OPINIÃO | Acabar com o silêncio das ruas

Por: Silvio Fogaça, de Esteio, RS

Nós, que sonhamos e lutamos por um outro tipo de sociedade, em seu vários matizes, vivemos um tempo especialmente difícil.

De um lado, um avanço considerável das forças conservadoras e da direita, traduzido não só pela tomada de poder, mas a partir dela, pela implantação de um neo liberalismo tardio, que visa suprimir direitos e conquistas, enriquecendo os já muito ricos e jogando na miséria as classes mais desfavorecidas do espectro social.

Além disso, vivemos em uma profunda crise politica, ética, econômica e de esperança que afeta a maior parte dos brasileiros que não veem saída para tão grave momento e que, ao invés de correr para se salvar – ou seja, ir às ruas, protestar -, fazem exatamente o oposto, estão imobilizados, apáticos e descrentes.

Esta imobilidade que atinge boa parte da sociedade se infiltra em grande parte dos movimentos sociais e nos partidos políticos à esquerda, impedindo uns e outros de oferecer resistência ao trator da direita.

O PT, vitimado por denúncias de corrupção e pela escolha equivocada em outro momento por um pragmatismo irresponsável, aposta todas as suas fichas na eleição de 2018. Acreditando no poder messiânico da eleição de Lula e que ela, se ocorrer, vai resolver todos os problemas do País. Sem negar a melhora que representaria ter um presidente eleito legitimamente e que, em tese, estaria mais próximo das classes populares, não há como insistir na figura do Salvador do Pátria, filme que já passou por aqui, com os resultados conhecidos.

Precisamos mais. Precisamos sonhar com a construção de um Programa Mínimo Comum, que ataque os problemas estruturais de uma sociedade secularmente injusta, debater este programa em todos os espaços, mentes e opiniões e ousar fazer deste programa a base para as profundas reformas ou mudanças que o País precisa. Não podemos continuar sendo reféns de uma politica que busca concentrar ainda mais a renda, que suprime direitos, que desrespeita as minorias e que quer fazer do Brasil o quintal de seus negócios.

*O texto reflete a opinião do autor e, não necessariamente, a linha editorial do Esquerda Online.

Foto: Roberto Parizotti/ CUT

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