Entrevista com Simone Dutra: a luta dos trabalhadores da saúde no Rio Grande do Norte

Por: Maurício Moreira, de Natal, Rio Grande do Norte

Conversamos com a diretora do Sindisaúde do Rio Grande do Norte Simone Dutra sobre a situação do sistema público de saúde do estado e as lutas dos servidores que acabam de iniciar uma greve por tempo indeterminado. Simone é uma reconhecida e combativa militante dos movimentos sociais no estado do Rio Grande do Norte e integra o Movimento Por Uma Alternativa Independente e Socialista (MAIS).

Esquerda Online:  Simone, qual o tamanho da crise que atinge o estado do Rio Grande do Norte?

A crise tem um efeito avassalador porque o governo Robinson faz o ajuste fiscal exatamente em cima das políticas sociais das quais depende a maioria da população do estado. O resultado é o caos vivenciado na saúde, na segurança pública e demais áreas essenciais.

EO: E qual o impacto dessa crise no sistema de saúde do estado?

A crise se expressa no desabastecimento dos hospitais estaduais, no fechamento de serviços como a UTI do Hospital Infantil Maria Alice Fernandes e da UTI Cardiológica do Hospital Walfredo Gurgel, na superlotação dos hospitais e, principalmente, pelo aumento no número de óbitos nestes serviços.

EO: O Sindsaúde tem sido um dos sindicatos que impulsionam o Fórum dos Servidores Públicos do estado do Ri Grande do Norte. Qual a importância dessa unidade?

A maior importância do Fórum dos Servidores Estaduais do Rio Grande do Norte é a unidade que foi estabelecida entre as diversas categorias e sindicatos para enfrentar os ataques do governo Robinson.

EO: Quais têm sido as principais reivindicações dos servidores públicos do Rio Grande do Norte?

A principal reivindicação é a atualização dos salários, visto que estamos há quase dois anos recebendo os salários após 10, 20 ou 30 dias de atraso, dependendo da faixa salarial.Outra importante reivindicação é a retirada de projeto de lei da Assembleia Legislativa que antecipa a reforma da Previdência do governo Temer e impõe uma alíquota que passa de 11% para 14%, como também reduz as pensões por morte.

EO: A greve da saúde se insere nesse contexto de luta contra o sucateamento e desmonte dos serviços públicos?

Completamente. A greve da saúde ocorre num momento em que  há um abrupto desfinanciamento imposto pelo ajuste fiscal do governador Robinson Faria. E para 2018 a situação pode piorar ainda mais, uma vez que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) enviada para a Assembleia Legislativa não prevê sequer a inflação do ano anterior, ou seja, é um versão piorada da nefasta PEC 55, que congela os gastos primários por 20 anos prevendo apenas a inflação do ano anterior. Sequer a reposição do salario mínimo é prevista na LDO e setores como a saúde, terão que “funcionar” com menos do que tem em 2017.

Foto: Sindsaúde-RN

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