Hoje faz 72 anos: um crime de guerra em Hiroshima

Por Movimento Luta Pelo Socialismo (M-LPS) – Publicado originalmente no site da organização

Em seis de agosto de 1945, a superfortaleza voadora B-29, batizada como “Enola Gay” lançou a bomba chamada “Little Boy”, um artefato de 20 kilotons cheio de urânio 235 que detonou a 580 m acima da cidade. Explodindo por cima do Hospital Shima, tudo no raio de 1,5 km foi totalmente destruído, seis mil graus Celsius foi a temperatura alcançada no solo. Vítimas vaporizadas deixaram somente a sua sombra. Estima-se que 80 mil pessoas foram mortas na hora. Milhares morreriam nos dias, semanas, meses e anos seguintes.

O Domo, única construção que ficou de pé no ataque.
O Domo, única construção que ficou de pé no ataque.

Hiroshima tinha sido no séc. XIX quartel-general durante a Primeira Guerra Sino-Japonesa, mas durante a IIª Guerra Mundial foi uma das poucas grandes cidades nipônicas não bombardeadas por não ter indústria armamentista. Seu bom tempo foi a sua desgraça, pois foi escolhida como alvo no mesmo dia apenas por estar com boa visibilidade.

Muitos dos cientistas envolvidos no projeto que originou as bombas atômicas imploraram que não houvesse um ataque e sim uma demonstração de explosão às autoridades japonesas em um território neutro.

Falsa justificativa

A justificativa que o imperialismo estadunidense propagou naquele momento e nos anos seguintes era de que o ataque nuclear pouparia vidas dos soldados dos estados unidos e da população japonesa em uma invasão do arquipélago. Justificavam que o Império do Sol Nascente jamais se renderia, pois 28 milhões de fanáticos milicianos dariam a sua vida pelo Imperador. Nada mais mentiroso.

A verdadeira razão foi impedir que a União Soviética também invadisse o Japão e aumentasse a sua área de influência como já havia feito no leste europeu após a derrocada germânica. A invasão do Império Nipônico foi combinada pelas três potências aliadas na Conferência de Ialta, realizada entre 4 a 11 de Fevereiro de 1945. O assalto conjunto iniciar-se-ia em novembro deste mesmo ano com a invasão das ilhas meridionais pelos Estados Unidos e pela investida ao norte na ilha de Hokkaido pela URSS. Esta era a chamada Operação Downfall.

Só que os EUA acreditavam que os soviéticos não conseguiriam cumprir este cronograma, dado as imensas perdas que tiveram combatendo as forças nazistas. Estavam enganados, pois as forças das URSS já estavam posicionadas para esta tarefa como demonstraram na invasão da Manchúria em oito de Agosto daquele ano.

Truman, último presidente estadunidense pertencente a Ku-Klux-Klan, ordena o bombardeio logo após o fim da conferência de Potsdam (17 de Julho a 2 de agosto de 1945). Encontro este que define a partilha da Alemanha e do mundo entre as potências vencedoras.

Crime de guerra

Vítima carbonizada pelo ataque.
Vítima carbonizada pelo ataque.

A guerra tem regras e as principais delas é que não se pode massacrar a população civil para se atingir um objetivo militar. É proibido bombardear hospitais, escolas, asilos, creches e todos os lugares onde não militares habitam. O que uma bomba atômica faz? Ela arrasa tudo indistintamente, três quartos dos mortos desta cidade nipônica eram civis. O nome disso é crime de guerra. A violação suprema dos direitos humanos: o genocídio.

Qual seria a alternativa a este ataque atômico ou a invasão? Seria o caso dos aliados estabelecerem a paz com o Japão. O Império Nipônico já havia perdido a guerra, sua iniciativa perdeu-se na Batalha de Midway há três anos antes e levava desde então uma luta defensiva contra os EUA. Mas nenhum imperialismo se importa com a paz ele só termina a guerra se puder prostrar seu inimigo, mesmo que custe a vida dos seus soldados e da população do outro. Um armistício com o Império Japonês ainda de pé, mesmo que não possa se defender efetivamente, nunca foi uma opção, pois a rendição incondicional era o único objetivo.

Fontes:

Bodanis, David (2001) E=mc2: Uma Biografia da Equação que Mudou o Mundo e o Que Ela Siginifca. Rio de Janeiro: Ediouro.  ISBN 850000872-5.

Allen, Thomas B.; Polmar, Norman (1995). Code-Name Downfall. New York: Simon & Schuster. ISBN 0684804069.

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