Editorial

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  • Queda de Braço: Governo quer aprovar reforma trabalhista e trabalhadores preparam a maior greve geral em 30 anos

    Professores, metroviários, rodoviários, metalúrgicos, petroleiros, eletricitários, bancários, trabalhadores dos correios e um longo etc. A greve geral é uma realidade e o Brasil inteiro vai sentir seus impactos. Será impossível para mídia esconder a greve geral, que poderá ser a maior em trinta anos. Também estão sendo organizados protestos em diversas capitais.

    A greve é assunto em todos os lugares, não apenas nos locais de trabalho. Uma importante parcela da população já sabe da paralisação e apoia que ela aconteça. É neste apoio que está um dos elementos decisivos de força da resistência.

    Do outro lado a ofensiva continua

    Como expressão da disposição em enfrentar os trabalhadores o Governo e os deputados querem quer aprovar, nesta quarta feira (26) a reforma trabalhista. É típico do momento em que vivemos: ataque e resistência.

    A classe dominante apostou no golpe parlamentar e no Governo Temer como o caminho mais rápido para aprovação das Reformas. Por isso tenta seguir adiante mesmo com a enorme resistência popular.

    É possível derrotar a Reforma da Previdência
    A grande maioria da população é contra o aumento da idade e do tempo de contribuição para aposentadoria. Temer sentiu a dificuldade, o caminho não foi tão fácil desta vez, há questionamento e resistência.

    O cenário é bem diferente daquele identificado na aprovação da EC 55, que foi sumária. Não há dúvidas que esta mudança foi provocada pelo dia 15 de março, pela articulação nacional do enfrentamento e pelo apoio popular que a resistência conquistou neste período.

    Em tempos de normalidade, eles parecem sempre muito mais fortes. Mas quando a classe trabalhadora interfere nos rumos da história a sua força tem enorme poder. No dia 28 é hora de mostrar a nossa força e nosso poder. É greve geral.

     

     

     

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    Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

  • 28 de abril: a greve geral que vai parar o Brasil

    Editorial 24 de abril

    O povo brasileiro tem uma história. Muitas vezes, ignorada nos livros didáticos. A burguesia conta a sua a partir da sua perspectiva de classe dominante. Privilegia seus nomes, seus heróis, suas façanhas.

    Para eles, tudo começou com Pedro Alvares Cabral e o descobrimento do Brasil. Para nós, tudo começa com a luta dos índios contra a violência colonizadora, seguida por 400 anos de resistência à escravidão. O Quilombo dos Palmares, a revolta dos Malês e muitas outras revoltas foram protagonizadas contra a opressão da casa grande.

    A classe trabalhadora brasileira é herdeira desse passado de luta. Pelo menos três vezes nos últimos 40 anos, nos deu provas de que quando se movimenta é capaz de fazer mover as rodas da história e se conectar aos profundos interesses do nosso povo.

    Os movimentos grevistas do final dos anos 70 e anos 80, que derrotaram a ditadura civil-militar; o Fora Collor em 1992 e as mobilizações da juventude e do precariado em junho de 2013 são exemplos de um gigante adormecido, que quando se move é capaz de mudar a realidade brasileira.

    Evidente que estamos em uma situação política de ofensiva da burguesia contra direitos históricos da classe trabalhadora. Nosso movimento é defensivo. Mas, para aqueles que acreditam na autodeterminação e organização independentes dos trabalhadores, a construção de uma greve geral sempre é um grande momento.

    Nos últimos quarenta anos, foram quatro greves gerais: a primeira em 21 de julho de 1983, a segunda em 12 de dezembro de 1986, a terceira em 20 de agosto de 1987 e a mais importante delas nos dias 14 e 15 de março de 1989. Esta última, que tinha como reivindicação principal a reposição das perdas dos planos Cruzado e Verão, paralisou cerca de 35 milhões de trabalhadores, tornando-se o movimento de maior abrangência da década de 1980 e, também, a maior greve geral do país. Tivemos, ainda, dias chamados como greves gerais em 1991 e 1996, mas que não tiveram a força do movimento dos anos 80.

    Devemos jogar todas as nossas fichas nesse movimento. As informações que chegam é de que teremos um dia de greve muito forte do Norte ao Sul do país. Na cidade mais importante do Brasil, São Paulo, tudo indica que o metrô, trem e os ônibus não vão funcionar. 

    O governo de Michel Temer (PMDB), em contrapartida, prepara para os próximos dias a votação da Reforma Trabalhista e da Previdência. O presidente e esse Congresso de corruptos não têm legitimidade, nem moral para votar nenhum desses ataques profundos aos direitos mais elementares do nosso povo. Não podemos deixar isso acontecer.

    Estamos a quatro dias de uma data histórica. Agora é o momento de realizar assembleias e preparar a paralisação nos locais de trabalho e grandes vias urbanas, além dialogar com a população nas ruas e nas redes, pois a vocação da classe trabalhadora brasileira é unir seus interesses com as mais profundas necessidades do nosso povo.

    Vamos para as ruas pelos direitos nossos e das próximas gerações. Essa será uma semana que entrará para a história do Brasil. Vamos batalhar para virar o jogo.

    Foto: Esquerda Online

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  • Derrota do Governo no Congresso

     

    Editorial 19 de abril

    Derrota do governo nas votações de ontem (18) mostra o crescimento da instabilidade no Congresso Nacional. O presidente Michel Temer é o presidente com o menor apoio popular da história do Brasil. Quase 80% dos brasileiros não confiam nele. A única coisa que o mantinha no poder era o apoio do Congresso Nacional. As votações desta terça mostram que a maioria do governo no Congresso está ameaçada.

    O relatório sobre a Reforma da Previdência não pôde ser apresentado na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (18) por falta de quórum. O governo havia mudado alguns pontos da reforma, como colocar pessoas a partir 30 anos nas regras de transição e mudar de 49 para 40 anos o tempo de contribuição para aposentadoria integral. Mesmo assim, segundo levantamento do jornal O Estado de São Paulo, até a manhã desta quarta-feira, 275 deputados eram contra a reforma.

    Além disso, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, não conseguiu aprovar o requerimento de urgência para que o projeto de lei da Reforma Trabalhista fosse direto para o Senado. Ele precisava de 257 votos e teve 230. É possível que ele tente de novo e talvez ganhe, mas isso vai aumentar ainda mais o desgaste. Afinal, esta reforma acaba com direitos como jornada de 44 horas e férias.

    O quadro é bem diferente do ano passado, quando Temer aprovou o congelamento dos investimentos sociais por vinte anos com uma larga margem no Congresso. Naquela época, Temer conseguiu 359 deputados e 53 senadores para aprovar sua proposta. Isto em meio a mais de mil ocupações de escolas.

    Alerta: Rodrigo Maia faz manobras para reverter derrotas
    O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, quer aprovar hoje ou nos próximos dias o requerimento de urgência da Reforma Trabalhista e o relatório da Reforma da Previdência. Isso mostra o quanto este Congresso é antidemocrático. Quando uma proposta que interessa aos empresários e banqueiros é derrotada, eles votam de novo até aprovar. Se fosse um projeto de interesse popular, isso não aconteceria.

    Deputados e senadores estão com medo
    Temer já desistiu de ter apoio popular. Ele foi colocado no poder pelos grandes empresários e pelo Congresso, que há um ano preferiu fazer o impeachment do que chamar novas eleições, como queria a maioria do povo. Como não quer se reeleger, ele promove a retirava de direitos sem pudor para agradar os poderosos. Mas com os deputados e senadores, a situação é diferente.

    Estamos a um ano e meio das eleições e os deputados e senadores têm amor a seus mandatos. Vários deles não estão mais dispostos a se desgastar com a aprovação de medidas impopulares. Depois que 500 mil pessoas foram às ruas no dia 15 de março contra as reformas, eles sentiram a pressão da população.

    Ontem mesmo, a Câmara dos Deputados foi ocupada por policiais civis e federais, que serão atingidos pela Reforma da Previdência. Isso mostra que a vida dos parlamentares não será nada fácil nos próximos dias.

    Dia 28 será decisivo
    Não podemos nos acomodar. Para daqui há nove dias está marcada uma greve geral contra as reformas. Se ela for grande e tiver muito apoio, a situação política do país pode mudar. A responsabilidade das direções sindicais hoje é grande.

    A última plenária nacional dos trabalhadores dos transportes decidiu pela greve geral. Metroviários e Rodoviários de São Paulo já confirmaram a participação. Professores estaduais e municipais, metalúrgicos, bancários e outras categorias também vão parar na maior cidade do país. Isto é uma amostra do que pode acontecer em todo do Brasil.

    Nosso futuro depende de nossa mobilização. O momento é decisivo, são os direitos de uma geração inteira que estão em jogo. É hora de partir para cima.

    Foto: 18/4/2017- Brasília- DF, Brasil- Plenário da Câmara dos Deputados rejeita o requerimento de urgência da proposta de reforma trabalhista. Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

  • Um ano do golpe parlamentar, um ano de retrocessos

    Editorial 18 de abril

    Existem dias que ficam, para sempre, na memória. Alguns felizes, outros nem tanto. O 17 de abril de 2016, dia da sessão da Câmara dos Deputados que votou o afastamento de Dilma Roussef (PT) e abertura do Impeachment, ficará marcado para uma geração como o dia da infâmia, da misoginia, da Lgbtfobia, da corrupção, do ódio aos trabalhadores, do ódio à esquerda, um dia com a cara de Jair e Eduardo Bolsonaro (PSC) e de um Congresso de corruptos. Quem não se lembra da cena horripilante do deputado dos confetes?

    Não foi um dia com a cara do povo brasileiro. Não foi como as mobilizações das ‘Diretas, já’, ou como as ‘caras pintadas’ do ‘Fora Collor’. Os interesses mais profundos dos trabalhadores e dos setores mais oprimidos não estavam representados naquela barbárie que presenciamos na TV, pelo contrário, o golpe era contra os explorados e oprimidos, era contra nós. Todos sentiram na pele o avanço da burguesia sobre nossos direitos, inclusive o direito ao futuro, tão importante para a nossa juventude. Não por acaso, em setembro de 2016, esse setor deu o primeiro grito nas ruas pelo Fora Temer.

    Por que gritamos “Golpe”?
    O regime político brasileiro, o presidencialismo de coalizão exige, para a retirada do Presidente da República, a existência de crime de responsabilidade. A eventual perda de maioria no Congresso Nacional não pode ser motivo para a derrubada do governo pelo parlamento. Poderia ser, caso fosse um regime parlamentarista. Não é o caso do Brasil.

    A manobra parlamentar reacionária foi um golpe parlamentar porque foi orquestrado sem crime de responsabilidade, por um Congresso Nacional corrupto, em conluio com o imperialismo, a grande burguesia brasileira e os grandes meios de comunicação. As classes médias, rompidas com os governos petistas, foram a base social de massas para o golpe.

    Atônitos pelas medidas de ajuste fiscal que Dilma Roussef (PT) e Joaquim Levy aplicaram no início de 2015, logo após ela ser eleita, mas com outro programa, além das denúncias da Lava Jato, fizeram com que os trabalhadores assistissem desacreditados ao desenlace final do golpe parlamentar. O PT pagou caro por anos de adaptação à colaboração de classes. Foi incapaz de mobilizar sua base histórica.

    Sempre estivemos na Oposição de Esquerda dos governos Lula e Dilma. Nossa estratégia é a superação dos governos petistas de colaboração de classes por uma alternativa independente dos trabalhadores e da juventude. Não foi isso que aconteceu no Brasil. Não reconhecemos, nos juízes e procuradores da Lava Jato, a possibilidade de substituir as tarefas históricas da classe trabalhadora brasileira. O protagonismo desses setores sociais, na queda do governo Dilma,  não poderia levar a um avanço da situação da classe trabalhadora, mas sim, a um retrocesso. Neste caso, o ataque às conquistas sociais da Constituição de 1988.

     12 meses de retrocessos
    Um ano depois, inúmeros foram os ataques dirigidos pelo governo Temer. A ‘PEC do teto dos gastos’, que congela os investimentos em saúde e educação por 20 anos, a Reforma do Ensino Médio, a entrega do pré-sal, privatizações, a apresentação das reformas da Previdência e Trabalhista são alguns dos exemplos.

    Fortalecer a resistência
    O 15 de março foi um importante marco na resistência contra as reformas. Pela primeira vez desde 2013, os trabalhadores e a juventude retomaram as ruas. As mobilizações dos verde-amarelos diminuíram. As reformas da Previdência e Trabalhista são repudiadas pela maioria da população. O impulso do dia 15 de março fortaleceu a possibilidade da construção de uma greve geral no dia 28 de abril. Devemos jogar todas as forças nessa mobilização.

    Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

  • Lava Jato e a luta contra as reformas

    As revelações da ‘lista de Fachin’ abalaram Brasília. As fartas evidências das relações incestuosas entre políticos e grandes empresários expuseram a podridão do sistema.

    Veio à luz, sem disfarces, a apropriação do bem público pelas empresas privadas.

    Em outras palavras: a corrupção capitalista consiste em mais um mecanismo por meio dos qual a burguesia rouba o patrimônio do povo. Para tanto, a classe dominante precisa “comprar” governantes, juizes, deputados, partidos, etc.

    Desse modo, o Estado mostra sua verdadeira face, funciona para garantir os interesses de empreiteiras, bancos, multinacionais, etc.

    Nesse sentido, em primeiro lugar, para começar o combate verdadeiro à corrupção, deveriam ser estatizadas, sob controle público e dos trabalhadores, a Odebrecht e demais empresas que comprovadamente roubaram por décadas o patrimônio do povo.

    Esta medida: a estatização das empresas corruptas e corruptoras teria grande impacto. Atacaria o que realmente importa para os seus donos: o dinheiro e a propriedade.

    Assim também é preciso confiscar os bens dos políticos e empresários corruptos. Eles não podem seguir vivendo como milionários, depois de ter roubado o povo.

    Em terceiro lugar é preciso uma reforma política radical. Não para judicializar a política como querem os procuradores, nem para exterminar os poucos partidos ideológicos que existem no Brasil, como defende a direita. Mas para aplicar uma medida básica de combate à corrupção: o fim do financiamento privado de campanha. Enquanto o poder econômico definir as eleições, as empresas exigirão o retorno do investimento que fizeram nas campanhas na forma de vantagens do poder público.

    Em quarto lugar é preciso por fim à todo e qualquer privilégio dos políticos. Os super salários dos políticos e juízes precisam acabar.

     

    Temer e o Congresso não tem legitimidade para aprovar as reformas

    Estão enlameados em denúncias de corrupção: nove ministros, um terço do Senado e da Câmara, o próprio Temer e quase todos partidos. Eles, portanto, não tem nenhuma legitimidade para votar as Reformas da Previdência e a Trabalhista no Congresso.

    Os deputados e senadores que se venderam às empreiteiras não podem acabar com o direito à aposentadoria; não podem votar a extinção de direitos trabalhistas; e, mais do que isso, não podem seguir no poder.

    No dia 28 de Abril, está marcada a Greve Geral. Os trabalhadores e juventude prometem parar o país nesse dia. É hora de ir às ruas contra as Reformas e esse Governo, pelo nosso direito ao futuro! Temer e esse Congresso de corruptos devem cair, para que os direitos sociais permaneçam! É preciso também a convocação de eleições gerais já, como novas regras, para todos cargos.

    Nenhuma confiança na Lava Jato

    Diante do fato positivo de que a lista de Fachin ajuda a revelar a podridão do sistema político, alguns setores na esquerda se apressam a afirmar que seria a prova do caráter progressivo da Lava Jato.

    Acreditamos que é um erro essa avaliação. A experiência da Itália, que teve uma operação muito parecida nos anos 90, a chamada “mãos limpas”, deveria servir de alerta. Depois da operação detonar alguns partidos e políticos, sem que existisse uma alternativa da esquerda e dos trabalhadores, o governo italiano caiu nas mãos de um empresário aventureiro e corrupto: Silvio Berlusconi.

    As instituições e os agentes do Estado capitalista, envolvidos na Lava Jato, não querem acabar com a apropriação do público pelo privado. Estão interessados apenas em novas regras de regulação da relação entre o capital e o Estado.

    Acreditar que o Ministério Público, a Polícia Federal, o juiz Moro, o STF – instituições e personagens dos mais reacionários – estão a cumprir um papel progressivo, com objetivos positivos, e que por isso devem ser apoiados, é perder de vista o natureza e os objetivos capitalistas da Lava Jato.

    Numa frase: a Lava Jato e seus agentes trabalham para uma saída reacionária para para a crise brasileira, em todos aspectos. Em termos econômicos, querem a abertura irrestrita para o capital estrangeiro. Do ponto de vista ideológico, constroem uma narrativa de que o problema do país é a “corrupção dos políticos” e não o próprio sistema. No aspecto institucional, estão estabelecendo novas medidas antidemocráticas. E, em termos políticos, apoiam as reformas que retiram direitos.

    Para combater a corrupção de modo consequente é necessário enfrentar sua causa fundamental: o controle dos capitalistas sobre o que deveria ser público e coletivo, a serviço do bem estar social. Essa tarefa anticapitalista e democrática só poderá ser cumprida pela luta organizada dos trabalhadores e do povo.

     

    Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

  • Qual é o pacto de que precisamos?

    O dia 28 de abril vai se aproximando e a perspectiva de um novo patamar de resistências às reformas de Temer vai canalizando os esforços de milhares de ativistas, em todo o país, para a preparação da greve geral. São diversas categorias e movimentos sociais que vão organizando iniciativas nos locais de estudo, trabalho e moradia, com vistas a convergir por uma forte mobilização nacional contra Temer e o Congresso.

    Esse processo de luta é atravessado pelos desdobramentos políticos de uma nova investida da Operação Lava Jato. Enquanto o impacto da chamada “lista do Fachin” ainda reverbera em Brasília, os mais distintos aparelhos ideológicos da classe dominante entram em contradição com seus próprios discursos pré-impeachment: Temer, Aécio, ministros e parlamentares da base do governo estão comprometidos. Que retumbante fracasso dos que diziam que iam “passar o Brasil a limpo”.

    Mediante esses novos fatos, a abordagem da mídia corporativa dá mostras de que é sempre possível cavar mais fundo em matéria de hipocrisia. Quando a aura de moralidade do governo e do Congresso se dissipa, nem por um milímetro os grandes grupos de comunicação se afastam, do ponto de vista programático, dessa gente. É como se nos quisessem convencer de que esses senhores talvez não sejam mesmo tão honestos, mas estão seriamente empenhados em salvar a economia com suas reformas “tão urgentes quanto necessárias”.

    Ironicamente, o fato de governistas e opositores, golpistas e golpeados, repousarem juntos na lama tem dado base a discursos – cada vez mais explícitos, diga-se de passagem – em prol de um acordo para, na linguagem cínica comum aos parlamentos, “salvar a política”. E na esteira desse tipo de intento, surge o rumor de que Lula, Temer e FHC estariam articulando um pacto com vistas à sobrevivência política para 2018.

    Consta que o presidente de fato e os outros dois ex-mandatários estariam costurando, por meio de emissários, os seguintes termos: preserva-se Temer até 2018, garante-se Lula como candidato e formata-se uma reforma política em moldes tais que preservem os principais partidos do regime e neles concentre poderes.

    É notável que a estratégia petista, materializada no slogan “Lula 2018”, tende por si só a alguma margem de conciliação. Reeditar um projeto de colaboração de classes, após o golpe parlamentar e as duras medidas de austeridade exigidas pela burguesia, só poderá ser possível caso Lula recomponha relações com ao menos um setor importante dos grandes empresários do país. Difícil imaginar é o que a classe trabalhadora teria a ganhar nesse cenário, quando de conjunto a classe dominante exige nada menos que décadas de retrocesso em matéria de direitos e garantias sociais.

    O pacto de que precisamos é, portanto, de outra natureza e com atores sociais inteiramente distintos. É um acordo para uma luta sem tréguas contra este retrocesso, em que as forças da classe trabalhadora estejam comprometidas até o final com o emprego do máximo de suas energias na luta contra as reformas.

  • São os parlamentares da lista do Fachin que vão votar as reformas

    Um Congresso sob suspeita não pode mudar a previdência e os direitos trabalhistas

    A investigação sobre o envolvimento de 108 pessoas no esquema de corrupção alvo da Operação Lava-Jato foi autorizada. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin tornou público os nomes na tarde desta terça-feira.

    O presidente Temer é citado nos pedidos de aberturas dos inquéritos. Mas como ele é presidente em exercício, não pode ser investigado. Mas oito de seus ministros serão alvo de investigação. Se algum dos investigados virar réu, será que Temer vai cumprir a promessa de demiti-lo?

    No congresso a situação não é melhor. Serão 29 senadores investigados, 36% do total de 81. O presidente da casa, Eunício de Oliveira, (PMDB-CE) está entre eles. Na Câmara dos Deputados, serão 42, 8% do total, incluindo aí o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ). A investigação também vai envolver governadores de 12 estados e políticos de todas as esferas.

    E eles querem aprovar as reforma previdenciária e trabalhista…

    Como um Congresso encharcado de lama tem moral para aumentar a idade da aposentadoria? E para mudar as leis trabalhistas? Eles dizem que o povo deve fazer sacrifícios senão a previdência vai quebrar. Dizem que acabar com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) vai ajudar o trabalhador. Devemos acreditar neles?

    Se os senadores sob suspeita fossem impedidos de votar, a reforma não teria votos suficientes para ser aprovada. Um parlamentar que não tem credibilidade e vota em uma medida que é rejeitada por 79% da população é um legítimo representante do povo? Não!

    Mas eles não estão nem aí. Querem mudar a Constituição para obrigar a pessoa a contribuir 49 anos para ter aposentadoria integral. Querem que todo trabalhador se aposente no mínimo aos 65 anos. Isso alegando um falso rombo na previdência. E querem mudar a lei para que patrões não sejam mais obrigados a conceder direitos aos funcionários.

    O autor dessas propostas é Michel Temer, que tem menos credibilidade ainda. É rejeitado por mais de 70% dos brasileiros, está envolvido com os escândalos de corrupção e tem um ministério mais sujo que pau de galinheiro. Que moral ele tem para dizer que os trabalhadores devem aceitar essas reformas?

    O PT e a corrupção

    É uma vergonha que o PT, que nasceu dos movimentos sociais e mantem grande peso entre os trabalhadores, tenha governado por 13 anos associado ao que existe de pior na política brasileira. O PT tornou-se parte do sistema, e por isso também se envolveu em tantos esquemas de corrupção. Não foi o PT que levou a corrupção para os palácios, como diz a grande mídia. Foi a ida do PT aos palácios e as relações espúrias que este partido constituiu com os legítimos representantes da classe dominante que corrompeu o partido que a classe trabalhadora constitui nas lutas das décadas de 80.

    Esquerda socialista não entra na lista

    Políticos de 15 partidos foram citados na lista de Fachin. Isso mostra que a corrupção não é apenas um problema de um grupo, mas é parte do sistema político do país. Mas nem tudo é desespero: nenhum militante do PSOL, do PCB e do PSTU foi citado.

    Estes partidos são compostos por militantes que estão nas lutas da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros e dos LGBTS. São militantes da esquerda radical, que não fizeram parte dos governos do PT.

    Isto mostra a importância de união da esquerda socialista é uma necessidade para as lutas de agora e para as eleições de 2018. Devemos oferecer ao povo uma alternativa aos corruptos e à direita reacionária.

    A solução é ir para a luta

    Não existe salvador da pátria. É o próprio povo organizado e mobilizado que deve encontrar a saída. Dia 28 tem uma greve geral contra as reformas. Uma forte mobilização vai mostrar a estes políticos que nós não aceitamos que eles tirem nossos direitos.

    Os trabalhadores de ônibus, metrô e aeroportos do país inteiro já estão mobilizados. Professores, trabalhadores dos Correios, metalúrgicos e trabalhadores de outras categorias também estão preparados.

    Cada um de nós e parte da solução. Apenas nossa luta vai mudar nossa vida. Somos nós os donos de nosso destino, e não os políticos cada vez mais sujos em escândalos de corrupção.

    OS ALVOS DOS INQUÉRITOS

    MINISTROS

    Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)

    Blairo Maggi (PP)

    Bruno Araújo (PSDB-PE)

    Eliseu Padilha (PMDB-RS)

    Gilberto Kassab (PSD-SP)

    Helder Barbalho (PMDB)

    Marcos Pereira (PRB)

    Moreira Franco (PMDB-RJ)

    SENADORES

    Aécio Neves (PSDB-MG)

    Antônio Anastasia (PSDB-MG)

    Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)

    Ciro Nogueira (PP-PI)

    Dalírio Beber (PSDB-SC)

    Edison Lobão (PMDB-PA)

    Eduardo Braga (PMDB-AM)

    Eunício Oliveira (PMDB-CE)

    Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE)

    Humberto Costa (PT-PE)

    Ivo Cassol (PP-RO)

    Jorge Viana (PT-AC)

    José Serra (PSDB-SP)

    Kátia Regina de Abreu (PMDB-TO)

    Lidice da Mata (PSB-BA)

    Lindbergh Farias (PT-RJ)

    Omar Aziz (PSD-AM)

    Paulo Rocha (PT-PA)

    Renan Calheiros (PMDB-AL)

    Ricardo Ferraço (PSDB-ES)

    Romero Jucá (PMDB-RR)

    Valdir Raupp (PMDB-RO)

    Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)

    Fernando Collor (PTC-AL)

    DEPUTADOS FEDERAIS

    Alfredo Nascimento (PR-AM)

    Antônio Brito (PSD-BA)

    Arlindo Chinaglia (PT-SP)

    Betinho Gomes (PSDB-PE)

    Beto Mansur (PRB-SP)

    Cacá Leão (PP-BA)

    Carlos Zarattini (PT-SP)

    Celso Russomano (PRB-SP)

    Daniel Almeida (PCdoB-BA)

    Daniel Vilela (PMDB-GO)

    Décio Lima (PT-SC)

    Dimas Toledo (PP-MG)

    Fábio Faria (PSD-RN)

    Felipe Maia (DEM-RN)

    Heráclito Fortes (PSB-PI)

    João Paulo Papa (PSDB-SP)

    José Carlos Aleluia (DEM-BA)

    José Reinaldo (PSB-MA)

    Júlio Lopes (PP-RJ)

    Jutahy Júnior (PSDB-BA)

    Lúcio Vieira Lima (PDMB-BA)

    Marco Maia (PT-RS)

    Maria do Rosário (PT-RS)

    Mário Negromonte Jr. (PP-BA)

    Milton Monti (PR-SP)

    Nelson Pellegrino (PT-BA)

    Ônix Lorenzoni (DEM-RS)

    Paulinho da Força (SD-SP)

    Paulo Henrique Lustosa (PP-CE)

    Pedro Paulo (PMDB-RJ)

    Rodrigo Garcia (DEM-SP)

    Rodrigo Maia (DEM-RM), presidente da Câmara

    Vander Loubet (PT-MS)

    Vicente “Vicentinho” Paulo da Silva (PT-SP)

    Vicente Cândido (PT-SP)

    Yeda Crusius (PSDB-RS)

    Zeca Dirceu (PT-SP)

    Zeca do PT (PT-MS)

    João Carlos Bacelar (PR-BA)

    Arthur Maia (PPS-BA)

    GOVERNADORES

    Renan Filho (PMDB-AL)

    Robinson Faria (PSD-RN)

    Tião Viana (PT-AC)

    PREFEITOS

    Maguito Vilela (PMDB-GO), prefeito de Aparecida de Goiânia e ex-governador

    Napoleão Bernardes (PSDB-SC), prefeito de Blumenau

    Rosalba Ciarlini (PP-RN), prefeita de Mossoró e ex-governadora do Estado

    MINISTRO DO TCU (TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO)

    Vital do Rêgo Filho

    OUTROS

    Ana Paula Lima (PT-SC), deputada estadual em Santa Catarina

    Cândido Vaccarezza, ex-deputado federal PT

    César Maia (DEM-RJ), vereador e ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-deputado federal

    Eduardo Paes (PMDB-RJ), ex-prefeito do Rio de Janeiro

    Edvaldo Brito (PTB-BA), então candidato ao cargo de senador pela Bahia nas eleições 2010

    Eron Bezerra, marido da senadora Vanessa Grazziotin

    Guido Mantega (PT-SP) ex-ministro da Fazenda

    Humberto Kasper, ex-presidente da Trensurb (empresa de trens de Porto Alegre-RS)

    João Carlos Gonçalves Ribeiro, ex-secretário de Planejamento de Rondônia

    José Dirceu (PT-SP), ex-ministro da Casa Civil

    José Feliciano (PMN-PE), vereador de Cabo de Santo Agostinho-PE

    Márcio Toledo, arrecadador das campanhas da senadora Suplicy

    Marco Arildo Prates da Cunha

    Moisés Pinto Gomes, marido da senadora Kátia Abreu

    Oswaldo Borges da Costa, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais

    Paulo Bernardo (PT-PR), ex-ministro do Planejamento

    Paulo Vasconcelos, marqueteiro de Aécio Neves

    Rodrigo Jucá, filho de Romero Jucá

    Ulisses César Martins de Sousa, ex-procurador-geral do Maranhão

    Vado da Famárcia, ex-prefeito do Cabo de Santo Agostinho

    Valdemar da Costa Neto (PR-SP), ex-deputado federal

    Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

  • Dinâmica do Placar da Previdência indica derrota de Temer

    No dia 6 de abril, quinta feira, o Placar da Previdência lançado pelo Estadão revela um cenário complicado: 251 votos contrários à Reforma da Previdência. Como é uma Emenda Constitucional, a reforma precisa de 308 votos. O resultado de quinta feira, portanto, era insuficiente para aprovar o pacote.

    Temer trabalhou bastante nos quatro dias que nos separam daquele placar. Na tarde de domingo, deixou o Palácio do Jaburu, onde reside em Brasília, para visitar Rodrigo Maia – DEM, em casa. O encontro também contou com a presença de quatro ministros, Raul Jungman – Defesa, Bruno Araújo – Cidades, Antônio Imbassay – Secretário de Governo e Mendonça Filho – Educação, o Presidente do Senado Runício Oliveria e o líder do Governo na Câmara Aguinaldo Ribeiro.

    Apesar da operação, a atualização divulgada nesta segunda feira pelo Estadão revela um cenário ainda pior. O número de deputados contra aumentou para 272, 141 não tem posição e 100 estão a favor.

    Entretanto, dos 100 que estão a favor 85 têm ressalvas. Quatro são os pontos mais questionados por esses 85 deputados: a idade mínima de 65 anos para as mulheres, a idade mínima de 65 para homens, a ausência de regras de transição e a exigência de 49 anos de contribuição para obtenção do direito à aposentadoria integral. Esses são os pontos que a equipe de Henrique Meirelles considera mais importante.

    Portanto, o resultado devastador desta segunda feira é que o presidente tem 25 soldados fiéis, ou 25 deputados que votariam hoje, integralmente, na Proposta de Emenda Constitucional 287.  É um cenário bem distinto da votação da PEC 55 por exemplo, que passou com folga,  359 votos favoráveis no segundo turno da Câmara ocorrido em outubro.

    O Governo vai tentar de tudo, a pressão será grande, dinheiro e cargos não irão faltar. Também não podemos descartar manobras, como a antecipação da Reforma Trabalhista. O que fica nítido, por ora, é que Temer perdeu o debate da previdência na opinião pública, e isso está ruindo sua base no Congresso.

    Nada está garantido, mas isso prova que é possível vencer. É tempo de preparar pela base a greve geral do dia 28 de abril.

     

    Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

     

  • O Espaço das mulheres

    Editorial 9 de Abril |

    “Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”. Essa frase foi dita, no dia 3 de abril, no Clube Hebraica, no Rio de Janeiro, pelo parlamentar Jair Bolsonaro que é réu em processo no Supremo Tribunal Federal por incitação ao crime de estupro contra as mulheres.

    Não há dúvidas que o deputado e suas ideias, que disputam a consciência de milhões, é uma ameaça aos direitos das mulheres. Mas também não há dúvidas que podemos fazer ruir sua misoginia com importantes exemplos de mulheres que conquistaram espaços e fariam qualquer filhote de Bolsonaro se contorcer de raiva.

    Cecilia Payne. Katherine Johnson. Anna Fisher. Três mulheres que contrariam e ameaçam as ideias reacionárias do parlamentar Jair Bolsonaro.

    Escolhemos apenas três exemplos. Fomos pro Espaço, e trouxemos mulheres que desafiaram o mito da exclusiva racionalidade masculina e ocuparam o mundo da Ciência com importantes descobertas e iniciativas.

    O brilho de Cecilia Payne
    cecilia payneCecilia Payne, astrônoma, “só” descobriu a composição do Sol enquanto todos os astrônomos ainda achavam que a estrela tinha a mesma composição da Terra. Foi Payne, em sua tese publicada em 1925, que concluiu que as estrelas são compostas majoritariamente por hidrogênio e hélio. Na época, os salários das mulheres cientistas eram contabilizados como “despesas com equipamentos”, pois eram consideradas profissionais “computadores”, aquelas que faziam contas. Mesmo com todo o preconceito, a astrônoma seguiu seu sonho de ser pesquisadora, e escreveu mais de 350 artigos científicos e analisou entre três a quatro mil estrelas das Nuvens de Magalhães. Em razão do machismo, só trinta anos depois, tornou-se a primeira mulher nomeada chefe do departamento de astronomia da Universidade de Harvard em 1956.

    Katherine Johnson, a física, cientista espacial e matemática
    katherine_johnson_john_glennUma mulher negra, nascida no interior de Virginia (EUA), que se formou no ensino médio aos 14 anos, deu contribuições fundamentais para a exploração espacial. Ela calculou as trajetórias, janelas de lançamento e caminhos de retorno de emergência para muitos voos do Projeto Mercury, o primeiro projeto tripulado de exploração espacial da NASA. Em 1969, a cientista também contribuiu para planejar a trajetória do lendário Apollo 11 à Lua. É considerada a primeira grande mulher da história da Nasa. Reconhecimento retardado pelo machismo, pois só em 2015 recebeu a Presidential Medal of Freedom – a maior condecoração que um civil pode receber nos EUA, e, só em 2016, a NASA inaugurou uma central de pesquisa batizada com seu nome.

    Anna Fischer, a mamãe no Espaço
    Uma astronauta norte-americana que foi selecionada com cinco outras mulheres – Sally Ride, Rhea Seddon, Judith Resnik, Kathryn Sullivan e Shannon Lucid – para a primeira equipa de astronautas femininas da NASA em 1978. Em 1984, Fisher foi ao espaço na tripulação da STS-51-A. Sua filha tinha 14 meses quando Anna foi para missão de oito dias da nave Discovery, caracterizada por ser a primeira a colocar em órbita dois satélites e a recolher outros dois. Na viagem, acumulou 192 horas em órbita e tornou-se a primeira mãe em órbita. “Eu descobri sobre meu voo somente duas semanas antes de dar à luz, então passei todo o ano de treinamento como uma nova mãe. Foi muito difícil deixá-la, mas eu não vejo nenhuma diferença dos meus colegas homens. Eles também se sentem assim, eles sentem falta de sua família e de seus filhos da mesma forma”.

    Foto: Anna Fischer

  • Manobra de Temer pode antecipar a Reforma Trabalhista

    Enquanto os movimentos sociais vão avançando na preparação da greve geral do próximo dia 28, o Palácio do Planalto vai, também, se movimentando para aprovar suas reformas. O mês de março marcou a existência de um fato novo, bastante inconveniente para o governo golpista: o ajuste fiscal passa a enfrentar um novo patamar de resistência organizada junto aos trabalhadores. E as ações de bastidores do governo estão, portanto, pressionadas por essa realidade.

    Dessa maneira, a estratégia de Temer e da burguesia segue sendo implementar, em seu conjunto, as reformas reacionárias que penalizem os mais pobres pela crise econômica. As táticas, porém, podem ser atualizadas. É o que indica o fato do governo considerar a hipótese de deixar a aprovação da reforma da previdência para depois da trabalhista, conforme revelou o senador governista Garibaldi Alves Filho (PMDB/RN).

    Á Folha de São Paulo, o senador declarou que constatou-se o óbvio, que a reforma trabalhista seja absorvida enquanto se discute mais a reforma da Previdência. Tal constatação foi resultado de mais um jantar nababesco oferecido pelo governo a parlamentares, dessa vez com o objetivo de fazer contrapressão entre os senadores em relação ao deslocamento de Renan Calheiros para um discurso cada vez mais dessintonizado com o Planalto.

    Expressando no parlamento o crescimento da indignação popular, a verdade é que a maioria de Temer em ambas as câmaras do Congresso Nacional já não anda tão estável como outrora. É o que ficou demonstrado na derrota do governo em relação a cobrança de mensalidade em cursos nas universidades públicas. Sabe-se que, embora por razões mesquinhas e eleitoreiras, parte dos deputados que votaram a PEC do teto dos gastos, por exemplo, receiam se chocar com suas bases ao aprovar a reforma da previdência.

    Cinicamente, o governo reconhece que a PEC 287 não é “palatável”, intensificando o discurso que diz que o ataque à Previdência Social é um “mal necessário”. Diante de uma maior dificuldade para aprová-la, passa a abrir negociatas e considerar manobras e trocas de favores para atender ao interesse do sistema financeiro – que é quem realmente tem a PEC como “necessária”.

    A hipótese de antecipação na tramitação da reforma trabalhista, por sua vez, não é uma ameaça menor aos trabalhadores. Passada a lei da terceirização irrestrita, o governo pretende de uma só vez transformar todo o marco jurídico-legal da relação capital-trabalho no Brasil, evidentemente de modo a retroceder em garantias e direitos a quem vive do próprio trabalho.

    Que o Congresso Nacional não merece a mínima confiança já ficou demonstrado inúmeras vezes, foi este mesmo Congresso que aprovou do golpe parlamentar, a Pec do Teto dos Gastos (Ec 55), a Lei da Terceirização (PL 4302), etc. Seu compromisso, em última análise, segue sendo a lealdade com o governo e com os empresários que financiam deputados e senadores. Mas o fato de que, de alguma forma, o controle do governo sobre o parlamento esteja mais instável deve encher de ânimo a mobilização da resistência.

    Os novos problemas de Temer nós os causamos apenas com um ensaio. Atos vitoriosos nos dias 8, 15 e 31 de março. Com uma poderosa greve geral, o que mais podemos fazer? Está claro que nosso horizonte pode e deve ser barrar as reformas do governo. É possível. É isso que deve motivar a preparação pela base para 28 de abril. Até lá, quanto mais comitês se formarem, quanto mais sindicatos decidirem paralisar e quanto mais mobilização nas bases, menos tranquilo será o sono de Temer.

     

    Foto: Marcos Corrêa/PR