Temer quer vender o Brasil: precisamos resistir

Editorial 25 de agosto

Nesta semana, o governo ilegítimo comandado por Michel Temer colocou na prateleira 18 aeroportos, 2 rodovias, 16 portos, 16 concessões de energia, 4 empresas e uma PPP de Telecom. Ainda, a privatização da Eletrobrás, que deverá ser realizada na bolsa por meio de emissão de novas ações, diluindo a participação da União.

Eles dizem que querem economizar. Uma grande farsa. Por exemplo, a venda dos aeroportos gerará gastos de R$ 3 bilhões ao ano, segundo o presidente da Infraero, enquanto o único dos sete tributos previstos pela constituição ainda não regulamentada, a taxação das grandes fortunas, se aplicada, poderia representar arrecadação de R$ 100 bilhões ao ano, segundo o mestre em finanças públicas Amir Khair.

Temer também colocou 47 mil quilômetros da Amazônia sob planos de exploração mineral, área oito vezes maior que o Distrito Federal, acabando com reserva instituída ainda durante a Ditadura Militar. Ao mesmo tempo, avançam os planos do governo de instituir cobranças de mensalidades em universidades públicas. E pasmem, até mesmo a Casa da Moeda foi posta à venda.

Onde eles querem chegar?
O congelamento do orçamento pelos próximos 20 anos, o fim da CLT, o fim da aposentadoria e a venda de todo e qualquer patrimônio do nosso país em nada serve a uma suposta “retomada da economia”, como vem repetindo a Globo e o restante da mídia golpista.

O objetivo é aprofundar o caráter dependente do Brasil. A elite desse país, assim como há mais de 500 anos, não tem qualquer responsabilidade com o desenvolvimento e a soberania nacional. Antes observavam o Brasil desde suas caravelas, hoje o fazem de seus helicópteros.

Para isso, aceleram a Reforma Política. Querem manter a concentração do poder político nas mãos dos mais ricos, diga-se de passagem, poucos homens cis, ricos e brancos. Ao passo que reforçam o controle social nas periferias, aumentando a violência policial, especialmente contra jovens negros.

Retomar a resistência é a única saída
É urgente retomar a resistência na luta direta. Só ela será capaz de barrar o nefasto projeto da elite de entregar o Brasil a um caminho quase sem volta. A Greve Geral do dia 28 de abril conseguiu adiar os planos da Reforma da Previdência. Já as frustrações das mobilizações, aquém do necessário no dia 30 de agosto, deixaram o governo mais confortável para aprovar o fim da CLT.

A Força Sindical e a UGT traíram a classe trabalhadora. CUT e CTB não podem seguir vacilando. É preciso unificar os trabalhadores e chamar à luta direta, nas ruas, locais de estudo e trabalho. Categorias como metroviários, petroleiros, servidores federais já aprovaram apoio à realização do dia de mobilizações convocado pelos metalúrgicos para o próximo dia 14 de setembro. Essa data deve marcar o início da retomada da resistência, que só será possível se as principais direções da classe trabalhadora organizada se lançarem a essa tarefa.

Na contramão da retomada da resistência dos trabalhadores, Lula e a direção do PT apostam todas as suas fichas em uma caravana pelo Nordeste, cujo principal propósito é a candidatura de Lula a 2018. Tudo isso, com Renan Calheiros (PMDB) e Jackson Barreto (PMDB) nos palcos dos comícios. Lula e a direção do PT mais uma vez apostam na conciliação de classes, na reedição do projeto que culminou com o impeachment e o retrocesso que estamos vivendo. Embora em muitos discursos Lula fale contra as reformas da previdência, não é o objetivo da direção do PT a mobilização direta contra o governo Temer para derrubar seu projeto histórico de retirada de direitos da classe trabalhadora.

O que está em jogo vai muito para além de 2018, só a resistência em lutas diretas do povo trabalhador é capaz de fazer curvas no caminho imposto pelas elites ao Brasil depois do golpe.

Foto: Alan Santos/PR

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