Para onde vai o Rock?

Por: Ademar Lourenço, de Brasília*

Dia 13 de julho é dia mundial do Rock. Não dá para questionar a importância do estilo musical para história. Surgido nos anos 50, o ritmo originado do Rhythm and Blues dos negros norte-americanos se tornou uma expressão de inconformismo e rebeldia juvenil. Mas os tempos mudam e o bom e velho Rock And Roll não faz mais a cabeça dos jovens como antigamente.

Veio a música eletrônica, que na década de 90 se tornou bastante popular. O rap, surgido dos bairros negros dos Estados Unidos nos anos 70, também se popularizou no fim do século vinte. As batidas artificias, os samplers, a música pop e as rimas de rap hoje tem mais apelo que qualquer música baseada em guitarra, baixo e bateria. Rock se tornou coisa de gente com mais de 30 anos.

No Brasil, então, nem se fale. Há dois anos seguidos o rock não aparece nem entre as 100 músicas mais tocadas na rádio. Desde 2012, não aparece entre as 30. É claro que existem vários festivais de rock pelo país com um público considerável, bandas fazem algum sucesso pela internet, mas nada se compara com a popularidade que Legião Urbana e Titãs tiveram um dia.

Por que isto acontece? Uma juventude tão sensível à questão da representatividade de negros, mulheres e LGBTs simplesmente não se enxerga em bandas majoritariamente de homens brancos heterossexuais como Beatles, Pink Floyd, Led Zepellin, The Doors ou Nirvana.

As letras muito sutis, difíceis de entender e que falam de um conceito muito abstrato de liberdade também não empolgam um jovem de 2017. A performance em instrumentos musicais como guitarra e bateria é outra coisa que não faz muito sentido para o público de hoje.

Os jovens de 2017 querem uma música ágil, direta e que fale de sua realidade. Uma música de ritmo forte, dançante e melodia simples. Querem ver no palco gente que represente sua cor, orientação sexual, gênero e origem social.

Quem hoje em dia tem uma banda de garagem? Há alguns anos, montar uma banda e tocar em grandes festivais era o sonho de vários adolescentes. As milhares de pequenas bandas de rock eram verdadeiros núcleos de base de um grande movimento cultural. Hoje a meninada prefere promover batalhas de MCs e fazer vídeos no Youtube.

O Rock não morrerá, ainda há um público fiel, mas jamais terá a mesma popularidade de antes. Não temos que comemorar nem lamentar. Temos que entender que a música é um reflexo da sociedade, que está sempre em mutação. E que a juventude de hoje tem uma dinâmica diferente da juventude de tempos atrás. Que a geração atual se encontre de sua maneira.

* Esse artigo representa as posições do autor e não necessariamente a opinião do Portal Esquerda Online. Somos uma publicação aberta ao debate e polêmicas da esquerda socialista.

Foto: Voitaco

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