Em meio a crise no Ensino Superior, Alvaro Bianchi assume diretoria do IFCH

Por: Lucas Marques, de Campinas, SP

“Não abrimos mão de nossos valores e princípios, mas eles são ofendidos pela passividade e pela inação conservadora. Nossos valores e princípios só fazem sentido quando orientam a ação. E é isso o que faremos: coloca-los em movimento”, disse Alvaro Bianchi, em seu discurso de posse. Na tarde de segunda-feira (4), o professor de Ciência Política e militante do PSOL, tomou posse do cargo de diretor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. A solenidade contou com a presença do reitor da instituição, Marcelo Knobel.

Em um contexto de calamidade no ensino superior público no Brasil, um momento complicado, Bianchi assume a diretoria do IFCH. O cenário na Unicamp é preocupante. Com um déficit orçamentário de R$ 200 milhões, é urgente o aumento da porcentagem do ICMS (imposto sobre consumo responsável por financiar as estaduais paulistas) repassada às universidades, a mesma desde 1989.

Além da crise financeira, vivemos uma intensa polarização política e ideológica na sociedade, acabou de ser aprovado, em espetáculo grotesco, o projeto escola sem partido na Câmara de Vereadores de Campinas, a mesma que em 2015 aprovou uma moção de repúdio ao Ministério de Educação por incluir uma questão sobre a intelectual feminista Simone de Beauvoir na prova do ENEM.

Centros de estudos marxistas são perseguidos por grupos de direita e matérias como História, Filosofia e Sociologia são retiradas do currículo obrigatório do Ensino Médio. As Ciências Humanas e o pensamento crítico em geral estão ameaçados. À frente de um corpo docente composto por intelectuais como Ricardo Antunes, Andreia Galvão, Jesus Ranieri, Armando Boito, Marcos Nobre e Luciana Tatagiba, e diante do papel histórico cumprido pelo IFCH como centro de pensamento progressivo, a diretoria terá um grande desafio na defesa do livre pensamento.

A chapa de Alvaro Bianchi apresentou um programa de defesa da universidade pública, da democratização do acesso e da permanência estudantil, além de propostas para o combate às opressões, como um GT institucional paritário, composto por docentes, estudantes e funcionários para debater o tema e de uma gestão mais democrática do instituto. Os estudantes do Centro Acadêmico de Ciências Humanas (CACH) apoiaram sua candidatura.

Na cerimônia de posse, CACH e CAIA (Centro Acadêmico do Instituto de Artes) organizaram uma intervenção visual com cartazes denunciando a reitoria pelas punições de estudantes por lutarem pelas cotas na greve de três meses ocorrida em 2016 e demandando mais democracia na universidade.

O Centro Acadêmico teve direito a uma fala de três minutos na abertura da cerimônia, na qual a estudante de Ciências Sociais, coordenadora do CACH e ativista do Afronte Milena Tibúrcio denunciou a grave situação da educação pública, defendeu a universidade pública gratuita, de qualidade e a serviço da população, denunciou as punições de estudantes e encerrou com um “Fora Temer e pela liberdade para Rafael Braga”.

Foto: Unicamp

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