Editorial

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  • Neste carnaval… um basta à exploração e à opressão

    Editorial 24 de fevereiro |

    Hoje (24) começa oficialmente a festa de Carnaval. Em todas as cidades do Brasil, das pequenas vilas às grandes capitais, foliões irão tomar as ruas com suas fantasias para comemorar o reinado de Momo. É uma verdadeira festa popular, não apenas pela quantidade de gente que participa, mas pelo protagonismo do povo nos blocos que vão às ruas. Durante essa época do ano, é o povo que controla o país com seus sambas, frevos, maracatus e marchinhas.

    Ao chegar ao Brasil, a festa europeia pagã que foi transformada pela Igreja em dias de fuga antes da Quaresma se misturou com a cultura do povo negro e dos indígenas, transformando-se numa das mais belas festas do mundo e se manifestando com regionalidades que passam pelos blocos e tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, o ‘Ilê Aye’ em Salvador, o ‘Galo da Madrugada’ em Recife e uma infinidade de ritmos, cores e blocos por todo o país.

    Mercantilização e Resistência

    Infelizmente, como tudo que atrai multidões, o Carnaval também foi transformado em mercadoria. Os cordões e os camarotes vips servem para separar quem pode e quem não pode pagar, as prefeituras exigem dos foliões que respeitem o monopólio e bebam apenas a cerveja do patrocinador, as Escolas de Samba se transformaram em impérios milionários com enredos feitos sob medida para agradar quem pode pagar.

    Mas há resistência. Os blocos de rua se multiplicaram na maioria das cidades, muitas vezes enfrentando as proibições das prefeituras ou suas tentativas de cooptá-los completamente. Marchinhas e cordões com conteúdo contestador e que ironizam os políticos e a classe dominante continuam a se proliferar. Os eventos que ocorrem nos bairros afastados das periferias, que atraem pouco interesse de turistas e governos, continuam a acontecer organizados pelos próprios moradores.

    O Carnaval de 2017 também promete ser muito politizado. Em vários blocos e ensaios já foram entoados o coro ‘Fora Teme’ expressando o repúdio dos foliões com o governo do PMDB. A marchinha vencedora do concurso Mestre Jonas, em BH, ironizava os ‘cidadãos de bem’ que foram às manifestações da direita, vários blocos de rua estão sendo tomados pelo clima de indignação que contagiou o Brasil na atual crise.

    Assédio não pode fazer parte

    O Carnaval reúne milhões de pessoas que saem às ruas para se divertir, paquerar e dançar, mas em um país profundamente machista e racista a opressão sempre dá as caras em eventos assim. Muitos homens acham que as mulheres são mercadorias e insistem em tocá-las e agarrá-las sem sua autorização, a imprensa apresenta as mulheres (principalmente as negras) como objetos a serem consumidos e os desfiles das escolas de samba, com suas rainhas da bateria, sempre reproduzem o estereótipo da mulher que existe para satisfazer o desejo dos homens.

    O racismo fica evidenciado nas festas mais excludentes. A cena de um bloco fechado por cordas na Bahia, composto quase exclusivamente por brancos em uma cidade majoritariamente negra como Salvador, fala por si só. O racismo não deixa de estar presente devido à forte presença da cultura negra no Carnaval.

    A luta contra toda forma de opressão deve seguir presente no Carnaval. Iniciativas como os apitos contra o assédio (onde mulheres assopram o apito se assediadas) e a formação de blocos temáticos como os ‘Mulheres Rodadas’ ajudam a defesa dos oprimidos e a conscientização dos foliões. Carnaval é festa, mas também é luta contra a exploração e opressão. É tempo de aproveitar a festa mais popular do Brasil levantando bem alto nossas bandeiras contra toda forma de opressão e exploração.

    Veja abaixo o vídeo com ‘Marchinha do Cidadão de Bem’ que ironiza manifestações de direita que apoiaram o golpe parlamentar.

    Foto: pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Olinda_Carnival_-_Olinda,_Pernambuco,_Brazil.jpg

  • Temer, o ajuste fiscal e as privatizações

    Editorial 23 de Fevereiro |

    O Diário Oficial da União desta quinta-feira (23) acaba de divulgar que o governo ilegítimo de Temer enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que regulamenta a negociação das dívidas dos estados e da União, estabelecendo as contrapartidas dos estados para a renegociação das dívidas, como a privatização das empresas estaduais.

    Todo esse processo de negociação dos estados tem sido conduzido pessoalmente pelo Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, conhecido pela ligação com o mercado financeiro e por ter sido também presidente do Banco Central durante os mandatos de Lula, cargo que ocupou de 2003 à 2011.

    Henrique Meirelles tem atuado com “mão dura” nas negociações com os estados. É bom lembrar que no final do ano passado foi votado o primeiro projeto de renegociação da dívida que estabelecia as contrapartidas. Essas caíram na votação da Câmara dos Deputados . Mesmo com a derrota, a linha do governo foi apertar o pescoço dos estados implementando, na prática, as contrapartidas, ou seja, ignorando o que foi votado.

    A atuação do Governo Federal na crise do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul obedeceu esse parâmetro de endurecimento das negociações. No Rio de Janeiro, mesmo com o caos social instaurado pela péssima gestão do PMDB, com atraso de meses de pagamento dos servidores, o governo Temer e Meirelles exigiram a votação da privatização da CEDAE para a renegociarão da dívida.

    O Estado do Rio de Janeiro chegou a entrar na justiça pedindo a suspensão do bloqueio das contas e a antecipação da renegociação, mas a posição da Advocacia Geral da União (AGU) e do STF foi de exigir as contrapartidas a serem regulamentadas pelo governo. O judiciário mostrou a cara ao apoiar o ajuste fiscal em curso.

    Mesmo depois da votação da privatização da CEDAE, nesta quarta-feira, mais uma vez a justiça autorizou o bloqueio das contas do estado do Rio de Janeiro, mantendo a situação caótica.

    O próximo passo do Governo Temer é privatizar algumas das mais importantes empresas públicas estaduais brasileiras. Seu objetivo é vender o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e a Companhia de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul.

    O plano do governo Temer aliado ao mercado financeiro é começar um novo ciclo de privatizações em massa das empresas públicas brasileiras e destruir parte importante do patrimônio nacional.

    O governo Lula e Dilma não privatizaram a Caixa, o BB, o BNDES e a PETROBRAS, mas ficaram longe de ter acabado com as privatizações no Brasil. Nos governos do PT foram privatizados aeroportos, poços de petróleo e do pré-sal e estradas. Estamos pagando caro agora pelos anos de conciliação de classes do PT. É sempre bom lembrar que os golpistas estavam dentro do governo, tanto Temer, como Meirelles eram parte dos governos do PT e agora aplicam a fundo o projeto das privatizações.

    É possível um outro programa contra o ajuste fiscal e as privatizações

    Havia alternativa à privatização da CEDAE no Rio de Janeiro. Bastava que a prioridade do governo perante a crise fosse a grande maioria da população e não um punhado de banqueiros. O destino final do dinheiro que a União está cobrando do Estado do Rio de Janeiro será o mercado financeiro. Isso é assim pelo mecanismo da dívida pública. O papel do governo brasileiro não deveria ser atuar para aumentar a crise social e econômica causada pelo próprio governo, por causa do desemprego e dos péssimos serviços públicos.

    O Deputado Marcelo Freixo, do PSOL, apresentou também alternativas estaduais para a crise. Consideramos as propostas corretas porque o centro delas é enfrentar os benefícios fiscais milionários que são concedidos às grandes empresas, cobrar a dívida ativa de empresas com o estado do Rio, que chega a R$ 69 bilhões, e combater a Lei Kandir, de 1996, que isenta produtos primários de ICMS.

    Não há saída para a crise do país sem rediscutir totalmente a dívida, fazer uma auditoria séria e suspender o pagamento da dívida.

    O projeto de Temer é vender o país

    O projeto de Temer é aplicar um ajuste fiscal que destrua os serviços públicos, aprovar reformas como as da Previdência e Trabalhista, que retiram direitos do trabalhador e vender o patrimônio do Estado como a Petrobras, os bancos públicos e as riquezas naturais do Brasil. Sua aliança para aplicar esse projeto passa pelo Congresso Nacional, judiciário, classes médias mais abastadas e pelas frações mais importantes da burguesia brasileira. Trata-se de um projeto que, se aplicado, significa uma regressão histórica para o Brasil e o aprofundamento da dependência política e econômica do nosso país.

    O ajuste fiscal nos estados e a venda do patrimônio público são parte fundamental desse projeto. É preciso fortalecer a unidade da classe trabalhadora para derrotá-lo. Sem nacionalizar a luta será impossível vencer.

    Mais do que nunca, devemos ir às ruas no dia 8 de março, dia internacional da mulher, e no dia 15 de março, dia nacional de luta contra as reformas.

  • Três exemplos das consequências das privatizações

    Nesta segunda feira, dia 20, a Assembleia Legislativa do Rio – Alerj, autorizou o Governo do Estado a vender a Companhia de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro – CEDAE. O plano do Governo Michel Temer é pressionar os estados para a venda do que ainda restou das empresas públicas. A solução apresentada para a crise econômica é: ajuste, corte de direitos e privatizações. O modelo não é novo, apresentamos neste editorial três privatizações ocorridas em outros países e suas consequências sociais.

    Os caminhos de ferro

    A rede ferroviária Britânica foi privatizada em 1994, o processo durou até 1997. Centenas e em algumas áreas milhares de empresas assumiram o sistema. Na área da manutenção cerca de 2000 empresas contratadas e subcontratadas faziam o serviço. As passagens ficaram mais caras, linhas distantes e pouco rentáveis foram fechadas.

    Não há como existir concorrência, também não havia cooperação entre a subcontratada que controlava o trecho x e a outra empresa que controlava o trecho subsequente. A prioridade era o lucro e não a efetivação de um direito, não houve investimentos. O sistema entrou em colapso. Os três acidentes mais graves provocados pela privatização custaram 42 vidas e 600 feridos.

    O Estado entrou em cena, em apenas 3 anos pagou sob a forma de subsídios todo o dinheiro que havia recebido com a privatização. Em 2001 instituiu-se uma gestão semi estatal, já que a privatização simplesmente não funcionou.

    A água na França

    O abastecimento de água de uma cidade ou região é uma função essencial. Não existe competição neste ramo, sempre existe apenas uma rede. A gestão da rede de água de Paris foi vendida para duas multinacionais: a Veolia e a Suez. Paris foi dividida ao meio e cada uma delas assumiu um dos lados.

    Os preços aumentaram 260%, em 2010 o sistema foi remunicipalizado. Remucipalizado? Este processo não é novidade quando o assunto é água, esgoto e saneamento. Segundo um relatório das Nações Unidas divulgado em setembro de 2016 houve ao menos 180 casos de remunicipalização nesta área em 35 países. Isso ocorreu porque as empresas não investiram em infraestrutura e aumentaram vertiginosamente o preço do serviço, levando, também neste caso, o saneamento ao fracasso

    A energia 

    Nos anos 90 a Califórnia desregulamentou o mercado de energia elétrica. Mas assim como a água, o saneamento básico ou as ferrovias estes são serviços em que o “livre mercado” é impossível. É fácil deduzir porque: em cada casa só existe uma fiação.

    Os preços subiram, as empresas começaram a vender energia do futuro, a especulação ganhou terreno e… colapso. Em junho do ano 2000 97.000 pessoas foram afetadas por um apagão em São Francisco, alguns meses depois o corte do fornecimento de energia elétrica atingiu milhares. Em março de 2001 1,5 milhão de pessoas ficaram sem energia elétrica. A crise se estendeu por meses e depois das investigações ficou demonstrado que a empresa Eron manipulou os preços. Os apagões demonstraram que não é possível gerir a energia com a lógica do lucro. Foi preciso criar uma comissão pública reguladora da energia elétrica.

    A conclusão é óbvia: a energia, assim como a água e os transportes não devem ser negócios, são direitos.

    Na foto: a imagem de um acidente na Inglaterra, de uma rede de fornecimento de água na França e da rede elétrica na Califórnia.

  • 2018 … será tarde demais

    Editorial 21 de Fevereiro |

    A estratégia da maioria da direção do PT é apostar todas as suas fichas nas eleições de 2018. A divulgação da pesquisa eleitoral da CNT/MDA com o relativo fortalecimento da figura de Lula e a liderança em todos os cenários para presidente na pesquisa estimulada e espontânea reforça ainda mais essa linha política. Isso significa que o centro da política do PT é a oposição parlamentar contra Temer procurando desgastar o governo preparando o terreno para defender Lula como salvador da pátria em 2018.

    O grande problema é que existe um governo Temer que está aplicando um dos maiores ataques à classe trabalhadora na história do Brasil. As reformas da previdência e trabalhista, a PEC do congelamento dos gastos pelos próximos 20 anos, o ajuste fiscal e as privatizações nos estados e muitos outros ataques. Em tempo recorde a Constituição de 88 está sendo destruída, estamos assistindo a um agenda de retrocessos sociais. A reforma da previdência deve ser votada até o final de abril.

    Existe uma aliança como poucas vezes vistas na história política do Brasil, fruto do golpe parlamentar que colocou Temer no poder que envolve os principais setores da burguesia brasileira , 400 deputados na Câmara dos Deputados, a maioria dos senadores, o judiciário e os grandes meios de comunicação.

    A votação da privatização da CEDAE na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro ontem mostra que mesmo com um cenário de total crise institucional, com ex governadores presos e os políticos totalmente questionados, houve uma operação forte para impor o ataque e o regime funcionou muito bem para a burguesia.

    A desestabilização do atual projeto da classe dominante, que envolve mudanças profundas no Brasil depende da capacidade de unificarmos a classe trabalhadora, a juventude, os sem teto, os sem Terra, ou seja, a massa dos explorados que são a maioria da sociedade brasileira para enfrentar em grandes mobilizações o governo golpista de Temer e seus planos de ataques contra o povo brasileiro. Ou a classe entra em campo, ou seremos derrotados. Não será possível tercerizar para a Lava Jato a tarefa de desestabilizar o sistema.

    Evidentemente, Lula e o PT teriam um papel importante a cumprir nesta grande frente única contra as reformas , o PT dirige a CUT, tem a hegemonia na maioria dos movimentos sociais, controla poderosos aparatos que poderiam colocar todos os seus carros de som, todos os seus jornais, mover milhares de ativistas para fazer campanha contra a reforma da previdência e formar uma opinião crítica. Poderia estar à frente das mobilizações na tentativa de derrubar as reformas e por consequência, desestabilizar o governo Temer. O problema central é a estratégia de oposição parlamentar rumo às eleições de 2018.

    Lula não quer mobilizações diretas que desestabilizem fortemente o país. O motivo é simples, este processo ameaça o projeto de um novo pacto social de colaboração de classes no Brasil. A estratégia da direção do PT e do PC do b é voltar a ser aceito por uma fração da burguesia como mal menor perante um crescimento da crise social e política. Por isso, Lula não esteve presente nas mobilizações de novembro de 2016, até o presente momento não chamou nenhuma mobilização contra as reformas e muito menos uma greve geral contra os ataques de Temer.

    Isso seria fundamental para a classe trabalhadora. O PT deve colocar todo o seu peso social na rua. Todos os movimentos que influencia, todos os sindicatos, os aparatos parlamentares. Vamos ou não desafiar o “Vem pra Rua” e o MBL que agora chamam mobilizações em defesa da reforma da previdência e da Lava Jato para o domingo dia 26 de março? Continuará nas mãos da direita a iniciativa política?

    Obviamente é preciso entender que a realidade é complexa. Não é verdade que o PT e a CUT poderiam parar o país se quisessem. Há um desgaste grande na base. E sem dúvida a classe não está confiante em si mesma, nem disposta a grandes enfrentamentos. Mas entre as razões de fundo que explicam este difícil cenário estão os inúmeros erros e traições do PT. É preciso tirar lições da história.

    Isso não pode significar, no entanto nenhum sectarismo com a ação comum, nem com a construção da necessária Frente Única. Construir a frente única é realizar em todo país reuniões, plenárias, fóruns permanentes entre todas as centrais sindicais, os movimentos sociais e os partidos políticos de esquerda com um objetivo central: organizar a resistência da classe trabalhadora. Nenhum balanço do passado, nenhuma nome ou logo deve estar acima da disposição de construir este fórum. É mesquinho que cada frente, entre as já existentes, lute para que seja ela a organizadora de tudo. É preciso ter humildade e senso de proporção, o lado de lá está muito forte e unificado.

    Qual a estratégia da esquerda socialista?

    A primeira e decisiva tarefa é a mobilização dos trabalhadores. Não pode haver dúvidas que é preciso somar forças. Por isso pensamos que a CUT, a CTB, o PT e Lula devem jogar todo seu peso nas mobilizações contra as reformas. Porém não somente eles, chamamos a luta as direções da Força Sindical que apoia Temer, a CGTB, UGT , NCST. As frentes já existentes e os movimentos sociais também devem somar forças. As organizações da juventude e os movimentos de opressão que reúnem mulheres, negros e LGBT`s também são fundamentais.

    Essa estratégia de mobilização da classe é combinada com a construção de um terceiro campo político alternativo ao PT e a direita. Vivemos 13 anos de petismo, o golpe parlamentar foi um final trágico. Não pretendemos repetir essa história. Frente ao projeto da direção do PT de ter como centro a candidatura de Lula em 2018 através de uma nova frente ampla que envolva os movimentos sociais, apresentamos a necessidade da construção de uma Frente de Esquerda que envolva o PSOL, MTST, PCB, PSTU, Frente Povo sem Medo, Csp Conlutas, Intersindical e organizações dos movimentos sociais. Sem alternativa política não iremos muito longe.

    Por que esse tema é decisivo?

    Porque como sempre na história os governos de colaboração de classe são a ante-sala para um governo burguês que ataque ainda mais os trabalhadores. Assim como Pinochet era ministro de Salvador Allende, Temer era o vice de Dilma e chegou ao poder pelas mãos do PT que governou em colaboração de classes com a burguesia.

    Devemos tirar todas as lições do processo de golpe parlamentar, da incapacidade do PT de impulsionar a resistência contra o impeachment e agora a reedição do projeto eleitoral e parlamentar. Devemos aprender com os erros do passado.

    Neste sentido, também é parte de nossa estratégia da construção do terceiro campo, um bloco de esquerda que enfrente a direita e se proponha a superar o PT. A melhor maneira nesse momento de impulsionar o terceiro campo apresentando uma saída alternativa à direita e ao PT seria que as organizações que mais se destacaram na oposição pela esquerda ao Lulismo e tiveram papel relevante na luta contra o golpe parlamentar impulsionassem um bloco político.

    Uma das célebres frases de Karl Marx é que: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. A esquerda socialista precisa ter coragem para se apresentar de maneira independente do lulismo-petismo para surgir o novo e evitar a farsa.

  • A greve como direito democrático está sob ameaça

    Editorial 20 de fevereiro

    O presidente do fim do mundo, o Sr. Michel Temer (PMDB), fez uma declaração à imprensa no início da última semana. Classificou a greve da PM de “insurgência ao texto constitucional”, anunciou envio de tropas do exército ao Rio de Janeiro e ao Espirito Santo. Não satisfeito, foi categórico em dizer que o seu governo quer regulamentar o direito de greve. Em um primeiro momento, disse que iria enviar um projeto ao Congresso Nacional. Mas, em um segundo momento, tudo indica que o governo Temer vai privilegiar a tramitação em regime de urgência do projeto de Lei do Senador Aloisio Nunes ( PSDB-SP), o PLS 710/11.

    O Senador Aloisio Nunes confirmou essa movimentação do governo Temer em entrevista a Alexandre Garcia na Globo News, na semana passada, anunciando que vai fazer um requerimento para pedir urgência na votação desse projeto no plenário, nessa semana.

    Segundo informações do DIAP, o projeto abrange os servidores da Administração Pública direta, autárquica e fundacional, de todos os poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e em todos os níveis – União, estados, Distrito Federal e municípios.

    O texto desse projeto fixa um percentual mínimo de 50% do trabalho em greves para serviços não essenciais, 60% em serviços essenciais e no caso específico da segurança pública o percentual mínimo de servidores trabalhando durante a greve é de 80%.

    São mencionados como serviços públicos essenciais, especialmente, a assistência médico-hospitalar, a distribuição de equipamentos, o abastecimento e o tratamento de água, o recolhimento de lixo, o pagamento de aposentadorias, a produção e a distribuição de energia, gás e combustíveis, a defesa civil, e o controle de tráfego e o transporte coletivo. Atividades relativas ao funcionamento dos três poderes também são citadas como essenciais: o serviço vinculado à atividade legislativa, o trabalho diplomático, a arrecadação e a fiscalização de tributos, os serviços judiciários e do Ministério Público, entre outros.

    Em relação aos dias não trabalhados por conta da greve, o servidor poderá receber somente 30% de seus salários, desde que isso conste no termo de negociação ao final da greve. Os servidores em estágio probatório poderão participar da greve, mas deverão compensar os dias trabalhados de forma a completar o tempo previsto em lei.

    Direitos democráticos ameaçados
    No ano passado, no dia 27 de outubro, um dia antes do dia do servidor público, o STF validou o corte de ponto dos servidores públicos que decidirem entrar em greve. Percebam que não é só o chefe do poder executivo e o parlamento que querem acabar com as greves. Todos os poderes do regime estão numa ofensiva para restringir o direito de greve. O objetivo é colaborar com a aplicação do ajuste fiscal, das contra reformas da Previdência e Trabalhista, das privatizações e outros ataques. 

    Ou seja, trata-se de uma ofensiva sobre direitos sociais, econômicos e democráticos. Primeiro a PEC do Fim do Mundo, que restringe a quase nada o investimento nos serviços públicos, depois a Reforma da Previdência, que vai transformar a terceira idade de toda uma geração num pesadelo. Ainda tem a Reforma Trabalhista, que vai eliminar ainda mais direitos garantidos na CLT. Para fechar o conjunto da obra, é preciso impedir que os trabalhadores façam greve quando se levantarem contra todos esses ataques. Isso tudo explica a pressa de Temer e do Congresso Nacional em votar a regulamentação do direito de greve.

    A constituição federal, em seu texto, garante pequenas concessões que foram impostas pela onda de greves e mobilizações da década de 80,  o que também ajudou a reabrir portas e janelas democráticas, derrubando a ditadura militar.

    O mundo vive nessa segunda década do século XXI uma das maiores crises na economia mundial e uma instabilidade do sistema mundial de estados. Uma ofensiva dos senhores do capital está em curso nesse momento contra os trabalhadores latino americanos e, em especial, no Brasil. Para ganhar fôlego diante da grave crise, precisam aprofundar o saque a direitos, recursos naturais e à liberdade.

    Queremos o direito de fazer greve e a negociação coletiva no serviço público
    Após quase 30 anos da promulgação da Constituição Federal, não estamos diante do fortalecimento do livre direito de greve sem corte de salários e não estamos diante da possibilidade da negociação coletiva e da concessão da data base aos servidores públicos. A grande mídia martela no imaginário social os “privilégios” dos trabalhadores do serviço público e destaca somente a minoria dos servidores públicos que ganham super salários e que estão concentrados em cargos na alta cúpula do judiciário e legislativo. A verdade é que a grande maioria dos trabalhadores do serviço público brasileiro ganham mal e trabalham em condições precárias, sem direito a negociação coletiva e agora, pelo jeito, podem ficar sem o direito a fazer greve.

    Estamos numa correlação de forças defensiva para os trabalhadores e precisamos construir o momento para invertermos essa situação desfavorável. As direções do movimento sindical, popular e estudantil precisam compreender a responsabilidade de construir uma frente única para impedir que o governo da devastação de direitos avance.

    Trabalho de base sistemático para combater as mentiras da grande mídia, unidade com todos que queiram lutar contra as maldades de Temer e do congresso, calendário de lutas unificado e disposição de mobilizar os trabalhadores rumo à greve geral devem ser as tarefas principais de todas e todos nesse momento.

    Não podemos nos contentar em realizar atos de vanguarda com alguns milhares nas ruas. Chegou a hora de provarmos para nós mesmos do que somos capazes. Chegou a hora de centenas de milhares irem às ruas para impedir que o país se transforme numa colônia fornecedora de mão de obra barata e servil. 

    Foto: EBC

  • Três Conclusões sobre a pesquisa CNT/MDA para Presidente

    Editorial 19 de Fevereiro |

    Nesta quarta-feira, 15 de fevereiro, foi publicada a pesquisa da CNT/MDA sobre as intenções de voto, espontânea e estimulada, para presidente em 2018, a avaliação do governo Temer e também sobre o uso da internet no Brasil. Trata-se de uma pesquisa que revela dados interessantes sobre a realidade política atual.

    Neste editorial, abordaremos três conclusões que compreendemos como as mais importantes dos dados fornecidos pela pesquisa e que indicam tendências para o desenvolvimento da conjuntura política no próximo período.

    1. Crescimento de Jair Bolsonaro na pesquisa espontânea e estimulada

    A situação de crise econômica, política e social no Brasil acabou por fortalecer as ideias de extrema-direita representadas por Jair Bolsonaro. O seu crescimento nas pesquisas na espontânea de 3,3% em outubro de 2016 para 6,5 em fevereiro de 2017, assim como seu crescimento na estimulada de 6,5%(out/2016) para 11,3%(fev/2017) representam um sinal de alerta para a esquerda.

    Seus maiores índices de apoio estão na região sudeste (14,4%) e Sul (12,5%) e entre os eleitores com curso superior (20,7%) e renda superior a 5 salários mínimos( 20,4%).

    A base social desse crescimento são os setores de mais alta renda das classes médias urbanas. Foi o setor que teve maior protagonismo nas mobilizações que tomaram as ruas a partir de março de 2015 e fortaleceram movimentos como o MBL e o Vem pra rua. Tudo indica que uma parte importante dessa base social tem se radicalizado com uma pauta de extrema direita que envolve o preconceito as mulheres, lgbt’s, negros e nordestinos, o apoio às reformas de Temer, Lava-Jato. Sua demanda principal é o combate à corrupção.

    A força das ideias da extrema direita está entrando cada vez mais na classe trabalhadora. Tem crescido muito as ideias de Jair Bolsonaro nas fábricas, escolas e locais de trabalho. Chegou o momento de toda a esquerda compreender o perigo do crescimento das ideias de extrema direita no Brasil.

    2. Aumento dos índices de rejeição do governo Temer
    Temer já possuía baixos índices de popularidade. As novas pesquisas indicam o aumento da desaprovação com crescimento dos índices de péssimo (de 23,5% para 26,5%) e ruim ( de 13,2% para 17,6%). Assim como a desaprovação de Temer cresceu de 51,4% (out/2016) para 62,4% ( fev/2017).

    As pesquisas indicam que o aumento do desemprego, da pobreza, os ataques apresentados pelo governo como a PEC 55/241( PEC do teto dos gastos) e as reformas da previdência e trabalhista fazem com que o governo Temer seja odiado pela maioria do povo brasileiro.

    Mas por que então Temer não caiu até agora?
    Porque ele se sustenta em uma aliança sinistra como poucas vezes vistas na história do Brasil: uma maioria de mais de 400 deputados, o apoio de todas as frações da burguesia brasileira, incluído aí os meios de comunicação e de um setor mais abastado das classes médias. A força do governo vem golpe parlamentar.

    Neste sentido, o jornal paulista, Estadão, em editorial desse domingo, afirma que Temer não tem que se preocupar com popularidade e sim com a aplicação do ajuste que o Brasil precisa. A força do governo está na unidade dos de cima pelo ajuste.

    A pesquisa indica que o ódio ao governo existe. Devemos neste momento de ataques unir a classe trabalhadora contra as reformas e buscar virar esse jogo. Somente uma frente única de todas as organizações da classe trabalhadora pode enfrentar esse ataque e desestabilizar o governo Temer.

    3. Recuperação da imagem de Lula com sua liderança na pesquisa espontânea e estimulada
    A pesquisa também indicou um aumento da popularidade de Lula com a liderança e crescimento em todos os cenários da pesquisa espontânea (de 11,4% para 16,6%) e estimulada (de 24,8% para 30,5%). Lula venceria todos seus concorrentes no segundo turno.

    Os dados mais impressionantes da pesquisa são o apoio a Lula no Nordeste( 58,2%) e centro oeste/Norte (31%). Assim como seu apoio nos setores que ganham até dois salários mínimos (38%) e escolaridade até o ensino fundamental (49,5%).

    Identificamos uma combinação de dois processos para o crescimento de Lula: 1) a tragédia familiar, com o falecimento da sua esposa Marisa combinado com um ataque vergonhoso da extrema direita na rede, fortaleceu a figura do ex-presidente; 2) os índices do governo Temer com o aumento do desemprego, da pobreza e a crise social escancarada nos estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro fazem um setor da classe considerar que com Lula era melhor. Uma espécie de saudosismo dos anos em que o crescimento econômico favorecia as medidas compensatórias para a maioria da população e havia uma sensação de bem estar social. Aqui, os efeitos danosos da interrupção, pelo golpe parlamentar, da experiência com o PT são mais evidentes.

  • 2017: Aumenta a desigualdade social no Brasil

    Editorial 18 de Fevereiro |

    A rejeição à desigualdade está no coração ideológico do que se reconhece, no espectro político, como a “esquerda”. Essa dimensão igualitarista da esquerda é ainda mais latente em um país como o Brasil, cujos indicadores de desigualdade são nada menos que abissais.

    Pesquisa do insuspeito Banco Mundial, divulgada na última semana, vaticina o aumento da pobreza no Brasil, em 2017. Os dados sugerem uma mobilidade social descendente de um número entre 2,5 e 3,6 milhões de pessoas, vitimadas pela crise econômica. Dessa forma, ainda segundo a pesquisa, seriam quase 20 milhões o total de pobres no país, dentre esses 8-9 milhões em situação de extrema pobreza.

    Uma primeira análise crítica desses dados deve reconhecer os critérios cínicos de pobreza e extrema pobreza do Banco Mundial. Os senhores banqueiros do mundo estratificam a sociedade com um critério em que apenas 10% dos brasileiros são pobres.

    Mas o que há de mais poderoso nos dados apresentados é o aumento da pobreza neste ano, tendência que deve ser reproduzida tanto quanto for aprofundado o ajuste fiscal e as mudanças regressivas na rede de proteção social brasileira. Do ponto de vista da esquerda, a pergunta que fica é: por que a pobreza volta a crescer, menos de 2 anos depois do ciclo de governos petistas?

    Os ideólogos, dirigentes e parlamentares petistas, enquanto o projeto de conciliação de classes parecia navegar em águas tranquilas, sustentaram de inúmeras maneiras – aí incluídas as mais demagogas – que o Brasil estava passando por uma profunda transformação estrutural. Dessas supostas grandes mudanças, não está ficando nem o pó.

    O projeto de um governo que reunisse trabalhadores e oprimidos com banqueiros e grandes empresários em uma aliança que garantisse simultaneamente os interesses de toda a sociedade, quer dos seus estratos mais baixos ou mais privilegiados, foi levado a cabo, pelo PT, até as últimas consequências. Enquanto os ventos favoráveis do crescimento econômico permitiram, as políticas sociais compensatórias puderam aliviar conjuntunturalmente a pobreza.

    Tão efêmeras essas políticas se revelariam ao fim e tão vulneráveis as camadas mais baixas da pirâmide social brasileira permaneceriam: 519.568 famílias que haviam deixado o Bolsa Família, voltaram ao programa, no ano passado. A lógica de fazer o possível, ou em outros termos o possível dentro dos limites do capital, levou a que as “pequenas conquistas” ou avanços parciais no combate a pobreza terminassem exterminados em apenas dois anos de crise econômica.

    É evidente que Temer e os golpistas estão conduzindo uma guerra social, penalizando os mais pobres pela crise com medidas duras e restritivas. Mas o aumento da pobreza em tão curto tempo indica, uma vez mais, que os governos do PT não realizaram transformações que realmente pudessem ser chamadas de estruturais.

    A desiguldade é tão profunda no Brasil, suas raízes tão históricas, que ela não poderia ser seriamente reduzida sem afetar interesses mais de fundo da classe dominante – coisa que nenhum dos governos petistas foi capaz de fazer. A esquerda brasileira, para ser merecedora de embalar um novo projeto de poder, precisa mais do que se recompor. Precisa de uma nova estratégia.

  • O mundo não acabou, mas Temer quer acabar com o nosso futuro

    Editorial 17 de Fevereiro |

    Um astrônomo Russo previu para o dia 16 de fevereiro o fim do mundo. Segundo seus cálculos isso aconteceria com o impacto de um asteroide chamado 2016 WF9 sobre a terra. A notícia viralizou nas redes sociais e foi motivo de muitas piadas. 

    O mundo não acabou, mas…. Existem motivos sérios para os brasileiros estarem muito preocupados. Estamos entrando nos meses mais decisivos das vidas de milhões, de toda uma geração.

    Michel Temer, a imensa maioria dos parlamentares do congresso nacional, o judiciário e os grandes poderosos do Brasil estão unidos em um plano sinistro de ataques a direitos históricos da classe trabalhadora.

    Muitos ativistas, com razão, lembram do terrível ano de 2016. Foi o ano da manobra parlamentar reacionária que derrubou Dilma Roussef(PT) pelas mãos da burguesia e do parlamento corrupto. Foi o ano da aprovação da PEC 55/241 ou da PEC do “ fim do mundo”, que limitava os gastos sociais nos próximos 20 anos no Brasil. Na cabeça de muitos, na virada do ano, na tradicional festa de confraternização, o grito era “abaixo 2016”. 

    Até o presente momento devemos alertar que as consequências do golpe parlamentar de 2016 e a ofensiva da burguesia de retirada de direitos continua. Infelizmente 2017 tem sido essencialmente a continuidade de 2016.

    Há um fato novo que precisamos acompanhar com atenção. Com as delações da Odebrecht a Lava Jato pode atingir o governo Temer é uma parte considerável dos congressistas. Os golpistas podem sofrer com o próprio veneno. 

    Preparar a virada

    Nos últimos trinta anos podemos lembrar com orgulho da força da classe trabalhadora e do povo brasileiro. O que seria de nós se não fosse a coragem dos que disseram: chega!  

    Dos milhares que foras às ruas e colocaram para fora a ditadura. As grandes greves do ABC e o impulso dos milhões ecoaram por todo país: Diretas já! Os que foram para as ruas nos anos 80 por mais direitos e fizeram a grande onda de greves dos anos 80. 

    Como não lembrar também dos milhares de jovens que foram para a rua e derrubaram Collor em 1992. Junho de 2013 nos apresentou uma força social jovem, com rosto de mulher e negra que mostrou a sua força na luta por mais direitos. 

    Somos herdeiros dessa tradição. Muitas gerações que lutaram por um Brasil mais justo e solidário.

    Estamos perante um novo momento histórico. Temer, a burguesia, o congresso nacional e o judiciário, com todas as suas rusgas e atritos, apresentam em comum acordo um plano de reformas que ameaça o Brasil de sofrer uma regressão histórica. Estão nos desafiando.

    A reforma da previdência, a reforma trabalhista, o ataque ao direito de greve, a reforma do ensino médio, privatizações de empresas estaduais como a CEDAE(RJ), a privatização de portos, aeroportos e rodovias, o ajuste fiscal nos estados são os ataques em curso. Caso essas medidas sejam aprovadas o Brasil regredirá socialmente e aumentará ainda mais as desigualdades e a pobreza para o nosso povo.

    Chegou o momento de unir os trabalhadores, a juventude, os sem teto, os sem terra, o povo pobre em uma grande frente única para enfrentar a aliança sinistra de Temer. A história dos últimos 30 anos mostrou que quando desafiada, a força da classe trabalhadora em união com os interesses do povo pobre, foi capaz de provocar medo na Avenida Paulista e nos governos de plantão. Chegou o momento de fazermos isso de novo. Fomos desafiados e precisamos responder a altura!

    15 de março contra as reformas de Temer

    O governo apresentou calendário que propõe a votação da reforma da previdência até o final do mês de abril.

    As centrais sindicais acordaram um calendário de lutas para o mês de março. Estão previstas mobilizações nos dias 8, 15 e 31 de março. Movimentos sociais também estão construindo um plebiscito popular contra as reformas de Temer. Uma iniciativa fundamental para levar o debate para as bases dos trabalhadores e da juventude. Para construir a mobilização não basta marcar a data, será preciso explicar, convencer, formar uma massa crítica às reformas de Temer. 

    Para isso a unidade é decisiva. Devemos buscar construir uma mobilização unificada que não repita a fragmentação das mobilizações de novembro de 2016.

    As centrais sindicais, a Frente Povo Sem Medo, a Frente Brasil Popular, os partidos políticos da esquerda, os movimentos de juventude, o MTST, o MST e todos os movimentos sociais podem e devem se unir. Está em jogo os interesses da classe trabalhadora e do povo pobre. 

    As ruas estarão em disputa. As organizações de extrema direita, fortalecidas pelo golpe parlamentar, já preparam suas mobilizações. A base social que foi as ruas pedindo o impeachment, ou seja, os setores mais abastados das classes médias urbanas estarão de novo em campo. Já existe uma mobilização marcada pelo MBL e pelo Vem pra Rua para o dia 26 de março. O eixo dessas mobilizações é a defesa das reformas e da operação lava jato.

    Neste sentido, a mobilização do dia 15 de março tem grande importância. A medição de forças também se dará nas ruas. É preciso uma demonstração de força do proletariado organizado.

    Existe um ditado no Brasil que o ano só começa depois do carnaval. Estamos no ano que começou em 2016. É preciso virar esse jogo!

     

  • Governo Temer chega ao máximo de autoritarismo e censura até Folha de São Paulo

    Editorial 16 de fevereiro

    Imprensa independente derruba bloqueio

    Cada vez mais, Michel Temer se mostra um verdadeiro ditador. Ele já declarou que quer restringir o direito de greve. Nesta tera-feira (14), publicou um decreto permitindo o exército nas ruas para “manter a ordem”. Mas, uma medida que surpreendeu até alguns aliados foi a censura à Folha de São Paulo e ao jornal O Globo.

    Os jornais publicaram informações sobre o processo na Justiça do hacker que teve acesso ao celular da primeira dama, Marcela Temer. E não, não vamos entrar no jogo baixo de falar da intimidade dela. O que nos interessa é que no celular de Marcela teria uma gravação que poderia comprometer politicamente o presidente.

    Apesar da censura, os detalhes do caso foram mostrados no site The intercept. O editor-geral do site é o jornalista Glenn Greenwald, que foi quem revelou para a mídia os segredos do sistema de vigilância do governo dos Estados Unidos que estavam nas mãos do ex-funcionário da CIA Edward Snowden. De acordo com o site, o hacker cobrou R$ 300 mil reais de Marcela Temer porque teria um vídeo que iria colocar o nome do marido dela “na lama”.

    O crime aconteceu em abril do ano passado, há alguns dias do impeachment. De acordo com o The Huffington Post, o áudio poderia ligar Temer a publicitários em articulações suspeitas. Provavelmente nunca vamos ter acesso ao áudio. O que sabemos é que Temer entrou na Justiça e conseguiu impedir que os jornais publicassem notícias sobre o ocorrido.

    Para a situação se tornar ainda mais absurda, quem cuidou do caso pessoalmente foi o então secretário de segurança pública de São Paulo Alexandre de Moraes. O mesmo que foi indicado por Temer para ministro do Supremo Tribunal Federal.

    Dois pesos e duas medidas
    A mesma Justiça que censura notícias sobre gravações que comprometem Michel Temer liberou para a imprensa gravações sobre Lula e Dilma na época do impeachment. Por mais de vinte minutos, o apresentador do Jornal Nacional, William Bonner, declamou trechos de gravações com conversar pessoais do ex-presidente Lula. Tudo às claras para o país inteiro ouvir.

    Não apoiamos o PT e achamos que seus governos traíram a classe trabalhadora. Mas chega a ser engraçado a postura parcial da Justiça. E também da própria mídia, que fez um estardalhaço quanto às gravações dos petistas e agora fala pouco da gravação que compromete Temer. E o pior é que mesmo sendo discreta, essa mídia é censurada.

    Liberdade para cobrar que o caso seja investigado
    Não temos nenhuma confiança na Globo e na Folha de São Paulo. São jornais empresariais que servem aos interesses da burguesia. Mas quando o governo proíbe até mesmo jornais aliados a publicar algo, o que ele pode fazer com o Esquerda Online ou outros órgãos de oposição?

    Por isso somos contra a censura e vamos lutar contra ela. Não achamos que a liberdade de expressão pode ser desculpa para pregar o racismo, a homofobia ou o discurso de ódio que incentiva a violência contra setores oprimidos. Mas a livre expressão de ideias, mesmo as contrárias às nossas, deve ser parte do programa da esquerda.

    E queremos liberdade para cobrar que este caso seja investigado. É um absurdo a Justiça ter informações que podem comprometer o Presidente da República e não divulgá-las. Temos direito de ter acesso ao áudio. Abertura total do processo, já.

    Foto: Diego DEAA

  • Vamos parar o Brasil no dia 15 de março

    Editorial 15 de fevereiro

    Todas as centrais sindicais do Brasil estão chamando um dia de paralisação nacional no dia 15 de março contra as reformas Trabalhista e Sindical. Este dia será decisivo para o futuro da classe trabalhadora, pois será uma batalha por direitos conquistados com décadas de luta.

    Essa é uma ótima notícia, pois a unidade entre as centrais não estava sendo algo fácil de se conseguir. A data escolhida inicialmente pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) acabou sendo consenso. O objetivo é que trabalhadores de todas as categorias se mobilizem.

    Com certeza, existem e sempre vão existir diferenças entre as várias correntes do movimento sindical. A maioria das direções sindicais deixou muito a desejar nos últimos anos, quando apoiou os governos do PT, que atacou a classe trabalhadora. Mas, agora é hora de unidade contra um inimigo maior: Michel Temer e seu plano de fazer o Brasil retroceder cem anos.

    Se a reforma da Previdência for aprovada, um trabalhador só vai ganhar aposentadoria integral com 49 anos de contribuição. Isso, na prática, vai fazer com que muitos morram sem chegar à merecida aposentadoria. O governo diz que a previdência é deficitária, mas isso é mentira. Eles querem é tirar dinheiro dos aposentados e dar aos bancos em forma de pagamento da dívida pública.

    Outro retrocesso que este governo prevê é a reforma trabalhista. Se ela for aprovada, vários direitos, como a carga horária de 44 horas e as férias de 30 dias, não estarão mais garantidos. Eles poderão ser retirados mediante “livre negociação”, ou seja, os empresários poderão fazer chantagem com ameaça de demissão e obrigar os trabalhadores a abrirem mão de seus direitos.

    É possível vencer
    Muitos trabalhadores se perguntam se é possível vencer o governo Temer, que tem apoio da mídia e da maioria do Congresso. A história mostra que sim. No final dos anos 70, uma greve de metalúrgicos colocou a ditadura militar de joelhos. Era um período bem mais desfavorável. Em 2013, em plena realização da Copa das Confederações, milhões foram às ruas e assustaram as elites do país.

    Os trabalhadores não suportam mais a situação. O desemprego atinge 23 milhões de pessoas e as pequenas conquistas sociais estão em risco. O atual governo se mostra muito pior que os anteriores e, a cada dia, aparece um escândalo de corrupção diferente. Motivos para ir às ruas não faltam.

    Para que a mobilização dê certo, é importante que todos aqueles comprometidos com a luta dos trabalhadores façam desde agora um bom trabalho de base. É preciso ir para as fábricas, bancos, escolas e demais locais de trabalho divulgar o dia de mobilização. As direções sindicais têm a obrigação de fortalecer este trabalho.