Aprovada a Reforma Trabalhista

EDITORIAL 11 DE JULHO

Congresso de maioria de ladrões e reacionários retira direitos históricos do povo trabalhador

Escrevemos este texto no calor dos acontecimentos, dessa noite de triste lembrança para a história da luta da classe trabalhadora.

Após mais um espetáculo de horrores, com direito a corte de som, luzes apagadas e interrupção da sessão por mais de seis horas, a maioria dos Senadores aprovou o texto base da Reforma Trabalhista (50 votos a favor e 26 contra), o mesmo que já tinha sido aprovado na Câmara dos Deputados. Todos os destaques foram rejeitados, sendo assim, o projeto já segue para sanção do presidente ilegítimo.

Este famigerado projeto altera mais de cem artigos da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), atacando direitos históricos da classe trabalhadora. Ele consolida em lei que o “negociado” está acima do “legislado”. Concretamente: praticamente todos os diretos dos trabalhadores consolidados em lei, após décadas de lutas, poderão ser flexibilizados por negociações coletivas entre patrões e empregados. Todos e todas sabem muito bem que essas negociações não são realizadas em absoluta igualdade de condições entre patrões e empregados.

A aprovação dessa reforma, que se junta à aprovação do projeto que amplia a terceirização para as atividades fins das empresas, vai representar um salto qualitativo na precarização e exploração do trabalhador. Um absurdo.

Tudo isso feito por um governo ilegítimo, envolvido até o pescoço em escândalos de corrupção. Aprovado por um Congresso de maioria de parlamentares picaretas, que foram eleitos com o dinheiro sujo do financiamento privado de campanhas eleitorais. Ou seja, as empresas pagam suas campanhas e eles retribuem atacando os direitos dos trabalhadores para aumentar ainda mais os já exorbitantes lucros dos patrões.

É importante ressaltar o papel cumprido pelas centrais sindicais, como a Força Sindical , UGT, CSB e NCST, que boicotaram a luta dos trabalhadores depois da greve geral de 28 de abril, privilegiando as negociatas com o governo Temer em relação ao imposto sindical. A CUT, maior central sindical do país, e a CTB poderiam ter exigido das centrais a greve geral para derrubar Temer e barrar as reformas. A realidade é que a CUT e a CTB cumpriram um papel de passividade frente à traição em curso das centrais. O PT mais preocupado em capitalizar o desgaste de Temer pensando nas eleições de 2018, optou pela oposição parlamentar e não na mobilização social contra as reformas.

Mas, a luta de resistência não pode parar. Perdemos uma importante batalha, mas a guerra continua

Para derrotarmos as reformas, derrubarmos Temer pelas mãos da luta dos trabalhadores e da juventude e garantirmos diretas, já para presidente e todo o Congresso, vamos precisar retomar o caminho da unificação das lutas.

As centrais sindicais devem parar de apostar na via morta das negociações dentro do Congresso e da aposta prioritária nas eleições de 2018.

O pacote de maldades do governo, do Congresso e dos patrões não vão parar, eles querem aprovar a reforma da previdência.

É urgente um novo calendário de lutas e de mobilizações rumo à construção de uma nova greve geral, mais forte e mais ampla do que a realizada no dia 28 de abril.

Foto: Lula Marques / AGPT

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