucro.

    Num abatedouro de frangos, por exemplo, o animal percorre diversas etapas antes de chegar ao supermercado. Uma destas etapas é a evisceração, que envolve uma operação de separação das partes do frango. Depois corta-se os pés, resfria-se e vai para o gotejamento antes de serem embaladas.

    Todos estas operações são milimetricamente cronometradas. A esteira não pode parar. E em períodos de maiores pedidos de exportação ou de aumento do consumo, ao invés de contratarem mais funcionários, os frigoríficos rodam o botão que acelera a esteira. Quem não dá conta, é demitido(a)!

    Numa destas etapas, a separação de coxa, por exemplo, um(a) operário(a) prepara em média 10 coxas por minuto. Em uma hora ele preparou 600 coxas. Considerando que ele executa em média 18 movimentos para cada coxa, em um minuto ele já executou 180 movimentos. Isto é cinco vezes mais do que os 35 movimentos que os médicos do trabalho estabelecem como um padrão máximo de movimentos que poderia preservar minimamente a segurança do trabalhador. Ao longo de uma jornada de 8 horas, descontada uma hora de refeição, este(a) trabalhador(a) dissecou 4.200 coxas de frango e executou por volta de 75.600 movimentos. Resultado: uma epidemia de doenças ocupacionais, doenças do trabalho, trabalhadores incapacitados, etc. Um sofrimento indescritível!
    Queimaduras e intoxicações são constantes. Os traumatismos de cabeça, de abdômen, de ombro e de braço, são de duas a quatro vezes maiores que em outras profissões. Os transtornos mentais são cerca de três vezes superiores que outras profissões.

    Os trabalhadores estão submetidos ao frio constante das câmaras frias e deveriam, nos termos do artigo 253 da CLT, repousar 20 minutos a cada 1 hora e 40 minutos trabalhadas, coisa que não acontece. Como, em geral, a distância entre a entrada dos frigoríficos e a produção são distantes, quando os fiscais chegam para alguma fiscalização, a empresa aumenta a temperatura das câmaras, reduz a velocidade da esteira e aumenta o contingente, ademais de outras medidas com o propósito de disfarçar as péssimas condições de trabalho.

    Os salários, em geral, são bastante baixos. Em Fortaleza, por exemplo, segundo Convenção Coletiva de 2016, o piso é de R$ 830,00 para empresas até 10 empregados e de R$ 870,00, acima de 10 empregados. Em Pelotas o piso geral foi de R$ 1.190,00.

    Uma peça de coxa e sobre-coxa pesa em média 350 gramas. São necessárias duas peças e meia para formar um quilo, que é vendida desde o frigorífico por mais ou menos R$ 4,50. Para um salário de R$ 1.190,00, são necessários cerca de 252 quilos de frango, ou seja, 630 peças de coxa e sobrecoxa. Com uma hora e três minutos um(a) operário(a) “desossou” 630 peças. Em pouco mais de 1 hora de trabalho ele pagará o seu próprio salário. Todo o restante é embolsado para o dono do frigorífico que gastou com campanhas de PT, PSDB, PMDB, PP, financiaram campanha do atual Ministro da Justiça, tentaram corromper fiscais, e ainda restou sobra suficiente para uma vida cheia de luxo e mordomias.

    A Operação “Carne Fraca”
    A deflagração da Operação Carne Fraca desnudou mais uma vez as relações promíscuas e criminosas entre políticos e empresários no país. A operação envolve grandes empresas do setor, como a BRF Brasil (dona das marcas Sadia e Perdigão), a JBS (proprietária da Friboi, Seara, Swift, entre outras marcas), bem como outras empresas menores, como a Mastercarnes, Souza Ramos e Peccin, do Paraná, e Larissa, com unidades no Paraná e São Paulo.

    Entre os envolvidos estão os atuais agentes públicos do atual governo, propinas para PMDB, PP, o envolvimento de fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do próprio atual Ministro da Justiça, o senhor Osmar Serraglio (PMDB-PR), amigo e defensor de Eduardo Cunha (PMDB), hoje preso por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.

    Dentre outros crimes, os frigoríficos usavam produtos químicos altamente cancerígenos, misturavam papelão às linguiças e salsichas e vendiam carnes vencidas, tanto para o consumo interno quanto para exportação. No Paraná, partes destas carnes foram oferecidas às crianças nas escolas e creches. Já as exportações, somente entre janeiro a dezembro de 2016, segundo a ABRAFRIGO (Associação Brasileira de Frigoríficos), foram vendidas 1.350.504 de toneladas, o equivalente a 5,3 bilhões de dólares.

    O esquema apura o envolvimento do ex-superintendente regional do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) Daniel Gonçalves Filho, a quem o atual Ministro da Justiça, Osmar Serraglio, chamava carinhosamente de “grande chefe”, em grampo realizado pela Polícia Federal. O delegado descarta participação criminosa do atual Ministro.

    Dentre os crimes investigados, haveria um esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos.

    Quem paga, manda
    As empresas de frigoríficos são grandes financiadoras das campanhas de políticos no Brasil. O maior financiador da campanha do atual Ministro da Justiça, por exemplo, foi exatamente a JBS, que contribuiu oficialmente com R$ 200 mil em 2014. No mesmo ano, a JBS financiou a então candidata Dilma Roussef (PT), com R$ 72,3 milhões, e Aécio Neves, com pouco mais de R$ 40 milhões. Só no Mato Grosso do Sul, o grupo JBS S/A e o BRF financiaram as campanhas dos principais candidatos ao governo de Mato Grosso do Sul. Tanto o candidato eleito Reinaldo Azambuja (PSDB), quanto Nelsinho Trad (PTB) e o ex petista Delcídio Amaral receberam juntos R$ 11.419,800,00.

    Só para recordar, no governo do então presidente Lula, a JBS recebeu empréstimo de R$ 8 bilhões, com juros de pai pra filho.

    Praticamente a totalidade da bancada ruralista é financiada pelos principais donos e fornecedores de frigoríficos. É esta bancada, uma das principais bases do atual governo e vanguarda do processo de impeachment, quem comanda a pasta da Agricultura. São os representantes dos latifundiários e principais articuladores da proibição da publicação da “lista suja” que revela as campeãs das práticas de trabalho escravo no país. A depender deles, nenhum frigorífico deste país será punido pelos crimes que cometeu contra os trabalhadores e a população. Continua vigente o ditado que diz “quem paga, manda”.

    A ajuda do Estado e a superexploração dos(as) trabalhadores(as) permitiu à empresa um lucro líquido em 2016 de R$ 4,6 bilhões. A fortuna do grupo J&F, administradores da da JBS, estão cotadas pela revista Forbes em US$ 4,3 bilhões, equivalente a cerca de R$ 14 bilhões.

    A depender da relação entre a empresa e os políticos a quem financia, irá continuar crescendo seu patrimônio, enquanto desrespeita o meio ambiente, os consumidores e seus funcionários, que continuam dilatando os números de trabalhadores lesionados, mutilados e incapazes de trabalhar como resultado das brutais condições de trabalho a que são submetidos. Para agravar a situação, ainda estão ameaçados de demissão em massa como resultante do processo de investigação a que as empresas frigoríficas estão sendo submetidas.

    Os trabalhadores não podem pagar pela pilantragem entre empresários e políticos. Precisam se organizar e lutar para exigir do governo a nacionalização das empresas, a estabilidade no emprego, a prisão e confisco dos envolvidos nos escândalos de adulteração de carnes.

  • Encontro com um velho amigo petista…

    Por André Freire, Colunista do Esquerda Online

    No inicio do ano voltei a morar na minha cidade natal, o Rio de Janeiro. Esse retorno tem me propiciado reencontros muito legais, com velhos amigos. Nessa semana, na manifestação unitária do dia nacional de lutas e paralisações, tive um desses encontros, com um amigo de muitos anos, que segue defendendo o PT e Lula.

    Nossa conversa, sempre amistosa, foi muito interessante. Começamos por um grande acordo, nossa raiva do governo ilegítimo de Temer, de quanto são absurdas as suas medidas reacionárias como a reformas da previdência e trabalhista, que será necessária uma ampla unidade para lutarmos para derrotar todos estes ataques, entre outros acordos importantes para o momento em que vivemos em nosso país.

    Nossos acordos, que permitiram estarmos juntos naquela importante manifestação, esbarraram em uma diferença importante entre nós, que é parte dos debates que acontecem entre os que lutam contra o governo golpista: qual é a alternativa política de oposição temos que construir?

    Meu amigo tomou a ofensiva na discussão. Afirmou que os governos do PT, especialmente os de Lula, melhoraram a vida do povo, com medidas concretas, as que foram possíveis na correlação de forças que exista em nosso país. Que justamente por isso, os setores mais conservadores deram o golpe e tiraram Dilma do governo.

    Meu amigo segue: que a mesma unidade que foi fundamental para construir aquela linda manifestação, deveria se repetir na construção de uma ampla unidade da esquerda para as eleições de 2018. Que, evidentemente, essa unidade deveria ser encabeçada novamente por Lula. Para ele, essa seria a única chance de derrotarmos a direita nas eleições.

    Ele é também é crítico aos 13 anos do governo do PT, defende que a possibilidade de um novo governo do Lula seria a chance de mudarem o rumo, corrigir os erros, limitar as alianças eleitorais somente a Ciro Gomes e aplicar um programa de mais enfrentamento contra o capital, principalmente com a TV Globo, etc… De fato, ele tinha fortes argumentos.

    Quero confessar, que em um primeiro momento, fiquei meio na defensiva. Afinal, sem dúvida nenhuma, a unidade é uma necessidade diante da onda de ataques dos patrões e seus governos sobre a classe trabalhadora, a juventude e o conjunto dos explorados e oprimidos.

    Mas, logo, me recuperei, e de forma calma e firme, eu acho, fui contrapor seus principais argumentos. Comecei dizendo que considerava muito positivo para os trabalhadores e para a esquerda se realmente Lula e o PT tivessem realmente dispostos a rever sua política de alianças e seu programa de governo.

    Que seria ótima uma frente de esquerda ampla, que colocasse na ordem do dia a unidade da classe trabalhadora, da juventude e da maioria do povo. Que nessa frente não caberia os grandes empresários, os políticos corruptos e reacionários dos partidos da velha direita. Que teríamos de apresentar como programa dessa alternativa as autênticas propostas que sempre foram defendidas pelos movimentos sociais e que, inclusive, foram as bases da fundação do PT e da CUT.

    Que deveríamos defender a suspensão e a auditoria da dívida, que defendêssemos acabar com as privatizações e a reestatização das empresas privatizadas, a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, entre outras medidas.

    Meu amigo, embora um pouco surpreso, com uma cara que demonstrava me considerar um pouco “esquerdista”, acabou concordando comigo. Eu, me sentindo mais fortalecido, segui: afirmei que o PT teve 13 anos para avançar na aplicação desse programa, mas parou somente na adoção de medidas mínimas, que foram importantes, mas não mudaram para valer a vida do povo, e nem esteve disposto a sobretaxar os lucros astronômicos das grandes empresas e também as grandes fortunas.

    Queria seguir, dizendo que onde o PT está na administração de governos de estados importantes vem aplicando medidas muito semelhantes ao governo ilegítimo de Temer, como o congelamento de investimentos sociais e dos salários dos servidores; que mesmo depois do golpe parlamentar, o PT se coligou com o PMDB em centenas e centenas de cidades nas eleições municipais do ano passado, que na eleição dos presidentes das assembleias legislativas apoiou o PSDB (em SP) e PMDB (no RJ)… Ou seja, a política do PT segue a mesma.

    Mas, não pude continuar, pois meu amigo me interrompeu, dizendo que uma candidatura da extrema esquerda não teria chances de ganhar as eleições em 2018. Que até podia concordar comigo em muito do que eu falava, mas o fundamental era derrotar a direita nas próximas eleições.

    Eu retruquei, dizendo que o argumento das chances eleitorais não podia ser o principal, e que em muito esse discurso foi o que fez o PT começar seu curso de adaptação ao status quo, inclusive com muitos de seus dirigentes se envolvendo em escândalos de corrupção, como sempre fez a velha direita.

    Que as eleições passadas para a prefeitura do Rio de Janeiro demonstraram que é possível superar o PT pela esquerda, como foi feita pela bela campanha militante e mobilizadora de Marcelo Freixo.
    Bem, a conversa acabou sendo interrompida, pois a passeata já estava saindo, e ele precisa ir embora, e eu me somar à coluna da frente de esquerda e socialista, junto à militância do MAIS, da NOS e outras organizações socialistas que compõe este importante espaço.

    Trocamos nossos números de telefone, para seguir a conversa. Embora não tenhamos chegado a um acordo, considero essa conversa muito interessante, pois ela acaba sendo um pequeno retrato dos debates que muitos de nós teremos com vários ativistas no próximo período.

    Estou convicto, que a esquerda socialista deve se jogar com tudo na construção de uma nova alternativa, realmente independente. Nosso esforço deve ser concentrado na construção de uma Frente de Esquerda e Socialista, que na o PSOL, PSTU, PCB, organizações socialistas ainda sem legalidade e movimentos sociais combativos, como o MTST.

    Essa tarefa fundamental não será feita se aliando a Lula. Pois, a direção do PT mantém o seu programa rebaixado e a sua política de alianças com parte dos grandes empresários e os políticos e os partidos da velha direita.

    Mas, outra certeza que tenho, é que essa nova alternativa política da esquerda socialista deve ser construída em permanente diálogo com os trabalhadores e jovens que ainda acreditam em Lula. Temos que ser sempre muito pacientes neste diálogo, mas também muito firmes na necessidade de superarmos a experiência de conciliação de classes, defendidas até hoje pela direção do PT..

  • Mais de 50 mil ocuparam as ruas em Curitiba

    Por Marcello Locatelli, Curitiba, Paraná

    Curitiba amanheceu sem ônibus e com boa parte do comércio central de portas fechadas. Trabalhadores de diversas categorias ocuparam as ruas neste dia 15 de março. Não há dúvidas de que foi a maior manifestação desde que o governo golpista chegou ao poder.

    A paralisação foi forte nas categorias que aderiam ao movimento. Cruzaram os braços os metalúrgicos, motoristas e cobradores, carteiros, bancários, servidores das universidades federais, servidores municipais, professores e funcionários da educação estadual, professores da rede municipal, agentes penitenciários, policiais civis, servidores da saúde estadual e petroleiros. Os estudantes que ocuparam as escolas também marcaram presença na luta.

    Foi um verdadeiro movimento de paralisação que impactou até mesmo a grande mídia, que não teve como esconder a força desta data. Entre os manifestantes predominou o clima de unidade e o sentimento de que é possível fortalecer ainda mais este movimento.

    A manifestação saiu da Praça Santos Andrade, no trajeto os piquetes de bancários e carteiros foram se somando ao ato. Foi possível ver a simpatia de uma parcela importante da população que circulava nas calçadas.  Na Praça Tiradentes e depois na Praça 19 de dezembro os servidores municipais e da saúde estadual engrossaram a marcha rumo ao Centro Cívico.

    Ao final do ato, as centrais se pronunciaram e ficou evidente que a vitória no 15M foi nacional: ‘Hoje, passamos dos 50 mil. Demos o primeiro passo no caminho que precisamos construir para barrar as reformas deste governo. As diferentes centrais sindicais e frentes políticas possuem projetos diferentes para 2018, temos diferentes ideologias e princípios, mas a classe trabalhadora é maior do que todas as organizações que estão aqui, o momento é de unificar a maioria do povo contra os ataques. Nossa tarefa é construir a mais ampla unidade para derrota o governo Temer’, disse Mariane de Siqueira, da CSP-Conlutas e militante do #MAIS.

     

     

     

  • Saiba locais e horários dos protestos contra a Reforma da Previdência no dia 15 de março

    Da Redação

    Em diversas cidades do Brasil estão marcados protestos, para esta quarta-feira (15), em oposição ao projeto de Reforma da Previdência proposto pelo presidente ilegítimo Michel Temer (PMDB). Servidores públicos, estudantes, metalúrgicos, metroviários, trabalhadores dos Correios, sem tetos e sem terra, entre outros setores, prometem integrar os atos. Educadores aprovaram em congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), greve geral do setor para a data. Diversas entidades e organizações dos movimentos sociais fazem parte da convocação, como as Frentes Brasil Popular, Povo Sem Medo e Esquerda Socialista.

    Acompanhe aqui, no Esquerda Online, os locais e horários dos protestos marcados para acontecer na sua cidade:

    Alagoas

    Em Maceió, a manifestação acontece na Praça dos Martirios, às 10h

    Amazonas

    Em Manaus, o protesto acontece às 16h, na Praça do Congresso

    Bahia

    Em Salvador, o ato unitário está marcado para iniciar em Campo Grande, às 15h

    Ceará

    Em Fortaleza, a concentração acontece às 8h, na Praça da Bandeira

    Distrito Federal

    Em Brasília, o protesto acontece na Catedra, às 8h

    Espírito Santo

    Em Vitória, o chamado é para a Pracinha das Goiabeiras, às 7h

    Goiás 

    Em Goiania, o ato acontece no Centro da Cidade, às 9h

    Mato Grosso

    Em Cuiabá, o protesto acontece à tarde, às 16h, na Praça do Ipiranga

    Minas Gerais

    Em Belo Horizonte, a concentração é na Praça da Estação, às 10h

    Pará

    Em Belém, o ato acontece na Praça da República, às 9h

    Paraíba

    Em João Pessoa, o ato acontece em frente a Ministério da Previdência, Às 16h

    Paraná

    Em Curitiba, a manifestação acontece na praça Santos Andrade, 9 horas

    Pernambuco

    Em Recife, o ato acontece na Praça Oswaldo Cruz, às 9h

    Rio de Janeiro

    No Rio de Janeiro, o protesto acontece às 16h, na Candelária

    Evento no facebook – https://www.facebook.com/events/1320404234671835/

    Rio Grande do Norte

    Em Natal, a manifestação está marcada para 14h, na Praça Gentil Ferreira

    Roraima

    Em Boa Vista, o ato acontece às 9h, na Assembleia Legislativa

    Rio Grande do Sul

    Em Porto Alegre, a concentração é às 17h, na Esquina Democrática

    Rondônia

    Em Porto Velho, o protesto está marcado para 9h, na Praça Estrada de Ferro Madeira Mamoré

    Santa Catarina

    Em Florianópolis, o ato acontece na Praça Miramar, às 16h

    São Paulo

    Em São Paulo, o protesto está marcado para acontecer no Masp, às 16h

    Evento no facebook – https://www.facebook.com/events/661681574017961/

    Sergipe

    Em Aracaju, o protesto é na Praça General Valadão

    Tocantins

    Em Palmas, o ato acontece pela manhã, às 8h30, no Colégio São Francisco

    Saiba Mais

    Após repressão, estudantes da USP aprovam paralisação no dia 15

    15M: São Paulo pode parar

    5 motivos para ir às ruas no dia 15 de março

    Após 8 de março vitorioso, construir um forte 15 de março de mobilizações

    Fortaleza terá ato unificado contra a reforma da previdência no dia 15 de março

    Professores e ADI’s de Santo André: Dia 15 de março Juntos! Contra a reforma da previdência! Por uma resposta do SindSERV Santo André!

    É preciso construir a paralisação nacional do dia de 15 março na Baixada Santista

    Vamos parar o Brasil no dia 15 de março

    A urgência da Frente Única para mobilizar centenas de milhares nos dias 8 e 15 de março

    Trabalhadores em educação convocam greve nacional da educação para 15 de março

    Centrais sindicais não chegam a um acordo sobre calendário unificado, mas atos nos dias 08 e 15 de março prometem

     

     

  • Após repressão, estudantes da USP aprovam paralisação no dia 15

    Por: Larissa Vasques*, de São Paulo, SP

    Na última semana, os estudantes da Universidade de São Paulo realizaram recepção aos ingressantes. Logo na terça-feira (7), calouros e veteranos vivenciaram cenas de barbárie protagonizadas pela polícia militar a mando da reitoria. Na pressa de aprofundar as medidas de austeridade na universidade, o reitor Zago aprova a “PEC do fim da USP” na base de repressão totalmente descabida da PM e tropa de choque. O ato convocado pelas três categorias terminou com sete detidos e vários feridos.

    Mesmo assim, a reunião do Conselho Universitário, órgão máximo de deliberação da universidade, ocorreu e, apesar de protesto de conselheiros que se retiraram do espaço ilegitimo, Zago conduziu a reunião de forma ditatorial e a proposta foi aprovada com 52 votos contra 32.

    No dia seguinte, estudantes respondem aos ataques participando de uma das calouradas mais cheias dos últimos anos. A mesa inaugural com o tema “A crise política no Brasil: perspectivas de luta da juventude” lotou o auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Durante a tarde, aconteceram oficinas e debates sobre violência, gênero, raça, educação, saúde, direito à cidade. O dia terminou com uma festa na vivência estudantil do DCE para fortalecer a ocupação dos espaços estudantis, que também vêm sendo fortemente atacados nos últimos anos, em particular na gestão Zago. A calourada foi construída coletivamente pelo DCE e muitos Centros Acadêmicos e ativistas independentes, o que possibilitou uma unidade importante do conjunto do movimento estudantil e o fortalecimento das entidades.

    No quarto dia de aula (quinta-feira) uma programação de última hora para a semana de recepção: um ato arrastão para denunciar a repressão e assembleia geral estudantil. O clima era de unidade, sentimento que não era visto nos fóruns do movimento nos últimos anos, com grande representatividade de calouros e calouras indignados com a situação. Foram aprovadas as pautas de revogação da “PEC do fim da USP”, com a construção de um abaixo-assinado, e o Fora Zago.

    Paralisação Nacional
    Contra a reitoria antidemocrática, estudantes respondem com mais unidade e aprovam a incorporação da universidade à paralisação nacional do dia 15 de março contra o governo também ilegítimo de Temer e a Reforma da Previdência. Serão convocadas assembleias nos cursos na próxima semana para garantir uma paralisação efetiva na Universidade de São Paulo.

    O movimento da universidade inicia o ano em uma dinâmica de fortalecimento. É um passo importante para armar as lutas de resistência aos ataques à educação e aos direitos da juventude que serão travadas no próximo período.

    *Larissa é estudante de Relações Públicas

  • O que aprendi com Logan

    Por Henrique Canary, Colunista do Esquerda Online

    (Não contém spoilers)

    A última aparição de Hugh Jackman como Wolverine nos cinemas era, sem dúvida, um dos eventos mais esperados do ano. E valeu a pena! Inspirado no arco de HQ’s “Velho Logan”, Logan, dirigido por James Mangold (Wolverine – Imortal, 2013) é, de longe, o melhor filme de toda a franquia X-Men, faz justiça ao talento de Jackman, ao seu incrível crescimento como ator nestes 16 anos em que interpretou o Wolverine, e à grandeza de sua personagem. O filme é simplesmente fantástico. Ótima fotografia, roteiro bem amarrado, ritmo certo. Logan é, também, o filme mais realista da franquia. Praticamente um drama. Para melhorar, é um “road movie” (algo absolutamente incomum – talvez único – para um filme de super-herói), embalado pela voz arrastada e o violão inconfundível de Johnny Cash.

    O roteiro dialoga com a HQ, mas segue um caminho próprio. Em um não tão longínquo 2029, os mutantes foram praticamente extintos, e James “Logan” Howlett vive recluso em uma fábrica abandonada na fronteira do México com os Estados Unidos, trabalhando como motorista para um aplicativo, e cuidando de seu velho mestre e amigo, Charles Xavier, que a esta altura já passa dos 90 anos, e sofre de constantes e perturbadoras convulsões. Aquele que foi “o cérebro mais perigoso do mundo” agora delira quase todo o tempo, e depende de remédios para continuar funcionando. Mas também para Logan as coisas não estão boas. A pobreza escancarada, a humilhação pelos clientes, a solidão, as lembranças do passado. Logan agora manca, suas feridas não cicatrizam como antes, suas garras não funcionam tão bem, seu corpo se enche de cicatrizes das velhas batalhas e o poderoso herói degenera a olhos vistos a cada minuto do filme. Nestas condições, ele precisa levar uma pequena mutante conhecida nos quadrinhos como X-23, para um lugar seguro do outro lado do país. X-23, ou Laura, é uma mutante extremamente poderosa: tem garras de metal que lhe saem das mãos, é agressiva, quieta e, quando acuada, se comporta como um animal. “Ela não lhe lembra ninguém?”, pergunta Xavier a Logan…

    Logan é um filme sobre doença, velhice e a fragilidade da vida. Mas é também uma ode às novas gerações, aos mais jovens, àqueles que hoje erram e agem por impulso, mas que certamente aprenderão a ser melhores do que nós, àqueles a quem o futuro pertence. Logan nos ensina que o tempo é implacável, que até os mais poderosos heróis envelhecem, se tornam carentes e doentes. Nessas condições, não há outra saída a não ser confiar nas novas gerações. A vida tem que seguir adiante, a despeito dos indivíduos. “A morte é uma impiedosa vitória da espécie sobre o indivíduo”, disse Marx nos Manuscritos Econômicos e Filosóficos, de 1844. Que profundo e inspirador! Não é preciso ter o “fator de cura” para enganar a morte. Há outros meios. Entregar o bastão aos mais jovens e deixar a vida seguir seu curso é um deles.

    “Não seja aquilo que eles fizeram de você”, diz Logan para X-23 a certa altura do filme. Para aqueles que sonham e lutam por um mundo melhor, este também é um bom conselho. Talvez o mais importante de todos! Ninguém colocou garras de adamantium em nós, nem nos submeteu a experimentos bizarros para nos transformar em máquinas assassinas. Mas a sociedade em que vivemos de alguma maneira “nos fez”. Ou tenta nos fazer. Quer que sejamos individualistas, que não sejamos solidários, que sejamos indiferentes, que nos preocupemos apenas com nós mesmos. É preciso resistir. Não ser aquilo que eles querem fazer de nós. Assim, ainda que não sejamos imortais, a causa a que servimos poderá viver para sempre. E nós viveremos nela.

    Essas foram algumas lições que aprendi assistindo Logan.