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  • 28 de Abril e a pororoca: A onda da Greve Geral vai parar o Pará

    Por Abel Ribeiro, Professor e militante do #MAIS

    Uma onda ou uma pororoca? Pororoca é um fenômeno natural caracterizado por grandes e violentas ondas que são formadas a partir do encontro das águas do mar com as águas do rio e que é típico da Amazônia. Pode chegar a cinco metros de altura e seu barulho muito forte e inconfundível, que ecoa com duas horas de antecedência, arrebata embarcações e afugenta as margens dos rios.

    Uma verdadeira Pororoca social formada por adesões de trabalhadores ao dia 28 de abril toma conta de Belém e do estado do Pará. Professores, trabalhadores em educação das esferas estaduais, municipais e privadas já decidiram paralisar (rede privada de escolas através do sindicato estão informando os alunos que na sexta não haverá aula), bem como já definiram por paralisar professores e técnicos da UFPA/UFOPA/UFRA/UNIFESSPA, tambem os operários da construção civil, trabalhadores da policia civil, servidores do departamento de trânsito, da saúde, do judiciário federal, da assistência social, bancários, correios, previdenciários, urbanitários, metalúrgicos de Barcarena (cidade da região metropolitana) e muitos outros setores que seguem aderindo a greve geral.

    Mentes e corações amazônicos mergulham na grande onda de mobilizações para a greve geral nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos sindicatos, e nos municípios mais distantes; a movimentação é grande. Já foi marcado ato público na Praça da República no dia 28 de Abril, mas a ordem é paralisar todas as atividades e a produção e não deixar ninguém trabalhar neste dia. Várias atividades já foram programadas para todo o estado como fechamento de vias, portões, portos, passeatas, piquetes e trancaços. Em Belém, em vários pontos da cidade ocorrerão manifestações e no estado do Pará centenas de milhares devem cruzar os braços em diversos ramos de atuação.

    O Tribunal Regional do Trabalho (TRT), em sessão especial, determinou a suspensão do expediente em toda a regional na sexta por decisão unânime e diversos desembargadores se pronunciaram contra as reformas da previdência e trabalhista. O judiciário estadual também deve parar. As escolas particulares de Belém que não tem tradição de parar já anunciaram também a adesão ao dia 28 de abril e o comentário é de que o 28A deve protagonizar uma das maiores manifestações do estado.

    As atividades de mobilização ainda estão ocorrendo como assembleias, colaços, panfletagem, plenárias, reuniões de comitês, etc. Isso tem motivado inúmeros setores a aderir a paralisação como foi a recente decisão dos rodoviários de Belém e Ananindeua da região metropolitana que decidiram parar no dia 28 de Abril a partir de uma pressão da base e da própria sociedade, demonstrando a força do movimento pela paralisação

    No momento em que escrevemos esse texto ainda não temos contabilizados todos os informes, mas segundo as centrais (CSP Conlutas, CUT, Intersindical, CTB, Força Sindical, UGT, CSB e Nova Central) haverá manifestações em todo o estado. Na Plenária realizada pelas centrais no dia 24 de abril em conjunto com as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, não houve objeções pela realização de ato unificado no primeiro de maio em Belém, o que demonstra a necessidade na unidade para barrar as reformas de temer e coloca-lo pra fora.

  • Câmara dos Deputados vota a Reforma Trabalhista nesta quarta-feira (26)

    Por Gleice Barros, do ABC, SP

    E o governo parece não querer dar trégua. Às vésperas da greve geral que está sendo construída por diversos setores dos movimentos sociais para esta sexta feira (28), a comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou o texto base de outra reforma bombástica: a Trabalhista.

    Com tramitação em tempo recorde, a votação será realizada nesta quarta (26) em plenário e pode ser um passo importante para o governo avançar na alteração de direitos trabalhistas históricos no Brasil ao revogar diversos pontos da CLT. Mas a votação também serve como teste para verificar a força do governo para aprovar a Reforma da Previdência que necessita de pelo menos 308 votos a favor.

    Reforma Trabalhista: o que está em jogo?

    O texto base propõe diversas alterações em direitos garantidos pela CLT. Um das propostas é sobre os Acordos coletivos. Hoje acordos coletivos que ferem direitos garantidos pela lei não podem ser aprovados e impostos a empregados. A partir da reforma isso muda. Tudo que for acordado entre patronal e trabalhadores poderá ser implementado e inclusive estendido por tempo indeterminado.

    Nesse bolo entra carga horária de até 12 horas e parcelamento de férias (com data marcada pelo empregador), banco de horas e qualquer beneficio “acordado” entre ambos.

    Outra mudança seria em relação ao Seguro Desemprego. Se o empregado for demitido sem justa causa, poderá receber até 80% do FGTS, mas não terá acesso ao Seguro Desemprego.

    O tempo de deslocamento de casa ao trabalho hoje é contabilizado como tempo de trabalho, a partir da aprovação da Reforma, não será mais considerado como tal. Isso significa que se o trabalhador sofrer qualquer acidente no caminho ao trabalho não será mais considerado acidente de trabalho.
    As mulheres grávidas hoje não podem trabalhar em locais considerados insalubres. A nova lei prevê a liberação com a autorização médica.

    Ainda está no texto a diminuição do intervalo de uma hora para 30 minutos em jornadas de 8 horas diárias, o trabalho intermitente, o fim da contribuição sindical e a terceirização obrigatória para serviços de alimentação, transporte e segurança em decorrência da Lei da Terceirização.

    Força para a Reforma da Previdência

    Também está em jogo a força que o governo tem neste momento para aprovar a Reforma da Previdência. Temer quer medir sua influência entre a base aliada e, com a aprovação da Reforma trabalhista, impor mais um ataque aos trabalhadores, principalmente seu setor tradicionalmente mais organizado,  além de avançar a passos largos no plano de mudanças profundas nas leis do país iniciadas com a PEC dos Gastos, Reforma do Ensino Médio e Trabalhista.

    Em encontro recente com o primeiro-ministro Mariano Rajoy, que visitou o presidente brasileiro em Brasilia nesta segunda (24), Temer declarou existirem diversas semelhanças entre as crises espanhola e brasileira e elogiou Rajoy pelos planos implementados , que são muito semelhantes ao proposto para a situação brasileira.

    Foto: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados

  • Universidades e escolas vão parar no dia 28 de Abril, em Fortaleza

    Por Raquel Dias, Professora da UECE, Diretora do ANDES-SN – Reg. NE1.

    Os estudantes e professores da Universidade Estadual do Ceará – UECE fizeram o lançamento do Comitê de Construção da Greve Geral na UECE ontem, terça feira, dia 25/04. A atividade foi convocada pela Regional NE1 do ANDES-SN, pela SINDUECE e pelo DCE/UECE e contou com o apoio e a presença do ANDES-SN, do SINTRO, do MTST, do Movimento de Oposição à APEOC (professores da rede estadual), da Associação de Moradores do Siqueira e também contou com a participação de organizações políticas que atuam no ME da UECE, como Levante Popular dá Juventude, do MAIS, da NOS, do RUA, da UJC.

    A atividade realizada no corredor do principal bloco da Universidade (bloco I) contou com a presença de mais de 100 estudantes e professores dos cursos de Serviço Social, Pedagogia, História, dentre outros.

    Todas as falas reafirmaram a necessidade de reforçar a greve geral do dia 28/04 como uma importante ação contra as reformas da Previdência e Trabalhista e outras medidas que trarão consequências nefastas, sobretudo, para a juventude.

    A UECE aprovou também em assembleia dos docentes à adesão ao dia 28/04 e a reunião do Fórum das Três, ocorrida no dia 17/04, que representa as seções sindicais das três Universidades Estaduais do Ceará (SINDUECE, SINDIUVA, SINDURCA) reafirmou a participação na greve geral.

    Os estudantes da UFC, por sua vez, aprovaram a participação na greve geral no plenária final do Congresso dos Estudantes realizado no último final de semana.

    Os professores e estudantes da rede básica (municipal e estadual) são parte importante desse processo de construção do dia 28/04 desde as vitoriosas mobilizações do mês de março.

    E agora as escolas particulares, uma a uma, num efeito quase dominó, estão aderindo à greve. As notícias chegam a todo instante dando conta da adesão das instituições particulares de ensino.

    Dia 28/04 em Fortaleza está ganhando força e a adesão do setor da educação superior e básica reforça a unidade de entre trabalhadores e trabalhadoras e estudantes na luta contra Temer, as reformas e a defesa dos direitos!

    Adesões:
    Universidade Estadual do Ceará – UECE
    Universidade Regional do Cariri – URCA (Crato)
    Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA (Sobra)
    Universidade Federal do Ceará – UFC.
    Colégio Santa Cecília
    Colégio Tiradentes
    Colégio Monteiro Lobato
    Colégio Nossa Senhora do Carmo
    Escola Vila
    Colégio Juvenal de Carvalho
    Colégio Santa IsabelConfira mais informações sobre a Greve Geral do dia 28 de Abril:

    28 de abril: São Paulo terá Greve Geral e protestos contra as Reformas

    Greve Geral: paralisação de transportes promete parar São Paulo dia 28 de abril

    Para saber mais, acesse o evento do dia 28 em São Paulo

    28 de abril vamos parar o Brasil’, definem centrais sindicais

    28 de abril: quatro propostas para a construção da Greve Geral

    28 de Abril: Reunião do DCE da USP aprova Comitê pela Greve Geral

    28 de abril: um dia para escrevermos em nossa história

    28 de Abril: Petroleiros entrarão na greve geral com muita força

    28 de Abril: Reunião de preparação da Greve Geral em Campinas (SP) aprova plano de ações

    Greve Geral: saiba o que vai parar no dia 28 de abril, no Rio de Janeiro

    28 de abril: Porto Alegre vai parar no dia da greve geral

    Greve Geral: Saiba o que vai parar no dia 28 de Abril, em Belo Horizonte e região

    Greve Geral: saiba o que vai parar no dia 28 de abril, em Recife e região

    28 de abril: Alagoas vai parar

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    Assembleias e plenárias confirmam: Baixada Santista vai parar no dia 28 de ab

  • O que vai parar na greve geral no Paraná

    Da Redação

    A greve geral, marcada para o dia 28 de abril, construída pelas centrais sindicais, frentes Brasil Popular, Povo Sem Medo, organizações da esquerda socialista e diversos outros movimentos sociais já foi referendada em assembleia por categorias de trabalhadores, em todo o país.

    O protesto é contra as reformas do governo Temer (PMDB), como a Trabalhista, da Previdência, o projeto de terceirização, entre outras, que visam colocar as consequências das crises econômica e política nas costas dos trabalhadores e da juventude.

    Confira as categorias que vão parar na Greve Geral do dia 28 de Abril no Paraná:

    (Em 26/04/2017 – 12:35)

    1- Asseio Cavo – Trabalhadores da Coleta de Lixo
    2- APP Sindicato – Educadores do Estado
    3- Repar – Trabalhadores da Refinaria Petrobrás
    4- Metalúrgicos Região Metropolitana e de Curitiba
    5- Motoristas cobradores
    6- Bancários
    7- Vigilantes
    8- Trabalhadores dos Postos combustíveis do centro Curitiba
    9- Marmoreiros
    10- Servidores Campo Largo
    11- Professores Campo Largo
    12-Sismmac – Professores municipais Curitiba
    13- Sismuc – Servidores de Ctba
    14- Metalúrgicos Fiat
    15- Saneamento (Gerti)
    16- Alimentação – Ponta Grossa
    17- Metalúrgicos – Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Cascavel, Guarapuava, Irati, Pato Branco
    18- SINDITEST – Técnicos Universidades Federais
    19- ApufPr – Professores da Ufpr
    20- Hospital de Clínicas (Sinditest / Andes)
    21- Sindsaude – Trabalhadores Saúde Estadual
    22-Servidores municipais de Araucária
    23- Sismmar – Professores Araucária
    24- Sinsep – Servidores Municipais São José dos Pinhais
    25- Correios
    26- Sindimoc – Trabalhadores do Transporte de Ctba
    27- Sindiprol – UEL Londrina
    28- Sinteemar – UEM Maringá
    29- Assuel – UEL Londrina
    30- Sintespo – UEPG Ponta Grossa
    31- Sinteoeste – UNIOESTE Cascavel
    32- UNESPAR – Universidade Estadual do Paraná
    33 – SISMUP – Servidores Municipais de Pitanga
    34 – STTR Pitanga – Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Pitanga
    35- UNINTER – Professores Setor Privado Pólo de DOIS VIZINHOS
    36 – Sismmar – UEM Maringá
    37 – SindiJus – Trabalhadores da Justiça PR
    38 – Sintrodov – Sindicato dos motoristas Dois Vizinhos
    39 – Síndicato dos trabalhadores Rurais de DOIS VIZINHOS
    40 – Síndicato do professores municipais de DOIS VIZINHOS
    41 – Síndicato do professores municipais VERÊ
    42 – Síndicato dos professores municipais São Jorge do Oeste
    43 – Sindicato dos trabalhadores rurais de Bituruna
    44 – Síndicato dos técnicos da UTFPR Campus de Dois Vizinhos
    45 – SINTEPFB Sindicato dos Trabalhadores em Educaçao Publica Municipal de Francisco Beltrão.
    46 – Sintrafucarb
    47 – Petroquímicos do Paraná
    48 – Sindicato dos professores da rede particular do Paraná
    49 – Senge – PR
    50 – Sintrol (Transporte Público de Londrina)
    51 – Sinpro (Escolas Particulares)
    52 – Arquidiocese de Londrina (escritório e escritório de. paróquias)
    53 – MST PR – Trabalhadores Rurais Sem Terra
    54 – Sinclapol – Policiais Civis
    55 – SIGMUC – Guardas Municipais de Curitiba
    56 – Sindutf-PR (Professores UTFPR)
    57 Trabalhadores da Embrapa

    Envie mais informações para portalesquerdaonline@gmail.com

    Confira mais informações sobre a Greve Geral do dia 28 de Abril:

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  • Greve Geral em BH/Contagem: Comitê Metalúrgico convoca todos para ajudar na paralisação das fábricas

    da Redação,

    Na terça-feira (25) o Comitê Sindical e Popular se reuniu pela segunda vez no Sindicato dos Metalúrgicos de Belo Horizonte e Contagem para discutir a atuação da categoria na Greve Geral do dia 28 de abril.

    Estavam presentes militantes ligados à CUT, CSP-Conlutas, CTB e Força Sindical e apoiadores de diversas categorias, como os educadores do Sind-UTE Contagem.

    Os metalúrgicos estão sofrendo muito com a crise econômica e com as demissões em massa na categoria. Os salários são muito baixos e a rotatividade é imensa. Além disso, a maior fábrica de Belo Horizonte – Vallourec – está transferindo sua produção para outra região gerando desemprego e prejudicando a economia.

    Os ataques do governo de Temer (Terceirização, Reforma da Previdência e Trabalhista) pioram ainda mais a situação dos trabalhadores da categoria e existe muita revolta no chão de fábrica.
    Pensando nessa realidade, e sabendo do assédio moral e da repressão que se abatem sobre os trabalhadores que fazem greve no setor produtivo , o Comitê Sindical e Popular resolveu fazer um apelo aos movimentos sociais para ajudar na paralisação das fábricas.

    Fazemos um chamado para os ativistas      comparecerem no dia 28 de abril no Sindicato dos Metalúrgicos, às 4h30 da manhã, numa concentração para distribuir os ativistas para os piquetes nas fábricas da região. A Greve Geral ganhará eficácia apenas se conseguirmos parar o setor produtivo e apoiar os metalúrgicos é muito importante para garantir a efetividade da nossa luta.

    Concentração de apoio aos metalúrgicos

    Horário: 4h30 da manhã
    Local: Sindicato dos Metalúrgicos de BH, Contagem e região (Rua Camilo Flamarion, 55 – Jardim Industrial – Contagem)
    Objetivo: Auxiliar na greve das fábricas metalúrgicas

    Confira mais informações sobre a Greve Geral do dia 28 de Abril:

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  • Incêndios a ônibus e caos na segurança pública aterrorizam o povo de Fortaleza

    Por Pedro Aquino e Euclides de Agrela, de Fortaleza

    Por volta do meio da quarta-feira, 19 de abril, começava uma série de ataques incendiários a ônibus municipais e metropolitanos de Fortaleza. Até à noite de quinta, haviam sido atacados 23 ônibus (19 linhas coletivas, três fretados e um escolar), veículos de órgãos públicos, duas agências bancárias e três delegacias. Os trabalhadores e o povo da cidade, particularmente aqueles que moram nos bairros de periferia, ficaram em pânico às vésperas do feriado de Tiradentes.

    Os ataques culminaram com o recolhimento da frota de ônibus por volta das 15:00 do dia 19, deixando centenas de milhares de usuários sem transporte coletivo. A inciativa do recolhimento partiu do sindicato patronal SINDIONIBUS e não contou com nenhum posicionamento da prefeitura e do governo do Estado. Muitos trabalhadores e trabalhadoras procuraram transporte alternativo como táxi, moto-táxi, Uber, entre outros, pagando preços abusivos, entorno de 50 a 80 reais, para chegar às suas casas na periferia de Fortaleza.

    Já não bastasse pagar uma passagem de 3,20 reais, caríssima para o custo de vida da cidade, no momento de maior insegurança pública, os trabalhadores e o povo de Fortaleza se viram abandonados nas ruas e reféns do cartel privado que controla os ônibus da cidade. Muitos, por não terem condições de pagar um táxi, moto-táxi ou Uber chegaram a caminhar horas para chegarem às suas casas depois de um dia exaustivo de trabalho.

    A normalização do transporte coletivo, só começou depois das 20:00 da quarta-feira, com alguns ônibus em comboio e escoltados pela PM. Na quinta-feira foram registrados ainda alguns poucos ataques, no entanto, os ônibus continuaram circulando normalmente durante todo o dia.

    Ataques do crime organizado?

    As causas dos ataques incendiários estão sendo investigadas. Enquanto isso, vários boatos se espalharam, causando muita confusão. Isso seria obvio para uma das cidades mais violentas do mundo. Somado o caos da segurança pública à crise social, ao desemprego, aos baixos salários, a sensação de insegurança só tende a aumentar.

    A imprensa não perdeu tempo em associar os ataques às facções criminosas vinculadas ao tráfico que atuam no Ceará. As mídias locais e nacionais reproduziram, sem nenhuma investigação jornalística séria, simplesmente o que os órgãos de segurança pública informaram:

    “Os ataques começaram após transferência de 360 presos na Casa de Privação Provisória de Liberdade Professor Clodoaldo Pinto (CPPL II), em Itaitinga, e na Unidade Prisional Adalberto Barros de Oliveira Leal, conhecida como Carrapicho, em Caucaia. Segundo a secretária da Justiça e Cidadania, Socorro França, elas ocorreram a pedido dos próprios presos”. (Jornal o Povo, 20 de abril).

    Em alguns ônibus foram deixados bilhetes supostamente informando o motivo dos ataques, acusando o governo Camilo Santana de corrupto e exigindo ações do Estado em relação ao sistema prisional. É, no mínimo, estranho que facções criminosas acusem em seus supostos comunicados o governo estadual de corrupto, na medida em que o próprio crime organizado, representado pelos grandes narcotraficantes, mantém relações promíscuas com setores corruptos do alto escalão do Estado, corrompem policiais, deputados e até membros do executivo para garantirem a segurança dos seus lucrativos negócios ilegais. As relações do narcotráfico chegam também até aos ditos homens de bem, que lavam dinheiro e se associam à criminalidade como forma de diversificar seus negócios legais e ganhar dinheiro rápido. Como nos ensinou o escritor Honoré de Balzac: “por detrás de uma grande fortuna há um crime”.

    Para coroar a estranheza da versão oficial sobre a responsabilidade dos ataques, um dos principais gerentes do tráfico da facção criminosa Família do Norte (FDN), Vainer de Matos Magalhães, 34, conhecido como “Pepê”, foi executado na última quinta-feira (20), em plena luz do dia, numa das mais movimentadas avenidas da região nobre de Fortaleza. Ele estava em uma Hilux, na av. Santos Dumont, quando foi surpreendido por homens que saíram de um carro atirando.

    Crime organizado na polícia

    Representantes da categoria da Polícia Civil do Estado do Ceará se pronunciaram sobre os ataques com uma declaração intrigante:

    “Segundo Ana Paula Cavalcante, vice-presidente do Sinpol, ‘a situação na qual os policiais civis se encontram possibilitou a entrada das facções criminosas no Estado, tendo elas se aproximado por meio de núcleos compostos por bandidos. O crime organizado no Estado é resultado de uma Polícia Civil desmotivada e desestruturada. Diariamente sofremos duros golpes. Escrivães e inspetores, que investigam e combatem o crime organizado, estão esquecidos’, avalia Ana Paula, que destaca: “O crime organizado encontra aqui um terreno fértil”, diz. (Jornal o Povo, 20 de abril).

    A vice-presidente do Sinpol, mais do que denunciar o descaso do governo do Estado com a investigação e combate ao crime organizado, deixa nítido o fato de que há um peso cada vez maior de facções criminosas dentro da polícia, em particular da PM, que organizam “núcleos compostos por bandidos”, base das milícias e grupos de extermínio.

    A declaração da vice-presidente do Sinpol ocorreu pouco depois de um fato de grande relevância, até agora ignorado pela imprensa como algo passível de vínculo com os ataques. No dia 18, um dia antes dos incêndios criminosos, foram soltos pela Justiça oito dos 44 policiais militares acusados de envolvimento na chacina da Messejana que irão a júri popular. Mesmo com a revogação da prisão, os policiais têm restrições de liberdade e não podem se aproximar das testemunhas envolvidas no caso.

    A chacina da Messejana, ocorrida em Fortaleza, foi a maior chacina já registrada no estado do Ceará. Ocorrida em novembro de 2015, nela foram executados, pelo menos, 11 jovens sem nenhuma passagem pela polícia. Em agosto do ano passado, a Justiça decretou a prisão preventiva de 44 policiais militares, que foram denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MP-CE) por participação na chacina.

    Vale destacar que, os oito que responderão o processo agora em liberdade, possuem acusações mais brandas, ou seja, serão julgados pelos crimes de homicídio por omissão imprópria (em relação a 11 vítimas fatais) e tentativa de homicídio por omissão imprópria (em relação às três vítimas sobreviventes). De acordo com o Código Penal, a omissão imprópria ocorre quando um agente que tem por lei a obrigação de cuidado, proteção ou vigilância deixa de agir para evitar o crime.

    A decisão relativa aos outros 36 policiais aguarda as etapas de apresentação da defesa dos acusados, que continuam presos. No total, o processo contra os 44 policiais acusados de participação na chacina foi dividido em três partes para acelerar o andamento do caso, conforme o Fórum Clóvis Beviláqua.

    Apesar de comemorada a soltura desses oito policiais para responder ao processo em liberdade, é inaceitável para as milícias e grupos de extermínio infiltrados na PM do Ceará que tanto esses, com acusações mais leves, como os outros 36 que seguem presos, sejam julgados por um júri popular.

    Segurança pública e crise social

    Ninguém pode ainda afirmar com certeza quem seriam os responsáveis pelos ataques incendiários. No entanto, os políticos mais reacionários da direita cearense estão se aproveitando da situação para disseminar a ideia criminosa de que “bandido bom é bandido morto”. Já sabemos aonde essa solução mágica leva: à criminalização da pobreza, à morte de jovens negros da periferia, muitos sem uma única passagem pela polícia, como demonstrou a chacina da Messejana.

    Mas, desgraçadamente, o aumento da insegurança pública, agravada pela crise social, a miséria e o desemprego faz com que esse slogan criminoso seja assimilado por uma parte significativa da população, particularmente dos bairros de periferia, que são os mais atingidos pelos conflitos entre facções do narcotráfico e pelas ações irresponsáveis da polícia que comprometem a vida de pessoas inocentes.

    Para combater essa ideologia que criminaliza os pobres e busca transformar as ações irresponsáveis da PM em exemplos de combate ao crime, é preciso fazer com que a população trabalhadora enxergue que dentro da polícia há também o crime organizado, sob a forma de milícias e grupos de extermínio. E que é preciso lutar pelo fim da PM, essa excrecência herdada da ditadura militar, e substituí-la por uma polícia civil única, preventiva, investigativa e submetida ao controle da população, que elegeria inclusive os delegados desta nova polícia.

    Por outro lado, para combater o narcotráfico será preciso descriminalizar o uso de drogas ilegais. Usuário de drogas não é criminoso, quando muito, se se trata de um usuário crônico, é um dependente químico, um doente, como qualquer alcoólatra. Além disso, só será possível diminuir sensivelmente a base social do tráfico com a oferta pelo Estado de uma educação pública, gratuita e de qualidade e de projetos de geração de empregos dignos para a juventude. Por isso, somos contra o slogan “bandido bom é bandido morto” que só serve para justificar o extermínio da juventude pobre e negra das periferias.

    Não se intimidar: construir a greve geral em Fortaleza

    No dia 19, um motorista ficou preso ao cinto em um dos ônibus e acabou tendo partes do corpo queimadas. No dia 20, um cobrador cadeirante não conseguiu sair de um ônibus incendiando e ficou gravemente ferido. Diante da ameaça à vida dos trabalhadores rodoviários e do povo que anda de ônibus, o Sindicato dos motoristas e cobradores de Fortaleza (SINTRO) exigiu, corretamente, da prefeitura e do governo do Estado o recolhimento dos ônibus por tempo indeterminado, até que o controle da segurança pública fosse minimamente retomado e garantido na capital cearense.

    O povo de Fortaleza não pode ficar refém nem do crime organizado nem do cartel privado que controla as empresas de ônibus. Não pode ser que os ônibus sejam recolhidos a qualquer momento, sem aviso prévio, pelo SINDONIBUS deixando milhares de trabalhadores nas ruas sem ter como voltar para suas casas depois de um dia de trabalho.

    Por fim, os movimentos sindical e popular de Fortaleza não podem se deixar intimidar pela crise da segurança pública. Será preciso construir um grande dia de greve geral na capital cearense no 28 de abril. Sobretudo, será uma tarefa de todos os movimentos sociais auxiliar o SINTRO a parar o transporte público municipal e metropolitano. Não será nem a PM nem o crime organizado que vão impedir o povo de se organizar e seguir lutando em defesa da vida, da aposentadoria e das conquistas trabalhistas ameaçadas pelo governo Temer. No dia 28, quem vai parar o transporte público de Fortaleza é o povo trabalhador.

    Foto: TV Verdes Mares/Reprodução

  • 11 coisas pouco divulgadas sobre Brasília

    Brasília completa 57 anos hoje. Você conhece mesmo a capital do país? Veja 11 coisas que quem é de fora normalmente não sabe sobre a cidade:

    1) A Construção de Brasília só foi possível com a exploração desumana de operários. Jornadas de até 16 horas, várias mortes, comida ruim e repressão policial a qualquer revolta. Veja no documentário “Conterrâneos Velhos de Guerra”, do cineasta Vladimir Carvalho: https://www.youtube.com/watch?v=iDcz3Uw21wI

    2) Quem fez o desenho do Plano Piloto em forma de avião não foi Oscar Niemeyer. Foi o arquiteto Lúcio Costa. Niemeyer fez o desenho dos prédios, como o do Congresso.

    3) O que costumam chamar de “Brasília” é o Plano Piloto, a parte planejada da cidade. Ali mora menos de 10% da população do Distrito Federal. Mais de 90% mora nas chamadas cidades-satélites, que têm o mesmo governo que o Plano Piloto. Boa parte da população desses lugares também se reivindica brasiliense.

    4) Brazlândia, cidade-satélite de Brasília, é o 3º maior produtor de morangos do país. No Distrito Federal existe uma agricultura moderna e diversificada. Brasília é auto-suficiente em hortaliças.

    5) Em Brasília fica a segunda maior favela do país, chamada de Sol Nascente. São mais de 60 mil pessoas vivendo em condições precárias e sem serviços básicos de saúde e saneamento.

    6) Mesmo sem mar, o Distrito Federal tem a quarta maior frota de barcos do país. Isso graças ao Lago do Paranoá, que é próprio para navegação.

    7) Brasília é o centro de uma área metropolitana de quase quatro milhões de habitantes, quinta maior do país, que inclui o Distrito Federal e cidades de Goiás e Minas Gerais. Brasília tem um alto índice de desenvolvimento humano não porque é rica, mas porque a parte que trabalha na cidade e mora em outros estados e não entra nas estatísticas. No chamado “Entorno de Brasília” os índices de desemprego e violência ainda são muitos altos.

    8) Capital do Rock? Não apenas. Em Brasília existe a maior festa de São João do Centro-Oeste, que chega a reunir mais de 100 mil pessoas. O rap também se destaca com nomes como Gog. O Raggae também é bem presente e já revelou bandas como Natiruts.

    9) Metade da população vem de outros estados. Deste total, metade é nordestina. Brasília é uma cidade com forte presença de maranhenses e piauienses.

    10) O lugar onde foi construída Brasília é considerado sagrado. Há forte presença de grupos místicos, como Vale do Amanhecer e Cultura Racional. Até o Inri Cristo mora aqui.

    11) Brasília “existe” desde 1808, quando José Bonifácio, membro da corte portuguesa, pensou em transferir a capital para o centro do país. Em 1891, o astrônomo Luís Cruls veio para o Planalto Central e demarcou o “quadrilátero Cruls”, onde se encontra hoje o Distrito Federal. Apenas em 1960 Brasília virou realidade.

    Foto: wikipedia

  • Porto Alegre: Racismo na Câmara contra Vereadora do PSOL Karen Santos

    Da Redação

    Valter Nagelstein tenta impedir Vereadora Karen Santos de falar na Tribuna da Câmara Municipal de Porto Alegre. O Vereador da direita, aliado de Temer e das reformas, alegou que a vereadora do PSOL estava com “trajes inadequados”. Estava incomodado pelo fato de Karen, mulher jovem e negra, estar com uma camisa com a estampa de Malcom X, líder negro norte-americano. Reproduzimos, abaixo, post do facebook da Vereadora Karen:

    “Acompanhe o momento em que questionamos o vereador Valter Nagelstein, que atacou a vestimenta da vereadora Karen Santos – A Vereadora do Povo que Batalha. Karen, em seu discurso, usou uma camiseta com estampa do lutador norte americano, Malcom X.

    A bancada do PSOL foi pra cima da mesa e questionou a atitude do vereador!

    Na primeira sessão, Nagelstein, defensor das reformas de Temer, já demonstrou que está incomodado com a presença de uma vereadora do povo que Batalha….”, diz o post.

    Assista

  • Protesto na Escola Estadual Monteiro de Carvalho, no Rio, pede fim do assassinato de jovens nas comunidades cariocas

    Da Redação

    Educadores e estudantes da Escola Estadual Monteiro de Carvalho, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, realizaram um protesto na manhã desta quarta-feira (18), em frente à unidade escolar, para denunciar a morte de jovens das comunidades da capital fluminense. Na última semana, o aluno do colégio, Wesley de Paula, de 15 anos, que cursava o 1º ano do Ensino Médio, foi assassinado em frente à casa onde morava no Morro do Fallet, no Rio Comprido, Região Central do Rio. Além dele, o amigo Davi Renan da Rocha, de 16 anos, também foi baleado e morreu. Apenas um terceiro adolescente sobreviveu aos tiros disparados contra eles. Alguns dias antes, a jovem Maria Eduarda perdeu a vida após ter sido baleada por policiais dentro da própria escola onde estudava e era atleta de basquete.

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    Estudantes carregam cartaz com frase de Wesley

    No protesto, estudantes carregaram faixas pedindo o fim da violência. O canto mais repetido pelos presentes na manifestação questionava o caráter militar nas forças de segurança. “Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da polícia militar”, foi entoado diversas vezes.

    Um cartaz continha uma das frases de Wesley em uma das provas que realizou na escola: “A cada dia que passa, não podemos dar mole para a vida, pois vão (sic) ter novos obstáculos”, dizia.

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    Cartazes denunciam morte de jovens

    O Esquerda Online conversou com um dos funcionários da escola. Segundo ele, o adolescente era conhecido por ser um bom aluno. “Os educadores tinham Wesley como um aluno ‘boas notas’. E mesmo que fosse o contrário, nada justificaria esse grau de violência contra esses jovens. É uma dura realidade que precisa acabar imediatamente”, opinou.

    Os profissionais de educação da Escola Estadual Monteiro de Carvalho escreveram uma carta emocionante sobre o caso. Divulgamos abaixo, na íntegra:

    Mais um estudante de comunidade se torna vítima da violência armada. Desta vez foi o nosso aluno Wesley de Paula, integrante da turma 1002, do 1º ano do Ensino Médio. Wesley ainda iria completar 16 anos no próximo mês de maio.

    Como manter a esperança nessa sociedade com a notícia do assassinato de um dos nossos melhores alunos? Como tolerar as ações do ódio genocida que está matando jovens, sobretudo, negros, um a um, todos os dias?

    Quando vemos um menino de 15 anos morrer pelo simples fato de existir, como vamos convencer nossos alunos a remarem contra a maré, a estudar – como o Wesley estudava? Como vamos convencê-los a dar valor à vida quando sabemos que esta sociedade não lhes dá valor algum? Nos expliquem, como?

    Somente nos meses de janeiro e fevereiro de 2017 foram mortos 182 jovens no Estado, segundo dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro. 182 jovens mortos!!!

    Questionamos a política de segurança pública que não protege todos os segmentos da população. Segurança pública é direito constitucional de todo cidadão brasileiro, independente da idade, da cor da pele, do endereço e da classe social.

    Ficamos revoltados e indignados em ver nossos alunos desaparecerem desta forma violenta. Chega de balas certeiras contra vidas de jovens, negros, pobres e das comunidades.

    Basta!!!
    Profissionais da educação do Colégio Estadual Monteiro de Carvalho.

  • 100 dias de governo Dória: descaso com enfrentamento a violência contra mulher se aprofunda

    Gestão tucana não moveu um milímetro para poder fortalecer rede e políticas de combate à violência

    Por:  Luka, jornalista e suplente pela Zona Oeste no Conselho Municipal de Política para Mulheres | Publicado originalmente em Opera Mundi e reproduzido no Esquerda Online com autorização da autora

    João Dória Jr completou 100 dias de mandato como prefeito em São Paulo. Muitos já falaram do caráter marqueteiro que estes 3 meses de governo. Há também o debate sobre os congelamentos realizado em cima do orçamento do município em confronto direto com os levantamentos realizados pela CPI da Dívida Ativa que segue na Câmara de Vereadores de São Paulo. A dívida existente de bancos e multinacionais para com a cidade de São Paulo chega a ser duas vezes maior que o orçamento aprovado no final de 2016 para o município. Todas estas questões mais gerais têm impacto direto em políticas públicas que beneficiam a população mais vulnerável e marginalizada da cidade. O que mais me preocupa é a situação da rede de enfrentamento à violência contra mulher. A cidade que João Dória Jr apresenta em seu balanço de 100 dias parece um comercial de margarina, quando a realidade é bem diferente.

    A situação não é dramática apenas nos últimos 100 dias. Segundo o Boletim Eletrônico da secretaria estadual de segurança pública de São Paulo, só na capital, são mais de 40 mil ocorrências contra mulheres das mais diversas em nosso município entre 2015 e o inicío de 2017. Isso porque não se contabiliza nos dados de violência contra mulher as questões relacionadas à transfobia e esta é uma questão que todas que lidam com o debate de enfrentamento à violência contra mulher precisam se debruçar, visto que o Brasil é o pais que mais mata travesti no mundo e que no município de São Paulo tivemos a “Operação Tarantula” que perseguia nos anos 80 as travestis de nossa cidade, inclusive, algumas desapareceram nesse período e nunca mais foram encontradas.

    Os 100 dias de governo Dória colocaram na UTI a política de enfrentamento à violência contra mulher. Foi para a UTI por que já não vinha tendo a atenção devida há tempos, política pública para mulheres sempre foi uma dificuldade de se ter como prioridade ao pensar uma cidade, estado ou país. Por exemplo, o ônibus de atendimento a mulheres em situação de violência contra mulher está estacionado, falta pagar o IPVA, acertar multas tomadas por que o equipamento rodou sem o devido plaqueamento ou em dias de rodízio. A João Dória Jr e Patrícia Bezerra, secretária municipal de direitos humanos e cidadania, cabe a pergunta: por que ainda não foi regularizada situação do serviço? e: qual o prazo para voltar a rodar? A Fernando Haddad e Denise Motta Dau, ex-secretaria municipal de política para mulheres, cabe a perguntar: por que este serviço não tinha dispensa em dias de rodízio visto a natureza da demanda a ser atendida pela unidade móvel? A gestão passada também cabe perguntar: por que este serviço não possuía equipe própria, muitas vezes desfalcando equipe de outros equipamentos da rede de enfrentamento? A gestão Dória cabe cobrar que ao regularizar a situação da unidade móvel esta tenha equipe própria, de preferência concursada, para que possamos fortalecer a rede de enfrentamento e não colocá-la em situação ainda mais periclitante.

    Em 100 dias de governo Dória nenhuma ação realmente enérgica para lidar com os flancos existentes na rede municipal de enfrentamento à violência contra mulher foi tomada. O que existiu foram argumentos de fuga por parte da SMDHC (Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania), Coordenadoria Municipal da Mulher e SMADS (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social) sobre os problemas que persistem e se aprofundam na rede.

    Também enfrentamos um operativo político da gestão tucana para dificultar a participação das mulheres no processo de definição do “Plano de Metas” ao marcar as audiências no mesmo período de construção da “Conferência Municipal de Saúde da Mulher”. Ao entrar nos detalhamentos do enxuto plano de João Dória é perceptível o descaso, no eixo de segurança urbana não há uma linha sobre o programa “Guardiã Maria da Penha”. Também não há menção as metas e objetivos consolidados no 1º Plano Municipal de Políticas para Mulheres, que já tem prazos que vencem neste primeiro ano de mandato.

    Além disso, urge pensarmos efetivamente a quem a política de enfrentamento a violência contra mulher atinge realmente? Como acolher mulheres em situação de violência que estão em profundo processo de vulnerabilidade e recorrem ao álcool e drogas? Para além da estrutura de atendimento no município a forma como este atendimento está construído é importante ter algumas práticas reorganizadas para efetivar um real processo de ruptura da mulher com a situação de violência. Ao termos que travar o embate para se manter o mínimo do mínimo de estrutura de serviços acabamos não avançando em debates de como deve se efetivar o acolhimento das mulheres cis e trans em situação de violência.

    A questão é que em 100 dias o governo Dória poderia ter dado uma resposta positiva sobre a forma como a política de enfrentamento a violência contra mulher seria consolidada, ampliada e refletida, porém a única coisa feita foi apresentar uma forma mais efetiva para desmontá-la. A extinção da SMPM (Secretaria Municipal de Política para Mulheres) é símbolo disso, por mais que se tenha críticas ao governo petista, quando se desmonta uma secretaria se diminui brutalmente a forma de potencializar e organizar a política para qual ela serve. Ou seja, hoje há uma coordenadoria profundamente assoberbada e que não consegue dar respostas de como efetivar o 1º Plano Municipal de Política para Mulheres, pensar um processo de expansão da rede de enfrentamento que consiga dar conta da demanda existente no município e ajude a garantir os direitos humanos das mulheres, sem colocá-las dentro de um perfil ou molde, e ao mesmo tempo que combata o sucateamentos dos equipamentos já existentes garantindo sua adequação à Norma de Uniformização dos Centros de Referência para as mulheres.

    A verdade é que João Trabalhador decidiu, nestes 100 dias, colocar a já sensível política de mulheres do município na UTI e mostrando que apenas trabalha pela manutenção da violência em nossa cidade e pela passada de pano àqueles que devem ao município.

    [+] Carta Aberta das Redes de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres de São Paulo

    [+] Notas taquigráficas da Audiência Pública sobre a rede de enfrentamento a violência contra mulher do município

    [+] Carta sobre a situação de desmonte das políticas para as mulheres em São Paulo

    Foto: Wikicommons/ George Gianni