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  • Marchezan (PSDB) contra ataca professores de POA com campanha publicitária. População responde com enxurrada de críticas nas redes sociais.

    Por: Francisco da Silva, de Porto Alegre (RS)

    A mobilização dos professores de Porto Alegre contra o decreto 19.685 de 21/2/17 segue forte. Nesta sexta (24) mesmo chovendo bastante os professores não arredaram o pé do piquete em frente à Secretaria de Educação. Como o prefeito Marchezan (PSDB) sentiu a resistência dos educadores, decidiu iniciar uma campanha publicitária para disputar a consciência da população e isolar o movimento.

    Professores e população de Porto Alegre respondem com enxurrada de críticas nas redes sociais
    O primeiro vídeo publicado nas redes sociais da prefeitura é uma entrevista com um suposto pai defendendo o decreto. Os educadores e a população de Porto Alegre responderam com uma chuva de comentários e interações criticando os argumentos do entrevistado. E aproveitaram para denunciar vários outros problemas de infra estrutura e baixo investimento que a educação municipal está passando.

    A luta é nas ruas e nas redes
    Como se não bastasse o apoio direto e explícito que Marchezan vem recebendo do Grupo RBS (sócia local das organizações Globo e proprietária do jornal Zero Hora), o representante da elite gaúcha agora desafia os professores à um duelo nas redes sociais para ver quem ganha o apoio da população sobre o decreto. Marchezan sabe que se os professores se unem com o restante da categoria e conseguem a simpatia e o apoio da população podem vencer. E isso seria a primeira derrota do seu governo, que a depender do tamanho da luta poderia inclusive colocar em xeque o cargo do secretário de educação.

    Nessa queda de braço vai ser muito importante o diálogo com a população e com o restante da categoria. Para isso os educadores devem se apoiar nos veículos de mídia alternativa, que em sua maioria são impulsionados pelas organizações da classe trabalhadora e dos movimentos sociais. São ferramentas para intervir nessa luta que se dará nas redes e nas ruas. Mande a sua indignação contra este ataque do prefeito e ajude a convencer mais pessoas que este decreto vai piorar a educação pública. A classe capitalista tem seus veículos de comunicação: a Zero Hora e o Grupo RBS serguirão apoiando de forma incondicional o decreto e as iniciativas do governo Marchezan (PSDB). As classes exploradas e oprimidas também precisam ter os seus.

    Envie para nós via e-mail (esquerdaonline@gmail.com), pela nossa página no facebook ou pelo whats app (11) 98646-5160, seu relato, texto de opinião, denúncia, foto ou vídeo.

  • Em assembleia massiva, servidores de Santos aprovam greve por tempo indeterminado

    Por: Leandro Olimpio, de Santos, SP.

    Minutos antes de iniciar a assembleia, a fila para preencher a lista de presença só aumenta. Meia hora depois, para não atrasar ainda mais o início dos debates, o esquema montado na entrada do sindicato é deixado de lado. Que todos entrem e assinem depois. Um grupo de trabalhadores, mais parecido com torcedores de futebol ou com a turma do fundão da escola, vai à loucura e solta gritos de alegria a cada novo companheiro que chega no auditório.

    No microfone, um dirigente pede aos trabalhadores que gravem um depoimento em vídeo explicando por que não aceitam reajuste zero. Espontaneamente, servidores ativos e aposentados se deslocam até a filmadora. “Eu não aceito esse reajuste, as escolas são super lotadas de criança, não tem mediador, não tem professor, não tem funcionário suficiente. Estamos pastando na escola, sem apoio de ninguém. Eu não aceito”, desabafou uma professora.

    Foi com este clima de bastante confiança e revolta contra a proposta de reajuste zero que os servidores de Santos aprovaram, na última quinta-feira (23), greve por tempo indeterminado a partir do dia 9 de março. Às 8 horas, na Praça Mauá, onde fica a Prefeitura, a categoria inicia uma dura batalha contra o prefeito tucano Paulo Alexandre Barbosa (PSDB).

    Até lá, reuniões preparatórias de greve serão realizadas para organizar por local de trabalho e setor a mobilização. “É uma assembleia representativa, que com certeza tem mais do que onze pessoas”, disse no microfone o vice-presidente do Sindicato, Cássio Canhoto, numa frase em parte retórica, em parte “piada interna” para um público superior a 600 pessoas. O auditório do Sindicato dos Metalúrgicos estava lotado mesmo com um calor escaldante e sensação térmica superior a 40 graus.

    A declaração de Cássio é uma referência ao Sindest – sindicato pelego que realizou uma assembleia para discutir a mesma pauta justamente com este número: onze pessoas, boa parte diretores. Tradicionalmente, essa entidade serve apenas de correia de transmissão do gabinete do prefeito. Ano a ano, aprova em assembleias esvaziadas as propostas da Prefeitura, que não por acaso foi uma entusiasta de sua criação. Com isso, curiosamente, os servidores são “representados” por dois sindicatos. O Sindserv representa celetistas e estatutários, enquanto o Sindest “representa” somente estatutários.

    Tem dinheiro e alternativas para reduzir custos
    Repetindo o discurso de todos os governos municipais, estaduais e federal, o prefeito Paulo Barbosa (PSDB) afirma que não é possível conceder reajuste digno por causa da crise econômica. Entretanto, não é verdade. O orçamento municipal teve um aumento de 8% em relação a 2016 (2,7 bilhões de reais este ano, frente a 2,5 bilhões anos passado), sendo o maior orçamento da história da cidade. Orçamento elástico o suficiente, por exemplo, para absorver um reajuste de 16% e 10%, respectivamente, nos salários do prefeito e dos seus secretários. Ainda assim, como resposta às lamentações de Paulo Barbosa, os servidores apresentaram uma série de medidas alternativas para diminuir gastos.

    Entre elas, a redução de 20% nas remunerações do prefeito, dos cargos de confiança (ocupados por indicações políticas) e dos vereadores. Em relação aos cargos de confiança, ainda é proposto a extinção de 30% dessas funções, uma vez que servem apenas como cabide de emprego. Para ganhar musculatura e dobrar o prefeito, a greve da categoria tem a difícil tarefa de envolver a maior parte dos 11 mil servidores de Santos e ganhar a opinião pública – geralmente refém da imprensa. A assembleia realizada na noite da última quinta-feira demonstrou que não falta aos servidores santistas disposição de luta, demonstrou que é possível vencer. Todo apoio aos servidores de Santos em luta!

  • Chuva, suor e cerveja do carnaval recifense

    Por Raíssa Bezerra, de Recife

    O asfalto quente da Avenida Guararapes, ponte Duarte Coelho e na tradicional Rua da Moeda já aguarda ansioso os bons ventos do carnaval de Recife. Os carrinhos de som no Mercado São José e Dantas Barreto anunciam os frevinhos antigos e os blocos nos bairros já deram a largada para os melhores quatro dias do ano – ao menos pra mim!

    A primeira vista, é possível pensar que são os grandes shows e polos descentralizados que dão o ritmo do nosso carnaval. O Festival Rec Beat, Pátio de São Pedro e o Marco Zero. Pra mim, um carnaval bem vivido passa por tudo isso, mas começa e termina nos blocos, no carnaval de rua. Os bairros se organizam para brincar o carnaval: é troca anárquica, agremiação, blocos…

    O bloco Cabeça de Touro acontece lá no Engenho do Meio – Zona Oeste da cidade, e comemorou seus 30 anos de folia em grande estilo nesse último sábado. Já Os Irresponsáveis desfilam na quarta-feira ingrata há 35 anos lá em Água Fria – Zona Norte. Os saudosos blocos da Saudade, Cinza das Horas  desfilam pelas ruas do centro na sexta-feira (24) e encantam os foliões.

    Recife tem tradição da multiculturalidade no carnaval, e os desfiles de caboclinho, maracatus e escolas de samba encantam a festa e são parte fundamental de tudo o que faz o carnaval. Infelizmente, há uma tentativa de invisibilizar e não dar a devida importância pra essas expressões artísticas. Vale muito a pena assistir aos desfiles na Dantas Barreto e prestigiar artistas super talentosos que abrilhantam a folia por aqui.  E ninguém deveria passar a vida sem ir ao menos uma vez ao Galo da Madrugada. Recifense adora uma megalomania, eu admito, mas o maior bloco do mundo é realmente aqui. É bonito demais ver a cidade toda sentido o sábado de Zé Pereira chegar! O morro desce pro centro e brinca o carnaval do Galo. A Dantas Barreto fica pequena pra tanta gente e a festa fica por conta dos trios elétricos com bandas locais e convidados/as. O bloco que começa pela manhã e vai até o fim da tarde,  leva milhares de pessoas pras ruas e esse ano homenageará os “guerreiros do frevo” Alceu Valença e Jota Micheles. Tem Galo pra todo gosto: quem gosta de multidão, chuva suor e cerveja e pra quem quer assistir tudo mais sossegado.

    Milhares de blocos passarão pelas ruas da cidade e 47 polos de shows descentralizados nos bairros farão a festa por aqui. No domingo vale a pena conferir os show de Eddie, Devotos, Mundo Livre e Lenine no Alto José do Pinho ou chegar na Várzea e ver Siba e Titãs. É a noite do samba no Marco Zero e Jorge Aragão e Leci Brandão vão comandar o partido alto por lá. Ainda vai rolar show de Rashid no Rec Beat, lá no Recife Antigo mesmo.

    A noite dos tambores silenciosos acontece na Segunda-Feira lá no Pátio do Terço, centro do Recife. É um evento festivo e carnavalesco, mas também de cunho religioso. Maracatus de Baque virado vindos de todo o estado se reúnem em uma cerimônia de origem africana. Um ritual belíssimo e emocionante com maracatus e ancestralidade.

    Terça-feira é dia de se acabar em Olinda pra iniciar a despedida do carnaval. Mas se guardar um pouco pra assistir Inna Modja e Jards Macalé no palco do Rec Beat e seguir pro arrastão do frevo no Marco Zero.

    A quarta-feira ingrata chega depressa, mas também leva pra rua quem não aguenta se despedir do carnaval tão cedo. Os Irresponsáveis lá em Água Fria, Bacalhau do Batata em Olinda e vários outros. Para as crianças, rola programação infantil todos os dias, com bloquinhos e shows.

    Foto: desfile do Bloco Cabeça de Touro
  • Contra elitização do carnaval, moradores de Piracicaba criam um “bloco de resistência”

    Por André Foca, professor, militante do #MAIS e folião nas horas vagas

    O carnaval é, sem dúvida alguma, uma das manifestações culturais mais populares e importantes do Brasil. Isso não é uma afirmação qualquer, uma vez que se percebe o quanto esta comemoração alimenta o imaginário do brasileiro e é ponto de partida para muitas das mais relevantes contribuições artísticas em seus mais diversos campos. Infelizmente, a mercantilização do carnaval e as tentativas de elitizar aquilo que é popular fazem com que esta festa se torne um produto para poucos. É isso que aconteceu em Piracicaba, interior de São Paulo, no último dia 18 de fevereiro.

    Como se sabe, é muito comum que os finais de semana que antecedem o carnaval sejam recheados por festas e blocos de rua que fazem a alegria no “pré-carnaval” de diversas cidades do país. Em Piracicaba há mais de vinte anos os blocos de rua podiam se encontrar no popular “Desfile da Sapucaia”, festa que tinha como ponto de partida uma enorme árvore que fica ao lado do estádio de futebol do XV de Piracicaba (mais popular e piracicabano que isso, impossível). O problema é que, neste ano, prefeitura e organização do “Bloco da Sapucaia” anunciaram que o popular desfile passaria a ter a cobrança de entradas e vendas de abadás, com a criação de “áreas VIPs” e outras medidas, como a proibição da entrada com bebidas alcóolicas e um forte aparato de segurança para revistar todas as pessoas ao entrar nos espaços reservados para a festa.

    Isto não é um caso isolado: nos últimos meses, prefeitura (há mais de 12 anos nas mãos do PSDB), Guarda Civil Municipal e Polícia Militar intensificaram a repressão contra a juventude da periferia, coibindo a realização dos “rolezinhos” em diversos pontos da cidade. Está em curso uma explícita campanha de higienização social, marcada pela segregação social e pelo preconceito contra a juventude negra da periferia. A tentativa de elitizar o carnaval é apenas mais uma amostra do quanto se pretende criar uma cidade para os ricos, evitando a todo custo que os mais pobres estejam presentes nos cartões postais da cidade.

    Para dar uma resposta a tudo isso, um grupo de moradores, ativistas de movimentos sociais e foliões resolveram criar um bloco alternativo ao Desfile da Sapucaia e assim nasceu o bloco “Pira Pirou” e o tema do desfile deixou claro o recado para o poder público: “Nóis num vamo pagaR nada!”. Segundo Bruno Spadotto, um dos organizadores do evento, a ideia foi “resgatar o espírito democrático e libertário do carnaval em Piracicaba”. Ao longo do desfile foram feitas diversas falas que ressaltavam a indignação com a tentativa de cobrança para participar do carnaval, além de críticas ao atual momento político do país e à Secretária de Cultura, Rosângela Camolesi.

    Durante a concentração, em uma tentativa de intimidação e desrespeito ao direito de livre manifestação da população, a polícia militar notificou a organização e alegou que o carro de som contratado para o desfile não poderia acompanhar o bloco, sob o risco de pesada multa. Após certo impasse o bloco decidiu manter o trajeto combinado mesmo sem o carro de som, e aí a espontaneidade e alegria dos foliões mostrou sua força: ao longo de todo o cortejo os participantes cantaram sambas, marchinhas e palavras de ordem (como o Fora Temer!). Na base do improviso, mais um pouquinho da essência do carnaval de rua foi resgatada pelos foliões, que encerraram a festa com o grupo de maracatu “Baque Caipira”, que recepcionou o bloco no Largo dos Pescadores. Hoje, um dia depois do bloco e com uma leve ressaca, escrevo essas linhas enquanto os jornais locais indicam que o Desfile da Sapucaia teve público muito abaixo do esperado: 1,5 mil pessoas, enquanto a estimativa era de 20 mil participantes[1]. Mais uma amostra de reprovação da população ao jeito tucano de lidar com os problemas das cidades: proibindo e/ou elitizando. Que o carnaval continue como uma festa popular!

    [1] http://www.gazetadepiracicaba.com.br/_conteudo/2017/02/canais/piracicaba_e_regiao/469736-sapucaia-desce-a-moraes-barros-com-publico-reduzido.html

    Foto: Eduardo DK Rangel – retirado do facebook

  • Começa os ataques do Prefeito Marchezan (PSDB) em Porto Alegre e os professores respondem com protesto massivo

    Por: Pedro Rublescki, de Porto Alegre (RS).

    Nesta terça feira, dia 21/2 , o prefeito de Porto Alegre Nelson Marchezan do PSDB e o secretário de educaçao, Adriano de Brito , se reuniram com os diretores das escolas municipais e anunciaram ataques à Educação. Ataques que aumentam a carga horária semanal dos professores e acabam com a reunião de planejameto com todos os professores juntos. Essas mudanças foram feitas sem o menor diálogo com a categoria de forma autoritária através de decreto.

    Diante desse anúncio, hoje pela manhã,  pelo menos 500 professores do município realizaram um grande protesto em frente a secretaria de educação, bloqueando a entrada da SMED. Os guardas municipais, também servidores públicos, reprimiram a manifestação usando spray de pimenta e agiram com truculência em relação a professores e professoras.

    Uma plenária da educação está sendo chamada para amanhã (dia 23/2) às 15h no CPERS e uma assembleia dos professores para o dia 3/3. Esse é apenas o primeiro ataque de Marchezan e é muito significativo que os professores tenham reagido. É hora de unificar a categoria para lutar contra este decreto. A melhor forma de resistir aos próximos ataques que virão é se aliar aos movimentos que estão convocando protestos nacionais no dia 8/3 e 15/3.

    Confira abaixo a nota pública dos professores em luta:

    A VERDADE SOBRE A REDUÇÃO DAS AULAS NO MUNICÍPIO

    Nota de repúdio das direções das escolas da Rede Municipal de Ensino, da Associação dos Trabalhadores em Educação Municipal de Porto Alegre (Atempa) e do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), às mudanças impostas pelo prefeito, Nelson Marchezan Jr. no Regime Normal de Trabalho do Magistério.

    Nós, diretoras e diretores das escolas municipais de Porto Alegre, em conjunto com Simpa e Atempa, temos a responsabilidade de esclarecer:
    – O Decreto nº 19.685, de 21 de fevereiro de 2017, implicará na redução do atendimento à jornada dos estudantes nas escolas municipais, ao contrário do que foi dito pelo secretário de Educação, Adriano Naves de Brito, na reunião com as direções de escola no dia 21/02, e do discurso do prefeito divulgado na imprensa;
    – os professores estão sendo convocados a trabalhar quatro horas por turno, portanto os alunos ficarão sozinhos, das 7h30min às 8h, e, das 12h às 13h30min;
    – a escola estará aberta à comunidade desde as 7h30min, mesmo sem o acompanhamento dos professores, o que caracteriza uma precarização da educação e uma irresponsabilidade social;
    – consideramos que esse tempo na escola, sem professores, diminui a qualidade na educação e colocando os alunos em risco e em situação de vulnerabilidade.

    VOCÊS, PAIS E MÃES, FICARÃO TRANQUILOS COM SUA FILHA E FILHO SOZINHOS NA ESCOLA 30MIN NO INÍCIO DE CADA TURNO?
    Nós defendemos a educação pública e gratuita, de qualidade social e pedagógica. Acreditamos que, para isso acontecer, é indispensável um processo democrático de construção junto às comunidades, em parceria com os conselhos escolares e nossas entidades representativas.
    Como isso não aconteceu em nenhum momento, manifestamos nosso repúdio às imposições do Executivo Municipal.

    Foto: Matheus Balardin

  • Solidariedade a Comunidade Nelson Mandela em Campinas

    Por Isabel Laurito, de Campinas, SP

    Ontem (21), moradores da Comunidade Nelson Mandela, no Jardim Capivari, saíram em ato desde cedo pela cidade, contra a ordem de despejo que foi anunciada na última terça feira. Há 40 anos a área estava abandonada, mas com o início da ocupação o dono da área entrou na justiça, exigindo a desocupação do terreno. Pela manhã, os moradores estiveram em reunião com o Secretário de Habitação da cidade, que não deu nenhuma resposta e garantia para as 900 famílias que moram na comunidade. São cerca de 2500 pessoas que moram hoje na região ocupada, 145 crianças de até 7 anos, 30 gestantes e centenas de idosos.

    Depois da reunião com o Secretário de Habitação os moradores seguiram em ato até a prefeitura da cidade, exigindo uma reunião com o prefeito Jonas Donizette. Depois de passarem a tarde toda em frente à prefeitura, os moradores foram informados pela Guarda Municipal (GM) que deveriam se retirar do local, caso contrário a GM estava autorizada a utilizar bombas de gás contra os manifestantes, para que dispersassem.

    Após a ameaça da GM, o secretário do prefeito se reuniu com alguns representantes do movimento e garantiu que, após o carnaval, haverá uma reunião oficial entre os representantes da ocupação, o secretário e a Cohab. Os moradores da Comunidade Nelson Mandela seguem em resistência contra a reintegração de posse do terreno.

    Foto: simple.wikipedia.org/wiki/Favelas#/media/

  • Deputados decidem privatizar a Cedae

    Da Redação

    Foram 41 votos a favor, contra 28 contrários. O placar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, na manhã desta segunda-feira (20), decidiu pela privatização da Companhia Estadual de Água, Saneamento e Esgoto do Rio de Janeiro. Sem discussão, de costas para os verdadeiros beneficiários, o acesso a estes serviços como um direito básico da população passa a estar comprometido.

    No início da manhã, foi apresentada como pauta o projeto de lei 2.345/17, que autoriza a venda da companhia. Após reunião dos líderes de bancadas, às 11h foi dado início à sessão extraordinária. Quase sem nenhuma discussão sobre o projeto, foi iniciada a votação. As 211 emendas apresentadas, que poderiam fundamentar a contrariedade, além de discordâncias, não foram colocadas para discussão, o que só deverá ocorrer nos próximos dias, de terça (21) a quinta-feira (23).

    O projeto faz parte de um pacote mais amplo de ajuste fiscal ao Rio de Janeiro, acordado entre o presidente Temer (PMDB) e o governador com mandato sob julgamento na Justiça, Pezão (PMDB). A venda da Cedae seria a contrapartida exigida pelo Governo Federal para que o estado conseguisse receber um empréstimo de R$ 3,5 bilhões que ajudaria a solucionar a crise e, segundo afirmam, pagar os servidores.

    A justificativa foi extremamente questionada pelos parlamentares de oposição e pelos movimentos sociais. Um dos primeiros pontos é o fato de que a Cedae é lucrativa e, portanto, não é motivo da crise. A companhia presta um serviço essencial que pode ficar comprometido após o repasse à iniciativa privada, com foco no lucro e não no interesse social. Além disso, em mais de 200 locais no mundo onde o serviço de abastecimento de água foi privatizado, este retornou a ser de caráter do estado, pela inviabilidade da proposta. Para piorar, não há nenhuma cláusula que fala do pagamento dos servidores.

    “O valor com a venda da Cedae é pífio. Paga apenas um mês de folha dos servidores. Tem a dívida ativa, que chega a R$ 66 bilhões, que nunca foi cobrada por este governo. 10% da dívida é o dobro do valor da Cedae. Estão votando aqui porque querem, sim, privatizar o abastecimento de água”, declarou o deputado Marcelo Freixo durante a votação.

    Sem discussão
    A falta de discussão do projeto com a sociedade já era notória. Mas, a pressa para aprovação foi criticado até entre os parlamentares. Durante as declarações de voto, vários deputados criticaram a democracia na forma da votação, conduzida pelo presidente da casa, Jorge Picciani.

    Alguns deputados reivindicaram a falta de aprofundamento sobre o projeto, argumento presente até no discurso da deputada do PSDB, Lucinha: “Tenho certeza que não sabem do que estão discutindo”. Mas, a votação contrária dos psdebistas, distante de significar uma preocupação real com a população, expressa que os setores da burguesia não estão unificados em um projeto único para o Rio de Janeiro, diante principalmente do desgaste que possui o governo estadual de Pezão e Dornelles, com mandatos cassados pelo TRE-RJ e da prisão de parte do grupo liderado pelo ex-governador Sérgio Cabral. Todos do PMDB. A possibilidade de falta de votos suficientes favoráveis ao projeto foi apontada como um dos motivos para a votação ter sido adiada para esta segunda.

    E, enquanto até o PSDB votou contra, teve entre os favoráveis ao projeto um deputado do PT, André Ceciliano, que votou pela venda da companhia.

    Entre os 28 que apresentaram voto contrário estão os deputados do PSOL. “Querem tirar dos mais pobres. Tentaram com o aluguel social, tiraram os restaurantes populares, e agora querem mexer na água. É um governo de covardes. Muitas coisas precisam ser melhoradas na Cedae. Mas não é privatizando-a, falando que irá ajudar na crise financeira do Estado, que isso irá acontecer”, declarou Marcelo Freixo, durante a votação.

    Protesto
    Do lado de fora, trabalhadores da Cedae faziam vigília. Ao receberem a notícia de que hoje poderia ser votado o projeto, servidores estaduais, estudantes e integrantes dos movimentos sociais começaram a se concentrar em frente à Alerj em protesto à venda da companhia. Após o anúncio da aprovação, seguiram em passeata pela av. Presidente Vargas. O objetivo é seguir em protesto em frente à sede da Sedae.

    Veja como cada um dos deputados votou

    A favor

    • Ana Paula Rechuan (PMDB)
    • André Ceciliano (PT)
    • André Corrêa (DEM)
    • Aramis Brito (PHS)
    • Átila Nunes (PMDB)
    • Benedito Alves (PRB)
    • Carlos Macedo (PRB)
    • Chiquinho da Mangueira (PTN)
    • Conte Bittencourt (PPS)
    • Coronel Jairo (PMDB)
    • Daniele Guerreiro (PMDB)
    • Dica (PTN)
    • Dionísio Lins (PP)
    • Doutor Gotardo (PSL)
    • Edson Albertasse (PMDB)
    • Fábio Silva (PMDB)
    • Fatinha (Solidariedade)
    • Marco Figueiredo (PROS)
    • Filipe Soares (DEM)
    • Geraldo Pudim (PMDB)
    • Gil Vianna (PSB)
    • Gustavo Tutuca (PMDB)
    • Iranildo Campos (PSD)
    • Jânio Mendes (PDT)
    • João Peixoto (PSDC)
    • Jorge Picciani (PMDB)
    • Marcelo Simão (PMDB)
    • Marcia Jeovani (DEM)
    • Marcos Abraão (PT do B)
    • Marcos Muller (PHS)
    • Marcus Vinicius (PTB)
    • Milton Rangel (DEM)
    • Nivaldo Mulin (PR)
    • Paulo Melo (PMDB)
    • Pedro Augusto (PMDB)
    • Rafael Picciani (PMDB)
    • Renato Cozzolino (PR)
    • Rosenverg Reis (PMDB)
    • Tia Ju (PRB)
    • Zé Luiz Anchite (PP)
    • Zito (PP)

    Contrários

    • Bebeto (PDT)
    • Bruno Dauaire (PR)
    • Carlos Lins (sem partido)
    • Carlos Osório (PSDB)
    • Cidinha Campos (PDT)
    • Doutor Julianelli (Rede)
    • Eliomar Coelho (PSOL)
    • Enfermeira Rejane (PC do B)
    • Flávio Bolsonaro (PSC)
    • Flávio Serefini (PSOL)
    • Geraldo Moreira da Silva (PTN)
    • Gilberto Palmares (PT)
    • Jorge Felippe Neto (DEM)
    • Lucinha (PSDB)
    • Luiz Martins (PDT)
    • Luiz Paulo (PSDB)
    • Marcelo Freixo (PSOL)
    • Márcio Pacheco (PSC)
    • Martha Rocha (PDT)
    • Paulo Ramos (PSOL)
    • Samuel Malafaia (DEM)
    • Silas Bento (PSDB)
    • Tio Carlos (SDD)
    • Wagner Montes (PRB)
    • Waldeck Carneiro (PT)
    • Wanderson Nogueira (PSOL)
    • Zaqueu Teixeira (PDT)
    • Zeidan (PT)

    Foto: Esquerda Online

  • Votação do projeto de privatização da Cedae acontece neste momento, na Alerj

    Da Redação

    Votação do projeto de lei (2.345/17) que prevê a venda da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae) acontece na manhã desta segunda-feira (20), na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A sessão iniciou às 11h. Ao todo, 211 emendas foram apresentadas.

    A venda da companhia faz parte do chamado Plano de Maldades do governo do estado em conjunto com o Governo Federal. Temer, presidente ilegítimo e Pezão, com mandato sendo julgado pela justiça, após cassação por parte do TRE-RJ, tentam justificar a medida como necessária para solucionar a crise financeira. No entanto, querem aproveitar o momento de crise para entregar uma empresa pública e lucrativa à iniciativa privada.

    De acordo com o presidente da Assembleia Legislativa, Jorge Picciani, também do PMDB, a votação do tema pode se estender também para terça-feira (21), quarta (22) e quinta (23). No entanto, as emendas só devem ser discutidas após a votação da venda da companhia.

    Para ser aprovado o projeto de lei, é necessária maioria simples dos 70 deputados, metade mais um voto.

    Saiba Mais

    Privatização da CEDAE: uma ameaça social, ambiental e ao direito à cidade, no Rio de Janeiro

    Acompanhe a sessão ao vivo

  • Atlético PR x Coritiba: jogo cancelado em nome do lucro da grande imprensa

    Por Izabella Lourença, de Belo Horizonte.

    É o primeiro clássico do ano entre Atlético Paranaense e Coritiba. Enquanto a globo paga milhões para transmitir clássicos de São Paulo ou Rio de Janeiro, como Flamengo e Fluminense (Fla-Flu), ofereceu a quantia de um milhão de reais para a transmissão do Atletiba. Os clubes não aceitaram a proposta e fecharam o acordo de transmitir o jogo ao vivo pelo youtube, através de seus canais, com uma estrutura composta por narrador, comentarista e repórter de campo.

    O clássico que contou com um assassinato da Polícia Militar no início de uma briga na concentração das torcidas, gerou revolta por outro motivo. Antes do início do jogo, a Federação Paranaense de Futebol (FPF) impediu a realização do jogo, alegando que os profissionais da imprensa alternativa não foram credenciados na federação. A FPF alegou que enquanto a transmissão continuasse, o jogo não começaria. Os dirigentes dos dois times decidiram continuar a transmissão como forma de protesto contra o monopólio da grande mídia. Depois de uma hora de atraso, os torcedores se retiraram do campo e princípios de tumultos, barulhos de bombas e balas de borracha puderam ser ouvidos.

    Alternativas como essas servem para questionar o poder da mídia, em especial da Rede Globo, sobre o futebol brasileiro, que dita os horários, movimenta milhões e mostrou-se capaz de impedir a realização de um jogo se os clubes não aceitarem suas regras.

    Foto: Jogadores voltam ao gramado para agradecer a torcida. Publicada pela página Coritiba Campeão do Povo

  • Orlando Morando, a Praça Lauro Gomes, em São Bernardo, já era do povo

    Por: Soraia Neves, do ABC Paulista

    Esta segunda-feira (13) ficou marcada na vida de muitos trabalhadores que circulam pelas ruas do Centro de São Bernardo do Campo, em São Paulo. A Praça Lauro Gomes, patrimônio da cidade e ponto de encontro de muitos, estava fechada. A GCM era a única autorizada a entrar junto à S.U. (Serviços Urbanos) para retirar o que restou das barracas dos artesãos e feirantes da praça. Cerca de 70 barracas foram retiradas da Feirinha da Praça Lauro Gomes por autorização do prefeito da cidade, Orlando Morando (PSDB), que alega que o espaço passará por revitalização, mas, no entanto, não disponibilizou nenhum espaço temporário aos comerciantes e, muito menos, garantiu-lhes o retorno após a conclusão das obras.

    São dezenas de famílias que da feira tiram seu sustento. Era possível ver a tristeza no rosto de quem ali dedicou décadas de sua vida a prestar serviços. Teve caso até de comerciante passando mal um dia antes, quando a GCM já havia ameaçado retirar todas as mercadorias do local.

    Orlando Morando, que segue os mesmos passos higienistas de Dória em São Paulo – inclusive nas fantasias de “homem trabalhador’ – , chegou a chamar os trabalhadores da praça de “invasores”, nas Redes Sociais, e afirmou que não teria nada contra os ambulantes, mas faria tudo pela cidade.

    O que deixa a população indignada é que, num momento de crise econômica, o prefeito que se diz “trabalhador” coloca na rua dezenas de famílias.  No ano passado, em sua campanha eleitoral, Orlando Morando foi até a feira, abraçou os comerciantes, comeu e bebeu, tirou foto e prometeu não interferir em seus empregos e, em menos de três meses de sua gestão, sua primeira medida é despejar os mesmos, que em grande parte são mulheres acima dos 40 anos.

    Após despejar a população, Orlando Morando alegou estar “devolvendo a Praça para o povo”. O que ele não sabe e nunca vai saber porque nunca andou com pobre e trabalhador, é que essa praça já era do povo, que tira do suor diário o dinheiro que paga os impostos que o enriquece, povo que luta todo dia pra sobreviver.

    Nesta segunda, os trabalhadores da praça realizaram um pequeno protesto em defesa de seus empregos. Na quarta-feira (15), às 9h, os trabalhadores prometem ir até a Câmara de Vereadores de São Bernardo do Campo e exigir uma solução. É importante apoiarmos a luta dos comerciantes da Praça Lauro Gomes, que são um patrimônio de São Bernardo do Campo. É preciso defender os direitos dos trabalhadores à cidade.

    #A_feirinha_fica
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    Foto: Reprodução Facebook