Aprender com os erros: por que PT e PSOL foram favoráveis à eleição de Ranieri na Câmara de Natal?

Por: Edgar Fogaça, de Natal, RN

Nesta semana, a cidade de Natal assistiu a mais um caso de corrupção envolvendo alguns dos principais líderes políticos do estado. O presidente da Câmara Municipal, Ranieri Barbosa (PDT), foi afastado do cargo na Mesa Diretora, em virtude da denúncia do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) de envolvimento do vereador em um esquema de corrupção junto à Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur).

O presidente afastado é parte da nova geração de políticos do estado, e nunca havia sido denunciado em casos de corrupção. Contudo, a investigação do MPRN desvendou que suas práticas são semelhantes àquelas dos eternos líderes da política potiguar, sempre aliado aos interesses dos empresários e das grandes empresas. Ranieri foi líder do governo Carlos Eduardo (PDT) na Câmara e braço direito do prefeito, durante a última gestão. Mas, apesar dessa trajetória, os parlamentares do PT Natália Bonavides e Fernando Lucena e o vereador do Psol Sandro Pimentel votaram nesse vereador para a Presidência da Câmara, no início deste ano.

Queremos iniciar um debate fraterno com esses parlamentares e suas correntes políticas.

Eleição da Mesa Diretora (2017-2018)
Em primeiro de janeiro, o então vereador mais votado do último pleito, Ranieri Barbosa (PDT), foi eleito presidente bienal da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Natal. Contou com o voto favorável dos 28 vereadores presentes. O único contrário foi o vereador Franklin Capistrano (PSB). Na ocasião, a bancada petista, representada pela vereadora Natália Bonavides e o vereador Fernando Lucena foram favoráveis à eleição de Ranieri.

Também favorável foi o voto do vereador Sandro Pimental, do Psol. Sandro é do Movimento da Esquerda Socialista, corrente interna do Psol. Sabe-se que o Presidente da Câmara possui cerca de 180 cargos, que serão repartidos entre os membros da Mesa Diretora. Os presidentes das comissões da Casa também têm privilégio, dispondo cada um de três cargos para sua livre indicação. Exemplo, o vereador ou a vereadora, presidente da Comissão de Educação da Câmara, terá, além daqueles relativos ao gabinete parlamentar, mais três cargos para a sua livre nomeação.

Além dos mais de 180 cargos de livre nomeação, o presidente da Câmara detém, ainda, o poder de firmar contratos e realizar licitações.

Campanhas e projetos diferentes
Durante o período eleitoral, os vereadores do PT e Psol estiveram em posições antagônicas ao partido de Ranieri (PDT), e defenderam projetos políticos bastante distintos. Enquanto aqueles denunciavam o golpe parlamentar, o vereador Ranieri permaneceu silente. Enquanto aqueles defendiam um programa contra as reformas, esse falava da necessidade dessas reformas para o país. Enquanto esse apoiava o governo Temer (PMDB), Carlos Eduardo e Robinson Faria (PSD), aqueles denunciam os casos de corrupção desses governos e o sucateamento dos serviços públicos, prejudicando os mais pobres.

Poderíamos citar aqui uma centena de diferenças políticas públicas entre eles. Contudo, o que levou esses parlamentares a apoiarem a candidatura de Ranieri e sua Mesa Diretora, composta por membros do PDT, PSD, PTdoB, PTN, PMB, PSDC, SD, PROS? São todos partidos que apoiam o governo Temer e as reformas contra a classe trabalhadora brasileira. Dessa aliança, jamais foi possível acreditar que sairia qualquer avanço para os pobres.

Até a noite desta terça-feira (25), as páginas oficiais dos vereadores do PT Natália Bonavides e Fernando Lucena nas redes sociais não haviam noticiado sobre o caso envolvendo o vereador Ranieri Barbosa. Já a página do vereador Sandro (Psol), publicou uma nota explicativa sobre o caso, deixando de citar o nome do investigado. É urgente uma posição firme e categórica desses parlamentares, denunciando o caso de corrupção e fazendo um balanço sobre o apoio que emprestaram ao presidente afastado.

Além disso, é dever dos parlamentares impulsionar a abertura de uma CPI junto à Câmara Municipal, para investigar o caso. Segundo noticiado no blog do BG, na manhã dessa terça-feira (25), um dos servidores presos na operação Cidade Luz estaria negociando um acordo de delação premiada, envolvendo o prefeito Carlos Eduardo.

A saída é por baixo
Não seremos levianos, não levantaremos hipóteses sobre as motivações do apoio desses parlamentares para a eleição do presidente, agora afastado por corrupção. Queremos que os parlamentares se manifestem, apresentem as suas razões, para que seja possível um amplo e público debate sobre o tema. Sobretudo, é preciso tirar lições do passado, deixando de insistir nos mesmos erros.

Mesmo após ter sofrido o processo de impedimento, a cúpula do PT continuou insistindo na aliança com os partidos do golpe. Nas eleições de 2016, uniu-se aos partidos da direita em milhares de cidades do país. Deixou de jogar força política e peso sindical na convocação da greve geral do dia 30 junho, que poderia ter sido um passo importante para derrotar as reformas e o governo Temer. As principais lideranças petistas não vão a público convocar a população para a ação direta nas ruas, buscando derrotar o projeto de destruição de nossos direitos, preferem negociar uma saída por cima.

Não podemos ter nenhuma ilusão nessa aliança. Precisamos de uma esquerda radical, que não vacile frente aos nossos inimigos. É dessa aliança que precisamos: com os pobres, os milhares de desempregados, os trabalhadores e trabalhadoras, a juventude pobre, xs oprimidxs e exploradxs.

Com a palavra, a vereadora e os vereadores.

Imagem: Café, 1935, Cândido Portinari

Comentários no Facebook

Post A Comment