Membros da Executiva da CSP-Conlutas lançam manifesto ao 3° Congresso da entidade

Por: Juliana Donato, de São Paulo, SP

De 12 a 15 de outubro deste ano, ocorrerá o 3° Congresso da CSP Conlutas – Central Sindical e Popular. Em um momento em que os trabalhadores e trabalhadoras enfrentam uma brutal ofensiva contra os direitos, o congresso será importante para preparar a resistência e discutir o papel de a central na atual conjuntura.

Para contribuir com este debate e expressar algumas diferenças com a direção majoritária da central, foi construído o manifesto que publicamos abaixo, assinado por membros da Secretaria Executiva Nacional, de diversas entidades e agrupamentos políticos. Acreditamos que nossa central tem um papel importante a cumprir, sendo exemplo e linha de frente das iniciativas unitárias contra Temer e suas reformas e também exemplo de democracia, que supere as centrais sindicais burocráticas.

MANIFESTO AO 3° CONGRESSO DA CSP-CONLUTAS

“Você não sente, não vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova mudança em breve vai acontecer…” – Belchior

A luta de classes no Brasil deu um salto no seu grau de enfrentamento, principalmente quando a burguesia desencadeou uma forte ofensiva contra @s trabalhador@s, tendo Temer na presidência. O ajuste fiscal, iniciado no governo Dilma, após o impeachment se aprofundou e ganhou mais velocidade com Temer e sua quadrilha. As trabalhadoras e trabalhadores de várias categorias têm lutado para se defender do saque de direitos sociais e democráticos. Temos que ter orgulho de ter derrotado, pelo menos momentaneamente, a Reforma da Previdência, e ter contribuído para abalar a popularidade do atual governo. Todo esse desgaste de Temer e aliados é também fruto da força de nossa resistência e da unidade do movimento. Mas precisamos destacar uma preocupação importante: apesar de tudo que fizemos, o governo segue de pé, com forte base parlamentar, e tem avançado em aplicar os planos de interesse do capital. A aprovação da PEC 55 (Emenda 95), que congela por 20 anos os gastos públicos, chamada de PEC do fim do mundo, a lei que amplia a terceirização, a reforma do Ensino Médio e a reforma trabalhista foram golpes duríssimos contra a classe trabalhadora brasileira. Precisamos seguir nas lutas para impedir a implementação desses ataques.

… MAS NOSSA CLASSE RESISTE

As lutas de resistência dos trabalhadores e os graves escândalos de corrupção jogaram a popularidade de Temer na lama. Mas, com articulações espúrias, Temer escapou do TSE e da primeira denúncia de Janot, demonstrando que possui forte influência não só no parlamento, como também em parte importante do judiciário, apesar da Lava Jato ainda ser um grande problema para Temer e aliados. E para o segundo semestre a promessa do governo é seguir com o bombardeio sobre @s trabalhador@s: acaba de girar toda sua artilharia contra o funcionalismo público federal ( PDV, corte de benefícios e bloqueio de verbas para órgãos públicos). Henrique Meireles anunciou que a reforma da previdência será aprovada até outubro e mais uma reforma política vem aí para fechar mais janelas no regime. Ao contrário do que defende a direção majoritária de nossa central, não estamos numa correlação de forças favorável para o conjunto d@s trabalhador@s.Vivemos, neste momento de resistência da classe trabalhadora, uma ofensiva da burguesia, não totalmente consolidada, que tem o objetivo de acabar com os nossos direitos.

. UNIR A CLASSE PARA BARRAR AS REFORMAS

Diante desse cenário, é necessário recompor a ampla unidade entre as centrais sindicais e movimentos sociais, que crie condições para uma nova greve geral no país para derrubar Temer e derrotar seus ataques. A nossa central esteve corretamente inserida na construção das mobilizações de março, que abriram caminho para a greve geral do dia 28 de abril. A CSP Conlutas também acertou em participar com força da caravana à Brasília no dia 24 de maio. Mas infelizmente a direçäo da nossa central tem também cometido erros importantes, que demonstram que ainda há uma insuficiente disposição pela unidade movida por desvios sectários e auto proclamatórios. Pensamos que é preciso corrigir esse curso e podemos fazer diferente neste segundo semestre, aprofundando as relações de unidade com todos os setores que estão dispostos a lutar contra Temer e seus ataques. Queremos ver a CSP Conlutas buscando construir a mais ampla unidade de açäo com todas as centrais, movimentos sociais, da juventude e de luta contra a opressão. Um bom começo seria convidar esses setores para abertura de nosso congresso e propor a todos um grande encontro de lutador@s para construirmos um calendário unificadode lutas.

…FORA TEMER ESUASREFORMAS

De maneira nenhuma nossa necessidade de unidade para derrotar a imensa voracidade do capital deve esconder nossas diferenças. É preciso criticar, exigir e denunciar as direçöes majoritárias do movimento todas as vezes que expressarem vacilos e traições. A direção da Força Sindical dividiu o movimento ao liderar uma parte das centrais sindicais para negociar o imposto sindical — eis uma das razões da debilidade da greve geral do dia 30 e da recuperação de Temer. Também a direçäo da CUT e da CTB não organizaram com força o 30 de junho, pois foram pressionadas pelo PT, que prioriza acordos de cúpula para criar as melhores condições possíveis para Lula em 2018. Para nós, a tarefa central neste momento deve ser derrotar a Reforma da Previdência e demais ataques. Devemos seguir nas ruas para derrubar Temer e exigir eleições gerais já, e com novas regras!

CONSTRUIR UMA ALTERNATIVA DE ESQUERDA E SOCIALISTA

Não temos nenhuma ilusão na conciliação de classes. Defendemos a construção de uma alternativa para a esquerda brasileira que supere o Lulopetismo. É necessário forjar na luta a unidade política em torno de um programa de enfrentamento com o capital, unificando as organizações sindicais, populares e políticas da esquerda, que precisam se colocar em melhores condições para conquistar referência e ganhar maior influência política entre o conjunto trabalhador@s que lutam. Assim, nesses 100 anos da Revolução Russa, combatemos a direita e a conciliação de classes e vamos pavimentando a estrada para a construção do socialismo.

COMBATER TODAS AS FORMAS DE

OPRESSÃO

Outro elemento a que devemos dar muita atenção é o protagonismo que as lutas por direitos civis, democráticos e contra as opressões vêm assumindo. O desrespeito e a violência contra a mulher trabalhadora, a população negra das periferias e a comunidade LGBT são estatísticas que assombram e têm tornado a vida de milhares de trabalhador@s um pesadelo. Esses ataques fazem parte da ofensiva da burguesia e de seus setores mais atrasados e conservadores. O dep. Jair Bolsonaro é a expressão do que estamos falando. Pontua em segundo lugar nas pesquisas eleitorais para Presidente da República fazendo discursos machistas, racistas e homofóbicos. A força das bancadas BBBs (Boi, bala e bíblia) nas assembleias legislativas e Congresso Nacional também é um exemplo categórico de que estamos diante do recrudescimento de setores da ultradireita, que têm encontrado espaço na população para as suas ideias. O dia 08 de março foi muito especial, pois colocou as mulheres como protagonistas da resistência dos setores oprimidos, e também fortaleceu as demais lutas contra o ajuste fiscal e a Reforma da Previdência fortalecendo a resistência do conjunto da nossa classe. Sendo assim, é uma obrigação da nossa central dialogar e construir ampla unidade com os movimentos sociais que lutam contra as opressões e em defesa dos direitos da classe trabalhadora.

-UNIR TOD@S QUE LUTAM

Destacamos também a presença fundamental em todas as lutas de resistência dos trabalhador@s dos movimentos populares de luta por Terra e moradia, como também da juventude do movimento estudantil e dos movimentos de contra cultura da periferia das médias e grandes cidades. As recentes ocupações de terra, prédios e de escolas como método de luta já provaram sua importância para a nossa luta contra a ofensiva burguesa.

… POR UMA CENTRAL CLASSISTA, AUTÔNOMA, PLURAL, DEMOCRÁTICA, DE LUTA E INTERNACIONALISTA…

Queremos chamar atenção para as questões que envolvem a democracia e a metodologia de funcionamento da nossa central sindical. Pensamos que a direçäo majoritária da central impõe uma concepção de entidade sindical que dificulta que as distintas sensibilidades e opiniões políticas possam se expressar, representar, controlar e dirigir e/ou codirigir a CSP Conlutas. A central tem recebido a filiação de sindicatos combativos e setores políticos que ampliam a pluralidade da central. Essa metodologia excessivamente centralizadora e hegemônica fere o caráter de frente única que precisa ter uma central sindical. Esse curso, se não for revertido, poderá enfraquecer e isolar nossa pequena ferramenta, que hoje ainda é um importante polo que aglutina setores combativos do movimento sindical e popular brasileiro.

Por fim, queremos convidar tod@S @s trabalhador@s simpatizantes das ideias contidas nesse manifesto a vir dialogar conosco nos espaços e atividades do movimento, bem como em cada assembleia que irá eleger delegadas e delegados para o 3° Congresso da CSP-Conlutas que será realizado nos dias 12 a 15 de outubro de 201 7, em Sumaré- SP.

Assinam esse manifesto os membros efetivos e convidados da Secr. Executiva Nacional da CSP-Conlutas:

Neida Oliveira – Conselho Geral do CPERS-Oposição/ Construção Socialista.

David Lobão – SINASEFE / NOS: NOVA ORGANIZAÇÃO SOCIALISTA.

Gibran Jordão – Coordenação Geral da FASUBRA/#MAIS.

Gesa Linhares – SEPE/RJ / LRP.

Silvio de Souza – APEOESP / Oposição Alternativa / Conspiração Socialista.

Zé Campos – SINDSPREV/RS / NOS: NOVA ORGANIZAÇÃO SOCIALISTA.

Magda Furtado, suplente do SINASEFE / APS/Resistência e Luta.

Mauro Puerro – SINPRO / Guarulhos – Minoria da FEPESP / #MAIS.

Miguel Leme – Oposição Alternativa – APEOESP / LSR/Psol-Bloco de Resistência Socialista Sindical e Popular.

Ana Borguin – Diretora do Sindicato dos Metroviários de São Paulo – MES/PSOL

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