A bola da vez

Por Carlos Zacarias de Sena Júnior, Colunista do Esquerda Online

Enquanto Michel Temer metia a mão no erário para remunerar deputados que terminaram por votar pelo arquivamento da denúncia oferecida pelo MPF, o ministro Henrique Meirelles se movimentava preparando a nova rodada de ataques aos direitos dos trabalhadores. Homem-forte do governo mais impopular da história do país, e grande aposta do mercado que espera pelas reformas, o pouco discreto ex-presidente do Banco Central nos dois governos Lula conseguiu suplantar até mesmo o histriônico deputado Wladimir Costa (SD-AM), que recebeu R$ 6,9 mi do governo federal através da liberação de emendas e nesta semana tatuou o nome de Temer abaixo de uma bandeira do Brasil, na altura do ombro direito. Numa semana movimentada em Brasília, entre os assuntos mais comentados constava a informação de que, em 2016, Meirelles recebeu 217 milhões de reais em lucros através de sua firma de consultoria que tinha a J&F, holding dos irmãos Batista, que controla a JBS, entre os clientes.

A notícia podia passar em brancas nuvens ou podia mesmo ser usada para demonstrar as qualidades de um executivo que já foi presidente internacional do Bank Boston e que depois de servir ao governo Lula veio a ocupar a presidência do conselho de administração da própria J&F. Todavia, em se tratando do homem que é uma das principais alternativas dos grandes grupos empresariais para 2018, o ministro que comanda a pasta que impôs a PEC 241 (do congelamento dos gastos por 20 anos), que viabilizou o PL 4302/98 (das Terceirizações) e ainda aprovou uma Reforma Trabalhista que altera a CLT em pelo menos 100 artigos, com grandes prejuízos para os trabalhadores, o fato se constitui em algo bastante grave.

Acrescente-se a isso a informação de que Meirelles recebeu a maior parte do dinheiro, cerca de R$ 167 milhões, em contas fora do país e ainda R$ 50 milhões quatro meses depois de ter assumido a pasta da Fazenda no governo Temer, e confirme-se mais um escândalo num governo pródigo em permanecer na mídia pelas gafes, trapalhadas e os episódios de corrupção que fariam os governos anteriores serem tomados por modelos de honestidade e zelo.

O homem que trabalhou com afinco pela aprovação dos maiores ataques à Constituição de 1988 e aos direitos dos trabalhadores em 100 anos, não pode seguir adiante, ainda mais porque sua próxima tarefa consiste em acabar com o sistema de previdência pública no país. Henrique Meirelles, como o governo Temer, merecem o escárnio público, e toda reprovação e ódio que vem sendo registrados pelas pesquisas de opinião brasileiros ainda deve parecer pouco diante do que a História lhes reserva. Oxalá a maioria dos brasileiros consiga sobreviver há mais esta semana de espetáculos que vão do risível ao trágico, para testemunharem o destino dessas tristes figuras públicas.

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