Até na morte eu ia de Vinicius de Moraes

Por: Ana Marchiori, de São Paulo, SP

“AMOR NOS TRÊS PAVIMENTOS
Eu não sei tocar, mas se você pedir
Eu toco violino fagote trombone saxofone.
Eu não sei cantar, mas se você pedir
Dou um beijo na lua, bebo mel himeto
Pra cantar melhor.
Se você pedir eu mato o papa, eu tomo cicuta
Eu faço tudo que você quiser.
Você querendo, você me pede, um brinco, um namorado
Que eu te arranjo logo.
Você quer fazer verso? É tão simples! … você assina
Ninguém vai saber.
Se você me pedir, eu trabalho dobrado
Só pra te agradar.
Se você quisesse!… até na morte eu ia
Descobrir poesia.
Te recitava as Pombas, tirava modinhas
Pra te adormecer.
Até um gurizinho, se você deixar
Eu dou pra você…

Marcos Vinícius de Melo Moraes nasceu no Rio de Janeiro, em 1913. Estudou no Colégio Santo Inácio e, depois, Direito. Advogado e Boêmio. Entre os anos 30 e 40, foi censor e crítico cinematográfico, iniciou carreira diplomática, em 1943, abandonando o Itamaraty para seguir a literatura e a música popular.

No dia 9 de julho de 1980 ele adormeceu, mas continua vivo em nossos corações. Quem ama, ama Vinicius.
Com a ascensão da “Bossa Nova”, Vinícius se dedicou, desde o final dos anos 50, a compor letras para canções populares. Em 1958, em parceria com Tom Jobim, trabalhou nas músicas de sua peça Orfeu da Conceição, de 1954.

Características Literárias
Tanto no tom exaltado, cheio de ressonâncias, como no tema e forma, a poesia inicial de Vinícius de Moraes está impregnada de religiosidade e misticismo neo-simbolistas.

A partir de Cinco Elegias, sua poesia se transforma, concretos e do cotidiano. Canta a mulher, o amor, o dia a dia e a valorização do momento, sua obra se desloca para a intimidade dos afetos e para um sensualismo erótico, contrastivo com sua educação religiosa. O poeta está sempre hesitando entre os prazeres da carne e as angústias do pecador.

Os sonetos são considerados a parte mais importante de sua obra. Com toques de erotismo e competência, ele revigorou essa forma de composição, ignorada pelos modernistas da primeira fase, produzindo, assim, alguns dos mais belos sonetos de nossa língua.

Principais obras

Poesia
O Caminho para a Distância (1933); Forma e Exegese (1935); Ariana, a Mulher; (1936); Novos Poemas I (1938); Cinco Elegias (1943); Poemas, Sonetos e Baladas (1946); Pátria Minha (1949); Livro de Sonetos (1957), Novos Poemas II (1959); O Mergulhador (1965); A Arca de Noé (1970).

Teatro
Orfeu da Conceição (1954); Cordélia e o Peregrino (1965); Pobre Menina Rica, (1962).

Crônicas
O Amor dos Homens (1960); Para Viver um Grande Amor (1962); Para uma Menina, com uma Flor (1966).

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